"I look through the windows of this love
Even though we boarded them up
Chandelier's still flickering here
'Cause I can't pretend it's ok when it's not"
(Death By A Thousand Cuts)
OLIVIA
Quase arremessei a caixa da pizza sobre o balcão da cozinha.
Meus dedos digitaram o número de Sebastian tão rápido que não deu nem tempo de eu lembrar que o seu contato estava há muito tempo gravado no meu celular.
— O que foi? — Patricia perguntou caminhando até a pizza.
Fiz um gesto displicente com a mão enquanto ouvia os toques do telefone de Sebastian.
— Olá, aqui é Sebastian. Acho que deveria dizer para você deixar um recado, em vez disso vou dizer que se você deixar provavelmente eu não vou ouvir, mas tá tudo bem. Vá em frente, siga seu coração.
Apertei o ossinho do nariz, e estava prestes a ligar de novo quando uma mensagem apitou no meu celular.
Sebastian
Boa noite, amor.
Não pensei que fosse me ligar
tão rápido.
Mas, como sei sobre o que é
que você quer falar comigo, e eu
só tenho pouquíssimas oportunidades
de você me dar ouvidos, me recuso
a conversar qualquer coisa pelo telefone.
Pode ligar, eu não vou atender.
Por mais que esteja morrendo de
vontade de ouvir sua voz.
Caso tenha reclamações de qualquer tipo
estarei totalmente disponível para ouvi-las.
Pessoalmente.
Sonhe comigo. Eu com certeza vou sonhar
com você.
Beijos de luz.
— Olivia? — a voz de Patty soou ao longe e eu pisquei, percebendo que estava quase esmagando meu celular entre os dedos.
Contei até dez.
Por que ele tinha que tornar tudo mais difícil? Como ele sabia do aluguel? Por que estava mandando mensagens como se ainda estivesse tudo bem entre a gente e seu único objetivo fosse me tirar do sério?
Meu celular apertou novamente.
Sebastian
P.S.: Gostei de reviver essa
dinâmica Mr. Darcy e Elizabeth
entre nós.
É realmente verdade que um
homem solteiro e em posse de grande
fortuna (eu) esteja procurando uma
esposa.
Quer se candidatar?
Eu estava de boca aberta. Agora Sebastian estava brincando com a situação? Por que eu estava tão surpresa assim?
E o mais preocupante: por que ele estava tão calmo com tudo?
SEBASTIAN
algumas horas antes
O endereço era o de uma lojinha de conveniências bem perto do meu apartamento.
A pessoa disse que estaria com um casaco lilás e eu a encontrei de costas, no fundo da loja, analisando o que tinha nas geladeiras.
Quando ela se virou, eu paralisei.
— Uou, uou, uou... — falei erguendo as mãos ao reconhecer Rebecca. — O que está acontecendo aqui?
Olhei para os lados esperando ver Max saindo de trás de alguma prateleira, mas, exceto pelo atendente no caixa, estávamos sozinhos no estabelecimento.
— Oi, Sebastian. — Rebecca disse sem jeito.
— Você...Por que...O que faz aqui?
— Eu te disse ao telefone: preciso falar sobre Olivia.
Estreitei os olhos ainda tentando entender o que estava acontecendo.
Seria alguma armadilha? Alguma pegadinha? Alguma armação para me verem com Rebecca e fazer Olivia pensar um monte de besteiras.
Mas enquanto eu pensava, Rebecca voltou a encarar as freezers até escolher o que queria, abrir e colocar na cestinha em seus braços.
— Quis dizer o que está fazendo aqui na capital.
Rebecca saiu andando devagar analisando as prateleiras e eu a segui.
— Tive alguns problemas, Olivia me trouxe com ela. Eu e Judith estamos ficando no seu apartamento. Até eu achar um lugar por aqui que caiba no meu bolso.
Minha cabeça deu um nó.
O que faltava acontecer? O mundo ficar de cabeça para baixo? E por que Rebecca e Judith estavam procurando um lugar para ficar sem Max?
— Por que Olivia aceitaria você na casa dela?
Rebecca suspirou, analisando a embalagem de um salgadinho.
— Porque ela é uma pessoa muito melhor do que jamais eu serei. E por não ter meios de recompensá-la no momento nem como apagar o que fiz no passado, o mínimo que posso fazer é tentar consertar a bagunça que ela está criando na própria vida.
— Irônico você querer reparar seus erros depois de tanto tempo. Depois que provavelmente descobriu que Max não é quem você pensava.
Rebecca parou de andar e riu um pouco.
Ela me olhou por cima do ombro.
— Faz bastante tempo que sei que Max não é quem eu pensava ou queria que ele fosse, Sebastian. Ele fez questão de deixar bem claro todos os dias que ficamos juntos oficialmente. Confie em mim, busco um meio de reparar meus erros desde o dia que eles começaram a acontecer, mas a vida não é um conto de fadas e as coisas não se resolvem como num filme.
Ela continuou a andar.
— Enfim, não estou aqui para fazer gostar de mim. Sentir pena ou qualquer merda. Eu não sinto, acho que é bem merecido cada coisa que estou passando. Mas Olivia não. — Ela pegou um enlatado e aproximou do rosto para ler o rótulo. — Você já deve saber disso, mas Olivia é uma das pessoas mais corretas que existem. Ela tem um imenso prazer em seguir regras e fazer tudo da melhor maneira possível. — Rebecca fez uma pausa enquanto colocava o produto na cesta —Além disso, ela tem uma personalidade extremamente forte, o que significa que para fazer ela mudar de ideia ou fazer algo duvidoso vai levar muita força de vontade ou paciência. Ou um bem maior muito importante tem que estar em jogo.
— E você me trouxe aqui para me coisas que, com cinco anos trabalhando lado a lado com ela, eu já percebi.
Rebecca suspirou.
— Ouvi dizer que ela contou para todo mundo sobre o acordo de vocês. O tal "contrato de casamento". Contou que para ela sempre tinha sido aquilo: um contrato. E que quando conseguiu uma oferta melhor, não precisava mais fingir. — Rebecca virou para mim. — Mas todo mundo com olhos está certo que, se aquilo foi apenas um combinado entre vocês, ele não durou nem um dia. Eu tenho olhos. E eu conheço Olivia desde que éramos bebês. Ela estava brilhando, resplandecendo ao seu lado. Não se finge só assim.
— Ela disse que entrou neste acordo para proteger o emprego dela. Um ato de desespero. — rebati, tentando não me apegar muito à esperança que as palavras da mulher na minha frente me faziam ter.
— E eu não duvido. Olivia jamais faria um planejamento todo desses para conquistar você, mas, mesmo inconsciente, ela te escolheu especificamente por um motivo que não estava relacionado a "apenas garantir o emprego".
Abrindo o casaco, Rebecca tirou um envelope dentro de um bolso interno e me entregou.
Olhei suspeito para Rebecca antes de tirar o papel de dentro da embalagem já aberta.
Era uma notificação de atraso de aluguel.
No nome de Olivia Sartori.
— Ah, tem mais um. — Ela me entregou outro envelope, dessa vez lacrado, direcionado a Olivia com o emblema de um banco.
Abri apenas para ler a quantia exorbitante que estavam cobrando a ela de diversos empréstimos com valores bem parecidos que ela tinha feito nos últimos anos.
— Você queria um motivo sólido por que ela entrou nesse acordo. Aí está.
— O que isso significa para o nosso relacionamento?
— Esqueça o relacionamento por apenas um instante. Foque no como é coerente ela recorrer ao contrato com você. — Ela bateu levemente na folha de papel. — Agora, se ela recebeu uma oferta muito melhor em outra empresa, se estamos aqui há uma semana, por que ela continua recebendo essas cartas? Por que não fez uma negociação? Por que eu a vi separando coisas como estivesse pensando em se mudar?
Abri a boca, mas eu sabia que não tinha o que dizer.
Olivia não deixava as coisas para depois. Com um novo emprego ela já teria dado um jeito naquela situação.
Por Deus, ela estava prestes a ser despejada?
Reli o comunicado do aluguel mais uma vez, o número do proprietário no final.
Rebecca falou:
— Olivia só abriria mão de algo importante assim por algo que ela considerasse ainda mais. Para ser sincera, não consigo pensar que exista algo mais importante para ela do que você.
Olhei para ex-amiga de Olivia sem palavras.
Se Olivia não tinha terminado comigo porque recebeu outra oferta e não precisava mais fingir, o que havia acontecido?
— Quem nos deu carona para a capital no dia do casamento foi um rapaz. — Rebecca revelou, virando para entrar em outra seção. — Eric Santiago. Esse nome significa alguma coisa para você?
— Era ele que estava nas fotos que me enviou, não é? — ela confirmou.
— Olivia foi bem discreta em não revelar nada demais na conversa deles, mas encontrei esse papel no banco de trás do carro. — Ela me entregou mais uma folha, dando um sorriso amarelo. — Prometo que é a última.
Observei o que tinha acabado de parar nas minhas mãos e era nada mais, nada menos que uma foto do nosso contrato.
— Por que está me contando isso, Rebecca?
A mulher suspirou pesadamente.
— Só estou cansada de ver Olivia aparecendo de manhã, fingindo que não passou a noite toda chorando. Por razões óbvias, eu não sou a melhor pessoa para consolá-la. — ela comentou secamente. — Depois do que eu e Max causamos a ela, depois de todos os anos cedendo à vontade dos outros sobre quem deveria ser, o que deveria fazer e com quem deveria estar, Olivia merece ser genuinamente feliz. E se você é mesmo o cara certo, acredito que vai dar um jeito de não deixá-la se afastar, não é?
Olhei para os papéis na minha mão e os analisei. Apesar de me darem uma nova visão sobre tudo, também abriam novas perguntas.
Quando percebi, Rebecca já estava pagando suas compras no caixa.
— Até mais, Sebastian. Você deve saber pelo menos por onde começar.
OLIVIA
Patricia estava segurando o riso enquanto lia as mensagens.
— Ou ele é muito bom ou não tem o mínimo senso de preservação. — Ela comentou olhando para mim. — De qualquer forma, gosto muito desse cara. Como pode passar anos em pé de guerra com ele?
Minha amiga deu apenas uma olhada para o meu rosto transtornado e teve sua resposta.
— Ah... claro, ele te irrita profundamente. Mas veja pelo lado bom, agora você tem uma coisa a menos para se preocupar.
— Você acha mesmo, Patricia? Ferrante não deveria estar pagando minhas dívidas, muito menos sair dizendo por aí que ainda é meu noivo. Sabe o que pode acontecer se o maldito do dono daquela empresa ouvir isso? Sabe o que pode acontecer se ele sequer pressentir alguma interação entre mim e Sebastian? Sabe o que pode acontecer se eu não desencorajar Sebastian? Ele pode ser muitas coisas, mas, nesse caso, a pior é ele ser persistente. Acredite em mim, quando esse homem coloca algo na cabeça...
Patty suspirou.
— Nossa, não consigo imaginar uma única pessoa no mundo que seja parecida com ele. — Ela olhou para mim, com um sorrisinho irônico. — Não, espera...
— Estou falando sério.
— E eu também, Liv. Só acho que duas cabeças pensam melhor do que uma. Talvez vocês dois pudessem achar uma maneira de sair dessa juntos.
— Há muita coisa em jogo.
— Eu sei... Aquela mocreia maldita. — Franzi a testa. — Tenho certeza que tem o dedo dela de alguma forma nisso tudo.
— Você está falando de quem, pelo amor de Deus.
— Da jabiraca Julie. A minha "teoria da conspiração".
Comecei a rir.
— De onde você tira esses nomes absurdos? Da sua avó? — Patty deu de ombros. — Qual é, Patty? Sei que minha situação com a Julie não era das melhores, mas...
— Mas o quê? Aposto que na cabeça dela, ela tinha motivos suficientes para querer separar você do Sebastian. — Patricia começou a listar nos dedos. — Ela sempre deixou claro que não achava que você "servia" para ele. Ela provavelmente ficou revoltada quando Sebastian escolheu ficar com você ao invés dela. Além disso, você mesmo me contou que na primeira vez que eles ficaram juntos foi porque ele ainda estava se recuperando do término com a ex. Quer apostar que, nesse exato momento, ela está planejando o melhor jeito de se aproximar de Sebastian para consolá-lo?
Passei as mãos pelo rosto.
— Sei lá, parece surreal que ela envolveria a minha carreira e a de Sebastian só porque ele não quis nada com ela. Eu não tive nada a ver com isso. Eu tentei ajudá-los a ficarem juntos.
— Você se apaixonou por ele, acho que é o suficiente para qualquer pessoa obcecada ficar com raiva.
— Ainda parece absurdo e... — Uma peça se encaixou na minha mente.
Lembrei do dia em que eu e Cecília conversamos e ela me disse que o pai de Julie era amigo do dono da B&T, que Sebastian havia sido considerado para o cargo de estagiário graças a sugestão de Caleb, mas eu conseguia imaginar quem realmente havia feito Sebastian ser contratado.
O senhor Boscher insinuou sobre consequências de cumprir um favor pessoal ao contratar Sebastian, e a contração havia acontecido na mesma época que Eloise largou Ferrante.
— Meu Deus do céu...— sussurrei, ainda tentando assimilar o fato que se aquela teoria fosse verdadeira, Patricia não estaria errada e Julie realmente era obcecada com a ideia de ficar com Sebastian.
Bem, fazia muito mais sentido do que o dono da B&T ficar obcecado por dois funcionários que não representavam nada na vida dele.
— O que foi? — Patricia perguntou, me olhando com preocupação.
— Acho melhor a gente começar a comer essa pizza antes que congele. Acabei de preencher algumas lacunas da sua teoria da conspiração e não sei se consigo contar de barriga vazia.
SEBASTIAN
Olivia não respondeu minhas mensagens, mas eu também não esperava que ela o fizesse.
Eu a conhecia bem demais para esperar que ela se pronunciasse imediatamente.
Então decidi focar no meu novo cargo, ao mesmo tempo que construía meu caso para explicar porque eu acreditava inteiramente que Olivia não havia me deixado no altar por vontade própria.
Depois de organizar a equipe da melhor forma possível, explicando como esperava que tudo funcionasse agora que Sartori não estava mais ali, fui até o RH buscar algumas informações.
Não foi fácil convencer o pessoal a me passar as informações da saída de Olivia, mas, no fim tudo estava batendo no sistema com o que Sartori havia me dito.
Ela havia entrado com o pedido de demissão na manhã do nosso casamento. O motivo era a contratação em outra empresa.
Só que quando a moça responsável pediu para ir no banheiro por alguns instante e tomasse conta do computador — sem mexer em nada — claro que eu fiz aquele favor.
Mas também mexi em tudo o que podia e não podia e comecei a acumular inconsistências.
Embora o pedido de demissão estivesse cadastrado pela manhã, o horário do email em que ela pedia o desligamento marcava horas depois que Olivia havia ido embora. Como o sistema havia adivinhado num domingo que uma funcionária pediria para ir embora?
Além disso, se o motivo da demissão era outra empresa, por que Olivia ainda estava procurando outro emprego e receberia uma carta de recomendação do próprio senhor Boscher em dois dias?
Ouvi passos se aproximando e voltei para meu lugar, como se nada tivesse acontecido.
A mulher havia ajeitado o cabelo, e ela pareceu ter retocado o gloss.
Eu podia jurar que sua camisa social agora tinha um botão a mais aberto.
— Sinto muito por vocês dois não terem dado certo. — ela disse, suavemente, se sentando na cadeira em frente ao computador.
Ah, claro.
— Tenho quase certeza que você me chamou de cafajeste quando não liguei no dia seguinte para a sua amiga de departamento.
O rubor em seu rosto revelou que ela tinha acabado de se lembrar daquele fato, porém, ainda assim, ela estendeu a mão e a colocou sobre a minha.
— Acho que o meu problema é ter uma quedinha pelos cafajestes. — Ela disse baixinho, depois de olhar para os lados e verificar que não vinha ninguém.
Puxei minha mão de volta, mostrando a que ainda estava com o anel do noivado falso entre mim e Olivia.
— Sinto em dizer que meus dias de cafajestes para o público geral acabaram. Quem aproveitou, aproveitou... — Pisquei para ela, que arregalou os olhos e então pareceu profundamente decepcionada.
— Ah! Eu achei que... sinto muito. — ela disse sem graça.
— Não tem problema, eu entendo e obrigado pela ajuda. Poderia me dizer se o doutor Santiago está na empresa hoje?
•
Bati na porta da sala de Santiago e ele pediu para que eu entrasse.
Notei que sua pele empalideceu pelo menos um tom ao me ver, mas ele se recuperou rápido.
— Senhor Ferrante, que surpresa...hm, vê-lo por aqui.
— Tenho certeza que sim. Como está passando? — perguntei caminhando em direção à sua mesa. Junto aos costumeiros porta retratos dele com sua esposa, agora havia um com a foto da recém-nascida nos braços da mãe e ele logo atrás.
— Eu estou bem. — ele forçou uma risada. — Quer dizer, a maioria das noite passadas em claro, graças a um serzinho de centímetros, mas bem. E você? Eu, hm, ouvi que o casamento com a senhorita Sartori não deu certo. Sinto muito.
Me sentei na cadeira à frente de sua mesa e cruzei os braços.
— Ah, ouviu? Pensei que o senhor tinha presenciado em primeira mão, afinal, estava lá, não estava? — Santiago engoliu em seco e eu peguei o meu celular, abrindo nas fotos que Rebecca havia me enviado. — Olivia não pegou uma carona para ir embora com o senhor?
Dessa vez, toda a cor do rosto do advogado sumiu.
— E-eu...não é o que você está pensando.
Eu soltei o ar pelo nariz.
— Se acha que eu estou pensando que ela fugiu com o senhor, não. Esse não é o problema.
Pela sua expressão, por um instante parecia que ele preferia que fosse aquilo mesmo.
— Quero saber o que o senhor sabe sobre o meu contrato com Olivia.
— Seu...contrato... com Olivia? — Assenti. — Não entendi sua pergunta.
— Você entendeu muito bem. — Peguei a foto impressa do contrato e coloquei sobre a mesa. — Esse contrato.
Eric Santiago fingiu analisar a folha pela primeira vez, mas apoiou na mesa novamente, dando de ombros.
Sem nem mesmo demonstrar nenhum choque ou ultraje, apenas fingindo confusão.
— Eu não sei do que se trata. — ele limpou a garganta. — Olha, senhor Ferrante, eu estava sim no seu casamento porque fiquei sabendo o dia que vocês celebrariam e eu estava por perto, resolvi prestigiar, mas, devido ao desfecho de tudo, preferi não comentar. Sei que deve ter sido um momento difícil para o senhor e...
— Quem te informou o dia da cerimônia? — pressionei.
Ele pareceu desconcertado.
— Não lembro muito bem quem foi.
Balancei a cabeça, mas Eric sabia que eu não estava acreditando numa palavra. Ele tinha que saber.
— Veja bem, Santiago, sei que muito provavelmente você não tenha nada a ver com essa confusão, que agora você e sua família devem estar com muito na cabeça. Mas...eu amo, Olivia. Talvez eu não fizesse ideia antes, porém é provável que a amei desde o primeiro instante que a vi. Sei que você entende o que é amar alguém, agora mais do que nunca. E também sei a imagem que esse contrato passa sobre nós dois, mas ele não significa nada. Não sei se já significou algum dia.
Santiago se inclinou, apoiando os cotovelos na mesa.
— Infelizmente, Sebastian, eu queria poder fazer alguma coisa pela sua situação, mas eu não posso. Se tem um conselho que eu consigo te dar é para seguir em frente. — Ele passou a mão sobre a boca, como se calculasse suas próximas palavras. — Se amando ou não, pelo que vi neste contrato, a situação de vocês não é nada favorável, mas vá em frente e tente tirar a limpo com o seu chefe. Eu não tenho nada a ver com a saída de Olivia da empresa, muito menos com o casamento de vocês. Só sei que Olivia fez uma escolha e talvez seja a hora de você facilitar as coisas para ela e simplesmente aceitar.
Bufei.
— Nunca é uma escolha quando você não tem outra saída viável.
Santiago deu de ombros.
— Você acabou de assumir um cargo que vai fazer toda a diferença no seu currículo. Tenho certeza que Olivia vai por caminhos igualmente maiores. Nem sempre todas as áreas da nossa vida vão dar certo ao mesmo tempo. Foque na responsabilidade que tem agora, no que você tem nas mãos. Há uma equipe inteira esperando que você os leve ao sucesso. Tenho certeza que, se os dois realmente tiverem um amor forte, vão achar uma maneira de ficarem juntos mais para frente. A espera pode valer a pena.
O advogado me lançou um sorriso de canto desanimado.
Nem ele acreditava nas suas últimas palavras.
Me levantei da cadeira sem dizer nada e caminhei até a porta.
Mas antes de sair, olhei por cima do ombro e disse:
— Já esperei por cinco anos. Não pretendo esperar mais.
✥✥✥
Nota da autora:Heeyyy, meus amores! NOSSO HOMEM N ESTÁ PARA GRACINHAS
e o quebra-cabeça tá começando a ganhar forma!
ME CONTEM OQ ACHARAM DO CAP!!
morrendo com a rebecca tomando atitude (só falta tacar fogo no max)
CHEGAMOS EM 90 MIL (sim, noventa MIL) leituras e eu queria saber se vcs conseguem transformar em 100 mil antes do último capítulo de CDC!! Indiquem para os amigos, vai me fazer mto feliz <3
A gnt se vê no sábado!!
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