The boy and the demon

Por Kliyar_LE

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Quando um anjo e um demônio se unem, a vida que surge desse amor não possui um lugar para si nem no céu e nem... Más

Prólogo
Perseguição
Semente
Imprevisto
Os demônios choram?
Naita Aka-Oni
Primavera efêmera
A esperança reside em terras longínquas
A jornada (parte 1)
A jornada (parte 2)
O alquimista de Tréveris (parte 1)
O alquimista de Tréveris (parte 2)
Insegurança
Trinta e uma noites
Com os pés nas novas terras.
Arrependimento
Descoberta
Guiados pelas asas
Como o Sol
Diné, a tribo da terra sagrada de Dinétah
Sentimentos
Até que a velhice nos separe
Aquilo que buscávamos
No lugar errado
Mais próximo do que o esperado
Esperar
Apenas amigos
Culpa
Destino
Reencontro
A fonte da juventude
Areia vermelha
Entre golfinhos e tubarões
Sem arrependimentos
Despedidas e reencontros
Decisões difíceis (parte 1)
Decisões difíceis (parte 2)
Flores e velas
Uma chama verde esperança
Mensagem (extra)
À caminho de Provins
Amar
Reiss
Carta
Segredos (parte 1)
Segredos (parte 2)
Segredos (parte 3)
A jovem lady e a plebeia
Verdade indigesta
O certo a se fazer
Despedaçar (parte 1)
Despedaçar (parte 2)
Entre desejos e virtudes (parte 1)
Entre desejos e virtudes (parte 2)
Entre desejos e virtudes (parte 3)
Escolhas (parte 1)
Escolhas (parte 2)
favor
Julgamento
As cinzas de um sonho
O que fazer?
Humano
De volta para casa
Enquanto estavam longe (parte 1)
Enquanto estavam longe (parte 2)
Enquanto estavam longe (parte 3)
Santo Levi
Confronto
Zeke
Vidas pela frente
Covarde
Não me diga adeus (parte 1)
Não me diga adeus (parte 2)
Rivaillevilage (parte 1)
Rivaillevilage (parte 2)
O festival de Rivaille
O homem da floresta
Adeus
Epílogo
Especial de perguntas e respostas

Família

47 11 1
Por Kliyar_LE

Feliz dia dos professores para mim e rezem para que eu não enlouqueça antes de terminar essa história ^^'

***

Os dias se passavam. O restante da poção Diné que mantinha a saúde de Eren foi consumido rapidamente e a pesar dos esforços de Hanji, sua fórmula não era tão boa quanto a que Bilagaana havia feito.

Conforme a saúde do moreno se deteriorava as visitas de Mikasa que já eram raras e silenciosas devido ao seu coração partido tornaram-se inexistentes e embora o jovem quisesse resolver essa situação rapidamente, ele também entendia que a amiga precisava de um tempo para organizar os pensamentos.

Por outro lado os desentendimentos e assuntos pendentes entre ele, Levi e a maioria dos que compunham aquela grande família que construíram foram resolvendo-se nesse período de afastamento.

O casal conversou sobre a o sopro de vida concordando em não utilizar o mesmo, Armin passou a lidar melhor com seus sentimentos e se tornou um pilar para o amigo doente passando também a ter uma vida a dois com Jean na casa que herdara do avô e uma nova casa fora construída na vila para que Erwin e Hanji pudessem viver após seu tão aguardado casamento marcado para o fim do período da colheita.

Outra grande mudança e talvez a mais significativa dentre todas nesse período de tempo foi o espalhar da notícia de que Eren estava doente pelo vilarejo, afinal os sintomas tornavam-se mais evidentes tornando assim impossível continuar escondendo o fato como o rapaz desejava inicialmente.

Surpreendentemente, ou nem tanto assim tendo em conta o espírito de companheirismo e ajuda mútua daquela pequena comunidade, mesmo com a escassez de alimentos causada por uma seca sem precedentes os aldeões movimentaram-se numa corrente de caridade, doando comida, roupas e orando por ele, alguns inclusive lhe sugerindo que ascendesse uma vela na janela e pedisse ajuda ao "santo Levi" que diziam pelas redondezas ser uma espécie de padroeiro dos doentes.

Ah, como Eren quis rir naquele momento... O que pensariam aquelas senhoras se soubessem que o santo que mencionavam havia se escondido em seu guarda roupas quando elas chegaram e deitava-se frequentemente com ele?

Ao menos esse momento lhe serviu para ter certeza de que o plano da senhora Ackerman estava surtindo o efeito esperado, talvez até mais rápido do que imaginavam inicialmente o que tranquilizou um pouco seu coração com a esperança de que haveria sim, algum dia, um mundo receptivo ao Levi mesmo que acabasse por morrer antes de ver esse acontecimento.

Já era quase inverno quando Gabi, que já a algum tempo era tratada como filha adotiva dos Jaegers, surpreendeu a todos durante o casamento dos Smiths declarando seu desejo em aprender o ofício da família; aparentemente ela havia se chateado por um de seus amigos não ter comparecido a cerimônia por ter ficado doente e se motivou a começar a estudar a arte de fazer os mais diversos medicamentos.

A menina era dedicada e aprendeu rápido a ler e escrever em inglês para seguir as receitas; era também bastante habilidosa como aprendiz, até mais do que Levi que, com o agravar do estado do marido, precisou assumir o trabalho junto de Grisha e Erwin que vinha até a cabana para ajudar eventualmente conforme tinham tempo

Afinal, agora que o alquimista era casado, precisava dedicar-se mais a esposa que já manifestava seu desejo de gerar um herdeiro, além de ter de equilibrar isso com um projeto paralelo de alfabetização das crianças da vila ao qual o Jaeger mais velho também voluntariou-se incentivado por Hanji que reclamava o tempo todo sobre não ter como mostrar seus manuscritos a ninguém quando todos os seus novos vizinhos não sabiam ler nem escrever:


- Vê aqui? Essa é uma consoante e ao lado delas sempre deve haver uma vogal para fazer o som das palavras. F e A juntos soa Fá e quando se coloca o L no fim fica Fal. C com O fica Co e se ler tudo junto tens o teu nome. Fal-co. Entendeu? - Grisha questionou ao garoto de dez anos diante dele, um menino loiro de olhos dourados que parecia cada vez mais confuso com os símbolos que o mais velho desenhava na terra.

- E-eu ainda não sei...

- Vovô? - Gabi chamou sorridente passando por entre os bancos espalhados na sombra do grande carvalho onde eram dadas as aulas semanais de inglês. Ela estava radiante, os cabelos presos em um coque elegante e uma capa vermelha sobre os ombros com as asas sobrepostas bordadas nela.

- Olá, querida - ele acenou para a menina de sotaque forte que aproximou-se mais retirando uma trouxa de comida do meio dos vários potes de remédio que levava em sua cesta.

- Eren pediu para trazer teu almoço quando visse Entregar as encomendas. -olhou para o garoto sorrindo um pouco mais para ele- Bom dia, Falco. Está se sentindo melhor?

- Olá Gabi. Bom dia... -ele corou acenando timidamente o que não escapou do olhar atento do homem diante dele- Estou bem melhor sim, graças aos teus remédios...

- Fico feliz em saber. Toma cuidado e não saia de casa sem casaco. -ela recriminou tirando um tecido da própria cesta para cobrir o garoto- Pode não estar nevando ainda, mas tua saúde é bem frágil... Eu vou indo. Esses remédios não se entregam sozinhos - riu acenando para os dois dando-se por satisfeita ao ver como o loiro vinha atrás dela.

- Vou contigo, posso ajudar-te com a cesta?

- É muito gentil da tua parte - cantarolou entregando o objeto para que ele carregasse.

***

- Estou dizendo. O garoto, Falco alguma coisa, está cortejando ela! - Grisha ditou entrando pela porta da cabana e dando de encontro com o filho sentado em uma cadeira completamente concentrado num punhado de plantas secas colocado sobre a mesa diante dele.

- E o que há de mal nisso? - Eren riu do tom alarmista do pai separando algumas ervas enquanto Levi as colocava os potes nas prateleiras.

- Ela tem apenas oito anos - cruzou os braços e logo os olhos verdes do filho deixaram as folhas para encontrarem-se com os dele.

- Falco tem dez e ela logo fará nove. Não é sequer uma real diferença de idade... -sorriu mais largamente apoiando a cabeça numa das mãos- Mais cedo ou mais tarde iria acontecer e desde que seja da vontade dos dois não vejo mal algum no cortejo. Não é como se fossemos casa-los amanhã, na verdade é provável que eu vá morrer antes que essa união aconteça, o que é uma lástima, pois adoraria vê-la de noiva ao menos por um momento.

- Eren, deixa de comentários deprimentes! -o hibrido repreendeu antes de voltar seu olhar ao sogro- Mas ele tem razão. São crianças e isso não deve passar de uma paixão infantil que logo vai desaparecer.

- Disseste que pensava isso sobre nós quando beijei-te pela primeira vez e veja só como terminou. -o rapaz riu cutucando o marido- Apenas vamos dar tempo ao tempo. Tudo acontece como deve acontecer.

Enquanto isso, já em frente a terceira casa em que faria uma entrega a garota e seu amigo conversavam animadamente sorrindo com a menção da mulher que os atendera sobre o quão bem ficavam juntos e quão adoráveis eram:

- Obrigada, senhora Finger... -Gabi corou tanto pelo elogio quanto pelas moedas a mais que recebia como gorjeta- Nós temos de ir agora... A senhora Ackerman pediu uma pomada para o marido e temos de entregar ela.

- Vão com cuidado, queridos -a mulher acenou e então apontou para a capa que a menina levava, mais especificamente o desenho bordado nela- São as asas do santo Levi?

- Notaste? -ela cantarolou animada puxando o capuz para cima para mostrar melhor a imagem- Tio Armin bordou para mim. Eren disse que representa o nosso trabalho já que fazemos remédios para ajudar as pessoas. O santo Levi é como um padroeiro dos doentes então ele acredita que ele tenha um carinho especial por boticários e médicos.

- Tem sentido... -murmurou pensativa, mas logo deixou a conversa de lado para não atrasar as entregas da pequena- Melhor irem indo. Se virem minha filha Pieck pelo caminho digam para aquela inconsequente voltar para casa antes do Sol desaparecer dessa vez.

- Nós diremos se a virmos. -o garoto respondeu logo voltando o olhar para a menina ao lado dele- Queres ir lá em casa depois das entregas? Meu pai deve voltar hoje e queria que tu o conhecesse...

- Claro. Eu adoraria! - tomou-o pela mão e correu em direção a casa dos Ackerman onde fez questão de perguntar sobre Mikasa para dar notícias a Eren já que a mesma já a alguns dias não ia mais vê-lo.

Após terminarem as entregas os dois seguiram caminhando até os limites do vilarejo onde ficavam a maioria dos rebalhos de ovelhas, afinal era ali que ficava a casa do garoto que fez questão de abrir a porta para ela:

- Filho, já está em casa? -uma voz feminina questionou e logo uma mulher de cabelos escuros e olhos azuis beirando o violeta surgiu diante deles carregando pilhas de tecido de lã recém feitos- Quem é a mocinha contigo? Sua amiga?

- Mamãe, deixa que eu ajudo! -correu até ela pegando alguns dos tecidos antes que caíssem e dividindo-os entre grandes bacias de madeira cheias de água tingida em cores diversas - E sim, essa é a Gabi Jaeger, aquela amiga que mencionei. A que faz remédios.

- Prazer em conhece-la, senhora Grice - a pequena fez uma reverência.

- Como é educada! Parece até uma lady. -a mulher brincou deixando os mais alguns tecidos numa mesa para repetir o gesto cortês- Prazer, senhorita. Podes chamar-me apenas de Frieda.

- Papai ainda não voltou? Ele disse que voltaria hoje.

- Ainda não. Tu sabes que as viagens dele demoram meses, talvez ele se atrase.

- Papai trabalha com vendas. -explicou para a amiga que o encarava sem entender ao todo aquela conversa- Ele viaja e vende todas as roupas que mamãe faz em vários lugares.

- Que incrível! -ela bateu palmas- Lá em casa é o tio Armin que faz nossas roupas, mas ele não faz o tecido como vocês... - apontou para o imenso tear repleto de fios para tecer.

- Queres brincar lá em cima? Vou mostrar-te como fiar na roca e as coisas que fiz com os retalhos que não servem para vender.

- Vamos! - ela saltitou seguindo-o pelas escadas diante do olhar risonho da mãe de Falco que permaneceu cortando e tingindo os tecidos que carregava quando eles chegaram.

As horas passaram rápido e quando as crianças deram-se conta do tempo, já estava anoitecendo. Gabi apressou-se em se organizar para voltar para casa quando notou, guardando a boneca que ganhou do amigo em sua cesta antes de correr até a porta despedindo-se da mãe do mesmo, mas ao abrir a mesma, surpreendeu-se ao encontrar um homem loiro, alto e forte com uma grossa barba em seu rosto e questionadores olhos amarelos:

- Papai! - Falco gritou animado correndo para abraçar o homem que retribuiu o gesto com um sorriso, mas ainda olhando a menina com uma curiosidade evidente.

- Quem é? - questionou ao filho que lhe sorriu e respondeu.

- Minha amiga, Gabi Jaeger.

- Jaeger, é? -a analisou de cima a baixo- Está um pouco tarde para voltares para casa sozinha, senhorita Jaeger

- Acabei perdendo a noção do tempo, mas estou voltando agora mesmo.

- Eu acompanho-te - ele ditou em tom indiferente.

- Tu acabou de chegar! - a esposa protestou, mas ele apenas deu de ombros acariciando a cabeça da garota e do filho ainda grudado a ele.

- Será rápido. Não vou ficar descansado se a deixar ir sozinha para casa tendo de passar por aquela floresta quando está tão perto de anoitecer. Queres ir junto, Falco?

- Eu quero! - o menino concordou alegre.

- Então vamos indo para não voltarmos num total breu.

***

- Eu vou procurar por ela - Grisha ditou batendo a mão na mesa.

- Papai, por favor... - Eren revirou os olhos guardando o saco com as penas de Levi que havia recolhido durante o período de troca da plumagem pelo qual o mesmo passava eventualmente. Poderia pedir ao marido que guardasse o pacotes por ele, mas havia se esquecido de faze-lo mais cedo e agora ele já havia saído para curar os doentes e sustentar a lenda criada por Meiko.

- Está tarde, olhe para o céu! - o Jaeger mais velho apontou para a escuridão que se formava no horizonte.

- A floresta deixa tudo mais escuro. Ela deve estar voltando agora mesmo depois de perder a noção do tempo brincando com aquele garoto que tu tanto detestas. -desdenhou da preocupação do homem. Ele sabia que a menina era bastante desatenta com horários e sempre que algum atraso acontecia precisava ter aquela mesma conversa com o pai superprotetor e rabugento- Gabi sabe se cuidar. A vila é segura e os aldeões sempre oferecem abrigo a ela quando a noite cai assim como fizeram por mim tantas vezes e tu não demonstrava um terço de toda essa preocupação que tens agora.

- Ela é uma garota. É normal que me preocupe mais com ela.

- Ela está bem, papai... - revirou os olhos mais uma vez. Tinha certeza de que não demoraria muito para reencontrar a menina, afinal, confiava que o marido estava buscando por ela como sempre fazia e que acabaria por voltar, ou com a pequena nos braços, ou com a noticia de que estava segura e passando a noite na casa de algum conhecido.

- E se ela se perder na floresta escura? E se for atacada por um animal ou...?

- Ela conhece bem a floresta, sabe como afastar os animais e eu demarquei o caminho com corda desde que as pessoas passaram a vir aqui com mais frequência para que ninguém se perca, além disso o Levi está pelas redondezas procurando por velas acesas e vai traze-la se a encontrar. Fica calmo e ascende a lamparina na porta do lado de fora para que ela possa enxergar caso a noite caia completamente antes dela chegar - apontou para o objeto sorrindo ao ver o pai seguir sua sugestão, mas o sorriso desapareceu quando o homem agarrou uma capa preta e segurou na fonte de luz com firmeza encarando-o decididamente.

- Eu vou procurar por ela. Não vou deixar minha garotinha sozinha por aí a noite ou pior, acompanhada daquele moleque.

- Estou em casa e trouxe visitas... - a voz de Gabi anunciou tremula quebrando completamente a linha de raciocínio dos dois morenos e após alguns minutos de silêncio em que a garota provavelmente esteve enrolando para que pudessem esconder Levi no caso dele ainda estar na residência a porta finalmente foi aberta.

- Gabi, querida... Onde esteve? - Grisha questionou tentando conter a vontade de dar uma bela bronca na garota.

- Desculpem o inconveniente, essa pequena estava lá em casa e pensei que seria o melhor traze-la para garantir que chegaria bem - o homem loiro parado atrás da menina pronunciou empurrando-a levemente para dentro, essa que ainda sorria amarelo ao lado de um Falco vermelho de vergonha que se desculpava repetidamente pelo inconveniente.

- Muito obrigado, senhor... - Eren começou por dizer, mas não se lembrava de conhecer aquele homem. Na verdade não se lembrava de ter conhecido nenhum parente do garoto com quem a menina que acolhera sempre passava tanto tempo.

Parte da culpa dessa situação era o fato de que a família havia se mudado recentemente para o vilarejo em busca de um ambiente mais tranquilo para viverem, mas o maior motivo era com certeza sua perda da capacidade de locomover-se livremente o impedindo de visita-los para conhece-los.

Estava envergonhado. Aquele homem havia tirado parte de seu tempo para acompanhar Gabi até em casa e ele sequer sabia como chama-lo? Olhou para o pai como se pedisse auxílio para aquele momento estranhando o estado de completo silencio em que ele se manteve e então voltou a encarar o homem sorrindo timidamente:

- Desculpa, não sei teu nome... Eu sou o Eren - estendeu a mão recebendo um aperto firme do loiro de olhar analítico a sua frente.

- Sou Zeke Grice e é um prazer conhece-los finalmente, Eren e... Senhor Jaeger... - enfatizou as últimas palavras semicerrando os olhos enquanto encarava o moreno mais velho.

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