Queijos. Lindas montanhas de queijo derretido. Vocês gostam de queijo? É delicioso! Não seria tão diferente se derretida a pele humana. Esteticamente, seria uma bela ilusão. Um delicioso cheddar humano! Certamente, uma iguaria chinesa... Entretanto, não é o nosso tema. Não há com o que relacionar minha análise, atualmente. Nada além de um doce e infantil devaneio. Embora, definitivamente, não existam impossibilidades.
Dualidades.
Junções.
Quando heróis se fundem a vilões.
Ao tardar da alucinante noite, Cardan e eu sobrevivemos por vinho, um delicioso bolo caipira e as preciosas memórias de infância. Embriagados e alucinados, não sabíamos distinguir verdade de mentira. Mas, garanto a vocês, gafanhotos. Jamais haverá muitos para se confiar...
- Acho que precisamos manter um perfil civilizado... Se queremos ser policiais, não estamos na melhor forma.
Suspirei, jogando todo o lixo fora. Acreditei que aquele bolo talvez estivesse envenenado, mas, por miséria, acordamos vivos. Não sou o melhor ator. Hollywood me jogaria de seu letreiro. Mas estávamos em performance... Precisávamos ser convincentes. Sendo um príncipe de contos de fadas, estar bêbado e delirando em peitos de papelão não era exatamente a perspectiva mundial.
- Seja suave e delicado. Você é a princesa, não é? E esconda as Playboy. Ninguém precisa conhecer isto.
Segurei-o pela camisa, jogando dentro do cubículo sanitário. O banheiro. Havia um mictório, exclusivo para os minúsculos pênis europeus. Completamente inusual. Encarei-me no espelho, na perna quebrada da mulher, refletindo sobre que merda estaria acontecendo. Nos infiltramos entre os heróis, e depois? Carnificina? Contra quem? Bem, espero que não façam barulho. Odeio choro de puta....
- Venha logo. Pretende atuar como um policial ou uma prostituta?
Reafirmando, qualquer vaidade feminina se torna insignificante ao lado disto. Não bastavam banhos como seres normais. Precisava radioativar sua pele com centenas de cosméticos. As vezes, usa um certo pó. Não a cocaína, é mais... Uma maquiagem.
- Não posso ser os dois?
Ignore os monstros e pararão de existir. Ao menos, consegui disfarçar nossa generosa hospedagem... Arruinada na primeira noite. Seria difícil performar, mas não há desafio que mereça ser recusado.
- Hawke!
Como a assombração que é, surgiu Passione, esboçando o mais artificial sorriso. É o que há de repulsivo em heróis. São artificiais, inteiramente irreais. A lei é patética e abominável. Se o presidente ordenasse ao Capitão-América "estupre todos nesta sala" para fins patriotas e jurídicos, o que consegue imaginar? Exatamente! Aqui temos a conclusão final!
Heróis são uma merda.
- Senhor Hawke... Notei que você e o príncipe, embora presentes na reunião, não deram as caras quando precisamos lutar. Há algo que desejas contar-me?
Eu não sou tão criativo, tenho que admitir. Eu posso compor canções, mas não significa que saiba roteirizar. Eu acho que não. Sobretudo, os recursos de um mudo são finitos. Minha performance como herói seria minha morte ou minha salvação.
- Vocês... Precisavam de melhor preparo, pois ainda não se adaptou bem a América... E o príncipe... Tem uma doença que o impede de receber sol... E... Ontem, foi o aniversário do príncipe?! Realmente? Que indelicadeza a minha... Agora eu compreendo.
Eu criei a teoria de que todos os europeus exaltam o Deus pênis. Não acredito que existam lésbicas ou homens heterossexuais. Se concretizaria e talvez tamanha descoberta conquistasse o Nobel, se não por um único empecilho: Cardan. O maior mulherengo vivo. Ou morto. O grande indicativo era Passione; às vezes, penso que os sete pecados capitais nada mais são que meus maiores adoradores. Seu 'diamantinho', Hector Müller, em especial, não passa de uma boneca pornográfica e peçonhenta dedicando-se a minha sedução. Exatamente como Coringa. Policiais, inexplicavelmente, contrariam tudo o que um homem de bem esperaria. A artificial gentileza aos chefões causa-me náuseas. Sou alérgico ao código penal.
- Bem... Como é sua primeira vez, posso perdoa-los. Porém não repita. Nem todos são tão legais.
Tapeou meu ombro, deixando escapar uma descontraída risada. Eu gostaria que ácido sulfúrico fosse nosso sabonete. Desejando morrer, lentamente, caminhava sobre seu solo policial, coberto por pólvora e leis. Aniquilaria minha memória quando fôssemos livres. Minha comunicação, ao menos, foi perfeita. Aprendi linguagem de sinais na guerra, quando, bem, não havia carnificina. Jamais pensei que seria útil, foi uma grande reviravolta! Sinceramente, atuar é mais divertido do que poderia imaginar.
- Esta é a Federação de Salvação Europeia. Por favor, acomodem-se. Nossa casa é vossa casa.
Cardan logo vinha, finalizando sua sessão de strip-tease. Tamanho era o poder de seus aposentos que, mesmo uma criatura como Cardan, não era capaz de manter de toda a sua euforia. Foram bons segundos encarando-nos silenciosamente, até alguém levantar-se em minha direção.
- Bem, acho que não nos apresentamos! Eu sou Howl, comandante das ações financeiras da FSE. Meu nome verdadeiro é Dominic, mas o público não sabe. Sou retratado como a Jadeite, e não seria capaz de pensar em significados agora. Se estiverem com dúvidas ou precisarem "limpar a sujeira", não hesitem em me procurar!
Howl... Transbordava elegância, muito mais que em fotografias. Vestia um branco sobretudo com detalhes em ouro. Sapatos, luvas e algumas jóias seguindo a mesma regra. Negros cabelos repicados e minúsculos, embora estranhamente marcantes, olhos. Sua mão direita erguida para mim, um cenário inimaginável. Despreocupadamente, apertei sua mão. Diferentemente das outras vezes que o fiz, não esboçou nenhuma reação. Eu não estava surpreso, eu não esperaria menos.
- Ethan, não é? Como você e o príncipe são novatos, é evidente que ainda não descobriram nosso mundo... Os jornais não ditam toda a verdade sobre nós, e mal sabem nossos nomes verdadeiros. Se me permitirem, gostaria de vos apresentar meus companheiros.
Conforme o plano do velhote... Atrairíamos cada um, tornariamos-os nossos amigos e então, a carnificina. Eu não queria que toda aquela merda saísse conforme seu plano. Mas talvez fosse divertido.
- Este é o Brutus, a rocha. Ele não é muito falante... Brutus adora quebrar coisas, e sua comida favorita é salada de pimenta. E não há folhas. Não sabe como se portar, geralmente depende de nós em questões mentais. Mas não tenha medo, Sir. Aaron. E quanto a você... Tenho a certeza de que não é um problema.
Eu? O que estava insinuando? Mas, sim, verdadeiramente, era um monstrengo do caralho. Não era um demônio e eu acredito que "humano" seja uma palavra forte demais para isto. Simplesmente existia, como o grande cão de guarda dos heróis. Seu... Canil? Não era muito infantil ou delicado. Noventa por cento da arquitetura era composta por pedras. Não havia uma cama ou móveis, somente uma televisão. Haviam dois cadáveres de bois jogados sobre o solo, repletos por clavas de pregos e madeira limpa. Iluminando a sala, nada além de fogo pelos quatro cantos. Estávamos em uma sede de heróis ou em uma máquina do tempo? Howl o acariciava, esperando acalma-lo desta maneira. Me pergunto se urina em postes.
Seguimos nosso caminhada, pela metódica, porém, patética, afiliação. Aparentemente, cada um dos sete possuía um próprio covil. Um lugar especial feito especialmente para eles. Curioso... Como seria o de Müller?
- Orfeu! Nosso... Orfeu acredita que não devemos usar suas habilidades tão obsessivamente. Embora, ainda assim, gerencie nossos planos. Nosso pequeno polônio.
Um cadáver. Longos e lisos cabelos negros cobriam o canto de seu rosto, suas roupas eram azuis e chumbadas. Não se tratava de um simples humano. Em sua boca, um donut de morango, sendo devorado. Sobre seu corpo, uma mesa, repleta por inúmeros pratos desconhecidos por mim. Devorava-os instantâneamente, ainda que nenhuma gordura fosse visível. Limitava expressões e gesticulava de uma maneira abstrata. Um geladeira, uma churrasqueira e um enorme armário. Todos deveriam estar lotados. Também haviam disfarces e um quadro, repleto de cálculos e rabiscos incompreensíveis. E também... Uma enorme harpa. Eu sei tocar uma harpa, mas é um instrumento angelical demais para mim... Apesar de tudo, os arredores da sala se consagravam com a mais alta tecnologia. Exceto por minha casa, acho que jamais vi algo tão... Este era seu grande detetive? Não sabia o que havia por ali, mas devo admitir, instigou certa curiosidade.
- Huh... Dom já me apresentou, não é? Mas eu não sou um covarde que foge da luta, como ele gosta de fazer parecer, só acredito que exista um momento correto para tudo.
Estendeu sua mão, completamente branca, dedos longos e magros. Seu estranho cubículo mostrava-se mais confortável que qualquer outra parte da sede. Um número de bandejas e taças que não posso contar em meus dedos, repletos por todas as comidas que poderia imaginar. Em especial, uma destacava-se no centro. Tão brilhante e deformada, não pude evitar meus olhares.
- Você é grande, forte... Quer Ambrosia? Pode pegar. Ou se preferir um nugget...
Eu não sabia o que era um nugget, tampouco, ambrosia. Deveria estar envenenado, e, francamente, melhor para mim. Logo, assumi. Ambrosia era a cintilante gosma. Sem hesitar, despejei o líquido, sólido, gosma em minha boca, devorando-o imediatamente. Eu achei que fosse morrer envenenado, e não estava exatamente errado... Seus componentes não se aproximavam de nada que eu já houvesse comido. Foi ejaculado, mas ao mesmo tempo, era delicioso. Eu nunca os vi venderem isto.
- Haha, não é vendida. É um prato especial da minha família. Não são muitos mortais que a conquistam. Dom desaprovou. Não é fã de doces.
Estava confuso sobre os dois. Deveriam ser as criaturas mais abomináveis, mas, ao invés disto... Tsk. Tudo é tão confuso, porra... "Mortais"? Aquele cara... O quê?
- Minha vez!
Cardan empolgou-se para a refeição, porém nenhum único músculo do homem se moveu.
- Não será possível, meu príncipe. Mil perdões.
Afirmou, sereno, retornando a seu banquete. Surpreendente! Eu achei que todos chupassem os pênis da realeza, mas negar um pedido direto de um príncipe não parecia o preocupar. Cardan cria ódio mortal tão facilmente quanto simplesmente existir. Certamente, seria o primeiro a matar. Howl havia experimentado. Por alguma razão, deu a mim também... Que padrão existia ali?
- Dominic, seu escroto... Você não achou que citar regras era importante o suficiente, não é? Sir. Aaron, e o grandão ali. Se há "paixão" é seu nome somente indica seu narcisismo, e Dominic não segue regras suficientes para disponibilizar-se a esclarecê-las. Então, sabendo de sua chegada, tomei a liberdade.
Regulamento? Tsk... Seríamos putinhas daquele viadinho pizzaiolo? Nem fodendo! De qualquer maneira, estar ciente das regras seria conveniente. Das mãos do cadavérico homem, retirei os papéis, analisando-os minuciosamente. Regras simples, nada extraordinário. Por exemplo, exigia que todos dormissem às onze da noite, sem luzes, sem barulhos. Boa parte equivalia a um mísero cronograma. Quando e como alimentar-se, lutar, respirar... Exigia que armas não produzidas pela empresa não fossem utilizadas, também que uniformes eram essenciais e não poderiam ser modificados. Todos precisariam ir para a batalha se Passione ordenasse, do contrário, rua imediata. Proibidas celebrações na sede, como Halloween, natal e ação de graças, negligência heróica a absolutamente qualquer civil e visitas por amantes ou familiares. Sobre circunstância alguma aliar-se a simples americanos ou autênticos demônios. Imagino qual seria sua punição... Não somente regulamentos, como uma generosa lista de pré-requisitos para tornar-se um dos heróis. Mais de um metro e setenta, ser minimamente útil e acima de tudo, é óbvio, nenhum registro criminal. Não fora escrito na lista, porém valia observar. Aparentemente, dentre seus odiosos mundos, proibiam negros. Mas não era como se o resto do mundo conseguisse se distinguir disto... Howl, em perfeita negligência ao regulamento, seguiu sua fala:
- Orfeu é esfomeado, especialmente, açúcar, e, por alguma feitiçaria grega, sempre mantém este corpinho. Mas não se engane por suas deformidades, tudo aqui foi construído por estas mãos engorduradas. E, cara, você precisa ver ele tocar aquela geringonça! Suas mãos... São demasiadamente hábeis.
Um riso escapou, intercalando olhares. Nenhum único som ou movimento, somente olhares inexplicáveis. Por alguns segundos, sua formalidade e elegância, desintegradas. O salafrário imediatamente alterou postura e expressões, virando-se para a porta.
- Tomamos demais do tempo de Orfeu. Deixem-o aí e sigam-me.
Aconselhou Howl, caminhando para além do cubículo. Mais divertido do que poderia imaginar. Embora, obviamente, não conseguíssemos espionar o templo de Passione. Deveria ser uma seita, de auto-veneração.
- Jason Jagger, J.J Swaniz. Como você é americano, é mais fácil explicar. Pense nele como uma personagem por Marilyn Monroe, acrescentando um pênis. Não somos amigos, mas é Enrico quem determina alianças. Funciona como isca, e é denominado o magnetita da turma.
Deste se quer se aproximou, mas eu conhecia o bastante para não desejar... Estava certo. O homem mal notou Cardan e eu. Pareceu nos repudiar. Seu perfeito cenário estava próximo a um quarto comum, se não fosse pela infinidade de espelhos e objetos sobre si. Talvez não saibam quem é Marilyn Monroe, então, para referências atuais... Regina George. Uma Regina George peniana dos anos oitenta. Fútil, narcisista e mimado como uma garotinha. Baseando-me em tudo o que conhecia sobre o cara, nada mais era, se não a patricinha dos filmes adolescentes. Eu adoraria mata-lo!
A inspeção, de fato, excedeu todas as minhas expectativas. Armas, armas, incontáveis armas. Vitorianas e normais. Cartazes de procurados, meus, de inúmeros outros criminosos, e meus novamente. Debates sangrentos e socos em concreto. Treinamento clássico. Páginas recortadas de jornais e fitas cassete com anônimas gravações. Convenientes figurinos e seus clássicos uniformes. Sete dourados distintos reluzindo sobre nós. Tive a enriquecedora oportunidade de presenciar Howl lançar um dardo em minha cabeça. Um cartaz, mascarado. Se continuasse assim conseguiria um autógrafo. Câmeras escondidas, tão fáceis de se localizar... Inventores construindo. Físicos calculando. Detetives investigando. Todos como meras marionetes de Enrico Passione, dedicando seus falhos neurônios a mim! Eu estou solenemente honrado.
- E por aqui, encontramos... Angelique. Angelique Montserrat Bourgeois. Minha... Irmã...
Parecia estar proferindo as piores palavras, não imagino o quão difícil era pensar que aquilo ali saiu da mesma barriga que você. Eu nunca tive irmãos, nem uma mãe. Sorte a minha a ausência de tantos pesos-mortos. Piorar o pior.
- Ela não é muito energética. Mas, por favor, não nos veja com esses olhos. Eles podem ter seus defeitos, mas todos na federação são extremamente habilidosos.
A mulher adormecida não parecia nem respirar. Como uma leres pedrinha. Howl se mostrava um tanto quanto constrangido pela cena. Reputação é realmente fundamental, não é? Qual a minha reputação? Sociopata americano? Maníaco? Perfeita Prostituta? Eu vivi muitas vidas, difícil escolher uma só...
- Hum...? Você é o príncipe...?
Questionou-me, bocejando. Não estava precisamente consciente... Sua mente seguia sonhando, mas ainda assistia a realidade. Howl apenas gesticulou em negação, para sua irmã que, obviamente, não compreenderia minha mímica. O que era previsível, levando em conta que nem mesmo Cardan era perfeito com isto. Cabelos emaranhados e as maiores olheiras que já vi em toda a minha vida. Coçava seus olhos, murmurando palavras inaudíveis. Howl afundou-se em seu sobretudo, sem mais uma única palavra. A sala da mulher mais se parecia com uma cama. Não um quarto, somente a cama. Paredes, teto e solo eram tão macios que se estivessem abaixo de um precipício, manteriam ilesa a vítima. Haviam seus equipamentos, armas, uniforme... Mas estávamos em uma grande nuvem da princesa Aurora. Como alguém alcança este nível?
- É melhor não confiar nesse cara. Hmm... Ele é um idiota... Mmmmm...
Deveríamos escutar alguém que se quer está consciente?
- Eu sou Angie... Angelique... Eu costumo capturar os bandidos, e dou as caras em entrevistas às vezes... Eles são todos muito leeentos... Me colocaram como grafeno mas... Uaah... Isso não passa de machismo...
Como os outros, estendeu sua mão. Quando a toquei, pareceu se assustar, recuperando energias e despertando. Qual é... Não sou tão agressivo assim... Era difícil entender sua fala. Até a suavidade exagerada é uma merda. Ela era a mais policial ali. Cardan, estranhamente silencioso, na realidade, dormia sobre o celeste quarto. Eu arrancaria sua cabeça. Precisávamos ser policiais... Poderia fingir possuir a mínima compostura.
- Lutamos bastante... Recomponha as energias, maninha. Em alguns dias, não conseguirá fechar seus olhos.
Concordou, encarando-me mortalmente. Fodi com a sua sonequinha? Que pena... Já estava fazendo inimigos. Eu achei que conseguiria manter meu perfil de princesa. Mas, aparentemente, não fora um problema definitivo. Em poucos segundos, adormecia outra vez, e agora, definitivamente. Cardan, arranquei do solo, chutando-o para fora. Não faria toda aquela merda para ter "nossos" planos arruinados por sua estupidez.
- É... Dom... Não tá faltando alguém?
Indagou o maldito, ao sairmos da sala. Qual era o seu problema? Eu precisaria arrancar suas cordas vocais? Eu mataria Cardan antes do natal. Sério... Que porra pretendia fazer?
- É evidente... Porém, nosso querido Hector vem apresentando... Pequenos problemas. Sejam cautelosos, é uma situação delicada.
Eu queria morrer... De antemão, meus pesadelos. Ali estava, Hector Müller, inteiramente petrificado, desde o tenebroso dia. Haviam se passando cinco ou seis dias desde nossa batalha, e eu sabia que existia algo por trás... Como somente meus ataques o trariam isto? Havia algo maior... Pior... Algo além de suas capas. Algo que estes herói não revelam a sociedade.
- Hector Müller, o diamante. Mestre em venenos e medicina. E, como Angie também, Enrico gosta de usá-lo como rosto da firma. Porque é bonito. Tentou até com Orfeu, mas diferente dos dois, sabe dizer "não". Ele é poderoso, embora os aparelhos médicos e bandagens não tornem o fato convincente. Só... Não tem a melhor saúde, e lutar contra aquele maníaco sanguinário foi o ponto de partida. Mas está melhor que ontem. Com vosso patrocínio, príncipe, conseguiremos melhores equipamentos para sua recuperação.
"Maníaco Sanguinário" foi o melhor que ouvi na semana. Não havia impeachment na Europa? Pessoalmente, Howl pareceu-me um líder estrondosamente superior a Passione. E fornecia melhores informações também. Não foi simplesmente eu... Hector estava doente em campo de batalha, e ainda conseguiu um tempo para me socar antes de sua morte. Claro que a facada também não ajudou... De onde estava, conseguia ver ataduras, bandagens cobrindo o exato ferimento que causei. Estava decepcionado por não ser eu a fazer isto, mas quanto mais cedo morresse, melhor seria.
- Tata... Nos contos de fadas, as princesas mortas sempre acordam com um beijo de amor verdadeiro.
Eu juro que irei trucida-lo. Cardan nada mais queria, se não foder com toda a minha vida. Suas insinuações, claro, referiam-se a um beijo meu, no maldito loiro. Eu arrancaria a minha boca antes! Apenas imaginar a possibilidade causava-me náuseas. E eu não queria acorda-lo. Pelo contrário... Sua morte seria minha grande realização.
- Hector está se recuperando. Assim que acordar, retornará as batalhas. Ficamos vulneráveis se ausente, igualmente para Brutus e Orfeu. Estando bem ou não, desde que viva, não conseguirá fugir... Precisamos matar aquele cara. Só assim teremos descanso.
Müller batalharia zumbificado. Da maneira como estava, uma garotinha o derrotaria. Assistir isto seria fascinante. Obviamente, o cenário que acompanhávamos não era de fato seu dormitório. Uma isolada ala hospitalar, com nada além de utensílios médicos e seu próprio cadáver. Como realmente seria seu lindo palácio eu não saberei responder.
- Hahaha! Espero que estejam se divertindo! Eu adoraria mostra-los o quarto do chefe, porém nós seis não o acessamos também. Sendo sincero, eu acho Enrico um tanto...
Sua fala interrompida, como se rompessem sua garganta. Em sua frente, inexplicavelmente, ele surgia. Passione, cercado por documentos.
- O que dizia, Dominic?
Howl riu, disfarçando tranquilamente. Cardan observava excitado, ansiando por caos e desespero. Estava óbvio o quão divertidos para Cardan seria nossa missão.
- Eu estava apenas apresentando a equipe para os dois. São tão amorosos! Deveríamos tê-los contratado antes.
Esclareceu-se, tapeando-nos levemente, com um enorme sorriso esboçado em sua face. Howl parecia teme-lo, somente sabendo que estava presente. O quão poderoso seria Passione?
- Não se deixem levar pelas palavras de Bourgeois. É um completo trapaceiro. Embora não possua crimes, seus truques não são para qualquer um.
Ouvi tanto sobre Howl... A personificação da ganância. Seu grande amor era o dinheiro. Possivelmente, a razão para nos cortejar não era nada mais que a gorda grana proporcionada pela alteza britânica. Adorava esbanjar e desconhecia a simplicidade. Toda a sua maestria incluía dinheiro, e, ridiculamente, era bom nisto. Não conseguia acreditar que estava perante a um herói, não um super criminoso. Não sabia como aqueles caras conseguiam ser vistos como heróis...
- Bisbilhotavam Müller novamente? Há alguma razão especial para tanto interesse?
Questionou o italiano, com seus dedos entrelaçados, encarando-nos como se desejasse nos matar. Desejava. Desta vez, Cardan não deu uma palavra, para o seu próprio bem. Müller, belamente, tinha sua vida lentamente esvaída. Inteiramente imóvel e silencioso, somente contemplava a visão. Meus olhos fixados a seu corpo dependente de aparelhos, minha mente projetando casa segundo de sua morte. Ah, mas que maravilhoso...! Seu obituário seria minha utopia.
- Está tudo bem com Drake?
Observando-me de soslaio, questionou. Eu estava exausto... Queria voltar para casa. Este lugar era monstruoso! Os gambés, heroizinhos... Um infernal local. Eu acabaria cometendo suicídio se precisasse ficar lá. Isto era prisão perpétua, e abuso psicológico.
- Tata? Ah, claro. Está lamentando-se por mulher e filhos que precisou abandonar na Europa. É uma garota doce, muito doce. E frágil demais para a guerra. Seus cabelos loiros e maestria sexual parecem realmente nostálgicos... Suponho que esteja com saudades de suas panquecas, ou talvez, seus fartos seios. Ela é...
Soquei sua mandíbula, antes que fosse capaz de pronunciar mais uma sílaba. Cardan, cinicamente, descrevia sua personagem. Não respirava verdadeiramente, tudo em Cardan eram mentiras. Adorava criar histórias, especialmente quando estas zombavam de mim. Parecia estar selecionando características que sabia que desprezava para a elaboração de sua personagem. Evidentemente, não havia garota. Jamais namoraria uma garota britânica. Uma japonesa, uma brasileira, talvez até Nefertari... Mas uma Europeia? Nunca. E não apenas isto... Eu jamais teria filhos, definitivamente odeio foder, e, sinceramente, jamais olhei diretamente para os seios de uma mulher. Não namoraria uma mulher "frágil e delicada", odiaria reescrever o conto da donzela em perigo salva pelo príncipe gostosão. Nojento! Sobretudo, loiras nunca fizeram o meu tipo...
- Oras... Não se preocupe. Quando dermos um fim a Griffith e seu império, tudo ficará bem.
Amorosamente, explicou. E, pela primeira vez, concordei com cada palavra proferida por Passione. Por um momento, nós quatro silenciosamente, imóveis, nos encaramos. Os adoráveis heróis contra os abomináveis vilões. Todavia, somente dentro daquele local, todos necessitaríamos de ser pacíficos e amigáveis. No tardar da noite, a carnificina, e muitos em pesadelos se afundariam, e chorariam amedrontados por seu destino. Uma guerra se iniciaria. Foi dada a largada para a grande guerra dos mundos, e somente carnificina dominaria. Entre pólvora, sangue e traições... O universo desmoronaria. E o sagrado caos reinaria. Uhhhhh... Nosso fim.