Darling Friendship

By ME_Mself

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Amigos desde que se entendem por gente, Justin e Madeleine vivem suas aventuras na Universidade da Colúmbia e... More

Mais que amigos, friends
Ultrapassando limites
Olhos do diabo
Justin tem uma ideia...
Vamos só esquecer isso...
Enquanto penso nele...
Ela disse sim!
Uma garrafa de vinho e você...
Haja naturalmente
No Éden
Sem beijo, sem abraço...não se apaixonar.
Maldito seja Ryan Butler
Sou eu, a porra do cara
O jeito que "eles" olham
A festa- Part 1
A festa part.2 (-7)
Só um beijo
É o tal do dilema moral
A verdade dói e incomoda
A culpa
Nunca mais...
Reunião de família
Vestida de noiva
O elefante entre nós
Estou aqui por você
O jeito que ele te olha
Uma bela recepção
Última chance
Era você!
Um porto seguro
É de você que eu preciso!
Fora de controle
Finalmente minha
Isso não é real!
Paralisado
Um passo de cada vez
Minha garota
Dias difíceis
Só nós dois
Mentirinha e confusão...
Capítulo bônus - T&R
Não podemos ser nada
Seja sincera
Sagrado
Bônus-T&R - Um super mal entendido
Sintonia
Recomeço, decisões e nosso pra sempre
Uma casa na praia
EPÍLOGO

Epifania

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By ME_Mself


Oiizinhooo! Voltei, peço que não me odeiem e aviso que comentários são bem vindos!! Beijos e VOTEM  <3


*J U S T I N*

Eu criei a regra do beijo por alguns motivos: A primeira, como deixei claro pra Maddie quando lhe ditei a sexta regra, é que o beijo parece de alguma forma mais íntima do que o sexo. Nós transamos às vezes e é uma das coisas mais incríveis que já fizemos, mesmo que tenham algumas carícias de ambas as partes durante o ato, ainda sim é algo unicamente primitivo. No sexo esperamos o prazer, a sensação do orgasmo espelhando pelo corpo, da sensação entorpecente. O sexo é prazeroso e intenso quando o ápice vem. Eu amo o sexo, ele é natural e quando acaba não é nada demais. As pessoas não ficam pensando nisso depois que acaba de transar, porque a sensação do orgasmo tem exatamente a função de suprir aquele desejo reprimido, depois que ele passa tudo volta ao normal.

Mas o beijo...Porra, o beijo é algo tão envolvente.

As pessoas criam momentos antes de um beijo, mesmo que estejam se vendo pela primeira vez. Claro que no sexo não é tão diferente, mas não é esse o ponto. Tem todo um trabalho antes do beijo. Até o tempo faz diferença nesse momento. Tem a troca de olhares, o calor do corpo, a ansiedade no estômago e aquelas sensações incríveis que os lábios de alguém podem causar. Então quando acaba, você vai se deitar na sua cama e começa a sorrir feito um idiota porque fica se lembrando exatamente desses detalhes. A forma como a boca de vocês se mexeram, ou como se olharam antes do beijo rolar ou como estava quente naquela noite. E tem a porra do cheiro, tudo isso estimula e você nem pensa em sexo porque está ocupado demais pensando no próximo beijo ou em como se sentiu excitado e entregue durante o envolvimento das suas línguas.

Eu sei que nem todo beijo tem ou precisa ter um significado, só que Maddie não é uma pessoa qualquer. Ela significa muita coisa pra mim, então um beijo nosso não seria insignificante.

O outro motivo?

O beijo de uma garota sempre me entorpece.

Eu sempre fui um desses idiotas que vai dormir pensando no beijo, depois no sexo.

Mas havia outro motivo ainda mais relevante: ela é a minha melhor amiga.

Sei que não parece, mas eu levo o beijo de uma garota muito a sério e gosto de fazer ser memorável mesmo com uma garota que não tenho muito vínculo. Mas eu cresci com a Maddie, sei de muita coisa ao seu respeito. A conheço literalmente inteira, da cabeça aos pés, então eu sempre pensei que o beijo entre mim e ela não seria unicamente troca de salivas com fins sexuais. Pelo menos não da minha parte. Eu sempre pensei que se eu a beijasse, teria dificuldade em lidar com isso depois porque com ela não é tão simples assim. Ultimamente confesso que ate o sexo está ficando intenso demais, então aquela era mesma a nossa ultima vez, só que eu havia me esquecido disso assim que toquei seus lábios e tudo o que eu queria fazer com ela se perdeu na minha mente quando a minha mãe nos interrompeu.

Olho pra ela me sentindo um pouco tonto. Maddie me olha com uma expressão de surpresa e suspira. Nessa hora olho para seus lábios novamente, estão vermelhos e levemente inchados. Preciso engolir a seco e esperar meu corpo parar de vibrar quando a minha mãe bate mais uma vez na porta do meu quarto.

— Estou indo. — Estranho o som da minha voz quando grito. Acho que nunca fiquei com a voz tão grave e rouca. Dou mais uma olhada nela e me afasto.

A cada passo a ficha cai.

Eu tô ferrado.

Tento respirar e me manter calmo enquanto vou até a porta, ainda me sinto atordoado. Mas não paro de repetir na minha cabeça o quando eu estou ferrado. Acabei de quebrar uma das regras mais cruciais, e eu mesmo que inventei.

Como posso ser tão burro?

Nem sei se é isso que me perturba mais, e sim o fato do beijo ter sido bom pra caralho. Se não fosse minha mãe do outro lado da porta, eu nem sei o que eu ia fazer com a Maddie e eu queria fazer tanta coisa com ela, porra.

Ajeito o meu cabelo como posso e respiro fundo antes de puxar a maçaneta. Minha mãe mal espera que eu fale alguma coisa, ela já vem pra cima de mim em um abraço forte.

— Meu filho, tudo bem? Como você está?

Retribuo o seu abraço só pra acalmá-la porque no momento meu pai ou as merdas que ele diz bêbado não me preocupa mais, e sim o problemão que eu acabei de criar pra mim mesmo ao perder o controle e beijar a minha melhor amiga.

Eu não pude evitar.

Não sei o que deu em mim. Eu estava tão vulnerável e ela estava tão perto de mim, tão linda e perto. Porra.

— Você não me respondeu. — Minha mãe me solta, ainda mais preocupada e toca o meu rosto. — Ah, querido, está pálido. Quer que a mamãe pegue uma água? — Olho pra ela sem entender muito o que ela diz, até porque estou meio pasmo. — Estou preocupada, Justin. Você não parece bem...

Maddie surge ao nosso lado, também me avaliando porque ouviu a minha mãe. Mal sabem elas que eu estou bem, só perdendo a cabeça mesmo. Olho de relance pra Maddie e ela me encara de volta, tem algo diferente na forma como ela me olha. Seus olhos incisivos me perguntava o que me fez mudar de idéia, ao mesmo tempo a profundidade do seu olhar me dizia que ela havia gostado tanto quanto eu.

— Você está bem?— Pergunta e imediatamente eu assinto. — Se quiser eu mesma pego alguma coisa pra vocês beber.

— Não, obrigado, eu estou bem. — Maddie sorri fraquinho e cruza os braços ao desviar os olhos dos meus e olhar pra minha mãe.— Ceci, posso sair se quiser...assim vocês ficam a vontade pra conversar.

— Não acho que precisa, você e Justin estão sempre juntos mesmo. Pode ouvir. — Minha mãe me olha. — Ou quer que ela saia do quarto?

Minha garganta fica completamente seca porque não sei a resposta. Se ela ficar, eu não vou conseguir prestar atenção em nada do que a minha mãe vai me dizer e ela está bem hoje, quero aproveitar esse momento de lucidez pra ouvir tudo o que ela fala e fazê-la sentir que estou aqui ao seu lado. Mas se Maddie ir, vou ficar pensando no que poderia fazer com ela aqui no meu quarto ou se ela está chateada ou não comigo. Eu não sei.

Não sei.

Então dou de ombros e tento soar indiferente.

— Tanto faz. — Maddie olha pra porta e eu pra minha mãe. Merda, acho que percebi que eu não quero falar sobre o meu pai agora. De certa forma beijar a Maddie me tirou de uma crise de ansiedade que estava prestes a me matar. — Mãe, se for sobre o pai, eu não quero falar sobre isso.

Ela suspira e toca em meu braço.

— Só preciso saber se você está bem. — Olho bem pra ela e faço que sim no automático porque não sei nem do que ele está falando direito. — Você parece tão...não sei, perturbado.

Pronto.

Está óbvio até na minha cara. Minha mãe percebeu que estou me afundando em desespero e choque.

— Eu estou bem. — Olho pra Maddie que nos assiste. — Estou muito bem mesmo, mãe...só cansado da viagem.

Ela me olha daquele jeito amoroso que toda mãe olha pro filho e sorri pra mim.

— Vou falar com ele, obrigar a te pedir desculpas pela coisa horrível que te disse. — Minha mãe faz uma carícia no meu braço.

— Não precisa obrigá-lo a isso. Ele fará por conta própria casa se sinta arrependido por algo que tenha dito. Já basta o Jack ter pedido pra ele falar comigo. — Seu olhar fica triste e logo percebo que falei com ela feito um cavalo. Não sei se posso culpar alguém por me sentir assim além do meu próprio pai, pensar nele me irrita profundamente. — Me desculpa, não quis ser um babaca.

— Tudo bem, querido. Eu entendo você. Vou deixar você se acalmar mais pra gente falar sobre isso depois. Agora não é mesmo uma boa hora, está todo mundo com os nervos à flor da pele.— Só consigo concordar e agradecer com um sorriso porque neste momento não há nada que vai fazer com que eu me sinta melhor. Nada.

Só que olho pra Maddie, ainda no mesmo lugar enquanto nos observa. Nada pode me fazer melhor, exceto ela. Ela me encara de volta, depois me lança um sorriso gentil e dócil. Só consigo pensar no quanto esse sorriso me faz bem. No tanto que essa boca é linda e no quanto eu quero beijá-la de novo e de novo. O que fui fazer da minha vida?

Me forço a olhar pra minha mãe outra vez e me lembro de piscar meus olhos. Minha mente está insana agora. Meu corpo segue tentando se manter firme e tento ignorar o estranho desconforto no meu peito. Odeio me sentir vulnerável e frágil, odeio ainda mais deixar que as pessoas vejam esse meu lado. Basta me lembrar que eu chorei feito um idiota no meu quarto e, pior, na frente de uma garota, pra que eu sinta vontade de queimar meu próprio rosto no fogo. Certo que não era qualquer garota. Era a Maddie, mesmo assim a ideia ainda me incomoda.

Deixo escapar um longo suspiro e lembro de agradecer a minha mãe pela preocupação comigo. É bom saber que um dos pais ainda gosta de mim mesmo depois do que aconteceu a minha família por minha culpa.

— Obrigado por tudo, mãe.— Me inclino na sua direção e lhe abraço. — Eu te amo.

Sinto quando ela sorri na curva do meu pescoço e isso me deixa feliz pra cacete. Fazer a minha mãe sorrir sempre me faz sentir melhor depois do acidente.

— Também te amo, meu amor. — O aperto em meu pescoço se torna mais forte, depois ela se afasta. — Acho que vou me deitar, aparentemente as coisas vão ser mais agitadas agora e eu já não tenho mais idade pra isso. — Ela sorri. — Nos vemos amanhã no café?

— Claro. — Falo, mesmo que eu sinta a tensão subir por minha espinha. Jeremy vai atacar mais. Ele vai me atacar sempre que tiver a oportunidade. — Nos vemos amanhã.

Minha mãe se vira pra Maddie e lhe abraça apertado.

— Boa noite, meu anjo. — Sorrio pela cena. Minha mãe trata a Maddie como se fosse uma filha, isso me deixa tão feliz por dentro.— Cuida dele pra mim? — Ela diz não tão baixo quanto imagina. Maddie me olha e sorri pra mim.

— Vou cuidar sim. Boa noite.

— Boa noite.— Minha mãe sai.

Quando enfim a porta bate, eu olho pro teto. Estamos sozinhos de novo, e embora a minha vontade fosse de beijar cada centímetro da Maddie em cima daquela mesa como eu pretendia fazer antes, eu não faço porque simplesmente não sei se será como antes, muito menos se temos clima. Rolou tudo tão naturalmente, que basicamente não tive controle algum, quando vi já estava enfiando a minha língua pra dentro da sua boca.

A coisa tinha que ficar melhor, não é?

Claro que tinha.

Ela podia ter bafo ou um beijo ruim, muito pelo contrário. Sua boca é doce, estava com gosto de champanhe e ela sabe beijar muito bem. Os gemidos na minha boca com certeza só me impulsionam a continuar com os movimentos, eu fiquei sem saída. Agora, aqui diante dela, eu tenho uma escolha nas mãos. Ela está me encarando e ainda não disse uma palavra, então não sei se espera outro beijo ou que eu diga algo sobre ele e isso eu não quero. Preciso pensar no assunto antes.

Esfrego a minha nuca e vejo quando ela enruga a testa. O que será que está passando pela sua cabeça?

De qualquer forma, eu preciso agir como se esse momento nunca tivesse acontecido, como na vez em que acordei agarradinho ao seu lado exatamente como vim ao mundo. Esse foi um assunto que nós nunca resgatamos pra conversar, a do beijo pode se tornar mais um dessas lembranças que não precisa ser dita em voz alta.

— Você quer voltar para lá? Parece que o pessoal está se divertindo. — Falo ao ouvir a música mais agitada e as risadas mais altas.

Ela me olha como se tivesse sem graça.

— Eu pensei que...sei lá, íamos ficar aqui. — Meu Deus, não faça isso comigo. Não diz isso com esse olhar pidão de gato de botas. — Pensei que, sei lá, a gente fosse...

— Eu preciso de uma bebida. — A cortei antes que ela terminasse o que ia dizer. Me arrependo amargamente e ao mesmo tempo não. Ela é a minha melhor amiga, não posso ficar aos beijos com ela e fingir que está tudo bem pra mim.

— Ah...claro, claro. — Maddie limpa a garganta, depois me olha de forma preocupada. — Você está bem? — Olho pra porta e faço que sim.

Acho que nunca me senti tão nervoso. Faço uma certa força emocional pra que não fique óbvio que estou explodindo por dentro por causa de tudo.

— Eu vou...— Olho pra porta, em seguida seguro a maçaneta.

— Justin!

— Nos falamos depois. — Puxo a porta pra trás e saio em disparada.

Na mesma hora que ando às pressas pelo corredor, uma garota sai do banheiro e não deu outra, o encontrão que demos foi forte e ela quase caiu com o impacto. Seguro em sua cintura antes que ela caia com tudo pra trás.

— Desculpe. — Peço pra garota em meus braços. Ela me olha um pouco assustada pelo impacto, depois sorri pra mim. Aproveito a brecha pra apreciar sua imagem. É mesmo muito bonita. Loira, corpo escondido em um vestido vermelho justo e sorriso meigo.

— Tudo bem. — Ela diz sem ao menos se afastar de mim. — Sou a Tiffany.

— Justin. — Solto seu corpo e ela fica a poucos centímetros de mim, ainda sorrindo. — Sou o irmão do noivo.

— Eu sei quem você. — Na mesma hora eu identifico a malícia na sua voz, mas não estou no clima ou com cabeça pra flertar de volta. — Sou amiga da noiva e madrinha.

— Isso é...muito legal. — Limpo a garganta. — Bem, me desculpe pelo encontrão. Nos vemos por ai. — Digo e me desvio dela em passos rápidos.

A cada passo que eu dava, sentia uma leve vontade de vomitar e um calor insuportável. O som estava alto demais e de repente pareceu ter mais gente que o necessário na nossa casa. Me lembrei de uma das festas que Jack dava quando nossos pais saiam de viagem, a diferença é que agora somos adultos.O jantar de ensaio pro casamento terminou em uma festinha particular com os mais chegados, aparentemente.

Tudo estava me enlouquecendo. Essas pessoas, essa música.

Meu pai.

A Maddie...

Tudo!

A minha cabeça estava um caos e eu precisava fazer alguma coisa a respeito.

Peguei a primeira garrafa de bebida que eu vi e saí pra varanda pra fazer bom uso dela.

Desci gole atrás de gole, o líquido queimando minha garganta e o meu estômago, mas ainda sim eu conseguia ouvir as palavras do meu pai, me lembrar da Maddie triste e do nosso beijo. As memórias ainda estavam limpas demais e tudo o que eu queria era borrar as últimas imagens da minha cabeça, ou eu ficaria louco.

Senti falta até de um cigarro. Um baseado agora não cairia mal, mas duvido muito que o meu irmão autorize isso logo no jantar de ensaio do casamento dele. Eu suspirei levando a garrafa de volta aos meus lábios, sufocando aos poucos no meu próprio desespero. Então eu senti alguém se aproximando. Eu reconheceria esse cheiro em qualquer lugar.

Me viro pro lado e lá está Maddie, as mãos segurando a cerca de madeira enquanto me estuda. Seus olhos vão para a garrafa na minha mão e ela solta um suspiro.

A minha vontade é de sair daqui, ir pra bem longe. Não sei se posso ficar perto dela sem sentir vontade de beijá-la de novo.

— Acha que vai resolver as coisas assim?— Ela olha pro conteúdo na minha mão. Só em pensar que vamos falar sobre o que aconteceu no meu quarto, perco o ar dos pulmões.

— Não, mas vai me dar tempo. — ela rir sem ânimo.

— Não pode ficar se escondendo atrás de uma garrafa de uísque.— Então o que eu estou bebendo é uísque? Ao menos tinha percebido. Isso explica o gosto horrível.

— Eu posso sim, quer ver?— Maddie bufa.

— Uma hora vamos ter que falar sobre isso, Justin. — Diz apoiando as mãos nos quadris. Eu não controlo os meus olhos que viajam por seu corpo. Minhas mãos estavam nesses quadris a minutos atrás, definitivamente os melhores minutos que já tive na vida. E é difícil olhar pra ela essa noite, está tão linda nesse vestidinho preto e me olhando com essa cara de brava.

— Você fica linda com raiva de mim. — Só me dou conta do que eu falei quando me ouço. Eu já devo estar ficando bêbado, porque só um idiota diria isso assim. A parte boa é que eu não me arrependo, embora me sinta bem surpreso comigo mesmo.

Maddie parece confusa por um segundo, talvez até desconcertada. Por alguma razão sinto vontade de rir dela, me aproximar e tocar seu rosto, a sorte é que uma parte do meu cérebro que ainda funciona e que me faz ficar onde estou.

— Eu não estou brincando.

— Eu também não. — Ela suspira, me encara por tempo o suficiente pra que fale de novo. — Eu gosto mesmo da sua cara brava.

— Olha, eu estou aqui, não precisa ficar na defensiva...— Ela toca o meu braço e eu enrijeço na hora. Reviro outro gole quando minha boca fica seca. Eu não estou na defensiva coisa alguma. — Vamos conversar sobre e...

— Não quero falar sobre o que aconteceu no quarto, Maddie. — Ela enruga a testa e me olha como se não entendesse. Eu fico confuso com a sua expressão. Será que eu só estava imaginando que nos beijamos?

— Eu estava falando do seu pai, Justin...— A conheço tempo o bastante pra notar que o tom da sua voz é de decepção. — Por que não quer falar sobre o beijo?

E como ela saberia que era sobre o beijo? Poderia ser sobre outra coisa...

Ah, quem estou enganando?

Respiro fundo.

— Eu não...

Foi só um beijo, nada demais. — Ela diz. Abro a boca sem querer, confuso com ela. Eu não esperava ouvir isso. Não esperava que ela fosse admitir que o nosso beijo foi tão insignificante quanto a minha existência. Minha garganta fica apertada, algo muda dentro de mim e me sinto incomodado demais com ela por dizer isso. Incomodado por ela admitir que o beijo não significou nada demais e que só eu estou surtando por causa disso.Só eu estou considerando a nossa amizade e a importância que ela tem pra mim.

É claro que isso ia acontecer. Maddie nunca demonstra nada além de interesse sexual. Por que eu estou surtando e me sentindo tão preocupado? Claro que ela não tem esse tipo de interesse em mim. Só no Carter. O beijo dele importa. Claro que prefere ele.

O que sinto agora não tem nada haver com o que meu pai disse ou o beijo. O que sinto agora é uma onda de raiva que eu não consigo explicar de onde vem. Aperto com força a garrafa nos meus dedos e não consigo olhar pra ela.

— Tem razão. Foi só um beijo. — Dessa vez olho pra ela mais firme. Maddie devolve meu olhar sério por longos minutos. Por um segundo, penso que ela busca outra coisa atrás da minha cara de chateado, mas isso não importa. — Estou feliz que não precisamos falar disso, até porque era uma das regras, mas já passou. Uma vez não mata ninguém e, além do mais, qual importância tem, não é?— Reviro mais um gole.— Bem, acho que vou entrar pra falar com o pessoal que ainda não falei.

— Espere, ficou chateado?— Rio negando. Claro que não. Não fiquei chateado e sim com raiva, mas ela não precisa saber disso.

— Não fiquei — Digo com rancor que não consigo esconder.— Só estou tendo uma noite de merda. — Digo e saio sem deixar ela responder.

Sei que pelo menos ela não me segue, o que me deixa mais tranquilo enquanto entro na casa novamente. O jantar acabou e a minha casa virou uma festa. A música toca em um volume alto e as pessoas dançam, os noivos estão rindo no canto da sala e não vejo meu pai em canto algum, pro meu alívio.

Aquela garota, Tiffany, sorri quando me vê caminhando pela sala. Tudo o que faço é retribuir o sorriso a ela, não vou deixá-la no vácuo, óbvio. Estou de longe agora, a bebida já me enjoou e eu ainda não me sinto tão bêbado quanto gostaria.

— Justin!— Greg, um dos padrinhos e melhor amigo do meu irmão, aperta o meu ombro. Não havia falado com ele mais cedo porque estava ocupado com as outras pessoas, agora ele me olha animado. — Cara, quanto tempo.

— Pois é...— Coço a nuca. — Você parece ótimo.

— Estou na academia. — Ele diz todo orgulhoso de si. — Mas enfim, como você está?

Olho pra ele me sentindo muito cansado, mas sorrio.

— Estou bem. A vida nunca esteve melhor. — Largo a garrafa de uísque que seguro porque preciso de outra coisa sem ser essa coisa horrorosa. Ao lado da mesa onde estou tem umas garrafas de cervejas. Eu sei que misturar bebidas não é uma ideia muito inteligente porque embebeda mais rápido e nos deixa mal, mas é exatamente isso que eu quero. Um porre bem grande só pra fugir da minha cabeça um pouquinho.

— Parece que a loirinha ali está afim de você. — Olho procurando a Madeleine, mas meus olhos encontram as orbes azuis da tiffany.— Ela não é uma das madrinhas?

— Acho que sim. — Bebo um gole da cerveja, decepcionado.

— Gostosa, mas não chega aos pés da Madeleine. — Olho pra ele sem esconder a minha irritação. — Eu sei que ela é a sua melhor amiga e que vocês são basicamente irmãos e essas coisas, mas me dá um desconto, cara.

— O que você quer com ela?

— O mesmo que você com a Tiffany. — Insinua. O engraçado é que não sei o que eu quero com a Tiffany, mas ele parece saber o que quer com a Maddie. — E...falando na princesa, olha só quem acabou de entrar. — Sigo os seus olhos e vejo Maddie passando pela sala com a cara emburrada. Ela passa os olhos por algumas pessoas, depois pega uma garrafa de cerveja e leva aos lábios. — Nossa, como ela está linda.

— Pois é, uma pena ela não ser pro seu bico. — Olho pra ele. — Desencana que ela não está disponível pra ninguém.

— Por que? Ela namora?

— Sim.

— Problema é do cara, então. — Ele ri.Eu não vejo a menor graça.

— Sério, deixe ela em paz. — Falo só uma vez, assustadoramente ameaçador.

— Ok, não mexo com ela. E...sua gatinha está vindo. — Olho pra frente e vejo a Tiffany vindo na minha direção com o maior sorriso do mundo, depois olho pra Maddie, então uma ideia surge na minha cabeça.

Uma ideia não, tenho uma epifania.

Uma revelação.

Puta merda!

Claro que é por isso.

Como que eu não percebi antes?

Desde que Maddie e eu começamos a aprimorar a nossa amizade, eu simplesmente a tornei a minha prioridade. Não fiquei com nenhuma garota e até dei um pé na bunda da Elena, agora tudo o que quero e desejo tem haver com a Madeleine, mas como não teria? Ela é a única garota que eu venho me relacionando há meses, então claro que o meu cérebro ia querer me pregar uma peça e me fazer agir como um idiota perto dela, querendo beijar e tocar ela a todo momento. A diferença é que ela não fez o mesmo. Estava com Carter e comigo, dividindo a sua atenção com nós dois e isso me fez acreditar que eu estava numa corrida com o cara e homens tem um lance com disputa. Talvez eu só quisesse ganhar dele.

E se esse tempo todo eu só estivesse confundindo as coisas porque queria sair na frente dele?

Agora eu entendo que na verdade eu só preciso partir pra outra, até porque Maddie está com uma pessoa e falamos que íamos parar assim que encontramos alguém e ela encontrou, então por que diabos não me dispensou?

Por que diabos ela continuou?

Ou será que o álcool já está batendo e me fazendo ver coisas onde não tem?

— Oi de novo. — Tiffany está parada de frente pra mim quando volto a realidade. — Nossa, você provavelmente vai me achar uma atirada por isso. — Ela diz envergonhada. — Mas eu queria muito que dançasse comigo.

Olho pra Maddie de novo, ela ainda não me viu, está num canto com a garrafa de cerveja enquanto observa todo mundo com sua cara fechada. Eu tenho duas escolhas, encarar ela e ter conversas desconfortáveis que eu não quero, ou aproveitar que essa garota que está me dando mole e curtir a noite que meu pai fez questão de estragar. Fazer pelo menos o fim dessa noite valer a pena.

Então faço a minha escolha. Olho pra Tiffany e digo com um sorriso:

— Não sou muito de dançar, mas tudo bem se a gente beber junto e curtir um pouco.

Vejo um sorriso enorme surgindo no seu rosto.

— Por mim a gente pode curtir muito.

E é daí pra pior.

As coisas passam como flashes na minha cabeça porque demora poucos minutos até as próximas cinco garrafas de cerveja se misturarem com o uísque e mais outras bebidas que eu fui encontrando pelo caminho enquanto Tiffany me puxava com ela. As próximas cenas são incertas e duvidosas.

De repente estou sorrindo demais, solto demais e feliz demais. Não controlo minha língua nem meu linguajar, minha boca fica um pouco dormente e meu equilíbrio afetado.

Vejo Tiffany sorrindo pra mim e faço o mesmo, segundos depois ela está perto demais no meu rosto e iniciando um beijo molhado demais. Eu retribuo porque meu corpo reage às suas investidas, a beijo como se quisesse engolir ela com a boca.

Minutos depois estou sendo empurrando pro meu quarto, a porta é aberta por minhas mãos e entramos como dois desesperados. A porta bate. Caio no colchão.

O teto gira.

Minha cabeça dói.

Sinto um peso em cima de mim. Levanto o corpo com dificuldade e lá está ela, Tiffany montada em mim. Ou é a Maddie?

As duas são loiras, isso não ajuda.

— Você é tão lindo e gostoso. — Sua voz também está arrastada. — Me beija.

E eu beijo ela quando seu corpo se inclina na minha direção. Aperto a sua bunda e ela se esfrega em mim. Eu sinto um cheiro familiar e inspiro a curva do seu pescoço quando desloco minha boca pra lá.

Ela tira o vestido e noto a ausência de sutiã assim que a peça deixa seu corpo. Fico ainda mais acordado, apertado dentro da minha própria calça.

Quando vejo já estou só de cueca. Não sei quando aconteceu. Está tudo girando e misturando. Os sons são abafados e altos.

Sinto mais beijos. Me movo, ela se move em cima de mim, um papel de preservativo é rasgado e de repente estou dentro dela, bêbado demais pra fazer sexo como uma pessoa decente. Nem mesmo sei se estou aqui, mas ainda tento me manter no controle. É quase impossível.

Tiffany parece bêbada demais pra perceber a minha total falta de competência, e eu não estou muito deferente. Me sinto meio robótico.

Os minutos parecem horas.

Eu na verdade nem sei como meu pau está acordado, pois estou bêbado feito um gambá.

Eu não vou gozar. Estou longe de gozar.

Ela pelo contrário...

Sinto quando ela atinge o ápice. Ela rebola no meu como e gene alto e manhoso. Isso me faz perceber que ela gemeu alto durante todo o nosso ato sexual, mas não quero focar nisso agora.

Tento me manter acordado. Tiffany sai de cima de mim. Eu pisco os olhos encarando o teto, arranco o preservativo do meu pau praticamente semi ereto e o jogo no canto da cama. Visto a cueca às pressas e rolo para o lado sentindo o meu corpo pesado demais. A cabeça pesada como um caralho. Ela diz alguma coisa e eu não entendo, então concordo e fecho os olhos.

...

Tem alguém batendo na porta.

Não...

Tem alguém querendo derrubar a porta. Espere...

Abro os meus olhos, é quando percebo que estava pensando e que já está de manhã. A claridade invade o meu quarto, então olho pra janela aberta, é quando vejo o amontoado de cabelos loiros esparramados na minha cama. Por um segundo eu penso que é a Maddie, mas então me lembro da Tiffany e dos seus cabelos loiros longos e cheios. O resto são só cenas de nós dois que não fazem muito sentido, mas sei que transamos de alguma forma. Como conseguimos isso eu não sei. Estava bêbado demais.

Me assusto quando alguém esmurra a porta mais uma vez. A loira ao meu lado se mexe e acorda, viro meu rosto antes que ela possa me olhar e vou até a porta.

Vou coçando os olhos e tentando me acostumar à luz, depois girei a maçaneta e abri a porta.

Surpresa...Maddie esta aqui!

— Ah, Maddie. Oi. — Ela me encara como se não acreditasse em mim, depois me olha dos pés à cabeça.

— São quase dez horas da manhã e você ainda está dormindo? — Seus olhos se voltam ao meu abdômen e percorrem abaixo. Quando olho, vejo o porquê. Estou usando só uma cueca. — E ainda nem se vestiu.

— Bom dia pra você também. — Só agora reparo na minha voz rouca e grave. Coço os olhos e bocejo, é quando braços finos rodeiam minha cintura e eu paraliso no lugar.

Maddie olha um pouco curiosa também, então Tiffany inclina a cabeça para o lado.

— Bom dia, gatinho. — Diz com sua voz um pouco rouca. — Como dormiu?

Estou olhando pra Maddie que me olha com um olhar indecifrável. Basicamente não sei porque estou com essa sensação de que devo explicar alguma coisa a ela.

— Oi, Tiffany. — Tiro seus braços do meu corpo e olho pra ela. — O que acha de um banho? Temos que descer para tomar café. — Sugiro.

— Você vem?

— Não. Gosto de banhos solos, gatinha. — Imito ela. Sua feição é triste por breve segundos, depois ela sai. Olho pra Maddie que ainda está com a mesma cara. — É uma longa história...

— Hm...então você andou pegando a madrinha de casamento, é?— Ela sorri sugestiva pra mim. Ela sorri?! — Depois me conta os detalhes sórdidos.

Por que eu faria isso?

Maddie olha pro lado quando sorri de novo, mexe no seu cabelo e me olha outra vez como se buscasse algum assunto.

— Eu conto.— Não vou contar porra nenhuma. Foi broxante.

— Claro que sim...— Ela me olha. — Bem, acho melhor se vestir, garanhão, o pessoal te espera. — Assinto. — Depois vamos conversar sobre essa mania feia de me deixar falando sozinha.

De alguma forma eu balancei a cabeça sem nada pra falar. Ela parece esconder alguma coisa de mim e talvez seja vergonha por ter me pego nessa situação.

— Desculpe...— Peço sem saber porque estou fazendo isso. Quer dizer, talvez eu saiba. Eu sei, na verdade. Nós nos beijamos e eu meio que dei um gelo nela, depois acordei na cama com outra garota e com uma ressaca da desgraça. Puta merda.

Maddie estreita os olhos quando pergunta:— Pelo o que?

Então eu fico olhando pra ela sem saber como responder. Eu sei o motivo, mas falar dele é mais difícil do que parece. Esfrego a nuca e olho pra parede atrás dela.

— Não sei. — Engulo a seco. Maddie maneia a cabeça bem pouco e ri fraquinho.

— Tá bom, então...— E a minha vontade é de me esconder dela. Por que isso agora? Ela é a minha melhor amiga. Sabe de tudo sobre mim.

— Tá bom.

— Bem, até lá...— Ela vai embora parecendo tão atordoada quanto eu.

Bato a minha testa na porta quando a fecho.

— Merda...

Gentilmente, pedi pra Tiffany da o pé do meu quarto assim que ela saiu do banho. Foi transa de uma noite e eu não precisava de uma acompanhante grudada em mim o tempo todo. Fui superlegal, expliquei que não estava afim de companhia e que queria ficar sozinho um pouco.

Resultado?

Ela bateu na minha cara e me chamou de canalha.

Realmente eu não entendo porque elas são tão loucas assim. Foi só sexo e não sou narcisista, sei que não dei o meu melhor. Estávamos bêbados e tudo que me lembro são cortes sem sentido. Nem sei se gozei. Sinceramente eu acho que não. E não é só isso, tem tanta coisa confusa aqui na minha cabeça que eu nem sei se aconteceu mesmo.

Nem sei se ainda tem café da manhã quando saio do quarto porque são quase onze horas quando coloco os pés pra fora do corredor. Vou pra cozinha e não tem ninguém, então me direciono até a sala. A minha cabeça ainda está latejando, infelizmente o remédio que tomei antes de sair do quarto vai demorar um pouco pra fazer seu trabalho.

Estou no meio da sala com as mãos no bolso enquanto procuro alguma alma, então escuto passos na escada. Passos pesados. Olho pra cima de forma automática, é quando vejo o meu pai descendo com suas roupas casuais de sábado. É tarde demais pra sair correndo e fingir que nunca estive aqui. Ele me vê e para no meio da escada, me olhando como se sentisse medo de mim.

Espere, medo?

— Filho, oi...— Engulo em seco. O clima entre nós nunca foi bom depois dos meus dezesseis anos, mas definitivamente está pior. Considerando que nós dois tomamos um porre, não sei se ele se lembra do jantar.— Eu só...

— Tudo bem, eu já estou saindo. — Falo o mais indiferente possível e caminho para fora.

Ouço quando ele chama meu nome, mesmo assim não paro de andar. Continuo caminhando e repetindo na minha cabeça pra não parar.

Meu coração só para de bater e volto a respirar quando chego na área onde a piscina está.

As amigas da Megan que vai ser sua madrinha, os padrinhos do Jackson e Maddie estão na piscina conversando.

Observo ela conversando animada. Os pés estão dentro da piscina e ela sorri quando Megan diz alguma coisa pra ela. Me aproximo com cautela do grupo, só então percebo Tiffany entre eles. Ela me vê entrando e me lança um sorriso fingindo. Devolvo da mesma forma. Espero que essa bruxa não tenha deixado uma marca de mãos no meu rosto.

— Justin!— Jackson me vê. — Finalmente veio se juntar a nós, maninho.

Sorrio sem mostrar os dentes. Na verdade, não estou muito afim disso.

— Sabe onde está a nossa mãe?— Ela sorri mais fraco, olha pros rapazes e pede licença antes de sair da espreguiçadeira e vir até mim. — Cara, não era pra você está se arrumando e essas coisas? Afinal é o seu casamento.

— E vamos, só estamos relaxado antes porque a semana toda foi um estresse.— Respira fundo e me olha com mais tensão. — A mãe não acordou muito disposta hoje. — Ouvir isso é como pisar no meu humor já esmagado. Olho pra ele perguntando como assim? — Ela é assim mesmo. Tem seus picos de energia. Não falou nada no café, depois se retirou e foi se deitar.

— Eu a decepcionei. — Murmuro, mas não era pra ele ouvir.

— O que? Como assim?

— Ela me chamou pra tomar café da manhã com vocês, mas eu...eu perdi a hora. Sou um idiota. — Não consigo esconder a minha frustração.

— Ei, não. Não foi você, garanto. Ela é assim mesmo. Nem sempre está bem como estava ontem. — Isso não diminui a minha angústia.

— Eu acho melhor dar uma volta. Rever a cidade e...você vai precisar de mim? Sou seu padrinho né?— Mudo de assunto, me sinto cansado.

Jackson toca meu ombro.

— Tudo bem, não se preocupe com nada. — Assinto pra agradecer pela compreensão, dou mais uma olhada pro pessoal e pego Maddie nos encarando de forma curiosa.

— Vou só respirar. Volto antes que você diga sim. — Ele sorri e eu me afasto em seguida. A minha cabeça está doendo e dessa vez não é ressaca.

Caminho para fora como se ficar dentro de casa fosse um peso nos meus ombros, porque de fato é. Penso em algum lugar pra ir, qualquer um e me lembro do lugar favorito onde eu ia quando era criança. É tipo um morro, em cima tem grama e uma árvore imensa. De lá posso ver quase toda a cidade e respirar como se não houvesse dor no mundo. Não fica muito longe de casa, até porque lá foi meu refúgio muitas vezes.

Os minutos passam rápido enquanto ando porque meus pensamentos não param. Sigo por um caminho mais estreito e com terra, pego outro caminho mais apertado e logo a rua começa a ficar mais íngreme. Segundos depois eu vejo a enorme árvore. Nada mudou. Pelo menos isso continua igual, graças a Deus.

Respiro fundo quando alcanço o topo e aproveito pra dar uma olhada na vista. É lindo, embora eu saiba que lá embaixo está um completo caos.

Me sento no chão e encosto meu corpo na árvore. Olho pro céu, para folhas verdes e para as luzes do sol passando entre as folhas. O silêncio é bom, o vento está calmo e tem alguns passarinhos cantam no céu. Isso basta pra esvaziar a minha mente por uns segundos.

Então ouço passos.

Me levanto tão depressa que quase caio lá embaixo.


Quando inclino o meu corpo na tentativa de ver quem é, vejo Madeleine subindo com as mãos no peito. Ela está arfando quando me alcança.

— Não me lembrava que subir isso era tão difícil. — Ela apoia as mãos nos joelhos e respira com força. — Não sinto meus pulmões.

— É claro que você não sente. É um órgão quase imperceptível.— Rio dela.

— Você me entendeu, idiota. — Maddie ergue a cabeça e sorri pra mim. — Estão queimando como brasa, então certamente eu o sinto.

— Você está parecendo uma senhora de setenta anos sedentária. — Zombo e estendo a minha mão pra que ela segure. — Precisa malhar.

— O que isso quer dizer?— Ela segura a minha mão.

— Que seu corpo é uma máquina, meu amor. — Sempre que digo isso, Maddie faz uma breve expressão diferente. Não sei, talvez eu esteja só doido ou ela gosta.— Enfim. Uma máquina precisa estar sempre em manutenção para que não fique velha e enferrujada. É o mesmo com o corpo humano. Se você não se movimentar seus músculos, eles murcham e ficam atrofiados.

Puxo Maddie pra cima e ela bate o corpo no meu, rimos.

— Obrigado pela informação, doutor. — Olho pra ela ainda pertinho de mim.

— Não precisa ser um doutor pra saber que é importante se exercitar. — Ela se afasta de mim e se arrasta até a árvore.

— Certo, entendi. Prometo fazer uma dieta rigorosa e exercícios assim que esse casamento passar. — Rio dela.— ..Agora me diz o que veio fazer aqui? Você só vem aqui quando está sufocando...— Me sento ao seu lado na árvore e fito o céu.

Ficamos em silêncio por um bom tempo.

— Precisava pensar. — Vejo de canto de olho quando ela inclina a cabeça e me olha. — Ficar lá dentro estava me deixando maluco. — Olhei pra ela. — E você, como me achou?

— Achamos esse lugar juntos, lembra?— Rio. Quase me esqueci. — Só vínhamos aqui em cima quando as coisas estavam ruins lá embaixo.

Maddie ainda está me olhando, sua respiração está mais calma agora que ela está sentada e escorada na árvore.

— É...e as coisas estão uma droga lá embaixo. — Suspiro. — Mas não sei se quero falar disso.

Fecho os olhos brevemente. A brisa leve toca o meu rosto e inspiro o ar com força. Meus pulmões ficam cheios e os esvazio, sentindo o peso ir embora por uns segundos.

— Vamos mudar de assunto, então. — Abro meus olhos. — Tiffany.— Ela bate os cílios quando a encaro.

Faço uma careta.

— Não quero falar sobre ela. A noite ontem foi uma droga, eu fiquei muito bêbado e nem sei o que eu estava fazendo ou o que fiz. Tem memórias aqui na minha cabeça que eu não sei decifrar. Tenho quase certeza de que fiz alguma coisa de errado ontem. — Maddie explode em uma gargalhada, o que só confirma minha teoria. — O que eu fiz?

Ela sussurra cheia de mistério:— Quer mesmo saber?

Faço que sim.

Ela olha bem no fundo dos meus olhos.

— Você foi no meu quarto ontem à noite e...

— A meu Deus. — Começo a entrar em desespero.— O que eu fiz?

Maddie está se divertindo com a minha situação e ela nem sabe disfarçar.

— Implorou por mim, disse que me amava e tentou me beijar. — Engulo em seco quando ela diz completamente seria. Minha cara afunda no meu próprio rosto de tanta incredulidade. Então ela explode numa gargalhada alta. — Meu Deus, você ficou pálido. Calma, eu estava brincando!— Ainda não acho graça. Não consigo rir. Meu coração está batendo tão rápido que sinto que pode parar a qualquer momento.

— Não tem graça, Maddie. Meu Deus.

— Por que?

— É sério?

— Ah, tinha que ver sua cara. — Ela não insiste mais. Se passa alguns minutos de silêncio até que ela continua. — Posso ser sincera numa coisa? — Olho pra ela e assinto. — Vai ficar chateado?— Faço que não. Maddie suspira e olha pra frente. — Eu fiquei bem surpresa quando fui no seu quarto e vi a...— Faz um esforço para se lembrar. — Como é mesmo o nome dela?

— Tiffany?

Ela acabou de dizer o nome da Tiffany, por que está fingindo que esqueceu?

— Isso! Tiffany. Fiquei surpresa ao vê-la com você. Não esperava. — É a minha vez de ficar confuso. O que isso significa?

— E por que não?

— Não tem um porquê. — Ela dá de ombros. — Só fiquei surpresa porque meio que acostumei você só comigo, sabe...— Diz sem jeito. — Você entendeu.

Isso não me convence muito. Fico em silêncio outra vez, pensando nos motivos que ela poderia ter ao me dizer isso. Vem tanta coisa na minha cabeça que perco a noção do tempo.

Mas a sensação de beijá-la fica correndo por minha mente como um CD arranhado. Não paro de pensar no quanto foi bom ou no tanto que eu queria de novo e, principalmente, no quando eu não deveria ao menos desejar. Mas desejo. E como desejo.

Maddie está com os olhos fechados, a cabeça encostada na árvore e usa um vestido branco com flor amarelas. É de alça fina. Ela fica adorável nessa roupa.

— Aqui é tão bom. — Suspiro pra que ela saiba que eu concordei. — Não quero voltar. — Ainda estou olhando pra ela quando ela abre os olhos e me olha. Não sei se as batidas fortes que sinto são de medo ou de ansiedade. — Justin, ficou mudo?

— Não...— Eu sussurro com dificuldade. Chego o meu rosto pra perto do dela sem nem pensar nas várias razões pra que eu não devesse fazer isso. Sua expressão muda no mesmo segundo. Seus olhos ficam mais selvagens, focados em mim.

Levo minha mão até seu rosto e toco sua bochecha com o meu polegar. Sua respiração vacila. Olho pra sua boca, os lábios estão entreabertos e praticamente me convidam pra me unir a eles de novo.

— O que você...— A impeço com meu dedo indicador. Faço que não levemente com a cabeça porque não é algo que concretizamos em voz alta, então torna mais fácil.

Chego mais perto e ela inclina o rosto na direção do meu. Tocá-la é como sentir correntes elétricas por meu corpo, é surreal. Mas a minha satisfação é maior ao sentir sua pele arrepiada sobre meu toque, a forma como ela respira com dificuldade e como seu rosto cora quando estou perto assim. Maddie me olha com mais desejo e preciso molhar meus lábios quando sinto meus lábios secos como se sentisse sede.

Maddie fecha os olhos, pronta para ser beijada por mim e, ao contrário do que eu queria fazer, só uno nossas testas e suspiro em frustração quando me dou conta de que não dá. Eu realmente não posso cometer esse erro de novo. Isso já foi longe demais.

— Não posso. — Maddie se afasta de mim tão depressa que me assusto. Ela me olha parecendo constrangida e irritada.

— Não pode ficar fazendo isso. — Diz zangada. — Se não pode não provoca. Não me procure se não pode, Justin.

— Maddie, eu só...

— Não. — Ela se levanta como se quisesse fugir de mim. Me levanto também. Eu a irritei. Definitivamente a irritei. — Você me beija e foge de mim, finge que não aconteceu e depois dorme com outra pessoa. — Por um momento me pergunto porque ela menciona isso, mas estou preocupado demais com sua reação para pensar com cautela sobre. — Depois você fica fazendo isso, me provocando a beijá-lo quando sabe que não suporta, então me afasta. Eu ainda acho isso uma palhaçada, mas é um saco quando me coloca nessa situação. Eu não quero ter que ficar resistindo sempre que você está perto. Eu tenho vontade de te beijar e gostei mesmo da experiência, queria mais com certeza, mas não dá para ficar nessa situação. Eu...— Ela limpa o rosto. — não quero que se sinta culpado por me beijar. Não quero que se comporte diferente comigo por causa disso e evite falar comigo. Não somos assim.

Sinto vontade de me atirar daqui de cima quando ela acaba.

— Eu sou um idiota.— Concluo quando vejo por seu ponto de vista.

Ela ri sem humor e nega.

— É, você é mesmo.

— Me desculpa, você está com raiva?

— Olha só, eu não estou. — Fico confuso. — Só que se quer me beijar, me beije, mas não haja como um babaca depois.—Maddie fica em silêncio por alguns segundos enquanto eu processo sua fala, vejo quando ela olha pro chão e morde os lábios, em seguida nega com a cabeça. — Eu acho melhor eu voltar...o pessoal precisa de mim. —. Sinto alguma coisa na sua voz, talvez seja decepção. Eu a entendo, eu também estou decepcionado comigo mesmo. Estou sendo egoísta.

O desejo de beijar caiu por terra, sou tomado por frustração e vergonha de mim mesmo, então ela se vira e sai sem ao menos perguntar se quer que eu vá com ela. Não preciso ser um gênio para saber que ela está mais do que chateada comigo. Fui um idiota. 

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