O Último Ato

By autorazanon

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Anelise Montenegro, uma jovem modelo do sul brasileiro, nasceu com a sorte de uma família rica, é claro que t... More

Dedicatória.
ᴘ ᴇ ʀ s ᴏ ɴ ᴀ ɢ ᴇ ɴ s
Capítulo 1
Capítulo 2.1
Capítulo 2.2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7.1
Capítulo 7.2
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12.1
Capítulo 12.2
Capítulo 13.1
Capítulo 13.2
Capítulo 14.1
Capítulo 14.2
Capítulo 15.1
Capítulo 15.2
Capítulo 16
Epílogo

Capítulo 8

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By autorazanon

Já está em todos os jornais, sites e revistas, o resultado da autópsia. O que matara minha mãe foi uma injeção letal aplicada por via intravenosa, no pescoço. 25 minutos antes do seu corpo ter sido encontrado naquele banheiro.

O velório seria hoje pela noite, eu… não sei o que dizer. As coisas não fazem sentido pra mim. Por que isso tá acontecendo comigo?

Na delegacia, estava eu, papai, Gabriella, Jeff, o Sr. Tavares (pai da Gabriella), um homem que parecia ser o dono da mansão alugada, o diretor da novela que mamãe iria protagonizar e algumas amigas íntimas dela.

Éramos chamados um a um, para sermos interrogados, eu não entendo porque éramos exatamente nós ali, o que Jeff e Gabriella tinham a ver com aquele assassinato?

Papai parecia tranquilo demais para alguém que teve sua esposa assassinada, até fumava um cigarro, aparentemente despreocupado.

—Tá tudo bem?— perguntei a ele, aquilo não me parecia certo.

—Tudo ótimo, Anelise. E você? Muito trabalho ultimamente?— que diabos ele tá falando? Mamãe acabou de morrer e ele parece nem se importar?

Ouvi risos do Jeff ao lado por causa da resposta seca de meu pai, olhei para ele, incrédula. Porra, minha mãe morreu, por que tão agindo como se isso não fosse nada seus cuzões?

—Quer calar a boca, seu monte de merda?

—Vê se fica calma, Richtofen.

Eu levantei então, pronta pra encher ele de porrada, aquilo era de muito mal gosto, quem esse filho da puta pensa que é? Eu vou arrebentar ele.

—Vamos manter a calma, querem que eu chame o delegado?— um dos policiais me afastou com o braço, Jeff riu novamente, cínico. Aquilo me irritava de 1000 maneiras diferentes. 

Me sentei e aguardei, até que Gabriella saiu da sala, com sua face lívida e seus olhos assustados. Lá de dentro chamavam Jeff, então ele foi lá dentro e as portas se fecharam novamente, Gabriella conversava baixinho com seu pai algo que para mim era inaudível. 

—Não foi você, foi?— perguntei ao meu pai, baixo.

—Você sabe que não.

—Então por que tá assim? Como se não fosse nada?

—Desculpe pelo desrespeito ao seu luto, mas eu só não tenho motivos para ficar triste ou choramingando.— ele disse olhando em meus olhos.

Realmente, agora sei que não se amavam, eu precisava de algo, mas na delegacia era impossível usar algo, tudo tem limites.

Isso tudo se torna menos doloroso com você me ouvindo.

Alguns minutos depois Jeff saiu de lá, uma expressão séria, tomou seu casaco e saiu sem dizer palavra alguma, sem olhar para ninguém.

Alguém chamava pelo meu nome lá de dentro, era minha vez.

Entrei e me sentei, as portas se fecharam, mas dessa vez eu vi isso acontecer de dentro da sala.

—Anelise Montenegro, 22 anos. Pode falar um pouco do dia 14 de outubro? Desde o momento em que acordou até o que foi dormir.

Respirei fundo, e me contive para não chorar mais uma vez, meus olhos já estavam inchados dos últimos dias.

Contei meu depoimento, dizendo cada passo meu daquele maldito dia, hora ou outra meus olhos insistiam em lacrimejar, mas me segurava, mamãe agora era apenas uma lembrança, e uma lembrança dolorosa.

Então começaram as perguntas:

—Como era sua relação com a sua mãe?

—Ás vezes as gente discutia, como qualquer relacionamento de mãe e filha, claro que a gente sempre voltava a se falar depois, ela me amava e sei que fazia de tudo para o meu bem, tudo que eu tenho até hoje é por causa dela, eu amo ela.

—Como era a relação dela com o seu pai?

—Eles brigavam quase sempre, pelo menos quando eu tava e casa, a gente não almoçava junto na maioria das vezes.

—Seu pai já chegou a partir pra agressão física ou ela já fez algo assim com ele?

—Que eu tenha visto, nenhuma vez. Às vezes eles atiravam coisas uns nos outros, como vasos, copos, coisas assim.

Isso contava como agressão física? Não era assim tão físico… eram só coisas sendo arremessadas de um lado da sala de jantar para o outro.

—Sua mãe te agrediu alguma vez? Física ou psicologicamente?

—Não, nenhuma vez sequer, mamãe não era de fazer essas coisas, ela podia gritar comigo as vezes, mas isso aí não, nunca.

Não era mentira, mamãe jamais faria algo assim comigo.

—Você disse que seu pai sai poucas vezes do escritório, pode dizer melhor sobre isso?

—Ele se tranca lá e não sai nem pra dormir, as empregadas levam comida, é claro. E lá tem banheiro.

—Como é por dentro dele?

—Eu não sei, papai não deixa eu entrar, nem ninguém da casa.

—Certo. Você tem ciência de que não só o Sr. Tavares como você interfiriram na cena do crime?

—Eu sei, percebi isso depois, eu não queria dificultar, eu acabei agindo pela emoção. Quanto ao Sr. Tavares, acho que tenha interfirido pelo sensacionalismo, eu sei como a mídia é. 

—Por quê acha isso?

—Tavares tá com a carreira em declínio, fracassando, devia tá fazendo isso pra tentar ascender de novo já que minha mãe é uma estrela.

Isso é nojento, ele tava encostando nela, tocando na minha mãe como se ela fosse um simples pedaço de carne, só pra ter um momento de fama, aquela merda tava ao vivo.

—Como sabe disso?

—Tavares é amigo de infância do meu pai, inclusive foi até ele que colocou aquele repórter no evento, ele foi lá em casa alguns dias atrás. A gente conhecia ele a muito tempo, tem até fotos dele me segurando no colo quando eu era criança. 

—Ele era íntimo da família?

—Eu disse que ele é amigo do meu pai, minha mãe nunca gostou dele, pra mim não tinha tanta importância. 

—Foi você que matou sua mãe?

—Não! Claro que não, eu amo ela! Minha mãe é o mais importante pra mim.

—Você fala muito dela no presente, por quê?

—Por que eu vou sempre amar ela, não importa se morreu aqui, ela tá viva na minha lembrança, quero viver tempo suficiente pra ver quem fez isso com ela, pagar, se preciso, pagar com a vida.

—Mataria o assassino?

—Eu sinceramente não sei mais do que eu sou capaz.

—Tudo bem, Srita. Montenegro, pode ir.

Então me levantei, o próximo era meu pai, eu torcia pra que ele não tivesse nenhum envolvimento com aquilo, eu não suportaria se fosse ele, mas sei que também não posso duvidar, as suspeitas apontam para ele.

Ele entrou na sala e fiquei o aguardando do lado de fora.

—Meus sentimentos, Lise.— disse Gabriella com a mão em meu ombro.

—Não seja ridícula Gabriella, você realmente se importa? Tá na cara que só tá fazendo essa pose de coitadinha porque é uma das suspeitas…

Ela me olhou, chocada. Devo ter pegado pesado, mas não irei me desculpar, ainda não me esqueci do ocorrido da festa.

Acha justo? Acha mesmo que eu deveria me desculpar com ela? 

É ela quem me deve desculpas, vive me enchendo de elogios, como se fosse minha amiga, e me deu perdido na festa pra beijar meu ex-namorado que ela sabia que tinha sido um babaca comigo.

—Eu entendo seu luto, Lise, mas não têm o direito de falar assim com a minha filha!

—Ah vai se foder você também seu escroto, sensacionalista de merda! EU VOU TERMINAR DE ACABAR COM ESSA SUA PORRA DE CARREIRA! NÃO FALA COMIGO, ABAIXA SUA CABEÇA E FICA NA SUA, ENTENDEU?

Quando percebi já estava gritando, o policial mais uma vez tentou me acalmar.

Me desculpa, tudo isso tá mexendo comigo, sem a mamãe aqui eu preciso aprender a me defender sozinha contra esses cuzões, ninguém vai fazer isso pra mim.

Gostaria que me abraçasse agora, preciso ser forte, mas não sei se consigo, de repente as coisas pioraram.

Eu quero ir pra casa logo, eu preciso descansar, estou enlouquecendo.

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