Carla e Thaís terminavam de preparar o jantar em companhia de Maria Clara. A cunhada veio dormir na casa dela já que Arthur ficaria em Maranello e como Carla tinha acabado de entrar no último mês de gestação, Heitor poderia nascer a qualquer momento, embora fosse provável que nascesse dali duas semanas.
Maria Clara estava mexendo no celular pensando em Victor que estava sumido por conta do trabalho. Justo ela que dizia que nunca iria se envolver com alguém relacionado a corridas porque simplesmente não paravam em casa, agora estava ali apaixonada por um funcionário da Ferrari que assim como todos, estava sumido. Sentaram as três em volta da bancada da cozinha e se deliciaram com o macarrão a carbonara, que logicamente Carla e Thaís deixaram queimar um pouco.
Maria Clara: Está delicioso. — fez um sinal com o polegar enquanto mastigava o macarrão que parecia borracha. Qual era o problema das duas com a cozinha?
Carla: E você e o Júnior? — perguntou para a cunhada enquanto tomava mais da metade do suco para descer com o macarrão.
Thaís respirou fundo e abriu um sorriso enorme, para a surpresa de Carla e Maria Clara que não viam aquele sorriso a muito tempo no rosto dela.
Thaís: Dormi com ele ontem. — disse simplesmente e as duas engasgaram na mesma hora. Thaís arregalou os olhos ao perceber o que tinha falado. — Não nesse sentido, eu só dormi, nanei mesmo. Ele estava com a garganta inflamada e eu fiquei cuidando dele.
Carla: Suas filhas vão ser umas depravadas se depender das coisas que você fala. — revirou os olhos e Thaís gargalhou, colocando mais uma garfada de macarronada na boca. — Por que essa sua cara não me engana?
Thaís: Porque ele dormiu, mas eu não. — a sutileza apareceu mais uma vez.
Maria Clara gargalhou ainda mais alto enquanto Carla olhava de cara feia para Thaís.
Thaís: Qual é, ela sabe muito bem do que eu estou falando.
Carla: Quando eu acho que não posso conhecer alguém pior que a Sarah, eis que me vejo errada. — balançou a cabeça para os dois lados enquanto Thaís e Clara riram. — Ok, depois de você ter bolinado o coitado do Júnior, como ficou tudo?
Thaís: Não sei, ele está em Maranello e nem me ligou. Acho que ficou bravo pelos chupões e pelo arranhão.
Carla: Você é uma ninfomaníaca.
Thaís: Eu? Seu marido deixou bem claro que você faz todos os dias exatamente o que eu fiz, não tente dar uma de santa Carla Carolina — apontou o indicador para ela.
Maria Clara não aguentou e explodiu em uma gargalhada alta, enquanto Carla ficou boquiaberta.
Carla: Vocês estão fazendo algum complô contra mim? Cansei de comer. — deu de ombros e desceu do banco com o prato nas mãos, deu a volta na bancada e quando chegou perto da bancada, a dor que atingiu seu ventre fez o prato se partir aos seus pés.
Thaís e Maria Clara largaram os garfos e olharam assustada para Carla que com uma mão segurava a barriga e a outra se segurava na pia.
Maria Clara: Mãe, o que aconteceu? — saiu correndo para perto de Carla, enquanto Thaís veio mais lenta atrás dela.
Thaís: Você fez xixi na calça? — gritou, inconformada e Carla abriu os olhos, olhando para o chão.
Carla: Minha bolsa estourou. — arregalou os olhos e olhou para Thaís.
Thaís ficou parada, branca e sem saber o que fazer. Maria Clara começou a se mover de um lado para o outro enquanto ela sentiu mais uma contração atingir em cheio sua barriga.
Carla: Vamos para o hospital agora! Alguém liga para o Arthur! Pega as malas do Heitor! Pega as minhas malas!
Carla começou a gritar com as duas que estavam feito baratas tontas na cozinha. Rapidamente ela achou as chaves do carro, Thaís pegou sua bolsa e Maria Clara chegou com sua mala e a de Heitor.
Thaís: O Arthur não atende. — gritou já totalmente descabelada e nervosa por aquela situação. Ela corria de um lado para o outro, nem se lembrando que estava grávida e não podia fazer aquilo. — Vamos para o hospital que eu continuo ligando.
Thaís tirou a chave da mão de Carla e saiu correndo para a garagem. Maria Clara pegou a mão da mãe e a levou para a varanda, para esperar o carro que Thaís estava tirando da garagem.
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Júnior: Agora sim isso vai ficar bom! — bateu as mãos no volante assim que estacionou ao lado da Ferrari vermelha.
Rafael estava pálido e se segurando para não vomitar, ao olhar para o lado ele viu Arthur e Júnior conversando pela janela do carro.
Rafael: O que vocês vão fazer? — berrou e puxou Júnior pelo ombro.
Júnior: Não toca em mim seu verme! — o empurrou, dando um fraco soco em seu peito. — Isso é para você aprender a não mexer com gente maior e melhor que você.
Rafael: Está falando de todos vocês? — debochou. — Isso é tudo para se vingar pela Thaís? Se ela quisesse mesmo isso, aposto que ela faria algo muito melhor do que me torturar em um carrinho com sua presença insignificante. — arqueou a sobrancelha e ao olhar para Júnior soube que ele estava irritado. — Sabe porque ela não faz isso? Porque ela me ama. — falou baixo, bem perto de Júnior, que fechou os olhos e respirou fundo, controlando a vontade de socar Rafael. — Do jeito dela ela me ama, porque eu fui o único homem da vida dela que a fez feliz, eu fui o primeiro dela... Em tudo.
Júnior: Ah é? Então porque ela traiu o primeiro dela em tudo comigo? — perguntou ironicamente e Rafael respirou fundo.
Victor: Vamos parar de falar na virtude da Thaís e fazer o que viemos fazer? — entrou no meio da discussão dos dois.
Júnior se afastou e respirou fundo. Calmo... Tinha que ficar calmo! Olhou para Arthur e assentiu e no mesmo segundo os motores começaram a roncar alto e ruidosamente. Rafael pulou do banco e olhou para Júnior.
Rafael: O que vocês vão fazer?
Os dois ficaram em silêncio e sua resposta veio dois segundos depois, com Júnior arrancando com o carro em uma velocidade exorbitante e Arthur jogando a Ferrari para cima deles.
Rafael: Vocês estão loucos? Parem com isso agora! — berrou no ouvido de Júnior que virou o volante com tudo, cortando Arthur entrando na frente. — Para com isso! — berrava enquanto Victor esgoelava de tanto rir.
A reta estava acabando e assim que entraram na curva do bairro Le Portier, um novo bairro de Mônaco que estava sendo construído, Arthur entrou na frente de Júnior novamente, fazendo o carro dar um solavanco para o lado.
Victor: Alô? É da polícia? — falou alto no celular e Júnior sorriu imperceptivelmente. Rafael olhou para trás com os olhos arregalados. — Aqui é Victor Queiroz e, estou em Le Portier dentro de um Volvo prata, um louco me trancou no carro e está me ameaçando. Socorro! — desligou a ligação no mesmo momento que Júnior encostou na traseira de Arthur e bateu ali, fazendo ele ir para o lado e encostar na lataria de seu carro.
Rafael: Vocês vão se matar assim! — gritou e tentou pegar no volante, mas Júnior deu uma cotovelada no queixo dele, deixando Rafael sem defesa por alguns segundos.
Ao recobrar a consciência Júnior e Arthur ainda estavam com os carros grudados e aquilo fazia com que faíscas saíssem entre os dois carros. Ao olhar no velocímetro começou a chorar ao ver trezentos e dez quilômetros por hora.
Victor: Own ele está chorando coitadinho! — acariciou o cabelo de Rafael como se ele fosse um cachorro. — Agora dá a patinha, dá? — ironizou e Rafael começou a berrar.
Rafael: Para com isso agora Júnior! O que você quer de mim seu idiota? Para com isso, nós vamos morrer. — sacudiu Júnior e Victor teve que segurar Rafael, antes que ele agarrasse em Júnior e ele perdesse a direção do carro.
Júnior olhou para o lado e viu que o final do bairro se aproximava e Arthur estava quase dois palmos à frente. Ele não podia ganhar. Meteu o pé ainda mais no acelerador no exato momento em que as sirenes começaram a tocar. O final da avenida chegou e Arthur passou em primeiro.
Júnior: Droga! Ele ganhou. — bateu a mão no volante enquanto diminuía a velocidade e virava o carro de encontro a uma construção. — Tenha um bom final de festa, meu querido. — ergueu a mão e socou o rosto de Rafael que caiu em cima dele completamente mole.
Abriu a porta do carro e se jogou na rua, assim como Victor, vendo a belíssima imagem do carro acertando em cheio uma árvore. A polícia fazia o contorno da rua no exato momento em que pularam para dentro da Ferrari. Dentro da Ferrari os risos e as comemorações eram totais. Arthur e Rodolfo riam absurdamente, tanto pela emoção do racha quanto por saber que Rafael iria passar mais alguns anos por aquilo.
Júnior estava no meio de Victor e Lucas, que comentavam os detalhes do racha. Lucas tirou o celular do bolso enquanto ele vibrava e viu que havia uma mensagem de texto. Ao ler, ele ficou consideravelmente branco.
Lucas: Merda! — berrou e todos o olharam. — A mamãe está tendo bebê. — ao dizer aquilo o falatório se resumiu a nada.
Arthur arregalou os olhos e virou o volante todo para o lado, dando um cavalo de pau no meio de uma estrada cercada por mar dos dois lados. Todos do carro gritaram e o carro logo voltou a atingir os trezentos quilômetros. O hospital de Mônaco nunca foi tão perto e assim que chegaram, todos saíram amontoados do carro, restando apenas Arthur estacionando o carro de qualquer jeito no estacionamento. Quando saiu do carro ele finalmente respirou fundo e caiu em si que Heitor chegaria ao mundo hoje, justo naquela hora, que ele estava participando de um racha. A ideia agora lhe parecia absurda.
Júnior: Vai dar tudo certo. — apertou o ombro dele e recebeu a atenção do amigo, que assentiu. — Você me ajudou e agora eu te ajudo, vamos.
Arthur: É tão estranha essa sensação... — comentou enquanto caminhavam em direção a entrada do hospital.
Júnior abriu um sorriso e lembrou que dali a quatro meses seria ele que estaria naquela situação.
Júnior: Ele já vai nascer orgulhoso de você, porque viu o pai dele ganhando.
Arthur: Ah sim, isso foi maravilhoso. Quem é o velho agora hein? — mirou Júnior com um sorriso sarcástico e o viu revirar os olhos.
Júnior: Antes que minhas filhas nasçam, eu quero uma revanche.
Arthur: Você é bom, mas nunca será Arthur Picoli. — o mirou de modo prepotente.
Júnior ficou para trás. É... Talvez ele nunca seria, mas não se importava com aquilo.
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