Pov Lyra Black
25 de dezembro de 1997
Eu ainda estava chocada, tentando entender a natureza daquelas afirmações, o que havia acontecido comigo, porque segundo Narcissa e Draco eu havia dormido por vinte dias, mas eu sentia como se fosse apenas algumas horas de um sono normal, com sonhos anormais.
- isso não tem sentido algum. - eu disse para eles que ainda estavam no quarto comigo. - como é possível algo assim?
- eu não sei como, mas Voldemort sabe que tem haver com o seu dom e ele quer saber se sua visão tem algo para ele. - disse Narcissa indiferente, mas me analisando.
- Não, não tem nada haver com ele ou a guerra, tem haver com a minha família, o passado dela para ser mais exata.
- o que quer dizer com isso? - perguntou Draco.
- é complicado demais. - respondi apenas e eles se entreolharam e depois olharam para mim com a feição claramente perturbada. Aquilo estava realmente me incomodando, o que estava acontecendo?
- Lyra, acho que devemos descer. - Draco sugeriu.
- por que? - perguntei impaciente.
- venha logo, Lyra. - ordenou Narcissa com menos paciência do que o filho.
Eu olhei de um para o outro e percebi que os dois realmente estava escondendo alguma coisa, mas certamente não iriam me contar, então se eu quisesse descobrir o que era, é melhor segui-los até lá embaixo.
- vou me trocar primeiro. - eu disse e pedi licença para que pudesse fazer isso.
Abri o meu guarda roupa e fui procurar uma roupa qualquer para descer. E enquanto mexia no mesmo, aquele pergaminho aonde Fred havia me respondido acabou caindo, então eu o peguei e deixei uma lágrima solitária cair dos meus olhos. - eu não aguentava mais ficar aqui longe dele.
Então me lembrei da minha visão do passado, aonde eu vi o meu pai e o que realmente aconteceu com ele. Regulus não morreu como um comensal desgarrado, ele morreu como um herói, tentando acabar com Voldemort e sua ou suas Horcrux.
Por mais que eu tenha ficado espantada, não foi surpresa nenhuma que Voldemort fosse capaz de criar uma ou várias, o cara era simplesmente obcecado pelo poder ou pela vida eterna. Imagino como deve ter sido morrer para um bebê de um ano de ida...HARRY! É isso que o Harry está procurando! Dumbledore estava caçando-as, então passou a missão para o Harry. Meu Merlin! Esse velho louco!
- Lyra? Está pronta? - Era Narcissa batendo na porta.
- um minuto. - eu disse ainda chocada com os fatos que juntei e me vesti rapidamente com um vestido preto e uma bota. Penteei os cabelos e abri a porta.
- vamos. - afirmei e ela é Draco se entreolharam mais uma vez e nós três descemos.
Estava de dia, acredito que no horário de almoço e a mansão estava completamente silenciosa, não haviam ruídos ou gritos de pessoas sendo torturadas, nem nada do tipo. Para ser sincera aquele lugar ficava mais assustador no completo silêncio do que no barulho catastrófico.
Narcissa e Draco caminhavam um de cada lado meu e pareciam tensos, Draco olhava para mim a todo momento pelo canto dos olhos e Narcissa olhava para mim também e desviava em seguida. Algo de muito estranho estava acontecendo, eu tenho certeza.
Chegamos na sala de jantar, acho que para o almoço e Narcissa empurrou a porta dupla, aonde para a minha supresa e desagrado apenas Voldemort, Lucius, Evan e Eric Rosier estavam sentados à mesa.
- nossa estrela da dor finalmente acordou. - Voldemort anunciou. - me diga, algo de bom que tenha me dizer? Algo de importante?
- se quer saber se eu tive alguma visão sobre o futuro receio que terei de desaponta-lo. - respondi friamente.
- sentem-se. - ele pediu ou ordenou mudando completamente de assunto.
Com receio e um pouco hesitante, eu me dirigi até a mesa de jantar e estava pronta para me sentar ao lado de Narcissa quando Voldemort falou novamente.
- não, aí não. - eles disse agora friamente. - sente-se de frente ao seu colega de classe, Eric Rosier.
- por que eu deveria? - perguntei com o desgosto vazando nas minhas palavras antes mesmo que eu o pudesse conter.
Voldemort, Evan, Eric e Lucius soltaram uma risada estranha e conspiratória, enquanto eu observava tudo aquilo confusa e desconfiada.
- porque, querida. - começou Voldemort. - ele é seu futuro marido.
O chão pareceu sumir por um instante e o ar correu dos meus pulmões, eu não sabia como reagir àquilo. Meu futuro o quê?! Eu havia acabado de acordar de um coma não faz nem uma hora.
- e quem disse que eu aceitei me casar com ele? - perguntei irritada.
- não é um pedido. - Voldemort disse e eu engoli em seco. - a família Rosier já se uniu a família Black antes, não é mesmo Naricissa? Se não me engano sua mãe era uma Rosier. - ele se dirigiu a outra mulher à mesa.
- sim. - ela respondeu baixo, mas o suficiente para que pudéssemos ouvir.
- imagina só o poder que vão conquistar juntos com esse casamento? Duas linhagens completamente puras se juntando mais uma vez!
- mas eu não quero me casar com esse verme! - exclamei ainda incrédula e eu vi os dois Rosier praticamente rosnarem.
- não é uma escolha sua, o seu familiar mais velho aqui já aceitou por você. - Evan soltou.
- e quem seria ele? - perguntei.
- eu, obviamente. - Lucius respondeu convencido.
- ele não é um Black, é um Malfoy! - praticamente gritei.
- se não se casar com Eric à meia noite do dia primeiro de janeiro, eu visitarei uma casa em Godric's Hollow. - Voldemort cortou o ar com essas palavras insinuantes e eu fechei os olhos e respirei fundo. Era a casa da minha mãe e do Sirius, meus irmãos estão lá.
Eu me calei e fiquei com a cara fechada o resto do almoço, eu estava completamente irritada. Voldemort estava fazendo isso pelo o que? Uma forma de castigo por não ter pego informações no dia da minha missão? Por eu não ter sonhos que o interessem? Era tudo demais para mim, eu simplesmente não estava mais aguentando viver aqui. Quando eu achava que as coisas não podiam piorar, elas sempre davam um jeito de ficar catastróficas.
Olhei para o garoto à minha frente, Eric Rosier, que estava com um sorriso presunçoso estampado no rosto, o corpo relaxado. Talvez ele tenha se esquecido do que eu posso fazer com ele.
Talvez tudo isso seja o karma por eu ter tirado uma vida inocente. É claro que é, eu mereço isso. Eu posso não ter feito propositalmente, mas eu sequer me controlei, eu não percebi que estava matando, não percebi, porque o meu poder tomou conta de mim, a sensação de ser invencível era maior do que a minha vontade parar. Então sim, Eric Rosier era o meu Karma, porque eu não apenas matei uma pessoa, mas eu também torturei outras e por mais que eu não gostasse ou quisesse parar, eu não podia.
- espero que se vista adequadamente para o evento. - Eric falou, me tirando dos meus devaneios.
- espero que esteja morto até lá. - eu cuspi e recebi olhares mortais dos Rosier, espantados de Lucius, Narcissa e Draco e uma risada de Voldemort, como se ele estivesse se divertindo com tudo aquilo.
- venha, Lyra. Vamos caminhar um pouco. - Disse Narcissa se levantando da mesa e me puxando pelo braço. Eu nem protestei, porque se tivesse que ficar mais um segundo na presença deles eu iria arrancar a cabeça de cada Rosier existente.
Ela foi me levando pela casa até chegarmos no quintal ao fundo, aonde havia as árvores, aonde eu matei um homem inocente certa vez. Talvez uma casa com muitas árvores ao fundo talvez não seja mais tão incrível assim.
- por que deixou isso acontecer?! - perguntei indignada.
- eu não tive nenhuma decisão nisso, Lyra. Fomos informados sobre essa junção ontem a noite. - ela se defendeu.
- eu não vou me casar com ele, Narcissa! Eu não posso! - exclamei.
- você não tem mais escolha, se negar sua família estará em risco e você sabe disso. - ela pontuou e eu chutei uma pedra.
- eu estou cansada de não ter escolhas sobre nada! Desde que aquele bracelete inútil começou a falar comigo eu não tive nenhuma escolha! - exclamei. - eu vim para cá sem escolha, eu recebi a marca negra sem escolha, eu MATEI ALGUÉM, Narcissa, e eu não tive escolha sobre isso! Eu torturei mais outras pessoas que provavelmente morreram depois e eu não tive escolha! E agora eu vou ter que me casar com o cara que tentou me estuprar?! - gritei sentindo a raiva correndo pelo meu corpo já.
- Lyra, é melhor você se acalmar... - ela tentou.
- não! Não é! Porque eu estou cansada de toda essa merda! - eu disse e ela lançou algum feitiço provavelmente silenciador. - eu juro que se eu me casar com o Rosier, ele não viver para noite de núpcias, porque quando eu colocar as minhas mãos nele... - eu disse e fechei a mão apertando o punho com muita força.
- Lyra, seus... - ela tentou novamente.
- ele vai pagar por tudo isso, cada um deles. Não vai sobrar um naquela linhagem nojenta e...
- Lyra, seus olhos! - ela exclamou e eu olhei confusa para Narcissa. A mulher então convocou um espelho rapidamente e eu vi enfim. Meus olhos azuis estavam brilhantes demais, como se faíscas de poder estivessem acordadas, era surreal. Mas o susto fez a minha raiva passar e eu vi os meus olhos voltando para o tom normal.
- que porra é essa?! - exclamei agora surpresa.
- eu acho que tem haver com o seu poder interior. - Naricissa respondeu. - você pode ir até a biblioteca se quiser...
- eu...eu... - comecei nervosa. - vou para lá. - eu disse por fim e saí correndo em direção à enorme biblioteca dos Malfoy para procurar algo sobre isso.
Eu me lembro de terem me dito sobre os meus olhos quando usava os meus poderes, acho que foi a Minerva, mas vê-los eu mesma era uma sensação completamente diferente e assustadora para ser sincera. Era estranho.
Depois de um tempo rodando e me perdendo nos corredores, eu encontrei a entrada da biblioteca, que consistia em uma porta dupla gigante, que ia no teto até o chão, com alguns desenhos esculpidos na mesma, e estava aberta.
Assim que meus olhos alcançaram o interior dela, eu quase senti meus olhos lacrimejarem, era simplesmente magnifica! Continha incontáveis livros e eu nem sabia por onde começar.
Mas apesar de toda a emoção por estar estar uma biblioteca comparada à de Hogwarts, eu tinha um motivo para estar ali: pesquisar sobre o meu poder e tentar esquecer por hora a história desse casamento ridículo.
Me aproximei de uma escrivaninha que estava bem na entrada, aonde havia alguns pergaminhos com o número das estantes e os assuntos de cada uma. Fiquei procurando por um instante a que tinha o assunto sobre magia sem varinha e poder interior de uma bruxo, encontrei-o na estante de número oito.
Passei a mão pelas lombadas dos livros enquanto lia o título de cada um, procurando ansiosamente pelo que eu precisava. Meus dedos então alcançaram um livro particularmente fino com uma capa de couro verde escura e o título em dourado: magia interior - um guia sobre bruxos poderosos e seus poderes.
O peguei rapidamente, por incrível que pareça o mesmo também era mais leve. Me encostei na estante e o abri ali mesmo, passando os olhos por ele. Isso automaticamente me fez lembrar de várias vezes quando eu ia até a biblioteca de Hogwarts e Fred ficava me observando ou tentado tirar a minha atenção. Sorri com a memória, mas era um sorriso triste
Logo na primeira página ele já explicava que o poder interior de um bruxo é muito difícil de despertar e que os que conseguem são raros. Também dizia que entre os bruxos mais famosos que conseguiram despertar o seu poder interior estão Merlin, Morgana e Alvo Dumbledore.
Próxima página e mais informações sobre os bruxos que tinham esses poderes, mais páginas sobre como despertá-lo. Então achei um capítulo que realmente me interessava: a característica do poder em cada bruxo.
"Durante toda a histórias da magia poucos bruxos conhecidos pela sociedade foram capazes de despertar o seu poder interior. Então, como é de se esperar de algo raro, o mesmo cria uma característica em cada bruxo ou bruxa que consegue despertá-lo, como uma mancha nova, talvez a mudança do tamanho do cabelo e um dos mais raros é a mudança dos olhos. Cada característica marcada mostra o grau de poder de cada um, e a mudança dos olhos está no mais alto nível, às vezes pode acontecer de mudar a cor ou realçar a cor existente no mesmo.
Os únicos bruxos que são de conhecimento público que possuíram essa mudança foram Merlin e Morgana. Estudiosos acreditam que essa mudança pode ser hereditária, mas se há algum herdeiro dos dois, não sabemos, o que conhecemos são apenas boatos ou lendas, mas se por acaso os seus olhos brilharem fique contente, pois você pode ser um herdeiro de Merlin ou Morgana.".
- que tal dos dois? - murmurei sozinha e fechei o livro. Pelo visto não era nada anormal. Ao menos isso.
Devolvi o livro até o seu devido lugar e decidi explorar um pouco aquela biblioteca gigantesca. Ela tinha todos os móveis em uma madeira escura e sofisticada, tudo combinava e estava em perfeita harmonia, também havia uma janela colossal que ocupava a uma parede toda do teto ao chão e iluminava todo o lugar. Para ser sincera, aquela biblioteca parecia o único lugar da casa que não estava intoxicado por Voldemort.
Me sentei em uma poltrona de frente para a grande janela e fiquei observando o jardim e ao longe dele. Haviam árvores e flores, estávamos no meio de uma floresta praticamente, pois depois dos muros da mansão Malfoy só existia verde. Eu poderia viver em um lugar como esse se as circunstâncias fossem diferentes.
Estou aqui já faz um ano. Um ano que não tenho contato direto com a minha família, uma ano que eu deixei tudo para trás sem ter a escolha de nada...meus pensamentos foram interrompidos por um Draco se esgueirando no meio dos arbustos com uma coruja em mãos. Fiquei observando atentamente, então ele amarrou o que parecia ser um pedaço de pergaminho no pássaro, falou o endereço e a soltou para o céu. Depois disso ele se ajeitou todo novamente e saiu do mato.
Eu ignorei isso totalmente e peguei um livro de romance para ocupar a minha mente. Eu gostava muito dos romances trouxas, mas obviamente na biblioteca dos Malfoy não tem nenhum, então peguei um romance bruxo que o título me chamou a atenção: através das vidas.
Peguei o livro e fui direto para o meu quarto, não queria ver ou falar com ninguém, não com o meu estado atual.
Assim que cheguei, eu me tranquei e comecei a ler o livro. Eu confesso que ele era um pouco grande, então acredito que vá demorar um pouco para finalizá-lo.
O livro falava sobre dois bruxo, uma mulher e um homem que se conheciam desde pequenos e eles se odiavam demais, ao ponto de que um não aguentava ficar na presença do outro durante muito tempo. O garoto irritava a garota demais com a sua irresponsabilidade e a garota o irritava demais com a sua falta de humor. Eles viviam em guerra e todas às vezes que se encontravam acontecia um duelo. Mas então o pai da garota morreu e o garoto foi quem mais a ajudou, ele a fez rir, ela o fez ter responsabilidade e quando perceberam estavam convivendo diariamente um com o outro. Feitiços e azarações já não eram lançados um contra o outro. Então eles entenderam que estavam apaixonados e era um amor quente e emocionante, sempre tinha algo acontecendo entre os dois. Mas então a garota precisou ir embora para completar o seu curso de auror que duraria cinco anos, mas antes de partir o garoto lhe jurou que a amaria por toda a vida e as próximas que viessem, ela sorriu e jurou igualmente, selando um feitiço que ligaria as suas almas para sempre. Então ela se foi e os cinco anos se passaram, a garota continuou a mesma e ainda apaixonada perdidamente pelo outro bruxo, mas quando ela voltou ele estava de casamento marcado e ela com o coração partido não fez nada além de ficar feliz por ele, ela até foi no casamento e depois disso os anos continuaram a se passar e em um dia qualquer a bruxa morreu de uma doença desconhecida, no mesmo dia o bruxo também morreu pela mesma causa. No epílogo do livro se passaram 20 anos desde as suas respectivas mortes e eles se encontraram novamente em outra vida, como outras pessoas, mas com a mesma alma.
Eu demorei seis dias para ler esse livro, nesses dias eu pouco saí, apenas para comer e fazer as minha higienes, mas também ninguém veio atrás de mim então não me importei, eu também não queria sair e dar de cara com o motivo do meu ódio velado.
Hoje era dia trinta e um e eu havia acabado de fechar o livro e colocado o mesmo em cima da minha cama quando bateram na porta.
- entre. - eu disse e Narcissa e Bellatrix entraram no quarto.
- viemos te trazer isso. - Narcissa levantou um cabide com um pano cobrindo tudo. - e te deixar apresentável para a cerimônia de hoje.
- por que está com essa cara, querida? Você vai ficar ainda mais rica do que já era. - Bellatrix disse e eu revirei os olhos.
- pois eu preferia viver no lixo. - reclamei e ela cerrou os olhos para mim e se aproximou apertando as minhas bochechas com a mão, virando o meu rosto de frente para o dela.
- você não pense, nem sonhe em fazer alguma gracinha, é um momento importante para o mestre...selar duas família de muita importância. - ela disse por fim e Narcissa a afastou de mim para me mostrar o provável vestido que ela carregava.
Com um aceno de varinha o pano caiu, revelando um vestido de noiva todo branco e um pouco estranho na minha visão. Ele possuía uma gola alta e mangas compridas, como se o objetivo dele fosse me esconder por completo.
- é clássico e comportado. - ela disse.
- e feio. - eu acrescentei cruzando os braços na frente do corpo.
- certo, vou chamar as elfas para cuidarem de você agora. - Narcissa disse mudando de assunto e chamando alguns nomes que eu não entendi muito bem. Em questão de segundos, três elfas domésticas orelhudas e cabisbaixas apareceram no local, foi impossível não me lembrar de Hermione e sorrir involuntariamente.
Narcissa deu a ordem à elas e saiu, puxando Bellatrix juntamente. Por um momento pensei que fossem elas que iriam me arrumar, mas acho melhor que sejam as elfas, o melhor na verdade era isso não estar acontecendo.
As pequenas criaturas mágicas não falavam nada, apenas mexiam e remexiam no meu cabelo e passavam coisas no meu rosto, enquanto eu ficava imóvel pensando em todas as maneiras que eu poderia fugir daqui sem ser notada. Talvez se eu pulasse a janela...não...roubar a vassoura do Draco? Poderia ser pega...
- acabamos senhorita, Black. - uma delas disse interrompendo os meus planos de liberdade. - vamos te vestir agora.
Eu apenas assenti sem saber realmente o que dizer e elas começaram a passar aquele vestido extremamente pesado e apertado pela minha cabeça. Depois que me vesti, elas começaram a aperta-lo até quase me deixar sem ar, até que enfim finalizaram e sumiram sem dizer absolutamente nada.
- Hermione iria amar vocês. - eu murmurei baixinho, falando sozinha.
Me olhei no espelho e eu parecia a pintura de uma esposa puro-sangue de uma família extremamente conservadora. No meu cabelo havia um coque baixo totalmente preso, eu tinha uma maquiagem muito leve no rosto e o vestido possuía uma gola alta e uma manga comprida sufocantes, sem contar com o peso das camadas de tecido. Não tinha nenhum tipo de transparência ou decote, ele era feio. Olhei em um relógio e eram onze e meia da noite, fui até o meu guarda roupa e peguei aquele mesmo pergaminho do qual eu olhava todos os dias na esperança de que eu voltasse para ele.
- eu juro que vou voltar para você. - eu disse e beijei o pergaminho.
- Lyra? - uma voz soou atrás da porta e eu guardei o pergaminho dentro da manga do meu vestido. - é o Draco.
- entre. - mandei e logo a figura loira do meu primo se materializou na minha porta.
- Lyra, eu preciso te levar até lá embaixo. - ele disse sem graça e eu olhei para ele contendo a minha raiva.
- é claro. - respondi desgostosa e segurei em seu braço enquanto ele me guiava.
- você está horrível, por Merlin. - ele comentou baixo enquanto passamos por um corredor.
- não é só pelo vestido, acredite. - respondi.
Ele não disse mais nada, apenas continou andando e andando sem parar.
- eu achei que era o seu pai quem viria me buscar. - eu comentei.
- houve um imprevisto. - ele respondeu e continuou a andar.
Então eu vi a porta que levava ao jardim, mas Draco passou reto por ela e continuou a andar por um lado da casa que eu não conhecia.
- Draco, aonde está me levando? - perguntei após passarmos em um corredor mal iluminado e de pedra. - não que eu esteja reclamando...
- silêncio. - ele sussurrou e continuou a andar.
De repente paramos em frente à uma parede de pedra que continha apenas uma tocha e Draco tocou a varinha no que parecia ser uma das pedra da parede e a mesma se abriu, me fazendo sentir o vento frio da noite passar pelo meu corpo.
- Draco, é sério, aonde está me levando? - perguntei mais uma vez e ele bufou, me arrastando pela passagem secreta.
- até o seu noivo, ué. - ele respondeu impaciente e continuou a andar. Eu ouvi a parede se fechar atrás de nós. Continuei andando pelo o que parecia ser um longo corredor úmido, frio e escuro.
Eu via Draco checar o seu relógio de bolso algumas vezes, mas eu não disse nada. Só então que percebi que ele não vestia roupas formais de um casamento, ele estava de pijama praticamente.
- Draco, vou perguntar mais uma vez, para onde estamos indo? - perguntei.
- Lyra, eu já respondi: até o seu noivo. - ele respondeu e então abriu uma outra parede e o vento frio e a neve atingiram o meu rosto.
Quando olhei ao redor, vi que estava do lado de fora da mansão, mas não no quintal, fora dos muros, dos limites. Era muito bom respirar um ar diferente depois de tanto tempo lá dentro.
Corri quando vi que Draco continuou a andar e eu fui atrás dele rapidamente. No meio de algumas árvores ele parou e se virou para mim.
- eu vou falar e peço por favor que não me interrompa. - ele pediu.
- okay. - respondi.
- o que eu vou fazer hoje, sou eu retribuindo o que você fez por mim até agora, o que eu vou fazer não chegará nem perto do que você passou o do que teve que sacrificar...então apenas aceite sem contestar. - ele disse e eu comecei a ligar os pontos.
- Draco...não pode fazer isso que estou pensando, vai acabar se encrencado. - interrompi.
- sim, eu posso e a minha mãe já esta sabendo disso. - ele retrucou. - o que eu não posso deixar é que se case com o homem que abusou de você ou passe mais um dia nesse inferno, sendo que há pessoas te amam lá fora. Lyra você merece ser feliz. - ele disse e sem ter tempo de dizer mais nada ele segurou no meu braço e nós aparatamos.
Pousei meio desorientada em uma rua escura de pedra com neve, olhei em volta e reconheci no mesmo momento: a Travessa do Tranco.
- venha. - ele disse e eu o segui até a divisão entre a Travessa e o Beco diagonal.
Draco olhou no seu relógio uma, duas, três vezes até que deu meia noite em ponto e eu vi uma figura alta caminhando em nossa direção.
- você fez muito por mim e por causa de você eu não vou sucumbir às trevas. - ele disse. - você cumpriu o seu favor e está livre da dívida. - ele disse rapidamente.
- o quê? - perguntei incrédula.
- eu não disse que te levaria até o seu noivo? - então ele aparatou sem dizer mais nada, enquanto a figura se aproximava. Quando meus olhos puderem distinguir, eu vi enfim que se tratava do Fred.
Segurei o meu vestido e corri em sua direção o mais rápido que pude, pulando no seu colo praticamente e sentindo as lágrimas rolarem pelo meu rosto.
- Fred! - eu disse entre as lágrimas.
- Lyra, eu senti tanto a sua falta. - ele disse chorando também.
Sem esperar mais um segundo sequer eu colei os nossos lábios. Era como se fosse a primeira vez, a eletricidade percorreu o meu corpo e era como estar no paraíso. Depois de um ano sem sentir o seus lábios nos meus, o seu toque no meu corpo...aquilo era divino.
- você está bem? - ele perguntou assim que nos separamos.
- agora eu estou. - respondi com um sorriso de orelha a orelha. - mas acho melhor sairmos daqui.
- claro, vamos para a loja? - ele sugeriu e eu assenti. - aliás, que vestido é esse? - ele perguntou com um sorriso zombeteiro no rosto.
- ah, cale a boca. - eu disse e o empurrei de brincadeira.
Nós dois então caminhamos até as gemialidades e entramos. A loja ainda parecia a mesma, então subimos para o apartamento e George praticamente pulou do sofá com o barulho da porta se abrindo.
- MERLIN! EU DURMO POR CINCO MINUTOS E VOCÊS JÁ SE CASARAM?! - Foi a primeira coisa que George disse e eu corri para o abraçar também.
- eu senti a sua falta também. - eu disse e ele sorriu. - podem chamar a Mary aqui?
- claro, vou lá agora. - George disse e saiu do apartamento me deixando com Fred.
Eu juro que em menos de dois minutos a porta foi aberta abruptamente e uma Mary extremamente feliz entrou.
- ai meu Merlin, Morgana e Salazar! Você está aqui! - ela exclamou.
- estou. - respondi e a abracei fortemente.
- como você veio parar aqui? - ela perguntou.
- eu acho melhor contar para todos de uma vez, então seria bom chamarem a minha mãe e o Sirius também.
George rapidamente aparatou e mais rápido ainda voltou com a minha mãe, Sirius e os bebês no colo, não preciso dizer que foi uma choradeira só. A minha mãe passava as mãos pelo meu rosto como se não acreditasse que eu fosse real e Sirius me abraçava a cada dois minutos. Eu abracei os bebês que agora estavam com um ano de idade já.
Então depois que todos se acalmaram, falaram como o meu vestido era terrível, perguntaram se eu havia me casado e como eu cheguei aqui, eu finalmente parei e contei a história toda.
- vamos começar pelo fato de que eu quase me casei com Eric Rosier...
☆
*malfeito feito!*
//enfim a liberdade chegou para a nossa querida Lyra ♡//