THE ARCHER - JOACO PIQUEREZ

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Catarina Gomes Ferreira, promissora jogadora de tênis, é conhecida tanto pelo talento nas quadras quanto por... More

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By tsverstappen

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leiam com música que está no link.


Catarina

Finalmente era véspera de natal. Não existia um feriado no qual eu amava tanto comemorar como o natal, principalmente quando era mais nova já que geralmente passavam o feriado inteiro na casa do meu pai junto com minha madrasta que fazia tortas deliciosas.

Quando comecei a competir campeonatos profissionais ficando mais tempo explorando o mundo e conhecendo pessoas novas, acabava sempre em casas de completos estranhos nos feriados, até conhecer Charles e sua bela família que me acolheu tornando quase tradição passar o natal com Leclerc.

Até hoje.

— Você vai continuar o dia inteiro neste quarto? — Inês perguntou, encostado na porta do quarto.

— Não enche, Inês. — digo, volto a ler o livro que minha nova terapeuta recomendou.

A morena entrou no quarto fechando a porta, sinto o olhar pesado dela em minha direção.

— Sinto muito, Cate. — ela disse, com voz trêmula.

— Pelo o que?

— Não deveria ter sido cruel com o Charles. — ela disse, sinto uma vontade enorme de gargalhar pois ninguém neste mundo tinha sido tão cruel com ele além de mim. — Aquela carta foi uma ideia ridícula, sinto muito por ter atrapalhado seu relacionamento com ele.

— Não foi carta. — digo, fechando livro encarando morena. — Foi eu que acabei com minha amizade, não precisa se desculpar por algo que você não tem culpa alguma.

— Vocês não estão se falando? — ela perguntou, surpresa.

— Não. Ele precisa de um tempo para superar. — digo, sinto um embrulho no estômago pela ideia de nunca mais ter algum tipo de contato com o monegasco. 

— Vocês vão superar isso, Cate. — ela disse, tentando forçar um sorriso.

— Mas nunca será como antes. — digo, voltando a ler o livro.

— O pai pediu para avisar que todos chegam daqui a pouco. — ela disse, semicerrei meus olhos para ela.

— Todos? — pergunto, confusa.

— Quando o pai chegou no Brasil, ele passou o natal na casa do Tio Martin e alguns jogadores que também não tinham família para passar aqui, isso tornou uma tradição nossa passar os feriados juntos com aqueles que não tem para onde ir. — ela disse, dando os ombros.

— Tudo bem, vou me arrumar. — digo, vencida pelo cansaço.

Depois que minha irmã do meio seguiu seus afazeres para ajudar nos preparativos do jantar da ceia, fui direto para banheiro tomando logo banho, depois começou na procura de um vestido bonito para não passar imagem errada para aquelas pessoas que o meu pai chama de família. Algumas horas depois, encontrei um vestido azul marinho que tinha ganhado Pascale no natal anterior. Como não gostava muito de maquiagem, passei só alguns cremes da minha rotina de skincare e um gloss da rare beauty para disfarçar o rosto que denunciava que tinha chorado a madrugada inteira.

Pego meu celular na mesinha ao lado da minha cama quando escuto barulho da campainha, passo dedo na tela para cima olhando algumas notificações antigas, me assustando ao ler mensagem do monegasco. Depois do acidente em Portugal, não tínhamos conversado mais.

Charles Leclerc:
Feliz natal, Cate.
Espero que tenha um feriado alegre, até breve.

Escrevo e apago diversas vezes enquanto caminhava para o andar de baixo onde aconteceria a ceia de natal, não sabia com quais palavras deveria dizer, não queria tornar a situação mais horrível e estranha que já estava.

— Cate, você está linda. — Ana disse, em seu tom de voz sereno.

Desvio minha atenção do aparelho rapidamente para mulher em minha frente que estava vestindo um conjunto vermelho e mantinha um sorriso adorável em seu rosto, depois volto a escrever para o meu amigo.

— Obrigada. — digo, dando um breve sorriso.

Me assusto ao ouvir barulho da campainha, recebendo alguns olhares estranhos dos convidados.

— Pode abrir a porta pra mim, querida. — Ana pediu.

— Claro. — digo, enfim enviou mensagem e caminho até a porta.

Abro a porta com um sorriso de canto para parecer um pouco mais sociável. E como nos filmes mais clichê, lá estava ele parado bem na minha frente, da mesma maneira que nós vimos da última vez. O uruguaio não esboça nenhuma reação de surpresa ao me ver paralisa no meio da porta.

— Boa noite. — voz feminina disse, chamando minha atenção.

Desvio o olhar do moreno olhando pela primeira vez para moça que estava ao seu lado, quando percebo que é a mesma das fotos, sinto como se tivesse levado um golpe no estômago novamente.

— Olá, como vai? — pergunto, forçando um sorriso.

O jogador continuou quieto analisando minha feição por completo.

— Estou bem. Me desculpe por invadir sua festa, o meu irmão disse que não tinha problema algum. — ela explicou, no mesmo instante minha cara quase foi no chão enquanto o uruguaio abriu um sorriso de canto.

— Irmão? — pergunto, franzido testa.

— Isso, eu sou irmã desse idiota ou mula como vocês chamam. — ela disse, me fazendo rir ainda me sentindo idiota por dentro.

— A festa não é minha, eu também sou penetra então está tudo bem. — digo, fazendo a loira soltar uma risada baixa. — Entrem, está frio aí fora.

Dou espaço para os uruguaios entrarem na casa do meu pai, fico encostada na parede para não ter muito contato físico com jogador mas só com perfume conhecido que invadiu as minhas narinas quase fui capaz de pegar o primeiro voo para Portugal para não enfrentar meus sentimentos.

Minha missão durante a noite inteira era ficar o mais distante possível do jogador. Então me sentei no lugar da mesa mais distante possível, mas por volta e meia senti um olhar pesado sobre mim vindo dele. E quando cruzamos os olhares ele fazia questão de continuar me olhando com um sorriso de canto.

— Cade seu discurso, Abel? — Martin perguntou, o meu pai fez uma careta negando.

— Eles não aguentam mais meus discursos. — ele brincou, atraindo risada de todos.

— Temos alguém novo na mesa, acho que ela merece um discurso de natal. — minha madrasta disse, sinto meu rosto queimar.

— Dois, né. — Mariana disse, com sorriso sapeca.

— Piquerez também quis se juntar esse ano conosco. — Martin disse, piscando na direção do jogador que soltou um palavrão em espanhol.

— Calma, amiguinho. — rapaz da comissão do Palmeiras brincou.

— Tudo bem. Esse ano quero só agradecer por tudo. Levantamos duas taças importantes, tivemos alguns problemas durante a temporada mas superamos como uma família que somos. Fico feliz por ter minha filha mais velha não só hoje mas também no começo do ano, mesmo que as razões não foram as melhores ainda fico contente de tê-la na minha vida. E espero que ela não esqueça o caminho daqui. — ele brincou, me olhando com aquele seu olhar amoroso que só dava a quem merecesse. — Eu amo todos vocês, sou grato pelo amor e carinho de vocês. Que venham mais anos ao lado de vocês e também mais taças para levantamos.

— Amém. — Mariana disse, fazendo todos nós rimos. 

— Alguém quer dizer algo a mais? — Ana perguntou, me olhando curiosa.

— Prometo não esquecer o caminho daqui. — digo, todos riram. — Eu também espero levantar algumas taças, pois esse ano nem prêmio nick consegui.

— E nós votamos bastante em você. — Inês disse, em tom de voz triste.

— Endrick fez campanha no instagram dele, né? — Mariana perguntou, rindo baixo.

— Eu também. — Piquerez disse, em tom de voz baixo.

Olho para ele brevemente que mantém aquele sorriso que poderia destruir o coração de qualquer mulher.

— O que é prêmio nick? — Martin perguntou, confuso.

Minhas irmãs não perderam tempo, logo começaram a explicar algo sobre cultura pop e entretanto em outros assuntos ao mesmo tempo. O jantar foi divertido, o pessoal da comissão técnica do clube alviverde abriram boca contando histórias sobre elenco ou até momentos engraçados durante a passagem dessa última temporada. Enquanto escutava sentia saudades da minha própria equipe e até comecei sentir uma empolgação para o próximo torneio no início do ano.

Minha madrasta começou a servir sobremesa assim todos se espalharam pela casa. Eu também sigo caminho para fora da casa para tomar um ar fresco, entretanto como na primeira vez que nos conhecemos, mas aqui sou eu que encontro ele.

O jogador segurava copo de uísque na sua mão, suas roupas pretas e o cabelo cortado na reta deixam ele ainda mais atraente do que já era. Fico em silêncio observando musculosos das costas marcados pelo terno.

— Conheceu minha irmã? — ele perguntou, em tom de voz irônico ainda virando de costas para mim.

— Sim, ela é muito gentil.  — digo, me limito a dizer algo mais sobre esse assunto.

Ele riu fraco, se virando de frente para mim com um semblante neutro.

— Como você está? — ele perguntou, engolindo pequena dose do seu copo.

— Bem, e você? — pergunto, ele assentiu com a cabeça. — Por que não passou o natal com sua família?

— Não é a única que tem problemas familiares. — ele disse, fico perdida pelo humor bruto.

— Nunca falei que era a única. — digo, chateada pelo comentário.

— Mas agia como se fosse. — ele rebateu, levantando suas sobrancelhas irritado.

E como não queria discutir com ele depois de tanto tempo distante, recuo para trás pronta para deixá-lo sozinho na varanda, entretanto sinto os dedos delicados do jogador na minha pele me paralisado.

— Desculpe, não era isso que eu queria dizer. — ele disse, dando um sorriso sem dente.

— Eu sinto muito por ter sido uma grande idiota e agindo como se fosse a única que tivesse problemas familiares, mas eu te avisei todos os dias e noites que era uma bagunça. E você, como um príncipe encantado, quis porque quis ficar comigo. Então não aja como se fosse a maior filha da puta sendo que também foi uma escolha sua. — digo, olhando em seus olhos castanhos.

— Você não é uma bagunça. — ele disse, em tom de voz sereno. — Não é justo você sentir assim sendo que isso foi causado por aquela mulher.

— Talvez, mas algumas decisões ainda foram minhas. — digo, dando os ombros.

— Por que você me tirou da sua vida? — ele perguntou, em tom de voz sofrida.

— Eu fiquei meio assustada, principalmente depois do gelo que você me deu no ct. — digo, ele assentiu. — Quando fui para New York, eu estava muito apegada em você e sentia que precisava bloquear de alguma forma essa sensação para focar no torneio.

— Então, você me recebeu as fotos minha com a Camila. — ele completou.

— Você nunca me contou sobre sua irmã, sinto muito por tudo de verdade. — digo, honesta. — Só fiquei magoada só de pensar que naquela noite em que disse que estava  com saudades sua, você estava com outra, era demais.

— Eu estava bebendo com os meninos naquela noite que me mandou mensagem, tentando te esquecer. E  foi a Camila que me buscou totalmente bêbado e por isso saiu fotos agarradas com ela, eu estava implorando para ligar para você. — ele disse, meio envergonhado.

Respiro fundo me sentando no banco que o meu pai tinha colocado nos meses anteriores para termos mais conforto. O jogador também me acompanhou ficando ao meu lado e juntos ficamos encarando a horta da Mariana que estava enorme.

— Eu li sua carta ontem. — digo, olhando para minhas mãos.

— O correio demorou tudo isso para entregar? — ele brincou, solto uma gargalhada alta. — Ela é um pouco melosa e muito brega, mas a Mari disse que era melhor seguir o meu coração.

— E você seguiu conselho de uma criança de 14 anos? — provoco, ele me empurra fraco para ao lado.

— Não tenho amigas mulheres para esse tipo de coisa. — ele disse, me seguro pra não rir do seu comentário. —  Eu não queria seguir os conselhos do Raphael ainda mais que ele é um idiota que se apaixonou por uma mulher casada.

— E quem não é apaixonado por Giulia Marques? — brinco, novamente olhando para o uruguaio que tinha um sorriso tímido. — Acho que nunca tinha recebido uma carta daquela antes, obrigada de verdade.

— Ela não tem data de validade, sabe? — ele perguntou, olhando fixamente para minha boca.

— Não faz isso, por favor. — pedi, ele me olhou confuso. — Olha, eu não quero ignorar todos meus problemas igual da última vez e pular em você, fingindo que nada aconteceu nos últimos meses, podendo estragar tudo novamente entre nós dois.

— Tudo bem, Kika. — ele disse, delicadamente retirando os fios do meu rosto. — Não tenho pressa nenhuma em cumprir minhas promessas.

Ele inclinou seu rosto deixando um beijo na minha bochecha e logo depois se levantou do banco sumido do meu campo de vista.

Fico sozinha junto com os meus pedaços. Penso que  nem todos os homens rei e os cavalos do rei poderiam juntar todos eles.

Escuto o barulho da notificação do meu celular tocando no bolso do casaco, pego olhando para o último chat aberto.

me:
feliz natal, char!!
um ótimo feriado para todos vocês,
até breve.

Charles Leclerc:
você vai passar ano novo onde?
se quiser, podemos viajar
igual tínhamos combinado...

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