Orgulho e Preconceito

By einediamond

616K 25.5K 4K

Orgulho e Preconceito é um romance da escritora britânica Jane Austen. Publicado pela primeira vez em 1813. A... More

Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Capítulo Doze
Capítulo Treze
Capítulo Catorze
Capítulo Quinze
Capítulo Dezesseis
Capítulo Dezessete
Capítulo Dezoito
Capítulo Dezenove
Capítulo Vinte
Capítulo Vinte e Um
Capítulo Vinte e Dois
Capítulo Vinte e Três
Capítulo Vinte e Quatro
Capítulo Vinte e Cinco
Capítulo Vinte e Seis
Capítulo Vinte e Sete
Capítulo Vinte e Oito
Capítulo Vinte e Nove
Capítulo Trinta
Capítulo Trinta e Um
Capítulo Trinta e Dois
Capítulo Trinta e Três
Capítulo Trinta e Quatro
Capítulo Trinta e Cinco
Capítulo Trinta e Seis
Capítulo Trinta e Sete
Capítulo Trinta e Oito
Capítulo Trinta e Nove
Capítulo Quarenta
Capítulo Quarenta e Um
Capítulo Quarenta e Dois
Capítulo Quarenta e Três
Capítulo Quarenta e Quatro
Capítulo Quarenta e Cinco
Capítulo Quarenta e Seis
Capítulo Quarenta e Sete
Capítulo Quarenta e Oito
Capítulo Quarenta e Nove
Capítulo Cinquenta
Capítulo Cinquenta e Um
Capítulo Cinquenta e Dois
Capítulo Cinquenta e Três
Capítulo Cinquenta e Quatro
Capítulo Cinquenta e Cinco
Capítulo Cinquenta e Seis
Capítulo Cinquenta e Sete
Capítulo Cinquenta e Oito
Capítulo Cinquenta e Nove
Capítulo Sessenta
Capítulo Sessenta e Um

Capítulo Sete

15.3K 572 69
By einediamond

A fortuna do Sr. Bennet consistia quase exclusivamente de uma propriedade que lhe rendia duas mil libras anuais, e que, infelizmente para suas filhas, na falta de herdeiro varão, se vinculava num parente distante.

A de sua mulher, por seu lado, embora suficiente para a sua situação na vida, nunca substituiria convenientemente a faltada do marido, O pai da Sr.a Bennet, que desempenhara as funções de delegado de procuração em Meryton, deixara-lhe quatro mil libras. Ela tinha uma irmã casada com um tal Sr. Philips, antigo secretário de seu pai, e que lhe sucedera nas funções, e um irmão estabelecido em Londres num respeitável ramo de atividade comercial.

A localidade de Longbourn distava apenas uma milha de Meryton, uma distância perfeitamente adequada para as raparigas, que geralmente se tentavam a transpô-la três ouquatro vezes por semana, quer em atenção para com sua tia, como para visitar a loja de chapéus, precisamente do outro lado da rua. As duas mais jovens, Catherine e Lydia, eram as  mais dadas a este género de atenções. Mais fúteis que suas irmãs, quando nada tinham em que se ocupar, uma ida a Meryton preenchia-lhes a manhã e fornecia-lhes conversa para o serão, e, por muito pouco fértil que a região fosse em novidades, elas sempre arranjavam maneira de saber alguma através da tia. Presentemente encontravam-se, aliás, bem fornecidas, tanto de novidades, como de uma alegria esfuziante, graças à chegada recente de um regimento da milícia. O regimento deveria permanecer em Meryton todo o Inverno, e aí estabelecera o seu quartel-general.

As visitas à Sr.a Philips redundavam agora numa superabundância de informações das mais interessantes. Cada dia trazia algo de novo para o seu conhecimento dos nomes dos oficiais e suas relações. Os seus alojamentos já não constituíam segredo, acabando por travar conhecimento com os próprios oficiais. O Sr. Philips visitara-os a todos, e deste modo abriu às suas sobrinhas o caminho para uma felicidade desconhecida até então. Não falavam de outra coisa senão nos oficiais; e a fortuna do Sr. Bingley, que a simples alusão animava sua mãe, nada era aos olhos de Catherine e Lydia quando comparada àqueles belos uniformes.

Uma manhã, após ter escutado as efusões das filhas sobre o assunto, o Sr. Bennet, friamente, observou:

- Pelo que concluo da vossa conversa, vocês devem ser as duas raparigas mais tolas do pais. De algum tempo para cá que já o suspeitava, mas estou agora plenamente convencido.

Catherine ficou embaraçada e não respondeu; mas Lydia, com perfeita indiferença, continuou exprimindo a sua admiração pelo capitão Carter e a esperança de ainda se avistar com ele nesse dia, pois na manhã seguinte ele partiria para Londres.

- Estou deveras surpreendida, meu caro - disse a Sr.a Bennet -, pela prontidão com que o senhor classifica de tolas as nossas filhas. Se eu desejasse criticar os filhos de alguém, não escolheria decerto os meus.

- Se as minhas filhas são tolas, espero poder dar sempre por isso.

- Sim, mas acontece que elas até são todas muito espertas.

- É esse o único ponto de que me gabo de discordar de si. Sempre diligenciei por uma paridade de opiniões entre osdois, mas devo diferir de si o bastante para considerar as nossas duas filhas mais novas como invulgarmente imbecis.

- Meu caro Sr. Bennet, o senhor não pode esperar que raparigas como elas tenham o bom senso dos seus pais. Quando atingirem a nossa idade, creio bem que pensarão tanto em oficiais como nós hoje em dia o fazemos. Recordo-me perfeitamente do tempo em que também eu estremecia perante um belo uniforme... e, na verdade, ainda hoje os admiro; e, se um jovem e brilhante coronel, com rendimentos superiores a cinco ou seis mil libras, se interessasse por alguma das minhas filhas, não lhe diria que não; aliás, rio outro dia, em casa de Sir William, achei o coronel Forster muito elegante no seu uniforme.

- Mãezinha - exclamou Lydia -, a tia contou-nos que o coronel Forster e o capitão Carter já não visitam com tanta frequência A Menina Watson como a princípio o faziam; ultimamente têm-nos visto na biblioteca Clark.

A Sr.a Bennet foi impedida de responder pela entrada de um criado com um bilhetinho para a Menina Bennet, provinha de Netherfield e o criado aguardava uma resposta. Os olhos da Sr.a Bennet brilharam de prazer, e, ansiosa, implorava, enquanto a filha lia:

- Então, Jane, de quem é? De que trata? Que diz ele? Então, Jane, despacha-te e conta-nos lá; despacha-te meu amor.

- É da Menina Bingley - disse Jane, e passou a lê-lo em voz alta:

Minha querida amiga,

Se a sua compaixão não a trouxer a jantar comigo e com Louisa, correremos o risco de nos detestarmos o resto de nossas vidas, pois um tête-à-tête de um dia inteiro entre duas mulheres nunca acaba sem uma discussão. Venha logo que puder. O meu irmão e os outros senhores jantam com os oficiais. Sua amiga, CAROLINE BINGLEY.

- Com os oficiais! - exclamou Lydia. - Espanta-me que a tia nada nos tenha dito.

- Jantam fora - Disse a Sr.a Bennet -, que pouca sorte.

- Posso levar a carruagem? - disse Jane.

-Não, minha querida, é melhor ires a cavalo, pois parece-me bem que vai chover; e nessa altura terás de passar lá a noite.

- Seria esse um bom ardil - disse Elizabeth -, se a mãe tivesse a certeza de que elas não se oferecem para a mandar pôr a casa.

- Oh!, mas acontece que os cavalheiros precisam da carruagem do Sr. Bingley para irem a Meryton e os Hurst não têm cavalos próprios.

- Eu preferiria ir de carruagem.

- Mas, minha querida, estou certa de que o teu pai não poderá dispensar os cavalos. Eles são precisos na fazenda, não é verdade, Sr. Bennet?

- São mais as vezes que preciso deles do que as vezes que os tenho ao meu dispor.

- Mas, se exatamente hoje dispuser deles - disse Elizabeth-, o pai irá ao encontro dos desejos da mãe.

E assim ela acabou por conseguir do pai a confirmação de que os cavalos não estavam livres. Jane viu-se deste modo obrigada a ir a cavalo, e sua mãe acompanhou-a à porta com muitos e animados prognósticos de um mau tempo. As suas esperanças foram realizadas, e ainda não havia muito que  Jane os deixara, quando desabou uma chuva torrencial. As irmãs ficaram um tanto preocupadas, mas a mãe regozijava. A chuva continuou pela noite dentro, sem parar; decerto que Jane não poderia regressar.

- Foi uma ótima ideia, a que eu tive, não?! - disse a Sr.a Bennet mais de uma vez, como se o fato de chover só a ela se devesse. Só na manhã seguinte, contudo, ela se inteirou do êxito completo da sua estratégia. Terminavam o seu pequeno-almoço quando um criado de Netherfield chegou com o seguinte bilhetinho para Elizabeth:

Minha querida Lizzy,

Não me sinto nada bem esta manhã, o que, suponho eu, se deve atribuir à molha que ontem apanhei. As minhas bondosas amigas não querem ouvir-me falar em regressar a casa senão quando me sentir completamente restabelecida. 

Insistem também para que o Sr. Jones me examine - por isso, não se assustem se ouvirem dizer que ele foi chamado por minha causa -, e, à parte da garganta inflamada e uma dor de cabeça, nada mais há que ofereça motivos de preocupação. A tua, etc.

- Então, minha querida - disse o Sr. Bennet, quando Elizabeth terminou a leitura do bilhete -; Se a sua filha tombasse gravemente doente, ou morresse até, serviria de consolação saber que tudo fora em perseguição do Sr. Bingley, e sob as suas ordens.

- Oh! Não tenho qualquer receio de que ela morra. Não se  morre de pequeninas e insignificantes constipações. Além disso, dispensar-lhe-ão todos os cuidados. Desde que ela por lá fique, está tudo muito bem. Gostaria de ir visitá-la, caso possa dispor da carruagem.

Elizabeth, contudo, que se sentia deveras aflita com o estado da irmã, estava ansiosa por ir para junto dela, mesmo na falta da carruagem; e, como não montava, ir a pé era a única alternativa que se lhe oferecia, participando desde logo a sua resolução.

- Que ideia a tua - exclamou a mãe -; com toda esta lama! Não se poderá olhar para ti, quando lá chegares.

- Não é para me verem que eu lá vou. Jane é o meu único propósito.

- Tratar-se-á de um subterfúgio, Lizzi - disse-lhe o pai -; para que eu peça os cavalos?

- De maneira nenhuma. Não tenciono fugir à caminhada. A distância de nada vale quando se tem um motivo, e, aliás, não passam de três milhas. Estarei de regresso para jantar.

- Admiro a energia da tua benevolência - observou Mary -, mas todo o impulso afectivo deve ser guiado pela razão; e, na minha opinião, o esforço deveria estar sempre em proporção com o que é requerido.

- Nós acompanhamos-te até Meryton - disseram Catheryne e Lydia. Elizabeth concordou, e as três raparigas partiram juntas.

- Se nos apressarmos - disse Lydia enquanto caminhavam -, talvez ainda possamos ver o capitão Carter antes de ele partir.

Em Meryton separaram-se: as duas mais novas tomaram a direcção dos alojamentos de uma das mulheres dos oficiais e Elizabeth continuou sozinha, através dos campos e num passo apressado, transpondo vedações e saltando charcos com uma energia impaciente. Finalmente, achou-se à vista da casa. Tinha os pés dormentes, as meias enlameadas e um rosto afogueado pelo exercício.

Introduziram-na na saleta do pequeno-almoço, onde todos, com a excepção de Jane, se encontravam reunidos, e onde a sua aparição suscitou grande surpresa. Que ela se tivesse aventurado a percorrer sozinha três milhas, a uma hora tão matinal e por um tempo tão feio, era coisa quase inacreditável para a Sr.a Hurst e para a Menina Bingley; e Elizabeth convenceu-se de que elas a desprezavam por isso. Receberam-na contudo, com toda a delicadeza; e na atitude do irmão havia mais do que simples delicadeza, havia bondade e boa disposição. O Sr. Darcy pouco disse e o Sr. Hurst não abriu a boca. Aquele dividia-se entre a admiração pelo esplendor que o exercício imprimira na tez dela e uma certa dúvida quanto à ocasião justificando a sua vinda até tão longe. Quanto ao outro, apenas pensava no pequeno-almoço interrompido.

As respostas por ela obtidas às perguntas sobre a irmã estavam longe de a satisfazer. A Menina Bennet passara mal a noite, e, embora a pé, tinha bastante febre e não se atrevera a deixar o quarto. Elizabeth agradeceu que a levassem imediatamente para junto dela; e Jane, que, receando causar alarme ou transtorno, se coibira de, no seu bilhetinho, exprimir quanto desejava tal visita, ficou encantada ao vê-la entrar. Não se sentia, contudo, na disposição para grandes conversas, e, quando a Menina Bingley as deixou sós, pouco mais tentou para além de exprimir a sua gratidão pela extraordinária bondade com que estava sendo tratada. Elizabeth, silenciosa, rodeava-a de cuidados.

Terminado o pequeno-almoço, as irmãs juntaram-se-lhes, e Elizabeth sentiu despertar em si uma certa simpatia por elas, por ver com que afeição e solicitude tratavam Jane. O boticário chegou, e, tendo examinado a sua paciente, declarou, como já se supunha, que ela apanhara um forte resfriamento, devendo proceder-se de modo a atalhá-lo sem demora; aconselhou-a a recolher de novo ao leito e receitou-lhe alguns medicamentos. O seu conselho foi prontamente acatado, pois os sintomas de febre aumentavam e a dor de cabeça tornara-se quase insuportável. Elizabeth não abandonou o quarto da irmã e as outras duas senhoras também pouco se ausentaram, o que era, aliás, compreensível, pois, uma vez os cavalheiros fora de casa, elas nada tinham que fazer.

Quando o relógio bateu as três, Elizabeth sentiu que devia partir, e, muito contra vontade, participou a sua intenção. A Menina Bingley ofereceu-lhe a carruagem e ela apenas esperava um pouco mais de insistência para a aceitar, quando  Jane testemunhou tal inquietação por se separarem que a Menina Bingley se viu forçada a converter o oferecimento da carruagem num convite para ficar em Netherfield o tempo que fosse preciso. Elizabeth agradeceu, reconhecida, e imediatamente um criado foi enviado a Longbourn para levar à família o conhecimento da sua estada, e, de regresso, trazer alguma roupa.

Continue Reading

You'll Also Like

533 50 10
A princesa Amélie de Valois e o cavaleiro Antoine de Montaigne se apaixonam nos jardins de Versalhes, mas seu amor é proibido pelas regras da corte f...
7.4K 793 61
Em uma aconchegante cidade no norte de Londres mora uma garota espontânea e muito divertida, Elizabeth estuda, ajuda seu pai com os vinhedos e sai co...
69.9K 7.1K 18
Lily Evans almejava mais do que a vida medíocre reservada para as mulheres do seu vilarejo. Ninguém entendia o que se passava na cabeça da jovem, que...
338 34 17
Você já se perguntou como seria se o magnifico clássico: Orgulho e Preconceito, escrito por Jane Austin, fosse narrado nos dias de hoje e tivesse o i...
Wattpad App - Unlock exclusive features