Depois de um dia super cansativo no escritório, finalmente cheguei em casa. Tiro meus sapatos, jogo a bolsa e as chaves em cima do aparador ao lado da porta e me jogo no sofá fechando os olhos.
— Mamãe, mamãe — Maitê pula no sofá ao meu lado em seguida pulando em meu colo e me abraça. — Xenti xaudade
Abro um sorriso e beijo sua bochecha. Maitê estava com seu pijama de unicórnio pronta pra dormir.
Pela primeira vez em dias eu consigo chegar em casa antes dela estar dormindo.
— Senti sua falta também meu amorzinho.
Lucca aparece na sala, como sempre está lindo de morrer. Com calça de moletom e sem camisa, está com os cabelos molhados.
— Que bom que chegou mais cedo hoje, linda — ele disse se abaixando e me dando um beijo na boca.
Respiro fundo, seu cheiro é maravilhoso. Amadeirado com um toque de menta.
— Sim, hoje me recusei a ficar até muito tarde no escritório. Preciso descansar pra reunião de amanhã. Eu não sabia que era tão cansativo assim ser dona de empresa.
Lucca da uma risada e vai para a cozinha.
— Com o tempo você se acostuma e começa a ficar mais fácil, linda.
Assenti mesmo sabendo que ele não estava vendo, querendo realmente acreditar naquilo.
Maitê desce do meu colo e vai até onde estão seus brinquedos, pega uma panelinha e uma colherzinha e fala alguma coisa que não compreendi enquanto mexia na panelinha.
— Está com fome linda? — Lucca pergunta da cozinha
— Faminta — e eu realmente estava. Não consegui comer quase nada o dia todo. Bruna, minha secretária até comprou meu almoço e deixou em minha mesa, mas quando abri a tampa da pequena marmita de isopor e senti o cheiro de bife acebolado, um embrulho colossal revirou meu estômago e tive que ir correndo para o banheiro vomitar. Depois disso não consegui ter vontade de comer nada.
— Ótimo. Fiz espaguete ao molho quatro queijos pra você. — ele disse e ouvi o barulho do microondas.
Alguns minutos depois Lucca surge com um prato e um garfo nas mãos. Senta ao meu lado e sorri.
— Abra a boca — ele diz e eu obedeço de bom grado.
O espaguete está maravilhoso. O gosto de parmesão está acentuado e minha barriga ronca alto.
Lucca da um risadinha enquanto coloca outra garfada de espaguete em minha boca.
— Mamãe é bebê — Maitê diz e da risada apontando pra mim.
Lucca ri e eu concordo com a cabeça.
— Sou sim tetê. — respondo e abro a boca novamente pra que Lucca me desse mais espaguete.
Algumas garfadas depois eu já estava satisfeita. Agora eu só precisava de um bom banho, cama e quem sabe um chameguinho com Lucca.
— Obrigada, estava uma delícia — digo e deposito um beijo na boca carnuda de Lucca.
Ele sorri e se levanta indo para cozinha. Enquanto ele caminha, observo sua bela bunda redondinha e mordo os lábios. Como eu quero apertar essa bunda meu Deus.
Levanto-me e vou até onde está Maitê.
— Muito bem, agora está na hora de dormir. — digo e a pego no colo. Ela esfrega o olhinho com a mãozinha gordinha e boceja.
Levo Maitê até seu quarto e lhe dou um beijinho na testa após colocá-la em sua caminha no chão. Optamos por usar a cama Montessoriana, pois Maitê se meche demais a noite, não estava cabendo mais no berço, e é segura quanto a quedas por já estar no chão.
— Mamãe, itóia. Quelo itóia. — ela diz e sorrio.
— Tudo bem — digo deitando-me ao seu lado e ganhando tempo pra pensar em uma história.
— Era uma vez uma linda princesinha que morava em um grande castelo perto da floresta. Um dia, ela estava brincando no jardim com suas bonecas e um coelho preto de olhos azuis saiu de um arbusto. 'Olá linda princesinha' o Coelho diz se aproximando. 'Olá senhor Coelho, o que faz aqui?' a princesinha pergunta curiosa. 'Eu soube pelos bichinhos na floresta que você dá os melhores chás da tarde do reino. E vim perguntar se posso participar de um. Eu adoro um bom chá. ' o Coelho disse esperançoso. 'Claro senhor Coelho, volte daqui a meia hora que o chá da tarde será servido.' A princesinha disse e o Coelho voltou para a floresta. Como dito pela princesinha, meia hora depois, o Coelho estava de volta, mas não estava sozinho. Com ele, estavam dois coelhinhos, um ratinho e um bicho preguiça. A princesinha sorriu e disse ao Coelho 'vejo que trouxe alguns amigos, sr Coelho.' Ele sorri sem graça e confirma com a cabeça. 'Muito bem, quem quer chá?' A princesinha pergunta e todos dizem EU bem alto...
Olho para Maitê que está dormindo profundamente. Dou um beijo em sua testa e me levanto bem devagar para não acorda-la.
Outro dia, assim que levantei ela acordou e tive que contar a história toda novamente. Saio do quarto e encosto a porta deixando apenas uma pequena fresta aberta.
Vou até a sala, a procura de Lucca, mas ele não está. Dou meia volta e entro em nosso quarto. Ouço um barulho no banheiro e vou até lá. Lucca está enchendo a banheira e pingando a essência de lavanda na água. Essa essência é maravilhosa, completamente relaxante.
— Acho que ganhei na loteria e não fiquei sabendo — digo observando Lucca.
Ele se vira e sorri.
— Você merece tudo isso, e muito mais — ele diz e se aproxima.
Lucca segura a barra da minha camisa de seda branca e puxa para cima tirando-a de uma só vez. Ele se ajoelha e puxa lentamente o zíper da minha saia de tecido preta. Ele enfia os polegares dentro do cós e desce a saia até meus tornozelos, dou um passo para o lado e chuto a saia. Ele se levanta e quando ergue o olhar pra mim, seus olhos estão encobertos, e sua língua desliza pelo lábio inferior. Ah, essa língua.
Fico sem fôlego. Pelas minhas veias corre um desejo quente e insinuante. Ele me vira de costas e tira meu sutiã com uma habilidade impressionante e joga no chão ao lado da saia. Tiro os sapatos e me livro da calcinha.
Lucca me puxa e me ajuda a entrar na banheira. Sento-me e recosto deixando a água morna tomar conta de todo meu corpo, me relaxando. Fecho os olhos e solto um suspiro sentindo o aroma da lavanda.
— Quer que eu saia linda? — Lucca pergunta.
Nego com a cabeça.
— Quero mesmo é que você entre aqui comigo. — digo sem abrir os olhos.
— Tenho outros planos pra nós, linda. — Ele diz e sinto minha pele arrepiar sob a água morna.
Depois de meia hora, eu já estava relaxada. Lucca me lavou, massageando meu corpo, coisa que ele faz super bem, aliás. Seco-me e visto um roupão bem felpudo e quentinho. Vou para o quarto e Lucca está deitado na cama lendo O Morro dos Ventos Uivantes. Eu ainda não tive tempo de ler esse livro, mas pelo que Lucca me disse, ele é bom demais.
Subo na cama e entro embaixo das cobertas com ele. Lucca fecha o livro e o coloca na mesa de cabeceira.
— Está mais relaxada? — pergunta.
Afirmo com a cabeça.
— Sim, obrigada. Agora, quero me jogar em cima de você.
Ele me lança um sorriso maldoso e abre os braços, em um gesto silencioso de consentimento.
— Sou todo seu, linda.
Solto um gritinho de prazer infantil e me lanço em seus braços e monto nele. Ele gira o corpo e de alguma forma, eu acabo debaixo dele na cama.
Minhas mãos estão em seu cabelo e minha boca devora a dele, saboreando a sensação de sua língua na minha. É divino.
De repente, ele ergue meu corpo e agarra o nó da faixa em meu roupão e o puxa de uma só vez. Ele me ajuda a tirar o roupão e joga-o no chão.
— Quero sentir você — diz avidamente contra minha boca.
Ele me empurra de volta na cama, pressionando-me contra o colchão, a mão correndo para meus seios. Meus dedos se enroscam em seu cabelo quando ele abocanha um de meus mamilos e o puxa. Solto um gemido de aprovação.
— Isso, linda, quero ouvir você — murmura ele.
Quero ele dentro de mim, agora. Sua boca brinca com meu mamilo, fazendo-me contorcer e ansiar por ele. Ele me provoca com os dedos, meu mamilo crescendo e endurecendo sob seu toque habilidoso. Ele desce a mão até o meio das minhas pernas e desliza seus dedos maravilhosos para minha vagina.
Minha respiração fica ofegante quando ele enfia o dedo em mim. Empurro o quadril para cima, para junto da palma da mão dele, e ele responde, esfregando-a em mim.
— Ah, linda. Você está tão molhada — ele ofega, os olhos vidrados em mim.
— Quero você, agora — murmuro sem fôlego e desesperada.
Sua boca se junta novamente à minha, e sinto sua necessidade de mim.
Ele se levanta, mantendo os olhos fixos nos meus. Tira a calça de moletom e a cueca num movimento rápido. Ele deita-se ao meu lado e pega minhas mãos.
— Você por cima, linda — diz e monto nele — Quero olhar pra você.
Ah. Que delícia.
Ele conduz meu corpo e solto o peso em cima dele. Lucca fecha os olhos e flexiona os quadris de encontro ao meu, me preenchendo e me abrindo. Sua boca está formando um O ao soltar o ar.
Ele segura minhas mãos para me dar apoio, e rebolo um pouco sentindo seu pau entrar mais fundo em meu ventre.
— Você é muito gostosa, linda. — murmura.
Eu me levanto novamente, e observo Lucca se desfazer lentamente embaixo de mim. Ele solta minhas mãos e agarra meus quadris. Coloco as mãos em seus braços e ele investe com força dentro de mim, fazendo-me gritar.
— Isso, linda. Sinta-me — diz com a voz tensa.
E é exatamente isso que eu faço, jogando a cabeça para trás. Ele faz isso deliciosamente bem.
Eu me movo entorpecendo todos os meus pensamentos e minha razão. Sou só sensação, perdida nesse prazer que Lucca me dá. Pra cima, pra baixo, de novo e de novo. Ah delicia. Abro os olhos e o encaro, a respiração ofegante, e ele esta me encarando também, seus olhos estão brilhando.
— Sra. Fernandes. Minha esposa. — ele murmura
— Sim — digo rouca — pra sempre.
Ele geme alto, fechando de novo os olhos e mordendo o lábio inferior. Lucca aumenta as investidas e sinto aquela sensação maravilhosa que é gozar, tomar conta do meu corpo, e a externalizo ruidosamente.
— Ah Lucca, isso é... — não consigo terminar
— Delicioso. — ele completa chegando ao clímax também.
Minha cabeça esta em seu peito. Estou ofegante e feliz. Fico ali, deitada em cima dele, recuperando o fôlego. Ele alisa meu cabelo, e sua mão desliza ao longo de minhas costas, fazendo carinho enquanto nossa respiração se acalma.
— Você é linda demais.
Ergo a cabeça para olhá-lo e abro um sorriso.
— E você é extremamente gentil e gostoso. — Eu o beijo suavemente na boca.
Volto a deitar em seu peito e solto um suspiro.
— Algum problema, linda?
Vários, mas decido falar o que está quase me esmagando à alguns dias.
— Tenho tanto medo de que as coisas com a empresa acabem não dando certo a longo prazo.
Ele move o corpo e me deita de lado na cama e se vira para ficar de frente pra mim, passa o polegar pelo meu queixo e deposita um beijo suave em minha boca.
— Não tenho a menor duvida de que você será bem sucedida, de um jeito ou de outro. Nenhum de nós sabe para onde a vida nos levará, mas você está se sacrificando, trabalhando duro para perseguir seus sonhos e os preservar em primeiro plano na sua cabeça. Você está indo na direção certa.
Assenti e respirei fundo.
— Obrigada, você sempre sabe como me acalmar.
Eu estava com os nervos à flor da pele com a reunião de amanhã com um possível cliente de grande porte. Mesmo meu escritório ainda sendo pequeno e novo no mercado, eu resolvi arriscar com essa reunião.
Senti minha barriga se remexer e um frio se instalar. Estremeço um pouco e Lucca me puxa para mais perto. Ele faz carinho em meu cabelo, fecho os olhos e adormeço sonhando com a reunião.
***
Eu não queria trabalhar no fim de semana, mas essa reunião era realmente muito importante, e Sr Julio só teria horário disponível no sábado pela manhã.
Sob o chuveiro, tomo um banho distraída, contemplando em minha mente o sexo matinal que eu acabara de fazer com Lucca. Ele me faz muito bem, e sabe exatamente o que fazer para me dar prazer. Penso no que ele falou ontem a noite, que eu serei muito bem sucedida, e me apego a isso com todas as minhas forças. Eu investi alto nesse projeto, ele tem que dar muito certo.
Se esse cliente entrasse para Bellini Assessoria Contábil, seria de uma alavancada impressionante.
Saio do chuveiro, seco-me e, de repente, sou tomada por um medo gigantesco.
E se Sr Julio não gostar da minha proposta? Se eu travar na hora da apresentação?
Respiro fundo e olho para meu reflexo no espelho.
— Eu posso, eu consigo. Tudo o que eu quero vem pra mim — Repito a frase que Anna me mostrou sobre a lei da atração.
Ela disse que frases poderosas atraem coisas poderosas. E eu precisava demais atrair o poderoso Sr Julio.
Saio do banheiro e vou até o closet para escolher a roupa. Estico-me para pegar o vestido social preto, o mesmo que usei na inauguração do escritório. Lucca entra no quarto e paralisa. Seus olhos cor de mel brilhando famintos. Sinto como se todo o meu corpo estivesse enrubescido. Ele está usando uma calça preta de terno e uma camisa social branca, o colarinho aberto. Ele continua me encarando.
— O que houve? — pergunto com um sorriso.
— Nada, só estou apreciando a vista — ele diz com um sorriso.
— Ah — digo e me viro para colocar o vestido e sorrio.
Sinto Lucca se aproximar e ele pára atrás de mim. Ele beija meu pescoço e minha pele arrepia. Eu fecho os olhos e suspiro profundamente.
— Pode fechar o zíper, por favor? — peço com a voz baixa e entrecortada.
— Com todo prazer — ele disse se prolongando mais na ultima palavra.
Seus dedos roçam em minha pele e solto o ar que eu não sabia que estava prendendo até aquele momento. Assim que ele termina, me viro pra ele. Seus olhos estão chama pura. Abro um sorriso e deposito um beijo em seus lábios. Respiro fundo e sinto o cheiro do seu pós barba. Um cheiro cítrico e almiscarado.
Meu estômago embrulha. Arregalo os olhos e corro para o banheiro fechando a porta. Abro rapidamente a tampa do sanitário e despejo todo meu café da manhã ali. Sinto ele voltar e subir pela garganta com uma força impressionante.
Ouço Lucca bater na porta com força.
— Giovanna? Está tudo bem? Abre essa porta.
Sua voz está preocupada e urgente.
Não consigo parar de vomitar. Acredito que estou vomitando até o que comi na semana passada. É horrível e nojento.
Lucca continua batendo na porta, mas não consigo responder. E então ele pára.
Espero alguns minutos para levantar, só pra ter a certeza de que nada mais voltaria do meu estômago. Levantei-me apreensiva e dei descarga, fui até a pia e lavei o rosto. Escovei os dentes novamente torcendo pra não vomitar.
Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Eu precisava ir ao médico fazer um check up. Desde que Giovanna fez 1 ano eu não vou ao médico.
Abri a primeira gaveta da pia para pegar um remédio para enjoo, então vi um pacotinho de absorventes intacto. Congelei.
Deixei o copo que estava em minha mão cair no chão, ele se desfez em mil pedaços.
— Não é possível. — digo tentando me acalmar.
Faço umas contas mentais e pego o anticoncepcional na gaveta, a cartela estava praticamente toda completa, só faltava um comprimido.
Puta que pariu.
Lucca arromba a porta do banheiro, seu rosto está tenso de preocupação. Ele olha para o chão e pra mim.
— Linda, o que tá acontecendo? — ele pergunta. — Cuidado com os cacos de vidro.
Quando vê que estou descalço, me pega no colo e me leva para o quarto. Ele me coloca sentada na cama e se ajoelha olhando pra mim.
Eu estou olhando através dele. Não consigo encara-lo agora. E eu tinha uma reunião em meia hora, na qual ele participaria.
Respirei fundo algumas vezes e tentei me concentrar. Como eu pude esquecer de tomar o anticoncepcional? A quanto tempo eu não tomo? Minha cabeça estava a mil.
— Linda, fala comigo. Você está me assustando.
Balancei a cabeça e olhei em seus olhos.
Eu não poderia falar com ele agora sobre isso. Não até ter certeza.
Mas, quem eu estou querendo enganar? Estou com enjoos à várias semanas, dependendo do cheiro que eu sinto não consigo ficar perto e as vezes vomito. Meus seios estão levemente inchados e algumas vezes senti tontura.
E nem notei que eu não estava menstruando. Me diz como uma mulher não nota esse tipo de coisa?
Meu Deus!
— Desculpe. Comi algo que não me fez bem. Só isso. — digo fazendo carinho em seu rosto.
Prendo a respiração com medo de vomitar novamente.
— E o que aconteceu com o copo?
— Eu estava com a mão molhada e ele escorregou. Sou muito desastrada.
Lucca assentiu.
— Acho melhor remarcarmos essa reunião. Você está pálida.
Nego com a cabeça.
— Não há necessidade. Já estou melhor, só preciso de água gelada.
Lucca assente e se levanta saindo do quarto.
Como irei contar? Logo agora que eu finalmente tenho minha empresa, estou trabalhando direto e igual louca pra conseguir alcançar todos os objetivos. Como irei lidar com uma gravidez? Com um parto? A lembrança do parto de Maitê me veio a mente. Todo aquele sangue no chão do banheiro. Dias sem conseguir acordar. Maitê nascendo prematura. Eu não sei se sou forte o suficiente pra passar por tudo isso novamente.
Sinto uma lágrima escorrer pela minha bochecha e Lucca volta com uma garrafinha de água com gás gelada. Seco rapidamente a lágrima e dou uma fungada.
— Linda, você tem certeza que está tudo bem? — ele me pergunta entregando a garrafa.
Assenti e bebi um longo gole da água. Por dentro eu estava desmoronando.
***
Chegamos no escritório quase em cima da hora. Passei por Bruna igual a um furacão e lhe dei um bom dia rápido. Pedi que ela viesse hoje pela manhã apenas para recepcionar o Sr. Júlio. Ela veio atrás de mim, me atualizando de algumas coisas.
— Bom dia, chefe — ela disse enquanto eu ligava o computador. — Ontem no final do dia, a Sra. Luiza ligou querendo marcar uma reunião com você, ela precisa de orientação sobre uma funcionária que está dando problemas para ela na clínica.
Assenti e ela continuou.
— Sr. Charles disse que já depositou os honorários em sua conta e que indicou nosso escritório pra mais uns amigos dele. Que ligarão para marcar uma reunião essa semana.
— Que ótimo. Quanto mais clientes melhor. — falei com um sorriso.
— Sim. Por enquanto é isso. Ah e Lucas e Monique já chegaram. A senhora precisa de algo?
Bruna é muito eficiente. Ela é ruiva e tem olhos azuis. Alta e magra, parece aquelas bonecas de porcelana. Sempre muito bem vestida e muito simpática. Acertei em cheio quando a contratei.
— Pode por favor providenciar café e uns biscoitinhos na sala de reunião? Sr. Júlio deve chegar a qualquer momento. E leva umas três garrafas de água com gás pra reunião.
Ela assentiu e nesse momento Lucca chega com um sorriso e uma sacolinha.
— Bom dia Bruna — ele diz passando por ela
— B-bom dia Sr Lucca — Bruna diz e a vejo corar. As bochechas brancas ficando super vermelhas.
Reviro os olhos e confiro meus e-mails no computador.
Três e-mails do Sr. Romano me convidando para ir a um jantar em sua casa, em comemoração ao seu aniversário. O convite não se estende para acompanhantes. Reviro os olhos e clico na lixeira para apagar esse e-mail.
Um e-mail de Sérgio com algumas dicas para a reunião de hoje. Ele sempre me ajuda demais, se não fosse pelos conselhos que ele me dá eu estaria perdida. Respondo rapidamente agradecendo e prometendo que assim que a reunião acabar, eu ligarei para contar como foi.
Olho para Lucca que está sentado no sofá com um sorriso.
— Você fica linda demais quando está no modo CEO — ele diz e pega a sacolinha. — Trouxe algo pra você comer, já que agora está com o estômago vazio.
Ele tira da sacolinha um pão de queijo grande recheado com Polenguinho. O cheiro estava divino.
Peguei da mão dele e dei uma boa mordida. Estava delicioso como eu imaginava.
Perto do escritório tem uma padaria maravilhosa que faz os melhores pães de queijo recheados que eu já comi.
— Trouxe café com leite bem doce pra você também — ele me entrega um copo descartável com o líquido quentinho.
Tomo um gole e fecho os olhos em apreciação. Como que café com leite de padaria fica tão gostoso?
— Obrigada amor. Você é muito gentil. — digo antes de dar outra mordida no pão de queijo.
Lucca sorri e senta no sofá. Pega seu celular e começa a digitar.
Sempre que pode, ele vem pra cá pra me ajudar durante a semana. Seu trabalho com Sérgio está bem mais flexível agora, então às vezes ele tem tempo.
Estou até planejando colocar mais uma mesa com um computador aqui na sala pra que ele possa ficar mais a vontade. Minha sala é enorme e cabe umas três mesas com folga. Escrevo isso em um post-it para entregar a Bruna mais tarde.
Bruna bate na porta que está aberta e entra.
— Ele chegou, chefe — ela disse.
Assenti e engoli em seco.
— Por favor leve-o para a sala de reuniões e avise Lucas e Monique — respondi e ela assentiu saindo da sala.
Fui até o banheiro e verifiquei meu reflexo no espelho. Eu ainda estava um pouco pálida, então belisquei algumas vezes as bochechas para dar um cor e retoquei o batom.
Voltei para sala e peguei meu celular. Lucca segurou minhas mãos e olhou em meus olhos.
— Vai dar tudo certo, linda. Você vai conseguir. — ele disse e me deu um beijo na boca.
Assenti e suspirei.
— Deus te ouça. Agora vamos, não podemos deixar esse homem esperando.
Peguei a mão de Lucca e sai da sala em direção a sala de reuniões.
Sr. Júlio era um homem de meia idade, com cabelos grisalhos e ombros largos. Era muito bonito e alto. Estava em ótima forma. Era dono de uma rede de postos de gasolina chamada Full. Era uma rede consideravelmente grande, praticamente em cada esquina tinha um posto dele.
Lucas e Monique estavam sentados em uma lado da mesa com os rostos apreensivos. Bruna estava no canto com um bloquinho de anotações.
Aproximei-me dele e lhe estendi a mão.
— Olá Sr. Júlio, muito obrigada por estar aqui hoje. Bruna já lhe ofereceu algo para beber? — falo com um sorriso tentando esconder meu nervosismo.
Ele se levanta revelando sua altura. A mesma que Lucca. Ele aperta minha mão e sorri.
— Ah Giovanna, me chame apenas de Júlio por favor. Sr Júlio é o meu pai. E é um prazer estar aqui, você foi muito bem recomendada. — ele disse apertando de leve minha mão.
Franzi o cenho. Quem será que me recomendou? Olhei pra Lucca que deu de ombros.
— Esse é Lucca, meu marido. Ele veio para acompanhar nossa reunião. — digo e Lucca estende a mão para ele.
— Hum, muito bem. Está cuidando do patrimônio. Está certíssimo. — Júlio fala com um sorriso.
— Não, não. O escritório é dela, eu só vim pra auxiliar caso ela precise. — Lucca disse enquanto se sentava.
Júlio deu uma risada e balançou a cabeça.
— Eu estou falando dela meu rapaz. Eu também não deixaria minha esposa se encontrar com um homem estranho, mesmo que seja a negócios. — ele disse e olhou pra mim de cima abaixo — Ainda mais uma bela moça como ela.
Lucca se remexeu desconfortável na cadeira. Eu estava suando frio. Minha nossa senhora dos maridos ciumentos, segura esse homem.
— Ela realmente é impressionante — Lucas disse olhando pra mim. Lucca olha furiosamente para Lucas que se encolhe na cadeira. Uma vez Lucas encostou em braço, ele estava empolgado falando sobre o trabalho, e Lucca quase voou em seu pescoço.
Respirei fundo. Essa reunião vai ser fenomenal. Estou até vendo.
Vou até o monitor na parede e aperto um botão no controle em minha mão para começar a apresentação.
— Muito bem Julio. Sei que você já tem um contador, com tudo muito bem estruturado e nos eixos, mas quero lhe apresentar minha forma de trabalho e quem sabe assim possamos fechar um contrato — digo e passo o primeiro slide — Nosso sistema super avançado, integra perfeitamente todas as filiais de uma empresa, separando os dados de cada uma e fazendo com que a sincronização automática das informações atualize rapidamente nossos servidores, para que nossos colaboradores possam fazer a conferência.
Passo para o próximo slide.
— Fazendo com que seja desnecessário aquela pilha de papéis que geralmente são mandadas para os escritórios. Evitando acúmulo de material, e poluição quando esse material precisar ser descartado.
— E como isso funciona? — ele pergunta
— Instalamos o nosso sistema em suas filias, seus funcionários alimentarão esse sistema com os dados do dia-a-dia. Vendas de combustíveis, e lojas de conveniência, inclusive as vendas no Jet-Oil. Essas informações poderão ser vistas pelos meus colaboradores aqui mesmo do escritório e revisadas para que sejam feitas as apurações corretas dos impostos e o envio das declarações pertinentes ao seu regime tributário. — respondo sentindo um alívio enorme por ter revisado isso com Monique no dia anterior.
Monique é o meu 'cara' do T.I. Ela é simplesmente magnífica no que faz. Não há um problema que ela não resolva. Ela é baixinha, negra e seu cabelo black chama atenção, é simplesmente maravilhoso. Ela é uma mulher muito bonita, e os clientes sempre falam muito bem dela quando ela vai até eles pra resolver algum problema no sistema. Ela tem uma presença forte e intimidante, mas é uma ótima pessoa. Bruna me contou que Carlos da portaria estava tentando conquistar Monique, mas que ela o ignorava sem dó.
— Monique, nossa T.I é responsável por instalar o sistema, configurar e ensinar aos funcionários como usá-lo. E caso dê algum problema ela está apta a ir resolver. — digo apontado para ela que sorri para Júlio.
Ele assente e volta a olhar pra mim.
— E quais serviços você presta exatamente? — ele pergunta. Está com a perna cruzada e a mão repousando na mesa.
— Toda a parte Contábil, departamento pessoal, fiscal e jurídica da sua empresa. — respondo.
— E quantos funcionários você tem? Pois você sabe que tenho muitas filias, e acredito que será preciso mais pessoas para conseguir dar conta de tudo. — ele diz apontando para Lucas e Monique.
— Tenho 17 funcionários ao total. Lucas é o responsável pelo setor contábil. E com ele tem mais quatro no setor. Cinco no setor fiscal e cinco no departamento pessoal. — digo sentando-me na ponta da mesa.
Eu estava começando a sentir uma leve tontura. Bruna imediatamente me entregou uma garrafinha d'água. Como sempre muito eficiente.
Júlio assente e olha para a janela. O dia estava ensolarado e muito bonito.
— Caso seja necessário, contratarei mais colaboradores sem problema algum. — Acrescento tentando convencê-lo.
Júlio suspira e junta as mãos em frente a boca. Eu estou com o corpo tenso esperando que ele pergunte mais alguma coisa. Olho para Lucca que pisca pra mim e sorri. O clima de tensão sala é palpável.
— Ok. Onde eu assino? — Júlio pergunta com um sorriso.
Lucas e Monique respiraram aliviados e sorriem.
Eu estou boquiaberta, não tinha acabado a apresentação ainda, faltava mostrar algumas coisas e o valor dos honorários.
— Jura? Mas, ainda não acabei de te apresentar minha proposta. Não quer saber o valor dos honorários? — pergunto ainda sem acreditar
— Minha querida, não me importa o valor. Eu vim até aqui decidido a fechar com você, sinceramente não precisava me mostrar nada. — ele diz com um sorriso. — Como eu disse, você foi muito bem recomendada pra mim.
Respirei fundo aliviada, mas...
— Desculpe Júlio, quem me recomendou? — perguntei tentando imaginar quem teria feito tamanha bondade comigo.
— Seu pai. — ele responde olhando em meus olhos.
— O-o que? Como? — pergunto sentindo tudo ao meu redor girar, agradeci por estar sentada.
— Seu pai e eu éramos amigos de longa data, nasci em Petrópolis também e fiz faculdade com ele. Eu gostava demais de seu pai e fiquei muito triste quando ele se foi. E antes dele morrer, ele me ligou e disse que algum dia você abriria um escritório de contabilidade, que você seria a melhor do ramo e que era pra eu dar uma chance a você, mesmo que seu escritório fosse em Petrópolis. Que eu não iria me arrepender. Então quando eu soube que você e sua mãe tinham vindo pra cá, fiquei de olho em você — ele disse sorrindo. — E com o que vi hoje, eu tenho a total certeza de que não vou me arrepender. Seu pai estava completamente certo.
Fiquei sem ar. Eu sei que meu pai acreditava em mim, e sempre me dizia que eu seria uma ótima contadora e que teria bastante sucesso, mas isso? Senti meus olhos queimarem.
— Eu sinceramente fiquei meio apreensivo quando ele me falou. Pois, você tem quantos anos agora? 26? — ele pergunta e eu assenti. — Fiquei pensando, como uma moça tão jovem poderá gerenciar um escritório e dar conta de todo o trabalho duro? Mas, mesmo assim resolvi lhe dar essa chance que meu amigo me pediu a muito tempo atrás. E Giovanna, você é sensacional, segura de si e super talentosa. Seus clientes falam muito bem de você.
Abri um sorriso, e lágrimas escorreram. Corri para seca-las e Júlio balançou a cabeça.
— Deixe-as cair minha querida, você é humana. Se permita chorar — ele disse e se levantou. — Muito bem, me envie um e-mail com os últimos detalhes e o que eu preciso fazer para migrar pra cá. Eu já estou a ponto de matar meu atual contador. Obrigado minha querida. Você vai longe.
Ele apertou minha mão e a de Lucca e saiu seguido por Bruna.
Desabei na cadeira novamente não acreditando no que acabara de acontecer. Olhei para Lucca que estava sorrindo.
— Parabéns chefe. Você é demais. —Monique disse com um sorriso. — Até segunda.
Monique bateu na mão de Lucca e sorriu. Eles se tornaram ótimos amigos, conversam bastante sobre computadores, jogos e Cryptomoedas. Ela é a unica mulher no escritório que não se derrete por ele.
— Parabéns chefe. — Lucas disse com um sorriso,
Monique e Lucas saíram me deixando sozinha com Lucca.
Ele se aproximou e pegou minhas mãos, beijou cada um dos nós delas e olhou pra mim.
— Eu disse que daria tudo certo
— Sim você disse.
— Podemos ir pra casa agora? Queria aproveitar que Maitê está passeando com Gustavo e Bea, pra me aproveitar de você. E lógico, comemorar essa conquista. — Lucca disse me puxando para perto dele e me envolvendo com seus braços musculosos.
Engoli em seco e assenti.
Ele segura minha mão e me puxa para fora da sala de reuniões parando apenas pra pegar minha bolsa em minha sala.
— Você desliga tudo e fecha pra mim, Bruna? — Lucca diz para ela que está arrumando uns papéis na recepção.
— C-claro senhor Lucca. Com prazer. Até segunda, chefe. — Bruna responde e me da um tchauzinho.
No elevador, Lucca me imprensa na parede e me beija ardentemente. Meu Deus, com um toque esse homem me incendiava toda.
Passamos por Carlos às pressas que acenou e deu uma risadinha. Com certeza viu nossa demonstração de carinho no elevador. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas.
Na rua aperto a mão de Lucca e faço-o parar, lembrando que tenho que passar em um lugar antes.
— Preciso passar na farmácia antes. — digo a Lucca que faz um muxoxo.
Ele assente e entramos no carro. Ele pára em frente a uma farmácia e eu saio batendo a porta. Na farmácia vou direto para o balcão.
— Três testes de gravidez por favor. — pedi. Vou fazer o tal do 'melhor de três'
O balconista se abaixa e pega três caixinhas grandes com um nome estranho.
— Mais alguma coisa senhora? — ele pergunta
— Não, só isso. Obrigada.
Ele me entrega uma cestinha com as caixinhas dentro e uma plaquinha com número.
No caminho do caixa pego um desodorante apenas para disfarçar e entro na fila.
Paguei e saí da farmácia com um frio na barriga. Entrei no carro de Lucca, ele havia ligado o rádio, estava tocando 'Me encontra' do Charlie Brown. Ele estava cantarolando e batendo com os dedos no volante.
— Podemos ir? — ele pergunta com um sorriso.
— Sim.
Lucca da partida no carro e dirige de volta para nossa casa.
Chegando em casa eu vou direto para o banheiro, tranco a porta e pego os testes na sacola. Leio a embalagem e sigo o passo a passo.
É meio nojento ter que fazer xixi no palitinho. Acabei acertando minha mão no processo. Reviro os olhos e solto um suspiro. Faço xixi nos três palitinhos e os coloco em fileira em cima da pia.
Na embalagem diz pra esperar de 3 a 5 minutos pra ter certeza. Então sento no sanitário e espero.
Lucca bate na porta e eu levo um susto.
— Tá tudo bem, linda? — ele pergunta.
— Sim, está. Só acho que o pão de queijo não caiu muito bem. Daqui a pouco eu saio.
— Tudo bem, estou te esperando na sala.
Levanto-me e começo a andar de um lado pro outro, projetando todo o meu futuro caso apareça dois riscos nesses palitinhos. Sinto que o medo está se aproximando, de vagar, como um leão pronto pra atacar.
Olho para o espelho, estou pálida, não quis passar muita maquiagem para a reunião. Passei apenas um corretivo e um batom. Mordo os lábios e desviro os palitinhos. Acho que já deu os cinco minutos.
Olho para cada um dos palitinhos sem acreditar no resultado.
Puta merda.