Save Me From Sky

By bonniebael

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Min Yoongi, uma alma que está no limbo por quatro mil anos, já que suas ações boas na terra se igualaram ao p... More

𝐼𝐼;
𝐼𝐼𝐼;
𝐼𝑉;
𝑉;
𝑉𝐼;
𝑉𝐼𝐼;
𝑉𝐼𝐼𝐼;
𝑰𝑿;
Queda Livre

𝐼;

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By bonniebael

  Seis mil anos. 267 dias. 7 horas e 6 minutos. Esse foi o tempo que eu tive que esperar para que algo fosse feito. Séculos e mais séculos. Parecia que não tinha fim.

 Você, como um bom cristão (ou não), pode falar que a justiça divina não falha. Mas o que fazer quando a justiça divina e o castigo satânico não encontram solução? Porque foi exatamente isso que ocorreu.

 Eu me chamo Min Yoongi, tinha 28 anos quando morri. Ou melhor. Quando me suicidei. Estava à seis mil anos no Limbo, aguardando um destino certo para mim. Não sentia fome. Não sentia frio, nem calor. Não sentia sede. Num eterno ciclo de tédio e tortura.

 Para uma alma que viveu uma vida agitada, o Limbo pode ser um estado de calma e descanso, para finalmente sentar, refletir, ver as coisas boas e ruins que fez em sua vida, e finalmente aceitar seu destino. Para almas que tiveram a vida monótona é tempo de agitar, xingar e não ficar parado. Porra. Você não sente nada. Nenhuma ação sua no Limbo conta para seu julgamento, para que fingir mais? Curta, aproveite. No céu não tem essa de farra, e muito menos no inferno.

 Porém, e para uma alma com a vida interrompida? Que não sabe o que lhe ocorreu? Ou que não teve tempo de ter um tipo de "finalmente" para que seu julgamento fosse findado? Esse estado de espera se torna um estado de tortura. Acredite, eu não sou o único que passou esse tempo todo numa espécie de sala branca. Teve outros antes de mim.

 Kim Namjoon. Rapper. 25 anos. Foi atropelado enquanto voltava de uma conveniência. Usava drogas, mas só fazia mal a si mesmo. Foi responsável pela criação de mais de 5 ONGs com o intuito de construir casas para desabrigados e vítimas de catástrofes. Ficou 600 anos no Quarto-Branco. Um lugar onde pode ser literalmente um quarto de cor e objetos brancos quanto uma câmara de tortura, onde as almas que não tem direito a nada a não ser refletir sobre suas ações enquanto esperam seu destino, que as vezes pode ser cruel, ou as vezes pode nem vir.

A segunda opção se refere à mim. Meu suicídio foi algo repulsivo para o céu, mas minhas ações caridosas e bondosas para com a sociedade não são bem vindas no inferno. Eles não sabiam para qual lugar me encaminhar. E tudo piorava com o fato de que em vida eu passei meus 28 anos sendo o mais ateu possível. Nem pisando aos pés da igreja.

No caso de Namjoon, seus atos não foram suficientes pra anular sua vida ilícita, então a decisão (não tão fácil) foi de enviá-lo para o inferno. Já a mim, minha vida havia sido monótona. Ajudei os outros e quando não aguentei mais, parti dessa pra melhor. E era isso que irritava o todo poderoso.

Os dois reis. Do céu, chamado Kim Seokjin, havia uma repulsa gigantesca por mim. Eu havia cometido um de seus famosos pecados, além de ser homossexual, coisa que, acredite ou não, era realmente proibida no céu. Também não fui uma de suas fiéis ovelhas.

Do inferno, Kim Taehyung, com seu esposo, Jung Hoseok, não haviam nada contra mim. Eram homossexuais, e adoravam um bom drama, o que pode ter certeza de que minha vida pós-morte estava lhe proporcionando. Mas não eram fãs de bons samaritanos, e por mais que tentem provar ao contrário, os filhos da puta não aceitavam injustiças.

E isso enfurecia Seokjin.

E sim, essa história vai ser de como eles entraram num consenso. E não, ela não acaba bem.

 Eu me lembro que já havia completado 4.578 anos que eu estava ali. Naquele quarto. Branco. Sem graça. Sem comer nem beber. Sem ter contato com ninguém, a não ser quando íamos conversar sobre o julgamento, que eles tentavam a todo custo me fazer decidir para qual dos dois eu ia. Eles haviam até decidido que meus pecados contrariam até no Limbo. Atitudes desnecessárias, blasfêmia, pensamentos impuros....

Nada adiantava. Eu havia esperado tanto, tentando ser neutro para que o lugar que eu seria condenado a ir seja por mais puro merecimento. O que havia para cometer ali?

'Pra que eu fui perguntar.

Foram questão de três dias! Parecia que meus pensamentos estavam sendo vigiados. Três dias para que eu tivesse minha paz, minha consciência e meus sentimentos violados.

Eu estava apenas deitado em um dos cantos. Demoraria mais ou menos um ano para o próximo julgamento e eu estava tranquilo. Entediado, mas tranquilo. Até que a porta foi aberta com violência, como se alguém impaciente ou nenhum pouco amigável entrasse.

 Virei parcialmente minha cabeça em direção à porta, já acostumado com aqueles tipos de tratamentos. Vi Park Jimin, que era como se fosse as bolas de Seokjin. Sério, nunca havia visto Seokjin fazer nada sem o mesmo. Seus olhos eram púrpura, seu cabelo loiro e sua pele emanava uma áurea que deixava seu corpo e feição assombrosos. Não possuía asas, como as lendas e histórias descreviam. Apenas demônios possuem asas, é isso o que os diferencia dos seres de luz.

Mas como se fosse preciso asas para que eu mandasse Park Jimin voar para a puta que pariu.

O loiro tinha o dom de me fazer perder a paciência. E pelo que parece, ele amava isso. Fazia de tudo para ouvir os mais sujos xingamentos saírem da minha boca. A sorte dele era que seu porte físico me fazia ter consciência de que, numa briga, eu não passaria das palavras.

- O que quer, Park? – resmunguei entredentes, olhando para o teto. Seokjin não permitia visitas, mas quem disse que Jimin obedecia? – Não está no dia de encher minha paciência.

- Lisonjeado que você conta os dias. – ouvi um risinho irônico ecoar. – Mas hoje, eu vim a pedido do Sr. Kim.

- Que lindo! Ele deixou você sem coleira hoje? – finalmente dirigi meu olhar a ele, e a figura mediana de Park foi totalmente ofuscada pelo homem atrás de si. – Quem é ele?

 Aproximadamente 1,80 de altura. Cabelos escuros. Sua pele era como sorvete de baunilha. Seus olhos eram tão pretos que se assemelhavam aquela fruta redonda que por dentro é branca, que sinceramente até hoje eu não sei o nome. Seus lábios eram tão rubros que é como se ele estivesse constantemente beliscando a própria boca. Seu corpo era musculoso, isso eu podia reparar, mas era tão delicado...

- Era isso que Seokjin queria que eu visse com você. – Jimin sorriu ladino. – Esse é Jeon. Jeon Jungkook. – os olhos inquietos e curiosos finalmente pousaram em mim. A áurea dele era diferente da de Jimin. Era...calma, e exalava juventude. – Gguk, esse é Min Yoongi.

 Meus olhares intercalavam entre Park e o tal Jungkook. – Prazer em conhecer... – ele fez um cumprimento mínimo com a cabeça. – E o que ele tem a ver comigo? Pelo que estou vendo, ele não é uma alma...

- Não, não é. Jeon é um dos responsáveis pela criação e também de lecionar novos anjos. – Jimin sentou em um banquinho que havia em minha frente. – Por incrível que pareça Min, Seokjin está disposto a te dar uma chance...sabe, de se redimir. Mas como você passou a vida toda sendo um cético de merda, ele enviou Jungkook aqui para poder, sabe, te "educar".

- Eu não quero.

- Não é escolha sua. Taehyung não vai te aceitar no inferno, e a não ser que queira passar toda sua eternidade sendo apenas um enfeite nesse quarto, eu sugiro que aceite. – apesar da feição totalmente desgostosa, Park parecia sincero.

- É por que ele mesmo não veio aqui me falar disso? – encarei profundamente as orbes de Jungkook, que não sustentou meu olhar por muito tempo.

- Ah por favor, ele é um cara ocupado, Min. Muito egocentrismo de sua parte achar que ele pararia seus afazeres para vir te dar uma notícia tão vil. Ele tem a mim pra isso. – sorriu debochado, piscando um olho para mim. Realmente fazia sentido. Mas por que eu sentia que havia algo de errado nessa história?

- Isso 'tá estranho, Jimin. Ele vai perdoar tudo? Meu suicídio? Meu ceticismo? – umedeci os lábios. – Até o fato de eu ser homossexual...?

- Claro que sim! – observei Jeon ficar inquieto atrás de Jimin, e o último, por sua vez, desviou o olhar do meu. Jimin mentia mal. Algo disso tudo não ia sair barato. – Afinal, ele é Deus, não é? Quem seria ele se não perdoasse um filho arrependido?

- Mas eu não me arrependo... – sussurrei mais para mim. – Ahn, e como vai funcionar isso, Jeon?

- Eu? A-Ah, sim. – ele suspirou, parece que cada palavra lhe custava mais do que simplesmente um mover de lábios. – Eu virei aqui todos os dias a partir de amanhã. Você não deve ter muita noção de tempo aqui dentro, mas vai saber conforme minhas vindas. – ele endireitou a postura e se aproximou de Jimin. – Não sei quanto tempo vai demorar, mas você sairá daqui um verdadeiro Santo, pode ter certeza.

- Eu estou tão ansioso... 


▪️▪️▪️▪️▪️▪️▪️▪️

Eu também, Yoongi, eu também.

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