The Last Of Us - ST

De zuzasana

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Hawkins nunca foi uma cidade comum... e Ellie está prestes a descobrir isso da pior forma possível. Ambientad... Mais

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★ Apresentação ★
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01- A Chegada

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De zuzasana

Ellie acordou antes mesmo que o despertador tivesse a chance de tocar.

Por alguns segundos, ela permaneceu imóvel, deitada de costas, com os olhos fixos no teto do quarto. Havia uma pequena rachadura perto da luminária, algo que ela já tinha decorado sem perceber, como tantas outras coisas naquela casa. Seguir aquela linha irregular com o olhar era uma forma simples de manter a mente ocupada — melhor do que deixar os pensamentos correrem soltos.

Hoje era o primeiro dia.

A ideia veio devagar, mas trouxe junto um peso imediato no peito. Não era exatamente medo, mas também não era só nervosismo. Era algo mais difícil de nomear, uma mistura de expectativa com um tipo de alerta constante, como se alguma parte dela nunca realmente descansasse.

Do outro lado da porta, passos leves atravessaram o corredor.

— Ellie? — a voz de Rebecca soou suave, mas atenta, como sempre. — Você já está acordada?

Ellie respirou fundo antes de responder.

— Já.

A maçaneta girou lentamente, e Rebecca apareceu primeiro, apoiando-se de leve na porta. O sorriso que ela ofereceu era gentil, mas havia um cuidado ali, quase como se estivesse sempre avaliando o estado da filha antes de qualquer outra coisa.

— Dormiu bem?

Ellie hesitou por um instante, então deu um pequeno aceno de ombros.

— Mais ou menos.

James surgiu logo atrás, encostando no batente da porta com os braços cruzados. Diferente de Rebecca, ele não sorria tanto, mas sua presença tinha outro tipo de firmeza — uma que, de certa forma, deixava tudo mais estável.

— Hoje é um dia importante — ele disse, com a voz baixa e controlada.

Ellie desviou o olhar, já sabendo onde aquela conversa iria chegar.

Rebecca entrou no quarto com passos leves e se sentou na beirada da cama, ajeitando distraidamente o cobertor.

— Nós só queremos revisar algumas coisas — ela começou, com cuidado. — Só pra garantir.

Ellie soltou um suspiro curto, mas não interrompeu.

James deu alguns passos para dentro.

— Sem chamar atenção — disse ele. — Sem reações impulsivas. E, principalmente…

Ele não terminou a frase.

Não precisava.

Ellie fechou os olhos por um segundo.

— Eu sei.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável, mas carregava algo não dito. Rebecca estendeu a mão e ajeitou uma mecha do cabelo de Ellie atrás da orelha, um gesto simples que ela repetia desde sempre.

— O mundo lá fora não é como aqui — disse ela, com suavidade. — Lá, as pessoas não entendem.

Ellie olhou para as próprias mãos, apoiadas sobre o cobertor.

— E se eu perder o controle?

A pergunta saiu mais baixa do que ela esperava.

James respondeu primeiro.

— Você não vai.

Ellie ergueu os olhos, encontrando o olhar firme dele.

— E se eu forçar sem querer?

Dessa vez, Rebecca respondeu.

— Então você para — disse ela. — Você respira, desacelera… e lembra que você está no controle. Sempre.

Ellie queria acreditar naquilo.

De verdade.

Mas, no fundo, ela sabia que não era tão simples.

Por um breve instante, uma sensação familiar percorreu suas mãos — um calor sutil, quase imperceptível, como se algo estivesse prestes a despertar. Ela fechou os dedos imediatamente, interrompendo aquilo antes que se tornasse mais forte.

Rebecca percebeu.

Sempre percebia.

— Agora não — disse, com firmeza, mas sem dureza.

Ellie assentiu em silêncio.

A cozinha estava iluminada pela luz suave da manhã quando Ellie entrou alguns minutos depois. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente, misturado com o aroma leve de pão tostado. Era uma cena comum, cuidadosamente construída ao longo dos anos — uma tentativa constante de parecerem apenas uma família como qualquer outra.

James já estava sentado à mesa com o jornal aberto diante de si, embora não parecesse realmente estar lendo. Rebecca se movia entre a bancada e o fogão, terminando de preparar o café da manhã.

Ellie puxou a cadeira e se sentou, observando o prato à sua frente por alguns segundos antes de pegar o garfo.

— Você vai ficar bem — disse Rebecca, sem olhar diretamente para ela, como se tentasse manter o tom casual.

Ellie assentiu.

— Eu sei.

James finalmente abaixou o jornal, apoiando-o sobre a mesa.

— Se alguém fizer perguntas — ele começou — sobre de onde você veio, sobre sua família…

— Eu sei — Ellie respondeu, dessa vez com mais calma. — Eu nasci em outra cidade, a gente se mudou faz pouco tempo, vocês trabalham com pesquisa.

James sustentou o olhar dela por um momento, avaliando.

— Certo.

Rebecca se sentou à mesa, e por um breve instante, os três ficaram em silêncio.

Era um silêncio tranquilo por fora.

Mas por dentro, todos sabiam que aquela rotina tinha sido construída sobre algo frágil.

E que bastava muito pouco para quebrar.

Do outro lado de Hawkins, a manhã também começava a tomar forma.

As bicicletas estavam espalhadas pela calçada enquanto Dustin falava sem parar, gesticulando como sempre fazia quando estava animado.

— Eu tô dizendo, ele cresceu — insistia, com convicção. — Não é normal crescer assim de um dia pro outro.

Lucas cruzou os braços, olhando desconfiado.

— Nada disso é normal, Dustin.

Max, encostada na bicicleta, revirou os olhos levemente, mas ainda assim prestava atenção.

Mike permanecia um pouco mais afastado, mais quieto do que o habitual.

— A gente devia focar no Will — ele disse, de repente.

Todos olharam para ele.

Will estava ali, mas havia algo diferente. Ele parecia presente e distante ao mesmo tempo, como se parte dele ainda estivesse em outro lugar.

— Eu tô bem — respondeu rapidamente, rápido demais.

Mas naquele momento, um arrepio percorreu sua espinha.

Sem motivo aparente.

Ou pelo menos… sem um motivo que ele conseguisse explicar.

Ele olhou ao redor, confuso, como se tentasse encontrar a origem daquela sensação.

Mas não havia nada.

Ainda não.

Enquanto isso, um carro preto avançava pela estrada que levava até a cidade.

O homem ao volante dirigia com tranquilidade, mas seus olhos permaneciam atentos, calculando cada detalhe ao redor. No banco do passageiro, uma pasta aberta revelava documentos organizados com precisão.

Fotos antigas.

Relatórios incompletos.

Anotações que pareciam ter sido escritas às pressas.

Ele parou em uma página específica.

Um número destacado no topo: 009

Abaixo, poucas informações. A maioria dos dados parecia ter sido perdida… ou removida.

Apenas uma observação permanecia clara:

Status: desaparecida.

O homem fechou a pasta lentamente, apoiando-a sobre o banco.

Seus dedos tamborilaram uma vez sobre a capa, pensativos.

Do lado de fora, a placa surgiu à beira da estrada.

Bem-vindo a Hawkins.

Um leve sorriso, quase imperceptível, surgiu em seu rosto.

Ellie permaneceu parada por alguns segundos diante da escola.

O prédio era maior do que ela imaginava.

Pessoas entravam e saíam o tempo todo, conversando, rindo, ocupando o espaço com uma naturalidade que parecia impossível de imitar. O som dos armários batendo ecoava pelos corredores abertos, misturado com vozes que se sobrepunham em todas as direções.

Ela respirou fundo.

Uma vez.

Duas.

Então começou a andar.

Cada passo era calculado, não de forma óbvia, mas o suficiente para manter uma certa distância das outras pessoas. Seus olhos percorriam o ambiente com atenção, registrando saídas, corredores, pontos cegos — hábitos que ela nunca tinha realmente desaprendido.

Quando entrou no prédio, a sensação ficou mais intensa.

Era muita coisa ao mesmo tempo.

Muito barulho.

Muita gente.

Ela manteve o olhar à frente, tentando não chamar atenção, tentando se misturar.

Funcionava… mais ou menos.

Ao chegar perto da sala, ela diminuiu o ritmo.

Por um instante, ficou parada ali, observando o interior antes de entrar.

Respira.

Ela cruzou a porta.

E, no fundo da sala, quase no mesmo instante, Will levantou a cabeça.

A sensação voltou.

Mais forte agora.

Ele não sabia explicar o que era, mas havia algo diferente no ar, algo que não estava ali antes.

Seus olhos encontraram Ellie por um breve segundo.

Tempo suficiente.

Ellie desviou o olhar rapidamente e seguiu até uma das carteiras vazias.

Como se nada tivesse acontecido.

Mas alguma coisa já tinha começado a se mover, mesmo que ninguém ainda entendesse exatamente o quê.

——

A sala já estava quase cheia quando Ellie entrou, e por um breve instante ela permaneceu parada perto da porta, apenas observando. Havia algo estranho na maneira como tudo parecia acontecer ao mesmo tempo ali dentro — conversas cruzadas, risadas que surgiam e desapareciam sem motivo aparente, o som de cadeiras sendo arrastadas no chão e folhas sendo viradas com descuido. Era um tipo de desordem organizada, algo que todos pareciam entender naturalmente, menos ela.

Sem chamar atenção, Ellie caminhou até uma carteira lateral, escolhendo um lugar que lhe permitisse ver a maior parte da sala sem ficar exposta demais. O movimento foi discreto, mas calculado, como quase tudo que fazia. Antes de se sentar, deixou o olhar percorrer rapidamente o ambiente, registrando rostos, posições, portas, janelas — não por curiosidade, mas por hábito. Era uma forma de se sentir minimamente preparada, mesmo em um lugar onde nada parecia previsível.

Ao se acomodar, apoiou as mãos sobre a mesa por alguns segundos, como se estivesse se ancorando ali, lembrando a si mesma de que precisava apenas permanecer tranquila. Aquilo era simples, repetia mentalmente. Apenas observar, responder quando necessário, não chamar atenção. Era isso.

A chegada da professora trouxe uma mudança gradual no ambiente, não abrupta, mas suficiente para que o volume das conversas diminuísse e os alunos começassem a se voltar para a frente da sala. Ellie manteve o olhar baixo no início, mas sabia que aquele momento não passaria despercebido.

Quando seu nome foi mencionado, ela sentiu o peso imediato da atenção se voltando para si, mesmo antes de se levantar. Por um segundo, considerou falar dali mesmo, evitar o gesto, mas sabia que isso só chamaria mais atenção. Então se levantou, devagar, sentindo o próprio corpo um pouco mais rígido do que gostaria.

Ela não olhou diretamente para ninguém a princípio, mas ainda assim percebeu os olhares. Alguns curiosos, outros indiferentes, alguns avaliando sem disfarçar. Seu olhar percorreu a sala de forma breve até encontrar, quase sem querer, um pequeno grupo no fundo. Quatro meninos e uma garota ruiva, todos diferentes entre si, mas claramente conectados de alguma forma.

O que chamou sua atenção não foi o grupo em si, mas a forma como eram diferentes dos outros. Não estavam apenas curiosos — estavam atentos.

Especialmente um deles.

Will.

Ellie não sabia o nome dele, mas percebeu imediatamente que havia algo fora do comum naquele olhar. Não era julgamento, nem curiosidade simples. Era reconhecimento… mesmo que ele não soubesse do quê.

Aquilo foi suficiente para que ela desviasse o olhar.

Quando finalmente falou seu nome, a palavra saiu baixa, mas firme o bastante para cumprir o que era esperado. Não havia muito mais a dizer, e, felizmente, ninguém exigiu. A professora apenas assentiu, indicou que ela se sentasse, e a rotina da aula seguiu como se nada tivesse acontecido.

Mas, para Ellie, nada era tão simples assim.

Durante toda a explicação, ela tentou se concentrar, realmente tentou, mas sua atenção não se fixava. Parte dela acompanhava o que era dito, enquanto outra permanecia alerta, sensível a cada movimento ao redor. Era como se seu corpo estivesse sempre esperando por algo, mesmo quando não havia sinal claro de perigo.

No fundo da sala, a presença dela também não passava completamente despercebida.

Dustin, incapaz de ignorar qualquer novidade, foi o primeiro a comentar, ainda que em um tom baixo o suficiente para não chamar atenção da professora. Havia algo sobre Ellie que ele não conseguia definir exatamente, mas que despertava sua curiosidade imediata. Lucas, mais cauteloso, não discordava totalmente, embora evitasse tirar conclusões rápidas. Max, por sua vez, observava em silêncio, apoiada de forma relaxada na cadeira, analisando a nova colega com um olhar mais atento do que parecia à primeira vista.

Mike não disse nada, mas isso, por si só, já era significativo. Ele observava Ellie com uma atenção silenciosa, como se estivesse tentando encaixar alguma peça que ainda não fazia sentido. Havia algo ali que o deixava inquieto, uma sensação sutil, mas persistente, que ele já tinha aprendido a não ignorar.

Will, no entanto, era quem mais sentia.

Não como pensamento.

Mas como sensação.

Desde o momento em que Ellie entrou na sala, algo parecia ter mudado, como uma leve distorção no ar, difícil de perceber, mas impossível de ignorar completamente. Não era igual ao que ele sentia quando as coisas relacionadas ao outro lado aconteciam… mas também não era totalmente diferente.

Era próximo o suficiente para incomodar.

E isso bastava.

Quando o sinal finalmente tocou, marcando o fim da aula, a movimentação começou de forma gradual, mas logo tomou conta da sala. Ellie demorou um pouco mais para se levantar, esperando que a maioria já tivesse saído antes de se mover. Evitar o fluxo intenso parecia mais seguro, mais controlável.

Mesmo assim, o corredor estava cheio quando ela saiu.

O espaço parecia menor do que realmente era, ocupado por vozes, passos e movimentos que se cruzavam o tempo todo. Ellie tentou manter uma certa distância das pessoas, posicionando-se mais próxima da parede, reduzindo ao máximo o contato.

Ainda assim, não conseguiu evitar completamente.

Um esbarrão leve, quase insignificante, foi suficiente para desencadear uma reação automática. Não houve tempo para pensar, apenas sentir — o calor subindo rapidamente pelo braço, como um reflexo instintivo do corpo.

Por um segundo, o mundo ao redor pareceu desacelerar.

Ellie parou.

Respirou fundo.

Forçou aquela sensação a recuar antes que se tornasse algo maior, mais visível, mais difícil de esconder. Quando abriu os olhos novamente, tudo continuava aparentemente normal. Ninguém havia parado, ninguém estava olhando.

Mas isso não significava que não tinha sido perigoso.

Ela continuou andando, um pouco mais consciente de cada passo agora, quando ouviu alguém chamá-la.

A voz veio de lado, firme, mas sem pressa.

Era a garota ruiva da sala.

Max.

Havia algo na postura dela que contrastava com o resto do ambiente — uma tranquilidade natural, quase como se não se deixasse levar completamente pelo caos ao redor. Ela observava Ellie com curiosidade, mas não de forma invasiva.

A conversa começou de maneira simples, sem pressão, sem perguntas demais. Max comentou sobre ela ser nova, sobre o lugar, sobre como Hawkins podia parecer estranha no começo, mas acabava sendo fácil de entender com o tempo. Ellie respondeu pouco, mas o suficiente para manter o diálogo fluindo.

Não era algo forçado.

E isso fazia diferença.

Quando Max mencionou que também era relativamente nova ali, algo mudou, mesmo que de forma sutil. Não era mais apenas uma interação superficial, mas um pequeno ponto em comum, algo que tornava a conversa menos desconfortável.

O convite para mostrar a escola veio quase como uma continuação natural da conversa, sem peso, sem expectativa. Ellie hesitou por um breve instante — não por desconfiança, mas por falta de costume. Ainda assim, aceitou.

Enquanto caminhavam pelos corredores, Max ia apontando os lugares com naturalidade, explicando o básico sem exageros. Ellie prestava atenção, não apenas nas direções, mas na forma como Max se movia naquele ambiente com facilidade, como se pertencesse ali de um jeito que Ellie ainda não conseguia imaginar para si mesma.

E, pela primeira vez desde que havia chegado, a sensação constante de deslocamento diminuiu um pouco.

Não desapareceu.

Mas suavizou.

Do lado de fora, estacionado a uma distância suficiente para não chamar atenção, o carro preto permanecia imóvel. O homem dentro dele observava o fluxo de alunos com paciência, sem pressa, como alguém acostumado a esperar pelo momento certo.

A pasta aberta em seu colo revelava novamente as informações incompletas, o número que se repetia como um ponto fixo em meio às lacunas.

9.

Desaparecida.

Mas não esquecida.

Se ela estivesse ali, entre aquelas pessoas, não seria fácil encontrá-la.

Mas também não seria impossível.

E ele tinha tempo.

Mais do que qualquer outra coisa, ele tinha certeza disso.

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