Echoes of Change - Lady Dimit...

By Vexyie

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Após o avião de Layla, uma jovem mimada da cidade, cair em uma densa floresta na Romênia, ela é resgatada e l... More

Capítulo 2 - Empregada, EU?
Capítulo 3 - Não deveria me sentir assim
Capítulo 4 - Recuperação

Capítulo 1 - A queda

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By Vexyie

A fanfic não seguirá a história original... Mudarei algumas coisas que eu achar necessário, mas o castelo em si tentarei deixar beem fiel ao do jogo.

Minha primeira fic da Lady Dimitrescu, joguei o jogo recentemente e eu estava necessitada de escrever algo sobre... Rsrs.

Enfim, espero que gostem, e boa leitura! ^^
Esse capítulo é meio longo, então por favor, paciência 🥺

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— O que? — exclama Layla, incrédula, chamando a atenção de algumas pessoas no café. Sua voz está repleta de choque e impaciência, ecoando entre as fachadas urbanas.

Do outro lado da linha, o homem mantém a compostura enquanto tenta explicar, mesmo sabendo que suas palavras não serão bem recebidas: — Mas senhorita, o avião não passou nos últimos testes de verificação ainda, encontramos um problema sério no sistema de controle e também tem a temp...

— Eu não ligo! — A voz de Layla corta o ar como um chicote, interrompendo a explicação do homem do outro lado da chamada. Ela aperta o telefone com força, completamente irritada pela incompetência do homem do outro lado da linha. — Duas horas. Eu vou chegar aí em duas horas, e eu quero vocês prontos para decolar!

Layla, frustrada e impaciente, desliga o telefone com um gesto rápido. Um suspiro carregado de exasperação escapa de seus lábios, e ela bufa enquanto joga o dispositivo de comunicação em sua bolsa.

— Porque eu tenho que estar cercada de incompetentes? - Questiona apertando a ponte do nariz e fechando os olhos.

— O que houve? - Abigail, sua amiga questiona e em seguida leva o canudo de sua bebida e dá um puxão.

— Estão querendo atrasar meu voo, onde já se viu? — pergunta Layla impaciente, sua voz carregada de exasperação enquanto explica para sua amiga o motivo de sua irritação. — A coleção exclusiva da "Couture Divine" será lançada amanhã à noite e eu simplesmente não posso perder isso!

— Claro que não pode... — murmura a amiga de Layla, revirando os olhos de maneira sutil. Ela observa Layla com uma expressão de ceticismo, como se estivesse acostumada com a reação exagerada da amiga. — Mas porque querem atrasar o voo? — questiona, tentando mostrar interesse genuíno na explicação. Layla suspira, ainda exalando um pouco de irritação pela conversa anterior. Ela dá de ombros, como se a explicação técnica fosse algo abaixo de seu interesse:

— Houve uma questão técnica na aeronave, blá blá blá... — Ela faz um gesto com a mão, como se desdenhasse os detalhes. — Você sabe como é, problemas chatos que atrapalham meus planos.

A amiga de Layla sorri levemente, parecendo divertida pela atitude dramática dela.

— Bem, com a quantidade de coisas que você tem planejado, não é surpresa que o universo esteja tentando te dar um toque de realidade. - Abigail sorri levemente, parecendo divertida pela atitude dramática dela.

— Ah, por favor! O universo não pode competir comigo. — Ela faz um gesto elegante em direção ao seu próprio vestuário impecável, como se isso fosse evidência irrefutável de sua supremacia.

— Bem, espero que o universo e a companhia aérea resolvam suas diferenças logo. Não podemos deixar que um atraso técnico arruíne seus planos importantíssimos. - diz com sarcasmo na voz, que é recebido com um revirar de olhos vindos de Layla.

— Eu vou, nem que eu tenha que ir pilotando sozinha! - Layla bufa impaciente. — Vamos que meu pai quer falar comigo antes da viagem.

Ela levanta a mão, chamando o garçom com um gesto brusco que reflete sua irritação contida. Quando ele se aproxima, ela estende o cartão de crédito sem olhar para cima, como se o simples ato de se comunicar fosse um incômodo. Abigail acelera discretamente o ritmo para terminar sua bebida, pronta para acompanhar Layla em sua saída.

Enquanto o garçom se afasta para processar o pagamento, Layla solta um suspiro audível, exalando impaciência e descontentamento. A maneira como ela age parece gritar sua insatisfação com qualquer inconveniência, por menor que seja. O garçom retorna com o cartão, oferecendo um sorriso educado que Layla parece ignorar. Abigail aproveita a oportunidade para enviar um sorriso mais genuíno, tentando compensar a atitude menos amigável de sua amiga.

Uma vez do lado de fora, elas são recebidas pelo motorista particular de Layla, que está prontamente posicionado próximo à calçada. Layla não perde tempo e se dirige ao veículo com passos rápidos e decididos. Abigail segue logo atrás, apressando-se para acompanhar o ritmo da amiga.

Elas entram no carro, e Layla indica ao motorista o destino: casa do seu pai. A atmosfera dentro do veículo é tensa, quase palpável, enquanto Layla mantém um olhar focado pela janela, completamente indignada com seus planos podendo ser arruinados. Layla esperou ansiosamente por seis meses para que a lista de convidados fosse revelada, e quando seu nome estava entre eles, tamanha foi sua empolgação. Apenas os convidados que lá estiverem presentes, poderão conseguir algumas das peças exclusivas do desfile, e obviamente Layla não poderia perder algo tão importante assim.

Chegando à casa de seu pai, localizada em um lugar mais afastado da cidade devido à produção de vinho, Layla sai do carro acompanhada por Abigail. Sem perder tempo, ela se encaminha diretamente para o escritório de seu pai, pedindo a sua amiga que a aguarde, assegurando que será uma conversa rápida.

O pai de Layla, Gregório, havia almejado que ela assumisse o negócio familiar: a produção de vinho. No entanto, Layla não compartilhava dessa ambição. Para ela, tudo o que importava era gastar dinheiro e se divertir em festas.

Gregório, ao ver a filha, mal oferece um sorriso. Ele apenas aponta para o assento à sua frente e, com um gesto de mão, indica os diferentes tipos de vinho alinhados na mesa. Layla entende imediatamente que se espera que ela prove os vinhos. Com um leve revirar de olhos, ela se acomoda na cadeira indicada, pegando duas taças distintas e servindo cada uma delas com os vinhos sem sequer olhar para os rótulos.

Layla pega uma das taças, sua expressão misturando um certo desdém e uma ponta de resignação. Ela leva a taça até o nariz, girando-a suavemente para captar os aromas. Seus olhos se estreitam por um instante, como se estivesse tentando encontrar algo mais além das notas óbvias.

Com um gesto de leveza, ela toma um pequeno gole, permitindo que o vinho role suavemente em sua língua. Seus lábios se franzem ligeiramente enquanto ela processa o sabor, sua expressão revelando uma mistura de indiferença e conhecimento. Afinal, como filha de alguém que está imerso no mundo da produção de vinho, Layla não é uma estranha quando se trata de degustar. Rapidamente reconhece o vinho produzido a décadas por sua familia. Não é ruim, mas ela já estava tão acostumada com aquele sabor, que não tinha mais a mesma graça para ela.

Ela coloca a taça de volta à mesa e, em seguida, pega a outra taça, levando-a ao nariz e inalando profundamente. Seus olhos se iluminam enquanto ela percebe os aromas diferentes. Ela toma um gole do segundo vinho, permitindo que ele se misture com suas papilas gustativas. Sua expressão se torna mais animada, e um sorriso genuíno se forma em seus lábios.

— Hmm... esse é bom. - exclama impressionada, virando a garrafa para ler o rótulo, um sorriso divertido surge em seus lábios ao notar que o vinho não pertence à sua família. Ela olha para a expressão insatisfeita de seu pai e contém o sorriso. — De onde é esse horrível vinho? - completa com cinismo na voz. Seu pai solta um bufar indignado.

— É nossa competidora, saiu dos confins do inferno para nos ultrapassar esse ano. - diz com frustração. — Mas só queria sua opinião sobre isso, e sua resposta sobre minha oferta.

— Ainda estou pensando, pai. - Layla responde, pegando a taça que continha o vinho de nome "Regina Rosie" e levou até os lábios novamente, saboreando o novo sabor que conheceu. Seu pai a olha com frustração, e a garota não sabe identificar se é por ela estar tomando o vinho que pertence a um rival, ou por sua resposta.

— Delayla, você precisa ter responsabilidades! O vinhedo é seu legado, não pode viver pra sempre como uma garota mimada! - Gregório exclama irritado.

— Pai, eu ainda tenho só vinte e três anos! - diz se levantando irritada. — Ainda tenho muito tempo antes disso, e o senhor nem é velho para querer estar me passando o cargo. Ainda estou pensando, então espere até minha resposta. - sem esperar que seu pai a responda, ela pega a garrafa de vinho "Regina Rosie" e sai do escritório a passos rápidos.

Abigail se assusta com a presença repentina da amiga e se levanta correndo para acompanha-la. Mas, percebendo sua frustração, resolve nem perguntar o que houve.

Layla pega seu telefone e, com rapidez, digita uma mensagem para uma de suas empregadas, dando instruções precisas para que a mala fosse arrumada e enviada para onde seu jatinho particular estava estacionado. E é para lá que ela vai, decidindo que não esperaria nem mais um segundo para decolar. Ela anseia por um tempo longe daquele lugar, e o que melhor do que estar do outro lado da Europa?

Em menos de uma hora, Layla chega na pista de voo, quarenta minutos antes do que havia avisado. O piloto e o copiloto olham assustados para ela, claramente não esperando que ela estivesse ali mais cedo.

— Tudo pronto para decolar? - Layla pergunta tirando o óculos de sol do rosto.

— Senhorita Munteanu, o avião ainda não está completamente pronto para decolar, e também foi prevista uma tempestade ao longo da rota. Sinceramente, acredito que hoje pode não ser a melhor escolha para realizar essa viagem. - o piloto avisa receoso, e recebe um olhar irritado de Layla.

— Eu não ligo, contorna a tempestade, faz alguma coisa, mas nós vamos decolar agora! - responde irritada, subindo no avião que já tinha a porta aberta e as escadas postas. — Você vem, Abigail? - se vira para a amiga.

— Ai amiga, não sei... - Abigail responde incerta. Ela sim escutou o aviso do piloto e não estava muito confiante em entrar no avião depois de saber dos perigos. Layla a havia convidado no dia anterior e ela aceitou, mas agora estava com medo.

— Então que fique ai. - dá as costas e some dentro do jatinho.

Abigail fica pensativa, observando o piloto conversar com o copiloto enquanto ambos olham apreensivamente para algo em seus telefones, discutindo em tom grave. Ela sabe que a situação não é favorável, e a cautela grita em sua mente. No entanto, sua amiga Layla tem um histórico de fazer escolhas arriscadas que, surpreendentemente, sempre dão certo.

Ela relembrava das vezes em que testemunhou Layla se aventurar em situações desafiadoras e sair ilesa. A teimosia e determinação da amiga frequentemente a levaram a voar mesmo em condições adversas, e por alguma razão, tudo parecia conspirar a seu favor. Abigail se vê questionando se, mais uma vez, a sorte estaria do lado de Layla.

— Que seja. - ela exclama entrando no avião.

[...]

Elas haviam decolado cerca de três horas atrás, e desde então o voo seguia calmo. Layla permitiu-se dormir durante todo esse trajeto e, ao acordar, a primeira coisa que fez foi tomar um gole do vinho que havia pego no escritório de seu pai, enquanto observava as montanhas nevadas do lugar sobre o qual estavam sobrevoando. Ela havia sido avisada de que precisariam tomar uma rota distinta devido à tempestade forte que se encontrava na rota original. No entanto, ali onde passavam, o céu estava coberto por nuvens carregadas, mas mesmo isso não alarmou a garota, que continuou a tomar seu vinho calmamente.

Enquanto esperava para chegar ao seu destino, Layla ficou pensando sobre a proposta de seu pai. Ele havia deixado claro sua expectativa de que Layla assumisse o negócio da família, o vinhedo, algo que ela vinha evitando. A pressão dele para que ela assumisse responsabilidades mais sérias estava cada vez mais intensa. Não era aquilo que ela queria, na verdade. Layla se via perdida em sua própria vida, envolvida em um ciclo de gastar o dinheiro de seu pai e se divertir em festas sem realmente encontrar um propósito ou direção. Ela estava constantemente em busca de algo que pudesse dar um novo sentido à sua existência, uma paixão ou motivação que a inspirasse.

Enquanto o avião avançava pelo céu, Layla se via refletindo sobre sua vida até então. Ela se sentia vazia por dentro, buscando algo que preenchesse o vazio que existia em sua alma.

— Que horas são? - Abigail desperta, a voz ainda um pouco arrastada devido aos remédios que tomou para conseguir dormir. Os efeitos dos medicamentos ainda eram perceptíveis em sua expressão sonolenta. A garota estava visivelmente ansiosa antes da decolagem, seu olhar carregava um certo receio de que algo pudesse acontecer durante o voo.

— Quatro horas ainda. - Layla responde, observando a amiga se despreguiçar. — Mas viu? Estamos vivas e nada... - Antes que Layla possa concluir sua frase, uma súbita turbulência balança o avião, fazendo com que ambas as garotas se assustem. A expressão de surpresa e medo toma conta dos rostos delas. — Aconteceu... - completa Layla quando finalmente a tremulação cessa, e um alívio momentâneo se espalha pela cabine. Ela não consegue conter a risada ao ver a expressão assustada de Abigail.

— Tá rindo do que sua louca? Pensei que fosse morrer. - exclama assustada.

— Relaxa, lembra que o piloto disse que ia tomar outra rota pra contornar a tempestade? Não tem com o que se preocupar. - Layla tentou tranquiliza-la.

— Não me parece que contornaram a tempestade. - Abigail fala, seu olhar fixo na janela enquanto observa as nuvens negras que cercam o avião por todos os lados.

— Você é muito medrosa, não tem com o que... - Antes que Layla possa completar sua frase, uma nova turbulência faz todo o avião tremer mais uma vez, interrompendo suas palavras.

As palavras de Layla são interrompidas pela força da turbulência, que sacode a aeronave de maneira abrupta. Abigail e Layla são jogadas contra seus cintos de segurança, e a tensão na cabine aumenta. Layla sente seu coração acelerar enquanto o avião balança, e suas mãos instintivamente se agarram aos braços da cadeira.

Após alguns momentos de agitação intensa, a turbulência finalmente diminui, e a cabine volta a se estabilizar. Layla olha para Abigail, seus olhos revelando uma mistura de surpresa e preocupação. O tom de coragem que estava presente em suas palavras anteriores agora parece ter se dissipado, substituído por um certo medo.

O clima na cabine permanece tenso após a turbulência, as palavras de Layla e a resposta de Abigail ecoando no ar. Enquanto ambas tentam recuperar a compostura, o avião entra em uma zona de instabilidade mais uma vez, mas desta vez, algo parece diferente. O tremor que começa a sacudir o avião é mais intenso, e a sensação de perigo iminente se torna palpável.

— Aqui é o piloto falando. - A voz do piloto irrompe nos alto-falantes da cabine, tentando soar calma mesmo sob as circunstâncias. — Peço que todos permaneçam em seus assentos e mantenham os cintos de segurança afivelados. Estamos enfrentando uma situação incomum de turbulência, possivelmente relacionada a um sistema meteorológico instável. Os olhares de Layla e Abigail se encontram, o medo refletido nos olhos de ambas. A voz do piloto continua, agora mais séria — Recebemos informações sobre um desenvolvimento inesperado de um tornado em nossa rota. Estamos fazendo o possível para desviar de sua trajetória e encontrar uma zona mais segura. Pedimos que todos permaneçam calmos e sigam as instruções da tripulação.

O coração de Layla dispara ao ouvir a palavra "tornado". Era algo que ela só tinha visto em filmes ou notícias, mas agora estava enfrentando essa situação na vida real. O jatinho continua a balançar violentamente, e o medo se transforma em puro pânico. Ela olha para Abigail, buscando algum tipo de conforto em meio à tormenta que as rodeava.

As palavras do piloto ecoam pela cabine, mas o medo e a ansiedade já dominaram o ambiente. O avião particular continua a ser sacudido pela turbulência cada vez mais intensa. Layla e Abigail estão presas em seus assentos, segurando-se com força enquanto tentam manter a calma diante da situação terrível.

Layla fecha os olhos por um momento, respirando fundo em uma tentativa de acalmar seus nervos. Abigail segura a mão de Layla, buscando apoio mútuo em meio à tragédia iminente. A voz do piloto volta a ser ouvida, agora com um tom mais grave: — Passageiros, estamos fazendo o possível para evitar o tornado, mas a situação está se deteriorando rapidamente. Mantenham-se seguros e preparem-se para o impacto.

O avião é atingido por fortes rajadas de vento, e as turbulências são acompanhadas por um som ensurdecedor. Layla sente o estômago se revirar enquanto o avião começa a cair rapidamente. Ela olha pela janela, vendo o mundo lá fora girar em uma dança caótica de nuvens e escuridão.

O tempo parece se arrastar enquanto o avião se precipita em direção ao solo. O medo é palpável, as vozes das garotas ecoando em gritos de terror. O impacto é inevitável, e o avião se choca contra o solo com uma força devastadora. O mundo parece girar em uma mistura de dor, sombras e barulhos ensurdecedores. E então, tudo se torna escuridão.

[...]

Layla recobra a consciência em meio a um silêncio ensurdecedor. Seu corpo dói e sua mente está confusa, mas fragmentos de memórias começam a voltar. Ela relembra a turbulência intensa, o medo crescente à medida que o avião balançava descontroladamente e a voz do piloto anunciando a presença de um tornado em sua rota.

Layla fecha os olhos por um momento, tentando afastar as imagens assustadoras que invadem sua mente. Ela sente um nó na garganta ao lembrar-se do desespero que sentiu enquanto o avião caía em queda livre. O impacto, a dor e o caos que se seguiram estão gravados em sua memória de maneira vívida e aterrorizante.

Quando Layla finalmente abre os olhos, ela se depara com os destroços ao seu redor. Parte do teto cedeu, e pedaços retorcidos do avião estão espalhados por todos os lados. A visão é chocante, mas não é o que mais a preocupa. Ela chama pelo nome de Abigail, sua voz ecoando pela cabine destroçada. Suas palavras são acompanhadas pelo silêncio, uma resposta vazia que confirma suas suspeitas mais sombrias.

A dor em seu peito se intensifica ao perceber que Abigail não está em lugar algum. Layla sente uma onda de angústia e tristeza ao imaginar sua amiga perdida em meio aos destroços ou talvez em algum lugar além. Ela fecha os olhos com força, deixando as lágrimas rolarem por seu rosto enquanto a realidade do que aconteceu a envolve completamente.

Layla se esforça para desafivelar o cinto de segurança, seus dedos trêmulos lutando contra o mecanismo. Finalmente, com um clique, o cinto se solta e ela se sente aliviada ao poder se movimentar. No entanto, sua cabeça lateja com uma dor excruciante, e ela leva a mão à testa, sentindo algo seco e pegajoso. Ao retirar a mão, vê o líquido vermelho que mancha seus dedos. Um calafrio percorre sua espinha ao perceber que está sangrando.

Com esforço, Layla tenta se erguer do assento inclinado. Seus músculos doem e protestam a cada movimento, mas ela se força a sair daquela posição desconfortável. O avião está em ruínas ao seu redor, os destroços formando um cenário caótico e assustador. Ela respira fundo, tentando acalmar a agitação em seu peito enquanto suas memórias continuam a voltar.

Seus olhos se erguem em direção ao local onde a cabine dos pilotos deveria estar. No entanto, ela se depara com uma visão que a deixa gelada. O avião está partido ao meio, uma ruptura clara que separa a seção da frente daquela onde estavam os pilotos. Layla olha fixamente para o corte grotesco que dividiu a aeronave, seu coração apertando com a magnitude da tragédia.

Uma sensação de solidão avassaladora a envolve quando ela percebe que está sozinha naquela seção que permaneceu presa. Suas mãos trêmulas apertam o banco enquanto ela se esforça para conter o desespero que ameaça consumi-la. Abigail não está em lugar algum, e Layla se sente impotente diante da devastação que a cerca.

Layla emerge dos destroços do avião com cuidado, seus olhos piscando contra a escuridão da noite. Uma rajada de vento gelado a envolve, fazendo seus cabelos dançarem freneticamente ao redor de seu rosto. Ela treme involuntariamente, não apenas pelo frio, mas também pela situação caótica em que se encontra.

Enquanto seus sentidos se ajustam à escuridão, Layla percebe que está cercada por árvores altas e cobertas de neve. A luz da lua ilumina a paisagem com um brilho etéreo, criando sombras escuras e profundas entre as árvores. A neve no chão brilha à luz lunar, e o silêncio é quase ensurdecedor, exceto pelo uivo distante do vento.

Ela se abraça, tentando minimizar o frio que a consome. O ar gélido corta sua pele e faz com que sua respiração se transforme em nuvens de vapor. Com cada respiração, ela sente o ar queimar em seus pulmões. Layla olha em volta, tentando descobrir para onde deve ir. A floresta congelada é tão desconhecida quanto ameaçadora, mas ela sabe que precisa encontrar um abrigo antes que a noite se torne ainda mais implacável.

Com passos hesitantes, Layla começa a se mover pela floresta, seus pés afundando na neve fofa a cada passo. A escuridão parece se fechar ao seu redor, e a sensação de estar sozinha em meio àquele mundo gelado a enche de medo.

Layla continua a caminhar em frente, seus passos se tornando mais pesados a cada momento que passa. A floresta parece interminável, e a sensação de estar perdida em meio à escuridão é esmagadora. Ela começa a passar por galhos baixos que se estendem em seu caminho, fazendo com que ela tenha que se abaixar e desviar constantemente.

À medida que ela avança, Layla começa a notar algo estranho pendurado nos galhos. Ela para e olha mais de perto, percebendo que são corvos ensanguentados, mas eles estão imóveis, pendurados de cabeça para baixo como se estivessem presos por algum tipo de corda. O cenário é macabro e perturbador, seu coração acelera e um medo irracional toma conta de sua cabeça. Enquanto ela observa os corvos pendurados, sons estridentes e assustadores ecoam ao seu redor. Sons desconhecidos para ela, que ela não consegue identificar. A ansiedade cresce dentro dela, fazendo seu coração bater mais rápido. Ela se sente como se estivesse sendo observada, como se algo estivesse se movendo nas sombras da floresta.

Layla corre desesperadamente, seus pés afundando na neve e seu coração batendo tão alto que parece ecoar em seus ouvidos. Ela não olha para trás, apenas foca em encontrar um lugar seguro para se esconder. Os corvos pendurados nas árvores parecem espreitar, suas sombras dançando ao redor dela enquanto ela passa.

Os gritos assustadores se intensificam, enchendo o ar com um som horrível que parece penetrar em sua mente. Layla sente um arrepio percorrer sua espinha, o medo a impulsionando ainda mais rápido. Ela empurra os galhos baixos à sua frente, ignorando a dor das arranhaduras em sua pele.

A cada passo, ela se distancia mais dos sons ameaçadores que a perseguem. Seus pulmões queimam, seu corpo grita por ela para parar, mas ela não pode. Ela precisa continuar, precisa escapar daqueles sons aterrorizantes que parecem estar em todos os lugares ao seu redor.

Enquanto Layla continua a correr, os gritos assustadores continuam a ressoar em seus ouvidos, como uma cacofonia assustadora que parece impossível de escapar. Cada passo que ela dá a leva mais longe da fonte do terror, mas ela não pode ignorar a sensação de que algo terrível a persegue.

Finalmente, ela emerge da densa vegetação e se encontra em uma clareira. Seus olhos se arregalam ao ver as estruturas que se erguem à sua frente. Casas! Ao mesmo tempo que ela se sente aliviada, se sente com medo pelo que a persegue. Ela entra na vila e começa a gritar por ajuda, enquanto escuta os sons cada vez mais perto. A primeira casa que ela avista ela bate na porta, mas imediatamente desligam as luzes e a ignoram. Desesperada e sem saber para onde correr, Layla continua a se aproximar das casas na vila, batendo nas portas e gritando por ajuda. No entanto, cada vez que ela bate em uma porta, as luzes se apagam e ela é ignorada. O silêncio que se segue é quase ensurdecedor, apenas interrompido pelos batimentos acelerados de seu próprio coração e pelos sons assustadores que a perseguem.

Layla corre desesperadamente pelo vilarejo, suas pernas parecem movidas pelo puro instinto de sobrevivência. Finalmente, ela chega em frente a uma estátua alta e imponente que domina a praça central. Os gritos assustadores parecem diminuir por um instante, permitindo que sua mente respire por um breve momento.

No entanto, antes que ela possa recuperar o fôlego, um calafrio percorre sua espinha, como se alguém ou algo estivesse observando-a. Ela se vira rapidamente, seu coração batendo com força em seu peito. Seus olhos se deparam com uma figura aterrorizante que emerge das sombras.

Diante dela, um ser bestial e grotesco se revela, com o corpo coberto de pelos escuros e olhos selvagens e famintos. Suas garras afiadas brilham à luz fraca, e um rosnado ameaçador escapa de suas mandíbulas.

Layla sente um medo indescritível a consumindo enquanto olha para a criatura, suas pernas parecem congeladas no lugar. Ela sabe que está em perigo iminente, mas o terror a impede de se mover. O monstro se aproxima lentamente, sua respiração pesada enchendo o ar com um som sinistro.

Com um último lampejo de coragem, Layla finalmente encontra forças para correr novamente. Ela se lança para trás, afastando-se da criatura com todas as suas forças. Seus pulmões queimam, suas pernas doem, mas ela continua a correr, seu único objetivo é escapar daquela criatura monstruosa que a persegue.

Layla corre sem rumo, seu coração disparado e a respiração entrecortada. Ela avista uma construção imponente à sua frente e, com um último esforço, corre em direção a ela. Ao chegar mais perto, percebe que é uma igreja de arquitetura gótica, majestosa e sombria. A esperança de encontrar refúgio a impulsiona a entrar.

Ela atravessa a entrada da igreja e adentra o interior escuro. As velas espalhadas ao redor oferecem uma iluminação fraca, criando sombras dançantes pelas paredes. Ela então se esconde entre as cadeiras, temendo que a criatura entre ali para pega-la, mas os sons pareceram sumir assim que ela adentrou naquele local. Após alguns minutos de tensão e silêncio, Layla decide se levantar. Ela olha ao redor, percebendo que o ambiente da igreja parece tranquilo e distante dos horrores que a perseguem. No entanto, sua atenção é rapidamente atraída por um altar à sua frente.

Ela se aproxima lentamente do altar e observa as imagens e figuras ali dispostas. Há cinco fotos representando figuras estranhas e imponentes, cada uma com uma aura sinistra e misteriosa. Layla sente um arrepio percorrer sua pele enquanto seus olhos estudam as imagens.

A figura central no altar retrata uma mulher de pele clara e cabelos loiros, usando uma máscara dourada que lhe confere um ar de divindade. Seus olhos parecem penetrar Layla, como se a figura estivesse observando-a de alguma forma. Há algo hipnótico na expressão da mulher, algo que atrai o olhar de Layla de maneira inexplicável.

No entanto, a figura que mais chama a atenção de Layla é a que está ao lado esquerdo. Uma mulher de pele clara e cabelos negros, com um chapéu misterioso que cobre parte de seu rosto. Layla sente um estranho fascínio por essa imagem, como se houvesse algo intrigante e perturbador nela. Por algum motivo, ela fica presa admirando a figura antes de olhar as outras.

Ao lado da mulher de cabelos negros, há uma criatura horrenda, coberta por uma capa que obscurece suas características. Layla mal consegue distinguir o rosto da criatura, mas o sentimento de repulsa e medo que emana dela é evidente.

Do outro lado da figura que se assemelha a uma divindade, há uma mulher com o rosto coberto por um véu negro. Em suas mãos, ela segura uma boneca estranha e esquelética que parece feita de ossos.

Por último, a imagem de um homem com óculos negros chama a atenção ao lado da mulher com o véu. Sua postura e semblante são misteriosos e ele parece um dos mais normais ali.

Layla volta sua atenção para a mulher de pele pálida e cabelos negros, observando cada detalhe da imagem. Além do carinha de óculos, aquela mulher é a que parecia mais normal entre as outras figuras misteriosas.

De repente, Layla percebe vozes vindas do exterior da igreja. Num gesto instintivo, ela se abaixa e se esconde atrás dos bancos, dominada pelo medo de que possa ser a criatura terrível que a persegue. Seu coração dispara, ecoando alto em seus ouvidos, enquanto ela prende a respiração, tentando conter qualquer som que possa denunciar sua presença.

— Estou falando sério! Eu a vi entrar aqui. - uma voz masculina diz em alto e bom som.

— Ela conseguiu fugir do licano sem ser arranhada? Tem certeza? - desta vez, foi uma voz feminina que falou, abrindo a porta da igreja em seguida.

— Ela parecia machucada, mas não foi pega pelo licano. - A outra voz disse.

— Alguém está ai? - a voz feminina pergunta.

Apesar do medo que a dominava, Layla finalmente toma coragem e se ergue lentamente, convencida de que as vozes pertencem a seres humanos e não à terrível criatura mutante que a persegue. Com cautela, ela emerge de trás dos bancos, seus olhos se ajustando à penumbra da igreja.

Ao sair de seu esconderijo, Layla se depara com um homem branco de cabelos loiros, cujo rosto carrega uma expressão de espanto e perplexidade. A seu lado, está uma mulher mais velha, vestida com um traje preto de estilo antigo, seus cabelos negros contrastando com sua pele clara. Ambos a observam com surpresa, como se também não esperassem encontrar alguém ali.

— Quem são vocês? - Layla pergunta cautelosamente, mantendo seu receio sob controle.

— Você é a forasteira, então é você quem precisa nos dizer quem é! - O homem responde, tirando uma pistola da cintura.

— Por favor, Iulian, acalme-se! - A mulher intervém, posicionando-se à frente do homem. A presença da arma a surpreende. — Vamos primeiro conversar com ela... - vira-se para Layla, que está claramente apreensiva. — Meu nome é Luíza, sou a médica da vila. E você, como se chama?

— Layla... - ela responde, limitando-se ao seu apelido.

— Você parece ferida. O que aconteceu? - Luíza continua com um tom ameno.

— Meu avião caiu na floresta. - Layla responde, e o olhar confuso de Luíza é perceptível, embora ela pareça aliviada.

— Posso ajudar a cuidar de suas feridas, se quiser. - Luíza oferece, mas Layla acha a situação suspeita.

— Como posso confiar em vocês? Ele está apontando uma arma para mim. - Layla aponta para Iulian.

— Ele vai baixar a arma, e eu só quero ajudar. - Luíza vira-se para Iulian, indicando que ele deve abaixar sua arma, o que ele faz. — Minha casa está bem ali, ao lado. Que tal você vir comigo? Lá, posso te dar algo para comer e cuidar de seus ferimentos, eles parecem sérios.

Layla pondera sobre a oferta, sentindo que não tem muita escolha afinal. Ela está perdida em um lugar desconhecido e com ferimentos que começam a cobrar seu preço agora que a adrenalina diminuiu. A dor se intensifica, forçando-a a aceitar a ajuda de Luíza.

— Está bem, eu só... - Ela não consegue completar a frase, pois subitamente perde a consciência. A última coisa que vê é Luíza correndo em sua direção para ajudá-la.

[...]

À medida que Layla abre os olhos, seu campo de visão começa a se ajustar lentamente à luz que penetra o ambiente. Ela percebe que está deitada em uma cama, coberta por lençóis limpos e macios. A dor de cabeça latejante a faz fechar os olhos por um momento, enquanto tenta lembrar o que aconteceu.

Enquanto sua mente começa a se clarear, ela se lembra do acidente do avião, dos gritos assustadores na floresta e da estranha vila que encontrou. No entanto, agora ela parece estar em um lugar diferente, em um ambiente que parece mais seguro e cuidado.

Com cuidado, Layla ergue a mão para tocar sua testa, sentindo a sensação de algo úmido e gelado. Ao olhar para a mão, ela vê um pano molhado e percebe que alguém cuidou de suas feridas. Ela também nota a presença de uma bandeja ao lado da cama, com uma jarra de água e um copo.

Lentamente, Layla se senta na cama, sentindo uma onda de tontura. Ela olha para os lados e avista um copo de água que parece limpa e como sua boca está muito seca resolve beber, esperando que alivie um pouco. Enquanto olha ao redor do quarto, ela percebe detalhes do ambiente: móveis de madeira escura, cortinas pesadas e detalhes que remetem a um estilo mais clássico.

A luz do dia invade o quarto através da janela, e Layla, ainda despertando de um sono tumultuado, pisca várias vezes para se acostumar com a claridade. A dor latejante em sua cabeça não a ajuda a se sentir mais desperta, e ela murmura para si mesma enquanto tenta entender quanto tempo passou.

— Quanto tempo dormi? - a pergunta escapa de seus lábios em um sussurro, e ela se esforça para se levantar. A tontura a envolve ao se erguer, fazendo-a se apoiar em um móvel próximo para não cair.

Lentamente, Layla caminha pela sala, usando móveis e paredes como suporte enquanto busca recuperar seu equilíbrio. Ela se dirige à janela, ansiando por ar fresco para acalmar a confusão em sua mente. Ao abri-la, é recebida por uma rajada de vento gelado que a faz estremecer involuntariamente. Seus olhos se fixam no horizonte e, para sua surpresa, ela vê um imenso castelo estendendo-se à distância.

A visão do castelo a deixa atônita, pois ela não tinha notado sua presença quando chegou fugindo da criatura. Ela se pergunta como isso é possível, considerando o tamanho e a imponência da construção diante dela. A dor de cabeça se intensifica por conta da luz do sol e ela fecha a janela, ainda absorta pela estrutura gótica.

— Você acordou, que bom... - Layla escuta uma voz familiar e se vira para encontrar Luíza entrando no quarto com uma bandeja contendo uma tigela com alguma coisa e um copo.

— Quanto tempo dormi? - a garota questiona, voltando para a cama onde se senta, tentando diminuir sua tontura.

— Um dia e meio. - Luíza revela, apoiando a bandeja em cima do armário e trazendo um copo com uma coloração estranha. — Beba isso, vai ajudar com sua dor de cabeça e tontura.

— Obrigada. - Layla agradece, pegando o copo e olhando para o líquido. Parecia uma mistura de ervas. — O que é isso?

— Um chá de ervas muito famoso aqui no vilarejo, ele é muito bom para isso, agora beba. - Manda séria, mas não parecia ter más intenções.

Layla leva o copo à boca e fica surpresa ao perceber que o gosto não é tão ruim quanto esperava. Ela rapidamente esvazia o copo e Luíza sorri para ela. Imediatamente, seu corpo parece responder à bebida, que aos poucos vai aliviando sua dor de cabeça e diminuindo a tontura.

— Uma pergunta... - Layla começa, devolvendo o copo a Luíza. — De quem é aquele castelo lá fora? - a pergunta parece fazer Luíza enrijecer o corpo imediatamente, como se a simples menção do castelo a deixasse desconfortável.

— Pertence a Lady Dimitrescu, um dos quatro lordes do vilarejo. - revela, dando as costas para a garota e voltando para a bandeja.

— Lordes?

— Os Lordes são seguidores fiéis da Mãe Miranda. - e novamente, nada do que Luíza diz traz alguma resposta para Layla. — Aquelas figuras no altar da igreja são os quatro lordes e a Mãe Miranda.

— Ah, então presumo que a Lady Dimitrescu seja a mulher branca com um chapéu? - Layla questiona, lembrando-se das fotos do altar.

— Como você sabe? - Luíza se vira surpresa para ela, imaginando que um forasteiro não teria conhecimento sobre os moradores locais.

— Bom, pelas fotos, ela parece ser a que mais corresponde ao título de "Lady" - diz, fazendo aspas com os dedos. — Será que ela pode me ajudar a sair daqui?

— Não! - Luíza responde imediatamente. — Fique longe dela e do castelo. - adverte sem dar mais espaço para perguntas.

— Ok... - Layla responde sem entender completamente.

— Tome essa sopa, você deve estar faminta. - entrega uma tigela com uma sopa que exala um cheiro delicioso. Layla agradece novamente e segura a tigela com um pano para não queimar as mãos. — Vou precisar resolver algumas coisas, mas sinta-se a vontade, mas não saia daqui, ok?

— Tá bom... - agora sim Layla estava achando Luíza estranha. Obviamente, ela não ficaria presa naquele lugar, especialmente com aquela criatura solta por aí. Ela precisava encontrar um jeito de ir embora, e no momento em que Luíza saísse da casa, Layla planejava procurar uma maneira de sair.

Alguns minutos após Luíza sair do quarto, Layla se ergue cautelosamente e abre a porta, verificando os lados para se certificar de que não encontraria ninguém ali. Ela avança pelo corredor até chegar ao que aparenta ser a entrada da casa. Seus olhos examinam o ambiente, notando que tudo é simples e antiquado, o que parece um tanto estranho. Uma máquina de escrever repousa sobre um armário, levando-a a concluir que a residência é, de fato, bastante antiga.

— Anton, espere! - Layla escuta a voz de Luíza e de repente, um homem segurando uma espingarda entra na casa.

— Não, Luíza, ela é uma forasteira, precisamos entrega-la, assim não sofreremos a ira da Mãe Miranda nem dos quatro lordes! - Anton diz irritado.

Layla sentiu seu coração acelerar quando a discussão entre Luíza e Anton irrompeu na sala. Seus olhos se arregalaram ao ver o homem segurando uma espingarda, a sensação de perigo iminente pulsando em suas veias. Ela permaneceu paralisada, o medo prendendo sua língua e suas pernas, enquanto as palavras de Anton ecoavam em sua mente. A ideia de ser entregue para alguma entidade misteriosa chamada "Mãe Miranda" e quatro lordes aterrorizava Layla, fazendo-a questionar ainda mais a sanidade das pessoas naquele vilarejo.

— Você, vem comigo! - Anton fala apontando a arma para Layla e aponta para fora da casa. — Vamos entregar você a Lady Dimitrescu.

— Anton, não! - Luíza fala se colocando na frente do homem.

— Ok. - Layla responde de repente, fazendo eles se virarem para olha-la surpresos. Por algum motivo, na cabeça da garota, todos os moradores ali eram loucos, e talvez essa tal Lady Dimitrescu pudesse ajuda-la de alguma forma, e torcia para ela ser menos louca que o resto das pessoas ali.

— Layla, isso não é bom! - Luíza tenta alerta-la mais uma vez.

— Luíza, se ela quer se entregar, deixe-a! Será melhor pra ela e para nós também! - Anton insiste e abaixa a espingarda, e passa por Luíza estendendo a mão em direção a Layla. — Vem. - ele chama, e Layla olha uma ultima vez para Luíza que nega com a cabeça, mas ela também parecia incerta entre deixar a forasteira ali ou não.

Layla então estende a mão e Anton agarra seu pulso, a puxando com força.

— Espera! - Diz Luíza, tirando um casaco do cabideiro perto da porta e colocando em Layla. — Que Mãe Miranda tenha piedade de você. - são as ultimas palavras que Layla escuta antes de Anton sair a puxando para fora da casa.

Enquanto era puxada com firmeza por Anton, Layla não conseguia evitar o olhar de algumas pessoas do vilarejo que a observavam com hostilidade. A expressão fechada em seus rostos, os olhares desconfiados e até mesmo os murmúrios baixos que ela captou, tudo isso alimentava uma estranha sensação de raiva dentro dela. Era uma mistura de indignação e frustração por ter sido deixada à própria sorte enquanto estava em perigo iminente.

Aquelas mesmas pessoas que agora a olhavam feio, haviam ignorado seus pedidos de ajuda quando ela mais precisava. A lembrança da maneira como haviam fechado as portas na cara dela enquanto ela lutava para escapar daquela criatura mutante, enquanto ela implorava por ajuda, provocou um ardor de ressentimento.

Eu preciso sair desse lugar!

Enquanto Layla era puxada até a praça, ela sentia os olhares hostis das pessoas sobre ela. O mesmo lugar onde ela esteve no dia que chegou, agora parecia diferente, tomado por uma atmosfera ainda mais sinistra. Ao erguer os olhos, ela finalmente viu o castelo em toda a sua glória, majestoso e imponente no horizonte. A estrutura gótica do castelo se destacava contra o céu, evocando um sentimento de grandiosidade e também de inquietude.

As torres pontiagudas e as paredes escuras do castelo criavam uma aura misteriosa, quase sobrenatural. Era como se o próprio castelo estivesse observando-a, aguardando sua chegada. As janelas altas e estreitas pareciam olhos sombrios, e Layla sentiu um arrepio percorrer sua espinha enquanto era arrastada para mais perto da entrada do castelo.

Em frente a um portão ornamentado com figuras assustadoras, Layla se viu diante de uma mulher mais velha. Seus cabelos grisalhos contrastavam com olhos frios e sem emoção. A mulher usava uma vestimenta que lembrava a de uma empregada, toda preta e discreta. A atmosfera ao redor dela parecia carregada, como se a própria presença da mulher fosse capaz de emanar um certo desconforto.

— Essa é a forasteira? - a mulher perguntou, direcionando o olhar para Anton.

— Sim. - Anton empurrou Layla na direção da mulher, quase jogando-a aos pés dela.

— Duas em só uma semana. - disse a mulher com uma voz que não demonstrava emoção alguma.

— Duas? Espera, vocês encontraram a Abigail? Ela é uma ruiva alta, ela esteve aqui? - Layla questionou com uma pitada de esperança, imaginando a possibilidade de reencontrar a sua amiga.

— Sim, a encontramos e a levamos para o castelo. - a mulher respondeu, mantendo sua voz monótona e sua expressão inalterada.

— Ela está bem?

— Sim, agora você precisa vir comigo. Lady Dimitrescu espera por você. - A mulher afirmou, apontando em direção ao imponente portão que marcava o caminho para o castelo. No entanto, por alguma razão, Layla não conseguiu evitar sentir que aquela afirmação não era completamente verdadeira. Uma sensação de apreensão começou a crescer dentro dela, como se encontrar Lady Dimitrescu não fosse uma ideia tão segura ou sensata quanto parecia. No entanto, Layla se viu sem opções, e com relutância, seguiu a mulher. Ela atravessou o portão que separava o vilarejo do caminho para o castelo, sentindo como se estivesse entrando em um mundo completamente diferente e desconhecido.

Enquanto seguia pelo caminho em direção ao castelo, Layla não conseguia deixar de admirar a imponente construção diante dela. O estilo gótico da arquitetura a fascinava, algo que ela não esperava gostar tanto. Enquanto caminhava, absorveu todos os detalhes da estrutura, encantada com a grandiosidade daquilo tudo.

Após um tempo de trajeto, eles finalmente chegaram diante de uma imensa porta luxuosa que se abriu para revelar o interior do castelo. A visão deixou Layla ainda mais impressionada. O luxo e a opulência dominavam o ambiente. Seus olhos foram imediatamente atraídos para uma pintura de três mulheres na parede de mármore branco, detalhes dourados pareciam quase feitos de ouro. Ela se sentia como se tivesse entrado em um mundo de conto de fadas, mas havia algo sinistro na beleza que a deixava inquieta.

Subindo os degraus, Layla foi invadida por um som estridente, semelhante a zumbidos de moscas. Uma porta abruptamente se escancarou, dando passagem a um enxame de insetos que rapidamente começou a tomar forma humana. A cena a fez estremecer de pavor, sua mente oscilando entre a realidade e a sensação de estar vivendo um pesadelo.

A mulher que a acompanhava, embora mantivesse a compostura, também denotava um certo desconforto, suas feições traíam seu medo mesmo diante da situação grotesca que se desenrolava. A chegada das três mulheres encapuzadas chamou a atenção, suas presenças tão assombrosas quanto intrigantes. A primeira delas, de cabelos loiros e rosto manchado de algo vermelho, olhou Layla de perto, seus olhos penetrantes inspecionando cada detalhe.

— Essa é a forasteira? — Questionou a loira, se aproximando e avaliando Layla minuciosamente.

— Vamos levá-la à mãe. — Disse outra das mulheres, a voz carregando uma aura de seriedade e severidade. Seus cabelos negros emolduravam um semblante impassível e grave.

— Hmmm, o cheiro dela é bom, posso dar só uma mordidinha? — A voz da ruiva soou de forma inquietante, e antes que Layla pudesse compreender o que estava acontecendo, a mulher se aproximou abruptamente e deu uma mordida no ar próximo ao rosto de Layla. Assustada, Layla deu um salto para trás, seus olhos arregalados de incredulidade diante da cena.

— O que? — Layla gaguejou, tentando encontrar algum sentido lógico em toda a situação absurda. Um misto de terror e descrença permeava seus pensamentos, fazendo-a questionar se estava vivendo um pesadelo bizarro.

— Não, Daniela, a mãe disse que quer vê-la, vamos primeiro levá-la até ela. — A voz da loira soou séria, sem dar espaço para questionamentos.

— Só uma mordidinha, Bela... — A ruiva voltou a insistir, seus olhos parecendo brilhar com um desejo peculiar. A loira lançou um olhar bravo para ela, um gesto de repreensão que parecia habitual.

— Vamos ver com a mãe, talvez depois ela deixe a gente brincar com ela. — A morena proferiu suas palavras com um sorriso malicioso, suas intenções ocultas deixando um rastro de arrepios pela espinha de Layla. — Agora vamos. — Ela deu um empurrão no ombro de Layla, que estava tão atordoada que mal conseguiu reagir.

— Não vamos te machucar, humana. — Bela falou com um sorriso cínico, as palavras carregadas de um tom ameaçador que enviou um arrepio pela espinha de Layla. — Ainda! — As três mulheres irromperam em gargalhadas sinistras, ecoando pela passagem enquanto empurravam Layla adiante, guiando-a por corredores misteriosos, onde sombras e risadas pareciam dançar em torno dela.

Enquanto era empurrada por uma das mulheres, a ruiva que agora Layla sabia se chamar Daniela, de repente se transformou em um enxame de moscas, fazendo Layla dar um grito de surpresa. Três dos insetos morderam seu braço, fazendo-a soltar um pequeno gemido de dor.

— Aí! - Layla exclamou, sentindo as picadas ardendo em sua pele.

— Daniela! - A morena, que Layla agora identificava como Cassandra, gritou brava para a ruiva.

— Foi só uma brincadeirinha, Cassandra! - Daniela respondeu com um sorriso divertido, voltando à forma humana enquanto ria, como se as mordidas de mosca fossem uma piada inofensiva. A sensação de surrealismo aumentava a cada momento naquele lugar.

Layla seguiu sendo guiada pelos enxames de moscas, descendo mais algumas escadas enquanto tentava controlar o medo que a dominava. Ela teve um breve vislumbre do salão principal à medida que passava por ele, mas o medo a impediu de admirar o lugar. Continuou sendo conduzida até um pequeno salão, onde quatro estátuas estranhas sem rosto chamaram sua atenção. Logo em seguida, entrou por outra porta, sempre guiada pelas três mulheres que pareciam flutuar ao seu lado. Passaram por mais duas portas antes que uma das mulheres a empurrasse com força, fazendo Layla cair no chão com um baque.

— Mãe, trouxemos a forasteira. - Bela falou apontando para a Layla que ainda estava jogada no chão.

Layla olhou à frente e avistou uma mulher de costas, usando um chapéu preto. Incerta se era uma ilusão causada por sua posição no chão ou pelo medo que a envolvia, a mulher parecia surpreendentemente alta, mesmo sentada.

— Que gentileza, filhas... - A voz da mulher soou enquanto ela se erguia e colocava uma taça sobre a mesinha à sua frente. Layla então a viu se virar completamente, e seu coração quase parou ao perceber que não era apenas uma ilusão: a mulher era realmente extremamente alta. Sua estatura imponente era inegável. Naquele momento, Layla reconheceu seu rosto do altar que havia observado antes, confirmando que aquela era, sem dúvida, a Lady Dimitrescu. Um turbilhão de compreensão invadiu Layla, fazendo com que ela entendesse o motivo pelo qual Luíza a havia alertado com tanta ênfase para evitar o castelo.

A aparência da Lady Dimitrescu era majestosa e intimidadora. Sua estatura de quase três metros a destacava imensamente, enquanto seus cabelos negros e curtos, com cachos nas pontas, enquadrassem seu rosto de maneira elegante, batendo no queixo praticamente. Seus olhos eram de um amarelo forte, que quase brilhava, emitindo um olhar penetrante. Um elegante chapéu preto adornava sua cabeça, acentuando sua aura de autoridade.

Layla sentiu um misto de emoções, que se dividiam entre medo e fascínio.

— Mãe, podemos brincar com ela? - Daniela falou animada, dirigindo seu olhar à mãe com devoção e esperança.

— Mãe, Daniela mordeu a forasteira enquanto vínhamos para cá. - Bela revelou.

— Dedo duro! - A ruiva exclamou, lançando um olhar raivoso à irmã.

— Ah, é? E qual é o gosto, querida? - Lady Dimitrescu perguntou à garota, que sorriu e mostrou a língua para a irmã.

— Delicioso! - A ruiva disse com um sorriso maldoso.

— Interessante... Mas antes, precisarei informar a Mãe Miranda que tenho posse da outra forasteira; depois, veremos o que faremos com ela. - A Condessa falou com calma, sua voz carregada de um tom sedutor e melódico que parecia se entrelaçar pelas paredes do quarto.

— Abigail também está aqui? - Layla finalmente pronuncia algumas palavras, chamando a atenção das quatro mulheres para ela novamente, surpreendendo-as por ter ousado falar.

— Tenha mais respeito com a mãe! - Cassandra exclama, desaprovando a audácia da humana em falar sem permissão.

— Se acalme, querida. - A Condessa intercede com calma. — Sim, sua amiguinha humana está aqui. Se você for tão obediente quanto ela, poderemos considerar o que fazer com você. - sorri diabolicamente e então ergue as mãos para o alto, fazendo suas filhas levantarem Layla bruscamente.

— Venha comigo. - ordena, enquanto Bela e Daniela soltam a forasteira e a olham de maneira intimidadora.

Layla fica parada por alguns segundos, olhando assustada ao seu redor. No entanto, Daniela morde o ar perto dela, assustando-a, e ela rapidamente começa a seguir a Condessa, sentindo que não tinha outra escolha a não ser obedecer.

Layla segue Lady Dimitrescu pelo castelo, completamente assustada e intimidada pela presença imponente da mulher que praticamente triplicava sua altura. Ainda achando que tudo aquilo não passava de um pesadelo horrível, ela se esforçava para entender como acabara naquela situação. No entanto, todas as sensações que experimentava, o frio do ambiente, a dor de sua jornada, o cansaço em seu corpo, tudo parecia muito real para se tratar apenas de um simples sonho.

Seus olhos fixaram-se na figura da mulher à sua frente, observando-a enquanto caminhava com uma graça incomparável. Apesar de sua estatura gigantesca, a Condessa exibia uma aura de extrema elegância, junto com uma presença igualmente intimidante. Sua pele alva como porcelana contrastava fortemente com seus cabelos negros e seus olhos de um amarelo intenso. Assim como na imagem do altar, a Lady Dimitrescu em pessoa também era notavelmente bela, porém, ao mesmo tempo, incrivelmente amedrontadora.

Elas chegaram a um quarto, onde a Lady Dimitrescu fez um gesto indicando para que Layla entrasse. A forasteira sentiu o olhar intimidante da mulher sobre si antes de entrar. Em seguida, Layla observou com fascinio quando a Condessa se curvou graciosamente para passar por baixo da porta, assim como havia feito em outros locais do castelo. A elegância com que ela realizava tal ato dava a impressão de que era algo com que estava completamente habituada.

— Espere aqui, bichinho. - A Condessa falou sentando-se em frente a uma penteadeira grande, feita provavelmente para ela.

— Eu não sou um bichinho. - Layla disse indignada, se arrependendo instantaneamente quando Lady Dimitrescu lançou um olhar raivoso e surpreso em sua direção.

— É muito insolente para uma criaturinha tão pequena! - A mulher alta fala incrédula com a audácia de Layla. Mas ela respira fundo e pega o telefone, começando a discar algum número. Ela fica calada durante alguns segundos, até que finalmente alguém parece atender. — Mãe Miranda, gostaria de informá-la que estou com a outra forasteira. - Ela fala enquanto se ajeita no espelho. — Não, ela não parece uma ameaça... - se vira para olhar para Layla. — Nem um pouco. - completa depois de avaliar a garota dos pés a cabeça com aquele olhar gélido e penetrante. Layla sente um arrepio na espinha. — Certo, obrigada, mãe. - completa desligando o telefone e se virando para encarar a forasteira.

— E então? - Layla pergunta um tanto impaciente, fazendo a Condessa franzir a sobrancelha e olhá-la com raiva. Layla sabia que deveria ter mais cuidado com as palavras, mas não estava acostumada a não ser quem manda.

— Mais respeito, bichinho! - Dimitrescu rosna irritada, ficando de pé, tornando-se ainda mais intimidante.

— Desculpe! - pede imediatamente. — Eu apenas estou perdida, não sei onde estou! - diz de cabeça baixa, temendo que a mulher alta faça alguma coisa. Luíza a tinha avisado e ela não escutou, agora estava encrencada.

— Como você chegou ao vilarejo? - a Lady questiona com a voz dura, esperando ser respondida imediatamente.

— Meu avião caiu e eu acordei no meio da floresta. Quando comecei a andar para encontrar algum lugar, escutei um barulho de alguma criatura estranha e então comecei a correr, acabando no vilarejo. - explicou ainda sem olhar para a mulher.

— Um licano, presumo.

— Eu.. eu não sei, era estranho, peludo e cheio de dentes... - falou lembrando-se da imagem assustadora da criatura.

— Exatamente o que eu disse, um licano. - exclama impaciente e Layla a sente se movendo e sentando na cadeira novamente. — Mas impressionante que tenha conseguido fugir de um... Qual o seu nome, criaturinha? - questiona. — E olhe para mim!

Lentamente, Layla levanta a cabeça e encara os olhos dourados à sua frente, sentindo seu coração acelerar e um medo apossar seu corpo.

— Layla... - responde baixinho, mas a Condessa a olha esperando algo, provavelmente uma continuação. — Layla Monteanu.

— Monteanu... - Repete. — Me é familiar. - fala pensativa, mas logo parece esquecer a informação. — Você e sua amiga foram as únicas sobreviventes da queda?

— Eu... não sei. O avião partiu no meio, não sei nem como sobrevivi. - fala sentindo um tremor no corpo ao lembrar que poderia não estar viva após o acidente. Mas será que realmente era a melhor coisa estar viva? Depois de presenciar enxames de moscas transformando-se em garotas que aparentemente gostavam de carne humana e uma mulher incrivelmente alta e assustadora, Layla já não tinha tanta certeza.

— Se estiver mentindo para mim, bichinho, eu irei saber, e você sofrerá as consequências! - ameaçou séria, fazendo a espinha de Layla gelar.

— Eu não estou mentindo. - Layla responde.

— Espero que não... Mãe Miranda disse que eu poderia fazer o que quisesse com você... - olhou novamente a garota de cima a baixo. — Agora.. o que devo fazer com você?

— Me ajude ir embora daqui! - A forasteira exclamou quase como uma ordem, era costume para Layla falar daquela maneira com as pessoas, e mesmo diante daquela mulher alta, seu costume era dificil de controlar.

Lady Dimitrescu gargalhou alto, enviando um calafrio pelo corpo de Layla, fazendo-a dar alguns passos assustados para trás.

— Você pertence a mim agora, bichinho. - disse com um sorriso no rosto e estendeu a mão que, assim como o resto do seu corpo, era maior que a de um humano normal. — Venha cá. - ordenou e Layla não viu outra opção a não ser obedecer. Mesmo incerta, ela colocou sua mão sobre a da Lady, que estava coberta por uma luva, e foi bruscamente puxada para perto.

A Condessa soltou sua mão e a levou até o rosto da forasteira, a analisando de perto. Layla sentiu um frio na espinha e seu corpo se arrepiando, não entendo as estranhas sensações que aquilo a causou.

— Você quer se juntar a sua amiguinha? - a condessa questiona.

— Se ela estiver viva, sim. - Layla responde um tanto incerta, fazendo a Lady sorrir com sua fala.

— Ela é mais obediente que você. - revela. — Vamos ver se você servirá para algo, o se terei que tomar outras providências... - falou por fim. — Cassandra! - gritou e afastou sua mão da garota que deu um pulinho por conta do susto que levou com o grito.

Segundos depois, um enxame de moscas empurrou a porta e invadiu o quarto, formando o corpo da garota de cabelos negros que Layla havia visto anteriormente.

— Estou aqui, mãe. - disse obediente.

— Leve-a para a ala das empregadas. - ordenou.

— Não vamos poder brincar com ela? - Cassandra perguntou parecendo decepcionada.

— Não. - disse firme, sem dar espaço para questionamentos ou reclamações. — Agora vá!

— Sim, mãe! - concordou sem questionar mais.

Layla sentiu a mão fria da garota envolvendo seu pulso e foi puxada bruscamente para fora do quarto e foi praticamente arrastada por todo o caminho. Enquanto isso, ela se perguntava se havia como escapar daquele lugar, tudo o que ela queria era reencontrar sua amiga Abigail e encontrar uma maneira de voltar para casa.

Porém, o castelo de Lady Dimitrescu parecia um labirinto sombrio e misterioso, e Layla estava apenas começando a desvendar os segredos e perigos que ele guardava. Com o coração acelerado e a mente cheia de incertezas, ela seguiu a garota pelos corredores sombrios, com medo dos próximos dias. 

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