Ela jogou o anel nos pés dele e foi para o banheiro. Sebastian olhou para o anel no chão, pegou e saiu do quarto.
Sebastian: Cerquem a casa, ninguém entra e ninguém sai até eu voltar. Se ela fizer escândalos ou tentar fugir, tranquem-na no quarto.
Ele saiu, entrou no carro sozinho e saiu sem os seus homens, eles já sabiam para onde ele estava indo.
Rafaela se arrependeu de um dia ter revelado seus sentimentos para hoje serem pisados dessa forma, ela acreditava que ele sentia algo por ela, que fosse recíproco, mas a frieza dele e o rosto sem expressão nenhuma como é isso não fosse nada ou não importasse, foi horrível. Ela ficou sentada no chão do banheiro por horas, chorou colocando toda sua tristeza para fora, ela foi para a cama e ficou deitada.
Quando alguém bateu na porta, ela mandou entrar e então viu que era uma funcionária.
Funcionária: Posso servir o jantar?
Rafaela: Eu não jantarei, pode servir para o seu chefe.
Funcionária: Ele não está em casa, saiu horas antes e ainda não chegou.
Rafaela: Ele disse para onde foi?
Funcionária: Não senhora.
Rafaela: Pode pedir para a Carina vir até aqui?
Funcionária: O senhor Sebastian deu a ordem de que ninguém sai e ninguém entra.
Rafaela: Estranho seria se ele não fizesse isso, agora sou a prisioneira submissa. Pode me trazer um leite morno?
Funcionária: Sim, um minuto.
Rafaela: Obrigada.
A funcionária saiu, Rafaela foi até o escritório de Sebastian e pegou o telefone, ela voltou para o quarto e procurou o contato de Carina.
— Cah?
— Rafaela?
— Preciso tanto de você, não me nega isso também.
— O que aconteceu?
— Seu irmão não deixa ninguém entrar, pode apenas conversar comigo?
— Como assim? O que ele fez?
— Discutimos e ele saiu de casa.
— Estou indo aí, me espera.
— Mas ele...
— E você acha mesmo que Sebastian manda em mim? estou saindo.
Carina desligou, Rafaela ficou deitada até a funcionária chegar, ela entregou o copo e a olhou.
Funcionária: O senhor Sebastian é um bom homem, ele fica nervoso às vezes, mas se a senhora está aqui é porque ele a ama.
Rafaela: Está enganada.
Funcionária: Uma vez ele disse para a irmã dele, uma mulher só entrará nessa casa e dormirá na minha cama quando ela for a mulher para morrer comigo na velhice, a senhora está aqui hoje.
Rafaela: Ele nunca trouxe nenhuma mulher aqui?
Funcionária: Nunca, às vezes entram umas loucas aqui, mas ele as coloca para fora. São apenas mulheres fúteis.
Rafaela: Eu queria ter essa sua confiança, ele deixou bem claro hoje, não existe amor da parte dele.
Funcionária: Quando um homem como ele e na situação dele demonstra amor, assim ele se enfraquece na visão dos outros. Sebastian nunca namorou por isso, para não ser fraco.
Rafaela: E eu não quero que ele seja um homem fraco, eu jamais o tornaria assim.
Funcionária: Mas você não é um deles, você é uma mulher comum, sonhadora, quer amar e ser amada, ele não pode dar tudo o que você quer assim, uma tarde tranquila, paz é algo que raramente terá. Você agora é a fraqueza dele, se alguém quiser atingi-lo vai usar você, é assim que eles fazem, os inimigos dele estão por todas as partes. Se um dia ele disser que não ama você é mentira, às vezes ele faz isso para não a colocar em perigo.
Rafaela: Como sabe disso tudo?
Funcionária: Estou aqui há anos e ouço bem o que circula por aqui.
Rafaela: É muito com...
Elas ouviram um tiro, Rafaela olhou pela janela e viu Carina entrando com uma arma na mão. Elas correram para a sala, Carina entrou e guardou sua arma.
Rafaela: Que loucura é essa?
Carina: Acredita quererem me impedir de entrar? Mostrei quem manda.
Rafaela: Você os matou?
Carina: Apenas dois na testa.
Rafaela: Meu deus!
Carina: Estou brincando, foi no pé.
Funcionária: Deixarei vocês a sós.
Rafaela: Obrigada, pode ir descansar, boa noite.
Funcionária: Boa noite, fique bem.
Carina: O que aquele desgraçado fez?
Rafaela: Vamos subir.
Elas foram para o quarto, Rafaela voltou para o seu lugar e tomou um pouco do leite.
Carina: Você ta afogando as mágoas com um copo de leite?
Rafaela: O que tem demais nisso?
Carina: Faça-me um favor, Rafaela.
Carina saiu do quarto, ela voltou com uma garrafa de Whisky e se jogou na cama.
Carina: É com isso que afoga as mágoas e não leite. Você realmente não está bem.
Rafaela: HAHA, só você para me fazer rir a essa hora, por isso eu precisava de você.
Carina: Agora fala.
Rafaela: Seu irmão é muito complicado, agora sei como você se sentiu quando pisei nos seus sentimentos.
Carina: Você se declarou para ele, não foi?
Rafaela: Ele me deu um anel lindíssimo de rubi, é perfeito, disse ser para eu usar esse anel e nunca tirar do dedo. Seria como firmar um compromisso, que sou a mulher dele e iriamos nos casar. Mas tudo desandou.
Carina: Qual o problema então? Você não aceitou o anel?
Rafaela: Perguntei se ele me ama.
Carina: Entendi tudo.
Rafaela: Sou uma idiota.
Carina entregou a garrafa para ela beber e se sentou na frente para abraçá-la.
Carina: Não fica assim, Sebastian é muito idiota, ele tem medo e não sabe o que é isso, Rafa.
Rafaela: Como assim?
Carina: Ele não quer ser visto como fraco pelos outros por estar rendido aos pés de uma mulher, por isso ele será um pouco frio nos lugares, mas aqui entre vocês, ele não sabe o que é isso e está assustado. Você é a primeira mulher que ele amou, que ele firmou um compromisso, ele só se divertia com as mulheres e nunca deixou nenhuma delas se deitar nessa casa. É você a mulher da vida dele, mas agora ele não assumirá isso, é mais fácil ele assumir isso com atitudes do que em palavras.
Rafaela: Tudo bem em querer agir assim lá fora, mas aqui... poxa, só estávamos nós dois aqui dentro, foi uma pergunta simples, ele nem discordou se sou um objeto dele.
Carina: Você tem que ser paciente com ele, principalmente por ele ser inexperiente nisso.
Rafaela: Posso te fazer uma pergunta e você responder com sinceridade?
Carina: Sim.
Rafaela: Ele está com outra agora, não é?
Carina: Sim.
Rafaela: Seu irmão não me ama mesmo, isso só deixa claro, sempre que discutirmos agora ele vai correndo ficar com as putas dele?
Carina: Depende.
Rafaela: E você fala assim?
Carina: Você pediu que eu fosse sincera.
Rafaela: Estou arrependida.
Carina: De estar aqui?
Rafaela: Não, de um dia ter dito que amo ele.
Carina: Sebastian não merece suas lagrimas, enxuga seu rosto, ele cairá em si, quando se recuperar desse choque e quando estiver preparado se declarar.
Rafaela: Mais uma pergunta.
Carina: Você sempre faz perguntas assim quando está magoada?
Rafaela: Não faço mais.
Carina: Fará sim.
Rafaela: Ele espera que eu seja uma de vocês, não é?
Carina: Esperar, ele não espera, mas ele deseja.
Rafaela: Não consigo fazer isso, como dormirei sabendo que matei um homem?
Carina: Você acha que é assim? Que matamos qualquer um? Não é assim, matamos aqueles que merecem, os traidores, abusadores, traficantes de crianças, assassinos, quem quer nos matar.
Rafaela: Quem eu matarei?
Carina: Não sei, mas certamente alguém que esteja com o lugar garantido no inferno. Não é um homem de bem, você terá uma missão como uma das suas antigas.
Rafaela: É tipo uma missão de prender um assassino ou um ladrão?
Carina: A diferença é que você matará.
Rafaela: O anel era tão lindo.
Carina: Ah, não, não volta a chorar, bebe que passa, fica bêbada.
Rafaela: Você é maluca.
Carina: Ficaremos bêbadas.
Rafaela entregou a garrafa, Carina colocou na boca dela e só tirou quando Rafaela não aguentou mais. Elas deram risadas, a noite será longa hoje.