Juliana
Outro dia - almoço da Dhio
Cada minuto que passa tenho mais certeza que não era para eu ter vindo nesse almoço. Tirando a Cassiana, as amigas da Dhiovanna são umas chatas.
Umas influencers que só olham pro próprio umbigo. Me excluíram de todas as maneiras que conseguiram, apesar da Dhio e da Cassi sempre tentarem me puxar para a conversa.
O Gabriel chegou há algum tempo. Subiu direto, não falou com ninguém. Não faço ideia se ele sabe que estou aqui.
As meninas acabaram de ir embora, ou seja, minha deixa para deixar essa casa também.
— Cê já tá querendo ir? — pergunta vendo eu pegar minha bolsa.
— As meninas já foram e a Cassiana foi descansar. Não tem porque eu ficar aqui — dou com os ombros.
— Fica, por favor amiga — une as mãos — mais tarde a gente sai, vai tomar um sorvete, fazer algo assim. É bom que você já fica mais próxima da Cassi, sei que você gostou dela.
— Tá bom. Eu fico — me dou por vencida e a irmã do atacante abre um baita sorriso.
Me sento na mesa mexendo no celular e ela sai do ambiente. Pouco tempo depois o irmão aparece. Sem camisa, veste apenas uma bermuda dry fit preta, o cabelo está molhado, provavelmente saiu do banho há poucos minutos. Um gostoso. Porra, ele com essas tatuagens a mostra é perdição.
Ontem eu estava cercada de dúvidas. Desejei que aquele beijo fosse o último. Ao mesmo tempo, desejei que ele batesse na minha porta e passasse a noite comigo.
A voz da Larissa falando que ele não é o meu ex quase não me deixou pegar no sono. O cuidado do Gabriel comigo talvez tenha me provado que eles não são parecidos.
Agora vejo-o e a sensação é que não posso ficar longe dele. Esse misto de sentimentos parece me deixa prestes a enlouquecer.
O atacante vai até a geladeira, bebe água e sai. Não fala absolutamente nada comigo. Penso em duas possibilidades: o jogador pode estar com raiva, ou tão confuso quanto eu estava ontem.
— Minha filha — a senhora diz se aproximando e me fazendo sair dos meus pensamentos. Ela com certeza percebeu o clima — eu vi esses olhinhos brilhando. Não gosto de me intrometer, mas posso te falar uma coisa?
— Pode sim dona Rose — sorrio meigo.
— Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas cês são lindos juntos e eu sei que se gostam. Seu nome é tão falado nessa casa. Você fez o Gabriel mudar — fala baixinho.
— As coisas se complicaram — suspiro — mas vão se resolver.
— Todo mundo dessa casa gosta de você. Tô me incluindo — solta uma risadinha.
— Também gosto muito de você — sorrio.
Ela volta a fazer as coisas e eu fico ainda mais pensativa. De repente uma frase que o Gabriel falou no estacionamento vem a minha mente "você sabe que essa conversa ainda vai acontecer". Não posso fugir dela igual o diabo foge da cruz.
Tá, vou procurar ele. Saio andando pela casa. Ele não tá na sala e nem no quarto. Subo a escada, abro a porta do terraço e ele me olha
— Ah, desculpa. Tô procurando a Dhio, cê viu ela? — minto descaradamente.
— Foi pro quarto deitar.
Me pediu para ficar aqui e foi dormir. Se a Dhiovanna não tá querendo dar uma de cupido eu mudo de nome.
Me aproximo. Aqui é lindo, a vista nem se fala.
— Gostou da vista? Esse é um dos motivos que eu gosto daqui.
— É linda. Posso? — me refiro a sentar na espreguiçadeira ao lado e ele confirma com a cabeça.
— Quer conversar? — pergunta depois de algum tempo. Certeza que percebeu que eu estou inquieta.
— Melhor ser logo agora, né? — olho para o Gabriel — Ontem eu pensei muito. Quando eu saí do carro, jurava que ali tinha sido o ponto final. Não por falta de sentimento, e sim por achar que meus traumas possam atrapalhar. Só que mesmo sendo uma pessoa quebrada, eu quero viver isso, Bi. Quero muito.
Porra. Eu realmente falei isso? E eu me sinto bem por isso. Ele me faz me sentir segura.
— Vem cá — vou para a espreguiçadeira que ele está e me deito ao seu lado — pretinha — silaba testando se pode me chamar assim — eu só quero te fazer feliz. Cuidar de você. Não preciso de mais ninguém.
— Acredito em você — abro um sorriso.
Percebo o olhar dele fixo na minha boca. Mordo o lábio inferior só para provocar. Ele se aproxima.
Hoje estou feliz porque sonhei com você.
— Essa música nos persegue — falo dando risada.
Me aproximo novamente. Quando junto nossos lábios a música volta a tocar.
E amanhã posso chorar por não poder te ver
O seu sorriso vale mais que diamante. Se você vier comigo aí nós vamos adiante.
Assim que o beijo termina a música para.
— Será que cê a gente se aproximar de novo, a música volta a tocar?
— Pô, só fazendo o teste — ele junta nossos lábios mais uma vez.
Com a cabeça erguida e mantendo a fé em Deus, o seu dia mais feliz vai se o mesmo que o meu.
— Não é possível. Tá parecendo trilha sonora de novela — dou risada mais uma vez.
— Acho que é a nossa trilha sonora — me dá um selinho
A vida me ensinou.
— Essa caixinha de som tá com problema — a Dhio fala entrando no terraço e o Gabi e eu caímos na risada — vocês tão aí, desculpa.
— Fica aí achando que eu não sei que você subiu pra me deixar sozinha com o seu irmão.
— Deu certo pelo visto — sai rindo.
— Sabia que tinha sido de propósito.
Meu celular começa a tocar. É a Mavi. Atendo de imediato e me levanto já preocupada. Ela nunca me liga.
— Amiga, você tá onde?
— Na casa do Gabriel, por quê? Aconteceu algo?
— Eu não tô passando bem amiga. Tem como você vir pra cá? Talvez eu tenha que ir pro hospital, não sei se vou conseguir dirigir pra lá — fala acelerado.
— Claro, claro. Tô indo pra aí. Beijo — desligo a ligação — Eu vou ter que ir socorrer uma amiga.
— Algo sério? — se preocupa.
— Ela disse que não ta passando muito bem, e não tem ninguém pra levar ela no hospital.
— Tá bom. Te levo até a porta.
O Gabriel se levanta e meu celular toca mais uma vez, mas dessa vez a ligação é da Manuela.
— Cê tá onde? A Mavi te ligou? — pergunta assim que eu atendo.
— Ligou, me pediu pra eu ir para a casa dela.
— Não precisa. Pode ficar onde você tá. Eu tô indo lá. Ela tinha me ligado antes, mas eu não tava podendo atender. Tô num lugar perto da casa dela. Quando chegar lá te aviso — desliga a ligação.
Não fazia ideia que as duas estavam próximas assim.
— Não vou precisar ir. Outra amiga tá perto da casa dela e vai pra lá — respondo meio atônita.
— Pô— coloca as mãos na minha cintura — então vamo lá pro quarto — beija meu pescoço.
— Cê não perde uma, né?
— Sou artilheiro — estala a língua no céu da boca.
— Mas eu gostei da proposta — sorrio de lado e saio guiando ele até o quarto.
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Oi gente! Tudo bem?
Com esse capítulo deu pra se recuperar do último ou ainda tô devendo a terapia de vocês?
E essas ligações? Primeiro a Mavi, depois a Manu... 🤔👀
Me sigam lá no Instagram "autoracarolz" que eu tô interagindo por lá.
É isso. Até o próximo capítulo, beijos! 💋