Novo Horizonte - AMOSTRA

By Dira_A

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Novo Horizonte foi o primeiro livro que eu escrevi, lá em meados de 2008. Escrevi e deixei engavetado, ou mel... More

Novo Horizonte - Sinopse
Prólogo
- Capítulo 01 - A Casa na Montanha -
-Capítulo 02 - Nessa espera -
- Capítulo 03 - Lado Z -
- Capítulo 05 - Melhor pra mim -
- Capítulo 06 - Mais perguntas que respostas -
- Capítulo 07 - Tudo sobre amor e perda -
- Capítulo 08 - Garotos -
- Capítulo 09 - Esse outro Mundo -
- Capítulo 10 - Falando de amor -
- Capítulo 11 - 40 Dias no Espaço -
- Capítulo 12 - Quando a dor te corta -
- Capítulo 13 - Canção pra quando você voltar -
- Capítulo 14 - Nada Tanto Assim -
- Capítulo 15 - Como eu quero -
- Atenção -

- Capítulo 04 - Você sabe o que eu quero dizer -

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By Dira_A

"E a minha dor fica pra depois, porque o seu silêncio é quase sólido. Eu dou voltas pra chegar até você, mas não sei cruzar o seu deserto frio e lógico... (Que é o que restou pra mim)"

Você sabe o que eu quero dizer – Leoni / Luciana Fregolente


Acordei com olheiras no dia seguinte, o Apollo fez o favor de me lembrar assim que o encontrei na porta de casa a fim de irmos para escola.

– O que você fez ontem à noite? – Perguntou ao me ver.

– Nada. – Respondi seca. Falta de sono tem o "dom" de me deixar mal-humorada.

– Esse nada te deixou com olheiras terríveis.

– Tenho espelho em casa, Apollo.

– Vai morder tua mãe, Lua. – Respondeu ríspido e depois fomos calados o restante do caminho. Não me importei, era de silêncio mesmo que precisava.

O Apollo e eu éramos assim, falávamos o que queríamos, e quase nunca discutíamos sério. Gritávamos um com o outro às vezes, mas fazia parte da nossa relação e dificilmente passávamos um dia sem nos ver. Ele me conhecia e sabia como eu era. Se provocava, era porque queria ouvir um palavrão ou uma resposta atravessada.

Chegamos à escola e nos sentamos nos lugares de sempre. Ele na minha frente, Natália ao meu lado e Roberta atrás dela. As duas ficaram caladas quando viram meu cenho fechado. Também já me conheciam, não tanto quanto o meu melhor amigo, é claro.

Não sei o motivo real dos professores de segunda não implicarem com os meus cochilos, talvez por ser a filha do prefeito, ou a melhor amiga do filho da coordenadora da escola, ou talvez por saberem que eu trabalhava até tarde aos domingos. Só que eu sempre dormia nas primeiras aulas da segunda e nunca me acontecia nada.

Eu adorava o cheiro do Apollo e me aproximava o máximo possível para dormir sentindo o aroma do perfume dele. Quando acabou a última aula antes do recreio, ele soprou no meu ouvido e acordei arrepiada. Ele sorriu e me deu um beijo na testa, sinal de que não havia resquícios do meu ataque de mais cedo.

Eu odiava o lanche da escola e quase sempre levava algo de casa, porém naquele dia acordei atrasada e esqueci de pegar alguma coisa. Praguejei quando meu estômago roncou. O Apollo ouviu e me entregou uma barra de chocolate que recebi com um sorriso rasgado.

– Adoro quando você sorri assim... – Disse olhando nos meus olhos.

– E eu adoro quando você age como um cavalheiro e traz coisas gostosas para mim! – Eu o agarrei pelo pescoço e inalei seu perfume até que a Roberta se aproximou da gente e reclamou.

– Dá para desgrudar vocês dois? Não suporto isso. Tanto mel essa hora da manhã me enjoa.

– Desculpa se você não tem ninguém assim para te abraçar. – Apollo provocou.

Eles não se davam bem, nunca se deram, e não tenho a mínima ideia do motivo. Eles se aturavam por minha causa, e só. Já Natália não, ela também adorava o Apollo, mas ela era a melhor amiga da Roberta, então não podia dar muita bandeira. Roberta xingou alguma coisa e eu enfiei um pedaço de chocolate na boca do Apollo para impedir que ele respondesse e eles não parassem mais de brigar.

O recreio passou rápido como sempre e nós voltamos para sala de aula. Natália e Roberta à frente e eu e o Apollo atrás delas. No fim da manhã o Apollo me deixou em casa e foi almoçar com a família dele.

À noite fui dar aula particular. Eu ensinava três crianças que moravam perto da minha casa, dois irmãos e um vizinho deles.

Na terça-feira, na saída da escola, vi o carro do Eduardo parado numa sombra do outro lado da rua. Me afastei um pouco do Apollo para que ele não pensasse que eu tinha namorado.

– O que foi? – Apollo estranhou.

– Nada! – Menti descaradamente e ele pareceu acreditar. O Eduardo estava encostado no carro e sorria para mim, e eu disse ao Apollo que não ia para casa.

– E você vai aonde? – Quis saber. Mas demorei muito para achar uma resposta e ele sacou que eu não queria falar.

– Te espero mais tarde lá em casa. – Disse. – Com a resposta.

– Eu te amo! – Sorri e sussurrei para ele, depois virei e segui na direção do Eduardo.

Hello, stranger! – Falei ao me aproximar e ele sorriu, os dentes brancos alinhados brilhando para mim.

Hello, ruiva.

– Querendo voltar para a escola? – Iniciei um diálogo.

– Nem em pesadelo, já me livrei há dois anos. – Mais uma informação sobre o Eduardo, se ele terminou o colegial com a idade certa provavelmente tinha entre vinte e vinte e um anos atualmente.

– O que você faz aqui então? Além de me esperar, é claro! – Brinquei e arqueei a sobrancelha para ele.

– Apenas te esperar. – Respondeu me olhando da cabeça aos pés, me deixando vermelha. Não sabia se ficava feliz ou triste, afinal sempre odiei aquele uniforme do século passado que éramos obrigados a usar: uma camisa branca de botão com um bolso e o emblema da escola do lado esquerdo e uma saia azul escura de pregas. Ao contrário de mim, o Apollo adorava, porque deixava nossas pernas à mostra. Os garotos usavam calça azul escura, camisa e gravata.

Para não deixar o Eduardo perceber minha vergonha, sentei no capô do carro ao lado dele, de forma que ele não olhasse diretamente para o meu rosto.

– Em que posso servi-lo? – Provoquei, lembrando o domingo à noite.

– Você não trabalha às segundas. – Afirmou e confirmei com a cabeça, completando:

– Apenas de sexta a domingo, dias de maior movimento. Você esteve lá ontem?

– Almoçar e jantar novamente. – Admitiu.

– Você não pode ficar se alimentando assim. – Ralhei e ele sorriu, me deixando sem graça. Eu não era mãe dele para ficar cuidando disso, mas estava preocupada.

– Imaginei que você ia dizer algo assim.

Queria gritar, queria muito gritar naquele momento, no entanto mordi meus lábios para evitar qualquer reação errada. Como assim ele imaginou o que eu ia dizer? Ele pensou em mim! Pensou na minha humilde pessoa e fiquei toda boba. Como permaneci calada, incapaz de organizar uma sentença sequer depois do que ouvi, ele continuou:

– Vim pedir tua ajuda. – Apenas o olhei, encorajando-o a continuar. – Nunca morei sozinho antes, e na verdade nunca fiz compras para uma casa.

– Ok, entendi, vamos ao supermercado.

Ele pegou minha mochila e abriu a porta do carro para mim. Em menos de dez minutos estávamos no único supermercado da cidade, os outros mais pareciam com mercearias. Pegou um carrinho e nós fomos andando.

– Quanto nós temos para gastar? – Quis saber.

– O suficiente. – Respondeu com seu jeito misterioso e agradeci silenciosamente ao anjo Arthur por colocar aquele sorriso perfeito na minha vida, nem que fosse para vê-lo de longe uma última vez, quando ele percebesse que aquela cidade não valia à pena.

– Sem limites? – Fiz cara de má e esfreguei minhas mãos.

– Sem limites, dessa vez!

– O que você pensou em comprar?

– Refrigerante, cerveja, alguma coisa empanada, xampu...

Pelo visto ele precisava de educação alimentar. Para facilitar a vida dele escolhi produtos bem práticos.

Quando reclamou que não sabia fazer nada na cozinha, eu respondi que o ensinaria e ele ficou mais tranquilo. O Edu insistiu em levar refrigerantes e impliquei com as cervejas, afinal queria que ele continuasse indo a lanchonete, pelo menos nos finais de semana.

Passamos pela parte de higiene e ele escolheu um xampu qualquer que não era específico para o tipo de cabelo dele. Eu o fiz trocar mesmo sob os protestos de que xampu eram todos iguais e ameacei nunca mais ajudá-lo se ele não me deixasse escolher. Ele insistiu para que eu levasse algo para mim e depois de alguns minutos de resistência coloquei uns quatro tipos de chocolate diferentes no carrinho.

Fomos para o caixa e uma moça de quem eu não lembrava o nome nos olhou curiosa, ela havia notado que ele era novo na cidade, e eu fingi que não percebi o jeito especulativo dela. A funcionária passou os produtos e ele pagou com dinheiro, colocou tudo na mala do carro sem a minha ajuda, que ele veementemente negou, e saímos.

– Quer que te deixe em casa? – Indagou.

– Lógico que não, vamos arrumar isso na sua casa primeiro.

O Edu pareceu satisfeito com a minha resposta e subiu a colina.

– Tênis legal. – Comentou quando entrei na casa.

– Valeu! – Meu All Star®, que um dia foi branco, era cheio de frases de músicas que eu gostava e desenhos bobos. Era a única coisa "normal" que eu podia usar naquele uniforme.

Percebi que a casa estava aparentemente mais limpa, mas não comentei. Entramos na cozinha e primeiro limpei a geladeira, com a autorização dele, para depois organizar as compras dentro dela e no armário, deixando um pacote de macarrão e uma bandeja de peito de frango fora.

– Vamos começar do mais simples, tá? – Ele assentiu e comecei a preparar o macarrão e o frango enquanto comia a primeira barra de chocolate, porque minha barriga já começava a gritar por almoço.

Foi muito fácil, ele observou e até escorreu a água do macarrão, como ensinei, e me ajudou a fritar o frango. Expliquei as quantidades de água e de açúcar e ele fez o suco sozinho, muito bom para uma primeira vez.

Pedi para que colocasse a mesa e mostrei onde estava tudo. Eu era acostumada a preparar chá ou café para o Arthur, e sabia onde as louças ficavam guardadas. Era estranho estar ali sem o meu avô postiço, mas a presença do Eduardo me deixava bem mais alegre que o normal. Ele colocou dois pratos na mesa e me senti convidada a ficar. Lógico que tinha feito comida o suficiente para dois, mas ele podia aproveitar o excesso e esquentar à noite para jantar.

O Eduardo fez uma careta horrível quando colocou a comida na boca, me deixando sem graça, mas logo sorriu dizendo que era brincadeira.

– Esse é o macarrão com frango mais gostoso que eu já comi na vida!

– Adorei a piada. – Ironizei depois de colocar o copo de suco de volta à mesa.

– É sério. Depois que a minha irmã mais velha casou as coisas em casa desandaram. Era apenas eu, meu pai e dois irmãos, os quatro uma negação na cozinha. Vivíamos de marmita, e nem de perto era gostoso como seu almoço.

– Você pode me contratar então, estou mesmo precisando de emprego.

– Mais um? – Perguntou. Tinha comentado no supermercado que dava aulas particulares também. – Você por acaso usa drogas, Lua? – brincou.

– Não, Eduardo, não uso drogas! – Sorri.

– Pode me chamar de Edu.

– Edu, Edu. É, acho que posso me acostumar.

– Então, para que tantos empregos? A sua casa é legal, sua família parece ter dinheiro.

– Estou juntando para viajar.

– Estava fazendo a mesma coisa, mas quando o advogado chegou com o aviso da herança, foi como se os meus planos dessem certo independente de mim. Do dia para noite eu tinha um destino certo e casa para ficar, facilitou um bocado.

Não tinha essa expectativa de que uma herança caísse do céu, principalmente se para isso alguém precisasse morrer. Mas não comentei nada.

– Quer ajuda com a louça? – Perguntei quando terminei de comer.

– Não, já te explorei muito por hoje. É melhor te levar.

– Não precisa, nem é tão longe.

– Te tirei do caminho, te levo de volta, ponto.

Levantei as mãos me mostrando rendida e saímos novamente. Ele me agradeceu e esperei entrar em casa para pular e gritar. Estava radiante, como se tudo tivesse mais colorido depois que o Eduardo chegou à cidade. Eu o conhecia há apenas três dias e já me derretia toda cada vez que ele falava meu nome ou sorria para mim. Geralmente tinha sono depois do almoço, mas não consegui dormir. Deveria estudar, mas não consegui ler nenhuma frase completa. Meu pensamento voltava para o moreno que mal apareceu e transformou minha pacata vidinha completamente. Já que não ia conseguir fazer nada de útil tomei um banho e fui para a casa do Apollo atrapalhar o que ele estivesse fazendo naquele momento.

– Oi, Amanda! – Cumprimentei a irmã dele quando ela abriu a porta da casa.

– No quarto. – Falou, obviamente com um ótimo humor, já que nem se dignou a responder meu cumprimento.

Fiquei calada dessa vez e entrei no quarto do Apollo sem bater. Era um típico quarto de garoto, cheio de pôsteres de filmes de ação e de diversas formações da seleção Brasileira. Com uma coleção de dinossauros em miniatura na estante e jogos de vídeo game espelhados pelo chão. Ele estava jogado na cama roncando com a boca aberta e eu sorri. Pulei na cama com força e ele acordou me xingando.

– Idiota! – Disse e o abracei achando graça. – Me dispensou mais cedo e agora vem me adular, né?

– Não te dispensei seu bagunceiro, apenas precisava resolver algumas coisas sozinha.

– Dispensar então mudou de nome. – Insistiu e fiquei calada para não prolongar o assunto. Apollo levantou e pegou o controle da TV enquanto me acomodei melhor na cama dele, arrumando o travesseiro às minhas costas. Ligou a TV e deitou no meu colo, puxando a minha mão e colocando em seu cabelo. Afundei minhas mãos nos cachinhos loiros e macios que tanto amava e fiquei fazendo cafuné. Estava praticamente no meio da "sessão da tarde" e passava o Diário da Princesa pela milésima vez.

– Se você estivesse no lugar dela ia embora? – Perguntou do nada.

– Claro. – Respondi sem pensar, sempre quis ir embora daquela cidade e não hesitaria se tivesse oportunidade.

– Mesmo gostando do carinha?

– Ela encontra outro lá, esqueceu? – Me referia ao filme dois quando a Princesa Mia se apaixona por um nobre do país onde ela se torna princesa.

Passou mais alguns minutos calado e depois voltou a perguntar.

– Quem era o cara na saída da escola?

– Que cara? – Me fiz de desentendida, sem saber o que responder. O que eu ia dizer? "É um cara que apareceu do nada, herdou tudo de Arthur e para completar me deixa com as pernas bambas quando fala comigo?"

Apollo me olhou torto me forçando a falar sem precisar de palavras, como só ele sabia.

– O nome dele é Eduardo, ele é sobrinho do Arthur. Veio passar uns tempos na cidade, acho.

– Ele veio para cá depois que o tio dele morreu? Que sentido isso tem?

– Ele não sabia que tinha um tio, ou pelo menos é o que parece. Só sei que o vô deixou tudo para ele e nem o próprio Eduardo sabe o motivo.

– Desde quando vocês são amigos?

– Nós não somos amigos, nos conhecemos domingo. Fui à casa do vô pegar um livro e o encontrei lá. E hoje ele veio me pedir ajuda para fazer algumas compras, só isso.

Ele pareceu estar satisfeito com a minha resposta e reparei que me senti incomodada com aquele interrogatório. Parei o cafuné e deitei do lado dele, afundando meu nariz em seu pescoço sentindo aquele cheiro que adorava. Ele passou os braços por mim e me apertou junto dele. Deveria ter reparado naquele momento que Apollo estava morrendo de ciúmes, mas o que hoje é tão claro para mim, passava longe da minha cabeça naquela época.

Os dias passaram calmos e sempre olhava ao redor esperando que o Eduardo estivesse na saída da escola como na terça feira, mas isso não aconteceu novamente tão rápido quanto eu desejava. E confesso que estava assustada com a intensidade dos meus sentimentos relacionados a ele. Eu já havia ficado com alguns garotos antes, mas nunca senti aquilo por nenhum. Ninguém jamais invadia minha mente cem por cento do tempo como ele vinha fazendo. E o mais irônico é: o Edu nunca tinha sequer tocado em mim, imagine se ele me beijasse, como ficaria? Em questão de dias me vi fazendo um esforço enorme para estudar, ensinar a tarefa dos meus aluninhos e até mesmo ler, que era o meu maior prazer.

Estávamos na aula de Física, que era a penúltima da manhã. Rabiscava algo no caderno quando o professor chamou a minha atenção.

– Presumo que você já saiba responder essa questão. – A voz do Meneses soou alta do meu lado e fechei o caderno por impulso, sem saber o que dizer.

Voltou para o quadro em passos lentos e virou-se para mim novamente, estendendo o pincel em minha direção.

– Resolva esse problema... – Bradou. – Aqui na frente.

– Mas professor, não, não sei se... – Tentei me justificar para não ter que passar aquela vergonha, mas não adiantou muito.

– Ora! Mas é claro que você sabe, se não soubesse estaria prestando alguma atenção na aula.

Realmente não tinha a mínima ideia de como resolver aquele troço. Odiava Física com todas as minhas forças e raramente tirava uma nota acima de seis ou sete, apenas o suficiente para ser aprovada. Engoli em seco e levantei devagar, a classe toda olhando para mim enquanto eu torcia para que um raio caísse, ou uma bomba explodisse em qualquer lugar da escola de forma a impedir aquela humilhação pública.

Olhei de relance para Apollo e ele apontou seu próprio caderno com o dedo, havia algo parecido com uma fórmula, o que não adiantava muita coisa quando eu não sabia o que colocar no lugar dos símbolos.

Já estava a um passo de receber o pincel do meu carrasco quando o sinal soou e respirei aliviada, sorrindo para o professor e balançando os ombros como se pedisse desculpas.

– Você não está livre de mim, mocinha! – Falou enquanto juntava seu material para sair da sala. – A primeira coisa que você vai fazer na próxima aula é resolver esse problema.

– Tudo bem! – Respondi satisfeita, até sexta o Apollo me ensinaria a resolver e eu tiraria de letra.

Voltei para minha carteira apressada para copiar a questão antes que a professora de Literatura chegasse e apagasse o quadro. Ouvi a Roberta curtir com a minha cara enquanto Natália me olhava com uma expressão intrigada. Apollo estava do outro lado da sala conversando com alguns garotos.

A aula de literatura seria realizada em duplas. Nós deveríamos reescrever um capítulo do livro que estávamos lendo, sob a ótica de outra personagem da obra, transferindo para ele nossas impressões acerca da personagem principal. Natália me puxou tão logo ela autorizou a reunião das duplas, enquanto a Roberta fazia uma cara feia porque não queria fazer o trabalho com Apollo. Ele, por sua vez, saiu de perto e foi fazer dupla com um dos meninos, obrigando Rô a sentar-se com uma menina que não tínhamos muito contato, que também estava sem par.

– Por que você fez isso? – Perguntei a Naty assim que afastamos as nossas carteiras para um canto da sala.

– Eu queria falar com você. A sós.

– Sobre?

– Sobre essa sua cara de lesada, Lua! – Não sabia do que ela estava falando. Então Naty continuou: – Em quem você estava pensando durante a manhã toda?

– Ah, é isso? – Minha ficha havia caído. – Tá na cara assim?

– Está. E eu quero muito saber o que esse cara tem. É aquele moreno que foi na lanchonete outra noite, não é?

Balancei a cabeça afirmativamente. Precisava mesmo desabafar com alguém que não ficasse de cara feia quando o nome do Eduardo fosse mencionado.

– Nem sei o que dizer... – Comecei a explicar. – O Eduardo é um mistério para mim. Não sei de onde ele veio e nem quanto tempo ele pretende ficar aqui, mas nas poucas vezes que fiquei perto dele não queria me afastar...

Naty sorriu me encorajando e continuei.

– Nunca senti isso antes, tenho muita vontade de beijar aquela boca dele, ficar perto, mas ele nunca fez nada que desse a entender que também queira. Às vezes ele diz coisas que processo como duplo sentido. Mas não posso confiar no meu julgamento.

– Amiga, você está apaixonada! Pensei que nunca fosse ver isso! Lua Albuquerque apaixonada! Que fofo!

– Psiu! Fala baixo! – Reclamei com a indiscrição dela. – Vamos começar o trabalho.

Tentamos ler o livro e começar a esboçar a tarefa, mas minha cabeça estava literalmente no mundo da lua. Aquilo era paixão? Eu estava mesmo apaixonada? Era um sentimento bom, me sentia radiante e ao mesmo tempo insegura, sem saber o que pensar e esperar. Parecia que a minha vida dependia disso, e era maravilhoso e assustador ao mesmo tempo, porque não fazia ideia de como o Eduardo se sentia diante disso.

______

Já posso dizer que amo o Apollo? E que também amo o Edu?! =) s2

O que vocês acham da amizade da Lua com o Apollo? Acreditam que pode existir (só) amizade entre homem e mulher?

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