MALIBU, CALIFÓRNIA.
QUINTA FEIRA.
Onze e meia da manhã.
Então Samantha, como andam as coisas está semana? - Os passos da doutora se direcionam a poutrona logo a minha frente.
As batidas do meu coração sincronizam intermente as dos saltos agulha que perfuram o mármore da sala.
Sua voz é suave, com intensidade de um otimismo esperançoso.
Suas vestes clássicas de cores pastéis pintam uma estética pessoal profissional, elegante e estilosa ao nível
"menos é mais".
Ela é tão serena que sua brisa acalmaria um mar revolto.
Deve ser exatamente por isso que se tornou psicóloga.
Excelentíssima doutora Hazal Aster.
__ Bem. - É muito menos do que a verdade, e muito mais do que eu possa oferecer pela mesma.
__ Não existe nenhum ocorrido pelo qual gostaria de compartilhar? - A persuasão não corrói suas expressões e muito menos se aprimora de sua intonação. Ela se mantém em uma linha tênue porém estática a minha capacidade de liberação dos fatos.
__ Não - Trancados a sete chaves dentro de algum lugar que nem eu mesma tenho acesso. Escuro, profundo e totalmente assustador.
Ao se acomodar em seu acento, levanta a manga do blazer azul claro até que o ouro reluzente de seu relógio de pulso lhe apresente as horas.
__ Uma hora restante e nenhuma novidade - Pontua sem qualquer tipo de humor cítrico - O que lhe trouxe até aqui? - Em um questionamento levemente adocicado.
__ Meus pais. - O gelo é por minha conta.
__ Essa é a sua resposta final?.
__ Sim. - Afirmo de uma maneira consideravelmente ríspida. Como se sua dúvida fosse uma intromissão aos meus segredos. E também me deixa confusa sem saber onde quer chegar.
__ Nenhuma curiosidade sua em saber como podemos nos introzar ou a percepção da necessidade de ajuda? - Soa como um disparo. De uma fecha na qual me acerta em cheio.
__ Eu estou ótima. Eu não quero e nem preciso de ajuda.
Me ofendendo por levar ao lado pessoal.
__ Compreendo. Então podemos falar sobre outras coisas. Que tal formalmente nos apresentarmos. Tirando em conta que na semana passada você se sentou neste mesmo lugar e não disse uma palavra do momento que entrou até o cronômetro apitar.
Ignoro essa ocorrência para ligar as sirenes mais tarde. Eu não pretendo me prender atrás das grades de sua compaixão.
Ou proteção.
Sabe-se lá o preço para isso.
É inafiançavel o valor do meu apreço e confiança.
__ O que você gostaria de saber? - Se ela pensa ser a única a saber jogar, está muito enganada.
O jogo da análise e percepção é uma via de mão dupla.
A estrada é ampla. A jornada longa e as curvas perigosas.
Eu tenho esse parâmetro por exatamente almejar a linha de chegada em várias vertentes de lugares diferentes.
__ Me conte mais sobre você. - Ela acerrela, puxa o freio de mão e cria expectativas.
__ Meu nome é Samantha Summer, eu gosto de livros, copos e maquiagem. - Não irei dar informações cotidianas vantajosas,
Apenas o básico, e nada além da primeira camada.
__ Interessante.. - Ela se empenha em aparentar considerar as superficialidades - E os seus pais. - Uma pausa propravelmente pelo desconforto da minha linguagem facial e corporal ao mencionar- Os mesmos que lhe trouxeram até aqui. Você se sente confortável para falar deles?
__ Não. - Eu poderia falar que sim, seria mais amigável e aceitável mas não. Eu não quero. Eu não posso. Eu não consigo.
__ E seu namorado? - Ela muda de direção rapidamente para não colidir.
__ Como você sabe que eu namoro? - A táctica na qual questionar o óbvio congestiona o trânsito ao inexplorado.
__ Tenho minhas fontes - Ela brinca, sorri e não leva a sério. Como se não fosse nada demais saber demais.
__ Por trás das minhas costas? - Ergo as sombrancelhas o mais alto possível.
__ Não - Ela se aflige com a represália, desconfortável ao pisar errado, tomara que tenha percebido que ao invés de pisar em casas de ovos talvez esteja pisando em cacos de vidro - Sinto muito se a magoei, mas seu protocolo me fornece alguns informações que ainda não vinheram da sua boca.
E nem vão!.
Penso porém não contra ataco.
__ Você poderia continuar lendo ele e me dispensar por hoje. - O veneno escorre dos meus lábios que se mantém resistentes a uma cura.
Ela apenas se abstrai e anota algo em seu bloco de notas.
Me ignorando, com seu antídoto.
__ Qual sua comida favorita? - Uma fulga com a armadilha montada.
__ Não importa.
__ Porque não?
__ Porque não!.
Porque para mim, arde e queima.
É terrível gostar.
É errado querer.
__ Okay, então me diga o que anda fazendo ultimamente.
Eu poderia proporcionar várias respostas para essa pergunta, mas o peso que esse lugar me estiga a carregar me trava de uma forma que nada de bom parece ser válido.
E o não conseguir agradecer me derruba.
Do topo ao poço.
As vezes a morte soa muito mais reconfortante que a vida.
__ Tudo bem caso isso também a incomode, trocaremos de assunto.
Não incomoda apenas, pertuba.
Paraliso, perdida em meus pensamentos com o olhar vago, se fixando em qualquer lugar que me leve para longe daqui.
E me mantenho intacta nesta conjuntura até o tempo limite me despertar.
Saio da sala e o ar pesa em meus pulmões, um respiro profundo é interrompido pelo nó na garganta que quase me sufoca.
Eu não posso chorar.
Eu não posso chorar.
Não aqui e não agora.
Meus passos são apressados, arrastados pela insensatez, uma tontura que me embala em uma abertura de fuga ao banheiro para afogar as mágoas.
Por sorte está vazio e a liberdade de engasgar e não se preocupar com os barulhos é aliviante.
Coloco meus dedos dentro da garganta, precionado a válvula de escape, o ponto de controle, liberando tudo o que foi ingerido.
❄
Ao sair do consultório o estridente sol de Malibu reflete sobre a minha pele, mas não queima, muito menos esquenta.
Ultimamente não anda saturando meu bronzeado.
Calafrios andam fazendo meus pelos se arrepiarem em um furação de tremiliques incessantes.
Como flocos de neve em pleno verão.
Coloco a mão sobre a testa à procura de sombra, para uma visão mais detalhada do conversível vermelho estacionado a minha espera em apenas alguns passos de distância.
Aceno com o braço vago - Aqui! - Prolifero de maneira audível para que o motorista se oriente da minha chegada pelo término da sessão.
Ele disse que viria.
E algo dentro de mim se aquece em conforto, pelo comprimento da palavra pelas circunstâncias adversas às suas necessidades.
Azael Harlow.
Oooohh Azael Harlow, que se aproxima, parando em minha frente e lança de lado um sorriso que derrubaria qualquer um por inteiro. Dentes alinhados, maxilar contornado em uma alta definição divina, cabelos meia noite em escuridão eterna, olhos esverdeados plagiados pela coloração das águas que percorrem as Maldivas, afundando minha sanidade em uma serenidade misteriosa na qual embarco da cabeça aos pés.
Caindo de amores entre desejo e ternura.
Despencando até os ossos se desprenderem da carne.
Sem fôlego.
Em câmera lenta.
Uma salva de palmas.
Para o meu NAMORADO.
Um título a pouco oficializado, contudo estabilizado em um progresso constante, entre nossos lábios conectados , deslizes indecentes e promessas eternas.
__ Iai meu Sonho de valsa, diz aí, como foi com a psicóloga? - Não que ele tenha muito interrese em saber, mas pela ética moral se esforça em ao menos aparentar querer obter os detalhes.
__ Não quero falar sobre isso! - Enquanto me acento sobre o banco do passageiro retirando e jogando minha bolsa de lado sem pretensão, o ênfase na negação eventualmente pode ter sido ríspido demais.
Contudo, não oferto tempo para que uma pontada de dó se desperte em meu peito, apenas poupo-o conjunto à uma extenta ladainha.
__ Tem certeza? - Ele insiste de uma forma genuina, o que me estressa em níveis fervorentes.
__ Tenho! - Mais uma conclusão convicta, dessa vez com um blefe áspero - Agora para de falar e me beija. - Transformando o sangue quente de minhas veias em excitação.
Pela adrenalina do turbilhão de emoções.
Vamos lá... quero deixá-las de lado, estou á caça das sensações.
Pela perda da do controle, o prazer é a mais propensa e satisfatória no momento.
__ Eu não entendo - Gentilmente Azael se desprende do grude de meus lábios tocando em meus braços que seguram sua face, afastando-se. - Quando eu não dou a mínima você se importa, e quando eu me importo você não dá a mínima?! - Ao término da linha de raciocínio, não chega a ser uma represália apenas uma surpresa.
__ Eu... - Arrasto o pronome até se perder em uma desculpa fajuta qualquer- só não quero falar sobre isso hoje. - Finalizando em uma verdade oblíqua.
Segurando a pressão para que eu não desmonte e quebre em seus braços.
Patética.
Fraca.
Sensível.
Mole.
E desajeitada.
__ Mas sobre a festa de comemoração da nova lider de torcida você quer né? - Ele volta a sorrir e dessa vez com uma diversão maliciosa em seu tom e olhar que se intensifica em minha surpreficie.
Sendo sempre assim.
Ralo.
Harlow pisa sobre a areia de minha orla, mas raramente enfrenta as ondas de minha profundidade.
Ele tem uma noção pela maré alta em temporadas de crise.
Mas nunca ousou tirar onda.
Zarpando antes disso.
Sendo contraditório pelo papel de âncora que ele exerce em minha vida.
__ Isso sim! - Me esforço para aparentar estar animada, uma brusca mudança de assunto e um improvisso certeiro- Tudo certo com o time de futebol né? - Todos os meninos tem que estar presente sem falta!- Concluo em exigência -
Todas as meninas do time de líderes torcida já estão confirmadas.
Não sei se citei isso, mas Azel Harlow é a estrela do time de futebol Americano.
Oh, que frase mais clássica de clichê da sessão da tarde, não é mesmo?!.
Porém contra fatos não há argumentos, e isso é algo que não podemos negar, seus inúmeros troféus, medalhas e patrocinadores falam por si só.
Azael sem sombra de dúvidas é a pessoa mais determinada que eu conheço, e sempre foi assim desde de criança.
Para adicionar ainda mais romantismo barato nesta história, crescemos juntos, um observando o outro pelas janelas de nossos respectivos quartos.
Onde a troca de mensagens se lia através dos vidros.
Ou por debaixo da porta de entrada em cartinhas enviadas com todo amor e carinho.
Com canetinhas brilhantes de minha parte e figurinhas bregas da dele.
Contudo o encanto se concretizava
somente na temporada de férias, onde custumava passar na casa de praia, aqui em Malibu, da minha avó, Milicent Summer.
Naquele época recém aposentada.
Havia passado anos trabalhando entre os ares das grandes capitais do mundo da moda, entre elas Paris, Tokyo, Londres, São Paulo e Nova York. Sendo essa última, sua sede de chefiamento como editora geral da revista Epifania, uma das únicas que se mantém em total vivacidade pela excelência dos conteúdos do nicho da moda e beleza com total relevância pela alta popularidade material e virtual ainda nos dias atuais.
Créditos ofertados por uma mulher que em tudo que toca vira OURO.
Vovó, que odeia ser chamada assim, porquê confessa ter parado de contar aos trinta e cinco, se afastou pela obrigatoriedade do comprimento da lei. E só por isso mesmo, já que se dado pelo amor a profissão estaria até hoje no mesmo pique do sobe e desce, Câmeras e flases, luzes e ação.
Com a pele impecável e em cima do salto.
De batom vermelho e decote V.
Ela remodelou o final de uma trajetória em um belo começo. A procura de Hobbies de setim que vistam perfeitamente em seu estilo de vida alternativo.
Por ser Tradicional.
Por nunca antes ter sido.
Fundou sua marca de biquíni por ter se estabelecido oficialmente na casa da praia, expandindo para roupas mais robustas nas quais já estava acostumada em uma jornada de puro glamur, e pincelando traços essências em produtos de pele, inovadores em sua gama dos
"Acima das cinco estrelas".
Para mulheres que não lutam contra a idade e sim se aprimoram com o tempo.
Como ela mesma sempre diz:
" Envelher é um privilégio para poucos!."
Embalados aos produtos de beleza completa, maquiagens e afins e agora em pré-lançamento previsto para o mês que vem, os de cabelos.
"Branco descanse em paz"
O slogan trás a proposta da paz absoluta em descansar os fios bracos, após anos de óbito pela tintura imposta por uma sociedade que não sabe se comportar naturalmente.
É tudo realmente muito impressionante, e o tempo não a para, somente valoriza.
Vovó.. ops digo Milicent é um ÍCONE!
Que agora está mais acessível do que nunca.
Perto o suficiente para que eu consiga sentir o perfume do sucesso, pegar autógrafos baseados em seus conselhos de experiência com a convivência alternada em alguns quarteirões.
Azael morava bem em frente à moradia, e com isso trocávamos olhares clandestinos antes da primeira conversa dentro da lei em que tivemos, onde ele me ajudou a se levantar após a magnífica queda que tive ao tentar andar sem as rodinhas da minha bicicleta.
Mas acabamos sendo presos por minha avó, que daí por diante se tornou a maior líder de torcida do nosso relacionamento.
Dois fatos a serem ressaltados.
Primeiro - Ainda carrego comigo a cicatriz daquele dia.
Na parte interna da coxa esquerda.
Pontos fechados depois de um berreiro aberto.
Segundo - A persuasão dos desejos em torcida vem de família, dona Milicent ofertando bolo e refrigerante a um garotinho de quatro para cinco anos recém chegado na vizinhança, predestinado a ser seu genro.
Logo após, sua neta, com pompons brilhantes e um rabo de cavalo sempre no alto da cabeça liderando uma equipe no topo da pirâmide.
Prova isso.
Tanto que a festa em questão que estou organizando é em comemoração ao meu novo posto.
__ Você tem certeza que a área vai estar limpa? - Ele se refere à minha casa, mais especificamente sábado à noite.
Questionando com cautela e antecedência, desvanecendo a linha presunçosa que vangloriava meu entusiasmo em seu sorriso brando, zelando pelo bem estar de todos em uma aventura selvagem.
Um líder nato.
Com a liderança pura impregnada em sua essência.
Entretanto não é apenas de elogios que uma balança justa se mantém em equilíbrio.
Azael também é destemido, e por vezes tem para si a noção estúpida e imatura de que se pode levar o mundo no peito e enfrentar tudo a fogo e ferro.
Talvez pela perda do irmão mais novo, que se afogou nas profundezas do paraíso, por ainda ser um anjo aqui na terra.
Justamente no lago de sua antiga moradia em frente à casa da minha avó. Na qual crescemos entre as estações.
Depois do ocorrido, o
encanto se desfez.
Harlow nunca mais foi o mesmo depois dessa tragédia, atordoado com a perda da vida do irmão e com o resto que virou "sobra" da sua, decidiu se dedicar ao esporte como fonte de reabastecimento.
Para alguma motivação.
E consolidou uma filosofia pessoal.
Onde seu mecanismo de defesa é ser O MELHOR e nunca perder, como uma vez já perdeu a oportunidade de salvar seu irmão.
O memorável Evan Harlow.
No entanto isso só se projeta em sua cabeça rendida por seus traumas, porquê não houve nada com que ele pudesse ter feito para ter impedido.
E também não há nada que alguém possa dizer, que possa mudar isso.
Eu mesma já tentei inúmeras vezes.
Sem sucesso, mesmo sendo a opção principal.
Custumavam chamar o garotinho, de
"O pequeno notável".
Pela vasta inteligência e as apostas de que daria bons frutos por todos os visionários de plantão.
Possíveis investidores que não resistiam ao seu potencial.
E no agora, Azael que se apossou de um rótulo, tornando-se o grandalhão perceptível.
Notável por todos, até pelos pequenos detalhes.
Uma benção e um fardo ao mesmo tempo.
Gigante pela própria natureza, porém de joelhos pela analogia do segundo gene.
A admiração dos outros não compensa a falta que faz ter a da família.
O sangue não é mais expesso que a água neste contexto.
Azael estava com dez anos e Evan faltando poucos dias para completar seis.
Uma lástima que se estende até os dias atuais, assombrando a sanidade de sua família.
Sua mãe, se aflige tão profundamente que se tornou praticamente inválida. Vagando entre as necessidades básicas para se manter de pé e a entrega total ao lúdico da locura.
Marjorie Harlow, uma mulher que dizem já ter exalado muita luz de alegria e no agora vive nas sombra de suas tristezas.
Falando e vendo coisas ireais que se desprendem dos olhos todos os dias em um silêncio que grita à todos seus suspiros de morte.
De inteligência impar, como pode alguém dedicar-se a cuidar de cérebros uma vida toda, esquecer de regar a própria mente?
Uma neurocirurgiã renomada por técnicas e artigos.
Uma mãe, esposa e filha.
Empenhada e recompensada por uma família digna de margarina.
Enrolar-se nas linhas tênues das peripécias que a vida nos prega.
Não suturando os pontos.
Mas como obrigar o coração a esquecer uma dor que a cabeça lembra a todo instante?.. não é mesmo.
Ela também se afoga em um espiral eterno pela perda de uma parte sua.
Que era sua.
E não continuou sendo.
Designando a sinceridade com princípio, ela me dá medo!.
E todas as poucas internações que tivemos foi breve, pelos cortes de Azael. Ele não se sente confortável , freiando em mescla de receio e constrangimento.
__ Absoluta! - Minha mão se movimenta no ar em um sinal de descontração - Meu pai vai estar viajando em uma conferência. - Meu entusiasmo se anseia com a progressão da efetividade das circunstâncias.
__ Tem certeza que vai querer correr o risco? - Ele não retira isso de mim, apenas curva-se sobre a questão em honraria a espera da minha decisão.
__ Não é um risco.. - Esclareço ousadamente- É um direito!- Tenaz ao justificar minha perspectiva. E como a vida não é justa temos que LUTAR por eles.- Um leve sorriso de escárnio como ponto final.
__ Você diz absurdos com tanta firmeza que os torna verdade de alguma forma. - Ele sublinha em tiração de sarro conjunto à uma admiração mútua essa interpretação.
__ E é exatamente por isso que você me ama! - Digo e toco em seu nariz, o apertando de leve como se fosse um botão para se dar conta de que sou... - EDIÇÃO LIMITADA. - Pisco e nos perdemos entre risos e reviravoltas oculares.
__ Promete que para mim que vai ser infinita? - Depois que a graça sobe aos céus, em terra ele prolifera, na calmaria após os sons sincronizados da felicidade. Com um ímpeto afável que se mede em uma súplica silênciosa.
O valor das suas esmeraldas se dilatam refletindo em mim.
Sinto o brilho acelerar meu coração.
Ele vende seu clamor e eu compro sua oferta.
__ Vai. - A palavra escapa sem postergação, não sendo propriamente a escolha na eu gostaria de usar nesta jura, mas o impulso da amizade me arremessou do penhasco para que eu bata as assas até o patamar do amor eterno, sem cair ou simplismente me acomodar na zona de conforto. - De alguma forma para você eu serei sempre infinita. - arremato.
Por já ter acendido as chamas desta relação.
Sejam elas gêmeas ou não.
Para mim, ele vai ser sempre alguém especial e jamais um estranho qualquer.
E quero que ele tenha ciência disso.
Mesmo que em um talvez indesejado não sendo mais meu namorado.
Os cálculos devem bater com a relatividade espancando paradoxos frouxos de condicionamentos supérfluos.
Além de namorados,
somos acima de tudo melhores amigos.
O considero por ser quem é, e não o que se tornou.
Eu serei infinita porque o amarei para sempre mesmo que de maneiras diferentes.
Por três fatores determinantes.
Memórias, circunstâncias e experiências.
Todas as memórias que guardamos do passado.
As circunstâncias que nos seguram no presente.
E as experiências que nos guiam
para o futuro.
__ Extraordinária e inesquecível. - A palma de sua mão repousa em minha face, fazendo a quentura de seu contato me acalmar, ruborizar e almejar mais desse sutil toque que remove a película da minha alma.
Me deixando exposta à mercê dos meus próprios talentos para serem
utilizados e apreciados.
O fato dele acreditar nesses adjetivos soa mais como desejos e não realidade.
Odeio o amor que ele sente por mim por não ser capaz de sentir primeiro.
Gostaria de complementar com algo, mas me falta coragem e argumentos então o beijo em forma de agradecimento.
Tão satisfatório quanto pisar em folhas secas sobre o chão.
__ Espero que dê tudo certo, e que seu pai não descubra - Ao enceramento da ação deliciosa labial, a setença é relatada com o sentimento antecipado de ressentimento pela hipótese da falha de confiança que o "excelentíssimo Dr. Martin Summer deposita nele é enorme.
Meu queridissimo pai.
Diretor da qual por sete vezes eleita a melhor universidade privada de Malibu.
CORAL COAST
Pronto a se candidatar a ministro da educação estadual neste ano.
Aplausos ou vaias, tudo é válido dentro da democracia em que vivemos.
Ainda mais quando se intrelaça a política.
É obrigatório ter duas faces levando em consideração a direita e a esquerda desferindo golpes em ambas partes.
A estratégia é o melhor escudo, o poder da fala uma possível cura e a ação um tiro no escuro.
A vitória é sempre blindada.
O relacionamento dos dois é admiração e respeito genuíno.
Depois que Azael conjunto ao seus pais se mudaram da casa do logo, para mais perto da minha ao centro, daí em diante os meus pais tiverem melhor contato com a família dele.
Os boatos desafortunados sobre a verdade do triste acontecimento balançavam a elite como o vento as águas pacíficas que nos banha ao oeste.
A solidariedade foi espontânea.
Meu pai se tornou a figura paterna dele pela ausência da biológica.
Edgar Harlow
Dono da "Harloux" uma das maiores se não a maior concessionária de veículos de luxo incluindo caros, barcos e até aviões do país.
Um homem impecável e imbatível na aparência e presença.
Aos terceiros.
Aos primeiros
Farça e ausência.
O distanciamento dos dois se rachou desda do ocorrido quebrando por inteiro com a maturidade de Azael cortando os dois pelos cacos espalhados.
É triste.
Todavia demasiadamente revoltante.
Ambos sangram um em cima do outro também os afogando em lágrimas sem fôlego de vida apenas sopro de destruição.
Todos neste clã se afundam.
Sem nenhuma harmonia.
Apenas gritaria.
__ Vai dar. - A intonação é lenta porém se fortifica com a intenção interna de concretização - E se não der - Levo a mão ao leito em comprometimento - eu mesma me responsabilizo por tudo. - Criando dívida.
__ Salvadora da pátria- Sarcasmo. Ele desfaz meus laços de presente na caixa do meu carácter, com remetente ao seu bem estar.
__ Aaahh - Estendo a indignação e ela se rompe antes que seja tarde e eu comece a rir, perdendo a pose - destruidor de lares. - Rebato já abaixo do placar.
Não conseguindo levar ele a sério.
__ Você deveria pensar duas vezes antes de me coroar. - Ele bufa e blefa se desviando do foco em mim, para para partida. - Espere até domingo de manhã e veja o que jovens descontrolados podem fazer.
__ Não se preocupe com isso. - A adrenalina e ansiedade
ativam substâncias que envenenam o bom senso, convenhamos - Esperei minha vida todo por isso!. - Digo com a verdade na ponta da língua.
__ Devastação e prejuízo? - Ele rebate só por birra.
Aaaaa eu o amo por certo e o odeio mais ainda.
Divertido e contido.
Quem vê até supõem um ser esclarecido. Mal sabem do aproveitamento que se esbalda perante sua juventude.
Sendo revigorante e insurgente.
Magnético os meus instintos.
__ Diversão e.. esquecimento- Ele se aquieta compreendendo a batida rígida em um assunto no qual um apagão seria milagroso. Mas a nitidez de todos os detalhes é avassaladora.
__ É pelo visto seremos parceiros de crime- Ele tenta amortecer a dor e eu o amo por isso. E também sei que é por pena e entendimento que está disposto a colaborar comigo nessa. Se não, já havia dado um jeito se macular ao meu pai seu "senhor".
O som do motor ao girar a chave nos omite.
Tomo um segundo como um gole de álcool e me embreago coragem.
__ Eu quero te contar uma coisa - solto a bomba e corto o fio.
__ Fala - Ele imediatamente desliga o carro e se volta à mim.
Aaaf, nesses momentos o empenho que ele deposita em prestar atenção por saber que é algo crítico, me afeta ainda mais.
É isso que dar encontrar sua metade da laranja.
SUCO!.
E às vezes com caroço.
__ Mas eu não posso. - Disfarça... eu quero disfarçar, eu quero parar, eu quero fingir e eu preciso me calar.
__ Por que? - O padrão estável dele ao questionar é o pior de tudo.
__ Porque é uma surpresa!. - Constrata demasiadamente a minha euforia fora de órbita.
__ Não é mais. - ele deixa um riso escapar.
__ É sim. - E eu também, pela falta de manipulação - E também um presente. - Admito.
__ fiquei curioso - ele pega em minha mão que se prende a coxa. - Como assim?. - A caça predatória envolta a uma cautela legítima de mais referências por minha extinção de sentido conteúdo.
__ Talvez nós dois teremos que descobrir algo junto, que estivemos querendo explorar desde muito cedo.
Ele aperta minha mão três vezes e eu posso sentir que será um longo caminho até a volta para casa, existe muitas páginas para serem lidas.
❄