YOU 2

By RedEyesWhiteFur2

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Ainda vou pôr algo na descrição Continuação de You More

PRÓLOGO
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OLHA EU AQUI
Então...
ESTÁ ON!!

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By RedEyesWhiteFur2

[ 01 de fevereiro, quarta-feira ]






  Estou no meio de uma aula quando meu celular começa a tocar escandalosamente em cima da mesa, preenchendo o ambiente com uma música da Crowstorm. Pego o aparelho rapidamente e olho ao redor, abrindo um sorriso sem graça ao constatar que toda a atenção está em mim. Como se eu precisasse disso; as pessoas me param o tempo todo para especular sobre a gravidez ou falar do Castiel. Acho que sou até meio popular no campus — tudo bem que é porque tenho um namorado rumo à fama, e porque vou parir uma ninhada igual a um gato, mas conta. Peço desculpas e vôo para o corredor.

  — Alô?

  — Ariane, filha, preciso que me ajude — mamãe diz do outro lado. — Estou sozinha em casa, seu pai não atende o celular e acho que entrei em trabalho de parto.

  — Ai, meu Deus — boto a mão na testa. — Fique tranquila, chego rapidinho.

  Volto para a sala, recolho meus materiais apressadamente e saio correndo sem dar explicações. Já está ficando difícil correr com essa barriga. A universidade fica do outro lado da cidade, mas acelero o máximo possível  e chego na casa dos meus pais em poucos minutos. Mamãe está sentada na varanda. Enfio as malas no banco traseiro e a ajudo a entrar no carro.

  — Obrigada por vir, querida — mamãe agradece, respirando como um cachorro. — O celular do seu pai deve estar sem bateria.

  — Tudo bem, mãe, não tem problema. Aguenta firme, vamos chegar rápido ao hospital, ok?

  E chegamos mesmo, embora eu tenha que passar por uns três sinais vermelhos. Acho que estou tão desesperada quanto a mamãe. Uma enfermeira traz uma cadeira de rodas assim que informo o que está acontecendo, e eu assino a papelada no balcão. Uma médica já está no quarto quando entro; ela diz que o bebê provavelmente levará algumas horas para nascer e que cuidarão bem da minha mãe. Ela também pede que eu as deixe a sós por um momento.

  Há um bebedouro no final do corredor. Encho um copo descartável com água gelada e me sento numa cadeira disponível. Pego o celular e disco o número do Castiel. Ele demora um pouco para atender.

  — Oi, amor.

  — Preciso que venha ao hospital, depressa — vou direto ao ponto.

  — Por que? Você se machucou? Aconteceu algo com os bebês?

  — Eu estou bem, mas preciso que venha, por favor. Rápido.

  — Tá, tudo bem, chego em alguns minutos.

  Desço até a sala de espera na frente da recepção para esperá-lo. Tento falar com o papai enquanto isso, mas todas as chamadas vão direto para a caixa postal. Que droga! Ariana também não atende. Ambos devem estar com o telefone desligado porque estão no trabalho. Castiel chega uns vinte minutos depois, parecendo desesperado, e me levanto para recebê-lo.

  — O que aconteceu? — pergunta, passando os olhos por meu corpo para conferir se não tenho nenhum ferimento.

  — Minha mãe entrou em trabalho de parto.

  — Certo... Por que me tirou do trabalho? Não é seu pai quem deveria estar aqui?

  — É, mas ele não está atendendo, e preciso que você fique com a minha mãe, caso o bebê nasça antes do que esperamos.

  — O que?! Ficou maluca, criatura?

  — Por favor, Castiel, não quero deixá-la sozinha — imploro.

  — Então, fique com ela.

  — Não posso!

  — Por que não?

  — Porque dá azar ter uma grávida no seu parto. É como ter a ex no casamento.

  Castiel levanta as sobrancelhas, incrédulo.

  — É sério?

  — Tá — suspiro. — Acho que ver minha mãe dando a luz vai me deixar apavorada, entende? Vou passar por isso em alguns meses, não quero assistir tudo rolando na minha frente.

  Ele passa a mão pelo cabelo e comprime os lábios.

  — Ok, farei isso por você — diz, por fim. — Mas continue tentando falar com seu pai. Ver a sogra parindo é demais para um homem, Greene, demais.

  — Obrigada, você é o melhor marido do mundo inteiro — fico na ponta dos pés para lhe dar um beijinho.

  — É, eu sei. Você tem muita sorte e blá blá blá.

  Nós rimos e nos sentamos lado a lado nas cadeiras azuis.

  — E nossos girinos, como estão?

  — Salamandras — corrijo. — Estão bem, eu suponho. Tive um pouco de enjôo no almoço.

  — Posso tocar? — pergunta, aproximando a mão da minha barriga.

  Sorrio.

  — Desde quando pede permissão para tocar minha barriga?

  — Perdão, mas sou um cavalheiro. Posso?

  — É claro, meu rei.

  Castiel levanta minha blusa e passa os próximos minutos acariciando minha barriga, enquanto telefono pro papai. Nada. Resolvo deixar uma mensagem; ele verá quando ligar o telefone.

  — É bom manter o celular sempre ligado quando eu estiver no fim da gestação, ouviu? Não quero ter que passar por isso.

  — Minha querida, quando estiver no fim da gestação, eu é que vou ficar te ligando o tempo inteiro.

  Uma enfermeira aparece um tempo depois com um recado da médica; a bolsa da mamãe estourou e a dilatação vai muito bem, é provável que o pequeno Andrew venha ao mundo logo. Já a transferiram para a sala de parto. Fico emocionada. Ela pergunta se alguém acompanhará o nascimento, e estou prestes a dizer o nome do Castiel quando meu pai passa correndo pelas portas. Castiel solta um suspiro alto de alívio.

  — Podemos ficar no corredor? — pergunto.

  — Podem, sim, mas não na porta.

  Não há cadeiras no corredor, então nos sentamos no chão a uma distância respeitável da porta. A sala de parto parece bem agitada e, em poucos minutos, consigo ouvir minha mãe gritar. Isso me deixa a beira do pânico. É óbvio que está doendo muito; ela grita como se estivesse sendo serrada ao meio. Tá, não sou nenhuma idiota, sei que dói pra cacete, mas ouvir os berros tão de perto e na vida real é muito diferente. Castiel cobre meus ouvidos com as mãos.

  — O que está fazendo? — pergunto.

  — Tentando conter seu surto interno.

  — Ainda posso ouvir — digo, angustiada. — Ai, meu Deus, comigo será muito pior! Serão três! E se eu não aguentar?

  — É claro que vai aguentar, Greene, bate nessa boca — ele me segura pelos ombros. — Você é forte, ok? Vai conseguir. Você resiste bem às cólicas menstruais, não sei porque seria diferente.

  — Será muito pior que cólicas menstruais!

  — Porra, eles devem dar algum tipo de anestesia para casos de gêmeos.

  — E se um dos bebês ficar enroscado? Se for o primeiro, nenhum dos outros vai nascer!

  — Que ideia é essa?! Está me deixando com medo, caralho, para com isso.

  — Nasceu!

  Ambos olhamos ao mesmo tempo. Meu pai está parado na porta da sala, sorrindo e corado. Nos levantamos rapidamente.

  — Podemos ver o neném? — pergunto, ansiosa.

  — Daqui a pouco. Vão transferir sua mãe e o bebê para um quarto, aí poderão vê-los. Eu tenho um meninão! — ele solta um riso feliz e volta para dentro.

  — Será que também teremos um meninão? — Castiel pergunta.

  — Não sei. Depois de todos aqueles gritos, espero que os girinos não saiam do meu útero tão cedo.

  — Salamandras.

  Mamãe parece muito cansada quando entramos no quarto, mas está feliz e bem. Ao lado da sua cama há um bercinho, e no bercinho há um pacotinho. Andrew está usando macacão e gorro de lã azul. Ele é a coisa mais fofa que já vi, com as bochechas rosadas, as mãozinhas, a boquinha, os olhinhos fechados e o narizinho arrebitado.

  — Puxa, eu tenho um irmão — sorrio, acariciando o rostinho gorducho suavemente. — Ele é lindo.

  — Pode pegá-lo, se quiser — mamãe diz. — Já vai praticando.

  Eu o tiro do berço com o maior cuidado possível e o acomodo em meus braços. Me viro para que Castiel possa vê-lo também.

  — Ele é muito fofo — Castiel segura a mãozinha. — Posso segurá-lo?

  — É claro — mamãe concorda. — Você precisa praticar também.

   Lhe entrego o Andrew cuidadosamente. Os olhos dele brilham.

  — Oi, carinha — diz baixinho. — Você mal nasceu e já é cunhado e tio. Louco, não é? Espero que não tenha o temperamento das suas irmãs, elas são meio briguentas. Mas se tiver, conte com o cunhado aqui para pagar a fiança, ok?

  — Ei! Para de falar porcariada pro meu filho — papai ordena. — Você já levou uma das minhas filhas pro mau caminho, chega.

  Não presto realmente atenção no que estão falando porque fico meio hipnotizada com a visão do Castiel segurando Andrew em seus braços. De alguma forma, o pânico que senti no corredor dá lugar a ansiedade e mal posso esperar para vê-lo segurando nossos filhos, em vez do meu irmão.

  — É uma pena que a Ana não esteja aqui — mamãe lamenta. — Seria ótimo ter a família reunida nesse momento. Ari, tente ligar para ela.

  Vou para o lado dela e seguro sua mão, enquanto disco o número da minha irmã. Castiel vai até o pequeno sofá e se senta, ainda com Andrew no colo. Olho para ele, inclinado para frente, admirando o bebê, e um sorriso involuntário surge em meu rosto.

  — Oi, maninha. Em que posso ajudar?

  — Ana, onde você está?

  — Acabei de ser liberada pro almoço, vou comer um sanduíche na Subway.

  — Vem pro hospital, o Andrew nasceu.

  — O que?! Quando?

  — Há pouco tempo. Tentei te avisar, mas o celular estava desligado.

  — Tá, tudo bem, já estou indo. Vou chamar um uber. Até logo.

  Dou o recado para a mamãe e vou para o sofá, deixando meus pais em um momento carinhoso a sós. Deito a cabeça no ombro do Castiel e observo o pequeno Andrew, que está começando a acordar.

  — Sabe, eu nunca liguei muito para crianças — Castiel sussurra. —, mas agora é diferente. Alguma coisa mudou dentro de mim, entende? Ele nem é meu, mas...

  — Eu entendo — tento pegar a mãozinha do meu irmão, mas ele se remexe. — É tão fofo, não é? Dá vontade de morder ele todo.

  — Como vou passar mais de dez horas fora de casa, sabendo que terei três dessas gracinhas me esperando?

  — Será um incentivo para você voltar toda noite.

  — Você já é meu incentivo para voltar toda noite.

  Andrew ameaça começar a chorar, então Castiel o leva para a minha mãe. Ele volta a se sentar do meu lado, passa um braço ao redor dos meus ombros e deixa que eu me aconchegue em seu peito. Ficamos em silêncio, observando enquanto a mamãe amamenta o bebê, sorrindo docemente, e o papai os olha com olhos brilhantes. É uma cena adorável. Pensar que em poucos meses seremos nós me deixa mais feliz, que assustada. Com todas essas mudanças de sentimentos, não sei se estou progredindo ou ficando instável.

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