A Serpente em meu Jardim

By ClaraCasteloQEAAV

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[CAPÍTULOS SEGUNDA, QUARTA E SEXTA] Uma energética florista se muda para a cidade grande e se encanta com a f... More

Disclaimer
I. A serpente
II. O jardim
III. Um dia chuvoso
IV. Buscando atenção
V. Azul
VI. Introdução à botânica
VII. Tão perto
VIII. Uma ida ao café
IX. Uma casa de chá no centro
X. Margaridas
XI. Narcisos
XII. Dália negra
XIII. Dedaleiras
XIV. Jacintos
XV. Camélias
XVI. Girassóis
XVII. Crisântemos
XVIII. Lótus
XIX. Erva daninha *
XX. Expectativa
XXII. Paixão
XXIII. Diversão
XXIV. Perdão
XXV. Ansiedade
XXVI. Tensão
XXVII. Ciúmes
XVIII. Empolgação
XXIX. Insegurança
XXX. A recompensa
XXXI.
XXXII.
XXXIII.
XXXIV.
XXXV.
XXXVI.
XXXVII.
XXXVIII.
XXXIX.
XL.
XLI.
XLII.
XLIII. Dia dos Namorados
XLIV.
XLV.
XLVI.
XLVII.
XLVIII.
XLIX.
L.
Playlist
LI.
LII.
LIII.
LIV.
LV.
LVI.
LVII.
LVIII.
LIX.
LX.
UPDATE
I. Novos começos
II. Jin
III. O de sempre
IV. Saudade
V. Em família
VI. Velhos tempos
VII. Lealdade e devoção
VIII. O ponto fraco
IX. Meu reino por uma guioza
X. Confrontos
Sobre o hiato

XXI. Surpresa

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By ClaraCasteloQEAAV

Azula havia subestimado o quanto Ty Lee era perigosa. Ela grunhiu durante toda a viagem de trem e, enquanto passava repelente, não deixou de se perguntar como havia sido tão facilmente convencida a visitar o campo. Ty Lee, por outro lado, estava elétrica. A florista havia colocado sua melhor roupa e carregava consigo um buquê gigantesco dentro de um cesto de palha. Logo na estação de trem, Azula avistou seis garotas idênticas à Ty Lee e deduziu sem esforço que eram as irmãs dela.

Ty Lee e as seis garotas berraram quando se viram e integraram um enorme abraço grupal. Azula tentou não revirar os olhos com a cena.

— Trouxe essas flores para vocês! — Ela estendeu a cesta para as irmãs.

— São tão lindas! Papai e mamãe vão adorar — uma delas exclamou.

Cansada de ser ignorada, Azula tossiu.

— Quem é essa? — perguntou outra irmã.

— Ah, pessoal, essa é a Azula. Nos conhecemos na cidade grande — Ty Lee começou as introduções — E Azula, essas são minhas irmãs: Ty Lin, Ty Lat, Ty Lao, Ty Liu, Ty Lum e Ty Woo.

Azula com certeza não iria decorar aquilo. As seis acenaram para ela empolgadas e a rodearam cheias de perguntas.

— Seu cabelo é tão sedoso! Qual xampu você usa?

— Que tatuagem incrível! Tem algum significado?

— Nossa, olha como as roupas dela são chiques!

Ela estava começando a perder um pouco a paciência, quando Ty Lee intercedeu para resgatá-la.

— Meninas, meninas! Deixem a Azula respirar. Foi uma viagem longa de trem e eu tenho muita coisa pra mostrar pra ela. Teremos tempo de conversar mais tarde.

O caminho até a casa de Ty Lee não poderia ter sido mais demorado e desconfortável. Azula já começava a temer as longas noites numa casa de campo apertada com sete garotas tagarelas. Se a casa fedesse a cocô de vaca, ela fugiria no meio da noite.

Após muitos quilômetros atravessando pastos de carro, Azula começou a encarar seu relógio de pulso. Não era possível que Ty Lee morasse tão isolada do mundo.

— Falta muito pra gente chegar na sua casa?

Ty Lee riu.

— Nós já estamos na minha casa. Tecnicamente. Não se preocupe, falta pouco até a casa principal.

Casa principal. Casa principal? Toda aquela extensão de terra era propriedade da família de Ty Lee? Azula a encarou boquiaberta. Era impossível que ela fosse rica. Ty Lee estava sempre economizando dinheiro, trabalhava numa pequena floricultura, morava num apartamento apertado e não usava roupas de marca.

— Ty Lee, você é rica?

A florista a encarou confusa, como se ela tivesse feito uma pergunta absurda.

— Claro que não. Nós só levamos uma vida confortável.

Eles eram ricos. Azula queria se jogar de uma ponte.

— Por que você mora naquele apartamento minúsculo, então?!

Ty Lee deu de ombros sorrindo.

— Minha faculdade já é bem cara e meus pais me ajudaram a abrir a loja, então não quis tomar mais do dinheiro deles. Eu pago meu aluguel com o dinheiro do meu trabalho. Afinal, eles também precisam sustentar minhas irmãs.

Azula estava cada vez mais pasma, incrédula, indignada. O mundo não fazia mais sentido. Talvez ele estivesse fora de órbita. Talvez a Terra tivesse ficado quadrada.

— Mas você não tem nenhuma roupa de marca.

— Ah, eu nunca entendi muito dessas coisas — Ty Lee confessou — Eu adoro comprar roupas, mas o shopping mais próximo não tem lojas de grife. Além disso, eu sempre acho mais divertido ir com amigas. Nem todas elas podem comprar nesses cantos.

A pálpebra de Azula não parava de tremer.

— Seu apartamento quase não tem mobília, muito menos itens de luxo.

— Qual o ponto? É uma moradia temporária.

Se Azula não estivesse trancada em um carro com sete pessoas, ela daria um grito ensurdecedor. Durante aquele tempo inteiro, Ty Lee a deixou pensar que era uma caipira simples sem corrigi-la uma vez sequer. Apenas para Azula descobrir casualmente que ela vinha de uma família de proprietários rurais com muitas terras.

— Azula, você tá bem?

— A viagem de carro me deixou nauseada.

— Ah, então tenho boas notícias. Nós chegamos!

Azula até temeu levantar os olhos para observar a casa, mas o fez mesmo assim. Era uma bela casa de fazenda, provavelmente construída há gerações, mas com renovações recentes. Azula saiu do carro e tentou não vomitar.

— Tá tudo bem? — Ty Lee perguntou, preocupada.

— Eu tô ótima — Azula segurou a barriga enquanto tudo rodava.

— Se você diz. Vem, vou te mostrar seu quarto, e talvez você possa tomar um remédio pra enjoo.

Após tomar um remédio, Azula começou a desfazer as malas com a ajuda de Ty Lee, que não parava de falar empolgada sobre tudo que iriam fazer ao longo da semana. Ela quase adicionou um remédio de dor de cabeça à conta.

— E vai ter uma festa no sábado, mas devo te avisar. É capaz de ao menos um dos meus cinco ex-namorados aparecer por lá.

— Quantos deles são seus primos?

— Você é hilária — Ty Lee riu enquanto terminava de organizar os sapatos de Azula — Você prefere seus sapatos separados por cor, formato, funcionalidade ou tamanho do salto?

— Ty Lee, deixa isso aí e vem cá.

A florista obedeceu e se sentou no pé da cama.

— Preciso da sua ajuda para impressionar os seus pais. Não sei nada sobre eles. Se eu soubesse mais, teria trazido um vinho pra dar de presente.

Ty Lee riu novamente.

— É só ser você mesma. Eu já falei muitas coisas boas sobre você, então eles já estão impressionados.

Azula ficou constrangida com a informação. Ela ergueu uma sobrancelha e tomou os pulsos de Ty Lee em suas mãos.

— Ty Lee, sabe como você me admira e me acha incrível e que tudo que eu faço é maravilhoso?

— Sei.

— Então, a maioria das pessoas não pensa assim. Elas não costumam ter o seu bom gosto. Então preciso que me ajude, pode ser?

Ty Lee assentiu com a cabeça.

— Ótimo. E aí? Você já tem ideias?

Após a deixa de Azula, Ty Lee saiu da cama com uma pirueta, finalizando de ponta cabeça contra uma parede e cruzando os braços.

— O sangue na cabeça me ajuda a pensar — Ela explicou.

— Você acabou de dar uma cambalhota?

— Eu sei fazer coisas mais impressionantes do que isso. Olha.

Ty Lee começou a andar apoiada nas próprias mãos e contorceu o corpo para formar uma ponte. Então, esticou as pernas em um espacate em pleno ar, enquanto ainda apoiava as mãos no chão. Ela continuou fazendo contorcionismos que davam um nó no cérebro de Azula.

— Como...?

— Ah, eu fugi com o circo uma vez.

— É claro que fugiu.

Azula beliscou o espaço entre as sobrancelhas e respirou fundo.

— Eu fui acrobata por anos, mas tô meio enferrujada.

Ty Lee parou de performar acrobacias e se sentou no chão de pernas cruzadas com um sorriso orgulhoso.

— Você gostou?

Azula não esperava pela pergunta. Ela começava a perceber o quanto Ty Lee gostava de palavras de afirmação.

— Devo admitir, estou impressionada.

Ty Lee sorriu ainda mais. Era um pouco fofo, até. Azula teria que se esforçar em triplo para impressionar a família da garota. Ela nunca havia ficado nervosa antes.

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