Os acontecimentos imperceptíveis aos nossos olhos focados são escoados pelas linhas do tempo, no automático peneiramos os momentos efêmeros e não atribuímos importância alguma na forma de tocar, a suavidade com que passa pelas nossas vidas, na genialidade da chegada e na estratégica partida, os rastros não são reconhecidos após a sua saída, apenas a sensação de que houve uma entrada, um check-in e check-out emocional, espiritual, físico e mental.
O crédito pela escassez da percepção é atribuída com mérito aos seus ciclos internos, o aprendizado adquirido não foi preparatório, e ainda mais para essa engenhosa matéria do mundo das ideias, a sua leveza é considerada o mero acaso, a coincidência do ser, o instinto aprimorado, a mania do querer e a distancia entre o sinônimo possuir e a literalidade do ter.
Mas é preciso reconhecer que somos construídos pelo mero acaso, os encontros amarrados, alinhados pela sua desconhecida raiz, na sua profunda fonte, para o seu derivado aprendiz, os aprendizados passados na sua incompletude não são consequências dos ensinamentos transferidos, mas nas transcrições dos seus ideais na mudança de cada novo estado encontrado, reconhecido, entendido pelo seu inovador ideal, compreendido na sua casa recente, no corpo e mente, em seu vocabulário atual.
O idioma temporal nunca foi fluente pelas mentes que estão apressadas pelos finais, o anseio por saber o que há de vir, a ansiedade pela latente probabilidade do futuro retiram os sentidos da suavidade temporal, tornando-se apenas um recipiente entendido pelo ficcional, pela esperança futurística e esquece o que é primordial, a vivencia do segundo, da volta distante do relógio para o próximo minuto, na intercepção da volta ao mundo, no entendimento do que sou no fundo, se o que preciso é o anseio, o desejo pelo próximo ou a saudade do anterior, e quando não sei onde estou, já perdi as voltas que o relógio viajou e não há mais número para ser seu sucessor. Então quem fui, o que fui e o tempo, para onde foi?