— Você tomou decisões erradas, mas isso porque você é lerda e não infiel — ignoro completamente seu insulto, me endireitando no sofá.
— Você vai me explicar o que aconteceu, ou ficar me olhando como se eu soubesse? — pergunto, quebrando o silêncio completo que meu irmão tinha feito depois de sua frase.
Finneas me contou, então, a história completa, do meu ponto de vista. Ou melhor, que eu havia contado para ele antes de perder a memória.
Meu irmão começou contando que há algumas semanas atrás eu recebi um e-mail, dizendo que eu precisava entrar no meu Instagram, porque a pessoa que me enviou a mensagem queria muito falar comigo. Eu ignorei. Foi no email público, todos podem mandar qualquer coisa.
E então, a mesma mensagem, dessa vez no meu email privado, onde só meus assessores e amigos próximos sabiam da existência.
— Você ignorou também, porque você é maluca... — meu irmão revira os olhos idênticos aos da minha mãe, continuando a história.
Depois de alguns dias recebendo a mesma mensagem, eu decidi entrar no meu Instagram e procurar pela pessoa, mas ela não havia me mandado nada na minha conta principal.
— Você estava um tempo sem entrar na sua conta privada e por isso não viu. Mas lá estavam elas, as mensagens mandadas por um anônimo louco e obcecado por você — Finneas diz.
— E o que isso tem a ver com minha traição, porque isso não explica o que eu fiz.... —
— Calma, eu vou chegar lá — Meu irmão me interrompe — Você ignorou mais uma vez as mensagens anônimas, porque sinceramente, você tem muitos stalkers. Mas depois você pensou que alguns stalkers vão até a casa dos nossos pais, outros na minha casa, outros na sua. Mas nenhum deles foi do tipo de descobrir suas contas pessoais... —
Eu decidi abrir as mensagens, e descobri que a pessoa que estava me perturbando era um hacker, e infelizmente ele tinha alguns conteúdos meus. Eram fotos, vídeos. Conteúdos explícitos, meus e de Juju.
— Eu me atrevo a dizer que vocês têm uma pontada de culpa em toda essa história. Eu sempre aviso: "Nada de guardar coisas na nuvem. Elas são muito vulneráveis" — Meu irmão me deu um sermão — E por que diabos você salva um vídeo íntimo seu? —
— Para assistir depois — respondo de imediato.
Finneas riu, negando.
— Foi exatamente o que você disse quando me falou —
Eu ri fraco também, mas logo minha feição se fechou, ao lembrar da história. Só a menção de que alguém, uma pessoa ou mais, viu a Juju. Se aproveitou da situação para ver seu corpo me dava nojo.
— Não é culpa de vocês, me desculpe — Finneas logo se desculpou, colocando a mão no meu ombro — É só que... Eu fico pensando como toda essa situação poderia ter sido evitada —
Finneas solta um longo suspiro, dizendo que quando eu vi as ameaças eu me desesperei, e entrei em contato com a pessoa, perguntando o que ela queria. Isso tudo sem pedir ajuda, sem falar com ele ou Juju.
Marcamos um encontro depois do meu show, e quem apareceu foi uma mulher. Ela se apresentou como Katie, e insistiu dizendo que era uma grande fã.
Estranho ela dizer isso, e ao mesmo tempo me ameaçar e ameaçar meu casamento.
Katie era uma das "fãs" que sonhavam em se relacionar comigo. Na real, eu nem ligo muito para isso, eu também sou fã, e perdi a conta de quantas fanfics já li com o Justin Bieber. A questão é que, Katie foi diferente, ela decidiu fazer de tudo, para que eu lhe desse o mínimo de atenção.
A mulher me deu um ultimato. Ou eu transava com ela, ou as minhas intimidades e de Juju eram vazadas.
— E eu aceitei? — Finneas ficou em silêncio — Porra, Finn. Diz que eu não aceitei essa loucura —
— Você... Você rejeitou no começo, mas Katie vazou algumas coisas, nada muito grave. Apenas algumas fotos que estavam com ela, e ninguém nunca havia visto. Te ameaçando e dizendo que as próximas seriam as fotos nuas da Yanju —
— Que tipo de fã faz um absurdo desses? — Pergunto indignada — Me diz que eu não aceitei, Finn... — Passo a mão no rosto.
— Segundo você, chegou a cogitar, por um segundo, em dormir com ela. Seria apenas uma noite e isso acabaria — não deixo meu irmão terminar, dizendo alto o quanto eu era idiota — Mas você não traiu. A Katie foi ao camarim para vocês conversarem. Ela é louca, e começou a tirar a roupa, foi quando Juju chegou. Você não a traiu, Billie —
— Mas eu pensei em trair ela, Finneas. E isso não me torna uma boa pessoa. Só me faz fraca — digo.
— Te torna uma pessoa lenta. Que quis dar uma de super herói e cuidar de todo o problema sozinha. Você não me contou sobre as ameaças, sobre a Katie, sobre nada. Só depois que Juju pegou vocês duas que você me pediu ajuda, e isso me magoou, Billie. Eu sempre estive aqui para você, sempre te ajudei e estive ao seu lado, e você ao menos pensou em pedir minha ajuda quando estava precisando. E eu poderia ter te ajudado — Finneas me dá mais uma bronca.
Ficamos um tempo em silêncio.
Finneas me deu um tempo para processar toda a informação, e eu me perguntava quando eu tinha me tornado alguém tão tola, a ponto de pensar que dormir com uma mulher era a melhor opção para tudo.
Ela poderia estar gravando nossa relação? Ela poderia me ameaçar depois?
Isso e diversas coisas mais.
— Me desculpe, eu... Eu não sei porque eu fiz isso — abaixo meu olhar, sentindo vergonha de mim mesma por tudo.
— Não tem problema. Como eu disse, você não é uma traidora, só... Tomou decisões erradas para tentar defender quem você ama —
Sorri para ele, me deitando em seu ombro. Finneas ainda me passava a mesma confiança que sempre me passou.
— E eu... Sou uma boa mãe? — pergunto baixo, sentindo a mão de Finneas segurar meu dedo.
— Não vou mentir. Eu acho que você poderia dar mais atenção às meninas, mas não é totalmente culpa sua. A carreira musical consegue ser bem desgastante... —
— Posso voltar? — ouço um grito da cozinha, interrompendo as falas de Finneas, e só aí me lembro que a tal da Beatrice ainda estava aqui.
— A Triz é a sua advogada, ela está ajudando a gente a resolver as coisas — Finneas explicou, antes de chamar a mulher de volta.
Beatrice voltou, se sentando do outro lado de Finneas, e pegando seu notebook.
— O acordo era: nada de falar com sua mulher. Pelo menos até a imagem dela estar a salvo, e o que você fez? Saiu em um passeio em família em um lugar super público — a de cabelos castanhos diz, me fazendo arquear a sobrancelha.
Nem ao menos um "oi, tudo bem?".
— Me desculpe, moça. Mas não me lembro de fazer trato algum com você, então não venha dizer o que eu posso ou não faz... —
— Billie! — Finneas me interrompe, mas eu não escuto meu irmão, e continuo falando.
— Eu não posso ver minhas filhas, por causa de um hacker idiota? Eles nem ao menos devem ter as fotos que estão falando. E você é uma mal educada, fale direito comig... — antes que eu pudesse terminar de falar, Beatrice solta uma risada fraca, e sarcástica.
— Com certeza eles não têm nada —
Vejo que ela digita algumas coisas no notebook a sua frente, o virando para mim.
— Essa é a sua conta que estamos monitorando a todo tempo, pode ler as mensagens, e ver se eles realmente não têm as fotos —
Passo alguns minutos rolando as mensagens, lendo por cima as coisas ditas pelo hacker e por mim, e logo ele me manda as fotos que ele tem em sua posse.
As minhas fotos, as fotos de Yanju.
Não consigo passar um minuto olhando para as fotos de Juju, fechando forte a tela do notebook.
Era como se de alguma maneira eu estivesse violando seu corpo. Olhando para algo tão pessoal e íntimo.
Algo que foi enviado, ou tirado pela outra Billie. E eu não tenho direito nenhum de ver.
— O que eu tenho que fazer? — me rendi a tal da Beatrice.
— Primeiro, não irritar a Katie. Aquela mulher é completamente maluca por você, e na cabeça dela, assim que o divórcio sair você vai até ela — passo a mão no rosto, odiando essa tal de Katie sem nem mesmo conhecê-la.
— O que mais? —
— Quando Juju pegou vocês duas. Katie disse que era para você parar de fazer contato com ela. Isso não era tecnicamente um acordo nosso, e sim, seu e da maluca — Beatrice completa, abrindo mais uma vez a tela do notebook.
Ela me mostrou algumas fotos, algumas eram casas, outras de uma moça, junto com um menino que aparentava ter no mínimo dezoito anos.
— Essa é a Katie. Ela mora aqui, e achamos que esse é o hacker que trabalha com ela. É o irmão mais novo dela —
Só de pensar que esse menino punheteiro viu nossas fotos nuas, me dá vontade de vomitar.
— A polícia já está trabalhando no seu caso, mas temos que fazer as coisas com calma, já que não queremos que essas fotos vazem — balanço a cabeça, olhando para Katie, pela tela.
Ela aparentava ser mais nova também. Não igual ao irmão, mas parecia ter seus vinte dois ou três anos.
— É só isso? Me afastar de Juju? — pergunto, cruzando os braços.
— Não precisa se afastar completamente dela. Você pode visitá-las, e manter contato. Mas não pode ser em lugares públicos, como parques — suspiro com suas falas, assentindo.
— Mais alguma coisa? —
— Sim, seria bom se você atendesse minhas ligações... —
— Como você é tão chata — murmuro, a interrompendo.
Beatrice olhou incrédula para mim, e depois para o meu irmão. Foi então que percebi algo que não havia percebido antes.
A mão do meu irmão, em seu quadril, a envolvendo em um abraço nada profissional.
— Não me diga que está com essa mandona, Finn! — exclamei, não segurando minha risada.
Sinto que Beatrice ia vir na minha direção para me bater, mas Finneas a segurou pelo quadril.
— Estou fazendo isso porque seu irmão me pediu, se não ia deixar que se afundasse na própria idiotice, Billie —
— Eu deveria agradecer, cunhadinha? Então, tudo bem. Muito obrigada — digo com sarcasmo, a fazendo revirar os olhos.
— Vamos terminar com isso logo —
Beatrice me explicou passo a passo do trabalho que a polícia estava fazendo para recuperar minhas informações de Katie, e depois que eles tivessem posse das minhas coisas, e não tivesse mais chance delas serem vazadas, prenderiam Katie.
Mesmo sendo chata, Beatrice sabia o que fazia, e tinha ideias muito boas para eu sair do furacão que eu havia me metido.
A pior parte, ficar longe de Juju.
A melhor parte, eu sabia que no fim, eu teria seu perdão, ou bem... é o que eu espero.