COLD. (l.s)

By pphouis

4.5K 576 254

"Quando a única forma de amor que você conhece é do afeto que possui um código de barras, percorrer a vida co... More

I. a volta
irresoluto
alarmante
pretextos
racional
envolvimento
II. a realidade
prognóstico
repercussão
consequências
ímpeto - parte um
resoluto
audácia
dispensável
suprimir
incessante
rendição
entrega
III. a vida
iniciação
dias
resoluções
encontros
paixão
desejos
identificação
presença
brigas
decisões
pedido
namorado
IV. a decisão
controle
liberdade
obstáculo
etapas
oscilações
explosão - parte um
explosão - parte dois
V - a presença
perdões
conhecer
cura
home.
epílogo :)

ímpeto - parte dois

91 17 1
By pphouis

[p.o.v Harry]

Burro, eu sou muito burro.

Depois de decidir que iria compartilhar meus pensamentos com meus amigos e aceitar o "encontro" com Louis, resolvi avisá-los no nosso grupo. Por burrice - só podia ser burrice - abri o grupo errado, o mesmo que Louis também estava e lá avisei todos que Louis havia me chamado pra sair depois da aula.

Burro!

Mas, provando mais uma vez que Louis Tomlinson era apenas o melhor ser humano de Nova Iorque, ele me mandou mensagem - no privado - e disse que não deveria ficar preocupado com aquilo, porque ele não se importava com que os outros dissessem, depois ainda ainda chamou nosso almoço de encontro.

Sim, encontro.

Eu queria explodir de felicidade em ler aquilo, mas soube que se ficasse mais 30 segundos com o celular ligado iria ser bombardeado com milhões de mensagens dos nossos amigos, então desliguei tudo e joguei na mochila e passei o restante da aula tentando me concentrar no que a professora dizia.

[...]

Enquanto caminhava em direção ao estacionamento repetia internamente que aquilo não era um encontro e mesmo que fosse nada iria rolar. Por mais que ele tenha me dito o contrario, eu preferia não acreditar em nada disso até segunda ordem.

Era melhor ir com o pior dos pensamentos do que me iludir.

Parecia o mais correto para o momento.

- Oi - Louis sorriu gentil assim que o alcancei perto da BMW, - não vi seu carro hoje, então já está tudo certo em irmos no meu.

- Sim - disse mais baixo que o normal, - acho que é a única coisa que resta.

Entramos na BMW, logo as portas estavam fechadas e o carro corria pelas avenidas para ir ao restaurante escolhido. O silêncio era ensurdecedor e não havia nada de confortável naquilo.

As 3 únicas vezes que estivemos sozinhos até hoje foram conturbadas, o mais próximo que chegamos de calmaria foi quando ficamos deitados na cama de Louis com as mãos dadas enquanto dormimos.

Por esse motivo, almoçar com Louis era tão estranho.

Afinal como agir com alguém que você não sabe nada, mas não sendo a primeira vez que a vê?

A próxima coisa que ouvi de Louis foi quando o garçom veio colher nossos pedidos.

Ele me deixou escolher primeiro. Pedi macarronada com camarão, já Louis quis risoto e filé mal passado. Quando o garçom saiu do local, olhei em volta e o lugar estava vazio, poderia ser pelo horário ou até mesmo pelo nível do restaurante, mas o que realmente importava era que estávamos sozinhos no ambiente e nada nos prendia.

Nossos melhores momentos é quando não há ninguém por perto.

- Então... - Quis puxar assunto, mas me faltava o que dizer.

- Eu te deixo desconfortável? - Perguntou na lata.

- O quê? Por que você acha isso?

- Sinto que você se retrai perto de mim e também - pausou para beber um gole de água - você não se parece com você mesmo perto de mim...

- E quem seria "eu mesmo"?  - Fiz aspas com a mão e estava verdadeiramente curioso com a resposta. Afinal, naquele ponto, eu já tinha admitido que Louis me conhecia de todas as maneiras, mas pelo visto ele não sabia disso.

- Ah, você é um cara super descontraído com os seus amigos, nas festas sempre está junto com todos e então eu chego perto...e você se fecha.

- Oh! - Não esperava por aquilo. - Bom, não sei bem como, mas você me enxerga e isso me dá medo.

- Eu te enxergo? - Afirmei com a cabeça, mas antes que Louis pudesse dizer algo além a comida chegou.

E de novo o silêncio se fez presente.

Começamos a comer e o assunto passou a ser o quanto aquela comida era boa.

Louis contava como odiava algumas coisas do Texas, principalmente as comidas. Eu ria da cara de nojo que ele fazia.

Passou a ser uma conversa agradável do nada, mas eu sabia que não tínhamos acabado o assunto anterior.

- Mas nada se compara a um taco cheio de abacate e tomate que eles comem - Louis revirou os olhos e sua cara era de quem estava passando mal, não contive a risada alta com a cena.

- Você quer dizer guacamole?

- Tem nome pra isso? Que nojo!

- Você nunca comeu comida mexicana não?

- Sim, mas não tem nada de abacate no meio das que eu como.

- Sinto te dizer, mas você comeu errado a sua vida toda - limpei o canto dos seus lábios e coloquei o prato já limpo mais para frente. Louis também já tinha finalizado.

- Você tá insinuando que comida mexicana tem abacate?

- Não estou insinuando, estou te confirmando.

- Você está louco, vou te levar pra comer mexicano e te provar que você esta louco.

- Desafio aceito. - Sorri e mal pude esperar para ganhar aquela aposta.

- Desafio aceito? Está citando Barney Stinson pra mim, Styles? - Não iria admitir em voz alta, mas adorava ser chamado de Styles por Louis. E adorava ainda mais entender suas referências.

- Estou sim, - sorri e inclinei o corpo sobre a mesa - vai fazer o que a respeito disso? - Eu to flertando?

Ele sorriu.

Aquele sorriso era completamente diferente do que já tinha visto até então, tinha im ar de cafajeste em seus lábios repuxados.

Louis tinha gostado do meu flerte?!

- Te provar que nem sempre Barney Stinson ganha.

Ele gostou.

Não contive o sorriso na mesma proporção.

O garçom chegou para buscar os pratos na sequência. Pedi a sobremesa, um sorvete com bolo, sugeri dividirmos por ser muito grande e Louis aceitou de bom grado. No meio da espera pelo prato Louis teve iniciativa a dizer.

- Você contou aos seus amigos tudo?

- O que seria tudo? - O assunto não tinha acabado.

- Você sabe... As conversas que tivemos naquele dia, o pedaço de bolo compartilhado... - era como se a próxima parte a dizer fosse proibida, por isso apenas sussurrou - o beijo.

- Ah, só a última parte na verdade.

- Por que? - Louis não estava bravo, eu vi isso.

- Porque todo o resto é muito difícil de contar para qualquer um... - Minha garganta travou no meio da frase. - Não é como se nenhum deles soubessem o que acontece na minha vida sabe, eu amo eles, são meus melhores amigos, mas é muito difícil introduzir alguém no aspecto de família destruída, entende?

- Entendo sim... Por mais que Liam e Selena sejam meus amigos desde sempre, eu não tenho essa conversa com eles, a única que entende de verdade é a Charlie, mas eu to aqui pra cuidar dela e não o contrário.

- Pelo menos você tem ela, as vezes acho que Gemma e eu fomos criados por famílias diferentes, porque ela não parece se importar - Louis concordou com a cabeça. - Eu contei apenas a parte do beijo para eles, porque é o que eles veem de mim, quando eu 'to com alguém ou só beijando alguém eles entendem, então é mais fácil falar só essa parte. E, eu só contei porque precisava conversar com alguém...

Mais uma vez fomos interrompidos pelo garçom que trouxe a sobremesa. Depois de 2 colheradas Louis continuou o assunto.

- Faz quanto tempo que você vive isso?

- Isso? Como assim? - Não entendi exatamente o que ele queria saber.

- Fingindo que não existe nada além de um grande pegador e que não existe nenhum sentimento dentro de você?

- Não é bem assim, Louis...

- Então como é, Harry? - Seu tom era o mesmo, mas eu via no seu rosto uma expressão curiosa, mas ao mesmo tempo um expressão de preocupação.

- É só complicado, ok? - Louis não insistiu mais e sabendo que próximo passo era o silêncio desconfortável decidi continuar. - Sobre as mensagens... Eu quero me desculpar primeiro por falar aquilo no grupo, agora seus amigos vão te encher de perguntas e a culpa é minha.

- Não se preocupe com isso, eles sabem que eu iria ter que conversar com você.

- Então eles sabem também... - Louis levantou as sobrancelhas, querendo que eu continuasse. - De nós?

- Não... Na verdade ninguém sabe.

- Entendi... - Fiquei decepcionado. Era nítido, por isso corri para desviar o assunto. - Enfim, desculpa pelas mensagens no sábado de noite também, não acho aquilo que eu disse.

- Como eu disse, está tudo bem e - Louis coçou a nuca e esperando o garçom levar o prato para continuar - eu também acharia o mesmo, o que pensar de alguém que sempre aparece quando o outro cara está prestes a transar, né?

Ri sem humor e concordei.

Eu estava certo sobre muitas coisas. Entre elas o fato de Louis ser diferente era a principal, mas esqueci de um pequeno detalhe: Louis não era atraído por mim, mas além disso, Louis era hetero e só tinha dó dos danos que deixou na minha vida.

No fim, tudo era por dó. Talvez não fosse só pela minha família, mas era também por quem eu sou.

Felizmente agora tenha amigos que sabem da minha situação e vou poder xinga-lo, porque nesse momento a única coisa que preciso é xingar ele e dizer o quanto um homem pode mexer comigo e ao mesmo tempo me consolar.

Pedimos a conta pouco depois. Cada um pagando a sua parte e logo já estava de novo dentro daquele carro.

Desde meu desapontamento na mesa o assunto morreu e eu pagaria qualquer grana para nunca mais falar sobre aquilo.

Agora no carro o ambiente era mais silencioso do que antes, eu só queria chegar em casa logo e parar de pensar nas palavras ditas por Louis que provavelmente iriam atormentar minha cabeça por muito tempo.

Quando passamos pela entrada do condomínio Louis respirou fundo me vendo que desfazer do cinto de segurança, em menos de 2 minutos estávamos na frente de casa.

Virei o corpo no banco de trás a fim de pegar minha mochila e abri a porta, ainda com seu corpo no carro.

Louis segurou meu braço antes que eu pudesse fazer qualquer outro movimento me impedindo assim de sair do carro.

Ele segurou com firmeza, como se precisasse de algo, dizer algo... de alguém.

Mas Louis não disse nada.

Percebendo que nada sairia dali, olhei para ele e balancei a cabeça em negação. Naquele momento percebi que Louis sabia que eu queria mais.

Minha impaciência e negação mostrou aos olhos dele meus desejos, mas para além dele, mostrou a mim que nesse ponto da minha vida eu precisava para ter clareza quem me rodeava.

Louis sabia que eu queria mais, sabia que eu o desejava e sabia que existia dentro de mim, afinal de contas Louis me lia muito bem. E era por isso que eu tinha raiva.

Ele não fazia nada com todas as informações que tinha.

Segundos mais tarde sua mão desfez o aperto que dava em meu braço e sem mais qualquer expectativa comecei a sair dali, sem me despedir.

Até que ele disse:

- É difícil pra mim, Harry. - Sua cabeça estava baixa, mas a voz estava completamente audível. Voltei o corpo para o carro, sentando no banco mas sem fechar a porta, até Louis continuar. - Até 2 meses atrás eu empurrava qualquer lembrança que existia de você o mais fundo possível na minha memória, mas voltar e estar aqui em Nova Iorque não me permite a continuar assim. - Louis enfim levantou a cabeça e olhou nos meus olhos. - Não tenho como te dizer que sei o que é isso - apontou para os dois - ou o que eu quero, porque eu não sei.

- Eu também me sinto perdido sobre isso - apontei para nós dois, imitando o movimento anterior feito pelo menor. Porém algo me dizia que nossas confusões não eram as mesmas.

- Desculpe por não conseguir te dar respostas concretas e por voltar, eu sei que mexeu com você também.

- Acho que vamos ter que aprender essas respostas juntos, Louis.

- Contanto que eu não atrapalhe a sua vida...

- Pode ficar tranquilo. - Sorri e com a cabeça mais tranquila levantei a mão, a fim de selar o pacto recém feito. Não ousaria nada a mais.

Louis não queria atrapalhar a minha vida e isso respondia todas minhas questões. Louis não queria e não iria enfrentar sua mente por mim.

Contrariando todas minhas certezas ele levantou a mão e abraçou minha palma, para na sequência puxar meu corpo para o seu. Então me abraçando profundamente por poucos segundos. Não durou mais que 10 segundos o contato, mas foi o suficiente para me fazer sair do carro com o semblante vitorioso.

Não era uma vitória de quem ganha uma luta, mas um vitória de saber que aquele lugar não me abrigava. Pois, de uma forma completamente estranha - e minha - eu soube que não era mais ali que poderia viver.

Ele não iria enfrentar nada por mim, mas Louis se importava o bastante comigo para não me fazer sofrer. Ainda era por dó. Ainda tinha os motivos errados, mas ainda assim era glorioso.

Talvez eu tenha ganhado um novo amigo e naquele ponto estava tudo bem ser amigo dele.

[...]

As duas semanas seguintes foram um completo caos.

Existia um pedaço do meu ser que havia compreendido o novo papel de Louis na minha vida, mas após o fim de semana que almoçamos juntos eu percebi em seus olhos que aquilo - nós - não éramos nada. Jamais seria algo, nem mesmo na amizade.

Agora 14 dias após eu tinha certeza. Louis e eu éramos meros colegas de colégio. Compartilhamos do mesmo grupo de amigos e do mesmo condomínio, mas nada além nos une.

Eu tive esperanças, mesmo sabendo que nada seria diferente. Existia um pequeno outro pedaço de mim que teve esperanças de algum momento Louis me olhar e querer agir.

A minha sorte é que essa esperança era tão pequena, mas tão pequena, que não conseguiu me dominar. No fim, Louis me ignorou completamente por dias, fingiu que nunca existiu nenhuma conversa e fez sentir um idiota iludido.

Porém não tinha como o culpar. Louis não me prometeu nada. Tudo e qualquer coisa que criei foi na minha própria cabeça com meus próprios sentimentos.

Louis Tomlinson tinha sentimentos por mim e talvez até quisesse fazer algo com eles, mas ele não tinha peito para enfrentar o mundo. Então, não seria eu que perderia meu tempo tentando provar que valia a pena.

Assim, simples dessa forma decidi seguir meus dias. O mais longe possível dele e de todos que me lembravam ele.

Decidi não frequentar os lugares que ele estivesse, para garantir que não avançasse na cara dele. Ele não frequentava algumas festas, nos intervalos tínhamos a graça de sua presença. Então, eu estava nas festas, mas nunca nos intervalos e assim seguia meus dias.

Nesse ponto de toda a nossa "história" os outros do grupinho já tinham se envolvido. Taylor e Selena estavam cada dia mais juntas como casal, Liam e Zayn aproveitavam essa espécie de Lua de Mel/relacionamento aberto que tinham, Niall ia em todas as baladas e me chamava para todas. Como agora todos sabiam dos meus sentimentos, eu deixava claro que não iria para nenhum lugar onde Louis também estivesse e eles me respeitavam.

Por enquanto tudo funcionava como eu queria. Até o intervalo de sexta. 

Me sentei com o grupinho porque era dia de simulado e Louis provavelmente sairia da prova direto para sua bônus de espanhol.

- Eu não aguento mais estudar tanto - Liam chegou na mesa onde todos estavam, menos Louis, ele tinha sido o último a sair da prova de geopolítica.

- Nem me fale - Niall complementou.

- Pobres mortais, se matando para passar na faculdade. Por esses e outros que não quero passar por esse desgaste - Taylor dizia enquanto comia algumas batatas.

- Te odeio por isso - Selena fala, todos nós estávamos mortos e Taylor era a única que não se preocupava com as provas.

- Só se for por isso mesmo, porque pelo visto a boca de vocês não conseguem se desgrudar mais...

Louis disse se aproximando da amiga e eu quis morrer ao ver a cena. Não era para ele estar aqui, não era para ele sequer chegar perto de mim.

- Inveja, Louis? - Selena virou o rosto para responder o garoto que tinha acabado de chegar.

- Inveja?

- Inveja porque você é um bocó que não beija ninguém?! - Gomez completou enquanto o menor sentava ao lado de Liam e Zayn. Ele estava lindo, mas algo diferente existia em seu olhar, algo mais triste que o normal.

- Eu amo essa briga - Liam diz rindo.

- Faz quanto tempo que você não beija? - Lá estava Malik e sua indelicadeza, acho que eu deveria levantar e me retirar, esses assuntos sempre sobra pra mim.

- Porque de repente o assunto se tornou minha vida? Vão estudar. - Os olhos azuis não tinham brilho e eu pude ver ali que era um assunto desconfortável para ele também.

- Porque você adora se meter na nossa vida também - A amiga volta a falar.

- Taylor, por favor beije essa garota pra ela ficar quieta.

- Vem cá, amorzinho - Taylor diz e eu podia vomitar com o tanto que elas eram melosas.

- Amorzinho? Vocês estão nesse nível? Achei que não tinham passado dos primeiros beijos - digo encarando a loira.

- Mas é claro que você não sabe, né Harry! - Zayn praticamente grita.

- Porque você tá gritando? - Respondo continuando a comer meu pão.

- Zayn... - Liam tentava acalmar, eu não entendo o que está acontecendo.

- Sem essa... Você some, eu te vi duas vezes essa semana, Harry... E, quando te vejo você sempre parece em outro mundo.

- Não sei se você sabe, Zain, mas eu 'to preocupado com minha aprovação na Juilliard.

- Você passaria de qualquer forma, Harry - Selena me diz.

- Gente, deixa ele... - Niall tenta me defender, parece que entre todos meus amigos Niall é o único que não quer me ver exposto na frente de Louis.

- Obrigado.

- Não querendo me meter, mas já me metendo - Louis diz pela primeira vez se dirigindo a mim. - Todo mundo aqui 'ta estudando, mas mesmo assim nos vemos todos os dias, nem que seja na entrada do colégio. Está acontecendo alguma coisa a mais, Harry?

Então era isso, Louis some da minha vida por duas semanas, esquece toda a falsa esperança que me deu ao dizer aquilo dentro do carro e agora está tentando me fazer de vilão?

Que ótimo!

Agora estou entendendo como ele funciona, faz de tudo para que eu fique o mais confuso possível e depois joga para cima de mim a culpa. Eu não vou deixar isso acontecer.

Se todos os dias precisei pensar exatamente onde andar e para onde ir, isso é sua culpa, não minha, então você que precisa se pôr no seu lugar.

- Bem observado, Tomlinson. Mas é melhor mesmo você não se meter.

- Ok - ele responde seco e eu saio dali sem dizer tchau.

[...]

Sem internet ou twitter tudo que eu vivi na semana que passou depois daquela sexta foi por puro instinto.

Precisei me afastar de tudo.

Desde que Louis voltou para Nova Iorque tantas coisas me afligiam que não conseguia mais separar o que de fato era real. Por isso me afastei de verdade.

Tudo que soube era pelo Niall ou Taylor que contavam depois das aulas. Zayn me entendia, mas preferia não se envolver, era como se ele soubesse de algo que eu não sei e considerando que atualmente ele e Liam não se desgrudam pode ser que seja verdade.

De resto nunca mais vi ninguém.

Aquilo mudou na quarta feira quando precisei voltar com o celular para programar um trabalho do HAV. Nesse mesmo dia Liam contou no grupinho que estava planejando uma festa de fim de bimestre na sua casa, concordei em ir, mas ainda não estava certo se aquilo seria bom mesmo.

Na quinta, comecei a sentir que o distanciamento que tive havia sido imprescindível.

Luke, o tatuador que fez noventa por centro das minhas tatuagens, me mandou uma mensagem e perguntou se eu não queria servir de modelo para uma arte que havia feito. Era uma mariposa, muito bonita. Há algum tempo queria algo mais "chamativo" no meu corpo e achei que aquele poderia ser o momento ideal. Sendo assim aceitei de imediato.

Na mesma quinta fui até seu estúdio e tatuei. No centro do meu tronco.

Durante toda a sessão Luke fazia suas piadinhas infames e tentava a todo custo garantir sua transa daquela noite, porém eu não estava afim daquilo e recusei mais de uma vez. Era a primeira vez que conseguia recusar algo daquela magnitude com tanta certeza.

Assim que o grupinho soube da tatuagem não demorou para relacionarem o "ganhar da tatuagem" com o pagamento sendo meu corpo. Louis lia todas as mensagens e nada dizia. Será que nenhum de seus amigos percebia?

Percebendo ou não, quando cheguei em casa naquela quinta lembrei de algo que eu sempre soube fazer muito bem: provocar.

Não sou modesto e nem quero ser. Sei muito bem o que posso alcançar dizendo a coisa certa na entonação certa, por esse motivo uma foto da minha recém tatuagem inaugurava minha volta ao twitter.

O primeiro like foi dele. Louis. Mas não somente isso, Louis também twittou sobre.

Quer dizer, pelo menos eu acho que foi sobre, ok quem eu quero enganar, é obvio que foi sobre.

E tudo isso, enquanto o mesmo não me seguia na rede.

Finalmente me sentia cem por cento satisfeito.

"caralho..."

Uma única palavra, mas o suficiente para saber que eu tinha o poder de mexer com sua mente.

Minutos depois Taylor me ligou e rimos muito da situação. Era tão bom finalmente ter alguém que entendia os motivos de algumas ações.

Agora eu entendi muito bem o que devia fazer com toda a frustação que existia em mim: brincar. Já que não íamos aproveitar do jeito que eu queria, pelo menos poderia brincar com aquilo que sabia. Louis pode ser forte o quanto quiser, mas ele não é cego e vai ter que ver tudo que tenho a mostrar. 

A festa seria daqui em menos de uma semana e eu mal poderia esperar para curtir do meu jeito.

"(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)

Porque oiço, vejo."

Ainda bem que voltei.
________________________________

A partir daqui é fogo no parquinho 😎 até quarta com mais!!

Ps: as músicas na mídia é o q reflete o sentimento que passa no cap :)

Continue Reading

You'll Also Like

428K 58.7K 33
Harry Styles é um rapaz que não acredita em muitas coisas, na verdade, há poucas coisas nas quais ele acredita, e uma delas é que ele está sofrendo d...
3.4K 299 2
"Você está tão bonito esta noite amor, este verão te fez mil favores." Louis empurra seu polegar em direção às orelhas de Harry para tirar fios de ca...
7.2K 558 4
como em um primeiro amor, você dá tudo e dá demais. como um primeiro amor, você não se importa realmente se vai machucar muito. quando tudo está acab...
Wattpad App - Unlock exclusive features