Emma
Saí do banheiro enrolada em uma toada e juntando minhas peças de roupa pela casa, Victor é um homem muito persuasivo, e esse dom fez nós dois ficarmos atrasados para o trabalho, o nosso horário de almoço terminou a tempos e se eu não chegar na firma nos próximos dez minutos estarei atrasada para uma reunião.
Voltei para o quarto e comecei a me vestir, ele ainda estava no banheiro quando comecei, mais saiu logo depois que terminei de pôr o sutiã.
- Você precisa cuidar, se não vamos chegar atrasados. – Avisei.
- Essa por acaso não é sua marca registrada? – Ele pergunta passando por mim.
- Pra eventos sociais, no trabalho eu sou pontual. – respondo e ele acena.
Continuei me vestindo rápido e quando terminei fui procurar meus sapatos debaixo da cama.
- O que está fazendo? – escuto ele perguntar.
- Procurando meus sapatos, você os viu?
- Não são aqueles alí perto da porta? – Victor aponta e me viro para ver.
- Sim, são. Me ajuda aqui. – Pedi dando a mão para ele ajudar a me levantar do chão.
Ele me pegou pela cintura e me levantou sem mais nem menos, caminhei até os sapatos para calçar.
Depois de prontos, nós fomos descendo as escadas, eu peguei minha bolsa e o meu motorista nos levou de volta para a firma.
Dener parou na porta do prédio e Victor desceu, quando desci do carro pisei em falso e quase caí de cara no chão, se não fosse o Victor eu estaria de cara no chão nesse momento.
- Tudo bem? Machucou? – ele pergunta todo preocupado.
- tô bem, foi só um susto. – respondi mesmo não sendo verdade, na real meu tornozelo esquerdo tá doendo bastante, porém se eu falar alguma coisa ele não vai me deixar entrar e vai me obrigar a ir ao hospital.
- tudo bem então, vamos.
Fechei a porta do carro e andei tentando não mancar e não fazer cara de choro.
São só alguns passos até o elevador e você descansa Emma!
Andei até o elevador e a cada passada que dava senti meu pé doer.
- Você tem quantas reuniões agora a tarde? – Victor pergunta.
- três se não me engano. – respondo pensativa.
- Uau, estamos os dois cheios de trabalho. – ele diz e olha para o meu pé. – Tem certeza que está bem?
- Sim, tudo bem. – Abri um pequeno sorriso para ele. – as portas do elevador se abriram.
- vamos? – Ele pergunta.
- Vai indo na frente, não esqueça nós não gostamos um do outro. – Falei e pisquei pra ele que acenou e começou a caminhar.
Saí do elevador logo atrás, segurando a minha expressão de dor e tentando não mancar.
Foi uma dificuldade chegar até a porta que dá entre a minha sala e a do Victor, Agatha se levantou no instante que eu abri a porta e começou a falar.
- Seu compromisso está aguardando na sua sala a algum tempo, avisei que a senhora iria se atrasar. – Ela começa – Mais tarde tem que assinar alguns papéis referentes ao programa com a faculdade e a secretária de Sabrina Westbrook ligou para marcar uma reunião, está marcada para daqui a dois dias, ela vem pela tarde.
- Ótimo, obrigada Agatha, agora pode respirar. – Falei a fazendo rir. – vai e toma um cafezinho, acredito que eu e o Sr.Moore não iremos precisar de você por um tempo.
- Obrigada, Emma, mas tenho que terminar de fazer algumas coisas, talvez depois eu vá tomar esse café.
Apenas acenei com a cabeça e comecei a caminhar para a minha sala, abri a porta e o meu compromisso estava sentado na cadeira de visitas mexendo no celular.
- Oi Liv. – Falei chamando a atenção para mim.
- Escuta, adorei seu escritório, quando teve tempo pra mandar fazer?
- O vi...- cortei minha fala e comecei a tossir – bem, eu não tive tempo, acho que o Moore se cansou da gente brigando pra ver quem senta na cadeira de chefe e mandou fazer uma sala só pra mim.
Caminhei tentando não mancar até a minha mesa para me sentar.
- Está tudo bem? Aparentemente você está mancando, se machucou?
- Não foi nada, só pisei em falso, mas então, a que devo o motivo dessa reunião?
- Eu preciso de dois favores.
- diga. – Falei me inclinando para frente.
- Primeiro, não quero que esse assunto saia daqui, é um projeto confidencial e ninguém pode saber, nem mesmo nossos irmãos. – ela diz em um tom muito sério.
- Tudo bem, pode confiar.
- Acontece que o divórcio definitivo ainda não saiu, e eu vou abrir um laboratório de tecnologia, na verdade realocar alguns engenheiros e técnicos, porém a empresa precisa está no nome de alguém e com o processo de divórcio e eu não posso arriscar. O Yan é imprevisível, ele pode pedir a guarda da minha filha e insinuar que estou trazendo perigo para ela. – Ela afasta a sua cadeira mais para próximo de mim. – Queria que colocasse seu nome como chefe do laboratório.
- Mas por que eu? E a Amanda?
- a Amanda tem uma família agora, não posso fazer isso, é meio que um projeto corda bamba, sabe.
- e o Alec? Ele não tem filhos nem esposa.
- Alec está envolvido em comprar negócios muito instáveis, se tiver algum escândalo tudo vai por água a baixo. Emma, só você pode me ajudar.
- Me explica exatamente com o que este laboratório trabalha.
- Recentemente eu estive fazendo algumas pesquisas, e descobri que desenvolver tecnologia da muito retorno, porém a tecnologia ao público é algo obsoleta, quero investir em algo mais futuro, desenvolvendo algo que possa acrescentar ao futuro, e por isso entrei em um projeto que desenvolve coisas experimentais para torna o mundo um lugar melhor.
- Não tô entendendo nada. – Falei e ela riu.
- Vou fazer uma referência que talvez você entenda, sabe nos filmes de ficção científica que os caras tem armas laser, tem uma máquina que pode deixar o cara invencível e essas coisas? – acenei para ela continuar – Então, eu quero investir no grupo de pessoas que inventou a arma laser.
- Se você me prometer que não vai ter um fim igual ao da maioria das pessoas que cria essas coisas, eu aceito.
- que fim?
- Morta, louca ou vilã. – digo e ela começa a rir.
- Eu prometo. – diz levantando a mão.
- e qual é o segundo favor?
- pode ir na minha casa essa semana tentar convencer a minha filha de que ir para um retiro de artistas por três meses não é uma boa ideia?
- Não, é uma boa ideia sim, você foi. Por que sua filha não pode ir?
- Por que eu vou sentir muita saudade dela, e é muito longe.
- Olivia, cala a boca e deixa a menina seguir os sonhos dela, se você ficou velha e amargurada o problema é seu, deixa ela viver. Onde fica esse acampamento?
- Não é um acampamento em si, tá mais pra curso de verão. Fica em Paris.
- Leva a garota pra Paris, deixa ela, se cortar as asinhas dela eu mesmo levo viu. – Falei em tom de aviso.
- Que tipo de irmã eu fui arrumar? Você e a Amanda são iguais, quando tiverem os filhos de vocês eu irei retribuir esses favores, viu. Não vou esquecer.
- Ah vai jogar praga pra lá. – Liv começa a gargalhar.
- Eu já vou indo, em breve te mando os detalhes do nosso assunto. – Ela diz se pondo de pé – Ah e ponha um pouco de gelo no seu tornozelo, parece inchado.
- tchau, Liv. – falei me encostando para trás na cadeira em um suspiro.
O restante da tarde demorou bastante a passar e eu já não aguentava mais ficar falando com as pessoas ou ouvindo, só quero a minha casa, um banho e me deitar, finalmente acabou a última reunião, estou aguardando Agatha trazer alguns papéis pra mim revisar e assinar, porém isso fica pra amanhã.
- aqui estão os papéis que pediu, organizados por data. Precisa de mais alguma coisa?
- não, só isso. Pode ir Agatha, até amanhã.
- Amanhã é feriado, não abrimos. – Ela avisa e eu olho a data no meu celular.
- Ah é mesmo, eu tinha esquecido.
- não se esqueça que amanhã tem que ir para casa da sua irmã Amanda ajudá-la. – Ela diz olhando a agenda em sua mão.
- Claro, claro. Ela não me deixa esquecer. – falei e comecei a rir. – Boa noite, Agatha é só isso, bom feriado.
- Obrigada, Emma, pra você também. Tenha uma boa noite. – ela diz e saí da minha sala.
Pego meu celular para pedir ao Dener me esperar e vejo a resposta que eu dei a ele, deixei ele sair mais cedo hoje por conta de um problema em casa.
Droga, terei que dirigir o carro.
Melhor eu terminar esses papéis, já que amanhã é feriado.
Comecei a ler os papéis que listam algumas coisas que precisam de aprovação, alguns itens para comprar com a empresa responsável pelo material do escritório.
Um tempinho depois, terminei de assinar e revisar os papéis, deixei tudo na graveta da mesa e comecei a arrumar minhas coisas.
Escuto um estalo de porta e no segundo seguinte Moore aparece na porta de ligação das nossas salas.
- Pensei que já tivesse ido embora, vim aqui apagar a luz.
- estava terminando uns papéis, e você, o que faz aqui? Já passou o horário de ir.
- Estava trabalhando em um caso. – Ele responde.
- Vou descer agora, vem também? Ele pergunta e eu aceno afirmando, pego minha bolsa e me levanto, porém me sento novamente lembrando da dor do meu tornozelo. – O que aconteceu?
- Meu tornozelo tá me matando, não vou conseguir andar com esses saltos, talvez nem sem eles. – Murmurei a última parte.
- Vamos ao hospital, pode ter torcido o tornozelo. – Ele diz e vem até mim – Segura em mim. – Diz se abaixando ao lado da cadeira e em seguida me levanta em seu colo.
- o que está fazendo, posso andar, quer dizer, mais ou menos.
- Emma, apenas agradeça a ajuda.
- Obrigado, Victor.
Ele começa a caminhar comigo em seu colo, no elevador me desce, mas no saguão torna me colocar em seu colo novamente, entramos no estacionamento e ele caminha até meu carro, lhe entrego as chaves e ele me ajuda a entrar, sou levada ao hospital mais próximo.
Alguns minutos esperando os exames e o médico para descobrimos que foi uma pequena luxação no tornozelo, me receitaram alguns comprimidos e fui liberada.
Victor foi um amor, me levando ao hospital e depois em casa, as meninas não estavam em casa e ele me ajudou a subir e me deixou na cama deitada, se despediu e partiu.