Era começo de mais uma manhã de trabalho para todos os funcionários da Ferrari. Lucas estava tomando café da manhã com os outros mecânicos combinando o que teriam que fazer hoje nos carros, até o momento que Arthur chegou e a surpresa maior foi ver Júnior ao lado dele.
A festa foi geral e as champanhes começaram a ser estouradas as oito horas da manhã. Ter Júnior de volta era importantíssimo tanto para as corridas, mas também para a equipe, nada ali era igual sem ele. E então, logo depois de toda a festa, as reuniões começaram a ser feitas e os ajustes que Júnior queria para o carro. Foi certamente um dos dias mais cansativos dentro da Ferrari, pois havia bastante coisa para ser mudado e menos de um mês para o campeonato começar na Austrália.
Victor: Vocês já leram o jornal de hoje? — Victor chegou gritando na garagem dos carros.
Lucas com a ajuda de Júnior, Arthur e Rodolfo terminavam de acertar os últimos ajustes dos carros. Eram quase dez da noite ainda e todos imediatamente o olharam com atenção.
Victor: O Rafael foi solto. — abanou o jornal e Júnior foi o primeiro a pular na direção dele, tomando o jornal de suas mãos começou a ler em voz alta.
Júnior: Rafael Viana, acusado de diversos crimes, entre eles a agressão e chantagem a Thaís Picoli, foi solto hoje pela manhã após a saída do habeas corpus e a fiança paga por seu irmão Luan Viana. Rafael responderá ao processo em liberdade e já se encontra em sua casa em Mônaco.
Ao terminar de ler, amassou o jornal com as mãos e olhou para Arthur, ele estava pasmo. Como tinham soltado Rafael? Ele deveria ficar uns três anos preso com todos os crimes que tinha que responder.
Arthur: Não é possível que o Luan fez isso...
Rodolfo: Ele disse que faria. — olhou para Arthur
Arthur sentiu um arrepio percorrendo a espinha no mesmo momento, ele realmente tinha ameaçado ele e toda sua família.
Júnior: Que merda de justiça é essa? Esse cara é um maníaco, ele não pode ficar solto! — chutou um monte de ferramentas que estava as aos seus pés e começou a andar de um lado para o outro.
Rafael estava em Mônaco, a tão poucos metros de Thaís e de suas filhas. E se ele quisesse planejar alguma coisa? Não apenas para ela como para qualquer outra pessoa da família Picoli. Era tão fácil já que nenhum dos homens da família estava lá.
Lucas: Não tem nada que nos possamos fazer para ele voltar para a cadeia?
Lucas olhou para seu pai e logo depois para Júnior, eles não responderam, pois não havia nada a não ser se afastar dele. A justiça agora estava do lado daquele verme.
Rodolfo: Ele deve estar irado e não vai ser nada difícil procurar por vingança... — respirou fundo e encaixou a última peça no motor do carro. Naquele momento, ninguém mais estava se importando com o carro.
Victor: Espera... — ergueu os olhos e deu um sorriso enorme e Lucas imediatamente reconheceu aquela cara. Ele estava tramando alguma coisa. — Nós ainda não nos vingamos daquele canalha, pois não deu tempo.
Arthur: Nos não temos que nos vingar, temos que o fazer voltar para a cadeia.
Victor: Por isso mesmo... — mordeu a unha de seu polegar enquanto elaborava seu plano. — É claro! Como não tinha pensado nisso antes? — bateu em sua testa e ganhou a atenção dos outros homens. — Nós podemos sim fazer o Rafael voltar para a cadeia... E ainda dá um grande susto nele. — abriu um sorriso enorme, cheio de segundas atenções e os outros quatro levantaram, se aproximando dele. — Precisamos de dois carros... E dois ótimos pilotos.
Seu olhar cruzou com Júnior e Arthur, que se entreolharam e aos poucos entenderam o que ele estava querendo.
Rodolfo: Esse garoto tem uma mente diabólica. — apontou para Victor boquiaberto. — É por isso que eu o adoro. — puxou o garoto pelo ombro e lhe abraçou.
Lucas: Nós vamos mesmo fazer isso? — perguntou com os braços cruzados.
Júnior: Ah nos vamos... — assentiu com um sorriso bem parecido com o de Victor.
Arthur: Com toda certeza nos vamos. — cruzou os braços e olhou para Rodolfo, que abriu um sorriso enorme.
Rodolfo entendia o que aquilo significava, era como voltar aos velhos tempos. Em cinco minutos estavam completamente organizados com Arthur dirigindo sua Ferrari em companhia de Rodolfo e Lucas e no Volvo de Júnior estava Victor. Pela estrada que ligava a Itália a Mônaco, foram combinando o que fariam e Victor continuava sendo o cabeça de todos, já que dava a cada vez mais ideias. Lucas estava no banco de trás um tanto assustado, talvez devia ter calado a boca do amigo e ter evitado aquela situação.
Lucas: Vocês sabem que o Luan vai saber que fomos nós, não é? Ele vai vir louco atrás da gente. — inclinou-se sobre o meio do banco e Rodolfo olhou para trás.
Rodolfo: Mal posso esperar por isso.
Arthur: Às vezes o melhor modo de se defender, é atacar. — deu de ombros e pisou ainda mais no acelerador, passando Júnior que deu uma buzinada e acelerou também. Arthur riu ao o ver tentando ultrapassá-lo. — Não tão fácil assim, garotinho... — revirou os olhos e pisou de vez no acelerador, ganhando os trezentos quilômetros naquela estrada reta e escura.
Rodolfo urrou de animação e Lucas se encostou-se ao banco, um tanto assustado. O caminho para Mônaco de duas horas, foi feito em trinta minutos e assim que entraram na cidade, diminuíram a velocidade e pararam próximo a praça do cassino.
Arthur: Estamos indo para o Le Portier.
Júnior: Se tudo der certo, em dez minutos estamos lá, vamos só pegar a estrela da noite. — deu uma piscada e todos riram para logo em seguida sumirem pela escuridão das ruas. — E então Victor, qual é o plano? — olhou para Victor e ele desviou os olhos do celular.
Victor: Ele está no apartamento dele aqui em Mônaco, é simples, você liga e fala que tem algo que quer dizer. Do jeito que é idiota, é obvio que ele irá vir. — terminou de digitar algo no celular e mirou Júnior novamente. — Estava conferindo, pois não se pode violar o habeas corpus cometendo outra infração. É simples o que temos que fazer. Temos que fazer ele entrar no carro e depois ligamos para a polícia falando que ele entrou no carro e está nos ameaçando. Pulamos do carro e deixamos ele cometer alguma infração de trânsito. Ele cometerá três infrações, no minimo...
Júnior: Se depender de mim ele nunca mais sai da cadeia. — riu sarcasticamente e acelerou o carro para a parte norte de Mônaco.
Em menos de cinco minutos estavam parados em frente ao prédio e Júnior tirou o celular do bolso e procurou na agenda o número que tinha dele, chamou até a quarta vez, em que ouviu a voz daquele idiota.
Júnior: Impressionante o que o dinheiro faz não é? Você livre, quem diria.
Rafael: O que você quer Júnior?
Júnior: Estou aqui no seu prédio, desce aqui embaixo que eu tenho uma proposta a lhe fazer.
Rafael: Não quero mais saber de nada que você esteja envolvido, imbecil.
Júnior: Nem se a proposta for sobre a Thaís? — fechou os olhos ao colocar o nome dela naquela conversa, mas era preciso, pois a única coisa que ligava ele e Rafael, era Thaís.
Ele desligou a ligação e Júnior saiu do carro sabendo que ele viria. Encostou-se na lataria do carro e cruzou os braços para três minutos depois ver a cara daquele ser mais inescrupuloso e nojento que já conheceu. Ele ainda estava com os machucados levemente aparecendo e o sorriso de escárnio e deboche transparecendo por aquela carinha de bom moço. Parou na frente de Júnior e arregalou um pouco os olhos.
Rafael: O que você quer comigo? —,tombou um pouco a cabeça para o lado e Júnior passou a língua pelo lábio e então abriu um sorrisinho.
Júnior: Vamos dar um passeio e no caminho eu lhe conto. — puxou Rafael pelo braço e se aproveitou que era bem mais alto e mais forte para jogá-lo dentro do carro. Travou o carro e correu para o outro lado.
Victor: Seja bem vindo a festinha! — acenou para Rafael que arregalou os olhos ao ver o garoto ali. Júnior entrou no carro e imediatamente acelerou.
Rafael: O que vocês vão fazer comigo? — tentou abrir a porta do carro, mas estava fechada.
Júnior: Se fosse você não ousaria fazer isso. — pisou fundo no acelerador e Rafael gritou e segurou-se no banco. — Vai machucar um pouquinho... — disse com uma voz melosa e fingida. Victor riu e se posicionou no meio do banco, desfrutando da cara de medo de Rafael.
Rafael: Vocês vão me matar? É isso?
Victor: É um bundão mesmo. — revirou os olhos e deu um tapa na cabeça de Rafael. — Perdeu a coragem rapidinho né Sr. O vingador do futuro? — debochou.
Rafael tentou mais uma vez se soltar, mas Júnior cada vez acelerava mais ele sabia que iria se machucar se conseguisse abrir a porta.
Júnior: Não vamos te matar, infelizmente. — balançou os ombros. — Estou apenas usufruindo de uma informação que a Thaís me deu um tempo atrás... Tem medo de carro não é? — deu um tapinha no rosto de Rafael que estava pálido, vendo os duzentos e quarenta quilômetros que o carro alcançava. — Na hora de elaborar planos e foder com a vida de todo mundo você é bom, mas tem medinho de carro correndo rápido é bebezão? — ironizou e Rafael engoliu em seco.
Victor: Bundão ao quadrado. — mais uma vez bateu na cabeça dele.
Rafael: Eu faço tudo o que vocês quiserem, mas parem com isso. — levantou as mãos se rendendo e Júnior e Victor se entreolharam. — É sério, eu vou embora e nunca mais incomodo vocês. — juntou as mãos e os dois explodiram em várias gargalhadas.
Júnior: Tarde demais para isso.
Victor: Tive que adiar minha sessão de massagem com pedras quentes por sua causa... Não vamos desistir agora. — apertou a bochecha de Rafael que gritou e começou a se debater contra o vidro, enquanto Júnior acelerava ainda mais e ria da cara dele.
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