Essa ligação deixou meu Miguel muito nervoso. Eu não o julgo, afinal ouvir um homem mencionar o nome de Manu, principalmente da forma que foi certamente o irritaria bastante. E a forma que ele disse que faria a tal pessoa se arrepender me deixou nervosa. Eu nunca o vi falar daquela forma.
- Amor, você precisa se acalmar. Pode ter sido apenas um trote. - Tento aliviar a tensão, mas é visível que não terei muito sucesso.
- Independente disso, Vittoria. Não tem porquê fazer um trote com o nome de minha irmã. Manuela não faz nada a não ser conosco. Não anda sozinha, não sai sem nossa companhia, então por que algum filho da puta ligaria para o meu celular perguntando por minha irmã? - Diz irritado e tem razão. - Eu vou até a casa de Aline e falarei com ela.
- Você não irá mesmo! - Afirmo e o homem me fita seriamente.
- Vittoria...
- Não, Miguel! - Insisto. - Nem pense que aceitaria que vá a casa daquela mulher.
- Você está falando isso por estar com ciúme e essa não é a melhor hora.
- E você queria o quê? Que eu sentasse aqui e esperasse você ir até a casa da mulher que usou você e que ainda quer usar, simplesmente para perguntar se o amigo dela ligou pra você perguntando da sua irmã?- Indago.
- Você não ouviu a forma que ele falou ao telefone. Não foi aleatório, a pessoa conhecia minha menina e você não vai me impedir de ir até lá. E se for confirmado qualquer interesse da parte dele, vou matá-lo e a ela também! - Declara, colocando o celular sobre a mesa extremamente nervoso.
- Aí você vai voltar pra cadeia e tudo que conseguiu reconstruir até agora vai por água abaixo. Já pensou nisso? - Indago e então ele me olha totalmente irritado com minhas palavras. Miguel põe a mão na cintura, respirando profundamente tentando manter a calma. - Amor, eu só estou tentando dizer que se você quer pegar alguém, precisa de uma estratégia pra isso. Nunca aja por impulso. - Aproximo-me dele, deixando um beijo em seus lábios.
- Eu não consigo me controlar quando se trata dela, Vih. Manuela é tudo pra mim. - Fala emocionado e é gratificante esse amor que ele sente por ela. - Desculpe-me por gritar com você. - Ele leva uma das mãos ao meu rosto, fazendo um carinho em minha bochecha. - Preciso ver a minha irmã.
- Sua irmã está bem, protegida com meus pais, amor. Está segura. E você não pode aparecer nervoso assim na frente dela, sabe disso. - Falo e ele deita a cabeça na curva do meu pescoço, respirando fundo.
- Ela é tudo pra mim, Vih. Eu não engoli aquela história que me contou de quando vocês foram ao parque. Menos ainda a que a terapeuta dela falou das últimas consultas que fez com Manu ainda quando morávamos com Aline. - Diz. - E se ele tocou em minha irmã? E se a machucou e só agora me dei conta? Porra! - Exclama nervoso.
- Calma, meu amor! Isso não aconteceu, certamente Manu teria te contado. - Acaricio sua cabeça tentando ajudá-lo a amenizar o estresse.
- Eu não acho! Algumas coisas ela não me conta por vergonha ou medo de que eu fique nervoso. Coisa que ela só me viu acontecer uma vez. Minha princesa passou dias sem falar comigo direito por estar assustada, apenas acenava em resposta e não queria sair do quarto. - Fala com um olhar perdido.
- Mas então você teria percebido.
- Nas últimas semanas, antes de vir pra cá, ela estava exatamente assim. Não queria sair do quarto, não estava falando muito e ficou enfurnada em casa sem querer sair. Até que eu briguei com Aline e minha irmã começou a pedir para irmos embora. - Miguel se afasta um pouco e vai até a janela. - Na época eu achei que era só mais uma fase dela, mas com o que você me falou, da forma que ela ficou ao ver o cara e a Aline no parque, além das coisas que a terapeuta contou, isso me veio a cabeça agora.
Diz com os punhos cerrados e me assusto. Meu namorado está muito nervoso, e com razão, mas isso não é comum pra ele que sempre é tranquilo. Mas, será que aquele homem tocou em nossa princesa? Será que haveria alguém tão maldoso assim ao ponto de fazer tal coisa?
Droga! Pior que ele tem razão, se Manu receia o irmão tenso, tentaria evitar seu estresse e isso culminaria em não contar nada pra ele. Poxa! Espero mesmo que nada tenha lhe acontecido. Saio dos meus devaneios ao ouvir batidas na porta. Olho para Miguel e então sigo para a porta. Ao abrir, me deparo com a figura de Heitor nela.
- Bom dia, irmão!
- Bom dia, Vih! Cheguei e fui ao seu apartamento e não a vi lá, pensei que estivesse aqui. - Diz, deixando um beijo em minha testa. - Está tudo bem? Vocês parecem um pouco estranhos. - Meu irmão declara por não consegui disfarçar o vinco em minha testa.
- Não muito! Entre. - Meu irmão passa pela porta e Miguel vem cumprimentá-lo.
- O que aconteceu? - Meu irmão pergunta.
- É que Miguel recebeu um telefonema de um número desconhecido onde um homem perguntava pela Manu. - Explico e a testa de meu irmão forma um vinco de preocupação.
- E por que isso não me parece boa coisa? - Ele indaga.
- Porque a minha irmã não tem amigos homens, Heitor. Os únicos homens com quem ela tem contato são os da família Fontinelly e comigo.
Meu irmão olha entre mim e Miguel parecendo entender o que aconteceu. Decidimos contar tudo que vem acontecendo pra ele que ficou com uma fisionomia ilegível. Mas, eu conheço meu irmão, essa história o incomodou tanto quanto incomodou ao meu namorado.
- Você tem alguma ideia de quem seja, Miguel? - Ele indaga.
- Tenho sim! Mas, sua irmã foi quem viu a pessoa.
- Então vamos atrás dele. - Meu irmão fala.
- Como é? - Pergunto. - Você está louco? Nem sabe...
- Podemos fazer uma coisa. Eu vou com Vittoria até o local e você fica por perto, caso o filho da puta esteja lá e decida fugir ao nos ver chegando você o pega e isso será como uma confissão de culpa.
- Ótima ideia! Vou chamar o Valentim para ir conosco. - Meu irmão concorda.
- Dá pra parar você dois? - Vocifero chamando a atenção dos homens cujo olhar é assustador a minha frente. - Vocês não podem ir assim. Miguel, você é bem mais sensato que Heitor, deveria pensar...
- Eu já pensei! Vou aproveitar que minha irmã está segura com seus pais e irei fazer o que tem de fazer. Agora temos um plano. Não era o que queria? - Diz olhando para meu irmão que toma o celular em mãos e o leva a orelha. Miguel segue para o quarto e volta com sua Glock em mãos.
- Pra que a arma? - Indago.
- Para proteção! Não sabemos quem é ele e menos ainda se trabalha sozinho. - Diz.
- Vamos, vou ligar para Valentim. Diz onde é que pedirei para que ele nos encontre lá. -Meu irmão diz puxando a própria arma da cintura e verificando também. Eu realmente estou no meio de dois malucos.
Sem ter nenhuma alternativa, sigo os dois irritados a minha frente com uma vontade enorme de falar com meu pai, porém do jeito que o Don Fontinelly é com a Manu, acho que isso só pioraria a história.
Melhor esperar para ver o que o meu gêmeo e meu namorado farão juntos.
Como combinado, chegamos apenas eu e Miguel a casa da tal da Aline. Meu namorado tentava a todo tempo controlar seu nervosismo, mas era visível sua inquietação. Quando a porta foi aberta e a imagem da loira apareceu nela, um sorriso de puta logo surgiu em seu rosto, me aborrecendo rapidamente.
Eram muitos dentes amostra para meu gosto.
- Miguel? Que surpresa agradável! - Cumprimenta vindo abraçá-lo, mas eu logo a impeço.
- Acredito que um "oi" já seja suficiente. - Digo e ela se vira pra mim com cara de poucos amigos.
- Por que trouxe a sua patroa, Miguel? Não tem mais dia de folga não? - Insinua.
- Não quero assunto, Aline. Vim apenas fazer algumas perguntas.
Meu namorado sai entrando sem esperar por sua permissão e eu o sigo. Percebemos várias garrafas de bebidas alcoólicas sobre a mesa e dois copos ainda com líquido dentro. Provavelmente há mais alguém na casa ou estava com ela até pouco tempo antes de chegarmos.
- O que quer tanto saber que te faz sair entrando em pleno domingo na minha casa? - A mulher pergunta parecendo incomodada com nossa pequena visita.
- Vou te fazer a pergunta apenas uma vez. Espero mesmo que seja sincera. O que aconteceu entre a Manu e um dos seus amigos enquanto eu estava trabalhando? - Meu namorado é direto. E pela expressão da mulher, aí tem coisa.
- Do que você está falando? - Devolve uma pergunta como resposta. Sonsa.
- Naquele dia que, por muita falta de sorte, nos encontramos no parque, havia um homem com você. O nome dele era Logan, ou algo parecido com isso, você se relacionou a ele como tio Logan. - Declaro e ela mantém a postura de sonsa.
- E daí? Algumas vezes meus amigos vinham aqui em casa. Vai dizer que por causa da sua irmã eu não poderia receber visitas em minha própria residência? - Pergunta totalmente indiferente ao que estamos falando.
- A Manu demonstrou ter muito medo dele. Ele tentou tocá-la, mas a menina recuou. Ela mal o olhou e de tremia enquanto estavam perto. Tem alguma coisa errada aí e você nos dirá para seu próprio bem! - Enfatizo.
- Está me ameaçando?
- Responde logo a porra da pergunta que eu fiz, Aline. - Miguel vocifera já muito irritado. - O que aconteceu que deixou a Manuela com medo dele?
- Porra, a garota é doente! Ela tem problema com todo mundo, por que só com o Logan seria essa caos todo?
Ela chama a nossa menina de doente e me irrito. Sem paciência alguma, dou um tapa na cara dela que cai sentada no sofá. Ia para cima dela outra vez, mas Miguel me segura pela cintura e me impede.
- Doente é você sua filha da puta! Nunca mais se relacione a Manu dessa forma, está ouvindo? - Esbravejo.
- Saiam da minha casa! - Grita nos expulsando. - Vou dar parte de você, Miguel. Vai voltar para cadeia de onde não deveria ter saído.
- Só tente fazer isso, Aline. Sei muito bem de seus trabalhos escusos. Lembro-me perfeitamente de suas vendas pelo bairro. Você está tão na merda quanto eu. E se falar da minha irmã dessa forma mais uma vez, não será apenas um tapa que receberá. - Miguel fala seriamente.
- Saia da minha casa! - Ela grita novamente.
- Dê um aviso para seu amigo, que se ele continuar fazendo ligações para meu celular, perguntando por Manuela, eu realmente vou parar cadeia não antes de arrumar um lugar pra ele no cemitério. Se é que darei a chance de um enterro. - Meu namorado sai enquanto ela o olha furiosa.
- E se você estiver por trás dessa maldade, o caminho pra você será o mesmo que o do seu amigo só que a diferença é que você sofrerá bastante. Não ligue, fale, encoste ou pense na Manu. Nunca mais! - Digo e me viro para sair.
Desço as escadas ao lado de Miguel sem trocar nenhuma palavra um com o outro. Vejo seu rosto vermelho, uma de suas veias saltando no pescoço e seu semblante extremamente sério. Literalmente mexer com a Manu o descontrola. Mas, é aceitável.
Atravessamos a rua e não encontramos meu irmão e me meu primo Valentim por lá. Entramos no carro, mas logo uma mensagem dele chegou ao meu telefone dizendo que estavam numa praça próxima e pediu para que fôssemos até lá.
Comentei com Miguel sobre e ele seguiu em direção a praça. No meio do caminho ele quase não falou, creio que seja a preocupação com a irmã, por esse motivo, liguei para minha mãe e ela atendeu prontamente.
LIGAÇÃO ON
- Filha, está tudo bem? - Pergunta preocupada.
- Sim, mãe. Estou com o Miguel no carro. A Manu está por perto?
- Está na sala de cinema, vou ir até lá. - Minha mãe faz e logo a voz despreocupada de Manu soa no aparelho. - Oi Vittoria! Sua sala de cinema é linda. - Fala feliz e eu e Miguel sorrimos, já que coloquei no viva-voz.
- Oi, meu amor! Essa sala meu pai fez quando eu era uma menininha ainda. Às vezes, eu vou aí. - Explico.
- Eu e meu irmão podemos vir também? - Pergunta.
- Claro! Ele está te ouvindo aqui. - Digo.
- Irmão! Estou com saudades de você. Mas não muita, só um pouco! - Diz e Miguel gargalha parecendo mais tranquilo.
- Eu estou com muita saudade de você, meu amor! - Confessa ternamente. - Mas, fico feliz que você esteja feliz aí.
- Eu estou sim, irmão. Tia Emilly e o tio Vittor são meu amores também. - Diz.
- Aí eu vou ficar com ciúme, minha princesa. - Miguel diz brincalhão.
- Eu também tenho ciúme de você com a Vittoria, irmão. Mas eu aguento porque eu gosto dela e sei que ela cuida de você. - Fala e vejo o rosto de Miguel emocionado. - Mas, não esqueça que sua princesa sou eu. Agora eu vou voltar para o meu filme. Ahh, irmão, eu posso ficar aqui até a noite? Tia Emilly vai me ensinar a fazer uma comida pra eu poder fazer pra você.
- Hum, eu vou adorar, meu amor! Se você quiser ficar até a noite pode ficar, mais tarde eu busco você.
- Está bem, irmão. Amo você. Tchau!- Manuela diz amena. - Tchau Vittoria.
- Também amo você, minha princesa! Tchau! - Desliga.
- Tchau Manu! - Digo e desligo.
LIGAÇÃO OFF
Vejo que essa ligação deixou Miguel bem mais tranquilo. Isso é o mínimo que posso fazer para tentar aliviar todo o estresse acumulado desde a ligação que azedou nossa manhã.
Ao longe, vemos Valentim e Heitor sentados num dos bancos da praça que não possui muita gente. Há apenas alguns poucos casais e algumas crianças visto que ainda não é nem meio-dia. Assim que nos aproximamos, Miguel põe o carro próximo do carro de meu irmão e antes de descer ele me olha.
- Obrigado, Vih.
- Pelo quê, amor? - Indago confusa.
- Por ficar ao meu lado, por defender minha irmã e por entender meu momento de irritação e ter paciência comigo. Eu não mereço uma pessoa como você ao meu lado.
- Não diga isso, amor. Por favor! - Declaro. - Eu jamais ficaria contra você. És um homem verdadeiro, que ama a irmã acima de tudo e que me ama. Não tenho dúvidas disso. E quanto a Manu, sua irmã é o xodó de toda nossa família. Sim, Miguel, a minha família agora é de vocês também. - Falo e um sorriso surge em seu rosto. - E nunca mais diga não me merece. Merecemos um ao outro. Eu te amo de verdade!
- Eu também te amo de verdade, Vih! - Fala e deixa um beijo em minha boca. Miguel sai do carro e abre a porta pra mim. Seguimos juntos, de mãos dadas, até onde meu irmão e meu primo se encontram.
- O que houve, Heitor? - Pergunto, pois seu semblante é nada tranquilo.
- Vih, olhe ali próximo a barraca de pipoca e veja se conhece aquele homem. - Meu irmão diz e então olho discretamente.
- Ele é o tal Logan. Amor, é aquele ali de blusa branca. - Falo e o semblante de Miguel logo muda. Ele ia dar um passo em direção ao local, mas Valentim o segura.
- Calma aí, primo. Não pode agir de cabeça quente até porque não tem certeza se foi ele quem fez a ligação. - Meu primo declara com razão.
- Vou perguntá-lo. - Miguel diz.
- Ele não te responderá. - Heitor diz. - Não trabalhamos assim.
- Por que vieram pra cá? Como sabia que era ele? - Pergunto aos dois.
- Primeiro, lembrei de algumas características que você falou, além de que eu e Valentim achamos estranho seu comportamento. - Heitor explica.
- Estranho como? - Agora é Miguel que indaga curioso e com muita raiva.
- Após terem entrado no apartamento, ele parou naquela moto, mas a deixou um pouco afastada. Seguiu para o mesmo prédio de vocês, mas não demorou trinta segundos ele saiu.- Valentim diz. - O cara subiu na moto, passou na frente do prédio olhando para o alto e veio até aqui. Viemos atrás e ele está até agora no mesmo lugar.
- Por que será que ele não subiu? - Questiono confusa. - Será que ele ouviu nossa conversa e fugiu?
- É provável! - Miguel diz. - E provavelmente havia mais alguém no apartamento devido aos copos sobre a mesa. Tem muita merda nessa história.
- Vamos descobrir! - Heitor afirma.
- Tirei algumas fotos dele e já enviei para meu tio Danny que logo trará a ficha dele por inteiro. - Valentim diz. - Se esse filho da puta estiver envolvido em alguma coisa, não se safará.
- Não mesmo! - Meu irmão diz e então Miguel parece um pouco mais aliviado.
Pelo horário, decidimos ir almoçar juntos. Foi bom, pois Miguel interagiu ainda mais com meu irmão e meu primo que nada mais é que um irmão também. Um pouco mais calmo, Miguel comentou sobre a revelação de meu pai sobre o pai dele.
Heitor confessou que já sabia sobre o assunto e então pude entender a troca de olhares dele para com meu pai quando almoçamos ontem. Sabia que tinha alguma coisa naquilo.
Infelizmente, comecei a sentir algumas dores no pé da minha barriga que me deixou desconfortável no restaurante. Certamente, minha menstruação está próximo e preciso ir antes que ela me suje e aí sim eu tenha um ataque aqui.
- Está tudo bem, Vih? - Miguel me pergunta enquanto me contorso na cadeira.
- Está sim...
- Já sei o que é...- Heitor diz. - É melhor irmos antes que ela desmaie aqui. - Completa me deixando envergonhada.
- Cale a boca, Heitor! - Esbravejo.
- Podem ir. Leve-a pra casa, Miguel. E se quiser, posso buscar a Manu pra você... - Heitor fala gentilmente e percebo que seu tom, olhar e comportamento muda quando a minha cunhada está por perto. - Bom, conheço minha irmã e sei que ela sofre nesse período.
- Não precisa se incomodar, Heitor. - Miguel diz.
- Não será incômodo nenhum. Eu passarei a tarde com meus pais e em seguida irei a boate. Quando eu sair, posso passar lá e deixá-la, sem qualquer problema. - Ele diz e saímos.
Eu conheço bem Heitor e sei que não fará mal a Manu. No entanto, seu interesse por ela está me deixando cismada. Certo de que todos que a conhecem ficam apaixonados por ela, prefiro pensar que esse sentimento protetor seja o mesmo que temos por ela. Melhor assim.
(...)
Não deu outra, quando cheguei em meu apartamento fui direto para o banheiro tomar um banho. Tirei minha roupa e entrei embaixo do chuveiro já sentindo escorrer pelas minhas pernas, me causando um enjoo terrível.
Nessa hora minha mãe me ajudaria aqui.
Sentindo pontadas em minha barriga, encosto minha testa na parede, apertando meus olhos, gemendo de dor e pensando que os próximos sete dias viverei meu pior tormento. Uma lágrima escorre de meus olhos e sinto minha cabeça latejar em agonia.
- Vih? Você está bem? - Miguel pergunta, do lado de fora do meu banheiro.
- Sim, Miguel...- Falo, mas minha voz sai fraca. - Aí meu Deus! - Dobro-me mais um pouco, levando minha mão ao meu ventre. Gemo baixinho começando a tremer ao ver meu sangue escorrer pelo chão. - Jesus! - No entanto, sinto os braços de Miguel circular minha cintura, levantando-me do chão. - Miguel, não precisa...
- Nunca mais me diga que está bem, quando é visível que está mal. - Briga comigo, mas me preocupo por ele me ver nesse estado horrível e nua.
- Amor, por favor. Deixe-me aqui. Peça para minha mãe vir ficar comigo.
- Por que eu não posso cuidar de você? - Protesta. - Sou seu namorado, Vittoria. Logo, logo será minha mulher em todas as formas da palavra, então quem tem de cuidar de você agora sou eu. - Fala me deixando emocionada, mas envergonhada. Eu estou nua!
- Eu tenho vergonha, Miguel. Estou sem roupa, toda suja e vou acabar sujando você. - Digo quando ele me ergue em seus braços, carregando-me para a banheira.
- Isso é normal, Vittoria. Pare de ficar envergonhada comigo. Ontem eu estive com seus seios em minha boca e você me viu praticamente nu. Acho que temos intimidade suficiente para isso. Vou te dar um banho, lhe darei um remédio e colocarei você na cama. Confie em mim, amor. - Diz me beijando a testa e apenas assinto.
Miguel me deixa deitada na banheira e sai. Não demora muito ele volta com um roupão, um conjunto de lingerie e camisola, além do meu coletor menstrual. Meu rosto queima com isso, mas ele age naturalmente.
Fecho meus olhos enquanto estou na banheira, tentando conter a minha dor. Miguel me entrega meus compridos e um copo com água e então bebo rapidamente. Após, ele me levanta da banheira, me leva para o chuveiro e me ajuda a tomar banho.
Em momento nenhum seu olhar é maldoso, antes há um vinco de preocupação em sua testa.
Depois do banho tomado, Miguel me deixa só para poder me vestir, mas assim que saio do banheiro ele já me esperava na entrada do quarto.
- Venha, meu amor. Deite-se aqui. - fala já com a cobertor aberto para eu poder entrar.
- Obrigada, amor. - Agradeço e ele se abaixa ao meu lado, passando a mão em meus cabelos.
- Não me agradeça, Vih! É minha obrigação. Amo você e assim como cuida de mim, quero cuidar de você também. - Fala deixando um beijo em minha testa. - Agora durma um pouco, pois eu vou verificar como está a segurança do prédio e esperar Manuela chegar. Seu irmão ficou de trazê-la. - Miguel diz inseguro.
- Heitor vai cuidar dela, amor. Não se preocupe.
- Não me preocupo, Vih. Confio nele. Contudo, toda essa situação, a ligação e a indiferença de Aline me deixou bastante cismado. Enquanto eu não pegar minha menina, dar um abraço bem apertado nela, meu coração não ficará calmo. - Diz e sorrio.
- Eu e Manu temos muita sorte por te um homem como você em nossa vida. - Confesso.
- Eu é que tenho sorte de tê-las pra mim. - Miguel deixa um beijo calmo em minha boca e logo se afasta. - Agora descanse. Prepararei alguma coisa para você comer.
- Vai cozinhar pra mim? - Indago.
- Vou sim! O que a senhorita deseja degustar? - Pergunta brincalhão.
- Com toda certeza aquela sopa que me fez há algum tempo. Estava maravilhosa. - Digo.
- Será feito. - Declara. - Rafaella chegará hoje?
- Não! Parece que a mãe substituta dela não está muito bem e minha amiga terá de ficar essa semana por lá. Pelo que Heitor falou, ela saiu quase que de madrugada para Nova York. Espero que esteja tudo bem. - Falo.
- Vai estar sim! Descanse. - Assinto. - Eu volto, meu amor.
Diz e sai. Ainda demoro um pouco para pegar no sono, por ficar com minha cabeça em tudo que aconteceu nesse dia. Espero mesmo que aquele homem não tenha tocado em Manu, caso contrário, ele estará muito ferrado.
💎 Cria de Mick e Debb: Valentim 💎
Olá, meus leitores! 🥰
Mesmo a trancos e barrancos não deixei que trazer os nossos capítulos. Gostaram? 🤨
Miguel e Heitor, essa dupla parece que vai dar o que falar, né?! Estão sedentos por esse tal Logan. Literalmente, nosso segurança perdeu a compostura. É aceitável, não é?😕
E esse cuidado dele com nossa princesinha. Coisa mais linda! Eles se merecem muito e juntos estão construindo uma relação muito bonita. 😍
Deixem aí seus comentários, opiniões e perspectivas. Infelizmente, não está dando para responder todos os comentários, mas saibam e leio todos eles. E já agradeço por cada um. Deus os abençoe. 🙏❤️
Até 😘
25/06/2022
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