O primeiro dia de aula é sempre um dia em que a ansiedade domina o seu cérebro, principalmente quando se troca de escola. Amy acordou, mas não queria levantar. Ainda não havia se recordado da data. A cama era confortável demais pra que qualquer pensamento a atrapalhasse.
- E então? Tá esperando o quê? Não tava empolgada que ia sair daquele poço sem fundo? - Perguntou Raelyn, irmã mais velha de Amy.
- Hã? Que horas são?
- São quase sete horas. Você mora comigo agora. Vá se arrumar, não quer chegar atrasada no primeiro dia, quer?
- Não, eu acho que não. Eu até tinha me esquecido. Tá legal, vou me arrumar.
- Você parece mais calma do que deveria.
- Vai ser um dia diferente nos primeiros quinze minutos de aula. Depois, vai voltar a ser um dia ordinário.
- Eu vou fingir que eu entendi o que você falou. Vamos logo, eu vou ter que levar você até lá.
Amy colocou um casaco branco de lã, que dava destaque aos seus cabelos pretos, ondulados em um ponto quase cacheado, por cima de uma blusa cinza não estampada. Vestiu uma calça jeans comum, e calçou um All Star rosa.
- Ansiosa? - Perguntou Raelyn, já no carro, vendo que Amy tremia seus joelhos logo depois de entrar.
- Nem um pouco. - Ela fechou a porta.
O carro era um Kia Forte branco, do modelo mais novo, que Raelyn havia comprado a menos de dois anos.
- Vê se não arranja encrenca no primeiro dia.
Já eram quase sete e vinte quando Amy entrou no carro. Não levou muito tempo pra chegar até a escola, mas ainda assim, o atraso não pôde ser evitado. Depois de chegar, Amy continuou sem dar muita importância para a hora, e passou pela entrada do colégio, onde a monitora falou com ela.
- Oh, você deve ser uma aluna nova. - Disse a monitora.
- Sou sim, Amy Kingslay, primeiro ano. É você que vai anotar o meu atraso?
- Ah, não se preocupe, ninguém é muito rígido no primeiro dia de aula, apenas tome cuidado pra que isso não se repita.
Um garoto foi passando pela entrada, sem dizer nada.
- Já você, era pra ter isso estampado em seu cérebro, Matt. - Disse a monitora, com uma expressão irritada.
O garoto não respondeu, pois estava usando fones de ouvido, porém a fala da monitora chamou a atenção de Amy, que olhou para trás e fez contato visual direto com o garoto.
Olhos azuis, com um lápis de olho esfumaçado de forma pouco dedicada, quase que desleixada. O garoto olhou pra baixo, e trouxe seu olhar de volta para cima.
- Gostei do sapato. - Disse ele.
A voz do garoto era grave e profunda, quase que um Vocal Fry suspirado. Amy estava distraída, mas depois de alguns segundos, lembrou que estava usando um All Star rosa. O garoto foi até a sua sala, a do terceiro ano. E foi só então que Amy finalmente parou de sonhar acordada. Ela foi até a sala do primeiro ano, onde foi cercada por olhares dos mais diversos, e se apresentou, envergonhada, indo se sentar na única classe livre na sala.
- Bom dia, garota de branco. Ou cinza. Ou branco. Não sei, seu casaco tá aberto. - Disse uma garota sentada ao lado de Amy. - Meu nome é Caroline Rustman.
A garota tinha cabelos curtos e ondulados. Olhos e cabelos castanhos escuros, vestida em um estilo único, misturando cores de forma infantil, mas bonita. Seu sorriso estava sempre estampado em sua face, e era reconfortante, mas Amy ficou desconfortável com a reação repentina.
- Ah... E... E aí.
- Carol, você tá assustando a novata. - Disse outra garota, totalmente diferente.
- Nah, não esquenta. - Disse Amy.
- Nesse caso, eu posso me apresentar de uma forma não tão exorbitante quanto a da Carol.
- Vá em frente.
- Meu nome é Juliet Sinkoon, acho que eu sou a melhor pessoa pra falar mal dos outros aqui, então se quiser saber com quem você não deve andar, é comigo.
Juliet tinha cabelos loiros e um penteado quase scene, com algumas pontas em destaque, e mechas roxas. Sua expressão era bem diferente da de Caroline, seus olhos também eram castanhos, mas pareciam ser ainda mais escuros devido ao delineado em volta, bem maior que o de Carol. Ainda assim, nenhum exagero estragava sua beleza, pelo contrário. E é claro, essa não era a verdadeira Juliet. Sua personalidade iria muito além de apenas falar mal dos outros.
- Amy Kingslay, prazer.
- Já posso começar com aquela patricinha lá na frente, Kaelyn Ravat.
Kaelyn tinha olhos azuis, cabelos quase pretos, ondulados nas pontas, com uma mecha descolorida. Sua aparência a fazia parecer mais jovem, enquanto sua voz a fazia parecer mais velha.
- E aquele garoto sentado do lado dela? Ele parece bastante com o garoto que eu vi mais cedo. - Disse Amy.
Os olhos de Juliet se arregalaram um pouco.
- O Jackson? De preferência, fica longe dele também.
Jackson Nyrock era um garoto extremamente parecido com o garoto que Amy havia visto no início da manhã, mas com algumas diferenças, como o penteado, que era dividido para os lados, com o cabelo um pouco mais comprido, os olhos castanhos e o traço mais elaborado do lápis de olho. Suas unhas estavam pintadas, era um preto fosco. Amy acabou não prestando atenção nas unhas do garoto de alguns minutos atrás, focando apenas no seu rosto, e principalmente em seus olhos.
- Uiui, parece que alguém ainda guarda rancor... - Disse Caroline, quase cantarolando.
- O que tem ele? - Perguntou Amy.
- A gente tinha um... lance. - Respondeu Juliet.
- Um lance bem lance mesmo. - Disse Caroline.
- Não exagera, era só casual, ele que se apegou.
- O que você esperava? Do jeito que você ficava grudada nele, era impossível ver casualidade naquilo.
- Que seja, o garoto que você achou parecido com ele, provavelmente é o Matt Raven.
- Vish, a história vai piorando. - Disse Caroline.
- Realmente, a monitora mencionou esse nome. Mas por que a história piorou?
- Carol, se você abrir a boca, eu esfolo o seu rosto no chão. - Disse Juliet.
Carol sorriu em desespero, e manteve o silêncio.
- É... Ok, eu acho... - Disse Amy.
- Bom, a professora já vai ter uma impressão ruim de você se continuarmos conversando incessantemente no primeiro dia, você já chegou atrasada. - Disse Carol.
- É, tem razão.
A aula era de matemática. Um ótimo jeito pra começar a vida de ensino médio. Por que esperar tanto de um primeiro dia de aula, afinal? De certo modo, a lógica inicial de Amy estava mais do que correta. Mas aquela escola realmente estava passando uma impressão diferente para Amy. Não era exatamente o que estava imaginando. Onde estavam os festeiros alcoólatras e drogados? Onde estavam os viciados em estudos, normalmente mascotes do professor, que sempre reclamavam de qualquer que fosse o mínimo ruído feito em sala de aula, gerando uma irritação insuportável ao longo do período letivo? Onde estavam os nerds que ninguém entendia uma palavra do que saía da boca deles? Onde estavam os valentões que todos temiam cruzar no corredor? E os viciados em esportes que provavelmente seriam os garotos por quem as garotas normais ficariam babando, como um bom clichê?
Não era como se isso fosse uma esperança de Amy, ela odiava cada um dos tipos citados, sem exceção. Mas havia algo estranho. A escola era monótona demais. Talvez não monótona, mas sombria. A atmosfera sempre lembrava um espectro de cores cinzento ou preto. Garotos com unhas pintadas, ao invés de bonés pra trás. Garotas com delineados exagerados, ao invés de corretivos para esconder as olheiras. Vestimentas normalmente escuras, ou até mesmo camisetas estampadas com álbuns de bandas. Amy amava aquilo, mas ao mesmo tempo, não se sentia em seu lugar. O ideal seria mudar pelos outros, ou continuar sendo a si mesma?
Os questionamentos internos estavam a consumindo e destruindo a sua concentração, até que ela decide sair da sala para servir um copo d'água.
Para ir até o bebedouro, ela deveria andar pelo corredor e dobrar a esquerda. Ela sentiu estar sendo observada, não sabia se era de uma forma negativa ou positiva, talvez nenhum dos dois. Minimamente trêmula, ela pressionou o botão para pegar um copo plástico, e logo após, o botão da água gelada. Amy costumava beber água em temperatura ambiente, pois embora menos saborosa, mantinha sua garganta mais hidratada, mas resolveu abrir uma exceção, pois o que precisava era refrescar a mente.
Após servir a água, ela se virou de costas, vendo que a porta da sala do terceiro ano estava aberta. Um garoto de olhos azuis a observava. Não era Matt. O garoto não estava usando nenhum tipo de maquiagem, e seu rosto parecia ser mais definido. O olhar era difícil de decifrar, mas Amy o interpretou como curiosidade e talvez até interesse.
- Se perdeu nos olhos de alguém? - Perguntou uma voz desconhecida.
- Hã? Ah, eu só...
- Hehehe... Relaxa, só tô zoando com você. Você é a aluna nova, né?
Era uma garota alta, com cabelos longos, castanhos, e minimamente bagunçados. Seu delineado era extremamente suave, que não tirava o destaque dos seus olhos castanhos. A pele era um pouco pálida, e ela usava várias pulseiras tão estilosas quanto sua camiseta dos Arctic Monkeys.
- É... Sou sim, Amy Kingslay, prazer.
- Meu nome é Mina Jackish, tô no segundo ano. - Ela se aproximou um pouco, para cochichar no ouvido de Amy. - Mas e então, pra quem tava olhando?
Amy não respondeu, mas Mina conseguiu seguir a direção para onde Amy estava olhando antes, vendo o garoto, que já não estava mais observando Amy como antes.
- Ah, o Kane. Hehe... Não. Para de olhar. Imediatamente. - Disse Mina, com uma expressão de decepção.
- Você gosta dele? - Amy teve a reação mais imediata possível.
- Não me faça vomitar. Ele é nojento. Vai brincar com os seus sentimentos e te jogar fora, como fez com todas as outras. - Mina sorriu. - Enfim, você não vai voltar pra aula?
- Realmente, é uma boa ideia.
- Até outra hora, Amyzinha.
Amy resolveu não comentar nada, mas ela odiou aquele apelido. Ela demorou um pouco mais do que deveria, e quando voltou para a sala, a aula já tinha trocado para Sociologia. Logo na porta, ela esbarrou em uma garota, que estava indo ao bebedouro.
- Ooopa. É... Foi mal. - A garota estava energética e sorrindo mais do que o normal. - Você é a novata, né? Meu nome é Charlotte Dewbie. - Charlotte pôs seu braço sobre os ombros de Amy. - Espero que possamos ser boas amigas.
- É... Meu nome é... - Charlotte já havia ido embora. - Amy Kingslay...
Voltando para a sala, Amy notou que Carol estava tentando disfarçar um sorriso bobo, e olhando para sua mesa, seus materiais haviam trocado de lugar, e um garoto estava sentado em sua mesa. Usando um moletom preto, e uma calça jeans preta do tipo skinny, rasgada nos joelhos. Seus cabelos eram tingidos de um jeito peculiar. O lado direito era inteiramente vermelho, e o lado esquerdo, preto, com algumas mechas platinadas por dentro. Ele usava um óculos completamente transparente, e um delineado artístico com pontas para todos os lados. Amy foi até lá.
- Aí, dá pra você sair? Eu... Meio que tava sentada aqui desde o início da aula. - Disse Amy.
- Nah, eu fiquei confortável demais pra sair agora. A culpa não é minha, eu achei que você tivesse ido embora. Te fiz até um favor e não joguei seus materiais fora.
- Você tá de brincadeira, né?
- Amy. - Disse Juliet, a puxando pela mão e cochichando em seu ouvido. - Se eu fosse você, não arranjaria encrenca com o Nigel, ele pode ser bem pior do que parece se ele não gostar de você. É só no início, quando ele se acostumar, vai tratar você bem. Eu sei que é uma merda, mas por favor, só tenta. Vou conversar com ele depois.
Angustiada, Amy voltou ao seu "novo lugar" em silêncio. Parece que ela estava começando a encontrar alguns dos elementos escolares que sentiu que estavam faltando, e realmente foi enganada pelas aparências.
- Valeu. Eu não aguentava mais sentar perto do Nigel. - Disse uma garota bonitinha.
Seus olhos eram castanhos, cabelos lisos castanhos, uma franja fofinha, delineado nem tão exagerado, nem tão suave, batom rosa bebê, colar fofinho com um pingente da Hello Kitty, pulseiras coloridas, brincos de balinhas de ursinho, uma blusão listrado rosa e branco, e um casaco preto de couro que escondia boa parte do seu lado fofinho. Eram realmente dois extremos.
- Você não gosta dele? - Perguntou Amy.
- Não é como se eu fosse transfóbica, mas ele é muito irritante, cara!
- Peraí, transfóbica?
- Você... Não percebeu?
- É... Não.
- De qualquer jeito, ele é bonitinho.
- Talvez, ele realmente fica fofinho naquele moletom.
- Hehehe... Meu nome é Paige Tyshe.
- Amy Kingslay, prazer.
Algumas classes atrás, Juliet cochichava com Carol e Nigel.
- Aí, vocês não acham que ela tá tipo... Muito perto do Jackson? - Perguntou Juliet.
- Alguém tá com ciúme? - Perguntou Carol.
- Não, porra! Eu só acho que ela pode se corromper muito facilmente!
- Ah, não. - Disse Nigel.
- O que foi? - Perguntou Juliet.
- O truque da borracha.
Jackson propositalmente empurrou levemente sua borracha do canto de sua classe cada vez mais para a ponta, fazendo-a cair. Jackson estava sentado ao lado de Amy, portanto, a mesma teve a imediata reação de pegar a borracha e entregar de volta ao garoto, e da maneira mais discreta possível, Jackson acompanhou seu movimento até o chão, tocando a borracha ao mesmo tempo que Amy, junto da mão da garota. Ele direcionou seu olhar para cima como um inocente, encontrando com o olhar da garota.
- Ah, você é a aluna nova. - Disse Jackson.
O lápis de olho bem detalhado junto de um delineado traziam destaque aos seus olhos castanhos. Ele também tinha um timbre de voz mais grave, mas nem sua voz e nem seus olhos chamaram a atenção de Amy do mesmo jeito que os olhos de Matt chamaram. Ainda assim, Jackson tinha seu próprio charme.
- É... Sou eu, sim.
- Meu nome é Jackson. Jackson Nyrock. Prazer.
- Amy Kingslay.
Jackson começou a cantarolar Back To Black, de Amy Winehouse, quase cochichando.
- Você tá desafinando. - Disse a garota sentada na janela, ao lado de Jackson, da qual Juliet já havia comentado anteriormente.
- Não enche. - Começou Jackson. - É porque eu tô cantando baixo, e nem é pra você.
- Na verdade, você sabe que isso é um truque barato e não sabe cantar. - Disse a garota. - Amy Kingslay, né? Prazer, meu nome é Kaelyn Ravat.
- Esse é quase o nome da minha irmã. - Disse Amy.
Percebendo que a associação da cantora com o nome de Amy não adiantaria de nada, Jackson apelou para o sobrenome, cantarolando Kingslayer de Bring Me The Horizon.
- A Kaelyn tá certa. Seu truque é barato. Vai ter que fazer mais que isso pra chamar minha atenção. - Disse Amy.
Jackson expressou desgosto, e olhou para Kaelyn, que sorriu e mostrou sua língua, piscando com o olho esquerdo. Kaelyn e Jackson cultivavam uma amizade desde o ensino fundamental. Isso fazia com que ambos provocassem um ao outro sem que isso prejudicasse sua amizade ou intimidade.
- Outra novata? - Perguntou uma garota alta, de cabelos dourados, que usava uma boina e um manto. - Prazer, meu nome é Delana. - Ela segurou a mão de Amy e deu um suave beijo, fazendo com que a garota ficasse tímida.
- Por favor, não pergunte o nome completo dela. - Disse a garota logo atrás, com cabelos curtos e pretos, maquiagem artística pesada e uma mecha vermelha na franja.
- Delana Diem Cardinal von Cranenbroek. Não precisa lembrar de tudo isso, pode me chamar de Dell.
- Amy Kingslay, prazer. Você também é uma novata?
- Não exatamente. Eu sumi daqui por uns anos, mas tô de volta.
- E pelo jeito, ainda gosta de entreter as novatas. - Disse Nigel, pondo a mão no ombro esquerdo de Dell. - Relaxa, só tô te enchendo um pouco. Agora, eu tenho que ir pro refeitório.
- Tão cedo? - Perguntou Dell.
- Quanto mais aula eu perder, melhor. - Nigel começou a correr, antes que o professor entrasse na sala.
- É, talvez ele não seja tão ruim quanto parece. - Disse Amy.
- Ele parece uma pessoa bem divertida, na verdade. - Começou a garota de cabelos curtos e pretos. - Ah, me desculpa. Esqueci de me apresentar. Meu nome é Celeste. Celeste Heilsie.
- Muito bem, turma. Hora de se sentar. - Disse o professor, entrando na sala.
Na sala do segundo ano, Mina voltava do bebedouro e se sentava no seu casual lugar, o fundo da sala. Era a menor sala da escola, então conversar se tornava um pouco complicado, o som ressoaria muito mais alto, e o professor provavelmente reclamaria logo. O jeito da garota de conversar com sua melhor amiga, Emily, era através de bilhetes. Ela então pegou sua caneta preta, logo depois de se sentar, e começou a escrever.
Mina: Já conheceu a garota nova?
Emily: Não. E pare de falar assim, você também é tecnicamente nova.
Mina: Na verdade não é bem assim. Eu saí no ano retrasado, passei um ano fora, e voltei agora.
Emily: Que seja, o que tem a garota nova?
Mina: O nome dela é Amy Kingslay, ela é bem bonitinha.
Emily: Alguém tá apaixonada?
Mina: Acho cedo pra dizer isso, mas é, talvez. Ela tá no primeiro ano.
Emily: Começar o ensino médio aqui não é uma escolha tão sã.
Mina: Vou te mostrar ela no recreio.
Emily voltou a prestar atenção na aula, ignorando os sorrisos bobos de Mina.
O recreio logo chegou. Amy saiu de sua sala, acompanhada de Paige. As duas andaram um pouco, e logo avistaram a turma do terceiro ano andando. Os garotos andavam de um jeito estiloso, todos eles. Ainda que o foco de Amy fosse Matt, ela ainda conseguia reparar alguns detalhes nos outros garotos. Kane andava ao lado de Matt, mas diferente do mesmo, parecia desesperado em chamar a atenção das garotas que os cercavam.
- E aí? Consegue adivinhar qual delas é a presidente do grêmio? - Perguntou Paige.
- Aquela ali? - Amy apontou para uma garota que parecia uma versão feminina de Matt, com olhos azuis, cabelos pretos de comprimento médio, e cerca de 1,65m de altura.
- Não, não, aquela é a Faye. Faye Ruby. Ela é minha professora de patinação.
- Eu não sei se pergunto primeiro como diabos ela pode ser sua professora ou se você realmente consegue patinar.
- É, ela conseguiu o emprego bem cedo, por já patinar desde pequena. A presidente é aquela garota ali.
Paige apontou para a garota ao lado de Faye, cujos cabelos eram cacheados e escuros, com uma mecha vermelha, e outra roxa. Era mais uma de olhos azuis, mas com um tom esverdeado por dentro. Ela tinha tatuagens em seus braços, e um trovão desenhado no olho esquerdo, provavelmente feito com um delineador, em tons de preto e vermelho.
- Ela é bem bonita. - Disse Amy.
- O nome dela é Tina Mercury. Ela costumava ser o sonho de consumo dos garotos mais velhos. Os mais novos não tem nem coragem de chegar muito perto dela.
Amy deixou Paige de lado, e começou a seguir Tina, assim que viu que ela começou a se aproximar de Matt e andar com ele. Ela foi até o refeitório aberto, e por onde passava, sempre haviam garotas encarando Matt. Tina parecia estar rindo mais que o normal, e aquilo fez com que o coração de Amy se apertasse, e seus batimentos acelerassem. Em um momento, Matt deixou Tina para trás e correu atrás de um garoto que estava mexendo em uma bateria acústica no palco do lugar. Era a oportunidade perfeita de Amy.
- E-Ei... Você é... Tina Mercury, não é? - Perguntou Amy.
- Ah, a aluna nova. - Tina fechou parcialmente seus olhos, sorrindo de forma graciosa. - O que você tá fazendo sozinha? Não conseguiu se aproximar de ninguém?
- Ah... Pois é... Tá sendo meio confuso... Primeiro dia e tal.
- Relaxa, Tina Mercury tá aqui pra alegrar seu dia. Quer entrar em algum clube ou algo assim pra estar falando comigo?
- Na verdade, eu... Queria saber se...
- Se?
- Você por acaso... É a namorada do Matt?
A expressão graciosa e receptiva de Tina se fez em mil pedaços.
- Ótimo. Mais uma na teia do Matt. Sério, o que ele tem de tão especial? Você tá se iludindo ao extremo se acha que ele vai dar alguma atenção pra você. Ou não. Talvez ele te use. Vai lá, por que não tenta? Bem-vinda à sua comédia romântica de ensino médio. Ou seria uma tragédia? Já sei. Bem-vinda à tempestade de ensino médio. - Tina foi embora.
Amy ainda estava processando as informações, até que sua cabeça foi tocada com um doce cafuné.
- Relaxa, a Tina exagera as coisas quando se trata de mim.
- M-Matt?
- E aí, garota do sapato bonito.
Essa foi a segunda interação de Amy com Matt, que não durou quase nada, pois o mesmo lhe deu as costas e voltou para o palco. Foi quando ela percebeu que o garoto tinha uma guitarra pendurada em seu ombro. A ficha só caiu de fato quando Amy viu Tina no palco, com um Keytar. Era disso que os dois estavam falando. Havia mais uma garota e um garoto no palco, ambos desconhecidos, além do próprio Nigel, que havia roubado seu lugar anteriormente.
- É, chegou a hora de você descobrir por que todo mundo fica babando no Matt. - Disse uma garota desconhecida. - Amy Kingslay, né? Meu nome é Emily Stamey. Sou do segundo ano.
Matt ajustava a mesa de som, e depois de um tempo, foi até o microfone.
- Sentiram nossa falta? - Perguntou Matt, recebendo uma reação vibrante, principalmente feminina.
- Bom, eu gostaria de desejar um feliz dia de aula para todos. - Começou Tina. - Que nosso ano seja cheio de experiências incríveis, e se precisarem de algo, é só falar comigo. Mas vocês sabem que a formalidade não dura muito quando se trata dessa escola.
A palavra voltou para Matt, que arregalava seus olhos, com a mão euforicamente trêmula segurando uma palheta, e por pouco não fazendo sons indesejados na guitarra.
- Nós somos a Missing Halloween, e essa música se chama happy valentine's death!
O show começou.