GUILHERME
Eu não esperava chegar e encontrar apenas Maitê, confesso que fiquei surpreso mas amei a ideia de estar somente nós dois naquela casa, naquele final de semana. A única coisa que se passava na minha cabeça, era matar aquela saudade gritante em meu peito e meu pai amado, o que foi aquela entrega? E o que aconteceu? Maitê estava diferente, eu podia sentir, não sei, isso me bate um certo receio, porque tinha algo mudando nela.
Depois do nosso amor, tomamos um banho cheio de carícias e cuidado, caímos na cama e acabamos adormecendo, quer dizer, eu demorei um pouco pra pegar no sono, fiquei um bom tempo a admirando, sentindo meu coração soltando fogos de artifícios por ter ela novamente em meus braços, eu fiquei com tanto medo e ainda tenho, não sei o que irá ser de nós.
Acordei sentindo um incômodo, pisquei várias vezes, acostumando com a claridade que estava naquele quarto. Assim que consegui abrir totalmente meus olhos, olhei pra janela, a cortina se encontrava aberta, droga. Desviei o olhar pra Maitê e a mesma dormia feito um anjo, um sorriso involuntário surgiu em meus lábios, ah caramba, ela estava aqui, acordar e ver que isso era real, me trás uma imensa felicidade.
Tirei meu braço com cuidado de baixo da sua cabeça, Maitê se remexeu, se virando para o outro lado. Me levantei e fui até a janela, fechando a cortina, evitando aquela claridade toda entrar no quarto. Voltei pra cama e fiquei ali, a admirando e perdido em meus pensamentos.
Pensar que um dia, saiu da minha boca que eu amava e era louco por Bianca. Ela não passou de um momento da minha vida, um aprendizado, aprendizado esse que hoje me trás grandes problemas e dores de cabeça. Estaria mentindo se disse que nunca senti nada por ela, porque eu senti, no começo eu a achava a garota mais linda de todo o mundo, não existia outra, até tinha mas ninguém chegava ao seus pés, mas quem nunca foi cego ao amor? Até perceber que o único que tinha uma relação era eu, eu vivia sozinho enquanto ela se divertia com outros na cama me dando belos pares de chifres.
Não me orgulho do homem que me tornei depois da traição de Bianca, fui um canalha, devo ter deixado muitos corações partidos pelo caminho ou talvez não, sempre fui sincero que era apenas sexo, sem dar esperanças pra garota alguma mas esse ano algo mudou, eu mudei, cheguei a cogitar que o amor não era pra mim, que eu não tinha cabeça pra ser um bom homem para alguém, porque no final das contas, eu estava sendo tão infiel quanto ela, mesmo que estavam me mantendo preso naquele relacionamento.
Agora, parado aqui olhando pra essa mulher, me vejo em um precipício, que eu sei que se eu perdê-la, o tombo vai ser grande, tão grande que já dói meu peito só de imaginar. O que eu sinto por ela, é algo totalmente novo pra mim, que nem chega perto do que eu sentia por Bianca, o que me vem a questionar: "Eu amava mesmo aquela garota? Era mesmo amor?" Não, talvez tenha gostado dela, por sempre ter crescido juntos, eu era apenas um menino curioso e descobrindo essas coisas relacionado ao sentimento e coração.
Saio dos meus pensamentos com o celular tocando, droga era o meu. Procuro pelo mesmo, assim que acho, era um número desconhecido me ligando então recusei na mesma hora, mas foi questão de segundos, o mesmo número começou me ligar, passei a mão pelo cabelo, olhei pra Maitê que ainda dormia, me levantei e sai do quarto pra poder atender aquela ligação.
– Alô?
– Oi bebê. - revirei os olhos assim que ouvi sua voz e reconheci. – Estou aqui em baixo, pode falar pro senhor Manuel que você libera minha entrada?
– Bianca sua entrada nunca irá ser liberada e pode dar a meia volta, não estou no apartamento.
– O que? Onde você está?
Acabei rindo de nervoso, me afastei da porta do quarto e desci as escadas.
– Isso não interessa.
– Como não? Você sabe que dia é hoje?
– Sei e não vamos pegar o teste hoje, voltarei só na segundo.
– Guilherme como..
Desliguei na cara dela, não devo satisfação nenhuma, ela não tinha nem como me achar, aliás meus pais não sabem exatamente pra onde eu vim, só quem sabe onde estou é Aline e Bruno, sei que eles também não contariam nada pra ela.
Meu celular tocou novamente, desliguei na mesma hora, com a insistência tive que desligar o aparelho pra não ser perturbado. Fui fazer um café da manhã pra nós, bem caprichado, procurei por algo pra levar até o quarto, quando estava terminando de ajeitar, senti o cheiro dela e logo seus braços me abraçando por trás.
– Hum! Bom dia.
Senti um beijo em meio as costas, dei um sorriso.
– Bom dia meu amor. - me virei, segurando seu rosto com minhas mãos, se ela soubesse o quanto fica linda com cara de sono. – Dormiu bem? - depositei um beijo em seus lábios.
– Dormi feito uma pedra.
– Eu também.
Ela sorriu e eu retribui, daria tudo pra ter isso todos os dias.
– O cheiro está ótimo! O que tem de bom?
Ela se inclinou para olhar, se afastamos, olhei a bandeja que havia arrumado e em seguida voltei a encara-la.
– Eu ia levar para você na cama mas.. não deu muito certo.
Seus olhos brilharam, ela me deu um sorriso toro, fazendo uma carinha de culpada.
– Eu senti sua falta na cama, achei que na verdade, ontem não havia passado de um sonho.
– Eu estou bem aqui amor.
Puxei ela pros meus braços, os seus envolveram minha cintura e me apertaram, depositei um beijo no topo da sua cabeça, enquanto ouvia ela suspirar.
– Vamos comer antes que esfrie?
Ela assentiu e logo se afastou. Peguei a bandeja e decidimos comer ali mesmo na cozinha, a cada risada que eu conseguia arrancar dela, fazia meu coração se explodir, é pedir muito querer acordar todos os dias e ter esse sorriso toda manhã para mim? Porra, preciso logo resolver a minha vida, tudo ficou de cabeça pra baixo de uma hora pra outra, tudo por causa daquela garota.
Fiquei impressionado por Maitê ter comido tudo o que preparei, subimos pra vestir roupas descentes e fomos pra parte externa do lado de trás da casa. Se aconchegamos em uma rede, tendo uma bela vista do mar, a brisa batia e me fazia inalar o cheiro dela.
– Gui, eu tenho que te contar uma coisa.
– Pode contar amor.
Ouvi ela deixando escapar um suspiro, a encarei, percebendo o quão longe estava com seus pensamentos, deslizei minha mão pelo seu braço, sentindo sua pele se arrepiar. Maitê ergueu seus olhos e encontrou com os meus, havia tanto receio neles.
– Princesa, pode falar, confia em mim, estamos aqui pra tirar qualquer dúvida, pra conversar, deixar as coisas claras. Eu não quero que você fique com dúvidas em relação a mim e nem que se sinta insegura por causa da Bianca, ela não chega aos seus pés e entenda, meu coração pertence a você! Eu pertenço a você!
Ela deu um sorriso de canto, deu um último suspirou e soltou:
– Ela foi atrás de mim, na lanchonete. - Espremi minhas sobrancelhas digerindo aquela informação. – Disse um monte de coisas, para mim ficar longe de você, fez questão de esfregar na minha cara a aliança de noivado, por isso perguntei ontem se você tinha voltado pra ela mas o pior, foi ela ter ameaçado a minha mãe Gui, dizendo que ela estava sendo vigiada, por isso tentei evitar você essa semana, por medo e eu estou com medo.
Aquelas palavras me deixaram atordoado e possesso de raiva, Bianca não deveria ter ido atrás dela, mas como que ela conhecia a mãe de Maitê?
– Você acha que ela seria capaz de fazer alguma coisa?
Seus olhos brilharam com as lágrimas presente, a voz embargada, porra, eu juro que vou acabar com a raça da Bianca e aquele pai dela por estar fazendo Maitê sofrer dessa maneira, me sinto um completo idiota por ter puxado ela para um problema que era para ser somente meu. Só que aí está a pergunta: Bianca seria capaz de fazer tamanha maldade? O que ela ganha ameaçando a mãe de Maitê? E como ela a conhece se nem eu tive oportunidade de conhecê-la nesses meses juntos? Talvez ela esteja blefando só pra conseguir afastá-la de mim.
Deixei um suspiro frustado escapar, trouxe minha mão pra alisar seu rosto.
– Eu juro para você, que se ela ousar fazer alguma coisa, acabarei com ela. Primeiro, que ela nem deveria ter ido atrás de você, o problema dela é comigo e amor, não faz sentindo na minha cabeça, Bianca saber quem sua mãe é, talvez ela esteja usando isso apenas pra te manter afastada de mim.
A mesma desviou o olhar.
– Dodô disse a mesma coisa.
Respirei fundo e fechei os olhos, ah caramba, Bianca não deveria ter ido atrás dela, Maitê é inocente de mais em tudo.
– Você confia em mim?
Seus olhos voltaram novamente encontrar o meu, segurei seu queixo, alisando com meu dedo polegar.
– Confio..
– Eu não voltei com ela, Bianca só quis entrar na sua cabeça, pra manter o caminho livre.
Suspirei pesado, pensando em o que eu poderia dizer para ela ficar tranquila em relação a sua mãe, mas quem sou eu para dizer que Bianca não iria fazer mal? Se é filha daquele homem, do próprio homem que eu tenho a absoluta certeza que foi o culpado do meu pai ter parado aquele dia no hospital.
– Eu quero fazer uma coisa.
Seus olhos se estreitaram, atentos em mim.
– Tô cansado disso tudo e principalmente, manter o que temos, no sigilo, quero poder gritar pro mundo, que você é minha! Somente minha! Então namora comigo?
~~
MAITÊ
Sabe quando você parece que está em um sonho? Sentindo a presença da pessoa ali, com você, do cheiro dela, do carinho? Pois eu tive essa impressão, senti uma carícia de leve em meu rosto e cabelo, o cheiro másculo dele fazendo meu coração bombear freneticamente, não queria abrir os olhos com medo de ser apenas isso, então curtir aquele momento mas logo foi atrapalhado com um celular tocando.
Ouvi ele desligar e tocar de novo, logo em seguida senti ele saindo da cama e indo atender, ouvindo a porta ser fechada, mas parecia tudo tão distante. Não sei quanto tempo permaneci na espera dele voltar, abri os olhos, passeando pelo local, vendo que estava em um quarto desconhecido, só me fazendo crer, que era real, não era um sonho. Decidi me levantar e ir ao banheiro fazer minha higiene pessoal, voltei para o quarto e sem sinal dele, então decidir ir atrás.
Desci as escadas e senti um cheiro de café e ovos delicioso, fazendo meu estômago roncar, me dando conta que eu não havia comido nada ontem a noite e agora, eu estou comendo por dois. Assim que cheguei na cozinha, o vi de costas, preparando alguma coisa, aproximei e o abracei, só pra ter certeza de que eu não estava delirando e mais uma vez, a prova de que era real estava bem aqui.
Tomamos café entre muito carinho e risada, era incrível como ele conseguia arrancar de mim tão facilmente. Seguida fomos trocar de roupa e deitamos em uma rede na parte externa da casa, podendo sentir a brisa deliciosa do mar, ouvindo as ondas se quebrando, era agora ou nunca. Com receio dele acreditar ou não, com medo do que pode acontecer com minha mãe, contei sobre Bianca, eu vi a expressão do seu rosto mudando e seus olhos ganhando um tom de cor desconhecido para mim, vendo também a confusão entre eles, só não esperava ouvir Gui fazendo esse pedido.
– Tô cansado disso tudo e principalmente, manter o que temos, no sigilo, quero poder gritar pro mundo, que você é minha! Somente minha! Então namora comigo?
Eu fiquei sem palavras, uma voz em mim gritava e dava pulos de animação e felicidade, por ele está escolhendo a mim, mas a outra, me dominava pelo medo, não sei do que aquela garota era capaz de fazer e tem nosso bebê, eu preciso contar a ele.
– Gui...
– Você não precisa me responder agora, pode pensar se quiser. Eu sei que não é um pedido que você merece e nem que eu gostaria te dar, mas não aguento mais isso.
Ele me interrompeu, percebi o receio em sua voz.
– É tudo que eu mais quero!
Um sorriso largo surgiu em seus lábios, sua mão agarrou minha nuca e me puxou pra encaixar nossas bocas, iniciando um beijo apaixonado e terno, queria poder guardar esse momento pra sempre, mas sei que as coisas não vão ser fáceis assim.
Finalizamos o beijo com selinhos, abrindo os olhos e se encontrando no olhar.
– Eu te amo e é com você que eu quero construir uma família, com ninguém mais.
Meu coração se aqueceu de certa forma ao ouvir aquilo, sorri e voltei a beija-lo. Não quero simplesmente contar pra ele que estou grávida, queria fazer alguma coisa, contar de uma forma no qual ele nunca mais irá esquecer e eu também, mal sabe ele que já estamos construindo uma família.
– Hummm. - disse ele parecendo lembrar de algo, parando o beijo com um selinho. – Agora preciso conhecer minha sogra, pode não ser oficial ainda, mas irei fazer ser.
Dei um sorriso breve que sumiu ao lembrar da jararaca.
– Gui.. mas e Bianca?
– Ela não vai fazer nada com sua mãe, como eu disse, provavelmente que ela nem saiba quem sua mãe é e se souber, eu não deixaria nada acontecer. Confia em mim. Segunda-feira tudo vai acabar.
– Como assim?
Ele suspirou e fez careta.
– O teste fica pronto hoje, mas não quis perder a oportunidade de estar bem com você, porque tenho absoluta certeza que aquele teste dará negativo, não tem como ser meu, Bianca está sempre com um e outro na cama, eu sempre me cuidei com ela.
Pisquei algumas vezes surpresa, ele deixou de ver o resultado do teste pra estar aqui? Comigo?
– Espera ai, você deixou de pegar o resultado para estar aqui?
– Deixei. Entenda uma coisa princesa, nada é mais importante que você. E se tiver um por cento daquele teste der positivo, nada vai mudar, você continuará sendo minha prioridade, irei assumir a criança, mas isso não irá mudar o fato de que eu te amo.
Ouvir aquilo me deixou ainda mais balançada, meus olhos se encheram de lágrimas, foi impossível segura-las, estava com meus sentimentos aflorados, mais intensos e sei que tudo isso é por causa da gravidez.
– Eu te amo!
– Eu também te amo meu amor.
Aquele final de semana foi perfeito! Fizemos juras de amor, nos amamos e fizemos planos, até parecia que vivíamos o nosso mundo, somente nosso, sem nada e ninguém pra atrapalhar, mas sabemos que fora daqui, o mundo vai desmoronar, pelo menos, o resultado do teste já saiu e vai depender dele, do que iremos ter que enfrentar.