GABI
Acordo quando sinto a mão pequenininha da Ceci batendo no meu rosto.
Legal... acabei de receber um tapa na cara.
Abro meus olhos e pelo visto ainda não amanheceu.
Não faço a mínima ideia de que horas são agora, mas tenho certeza que não estamos dormindo a muito tempo.
Olho pro lado e percebo ela meio inquieta, a Karol dorme do outro lado da Ceci.
E diferente e nova essa sensação de estar dormindo assim, com uma criança na cama.
Ouço ela resmungando alguma coisa e por puro insisto levo a mão até seu rosto, sentindo que está um pouco quente.
Puta merda!
Me sento rapidamente na cama, acendo o abajur do meu lado e percebo que ela está com os olhos abertos, mas toda quietinha.
Pego ela no colo, seu corpinho parece estar frágil.
Resolvo acordar a Karol porque tô entrando em desespero.
Ela tá com febre.
— Vai ficar tudo bem, princesa— dou um beijinho em sua testa e levanto da cama, dando a volta e colocando a mão sobre o braço da Karol, dando uma leve balançada.
Ela acorda na hora, meio assustada.
— O que foi? O que ela tem?— pergunta rapidamente ao ver que estou com a Cecília no colo.
— Eu acordei e percebi que ela tá quente, tá com febre.
— Ai meu Deus!— sai da cama e fica em pé do meu lado, pegando a filha do meu colo.
— Vamos pro hospital?
— Acende a luz.
Corro até o interruptor, acendendo a luz.
Esqueci até que a Alexa existe.
A Karol deita a Ceci na cama e começa a tirar a roupinha que ela usa, deixando apenas de fralda.
— Você vai fazer o que?
— Ela tá com febre baixa, provavelmente por conta de algum resfriado, esse clima mudando a cada momento faz com que isso aconteça, vou dar um banho morno nela e se não ajudar a febre abaixar, vamos pro hospital.
Como ela consegue ficar calma? Eu já tinha caído durinho no chão.
— Eu tô calma porque já passei algumas vezes por isso, a pediatra que cuida da Ceci disse que essa é a primeira coisa que tem que se fazer quando perceber que ela tá febril, depois dar o remédio e esperar um pouco, se não melhorar aí sim precisamos procurar um médico.
— Entendi, vou tentar ficar calmo porque juro que tô quase tendo um treco.
Ela pega o celular que tava em cima da mesinha de cabeceira e mexe em algumas coisas até que eu vejo a imagem da Priscila na tela.
— A Ceci tá com febre baixa— avisa.
— Que? Assim do nada?
— Provavelmente é começo de resfriado, tá com o nariz escorrendo um pouco.
— Vai dar banho nela?
— Sim, agora, liguei pra você orientar o Gabriel como fazer a mamadeira da Ceci enquanto eu dou um banho nela.
— Tá bom, fica calma.
— Eu tô tentando, vou passar o celular pra ele— diz e me entrega o celular— desce lá e faz a mamadeira dela enquanto eu dou o banho, tá?
— Tá bom.
Olho pra Priscila que tá com a cara toda amassada, certamente tava dormindo.
— Qualquer coisa me chama— digo pra Karol.
— Tá bom, obrigada.
— Vamo lá, Gabriel, cê consegue.
— O que tá acontecendo?— ouço a voz do Fabinho e juro que meu lado fofoqueiro fica em alerta.
São três da madrugada, isso significa que eles tão dormindo juntos.
Saio do quarto e parece que a Priscila silencia a chamada porque não consigo ouvir mais nada.
Que merda, hein.
Quando chego na cozinha, pego a mamadeira e a embalagem com o leite que a Karol deixou em cima da bancada e apoio o celular pra poder ficar com as mãos livres.
— Fala aí, Priscila, faço o que?
— Calma aí.
— Oh Fabinho, acorda seu corno— falo um pouco mais alto pra ele escutar bem.
— Ele não tá aqui.
— Mente que nem sente, falsa, ouvi a voz dele.
— Não aconteceu nada.
— Tá, explica aí como faz porque eu juro que tô perdido.
Aí ela começa e me explicar passo a passo e eu juro que seria muito mais fácil fazer um leite de caixinha com Nescau.
— Agora pinga um pouco no seu pulso e vê se tá na temperatura certa.
— Como eu sei se é a temperatura certa?
— Puta merda, eu me estressei mais te ensinando a fazer uma simples mamadeira do que tudo nessa vida.
— É a primeira vez que eu faço, da um desconto aí.
— Só faz o que eu disse.
Aproximo o bico da mamadeira no meu pulso e balanço um pouco até cair umas gotinhas.
— Não queimou, tá morno— falo.
— Ótimo, é isso, agora experimenta.
— faz parte do processo?
— Sim.
Faço uma careta e pela Ceci, passo a língua no leite que eu tinha derramado ali e faço uma careta.
Que coisa horrível.
— Não deu certo, tá ruim demais.
— É assim mesmo, e olha que tá misturado, tá? Antes era pior ainda.
— Como ela toma isso?
— Sei lá, mas leite de peito é pior ainda.
Como eu tomava isso quando era criança? Credo.
— Então tá pronto mesmo?— pergunto, tô com o pé meio atrás.
— Sim, leva lá porque pelo tempo que a gente gastou aqui, ela já deve ter dado banho na menina.
— Vou desligar aqui, tá?
— Tá bom, vou ficar acordada, me atualizem.
— Ok, valeu.
Desligo a chamada e volto apressado pro meu quarto, encontrando a Karol enrolada na toalha enquanto veste uma fralda na Ceci que tá segurando o Gabigolzinho.
Percebo que ela tá melhor.
— E aí? Pergunto e ela me olha rapidamente.
— Melhorou.
Respiro aliviado.
— Dei um remedinho pra ela, já já melhora completamente.
— Graças a Deus, fiquei muito assustado quando vi que ela tava quente.
— Obrigada por ter percebido, eu tava dormindo e não iria perceber...
— Relaxa, já passou— me sento na beirada da cama e passo meu dedo indicador pelo nariz da Ceci que me olha— e aí, princesa, que susto você deu na gente, hein?
— E aí.
Nós dois sorrimos e a Karol veste uma roupinha nela antes de pegá-la no colo.
— Aqui, deu mó trabalho, mas consegui— entrego a mamadeira pra ela que se senta na cama e entrega pra Ceci que começa a tomar enquanto levanta uma das pernas e segura o pé.
Uma ginasta, eu diria.
— Você tomou banho também?— pergunto.
— Tive que entrar no chuveiro com ela— passa a mão no rosto— tô com muito sono.
— Eu também tô cansadão.
— Desculpa por esse caos todo.
— Ei? Não precisa se desculpar por isso, ok?
Ela apenas confirma com a cabeça e eu chego mais perto, segurando o pé da Ceci e dando um beijinho que faz ela afasta a mamadeira e dar uma risadinha.
— Isso mesmo, cecibordinado, beije o pé da rainha.
— Parece uma bisnaguinha, né?
— O pé dela é muito lindo.
— Puxou pro seu, então não é bonito.
— Caladinho.
Dou risada e jogo um beijinho pra Ceci.
A Carol deixa um beijo na testa dela e eu dou um sorriso ao ver todo o carinho e preocupação que ela tem pela filha.
— Já tá passando, pituca, toma esse mamá todo e dorme, tá bom? Amanhã você já tá bem de novo.
— Na primeira vez que ela ficou com febre como você ficou?— Pergunto.
— Desesperada, chorei muito e não sabia o que fazer, mas é incrível que com o passar do tempo a gente se acostuma com tudo isso, sabe? Hoje em dia quando isso acontece eu hajo mais na razão e deixo a emoção um pouco de lado.
— Você é uma mãe foda.
— Eu tento ser.
— Você consegue ser.
— Obrigada— sorri e encosta a cabeça no meu ombro.
No automático levo minha mão até sua cabeça e começo a fazer um carinho ali.
Percebo que a Ceci fecha os olhinhos e deixa a mamadeira de lado.
— Dormiu?
— Ela dorme rápido assim mesmo— ri— vou levantar com ela, pega a mamadeira por favor.
Tiro a mamadeira da mão dela e observo a Karol se levantando, deixando a Ceci em pé em seu colo e com a cabeça deitada em seu ombro.
Eu tô tão além que só agora que minha ficha que ela tá só de toalha começou a cair.
Lerdo demais!
Me levanto e deixo a mamadeira em cima da mesinha de cabeceira, arrumando a cama e deixando no jeito pra ela poder deitar a Cecília.
Quando a garotinha volta a ficar deitada, a Karol coloca o Gabigolzinho novamente perto dela e eu sorrio com isso.
— Vem cá, loira— abro os braços e chamo ela que me olha, mas não me ignora e vem até mim, aceitando o meu abraço.— Você é foda— beijo sua cabeça.
— Obrigada pela ajuda.
— Já disse que não precisa agradecer, agora veste roupa e deita, você precisa descansar também.
— Tudo bem— sorri fraco e se afasta.
Observo ela indo pro banheiro e pego meu celular, mandando mensagem pro Fabinho e dizendo que está tudo bem e que é pra ele avisar pra Priscila.
A resposta vem rapidamente e é só um emoji fazendo sinal de positivo.
Muito velho.
Apago a luz novamente, dessa vez pelo celular e me deito novamente na cama, tomando cuidado pra não acordar a Ceci.
Depois de um tempinho a Karol sai do banheiro e vai até o outro lado da cama, percebo que ela mexe rapidamente no celular antes de se deitar novamente.
— Gabriel?— chama baixinho.
— Oi, loira.
— Tem espaço aqui do meu lado, deita aqui?
Ela parece fazer essa pergunta com um certo receio, sou pego totalmente de surpresa, mas não evito um sorriso.
— Deito— me levanto e dou a volta na cama, deitando no espaço do lado dela.
— Obrigada por hoje, você foi incrível— cochicha.
— Não precisa agradecer.
— Preciso sim porque isso que você fez foi muito legal.
— Tudo bem, descansa, tá?
— Você também.
Gosto disso aqui. Por mais que também goste de provocações, o fato de nós dois estarmos com a guarda baixa me faz perceber que isso também é bom.
Não tem "máscara" nenhuma, esse é o Gabriel de verdade e acredito que a Karoline de verdade também.
— Boa noite— me dá um selinho antes de ficar de costas pra mim.
— Boa noite, loira— beijo seu ombro antes de abraça-la por trás.
Que dia movimentado!
Esses três...
Demorei pra postar pq minha internet deu uma caída, voltou só agr (ela é horrível)
Vocês tão me pedindo capítulo de mídia, o que gostariam de ver nele? Me contem aqui
Não esqueçam de interagir, eu volto amanhã com mais um capítulo pra vocês, acho que vão amar, hein?👀🥵