First Sight - SnowBaz

By Undlessly

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Simon só queria um pouco de silêncio naquele telhado depois da humilhação que havia passado, mas tinha que ch... More

Noite de chuva

1 - À primeira vista

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By Undlessly

OII!!

Terminei Carry On recentemente e me apaixonei pelos personagens. 

Baz, você tem meu coração. Só para deixar registrado.

Se tiver alguém por aí que ama esses personagens tanto quanto eu, aproveite a leitura.


"Simon, não consigo encontrar você. Onde você está?"

"Simon Snow, eu vou matar você assim que te encontrar, então por favor, nem apareça"

"Simon!!! por favor, me diz onde você está e eu vou até aí"

"Estou preocupado com você. Me responde"

"Penny vai me matar se eu chegar no carro sem você. Prometi que ia cuidar de você"

"Simon..."

Simon olhou para o celular, vendo a última mensagem que Shepard, o namorado de Penelope - sua melhor amiga - tinha enviado, mas não queria responder. Não queria descer e encontrar aquele monte de adolescentes ridículos. Não queria ver Shep, mesmo que nada do que tinha acontecido fosse culpa dele. Só queria um pouco de tempo para respirar. E entender que seu amigo fez aquilo pensando que iria ajudá-lo, não jogá-lo em uma espiral de dúvidas e recriminações.

Ser adolescente é uma merda. E estar no ensino médio é uma porcaria. Antes não tivesse aceitado participar daquela festa idiota na casa de um dos amigos de Shepard. Uma festa onde todos os alunos "importantes" - os populares - estariam. E ele não era um dos populares. Passava longe de ser. Não que também fosse um dos renegados. Ele só era... insignificante. Invisível. As pessoas não zombavam dele porque nem reparavam em sua presença.

Já passava das 22:00 e ele só queria ir para o dormitório de Watford, o único local onde se sentia realmente em casa, mas não queria passar pelo meio de seus colegas, e não queria ver os olhares de todos sabendo que eles sabiam o motivo pelo qual Shepard o tinha levado até lá.

Respirou fundo mais uma vez, tentando concentrar a mente na cena que via à frente, no céu coberto de nuvens densas, na distância acolhedora que sentia do mundo enquanto sentava no telhado daquela casa enorme, como as coisas e pessoas lá embaixo se tornavam menos ameaçadoras. Era como se, por um momento, pudesse fugir do peso das expectativas dos outros. Era como se nem existisse. Fechou os olhos sentindo a brisa bagunçando seus cabelos, mas apesar do frio, não queria um casaco para proteger o corpo magro e juvenil que ele sabia que tinha. Queria sentir o frio. Queria sentir o frio até seus membros doerem. Queria sentir qualquer coisa que não fosse aquela solidão que lhe apertava o peito desde que começou a ter consciência de si mesmo.

-Olá!

Simon girou de repente e quase se desequilibrou ao ouvir a voz baixa que indicava que já não estava sozinho. Não esperava ser encontrado ali. Não tinha ouvido nenhum som cortando o silêncio. Mas talvez o vento fosse o suficiente para abafar qualquer coisa que não fossem os próprios pensamentos. Nem imaginava que mais alguém além dele buscaria refúgio na solidão daquele telhado, muito menos o garoto que ria e brincava tranquilamente, confortável com a atenção que recebia da multidão alguns minutos atrás.

-É... oi... - gaguejou, porque sabia quem era aquele garoto divertido e bonito que o olhava com um sorriso discreto no rosto.

-O que faz aqui sozinho, Snow?- O garoto perguntou.

-Você me conhece? - perguntou de forma rude. Estava assustado, espantado ao saber que um garoto mais velho, um popular, amigo de Shepard, o conhecia pelo nome. Ainda mais depois da vergonha que tinha passado. E estava ali com ele enquanto a festa acontecia a todo vapor abaixo deles. Não podia sair coisa boa daquilo - veio aqui atrás de mim? Porque?

O garoto recuou um passo e levantou os braços de forma defensiva. O sorriso desapareceu aos poucos, mas o rosto e a postura ainda eram amigáveis e receptivos. Se sentiu ligeiramente culpado por estar agindo daquela forma, mas ainda estava muito chateado para ser gentil.

-Calma aí, garotão. Vim em missão de paz.

-Se Shep mandou você aqui, pode ir embora. Não quero ver ninguém.

-Na verdade... vim aqui porque esse é meio que meu lugar favorito da casa. É ótimo para ficar sozinho... pensar um pouco na vida - Simon ficou envergonhado porque já tinha esquecido que aquela era a casa de Basilton, e que portanto ele tinha o direito de estar onde quisesse. Inclusive naquele telhado - normalmente venho aqui durante a noite para olhar para o céu. Não é a paisagem mais bonita, com toda essa poluição e tudo o mais, mas eu gosto. É bom para respirar um pouco.

O garoto baixou os braços e deu alguns passos para perto, sentando-se perto dele na borda antes de continuar.

-Algumas verdades são assustadoras, eu sei. Mas você não pode ficar aqui para sempre. Não pode se esconder para sempre. Uma hora fica ruim demais para suportar. Isso começa a nos consumir. E aí precisamos colocar isso para fora de algum modo. Alguns são mais destrutivos que outros, é verdade, mas gosto de ter esperanças.

Ele sentiu o coração acelerar porque haviam algumas verdades sobre si mesmo que não conseguia entender.

Ele ainda não estava pronto pra isso.

-O que você acha que sabe sobre mim, Basilton? - perguntou, mas se arrependeu quando percebeu que tinha chamado ele pelo nome. Já não podia mais fingir que não o conhecia.

Esfregou as têmporas e o encarou.

O outro deu um sorriso triste antes de olhar para longe, da mesma forma que ele olhava antes, e respirou fundo.

-Olhe para mim, Snow. E me diga o que vê.

Já estava olhando. E tudo o que ele conseguia ver era Baz, o garoto popular, estiloso, que estava sempre cercado de gente... e a segurança de quem conhecia o mundo e não se importava em nada com o que o mundo pensava dele. Ele era um tanto... charmoso, para dizer o mínimo.

-Ora...

-O que realmente vê? Além do que acha que sabe sobre mim... O que você vê?

-Eu vejo você. Um garoto que não precisa se importar com ninguém porque as pessoas adoram você. Que é popular, e que sempre sabe a coisa certa a dizer para fazer todo mundo rir...

"Que não precisa ter medo", completou silenciosamente para si mesmo.

Baz riu, e até a risada do cara era bonitinha, e ele detestava aquilo, porque o fazia sentir... coisas. Muitas coisas estranhas que não queria sentir.

-Todos nós temos partes escondidas, Snow. Também escondi partes de mim por um longo tempo - Simon bufou, e tentou levantar, mas Baz segurou seu braço e o impediu, e então o olhou assustado quando a mão exageradamente quente tocou sua pele exageradamente fria - céus, Snow. Você vai congelar desse jeito.

Ele começou a tirar o casaco e aquela era uma das situações que ele queria evitar. Ser visto com o casaco de Baz só abriria caminhos para que as pessoas fizessem mais suposições.

-Você não sabe nada sobre mim. E não quero seu casaco. Estou bem - se desvencilhou do braço que o segurava tentando ignorar o arrepio que subiu pela espinha, mas continuou sentado no mesmo lugar.

-Snow...

-Você pode parar de chamar desse jeito, por favor? Nunca trocamos uma palavra sequer até agora. Não pode simplesmente me dizer que sabe o que estou sentindo. Não pode me dizer que é a mesma coisa.

-Eu sei. Sinto muito, Sno... Simon.

Relaxou o corpo no lugar, mas ainda assim tirou a mão de Baz do próprio ombro porque sabia o que diriam se os vissem daquela forma.

-Tudo bem. Desculpe por estar sendo rude, eu só...

-Sente raiva de tudo e todos? Por que sente que todos estão te julgando, e te prendendo e te forçando a ser uma pessoa que você não é? - Ficou em silêncio - Sei perfeitamente como é.

-Mas você... é popular, é bonito - sentiu o rosto ficando vermelho quando Baz riu, e então gaguejou - tem uma namorada...

-Ex. Ex-namorada.

-Mas era uma namorada. Ninguém vai simplesmente rir da sua cara porque você é...

-Gay?

Simon se contorceu com o impulso de negar, mas simplesmente não conseguia mais. Não aguentava mais.

-Sim.

-Alguém riu de você por você ser gay? Pode me dizer quem foi que eu vou até lá embaixo e o coloco para fora agora mesmo. Não admito preconceituosos em minha casa - Simon ficou em silêncio, então Baz voltou a perguntar: - Alguém sabe que você é gay?

Ele balançou a cabeça em negação. Achava que ninguém sabia, era aquilo que tinha causado a confusão, para começar.

-Olha - Baz cruzou as pernas e virou para vê-lo de frente. Era como se o olhar dele queimasse. De uma forma ruim. Bem ruim. - Você não precisa falar nada agora se não quiser. Não precisa sair gritando e confirmando tudo. É sua vida. É sua sexualidade. É o seu tempo. Por mais que as pessoas comentem, porque são idiotas intrometidos, uma hora vão esquecer. Foi assim comigo quando me assumi gay. Meus "amigos" simplesmente se afastaram. Também foi assim com um primo meu. Dev, ele se chama. É bissexual. Durante algum tempo, nenhuma das garotas de quem ele gostava queria nada com ele porque diziam que ele era o "cara gay que ainda não se aceitava". E nenhum dos garotos gays o queria porque ele era o "hétero liberal" que só queria chamar atenção, ou então a pessoa "indecisa", ou então o cara promíscuo que nunca se contentaria com uma pessoa só. E os caras héteros tinham medo de ficar perto dele. Enfim... Cada caso é um caso. Não significa que vai acontecer o mesmo com você. Hoje existe um pouco mais de informação, embora nem sempre as pessoas façam bom uso dela - Simon olhou para Baz incrédulo porque não sabia daquilo. Não sabia que Baz era gay. Só o tinha visto com garotas. Na verdade, com uma única garota durante quase todo o ensino médio, desde quando entrou naquela escola. E parecia bem improvável que um garoto mais popular da escola já tivesse sido tão solitário. Tão sozinho quanto ele - Com o tempo eles aprenderam a aceitar. Aceitaram Dev. Me aceitaram. Alguns até hoje só me toleram, outros não chegam mais perto de mim. Mas as pessoas que importavam ficaram do meu lado sempre. O que quero dizer é que você sempre terá Penelope e Shepard, porque eles amam você. E que estou disponível para o caso de você querer conversar.

Estava tentado a perguntar como Baz tinha descoberto que era gay, sendo que ele já tinha namorado uma garota antes.

Garotos gays eram capazes de sair com garotas? Então porque ele não tinha conseguido?

Negou com a cabeça, porque não conseguia acreditar naquilo. Não sobre a sexualidade de Baz, mas que ficaria tudo bem. E além do mais, porque um cara como Baz se ofereceria para ajudá-lo? para conversar com ele e ser seu amigo?

-Porque faria isso? - perguntou, tirando os olhos dele, e olhando para a imensidão do céu.

-Já disse. Já passei por algo parecido e imagino como se sente. Quero ajudá-lo.

Ficaram em silêncio durante mais alguns minutos. Apesar de tudo, não estava incomodado com a presença de Baz. Ele parecia legal, não era igual aos outros da turma dos populares. Estava feliz por Shepard ter alguns amigos decentes além dele mesmo.

Mas então o celular de Baz vibrou, interrompendo o silêncio confortável. O garoto olhou a tela rapidamente antes de começar a digitar e responder brevemente à pessoa do outro lado.

-É o Shepard. Ou a Penelope com o celular do Shepard. Dá no mesmo - Baz informou quando o viu se aproximando involuntariamente para ver com quem falava. Se afastou envergonhado, mas o garoto não pareceu se importar - Está perguntando se te encontrei em algum lugar.

Ficou um pouco mais alerta.

-E o que disse?

-Que você está bem. Mas que não quer ver ninguém agora.

-Como você sabia? Digo... Que eu não queria falar com eles?

Baz revirou os olhos antes de erguer as sobrancelhas com o olhar mais desafiador que tinha, e ele se viu engolindo em seco quando Baz apoiou a mão no queixo, chamando a atenção para aquela região, e o frio já não era mais um problema. A pele aparentava ser extremamente macia ao toque, mas não seria a pessoa a comprovar aquilo.

-Shepard foi o garoto que "marcou" para você ficar com uma garota. E praticamente o forçou a vir à festa pra encontrar essa garota.

Ah, não.

Se Baz sabia disso também, então Shep deveria ter espalhado para todo mundo que iria levá-lo para que ele pudesse dar seu primeiro beijo, e aquilo era uma droga. Odiava se expor, e odiava ter pessoas estranhas sabendo sobre sua vida pessoal.

Maldita hora em que não conseguia negar nada aos amigos.

-Shep te contou isso? - perguntou, temendo a resposta

-Eu o obriguei a contar depois que você sumiu. Alguma coisa ele tinha que ter aprontado pra você ficar tão chateado.

Na verdade, sabia que Shepard só queria ajudar, mesmo que do próprio jeito. Ele achava um absurdo que com 16 anos ainda não tivesse beijado ninguém.

-É. Acho que seria meio óbvio. E agora todo mundo sabe que eu nunca beijei ninguém. Se já achavam alguma coisa, agora devem ter certeza que sou gay.

-Bem... - Baz sorriu, mas mordeu o lábio tentando contê-lo quando viu sua expressão mal-humorada. Em seguida olhou para sua boca e ele podia jurar que seus pulmões tinham falhado, já que não conseguia mais respirar com eficiência. Sonhava e temia o dia em que teria a atenção de outro garoto, e Basilton o estava afetando mais do que tinha imaginado ser possível - acho que em relação à segunda parte, só nós dois sabemos com certeza.

-Oh, céus. Eu sou um idiota - murmurou envergonhado por ter feito papel de bobo. Com certeza Baz riria dele mais tarde.

-Não. Você não é. Só é... fofo. E inocente. De um jeito bom.

Ele se sentia corar, mas teve a confirmação quando Baz sorriu e beliscou de leve sua bochecha.

-Eu disse: fofo.

Ele estava tão envergonhado. Nunca ninguém o tinha tocado daquela forma tão gentil, nem sequer tinham conversado com ele daquela forma sem julgamentos. Teve consciência do quanto Baz lhe despertava atenção. Ele era muito, muito bonito. E era ainda mais gentil.

Olhou para Basilton e ele estava perdido em pensamentos enquanto olhava para seu rosto com atenção. Talvez fosse porque ele ainda estava vermelho de vergonha, mas ainda assim não conseguia desviar o olhar.

Baz retribuia e ele sentiu o ar faltar. Nunca tinha estado tão perto de outro garoto que não fosse Shepard. Conseguia ver todas as cores dos olhos dele, e eram a coisa mais linda que ele já tinha visto. Baz era lindo, como não tinha dado atenção a isso antes?

E quanto mais Baz o olhava, mais desconcertado ficava. Suas mãos começaram a suar quando Baz começou a chegar mais perto. Sua respiração falhou e ele se viu tendo que conter o impulso de inclinar mais perto e beijá-lo.

Simon tinha passado a vida inteira tentando conter impulsos como aquele, então já deveria estar habituado a empurrá-lo o fundo da mente, distante da superfície da consciência, mas nunca tinha sentido aquilo de forma tão intensa. E nunca antes teve a atenção retribuída tão evidentemente.

-Oh, vocês estão aí! - Simon ouviu a voz de Penny, alta e aliviada e se afastou de Baz, vendo que ele também tinha ficado um pouco desconcertado com aquela troca de olhares tão intensa - Shep me contou que você tinha desaparecido. Não fica bravo, ele não contou nada para ninguém, mas Agatha está brava porque você fugiu dela lá em baixo...

Penny foi até eles e o puxou para cima até que ficasse de pé para abraçá-lo. Ela deveria ter ficado realmente muito preocupada.

-Achei que você tinha sido, sei lá, sequestrado. Você sumiu do nada.

Simon se afastou de Penny, saindo da borda do telhado e colocando um pouco mais de distância entre Baz e ele. Penny não pareceu se importar com a proximidade que tinha visto entre eles, só parecia feliz por tê-lo encontrado.

Atrás de Penny estava Shepard, andando até eles com cara de culpado.

-Só queria ficar sozinho um pouco - Falou para que todos eles ouvissem.

-Eu sei, cara. Desculpe. Não devia ter marcado com a Agatha pra ficar com você. Não precisa se preocupar, Se não gostou dela não precisa ficar chateado. Ela vai esquecer isso rapidinho. Não tem do que se envergonhar.

-Não é isso - interrompeu, e viu o sorriso de Penny morrendo aos poucos, olhando confuso entre seu rosto avermelhado e o de Baz.

-Não?

Olhou para Baz em busca de apoio e recebeu um aceno e um sorriso reconfortante. Respirou fundo. Era sua oportunidade de falar a verdade. Mas também lembrava do que Baz tinha dito. No seu tempo. Não precisava se forçar àquilo ainda.

-Só queria respirar - falou novamente, vendo que Baz ainda o olhava compreensivamente, e era quase carinhoso.

-Tudo bem. Vamos para casa. Já está tarde - Penny praticamente ordenou - Minha mãe vai acabar com a gente se demorarmos mais.

Penny virou, arrastando Shepard em direção à sacada por onde tinha saído. Baz o alcançou e apertou seu ombro, andando à sua frente para sair atrás do casal.

E então pensou... era Penny, e Shepard. Seus melhores amigos. Porque era mais fácil contar para Baz, um garoto com quem nunca tinha conversado antes daquela noite, mas não conseguia contar para seus amigos, que eram a única família que tinha?

-Penny... Shep... - chamou quando eles alcançaram a entrada - na verdade, eu queria contar uma coisa.

-Pode falar, Simon.

Buscou os olhos de Baz de novo, e nada tinha mudado. Era um olhar gentil e orgulhoso. E aquilo lhe deu força para continuar..

-Eu... Sobre a Agatha... Não consegui ficar com ela porque eu... eu sou gay.

Shep o olhou, confuso, e então surpreso, e depois olhou para Baz, e abriu um sorriso mordendo o lábio.

-Porque não disse antes? Eu não teria marcado com a Agatha, e sim com Baz, porque ele está muito claramente a fim de você e já faz um tempo.

-Shep! - Penny repreendeu, em um sussurro que era quase um grito - prometemos deixar o Baz contar por conta própria.

-Tá bom. Desculpe. Mas eu sei o que estou dizendo.

-Calado! - Ela repreendeu novamente, mas ele não teve coragem de olhar para Baz de novo. Ele não disse uma única palavra, nem para negar nem para confirmar. Seguiram para dentro da casa, mas Shep não parava de tagarelar.

Quando estavam longe o suficiente, com Baz fingindo prestar atenção a qualquer coisa, menos a eles, Penny se inclinou um pouco mais perto.

-Eu interrompi vocês? Espero não ter interrompido, ou então vou ficar muito chateado - ela sussurrou enquanto desciam as escadas para que Baz não pudesse ouvir.

-Não, Penny. Não interrompeu nada. Eu já estava descendo - Mentiu, porque estava aterrorizado ao imaginar o que teria acontecido se ela não tivesse chegado. Ficava em pânico ao imaginar que poderia ter beijado Baz, porque Baz era tipo, o garoto mais velho e lindo e ... ele não tinha que estar pensando isso do amigo de seu amigo. Ainda mais quando ele descia as escadas bem atrás dele, de forma que conseguia imaginar a respiração dele em sua nuca.

Não que ele fosse muito mais velho, deveria ter 17, a mesma idade de Shep. Mas ele estava no último ano. E era muito bonito, e ele não conseguia deixar de imaginar como Baz era gentil.

E estava ferrado.

Não podia estar tão encantado por um cara com quem tinha trocado meia dúzia de palavras. Era tipo o adolescente clichê, mas quando saíram pela porta dos fundos para evitar inconvenientes e ele olhou para trás para ver Baz os seguindo, só conseguia pensar em como ele era o cara perfeito. O cara sem rosto com quem ele eventualmente sonhava, por quem imaginava que iria se apaixonar de forma tão intensa que não haveria alternativa além de se entregar.

Estava definitivamente ferrado. Se Baz soubesse daquilo deveria rir de suas fantasias.

Seguiu os amigos até o carro, tentando ignorar a presença silenciosa de que estava tão consciente. Era impossível ignorar o calor dos olhos de Baz em sua nuca.

-Valeu, Baz. A gente se vê na segunda - Shepard se despediu e entrou no carro. Penny apenas acenou antes de entrar no banco da frente ao lado no namorado.

E ele ficou lá fora, olhando para Baz sem saber o que fazer para se despedir. Baz, percebendo seu nervosismo, chegou mais perto e apertou seu ombro como havia feito no terraço alguns minutos antes.

-Vai ficar tudo bem, Simon. Se precisar de alguém para conversar pode pegar meu número com Shepard. Até mais.

Baz caminhou de volta para dentro da casa e ele ficou lá por alguns segundos antes de ser despertado por Shep ligando o carro.

-Impressão minha ou tá rolando um clima? - Penny perguntou com um sorriso enquanto ele sentava no banco de trás.

-Deixa de coisa, Penelope. Não está rolando clima nenhum - Respondeu. Mas torcia muito para estar. 

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