POV Elizabeth:
Olhando pela janela do carro, vejo que a cidade até é bonitinha. Não me entenda mal, mas é que não estou acostumada com cidades pequenas. Eu até diria que a cidade é legal, se não soubesse das coisas que sei. Kate sempre me mandava cartas, me atualizando e dando informações sobre seus casos. Éramos como irmãs, embora ela fosse minha tia. Até que um dia ela parou de enviar cartas, e recebi uma ligação do Gerard, dizendo que eu não poderia mais ver a Kate, ou ele. Que deveria ficar em Londres, terminar meus estudos, e escolher uma faculdade boa. Desculpe vovô, mas não posso ser a menina certinha. Não quando sei quem eu sou e o que quero. E quero caçar, assim como você, assim como meu pai. Assim como Kate...
E com esse pensamento, voltei à realidade, com Chris me dizendo que havíamos chegado.
A casa Argent é bonitinha, assim como a cidade. Cidade pequena, todo mundo se conhece, fofocas correm pela cidade, e aah, não sei se aguento isso.
Chris me ajudou com minhas malas. Em Londres, eu tinha meu apartamento, minha pensão, minhas contas. Sabia me virar. Melhor do que morar na França, com um monte de criadas, paparicos e frufrus.
Não sei como vai ser aqui, mas espero que seja diferente. Espero que ela seja diferente.
E por falar nela, há uma garota descendo a escada. Não sei se é Allison, não sei como ela é. Quer dizer, meu pai me falou sobre ela no caminho, mas não a descreveu físicamente.
Nos últimos três degraus, a garota, supostamente minha irmã, correu, e quase voou até aqui embaixo. Ela me deu um abraço (e eu até acharia estranho, se não soubesse nossa história). Eu a abracei de volta. Quando nos afastamos, ela ergueu a mão como se nada tivesse acontecido, e me disse "oi".
Respondi um oi, apertando a mão dela. Chris finalmente quebrou o momento estranho.
Ele nos apresentou (uma coisa engraçada, já que com certeza uma sabia quem era a outra).
Eles me mostraram a casa, e Chris colocou minhas malas num quarto de hóspede que fica ao lado do quarto de Allison, e em frente ao "escritório" dele. Como disse, se não soubesse as coisas que sei, até acharia tudo bonitinho. Por exemplo: se eu não soubesse que a cidade está infestada de seres sobrenaturais, ela seria bonitinha. Se o "escritório" realmente fosse um, e não o segundo depósito de armas. Seria um escritório bonitinho. Ser um caçador muda sua perspectiva sobre as coisas. Você realmente enxerga o perigo.
Depois de jantar, com algumas perguntas de rotina, e eu diria algumas risadas minhas e do meu pai. Fiquei pensando, e percebi que a Allison não disse uma palavra sequer no jantar, embora ela também não tenha ficado de cara amarrada. Ela até dava alguns sorrisinhos de vez em quando, mas acho que ela não se divertiu nem um pouco.
Quando acabamos, Allison subiu para o quarto, mas não se despediu de ninguém. Meu pai não disse nada.
Talvez ela não tenha gostado de mim, talvez ela estivesse com ciúmes, ou talvez só seja tímida. Bem, não importa, cada coisa tem seu tempo.
Subi pro quarto, tomei banho, me joguei na cama e coloquei meus fones de ouvido. Essa é uma sequência que me acalma. Ouvi batidas na porta, então fui abrir. Era a Allison. Ela trouxe alguns pacotes de twizzlers. Convidei ela pra entrar, e ela sentou desconfortável numa cadeira perto da cama.
-Elizabeth, desculpa se eu fui meio estranha com você, eu não queria...
-Tudo bem Allison -interrompi- nem precisava se desculpar. Deve ser mesmo estranho ter uma garota diferente na sua casa. Entendo. Ta tudo bem. Ah, e não me chame de Elizabeth. Odeio isso. Me chama de Liz, muito melhor.
-Ok, Liz. Trouxe uns doces, meu pai disse que gostava. Também gosto aliás.
E ela abriu o primeiro pacote, (e todo mundo sabe que sou comprada por doces rsrs).
-Então Liz, qual sua arma preferida? Tipo, com o que você caça?
-Achei que minha irmã recém-conhecida me perguntaria coisas diferentes, tipo "como era sua antiga vida?", "gostava de como era?" eu esperava até mesmo um "você é virgem?". Mas essa me surpreendeu.
Caço com todo tipo, dependendo da caça. Sempre carrego armas, mas o que eu mais uso é meu bom e velho arco composto. O que você usa?
-Antigamente um composto, depois passei pra uma besta. Agora não preciso mais de armamento. Mesmo assim papai sempre faz com que eu ande com canivetes e facas. Mas você disse que sempre fica armada. Tem porte?
-É, tenho. Já sou maior de idade, embora não pareça.
-E ainda está no 3° do ensino médio? Quer dizer, eu estou no 3°. Já deveria estar numa universidade né?
-Deveria, mas estou dois anos atrasada. Tive que faltar muito enquanto estava em caçadas com o Gerard. Repeti dois anos do colégio.
-E vai estudar no colégio Beacon?
-Vou. Com vaga aprovada e assinada. Começo amanhã.
-Legal, quero te apresentar umas pessoas. Vai ser ótimo! - ela jogou as mãos pro ar fazendo como se tivesse numa balada- Mas agora, como era sua antiga vida? Gostava de como era? Você é virgem? -disse, parando com as mãos e abrindo um sorriso malicioso.
-Minha antiga vida era complicada. A única coisa que eu gostava era que morava sozinha. Fazia o que queria, na hora que queria. E a última pergunta prefiro não responder.
-Porque a resposta seria sim, ou porque seria não? - e ela deu aquele sorriso novamente.
-A minha resposta seria a mesma que a sua. Me diz então Allison, se você é -disse, imitando o sorriso malicioso dela.
-Não somos diferentes sabia? Caçamos com o mesmo tipo de arma (bom, quase). Gostamos de doces, nos esquivamos de perguntas constrangedoras, estamos no mesmo ano escolar, e não somos mais... você sabe.
Tenho que ir. Meu horário amanhã é apertado. O seu também, é melhor se preparar. Boa noite! -Allison saiu, e fechou a porta, e eu estava novamente sozinha.
Ainda passei um bom tempo ouvindo música, e quando me cansei fui dormir.
...
POV Allison:
Acordei com o despertador berrando no meu ouvido.
É hoje! Volta das férias. Rever o pessoal. Nessas férias todos viajaram, menos Malia, Stiles e eu. Eles estão sempre juntos, então basicamente passei as férias sozinha.
Tenho que levar a Liz. Estou anciosa para apresentar minha irmã mais velha pra turma.
Levantei, tomei banho, olhei no relógio e vi que bati meu próprio recorde: completei meu ritual matinal inteiro em dez minutos. O que me deixa com quinze para escrever. O café da manhã sempre fica pronto ás dez e meia.
Peguei meu diário aveludado, com um grande "A" pintado na frente. O abri, e comecei a escrever.
3 de agosto, segunda.
Dear Diary,
Ontem, quando minha irmã chegou, nem acreditei. Não sei o que me deu, mas quando estava descendo a escada, deu uma vontade de abraçá-la. Então eu o fiz. Fiquei com vergonha depois, mas não pude me conter. Quando o jantar acabou, fiquei ensaiando o que dizer para que ela não me achasse uma completa maluca. Meu pai veio falar comigo, me deu alguns pacotes de doces. Me disse que ela adorava, e foi a deixa que tive para falar com ela. A experiência? Não foi nada como eu imaginava (porque aliás, ela não é como eu achava). Elizabeth (agora Liz), é legal. Não é a mimada e fresca que eu achava. Ao contrário! Ela é divertida, sincera, e educada. Ela é mais parecida comigo do que eu pensava.
Meu celular tocou. Fechei o diário e fui atender. Ligação da Lydia.
Ligação on//
-Allison? Por favor me diz que vai hoje.
-Eu vou hoje - respondi rindo.
-Ainda bem! Cronograma de hoje?
-Vamos nos reunir com o resto da turma no estacionamento, pegar os horários, e espera, você sabe a ordem. Por que ta ligando?
-Pra falar a verdade? Queria saber se ela chegou mesmo, se vocês se deram bem, e como ela é. Tô curiosa!
-E não podia esperar mais meia hora Lydia?
-Responda logo as perguntas, e satisfaça minha curiosidade - disse imitando um tom sério, mas eu sabia que ela estava rindo.
-Ta! Ela chegou, a gente se deu bem e ela é legal.
-Não eram as respostas que eu queria. Isso ta muito vago. Preciso de mais detalhes!
-Allison! - ouvi meu pai chamando da cozinha.
Gritei um "to indo".
-Na escola Lydia - disse, voltando ao telefone.
-Mas Allison!...
-Tchau Lydia! - disse, interrompendo.
Ligação off//
Desci, e Liz já estava lá. Disse "bom dia" e peguei um copo de suco de laranja. Joguei o suco num copo de viagem, tampei, peguei a bolsa e ia saindo, quando a Liz me chamou.
-Alli! Pera aí. - ela gritou.
Admito que sorri com o apelido.
-Hum?
-Papai me disse que você está sem carro. Aluguei um. Bom, você precisa de tranporte, e eu de direção. Que ir? A gente se ajuda.
-Claro! Não tava mesmo com vontade de andar - e eu não estava mesmo. Adoro caminhadas, mas hoje é meu dia da preguiça.
Vi meu pai abrir um grande sorriso. -minhas filhas juntas e se dando bem - ele deve estar pensando.
Saímos, e não pude deixar de soltar um "uau". Ela alugou um porsche 911! É claro que ela não gastava muito em Londres. Ou tem uma boa mesada.
Entramos no carro, e eu automáticamente liguei o rádio. É o que fazia no meu carro, então peguei costume. Liz fez um olhar sério, e eu já ia desligar quando ela desmanchou e começou a rir. Foi um alívio. Achei que ela estivesse brava.
Indiquei o caminho, e chegamos ao estacionamento. Toda a turma já estava esperando: Ethan, Aiden, Scott, Stiles, Malia, Lydia, e ele...
Isaac vestia uma camisa branca, jaqueta de couro, tênis pretos, um óculos escuro, e aquele sorriso lindo. Ah, aquele sorriso que sempre me mata.
Sem pensar corri até ele e o beijei. Percebi o quanto tinha ficado com saudade dele. Falei com todos, quando fui falar com o Scott, percebi que ele quase nem estava presente mentalmente. Segui seu olhar, e ele me levou direto à Liz. Meu Deus, Liz! Tinha me esquecido!