My Brother | Kai Havertz & Ti...

By coldwar_97

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Kai e Timo descobrem que são irmãos e que o passado deles está ligado ao Comando Rubro, um grupo que destruiu... More

Prólogo
Promessa
Visita a Stuttgart
Bombardeio
Perguntas
Proposta
Encontro
Fique bem
Descanso
Surpresa
Confusão
Ele sabe de algo
Isolamento
Explicações
Convença-o
Camisa 11
Casa nova
Novos amigos
Ele chegou
Me sinto em casa
Festa
Briga e desafios
Você nem imagina
Sacrifício
Mensagem
Quarentena
Operação
Investigação e festa
Reviravolta
Está feito
Angústia
Há algo errado
Ajuda
Cinco dias
Verdade
Eu vou
Incertezas
Conversas
Péssima decisão
Sinto sua falta
Dúvida
Transgressão
Reencontro
Trauma
Bem-vindo de volta
Casa
Caixa
Família
Natal
Pesadelo
Ano Novo
Operação Final
Retrocesso e triunfo
Como ela era?
Campeões
Eliminação
Origem
Férias
Epílogo
Notas Finais e Agradecimentos

Sentenças

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By coldwar_97

Três semanas depois

As vidas de Kai e Timo ficaram muito diferentes depois do fim da ameaça extremista. Os irmãos fortaleceram os laços e se apoiaram durante a recuperação. Como era de se esperar, Havertz voltou aos treinos antes do mais velho.

Porém, ele levou o irmão para as atividades e o manteve próximo do dia a dia da equipe. Timo fazia alguns treinos eventuais na academia e apresentava boa melhora. Ele foi liberado para se juntar aos companheiros de time uma semana antes do que o médico havia previsto, devido à recuperação da condição física.

Werner caminhou em direção ao campo pela primeira vez em muito tempo. Pareceu uma eternidade para ele. Kai o acompanhou, mantendo certa distância para não interferir no reencontro do irmão com o futebol, onde ele se sentia feliz e realizado. Mas Timo hesitou antes de passar pelo pequeno portão que dava acesso ao campo.

— Está tudo bem? — Havertz se aproximou.

— Não sei se estou pronto...

— Se não estiver se sentindo confortável, tente amanhã. Quer ir embora?

— Não é isso... é que eu não consigo fazer isso sozinho.

— Você não está sozinho. Estou a três metros de distância.

Timo cedeu e eles caminharam até o campo. Ele se abaixou e passou as mãos no gramado que ainda estava úmido devido à chuva que caiu no início da manhã. Foi como se o campo o revigorasse. O cheiro da vegetação ao redor o fez se sentir confortável.

Kai ficou levemente preocupado com ele. Afinal, em pouco tempo, o irmão voltaria para os jogos contra outras equipes, o que implicaria em viagens e contatos com as torcidas. Os efeitos dos traumas pelos quais o mais velho passou se reduziam a cada dia, mas ainda assim Havertz tinha receio de que ele não se recuperasse totalmente. Aquilo poderia levar meses ou até anos.

— Obrigado, meu irmão. Não conseguiria chegar até aqui sem o seu apoio. Obrigado por passar todos esses dias comigo e por ser tão paciente.

Kai estava com uma bola debaixo do braço. Entregou-a para o irmão e abriu um sorriso.

— Você está pronto! Eu sei que está.

Timo viu a bola e focou completamente no treino. Deu mais um passo para o reencontro com a vida que tinha antes de ser raptado. Os extremistas transformaram a vida do alemão em uma completa incerteza, mas o simples retorno aos treinos deu esperança a ele. Os dois chutaram a bola um para o outro e dominavam-na em seguida.

— É realmente uma pena que vocês não tenham aproveitado esses momentos quando eram crianças — Frank se aproximou deles. — Nós precisamos conversar. Vocês sabem que o time não está apresentando bons resultados sobre o meu comando...

— Sim. É uma fase difícil — Werner observou a feição triste do técnico.

— Nós perdemos alguns pontos importantes enquanto vocês estavam fora dos jogos. Isso, é claro, não foi culpa de ninguém. Infelizmente aconteceu. Nos próximos dias eu devo ser demitido. Então queria dizer algo a vocês... eu realmente espero que encontrem a paz que tanto procuravam. Sei que passaram por coisas horríveis nas últimas semanas e fico feliz de vê-los vivos e se divertindo nesse campo.

— Obrigado, Frank. Espero que aconteça o melhor para você. Sinto muito que o seu trabalho aqui pode terminar, afinal foi você que nos trouxe para Londres — Kai disse. — Espero que tenha sucesso em outro time.

— Eu sabia que trazer vocês seria bom. No fim, acho que ajudei a se aproximarem mais.

— Ajudou muito. Obrigado por confiar em nós nos últimos meses e por ter me apoiado enquanto Timo estava nas mãos dos extremistas.

— Vocês são dois dos melhores jogadores que tive a honra de treinar. Estou feliz, apesar do futuro incerto. O melhor está por vir. Agora sim vocês estão fora de perigo e podem aproveitar todo o tempo que não tiveram antes. Ainda não sei... talvez esse seja o meu último treino — Frank balançou a cabeça, desapontado. — Mas ainda não acabou para vocês. Quero que entreguem tudo em campo e principalmente fora dele. Bom, vou chamar os outros para iniciarmos a atividade.

Os irmãos ficaram em silêncio. Realmente a situação do time não era tão boa. Os gastos para as contratações da temporada foram muito altos e a equipe como um todo enfrentava um período de muitos jogos em poucos dias. Aquilo fez a motivação de todos cair um pouco.

Os outros jogadores entraram em campo e começaram a correr. Kai e Timo conversaram.

— Hoje é um dia importante — Havertz comentou. — Grande parte dos líderes passará pelos julgamentos. Vão transmitir na televisão depois do almoço.

— Nem acredito que isso está acabando...

— Vamos assistir?

— Acho que sim... quero ver os rostos daqueles que queriam nos matar.

— Meu pai disse que inicialmente quis nos indicar para testemunharmos, mas desistiu da ideia ao ver pilhas e mais plihas provas em Haia e nos tribunais alemães. Achei bom não termos que fazer isso porque você ainda não está muito bem.

— É... eu ainda vou levar um tempo para me recuperar do que ouvi e vivi naquele lugar.

Depois do treino, Frank se reuniu com alguns diretores do clube e voltou ao gramado para se despedir. Como os irmãos já sabiam do possível desligamento, não ficaram surpresos como os outros. Os jogadores conversaram com o ex-técnico, que foi embora minutos depois.

— Fiquei chateado com isso. Ele é um cara legal — Timo murmurou para o mais novo.

— É, eu também gostava dele.

— Você quer ir embora ou quer falar com os caras?

— Vamos embora. Nós podemos sair mais tarde, o que acha? Aí convidamos eles para irem conosco.

— Você quer mesmo sair? — Kai ficou surpreso. Devido ao estado do irmão, ele não achou que ouviria aquilo tão cedo.

— Quero. Preciso ver gente... e acho que merecemos — Timo ficou animado.

— Acho que vamos comemorar muito hoje!

— Espero que sim.

Eles saíram do centro de treinamento e passaram em um restaurante para almoçarem. Quando chegaram à casa de Kai, havia um homem sentado nos degraus da escada que levava à porta. Werner o conhecia.

— Dimitri! Você está vivo! — Timo gritou, assustando o homem.

— Tive que mudar de nome. Agora sou Jan Hoffman — ele cumprimentou o alemão. — É muito bom vê-lo com saúde e bem! Guardei o endereço de vocês, espero que não se importem com essa visita surpresa.

— Desculpe, esse é o meu irmão. Você já o conhece um pouco — Werner olhou para Kai e os dois riram.

— É um prazer conhecê-lo — Havertz o cumprimentou. — Acho que palavras não podem expressar o quanto sou grato pelo que fez por ele.

— Infelizmente não pude ajudar mais depois da nossa fuga. A pior parte é que depois o encontraram... e não sei como Timo saiu vivo de lá.

— Eu o resgatei. Isso me custou algum tempo fora dos jogos e algumas dores que ainda não passaram, mas deu tudo certo — Kai apontou para as pernas.

— O que eles fizeram?

— Colocaram um explosivo em um dos corredores que me machucou bastante. Basicamente minhas pernas ficaram bem cheias de cortes e ficaram com algumas cicatrizes.

— Você foi muito corajoso, Kai. Eu faria isso pelo meu irmão, mas ele não está mais aqui.

— Seu irmão salvou o meu pai. O sacrifício dele ajudou a levar tantas pessoas à justiça... sinto muito pelo que aconteceu. Ninguém deveria ter morrido por causa disso.

— Sergei fez o que era certo. Ele se redimiu, mesmo não tendo feito nada por vontade própria. Às vezes nós fazemos tudo para que não mexam com as nossas famílias. Mesmo assim, ainda acho que eu deveria ser julgado pelos meus crimes.

—Nada disso. Você não é um criminoso. Só queria se manter vivo e agora tem uma vida nova — Timo o interrompeu. — Aproveite essa oportunidade. Fique com os seus pais.

— Nós nos mudamos para uma cidade legal. As pessoas são agradáveis e já temos clientes na nossa marcenaria. Recomeçamos a vida do zero.

— Isso é ótimo! Você não quer entrar? — Werner perguntou.

O homem cedeu e Kai abriu a porta.

— Eu só vim ver como vocês estão. Tenho muito trabalho pela frente — Jan riu. — Sei que muito foi tirado de vocês, mas agora há uma chance de viverem em paz. Isso é como uma página em branco... é um privilégio. Dá para ver o quanto estão bem agora. Quero muito que sejam felizes.

— Você também está bem, não é? — Werner perguntou.

— Estou! Encontrei um jeito de ser feliz. Vocês devem fazer o mesmo. Esse sofrimento está chegando ao fim... soube que o julgamento começará daqui a pouco.

— Não sei se vocês sentem a mesma coisa, mas parece que algo ainda pode acontecer... — Timo revelou. Ele ainda se sentia inseguro, pois sabia que o Comando Rubro não se daria por vencido tão facilmente.

— O que acha, Jan? — Kai perguntou.

— Acho que devemos seguir com as nossas vidas. Já temos tragédias demais para administrarmos. Mas não discordo do Timo... eu consideraria manter cuidado por algum tempo, só por via das dúvidas.

— Tudo bem. Faremos isso.

— Bom, preciso voltar para a Alemanha. Já estou levemente atrasado.

— Quer que algum dos seguranças leve você para o aeroporto? — Timo perguntou.

— É melhor eu ir sozinho. Obrigado mais uma vez e até logo — Jan se levantou do sofá e despediu-se deles com um cumprimento. — Eu voltarei para vê-los jogando no estádio. É uma promessa.

O russo caminhou pela rua como um homem livre. Era o sonho dele. Não importava qual nome tinha. Fosse Jan ou Dimitri, estava satisfeito com a visita aos irmãos. Riu do quanto a vida o surpreendeu: se não fosse pelo sequestro de Timo ele jamais criaria coragem para executar o plano de fuga. Ele e Werner se salvaram naquela noite, talvez não do jeito que esperavam, mas se salvaram.

O julgamento estava para começar e Timo ligou a televisão da sala. Eles ouviram atentamente a narração.


"Ao vivo direto de Haia temos informações quentes sobre o sexto julgamento dos crimes cometidos pelo Comando Rubro. Os juízes responsáveis devem iniciar os trabalhos a qualquer momento. A expectativa é de que hoje as sentenças de diversos integrantes do grupo sejam proferidas. A atuação da corte internacional se fez necessária depois de o governo alemão agir com negligência mesmo tendo recebido várias denúncias, além de ter obstruído as investigações e de ter criado um ambiente de falsa tranquilidade. Documentos comprovaram que mais de cinco mil alemães foram executados pelos criminosos com o apoio do Kremlin. O presidente da Rússia, Joseph Gesser, entrou na mira do tribunal e também foi acusado na manhã de hoje por apoiar e facilitar as operações do Comando Rubro na Alemanha. Foram encontrados documentos falsos e diversos planos para a recondução dos extremistas à Ucrânia, onde atuariam em conjunto com os separatistas pró-Rússia que pressionam o exército local. Eles também prestariam apoio logístico e militar a grupos armados em países do leste europeu que fizeram parte da União Soviética. O domínio russo ainda perdura nessa parte do mundo, com o objetivo de dificultar as relações com países ocidentais com o mercado."


O julgamento foi transmitido para todo o mundo. Não era um hábito em Haia, mas eles abriram uma exceção devido ao apelo e à importância.

As sentenças de vários presos que faziam parte do Comando Rubro foram lidas por mais de quatro horas. A maior expectativa estava no anúncio dos crimes do presidente russo — que sempre chefiou tudo com a estrutura que tinha à disposição no Kremlin —, do primeiro-ministro alemão e de diversos chefes de governo dos dois países.

— Como tudo foi tão rápido? — Timo arqueou as sobrancelhas.

— Não sei... talvez pela repercussão do caso... meu pai enviou muitas coisas. Provas, documentos, ordens de compra, listas de pessoas que eles observavam, arquivos digitais, fotos, plantas, esquemas, planos de fuga e de invasão a diversos locais... tudo irrefutável. Grande parte dos materiais era do próprio Comando Rubro.

A leitura das sentenças foi iniciada. A maioria pegou até trinta anos de prisão. Porém, os líderes mais importantes, os chefes de governo da Alemanha e pessoas ligadas ao governo russo receberam mais de quarenta anos em regime fechado. Kai e Timo ficaram sem reação.

Já era noite quando tudo acabou. Eles se arrumaram e foram para o pub onde combinaram de encontrar com os amigos.

— Eu vi na televisão. Quer dizer que acabou, não é? Isso é tão bom! — Mason abraçou-os.

— Parece que agora sim podemos dizer que estão em segurança. Achei que isso demoraria a acontecer — Kepa estava visivelmente feliz. — Bom, eu já pedi uma rodada e espero que não se importem. Faz muito tempo que não saio para comemorar algo.

— Vocês foram extremamente corajosos nos últimos meses. Sei que foi difícil, mas as coisas se resolveram muito bem — Chilwell cumprimentou-os. — É um privilégio ser amigo de vocês!

— Estou tão feliz com todas as notícias e por estarmos aqui... é difícil acreditar que esse julgamento aconteceu e as pessoas que cometeram tantos crimes finalmente estão presas — Havertz pegou o copo e ficou pensativo. — Também é difícil saber que nós somos parte dos poucos sobreviventes. Fomos muito protegidos e várias pessoas se arriscaram para estarmos aqui hoje. Esse sentimento de que tudo deu certo está tão presente hoje... — ele sorriu.

— Kai e eu temos muita sorte. Temos muitas pessoas que fizeram tudo por nós. Vocês também se arriscaram por serem nossos amigos. Só resta um agradecimento... foram tempos difíceis. A verdade que continha naquela caixa mudou tudo que sabíamos sobre nós até então, é como se as nossas vidas tivessem sido mentiras. Mas quando olhamos para todos que estavam ao nosso lado, tudo ficou mais fácil. Nossa família foi destroçada e a nossa mãe foi tirada de nós quando ainda éramos muito pequenos. Kai mal nasceu e ela se foi... lembrar disso ainda dói, mas descobrimos que também temos uma família aqui. Vocês fazem parte das nossas vidas e somos muito gratos por tudo.

A mesa em que eles estavam testemunhou as lágrimas de todos. É claro, de felicidade. Os amigos continuaram conversando sobre os desdobramentos das semanas anteriores e depois mudaram de assunto.

O Comando Rubro deixou marcas irretocáveis na vida de Kai e Timo. Tristeza nos corações de Anthony e Maria. Fins trágicos para Sophie e o pai de Werner. Uma catarse heroica para Sergei. A saudade para Dimitri, ou melhor, Jan. Várias famílias alemãs destroçadas. Filhos, pais, mães e amigos se foram. Viraram parte de uma triste constatação: de que a luta pelo poder e a busca incessante pela dominação só predizem um futuro vazio às pessoas.

Mas, como na história dos irmãos desafortunados, o amor os salvou. O amor infinito de uma mãe que lutou até o fim para proteger os filhos. O amor de uma mãe que gerou duas crianças que ficaram órfãs muito cedo, mas encontraram ambientes seguros e felizes com Anthony, Maria, John e Evelyn. Os quatro, inclusive, reviviam as memórias da tragédia todos os dias quando olhavam para os meninos.

Mas eles também tinham um olhar amoroso. O mesmo de Sophie. Muitos anos depois, os irmãos se envolveram tanto com o futebol que acabaram saindo de casa. E com isso a incerteza se fez presente. Eles, que eram mantidos separados por uma promessa que deveria ser honrada a qualquer custo, se encontraram em meio a uma paixão que tinham em comum: o esporte.

Sophie previu isso. A mãe, astuta, sabia que eles se encontrariam por conta própria e desenvolveriam uma boa amizade que se fortaleceria com o tempo. Quando Kai viu a caixa e entendeu tudo, viu que nada na vida dele foi uma coincidência. Absolutamente nada.

Mas como os irmãos poderiam recuperar mais de vinte anos perdidos? Ora, a resposta seria, certamente, viver a vida e o que estava por vir. Eles ainda teriam muito tempo. Tinham a oportunidade única de fazerem parte da mesma equipe e de jogarem juntos na seleção. Com o passar do tempo, não veriam mais a vida com os olhos de quem perdeu tudo, mas sim de quem encontrou o caminho para um futuro que ninguém mais poderia roubar.

As marcas internas e externas continuariam com eles para que se lembrassem: cada cicatriz conta uma história. Cada ferida cicatrizada torna quem sofre mais forte. Cada tristeza vem carregada de muitas alegrias para quem sabia esperar.

Um dia eles compreenderiam o significado de tudo que passaram. Mas ali, naquele pub com os amigos, eles só queriam comemorar a nova vida que teriam a partir dali.

Para isso, teriam que lutar mais um pouco. Teriam que lutar contra os próprios efeitos do que aconteceu. Mesmo porque o Comando Rubro usou a arma mais forte que tinha contra eles.

Não acabou.

(...)

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