NOTAS INICIAIS:
Feliz dia dos pais amores, que vocês tenham um dia bacana com o pai de vocês (ou pelo menos um dia legalzinho)!!!!
E o capítulo hoje tem encontro deles, o papai do ano e uma das responsáveis pelo motor Ferrari 😍
Vai sair mais depois uma one do Sebs especial dia dos pais tbm heim ❤️
ISA
Maranello.
— Mentira! — Pepi abre a boca chocado e eu balanço a cabeça em confirmação, sugando meu milkshake com minha expressão frustada. — Que babado!
— E você simplesmente fugiu — Tatá riu, seu cabelo ruivo sendo jogado para trás naquele gesto sedutor que faz quando uma mulher passa por nós.
— O que queria que eu fizesse? Ele me assustou!
— E? O que ele poderia fazer? O DNA deu negativo, ele não é o pai — meu amigo deu de ombros.
Suspirei.
— Ele continua bonito, não é? — Pepi apoiou o queixo em sua mão, suspirando.
— O mesmo de sempre, eu acho — tentei fugir do assunto. O pensamento dele me assombra sempre que me recordo. Aqueles malditos cabelos castanhos que imploram para serem bagunçados...
— Adoro ver ele no grid — Pepi comentou, apaixonado.
— Uau — meu outro amigo suspirou e ergueu o celular para o loiro ao seu lado, que arregalou os olhos encantado. — Sua vadia, ele é lindo.
— E daí? Não muda o fato de ser um...
— Essa é a irmã dele? Que gostosa — Pepi assobiou.
— Quantos irmãos ele tem mesmo?
— Três, eu acho — respondi, tentando não olhar para o celular em suas mãos.
Em todos esses anos, eu evitei tudo o que eu podia evitar dele. Não seria agora que eu iria buscar por ele. Nuncs houve motivos.
— Minha nossa, são todos bonitos. Não é atoa que Jolie é a criança mais linda que eu já vi — Tatá piscou e eu o olhei nada contente. — Quer dizer, se ela fosse mesmo filha dele.
— O que ela não é.
— Isso, não é — o loiro concordou, voltando seu olhar a tela novamente. — A irmã dele está solteira?
— Acho difícil, visto que ela está super grávida nessa foto de natal — Pepi praticamente tomou o celular de Tatá e choramingou.
— Que tristeza para o meu coração.
— Clica no perfil dela, deixa eu ver isso direito — o dono do celular o puxou de volta e logo os dois estavam arfando surpresos. — Caralho, esse do lado dela não é o piloto inglês famoso?
— Meu pai é fã desse cara, Hamilton sei lá o quê.
Até onde eu sabia, esse Hamilton era o super piloto da categoria, o Cristiano Ronaldo do esporte. Algo assim. E claro, bonito e charmoso como um verdadeiro playboy que ele deve ser. Se ele for tão estiloso quanto estava no último Met Gala que assisti, definitivamente ele e Charles não eram amigos, duvido que esse inglês não teria dado uns toques no monegasco.
Quer dizer, não que eu soubesse o que Leclerc usa diariamente.
— O bebê dela é menina? E esse ainda é o pai?! Que bebê bonita ela vai ser — reviro os olhos, mas não deixo de imaginar que sim, seria bonita de qualquer forma. Ambos os pais são bonitos e gostosos.
— Pegava os dois, falo mesmo — Pepi resmungou. — Que mundo injusto.
— Bissexuais só sofrem — Tatá afagou o loiro, como se ele fosse um cachorrinho sem dono.
— Falando assim, até parece que seu namorado é um lixo, Pepi — debochei, comendo a última batata em seu prato.
— Comparado a esse gostoso e essa gostosa aqui?! — ele ergueu a foto do piloto e da irmã de Charles, que é tão bonita quanto eu me lembrava ser, ambos sorriam para a foto num cenário riquíssimo que era o provável iate onde estavam. Os dois realmente faziam um casal incrível. Que inveja. — Sim, ele é.
— Mas você ama ele, seu idiota.
— Amo mesmo, fazer o quê?! O coração escolhe e eu só obedeço — deu de ombros. — Mas eu continuo não sendo cego.
— Mudando de assunto... — graças a Deus! — Quem vocês acham que vão ser os convidados no show da Dua Lipa?
— Não sei, só sei que estou ansiosa para ver aquela mulher rebolar — sorrio animada. — Além de que Jolie vai adorar saber que irá vê-la, ela adora as músicas dela.
— Fora que ela vai ver o avô, sua filha é louca nele — eu concordo.
Meu pai mora em Milão, numa casa bem localizada num condado familiar antigo e tranquilo, sempre que posso levo Jolie para lá. Eles são bem grudados e ela adora dormir no quarto do vovô, apesar do ronco de papai. Ela faz tão bem para ele quanto ele faz para ela.
— E ele já está super empolgado em nos ver de novo, apesar de ser só daqui uns meses.
— Mesmo assim, também estou maluco para esse show e é só em maio — Pepi suspirou.
O alarme em me celular toca e eu logo suspiro em desagrado. Fim do nosso horário de almoço.
— E começou a hora do cão — Tatá resmungou. Levantamos com nossas bandejas e as largamos no lugar próprio para isso, voltando para o laboratório junto dos demais funcionários da fábrica. Longas horas até o fim do expediente nos esperavam.
— Quais os planos de vocês para o sábado? — o loiro indagou curioso.
— Tenho que levar Jolie na festa de aniversário da Antonella.
— E eu tenho um encontro com uma loira — Pepi revirou os olhos.
— Vocês são muito chatos, cadê o "o que você quer fazer, Pepi?" Ou o "quer sair comigo?" — eu e Tatá rimos de seu drama.
— Liga pro seu namorado, seu carente.
— Ele está fora da cidade e vocês sabem!
Sua indignação me faz prender a risada. Ele nunca toma jeito.
— De qualquer forma, é só chamar a Briar que ela sai com você — sugeri.
— Sua ex sem sal só sai com a gente porque é doida pra voltar com você — rebate.
— Minha ex sem sal é sua irmã.
— E daí? Continua sem sal — eu gargalho.
— Ela ainda está na cidade? Achei que tinha voltado para Monza — o ruivo franziu o cenho. Nós tomamos nossos lugares na mesa de exames e eu volto a ligar meu computador para continuar a testagem virtual das potências do motor a longa duração.
— Vai passar duas semanas em casa ainda, ganhou mais alguns dias de folga — Pepi revirou os olhos, descontente.
— Coitada da Isa, não vai ter paz até ela ir embora — o meu amigo lamentou.
— Um dia ela supera — dei de ombros.
— Isa não tem paz.
— Não mesmo — concordei por fim.
Briar e eu terminamos há 3 meses, nosso relacionamento esfriou depois de quase 2 anos juntas, principalmente depois que fiquei em Maranello e ela se mudou para Monza trabalhar no hospital particular em que o tio dela é diretor geral. Eu não havia ficado com ninguém ainda, estava aproveitando esse tempo sozinha para focar no meu trabalho e na minha filha. Ela ainda acha que temos chances de voltar, mas a verdade é que meu comodismo no nosso relacionamento foi o que me fez realmente desistir, não havia mais amor nem paixão, apenas a segurança de ter alguém.
E eu não queria isso. O amor é mais que um sentimento, é uma entrega, uma coisa pela qual você se doa e deve receber em troca na mesma intensidade. Não havia mais isso entre nós, ela dava muito mais do que eu poderia retribuir e não seria certo de minha parte continuar com isso.
Eu a deixei para que ela pudesse perceber que existe alguém bom para ela e que essa pessoa não é mais eu.
— Oh, o chefão está aqui — Pepi murmurou ao meu lado e meus olhos se erguem para a entrada da sala, onde Mattia Binotto conversava com nosso supervisor geral.
— O que será que o trouxe para nós meros mortais? — brinquei, ouvindo a risadinha discreta do loiro.
— Ouvi dizer que os pilotos da empresa estão todos aqui, reunião de boas vindas ou sei lá o que — Pepi deu de ombros.
— Todos?
— Todos — seu sorriso suspirando me fez rir. — Será que Carlos Sainz estará aqui?
— Ele não vai aceitar seu ménage.
Seu bico me fez querer rir mais ainda.
— Só porque você não aceita dar seu mel pra ele primeiro e aí fazermos uma suruba.
— Fala baixo, pelo amor de Deus.
— Tenho certeza que você deixava o espanhol de quatro — cochichou. — Igual você fica quando vê o Antoine Griezmann.
A gargalhada explodiu em minha garganta sem que eu pudesse controlar.
— Oh, senhorita Milani — nosso supervisor sorriu e acenou em nossa direção, fazendo-me engasgar. — Venha cá, por favor.
— Vixe — Pipe sussurrou.
Eu levantei sem graça e completamente vermelha, seguindo a passos lentos até onde os dois estavam. Mattia sorria simpático, como sempre quando passava pela criadagem. Às vezes não, mas dependia do clima na F1. Meu chefe logo disse:
— Essa é a nossa engenheira mecânica Isa Milani, ela foi uma das construtoras envolvidas no projeto do nosso novo motor.
— Um prazer conhecê-la, senhorita Milani — eu acenei de volta, coçando a garganta levemente antes de responder:
— Igualmente, senhor Binotto.
— Isa é nossa engenheira há dois anos, um talento que aperfeiçoamos. Você pode mostrar a ele o nosso motor e as performances nos testes virtuais? — meu corpo tensionou.
— C-claro.
— Ótimo, vamos apenas aguardar os nossos outros convidados — eu olhei meu supervisor imediatamente.
— Essas estrelas de Fórmula Um, não é? — os dois riram. E eu sorri de nervoso.
Não era possível que o destino estivesse me odiando a esse ponto.
Depois de 2 anos aqui, esse cretino me encontraria justo agora?! Bem, que ele tenha tido dor de barriga e apenas o espanhol venha. Não quero encontrá-lo, não quero ter que olhar, falar ou respirar o mesmo ar que ele. A culpa do que aconteceu foi dele, ele fez o que fez e hoje minha filha não tem pai nenhum.
Só a mim...
— E aí vem eles — Enrico Cardille sorriu em direção as portas de entrada e os dois pilotos da equipe principal entravam com seus portes de gente rica. Até onde eu sabia, praticamente todos os pilotos eram ricos antes de entrar no esporte, ou seja, ricos ficando ainda mais ricos. Não é atoa que o cheiro dele é tão bom, único e... Forte.
Seus olhos azuis tão quentes que queimavam minha pele conforme ele me analisava dos pés a cabeça. Não percebi que segurava meu fôlego até que tive que aspirar fortemente.
— Carlos, Charles, essa é Isabella Milani, a guia de vocês pelo nosso laboratório hoje — eu sequer podia recusar agora, mas juro que uma hora Enrico me paga. Eu sorri amarelo para os dois, não sabendo sequer para onde olhar. A feição do falso francês me perseguia e eu estava odiando a maneira que meu corpo arrepiava com isso.
— É um prazer, senhorita — o sotaque forte do espanhol me pegou de jeito, ele é ainda mais bonito de perto e então me lembro do porque Pepi é tão apaixonado nele.
— Igualmente, senhor Sainz — cruzei as mãos nas costas para não ter que tocar nenhum deles, apesar de minha expressão ser totalmente cordial. E então eu o olhei e acenei com a cabeça. — Senhor Leclerc.
— Senhorita Milani — ele devolveu o gesto, meu nome saindo amargo de sua boca. Charles parecia confuso e curioso.
Bem, que ele prove um pouco desse sentimento ruim que é estar perdido.
— Por favor, senhores, me acompanhem — eu digo formalmente, ativando meu modo profissional, mesmo que meu coração esteja acelerado com ele tão perto, é meu cérebro quem conduz meu corpo agora. — Como vocês podem ver, esse é nosso principal laboratório de testes, onde verificamos virtualmente cada desempenho, falha, atributos e habilidades que o nosso motor pode proporcionar ao novo carro de vocês. E esse aqui — eu aponto quando chegamos ao centro da sala, onde a peça mais importante do nosso setor estava — é o 066/7, com capacidade para atingir seus maiores sonhos. Com ele, nossas estimativas é de que um dos aspectos mais inovadores do nosso projeto tenha a ver em como ele se adapta ao efeito solo que as novas regras pedem. Principalmente, quando falamos da unidade de potência que estamos usando agora.
— Isso é bom — o espanhol assobiou.
— Como vocês poderão experimentar no simulador, uma das características do motor é a velocidade que ele pode proporcionar junto ao modelo do carro — me virei para os dois pilotos e sorri. — Além de, é claro, serem constantes, velozes até mesmo em pós curvas.
— Vocês parecem ter feito um trabalho incrível, obrigado por isso — Carlos agradeceu e eu acenei, era meu trabalho, afinal. O espanhol cutucou o outro, que parecia inerte em seus pensamentos, e o monegasco logo piscou e pigarreou, dizendo:
— Realmente, vocês podem ter feito nosso carro campeão esse ano, obrigado — eu logo desviei o olhar e repreendi minha mente por gostar da forma como seu sotaque italiano é fofo.
— Qualquer coisa que vocês acharem ruim ou incômodo nas pilotagens em Barcelona, vocês podem ter certeza que iremos fazer de tudo aqui para ajeitar — digo olhando para o chefão, que sorriu feliz. — Se depender de cada um de nós, vocês terão o melhor carro dessa nova geração.
— Que bom ouvir isso, senhorita Milani — Mattia disse, simpático. — Nós agradecemos de verdade os esforços de cada um aqui — ele proferiu mais alto, para que todos pudessem ouvir e saudarem de volta. Enrico me olhou com o olhar de despacho e eu logo me apressei em me despedir.
— Se precisarem, eu estarei ali na minha mesa, fiquem a vontade — falei apontando para onde Pepi fingia trabalhar, mas poderia apostar que ele está jogando paciência. Eles concordam gentilmente e eu logo me ponho para longe dali... Sentindo minhas costas queimarem com o olhar quente dele em mim.
Pepi me recebeu com um sorriso safado.
— E aí, ele é cheiroso?
— Ele quem? — murmuro, tentando me concentrar nos dados na minha tela. Meu amigo bufou.
— O Carlos, caralho.
— Que grosso. E sim, ele cheira bem — menti, sequer tinha notado ele direito, meus sentidos pareciam mais concentrados em inspecionar o monegasco do que o espanhol.
— Eu sabia — ele suspirou apaixonado. — Você também viu como ele é bonito?
— Sim, Pepi, ele é sim — murmurei, apoiando meu queixo na mão e observando o andar dele ao lado dos outros, seu jeito levemente despojado e fino. O porte de alguém que veio de uma família com dinheiro o suficiente para morar em Mônaco tem.
Pare com isso, Isabella.
— Parem de falar de homem e voltem ao trabalho, putas — Tatá resmungou, chamando a nossa atenção, e eu e Pepi logo suspiramos, saindo de nossos mundo e voltando para a nossa realidade.
A realidade em que Charles Leclerc é um cretino e eu não deveria gostar do seu perfume.
Ou pensar em seu maldito sorriso.
•••
— Eu estou morto — dramatizou o loiro, fechando seu armário num baque e um carinha chorona. — Só quero minha cama e uma barra de chocolate.
— TPM?! — Tatá brincou, me abraçando pelos ombros. Pepi mostrou a língua.
— Bom, preciso ir pra casa, Jolie já está me esperando para assistirmos nossa novela — os dois riem.
— Você viciando sua filha desde pequena com essas novelas...
— E o que tem? É uma delícia! — defendo-me.
— Bem, são mesmo, mas... — Pepi para de falar e seu olhar surpreso atrás de nós me faz engolir em seco.
Sabia que era ele. Como se sua presença despertasse algo em mim.
— Com licença, preciso falar com Mad... Isabella — seu pigarreio foi o suficiente, fazendo Pepi arregalar ainda mais os olhos e Tatá tensionar ao meu lado. Eles me olharam e eu apenas acenei, vendo-os concordarem receosos. Eu esperei que eles se afastassem para poder me virar para ele, os olhos azuis de Charles não pareciam mais tão amigáveis. — Vamos para um lugar privado, por favor?
— Não tenho nada para falar com você que precise de um lugar privado.
— Mas eu tenho, e você sabe bem disso — meu lado inseguro gritava para que eu simplesmente desse a volta e fosse embora. Mas eu nunca fui uma mulher de fugir dos meus problemas.
Muito menos de um homem.
— Tudo bem — disse por fim, deixando-o me guiar pelos corredores até uma sala no andar de cima. Nós não conversamos, não nos tocamos e sequer nos olhamos direito pelo caminho. E foi melhor assim. Até que chegamos no andar dos grandalhões.
E simplesmente na sala de Mattia Binotto.
— Você pode, por favor, ser rápido, eu tenho coisas a fazer — como cuidar da minha criança. Cruzei os braços numa pose defensiva e observei ele suspirar e colocar as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Por que você mentiu seu nome? — perguntou sem mais delongas, fazendo-me estranhar levemente essa ser sua primeira pergunta. Se bem que, ele deveria ter tantas.
— Eu não menti.
— Isabella? Não foi assim que você se apresentou, Maddie — o nome saiu amargo e cru, as memórias que ele me trouxe a tona fazendo-me apoiar na mesa atrás de mim. Aquela dorzinha que eu tentava não sentir voltando a cutucar meu coração. Charles riu sem humor.
— Qual a graça? — perguntei defensiva.
— Você não parece a mesma, algo em você... — seu riso foi seco. — É como se eu estivesse vendo uma completa farsa e não apenas seu nome.
— Meu nome sempre foi Isabella — não era uma mentira. — E não fale como se um dia tivesse me conhecido.
— O que você... — seu cenho franziu em confusão.
— Meu nome é Isabella Milani e sempre foi. Talvez você esteja me confundindo com outra pessoa — disse firme, sustentando meu olhar mais duro. Ele balançou a cabeça.
— Ela é minha, não é? Eu a vi, Isabella — meu nome saindo de sua boca conseguiu me atingir mais do que ele chamando minha filha de sua. Mas eu consegui disfarçar isso, ele não me veria sentir nada. Charles avançou um passo. — Eu só quero a verdade.
— Qual verdade? A que o maldito teste de DNA deu negativo? A que você abandonou minha filha? A que você nos fez sofrer? Tem tantas verdades, Leclerc... — estalei a língua no céu da boca. — Por qual delas você quer começar?
— Maddie...
— Esse não é meu maldito nome e não me chame mais assim — rosnei, descruzando os braços para agarrar nas bordas mesas.
— Eu só quero vê-la, reparar o erro...
— Três anos depois? Está um pouco atrasado. Ela não sente sua falta e sabe por quê? — as palavras cruéis saiam de minha boca sem controle, eu estava despejando todo meu rancor nele e não me importava. — Porque ela nunca precisou de você, e ela nunca vai precisar. Principalmente, porque você não é o pai dela, como aquele maldito teste disse — ele engoliu em seco. — Apenas desista, continue sua vida sem querer tamanha responsabilidade, Leclerc, como você a viveu durante todos esses anos.
— Eu sei o que eu vi, caramba, e você sabe disso também! — rebateu, sua aparência agora era completamente defensiva, Charles parecia ainda maior assim. — E como você queria que eu advinhasse que ela realmente era minha depois daquilo? Como queria que eu reagisse quando você simplesmente fugiu, no meio da madrugada, sem deixar um sinal de vida?! — meu cenho franziu — Como caralhos você queria que eu tivesse feito? E por que você não me procurou quando ela nasceu?!
— Como assim "fugiu"?
— Pelo amor de Deus, Isabella! — ele passou a mão nos cabelos, andando de um lado para o outro. — Olha, eu só quero fazer outro teste, ok? Dessa vez, farei questão que o sangue dela seja testado até com os de meus irmãos, para que não aja nenhum erro e...
— Por que você a quer? — meu lado egoísta e possessivo gritou mais alto. Ela é minha, eu a quis quando ele não, eu a criei, a alimentei e vesti. Eu a amei desde o momento em que soube dela. — Por que você simplesmente não faz como a maioria dos homens faria e finja que o que viu era apenas uma miragem, seguindo com sua vida?
— Você realmente acha que eu seja esse tipo de canalha? — cuspiu as palavras com raiva, sua voz grave e o sotaque forte quase tornando impossível de entender o que ele diz. — Se ela for minha, Isabella, saiba que a última coisa que farei será deixá-la.
— Bem, olha só, ela não é — sorri sem humor. — Posso ir agora?
— Seja uma maldita adulta e pare com isso.
— Parar com o quê? Com essa conversa sem sentido?
— Onde está a garota sensata que eu pensei ter conhecido anos atrás? Essa que eu vejo aqui...
— Você ainda não percebeu, não é? — ele abriu a boca para rebater, mas seu celular tocou e Don't Cha do Pussycat Dolls ecoou. Charles não hesitou em atender e eu vi sua feição mudar de confusa para espantada e então nervosa e, ao mesmo tempo, eufórica.
— Já estou indo, mate, vou pegar um jatinho agora mesmo, obrigado por avisar! — ele desligou o telefone após alguns segundos e o sorriso bobo no rosto dele sumiu quando seus olhos encontraram os meus. — Minha irmã vai ter uma bebê, em Londres, eu tenho que ir, mas quero que saiba que eu vou voltar, Isabella.
— Parabéns, mas saiba que não precisa voltar — dei de ombros.
— Mas eu vou, você querendo ou não, precisando ou não. Entendeu? — engoli em seco e acenei, não queria mais brigar. Ele respirou fundo. — Não tente sumir, pois eu vou achar vocês.
— Eu jamais fugiria da minha casa, do meu conforto, por conta da promessa de um homem — revidei.
— Não sei quais são suas razões para odiar homens, mas...
— Eu tenho várias, a começar por você ser um — apontei em sua direção —, mas eu não odeio homens, odeio homens como você.
— Homens como eu?!
— Sim, que destroem vidas e acham que está tudo bem voltar depois — acuso, recebendo um olhar do qual me fez querer morder a boca para não ataca-lo com mais força.
— Conversamos melhor depois, não quero perder o nascimento da minha afilhada, não depois de saber que perdi o da minha filha — o jeito como as palavras saíram dele me fez vacilar novamente, mas eu me recompus antes que ele notasse.
— Minha filha não é sua filha, Leclerc.
— Você pode continuar dizendo isso quantas vezes quiser, mas nós dois sabemos bem que essas palavras podem ser completas mentiras — ele se virou para sair e eu soltei levemente o ar que eu prendia. Desesperada que ele fosse de uma vez, para que eu pudesse finalmente respirar novamente. Mas Charles parou antes de abrir a porta. — Isabella?
— O quê? — perguntei baixo, mas alto o suficiente para que o monegasco ouvisse.
— Você está linda.
E então ele foi embora, levando consigo seu perfume, deixando-me estática com suas palavras.
Pois o jeito que Charles me atingiu foi forte o suficiente para que eu me arrependesse de ter entrado nessa sala e quebrado a promessa que fiz à mim mesma, à minha filha.
Não posso deixá-lo entrar nas nossas vidas.
Não seria justo.
Eu tenho tanta merda para dizer. Mas eu não posso deixar de sentir, como se eu estivesse camuflada — Camouflage, Selena Gomez.
NOTAS FINAIS:
Aiai essa Hailee, sempre causando!
E aí, fml, deu pra pegar as pecinhas? Ou tão demorando igual Charlinhos? 👀
Os capítulos tendem a ser grandes ou pequenos mesmo, é meio difícil decidir ainda kkkk enfim, bjs e até o próximo domingo!
E sim, o próximo teremos neném Hailee pq a diva merece reconhecimento em todos os lugares 💜