— Os reservas estão se deslocando pra fazer a cobertura dos carros na rua dois — fiz o comunicado importante enquanto os sete caminhavam pela área externa da grande loja. A minha voz saiu trêmula e eu tive que pigarrear para tentar disfarçar o nervosismo. — Cinco seguranças estão no saguão e três grupos de seis reservas estão indo ao encontro de vocês pra dar reforço.
— Perfeito — RM se pronunciou.
— Dois seguranças no corredor um — anunciei após detectá-los pela câmera do monitor localizado no meu canto direito. — Todos estão me ouvindo corretamente?
— Sim! — Responderam em uníssono.
— Estejam preparados.
— Conferiu o resto do percurso? — V questionou. — Nos outros corredores e salas.
— Tudo limpo — reforcei. — Quem esquecer qual destino deve seguir, peço que, por favor, me pergunte antes de fazer qualquer coisa — respirei fundo na tentativa de expulsar o nervosismo crescente. — Estou com a planta aberta aqui.
— Maravilha — SJ disse.
— Silencia o som da sala por cinco minutos — Taehyung aconselhou. — O barulho vai ser grande.
— Certo — aceitei de imediato, já que ele era infinitamente mais experiente que eu, e fiz o que foi sugerido. — Corredor um, escada, corredor dois e saguão — indiquei no microfone enquanto conferia a planta principal.
Não ouvi respostas por estar com o som bloqueado, porém descobri que não era necessário quando testemunhei, através das câmeras, o momento em que eles renderam os seguranças, seguiram o trajeto falado por mim às pressas e tomaram conta do saguão após efetuarem alguns disparos. Uma quantidade considerável, devo ressaltar. Em seguida, a cena que já vi duas vezes se repetiu: clientes jogados no chão, seguranças rendidos, funcionários atordoados e todos temendo por suas vidas. Essa era a pior parte, era aquela que me fazia refletir sobre o que estou fazendo com a minha vida. Como mudei tanto? Por que tive que mudar? Ou será que as minhas próprias escolhas me levaram a isso? Céus... Não perca a porra do foco, (s/n)! Não é hora!
— Procedimento padrão finalizado — Jimin me avisou assim que comuniquei que havia voltado a ouvi-los. — Próximo passo... Sala das peças.
— Sigam para o corredor à sua esquerda, subam a escada que encontrarão no fim e entrem na última sala do andar — instruí. — É uma sequência única de salas e não tem erro.
— JM vai na frente — Jeongguk finalmente abriu a boca e eu revirei os olhos. — Acione os seus equipamentos.
— As ruas do entorno estão tranquilas até agora — continuei, dedicando-me a observar tudo. — Os reservas estão nas posições combinadas e o plano segue.
— Alguma notificação na polícia? — Tae perguntou enquanto caminhava apressadamente na companhia de Jin. Park já estava no andar de cima.
— Nada.
— Reservas no saguão — Namjoon avisou aos demais. — SJ, V e Suga levarão o gerente e um funcionário até o depósito temporário de dinheiro.
— Não... Não tem dinheiro aqui — um homem falou e Kim riu soprado.
— Eu sei que tem — respondeu com uma falsa calma. — Chegamos muito antes da van que recolhe a grana e não tente bancar o engraçadinho porque juro que não me importo com a sua vida — levei o cursor do mouse até a câmera que conseguia registrá-los e ampliei a imagem, vendo RM empurrar o homem com o cano do seu fuzil. — Anda.
— Caminhão do JP chegou na rua — falei alto, afobada. As minhas pernas estavam moles e eu até sentia frio. Meu Deus... — Está passando pelo portão três.
— JM na sala das peças — o próprio Park indicou a sua posição e arrancou um pequeno sorriso meu. — JH e JK estão vindo pra cá.
— No corredor — Hoseok avisou. — Alguém perto?
— Ninguém — fui rápida ao conferir. — Não temos tempo pra aplicar produtos, então não retirem as luvas.
— Bem lembrado — Tae riu fraco.
— Porra, V! — Yoongi gritou. — Presta atenção! Foco!
— Eu estou focado! — Rebateu. — Está cego?
— Sem brigas! — Intervi em um grito, com picos alternados de tensão. — Sem conflitos hoje! Por favor!
— Equipamentos instalados — Jimin voltou a falar. — Se afastem.
— RM — chamei. — Os outros precisam de reservas na sala das peças. Agora.
— O caminhão está pronto? — Ele fez a pergunta.
— Portas abertas e equipe do JP aguardando — olhei para a câmera da zona de cargas. — O tempo estipulado é de dez minutos — enxuguei as minhas mãos suadas na calça jeans. — Mantenho?
— Quinze.
— Fechado — reprogramei o cronômetro do computador e me assustei quando um barulho abafado veio do outro lado. Ao olhar para a câmera central, a que mostrava a sala de peças, notei que o som foi apenas do explosivo fazendo o seu serviço. Suspirei de alívio. — Aciono?
— Em cinco minutos.
— Temos acesso às peças mais valiosas — JK falou. — São sete caixas médias.
— Os reservas do saguão estão recolhendo as do mostruário — Namjoon comunicou com pressa. O seu tom, assim como o dos demais, indicava apreensão. Pelo menos eu não era a única. — Suga, pegaram a grana?
— Quase lá — direcionei o mouse para o depósito. — Milagrosamente encontramos o dinheiro que não estava aqui.
— Por favor, não façam nada comigo — o homem pediu alto, desesperado. — Eu sou apenas um funcionário.
— Será que devo? — Yoongi riu. — Não devo?
— Por favor...
— Vou pensar no seu caso.
— JM, vocês conseguem transportar as caixas? — Questionei, optando por mudar o foco. Eu não posso interferir na forma que eles conduzem a operação, infelizmente.
— Precisamos de ajuda — o loiro liberou um longo suspiro. — A etiqueta diz que são vinte peças por caixa e todas elas estão embaladas em outras caixas de madeira.
— RM, desloque um grupo pra cá — Jeon ordenou. — Urgente.
— Acione o cronômetro, guia — Namjoon disse.
— Quinze minutos contando a partir de... — Apertei o mouse. — Agora.
— Nossa! Isso é tão excitante! — Somin sussurrou e eu a encarei com espanto. — Minhas mãos e pernas tremem!
— As minhas também, mas... — Franzi o cenho. — Não sei se me agrada tanto.
— A mim agrada — sorriu. — JH, posso pedir algo? — Aproximou-se do microfone. — É bem básico.
— Ei! — Segurei o seu ombro. — Silêncio!
— Amor? — Jung parecia confuso enquanto eu estava irritada. Por que Kwon fez isso? — O que quer? — O rapaz se deslocava pela sala arrastando uma das caixas. — Não pode ser depois?
— Não — riu. — Você... Você pode trazer uma pulseira pra mim?
— O quê? — Hoseok e eu gritamos ao mesmo tempo. — Enlouqueceu? — Continuamos falando juntos.
— Não pode? — A morena arqueou as sobrancelhas.
— Ignora, JH — ordenei e a empurrei para longe dali com o pouco de força que ainda tinha. — Vocês não podem desviar peças do Jay — a encarei com os olhos arregalados, repreendendo-a.
— Ah, eu não sabia... — Mordeu o lábio inferior.
— V e SJ chegaram pra ajudar — Park continuou me atualizando. Isso era ótimo para mim. Será que ele fazia de modo proposital? Para me dar uma força? — Reservas também.
— Ótimo, JM — sorri brevemente. — Obrigada.
— Disponha.
— Mas eu estou levando algo pra você, guia — V revelou. — Veja — foi até a câmera e ergueu uma peça para que eu a visse. — Vou colocar esta joia no bolso — riu. — É uma pulseira de diamante rosa.
— Por que quer presentear a minha namorada? — Jeon se aproximou de Kim, que logo o encarou. — Que merda pensa que está fazendo?
— Só quero dar um presente pelo auxílio — Tae falava em tom normal. Não parecia ter ficado chateado pela atitude hostil do amigo. — Ela está nos ajudando ao ficar no meu lugar, lembra?
— Vá se foder! — JK rebateu alto, puxou a pulseira da sua mão e o empurrou pelo peito. — Faça o seu trabalho direito, porra! — Esbravejou. — Isso aqui é do JP!
— Guia — RM me chamou, mas eu me perdi na reação agressiva de Jeongguk.
— Mas...
— Cala a porra da boca! — Jeon interrompeu V em um grito estridente. — Para de ser otário pelo menos uma vez na vida e se concentre nesta merda! — Jogou a pulseira dentro de uma das caixas e a empurrou com brutalidade para fora. Sozinho. — Vai dar presentinhos na casa do caralho!
— O que houve contigo, JK? — Tae parecia surpreso e eu estava estática, surpresa demais.
— Não te interessa — disparou. — Só não tente bancar o engraçadinho pra cima de mim.
— Do que está falando?
— Por que quer agradar a minha namorada? — Os dois se encararam frente a frente, quase colando os seus peitorais. — Qual é a sua real intenção?
— Está maluco? — Kim gritou. — Está me estranhando? — Silêncio. — Eu respeito vocês, porra! Só quis fazer uma ação legal!
— Não faça — Jeon falou entredentes, sendo rude mais uma vez. — Agora volta a fazer a porra do seu trabalho.
— Guia! — Estremeci com o grito de Namjoon. — Está surda?
— RM, JK está discutindo com o V na sala das peças.
— Puta que pariu... — Respirou fundo. — Mas que merda! — Grunhiu. — JK não sabe ficar longe de você sem oscilar tanto de humor?
— Precisamos apressar a saída — conferi as câmeras de novo. — Seis minutos se foram.
— Vou acelerar as coisas — caminhou decididamente pelo corredor. — Por bem ou por mal. Nem que eu tenha que bater no JK hoje.
— Calma, por favor.
— Calma uma porra! — Gritou. — O JK entra em pane quando briga contigo. O que é isso? — Estava revoltado. — É inaceitável.
— Está gritando com a minha namorada? — Jeon entrou na nossa conversa.
— Estou — Kim chegou na sala, se colocou na frente de Jeongguk e eu senti o meu corpo inteiro ficar dormente. — Por quê?
— Não faça de novo.
— Ah, é? — Riu. — Senão o quê?
— Gente... Por favor... — Jimin se posicionou entre eles. — Não.
— Não temos tempo — Hoseok interviu. — Ainda temos que transportar tudo isso aqui pelas escadas.
— E vocês têm apenas sete minutos pra fazer em segurança.
— Viu? — RM disse alto. — Viu a merda que nos meteu por causa do seu surto desnecessário?
— Cada segundo é precioso — JM já empurrava uma das caixas. — Mas vai dar tempo. É só estarmos focados, sem deslizes.
— Você vai tomar punição — Namjoon anunciou entredentes e pariu para a sua tarefa. — Dois reservas pra cada caixa. Vamos.
— O que acabou de acontecer? — Murmurei ao desativar o meu microfone. Minhas pernas tremiam bastante, o que me deixava mais inquieta e com vontade de sair correndo dali. — O que deu no Jeongguk? Qual é o problema dele, Somin?
— Toma um pouco de água — a minha amiga me deu um copo. — Ele deve estar tenso por causa da situação e de vocês estarem sem se falar direito... — Bufou. — O seu namorado é temperamental e todo mundo sabe disso.
— Mas o Namjoon tem razão — suspirei. — Ele muda completamente quando está brigado comigo.
— Isso é bom ou não? — Franziu o cenho.
— Não faço ideia.
— Guia! — Gritaram. Era SJ.
— Na escuta — reabilitei o microfone.
— Polícia?
— Sem chamados.
— As caixas já estão sendo transportadas? — Min questionou.
— Sim, estão no andar do saguão — observei as câmeras. — Você pegou o dinheiro?
— Já está com o pessoal do Jay.
— Ótimo, Suga — me esforcei para parecer animada. Por que eu deveria? Não faço a mínima ideia. — Alguém foi até a sala de controle dos seguranças?
— V está indo — JH avisou. — JM vai dar cobertura.
— Obrigada.
— Fica bem, viu? — O namorado da minha amiga sussurrou. — JK já vai voltar ao normal. Esse cara que está aqui há uma semana é um mala e ninguém gosta dele — não pude deixar de acompanhar Somin na risada. — Algo provavelmente aconteceu.
— Com certeza.
— Vocês devem conversar depois — Kwon me aconselhou.
— Se ele quiser — dei de ombros. — Mas não me interessa falar disso agora. A prioridade é tirar todos da joalheria.
— Muito bem! — RM disse de repente, assustando-me. Droga... Esqueci que os rapazes ouviam tudo. — Foco em todos nós.
— Instruções de saída — JK pediu e o seu tom não era nada amistoso.
— Saída pela rua... — Perdida, e bem abalada, olhei para a planta e não consegui associar nada. A maior parte das rotas de saída foram modificadas por Jeon. — Qual é a rua que tem a cor vermelha? — Sussurrei para Somin, que permanecia sentada ao meu lado. — Diz logo.
— Rua seis.
— Saída na rua seis — avisei. — Os carros de apoio já chegaram lá e não há chamados na polícia.
— Está tudo certo mesmo? — Kwon parecia aflita. — Tenho medo do momento de ir embora. Foi assim que o meu namorado se machucou.
— Que fofa, amor! — O rapaz riu. — Eu te amo.
— Você está ouvindo? — A coreana gargalhou e eu ri. — Que vergonha...
— Não percam a porra do foco! — Namjoon gritou, estressado. — V, onde você está?
— Terminei de programar o sistema pra apagar as imagens daqui a trinta minutos — informou. — Um bom tempo?
— O ideal.
— Por que o JM não está contigo? — Questionei ao vê-lo sair da sala sozinho.
— Ele precisou ir ajudar os reservas a descerem as caixas pela escada daqui — respondeu com rapidez, aflito. — E agora? Pra onde devo ir?
— Siga o caminho que te levou até aí e volte para o saguão — suspirei, bastante cansada. — Escada e corredor.
— Amiga, a tela piscou — Somin apontou para o monitor do canto direito. Era a polícia. — O que significa?
— A polícia foi notificada! — Gritei pelo susto. — Acelerem! Corram!
— A calma é essencial — Yoongi disse baixo, repreendendo-me. — Está quase terminado.
— As caixas estão chegando no corredor um — RM anunciou. — Viaturas?
— Se deslocando — respondi.
— Quantidade?
— Três, por enquanto — respirei fundo para conter o meu nervosismo elevado. — Amiga, me avise se a polícia não seguir para o leste — pedi. — SJ, diga aos reservas que continuem dominando o saguão.
— Estou de olho, guia.
— Perfeito.
— Saída na rua seis, correto? — JM quis ter a certeza.
— Isso — as minhas mãos tremiam muito e estavam bem geladas. O frio era quase insuportável. — O carro está posicionado e esperando por vocês.
— Estou no saguão e não encontro o SJ — Tae avisou com a voz trêmula. Estava muito tenso, provavelmente por causa da chegada iminente da polícia. — Me sinto perdido e sozinho.
— Calma, calma — optei por tranquilizá-lo. — Tenta respirar fundo também.
— Guia, leve o V até a rua seis — RM ordenou. — Ele está nervoso e pode nos atrapalhar agora — bufou. — Nos espere no carro, V.
— Combinado.
— Então comece...
— Amiga! — Kwon disse alto, interrompendo-me. — Não... Não estão indo para o leste — apontou para a tela. — Estão indo para o norte.
— Puta merda! — Arregalei os olhos, incrédula.
— O que acontece? — A morena engoliu em seco.
— Polícia seguindo ao norte — fiz o comunicado sentindo toda a extensão das minhas costas doer. — Provavelmente querem inviabilizar a rota óbvia de saída porque todas as outras opções levam até o centro movimentado e consequentemente até os pontos de fácil acesso pra eles.
— Pensam que isso nos para? — JK riu soprado. — Muda a rota, iremos seguir o sentido contrário da via e nos afastar do centro.
— Eu preciso sair daqui logo — V falou de forma enrolada, em puro desespero. — Estou em pânico.
— Para de cagar nas calças! — Yoongi zombou. — Vai funcionar. Sempre funciona.
— Quero sair.
— Ele pode ser um problema — Namjoon voltou a falar. — Leva o V na nova rota.
— Disca o número do reserva — entreguei um celular especial do Tae para Somin e também passei o papel com o contato do rapaz para ela. Kim e eu havíamos treinado cada possibilidade e eu sabia exatamente como agir. — Depressa!
— A rota para o V é a rua oito — a coreana revelou ainda enquanto realizava o que pedi. — Segunda opção — completou. — Rua oito.
— Estou indo — Taehyung confirmou que ouviu.
— Atendeu — me devolveu o aparelho. — Esta parte da planta está bem rabiscada.
— Confere a rota mais uma vez — pedi antes de colocar o celular no ouvido. — É a guia, reserva.
— Estou às ordens.
— V, rota oito — Kwon disse firme.
— Mudança de planos — suspirei. — Segue para a rua oito.
— Rua oito? — O rapaz parecia surpreso.
— Foi isso que ouvi? — JK voltou a se pronunciar. — Rua oito? O V?
— Um minuto, reserva — coloquei a chamada no viva-voz. — Isso, JK — fui breve. — Está na planta.
— Jamais — Jeon rebateu. — O segundo plano é a rua quatro e nós teremos que pegar um trecho de via em sentido contrário.
— Puta que... — Calei-me ao respirar fundo. — Me dá isso! — Puxei o papel para mim com agressividade, altamente atordoada. — Porra! — Esbravejei, batendo na mesa com força. — V está indo para o local errado!
— Já cheguei — o sul-coreano anunciou ofegante. — Não é aqui?
— Mas está aí, amiga... — Kwon insistiu. — V marcado na rua oito — o som das sirenes ecoou pela sala e eu estava tão nervosa que não consegui descobrir de qual das dezenas de câmeras ele estava vindo. — Veja... — Apontou para uma parte da planta e a minha atenção rapidamente foi desviada quando ouvi o reserva me alertar pelo telefone que a polícia havia chegado no início da rua oito.
— V, fique calmo — pedi alto, transtornada. — Saia daí agora.
— O que houve?
— Um carro de polícia está nessa rua.
— Ah, não... — Ele murmurou e eu passei a escutar a sua respiração pesada. Kim estava apavorado. — Estou chegando na porta da joalheria! — Nesse instante, os rapazes resolveram falar ao mesmo tempo e eu não entendi nada. A minha cabeça parecia estar prestes a explodir. — Droga! — Grunhiu e mais vozes se misturaram. Todos nós estávamos apreensivos.
— Corre! — Gritei.
— Mas tinha aqui... — Somin insistia incansavelmente e ali eu perdi a paciência.
— Essa porra é um algarismo romano, Kwon Somin! — Continuei gritando. — É a quinta rota, é o quinto plano, a merda da quinta opção! — A encarei com fúria. — Se nada desse certo, os demais deveriam seguir a rota cinco pela rua oito e entrar no único carro de apoio! É isso!
— O que eu faço? — A voz do rapaz no telefone quebrou o silêncio que se formou entre nós duas.
— Segue para a rua quatro, reserva — ordenei. — E vai logo porque será muito corrido.
— Copiado — respondeu firme. — Dois minutos e eu estarei lá.
— Muito bom — suspirei com força, preocupada. — V, você chegou? — Não obtive resposta. — V? — Perguntei alto, apavorada.
— O que aconteceu? — A voz de Jeon surgiu mais alta entre o burburinho dos outros membros.
— A polícia está na rua oito, o V estava lá e agora não me responde.
— V ainda está na rua oito! — Hoseok gritou.
— Merda... — O meu namorado resmungou. — Quem vai lá?
— Vai você.
— Eu não recebo ordens suas, guia — disse a última palavra com certo desprezo e eu senti o sangue borbulhar em meu corpo.
— É claro que recebe e eu estou mandando você ir agora buscar o seu amigo na porra da rua oito! — Fui aumentando o volume da voz. — Neste instante!
— Eu não vou! — Rebateu. — A culpa disso é sua! — Grunhiu de frustração e um barulho desconhecido reverberou logo em seguida. — Que raiva! — Olhando para o monitor, vi quando o moreno retornou para o saguão em passos ligeiros. — Suga, vai você.
— JK! — Repreendi. — Se acontecer alguma coisa com o V, eu vou te culpar.
— A culpa é da sua amiga, que é uma burra!
— Ei! — Jung gritou. — Não fala assim da minha namorada, surtado!
— É por causa dela e da negligência da minha namorada que estamos nessa merda, correndo o risco de perder o V.
— Como é? — Gritei também.
— É isso aí, guia! — Voltou a me provocar. — Se você tivesse conferido essa porra do modo que deveria, nós não estaríamos indo buscar o V e nos arriscando dessa maneira.
— Você é um idiota completo!
— E você é uma boba que não confere as coisas e deixa a sua amiga ainda mais inexperiente te ajudar — respondeu com desdém. — Eu achei que ela ficaria aí apenas como uma boa companhia, não imaginava que você não daria conta do serviço.
— Parem, caralho! — RM gritou enfurecido. — Parem! — Tive que diminuir o volume do som que ecoava pela sala. — A polícia está aí e vocês decidem resolver isso brigando como duas crianças? Sério? — Ficamos em silêncio. — Eu também quero entender qual foi a merda que aconteceu e que fez o que estava indo bem dar muito errado, mas somente quando chegar na base. O plano agora é pegar o V e ir embora.
— Estou com o V — Jimin comunicou, causando vários suspiros de alívio; inclusive o meu. — Fui dar cobertura enquanto vocês discutiam e a notícia ruim é que a polícia tomou a rua seis e a oito — bufou. — Afinal, era ela ou não?
— É a rua quatro, JM — falei mais baixo, bastante afetada com tudo aquilo. A minha cabeça até latejava de dor. — V, você está bem?
— Estou — riu fraco. — O meu ponto parou de funcionar e nós perdemos o contato. Foi desesperador.
— Me desculpe. Eu não queria...
— Não precisa — ele me interrompeu. — Está tudo bem, nada aconteceu e o erro nem foi tão grave assim porque eu estava a uma boa distância da viatura — riu. — Pernas longas ajudam muito na corrida.
— Então... Tudo pronto pra irmos? — SJ questionou.
— Guia, confere a rua quatro — RM mandou e eu rapidamente troquei a ordem das câmeras em busca da mencionada. — Vou até os reservas. Preciso dar as últimas ordens.
— Rua quatro está livre e o reserva já posicionou o carro lá — comuniquei. — A moto de reforço está chegando no ponto.
— Dinheiro no caminhão — Suga acrescentou. — Peças também.
— Estamos prontos pra ir — Jimin disse. — JH, avisa ao pessoal do JP que a polícia está na rua lateral.
— Onde estacionamos os carros na chegada? — Hoseok já voltava para a área externa.
— É — o loiro suspirou. — Os reservas estão conseguindo atacar, mas a polícia vai querer acertar os pneus do caminhão quando ele sair pelo portão três. Avise à equipe.
— Combinado.
— Vocês já podem ir — decretei. — Todos os objetivos foram concluídos — conferi a pequena lista escrita em um papel colado no canto de um dos monitores. — Dinheiro da loja e peças embaladas pra transferência e de mostruário.
— Bom! — Namjoon suspirou. — Tudo repassado com os reservas. Vamos sair.
— Está olhando o quê? — A voz de JK saiu carregada de irritação e isso chamou a minha atenção, então não demorei a procurar a câmera do saguão. Foi lá que o vi pela última vez. — Está com vontade de morrer hoje? — E lá estava ele fazendo algo ridículo: acuando um cliente que permanecia deitado de bruços no chão. — Odeio que fiquem me encarando.
— Eu... Eu não... Não olhei — o outro respondeu com dificuldade. — Nem há como olhar.
— Como é? — Jeongguk riu soprado. — Está dizendo que menti? — E me assustando completamente, o mascarado acertou um chute na barriga do homem e o fez gemer de dor. — Fala de novo agora.
— JK! — Gritei pelo desespero. Atrás de mim, o choro de Somin se tornava cada segundo mais alto. — Não faz isso.
— Eu faço o que quiser! Você é só uma substituta ineficiente! — Chutou o homem outra vez. No mesmo lugar. Aquilo com certeza havia doído bem mais naquele instante. — Está vendo como faço o que quero?
— Você está apenas sendo um idiota malvado — rebati. — Pare de se comportar como um selvagem e volte a ser um homem normal!
— O que está acontecendo? — RM questionou. — O que o JK está fazendo?
— Sendo um babaca no saguão — respondi. — Está agredindo sem motivo.
— Você pensa que pode falar comigo assim? — Jeongguk prosseguiu. — Aqui nesta merda, eu sou superior a você! — Ele me atacou de novo e eu não consegui controlar a irritação que explodiu dentro de mim.
— JK, eu estou mandando você sair daí neste segundo! — Gritei mais uma vez, batendo na mesa com força. — Por enquanto ainda sou a sua namorada e exijo que vá agora para a porra da rua quatro e saia deste lugar sem um tiro na cabeça!
— Por enquanto? — A sua respiração estava descompassada. — Você disse isso mesmo?
— Disse! — Mantive o volume da voz. — Anda logo! Desaparece daí! — Ordenei e fui atendida sem demora. Tudo isso precisava acontecer para que ele cedesse um pouco? Que saco! — Vocês precisam se juntar no saguão pra saírem juntos. V está com quem?
— Comigo — Park disse. — Chegamos no saguão.
— Os demais? — Tentei localizá-los através das câmeras, porém não era uma tarefa simples.
— Só falta o JH.
— Cheguei — o rapaz de cabelos vermelhos anunciou. — Podemos sair daqui.
— Corredor dois — conferi a planta, comuniquei e todos seguiram em grupo até lá. — Sigam sempre em linha reta, abram a única porta que encontrarão e vocês estarão na rua quatro.
— O caminhão saiu? — RM fez a pergunta.
— Está se deslocando agora — o monitor do canto superior direito exibia a imagem do caminhão. — E já há um confronto entre a equipe do Jay e a polícia.
— Perfeito — riu. Eles haviam acabado de chegar na porta. — Não existiria um melhor momento pra ir embora.
— Assumam as suas posições no carro — SJ ordenou. — A moto chegou?
— Sim — observei a movimentação. O reserva saiu do carro, os membros da base se aproximaram e ocuparam os seus lugares e o rapaz subiu na garupa da moto. — Caminho livre.
E sem desviar a atenção nem por um minuto, permaneci acompanhando o percurso de retorno dos rapazes e a finalização do assalto pelos reservas. Passei informações do que acontecia para os sete e os tranquilizei no momento em que informei, alguns minutos depois, que todos haviam conseguido sair da loja. Agora, o desafio era despistar a polícia. A moto que seguia o veículo deles servia para dar suporte no caso de os policiais perceberem algo e optarem por atacar. Porém, o excesso de cuidado também atrapalhava, então, para não atrair o foco indesejado, o combinado era que os dois reservas tomariam outra direção em uma determinada parte do caminho; parte que era chamada de zona segura. Tudo era muito bem planejado e isso me fascinou.
— Tudo certo com os reservas? — JM me questionou.
— Polícia na cola, mas nada de disparos até este instante — informei. — Zona segura alcançada, pessoal — avisei ao receber uma notificação do mapa aberto em um notebook. V era extremamente cuidadoso e agora eu sou capaz imaginar a loucura que é trabalhar com isso. Conclusão: tenho certeza de que não conseguiria realizar o serviço durante um longo período de tempo. — A polícia pediu reforço pra atacar os reservas, porém estão sem viaturas disponíveis — prossegui, atenta ao sistema. — O que significa que nada vai piorar.
— Maravilha... — Namjoon riu. — Estamos sozinhos a partir daqui. A moto se foi e não há nenhum veículo nos acompanhando.
— Ou seja, tudo deu certo e a nossa guia está de parabéns! — Jimin comemorou e passou a bater palmas, sendo rapidamente acompanhado. — Muito obrigado.
— Muito obrigado! — Cada um, exceto JK, falou em seu tempo e a bagunça me fez rir.
— V vai ficar desempregado depois de hoje — SJ, que dirigia, brincou, tentando descontrair ainda mais. — Você foi muito bem, guia.
— Sim, foi — Tae concordou. — Eu estou muito orgulhoso da minha aluna, confesso.
— Ah, gente... — Sorri fechado. Estava chateada com o que aconteceu envolvendo Jeongguk e não conseguia me animar por ter conseguido trazer todos de volta em segurança, como prometi que faria. — Eu agradeço pela confiança e aproveito pra pedir desculpas pelo grande deslize.
— Acontece com todo mundo — Park procurou me tranquilizar. — Não se preocupe.
— A minha namorada ainda está aí? — JH perguntou.
— Está — olhei para trás e senti o meu peito apertar ao ver Somin sentada no chão tendo o rosto banhado de lágrimas. — Mas... — Ela negou com a cabeça em um sinal de que não queria falar. — Conversa contigo depois.
— Entendo... — O coreano murmurou. — Estou com você, amor. Não fique triste.
Acompanhei a finalização da operação e a considerei como encerrada quando não consegui ter acesso a nenhuma câmera que me permitisse ver o deslocamento do carro dos rapazes e nem os dos reservas. Após comunicar isso aos integrantes da base, fui liberada por Namjoon e desliguei os equipamentos com um pouco de pressa. Eu queria amparar Somin, porém não podia até que cumprisse cada etapa do combinado. Assim que terminei as minhas tarefas, enfim pude levantar daquela cadeira e correr para envolver a minha amiga no abraço mais forte que consegui dar. Kwon chorou bastante, mas parou depois de alguns minutos de conversa em que pude fazê-la entender que a culpa é mais minha do que dela, afinal, a responsabilidade de ser a guia foi dada a mim e era a minha obrigação passar as informações corretas.
— O Jeon é um otário — a morena resmungou quando, minutos mais tarde, estávamos sentadas no sofá. Esperávamos os sete. — Fez a maior cena durante a ação.
— Nem acredito que ele foi capaz de fazer aquilo... — Suspirei alto. — Minha cabeça está tão cheia, Somin... — Massageei as têmporas. — O que uma semana de distância fez com o nosso namoro? O quão frágil a nossa relação é? — Disparei. — Qual é o real problema de Jeongguk?
— Eu acredito que...
— Já disse que ela não fez por mal! — A fala de Hoseok a interrompeu. O seu tom era de profunda irritação. — O que a minha namorada ganharia prejudicando o V?
— Não estamos dizendo isso — Yoongi rebateu. Todos entravam em fila no galpão. — Apenas estamos dizendo que ela se envolveu em algo que não deveria.
— E que a presença dela pode representar um risco se algo parecido se repetir — Namjoon completou. — Nada mais.
— Se prepare — sussurrei ao me aproximar de Kwon, que já estava de pé. — Estou contigo pra tudo.
— Ainda está aqui? — Suga franziu o cenho ao vê-la. — Pensei que havia ido embora depois do que aconteceu.
— Eu... Eu deveria ter ido? — Somin questionou baixo, acanhada.
— Deveria, mas... Se não foi... — Encolheu os ombros. — Vai agora.
— Como é? — Intervi. — Estão expulsando a minha amiga?
— Não fazemos esse tipo de coisa — Taehyung falou. — Eu fui o prejudicado e não quero que a Somin vá embora. Erros acontecem.
— Isso é um absurdo! — Continuei.
— Ah, (s/n), sem drama! — Jeongguk bufou enquanto jogava o seu fuzil sobre o balcão da cozinha. — Não é pra tanto.
— Nem com você estou falando, então se recolha à sua insignificância! — Rebati com firmeza, estressada. Que homem idiota! — Namjoon, sejamos racionais... — Respirei fundo para buscar calma. — A culpa foi unicamente minha. Somin tentou me ajudar e eu a ouvi, dei atenção ao que foi dito no meio de toda aquela confusão — suspirei. — Isso significa que a única culpada sou eu.
— Tudo bem... Você é a culpada — concordou com a cabeça. — Porém, não podemos ignorar o fato de que Kwon Somin se incluiu em um assunto que não a envolvia e assumiu o risco de colocar o grupo em perigo ao te informar uma rota — explicou com tranquilidade. — Você pode não ter pensado nisso naquele momento, Somin, mas nós pensamos — encarou a minha amiga. — Sei que a sua intenção foi ser útil, só que você seria útil fazendo o que foi dito e estando aqui apenas pra apoiar a (s/n). Nada além.
— E por ter feito algo além do que foi acertado entre todos nós, iniciaremos uma votação pra banir Somin do galpão — JK declarou e os meus olhos nunca estiveram tão arregalados de susto.
— O que é que você está dizendo? — Perguntei bem alto, incrédula.
— Perdeu a audição?
— Me respeita! — Caminhei até ele e o empurrei pelo peito, porém o maior sequer se moveu. — Pare de me provocar, pare de ser um merda! — Nos entreolhamos firmemente. — O que deu em você? Que tipo de loucura é a sua?
— Não acredito que vão votar pra banir a minha namorada! — Jung gritou quando um silêncio tenso se fez presente. Jeongguk e eu seguimos nos encarando. — Não percebem que estão sendo injustos comigo? — Ele estava muito irritado. — Todos sabem que trabalho muito nesta porra de base e que por isso não tenho tempo pra ver a Somin! — Continuou gritando. — É aqui que nos encontramos na maior parte das vezes.
— Deveria ter lembrado disso quando se meteu na operação, Somin — Suga falou. — Veja o que fez.
— Eu... Eu sinto muito — ela respondeu com a voz trêmula e isso me despertou, me fez desfocar de Jeongguk e caminhar até a coreana para abraçá-la de lado e demonstrar o meu apoio. — Não fiz pra atrapalhar. Vi a (s/n) atordoada por causa da atitude idiota do Jeon, o V quase entrando em desespero, tudo acontecendo ao mesmo tempo... — Suspirou com pesar. — Foi um impulso. Quis ajudar.
— É compreensível demais — Seokjin finalmente se pronunciou. — As garotas não são do meio, pessoal. Deem uma aliviada.
— Pois é, foi o que eu disse! — Jimin bufou. — Essa confusão toda é desnecessária.
— Vamos à votação — Suga anunciou, impaciente. — Sinto muito pelo casal, mas regras são regras e nós temos que cumpri-las.
— Somin violou a regra que diz que pessoas de fora não devem intervir sem serem convocadas e também a regra que fala de não realizar o serviço que foi destinado a outro alguém — RM justificou aquela decisão absurda. — Voto a favor do banimento.
— Voto a favor — Min declarou um pouco baixo. — É uma pena, Hoseok.
— Voto contra — SJ falou. — Pela Somin e pelo Jung.
— Voto contra! Completamente! — V disse alto, tendo o cenho franzido.
— Voto contra! — Hoseok caminhou até Kwon e eu a soltei para que o casal se abraçasse. — Mil vezes.
— JK? — Namjoon o encarou e todos nós fizemos o mesmo. Entretanto, Jeon retribuiu apenas o meu olhar.
— A favor — falou bem devagar, provocando-me mais uma vez. Por que raios ele fazia isso? — Voto a favor.
— Miserável... — Sussurrei, sentindo a minha garganta arder. Eu só queria enchê-lo de socos. — Como tem coragem?
— Está empatado! — Suga informou. — Três a três e o Jimin desempata — suspirou e agora o loiro era a pessoa que tinha a nossa atenção. — Seja coerente, JM — pediu e eu engoli em seco, apreensiva.
— Voto contra, é óbvio — Park acenou negativamente com a cabeça e o meu suspiro de alívio veio alto, assim como o da minha amiga e o do seu namorado. — Isso é uma palhaçada. Kwon está chegando agora, sequer sabia da regra — pressionou os lábios. — É inaplicável — olhou para Jeongguk, que também o encarava. — Somin fica. Está decidido.
— No fim, esta merda de base sempre toma decisões patéticas! — JK esbravejou já enquanto subia a escada de ferro em passos barulhentos. — Vou me arrumar pra ir embora! Cansei de vocês por hoje!
— E isso se aplica a mim também... — Concluí em um sussurro quase inaudível. — É o que mereço por ser tão burra.
— Muito obrigada, Jimin! — Somin agradeceu com alegria e o seu sorriso foi o motivo do meu. Pelo menos a minha melhor amiga continuaria podendo fazer visitas ao homem que ama. — Sinto muito por tudo o que causei, meninos — olhou para os que permaneceram ali. — Por favor, me perdoem. Eu peço mil desculpas pelo meu erro.
— Só não se atreva a pensar que pode fazer algo que não foi designado a você — RM foi rude. — A (s/n) se redimiu ao nos proporcionar um bom retorno, então não vou prolongar essa conversa chata e encerro por aqui — soltou o ar com força, aparentemente exausto. — Kwon pode continuar frequentando o galpão, mas terá restrições a partir de hoje.
— O quê? — Hoseok estava tão surpreso quanto nós duas.
— Pelo menos até que uma relação de confiança se estabeleça — RM prosseguiu. — Essas coisas nunca aconteceram aqui antes e eu não vou permitir que se repitam. Mexemos com algo muito sério e perigoso e qualquer erro, por mínimo que seja, nos coloca em risco extremo.
— Namjoon está correto — Min concordou. — Precisamos respeitar o nosso esquema, então a disciplina deve estar em primeiro lugar sempre.
— E o que vimos hoje foi um show de horrores — Kim voltou a falar. — Principalmente do Jeongguk, mas depois realinho os passos dele — mexeu nos cabelos, inquieto. — A nossa liberdade é o que sempre está em jogo e instabilidade não vai nos manter longe da prisão.
Aquela conversa se prolongou por mais alguns minutos até que cada um seguiu o seu rumo dentro do galpão e nós nos dispersamos. Sozinha na sala, me peguei em um momento difícil de indecisão. Eu deveria ir até Jeon? Deveria dar o primeiro passo para buscar entender o que estava acontecendo entre nós? Não. Definitivamente não. Ele foi o responsável por começar com isso, então é dele a responsabilidade de tentar resolver. O tempo passou e eu permaneci ali, dividindo-me entre ir até a cozinha para comer algo e voltar para ver TV sentada no sofá. Hoje era sábado e infelizmente não tenho compromisso algum para cumprir. Além disso, só irei embora quando Hoseok e Somin forem.
— Tenho que ter paciência... — Suspirei alto, percebendo que JK continuava preso em seu quarto. Será que estava me evitando?
— Ainda está aí? — Suga surgiu na sala.
— É... — Sorri brevemente, desanimada. — Vendo um filme.
— Vou te fazer companhia, então — sentou-se ao meu lado no sofá. — Posso?
— Por favor — ri fraco. — O dinheiro e as peças já estão com o Jay?
— Já — sorriu. — Tarefa cumprida com sucesso.
— Menos um problema.
— Isso.
— Ele marcou as outras operações?
— Não — encolheu os ombros. — Mas algo me diz que não vai demorar a marcar. JP está sedento pra testar a equipe do Shin e tudo indica que eles serão os responsáveis por recolher a grana na próxima ação.
— Farão a mesma coisa que a equipe do Jay fez hoje?
— É... — Meneou a cabeça. — Vai depender, na verdade, do tipo de operação que será feita. Se for banco, teremos a mesma dinâmica. Se for... Sei lá... — Suspirou. — Uma loja de carros, não.
— Entendi... — Balancei a cabeça em negação, reflexiva. — Jay e a sua mania de ter o controle sobre tudo e todos. Ele gosta mesmo da sensação de ter todas as bases do país nas mãos.
— Sim, é verdade — riu. — E isso irrita muito.
— Imagino.
— Por que você não foi até o Jeon? — Perguntou após ficarmos alguns minutos em silêncio. — Ou foi e terminou em briga?
— Não me dei ao trabalho — desdenhei. — Ele não quer conversar.
— O seu namorado está estranho.
— V disse que ele está agindo normal com vocês — franzi o cenho.
— Só se for com o V — riu soprado. — O Jeongguk está impaciente, resmungão, fica irritado com qualquer coisa... Tenta disfarçar fazendo uma piada ou outra, dá uma risadinha forçada, mas eu saquei tudo muito rápido — me olhou fixamente. — Ele está enfrentando problemas. Não faço ideia do que seja, porém, depois do que aconteceu mais cedo, digo com toda a certeza que grandes problemas o atormentam.
— Pode até ser, mas... — Respirei fundo. — Somos namorados e eu deveria ser alguém confiável o suficiente ao ponto de o Jeon compartilhar os problemas comigo — suspirei alto, cansada daquela situação. — Fui atrás, insisti pra ter uma resposta e nada me foi dado — dei de ombros. — Eu tenho a minha dignidade, Yoongi.
— Você está certa.
— JK já disse que não vai — a voz de Jin se fez presente e ele rapidamente apareceu na sala de estar. — Bom... — Os outros quatro membros da base e Somin apareceram logo em seguida. — Juntei vocês aqui porque quero convidar todos pra almoçar no meu restaurante — sorriu largo. — É uma forma de acalmar os ânimos e comemorar que, no fim, tudo deu certo e estamos inteiros.
Todos nós aceitamos o convite com empolgação e eu não demorei para recolher os meus pertences antes de ir embora junto aos meus amigos. Sequer pensei em olhar para cima e assim evitei ver Jeongguk no instante de deixar o galpão. Ele não merecia esse esforço. Era inadmissível... Como as coisas mudaram tanto entre nós dois? Algo não batia, não fechava, não fazia sentido. Apenas um problema muito grave poderia justificar... Não era? Confusa e emburrada, acompanhei os rapazes e Kwon até o restaurante de Jin em Seul e nós rapidamente ocupamos o espaço que o dono havia reservado. Após participar de um brinde que fizemos para, aliviados, celebrar o bom resultado daquela manhã, Seokjin fez questão de preparar a nossa comida.
— Estão gostando da comida? — SJ perguntou ainda enquanto comíamos. Todos nós concordamos depressa e o seu sorriso veio bem aberto, satisfeito. — Fico contente — a felicidade em seu tom de voz era clara. — (s/n), você quer algum outro prato? — Sentou-se ao meu lado. — Eu mando o garçom ir buscar.
— Espere pelo menos que eu termine este aqui antes — respondi apressada, causando as risadas dos demais. — Peça daqui a pouco.
— Eu já terminei o meu e quero outro — Jimin pediu com entusiasmo. — Mas enquanto ele não chega, será que você pode me dar um pouquinho do seu? — Virou-se para mim, aproveitando-se de que estava sentado ao meu lado, e apontou para o meu prato.
— Não pode negar comida — Taehyung lembrou. — Jamais.
— Ah! — Fingi estar contrariada e bufei. — Tudo bem... — Empurrei o prato na direção de JM. — Pode pegar.
— Me dê — abriu a boca assim que terminou a frase. Surpresa, encarei-o tendo os olhos arregalados. Ninguém ousou falar nada. — Vamos! — Riu. — Estou esperando!
— Você sempre foi folgado assim? — Cerrei os olhos agora. — Não me recordo.
— Só um pouco de comida! — Insistiu em meio a um sorriso bonito.
— Bom... Aqui vai!
Coloquei um pouco de caldo e de carne na colher e a direcionei até a boca de Jimin, que rapidamente comeu aquela fração e fez o pedido outra vez. E entre as gargalhadas dos nossos amigos, repeti a ação. Park continuou pedindo, então achei mais prático alcançar uma colher que havia sobrado e que estava sobre a mesa e entregar a ele para que dividíssemos a refeição; algo que o coreano não pensou duas vezes antes de aceitar. Um folgado sem limites. Aproveitando a proximidade, SJ, JM e eu iniciamos uma conversa sobre os produtos de cabelo que usávamos até que, sem percebermos, demos início a um assunto bastante aleatório: programas de culinária que já havíamos visto. Aquele era, sem dúvidas, um passeio muito proveitoso e leve. Tudo o que eu precisava hoje.
— Aquele parece ser o carro do Jeongguk — V disse durante as suas mastigações, tendo os olhos presos em um ponto. Logo encaramos o mesmo local.
— É o carro do Jeongguk — Hoseok afirmou.
— E olha só! — Suga fingiu estar espantado. — O Jeongguk está saindo do carro! — Apontou para fora e nós não pudemos deixar de gargalhar. — Que incrível!
— Vocês são muito bobos — falei em meio ao riso, observando com atenção os passos cautelosos do meu namorado até o interior do restaurante.
— Boa tarde — Jeon iniciou com seriedade ao se aproximar, olhando atentamente para cada um de nós.
— Boa tarde — respondemos juntos.
— Vejo que estão se divertindo — manteve a pose. Agora, o seu olhar alternava entre Jimin e eu. — Ouvi as risadas de longe.
— Estamos — JM confirmou. — O clima está agradável aqui.
— Park... — A mandíbula do moreno estava bem marcada, entregando toda a sua raiva contida. Ele se mostrava impaciente. — Você pode trocar de lugar pra que eu possa ficar perto da minha namorada?
— E quem disse que eu quero você perto de mim? — Rebati, falhando em controlar os meus impulsos. — Não tem senso de ridículo?
⊶⊷
[🤨] • Então a quinta série é aqui? kkkkkkk
Bom... Brincadeiras à parte... O negócio está ficando maior.
JK revoltado com todo mundo, provocando a namorada, partindo pra cima do V no meio da operação, agredindo um refém... G e n t e!
O que foi isso?
Só posso dizer uma coisa: o motivo vai ser revelado no próximo capítulo e... Bem... Sabem o que falei sobre virada de chave, nova fase, essas coisas? POIS É!
Passamos por uma transição e iremos começar de verdade depois dele.
Preparem os corações!
Até lá!
B E I J Ã O ❤❤