Era noite de Ano Novo, e a casa estava em silêncio — como se o mundo tivesse decidido me esquecer por mais uma noite, por mais uma vez.
Do lado de fora, algumas luzes piscavam nas casas vizinhas e, ao longe, eu ouvia o mundo ganhando vida…
mas eu não conseguia sentir nada além de ausência.
Eu estava, mais uma vez, sozinha — em uma data em que todos comemoravam com familiares e amigos.
Uma lembrança perversa do quanto o destino foi cruel comigo.
Não me restou nada.
— Eu não vi os fogos no ano passado — murmurei, olhando para o chão.
— Estava no hospital. Tudo parecia… vazio. Esta data nunca mais será a mesma sem meus pais. Nenhuma data... será igual.
As palavras saíram mais pesadas do que eu imaginava.
Falar sobre isso sempre me deixava exposta.
Vulnerável.
E então, a minha velha visitante invadiu mais uma vez o meu quarto — como se tudo aquilo lhe pertencesse.
Era como um lembrete de que eu ainda tinha alguém com quem me importar.
Ela sentou-se na minha cama e me observou em silêncio.
Seus olhos brilhavam com a luz amarela da lâmpada, mas havia algo a mais ali — preocupação, determinação…
aquele tipo de atenção que te faz sentir como se fosse a única pessoa no mundo.
— Sua casa estava tão escura… pensei que nem estivesse em casa.
Vi todos saírem, achei que tivesse ido com eles — disse, com uma tristeza leve na voz.
— Mas vi uma pequena luz no seu quarto e resolvi conferir.
Eu estava sentada de frente para a escrivaninha, tentando colocar o vazio em palavras no meu diário.
Eu poderia escrever um universo de coisas…
mas tudo que eu escrevia era sobre ela.
Porque nada se compara a ela.
— É… meus avós foram pra vigília — digo, dando uma leve pausa enquanto balanço a caneta na mão.
Penso em mais alguma coisa pra dizer, mas nada sai.
— Você está triste com alguma coisa? — a voz dela soou tão preocupada que doeu.
Será que ela entenderia se eu dissesse que sinto que não tenho nada?
Ou ela se veria como esse “nada”?
— Às vezes, em datas como essa… — tento dizer, mas sinto um nó subindo do coração para a garganta.
Ela vem até mim.
Ela sempre vem, não é?
— É como se não tivesse te restado nada? — pergunta, e me abraça como se pudesse arrancar a minha dor.
Tentei segurar as lágrimas, porque, se eu chorasse ali, talvez nunca mais parasse.
Guardei tantas dores em mim, que desaprendi a compartilhar.
Desde o meu acidente, desde o dia em que perdi tudo, ela foi a primeira pessoa a me abraçar com amor.
E isso me fez sentir que um simples “eu te amo”, dito pra ela, não carrega o que está, de fato, em meu coração.
Nunca fui de acreditar em outras vidas, mas, se um dia a morte ousar nos separar antes do tempo,
então eu viveria mil vidas apenas pela chance de amá-la mais uma vez —
nem que fosse na minha última vida.
Ela é a única pessoa que me faz sentir que ainda vale a pena viver.
Me encolhi em seu abraço.
Senti o cheiro dela, o toque quente da pele, e mesmo que a cadeira me impedisse de abraçá-la com a força que meu coração desejava,
ainda assim a abracei — como se o mundo estivesse se partindo ao meio e ela fosse a única coisa que restasse.
— Você sabe que eu sempre estarei contigo, não é? — ela disse, a voz embargada.
— Perder os pais não é fácil, e esse vazio que você sente...
ele nunca vai sumir por completo.
Mas eu posso tentar amenizar um pouco desse vazio —
nem que eu passe a vida toda tentando.
Ela fez uma pausa curta, respirou fundo, como se buscasse coragem dentro do próprio peito.
— Você pode sempre contar comigo.
Eu sou sua namorada e, antes disso, sou sua amiga —
seus olhos encontraram os meus, firmes, intensos.
— Sempre que precisar de um abraço, me ligue, me grite...
e lá eu estarei.
Sempre — disse, como quem promete algo que não se quebra.
Senti a garganta esquentar com todo o choro que eu guardava e não ousava deixar escapar.
— Eu te amo, Lumar — prendi a respiração e logo em seguida disse.
— Você é tão boa pra mim, que às vezes nem parece ser real — digo, com a voz cortante.
Ela apenas absorvia cada palavra que eu dizia, seus olhos atentos, seus cachos bagunçados sempre caindo sobre os olhos.
Até o silêncio dela era cheio de coisas não ditas.
Mas o silêncio foi quebrado.
— Essa é a terceira vez que você diz que me ama — ela diz, com os olhos brilhando.
— Você não é muito de dizer isso — agora eu realmente acho que isso não seja real.
— Você estava contando? — pergunto, dando um leve sorriso.
Ela balançou a cabeça em um leve sinal de sim.
Eu perdi tantas pessoas que aprendi a guardar tudo para mim, não só a dor, mas também o amor.
— Então, a partir de agora, te direi mais vezes.
Usarei o “eu te amo” como se fossem vírgulas — digo, depositando um leve beijo em seus lábios.
— Eu te amo.
Passar a virada de ano ali com ela, dividindo o meu quarto e a minha cama, seria o suficiente para mim.
— Eu também te amo — ela disse, me dando um leve beijo na testa.
— Agora eu quero que você venha comigo — vamos ver os fogos, no nosso lugar preferido — disse, com firmeza doce.
— Agora? — minha voz saiu hesitante.
Ela assentiu, se levantando.
— Agora.
— Lumar, a praia é longe… e o Tito… — tentei argumentar, mas minha voz falhou.
— Ele não quer que eu saia à noite.
— Ele não está aqui — respondeu, com aquele sorriso que desarma qualquer medo.
— E eu não me importo se a praia é longe.
A gente vai devagar.
Tudo o que eu quero é te ver feliz, nem que seja por um dia.
Olhei para ela, surpresa.
A confiança nos olhos dela me desarmava, me puxava pra frente mesmo quando tudo em mim dizia “não”.
— Não dá tempo, os fogos já devem ter começado — murmurei, desistindo antes mesmo de sair.
— Então a gente vê de onde der — disse ela, abaixando-se e ajeitando a manta nas minhas pernas com cuidado, como se cada gesto pudesse me proteger do mundo.
— Será a nossa primeira vez vendo os fogos juntos.
É importante pra mim.
Eu hesitei.
Eu sempre hesito.
Mas havia uma decisão silenciosa nos olhos dela que me fez confiar.
— Vamos lá, amor — disse Lumar, firme.
Saímos pela minha velha varanda e seguimos pelas ruas da cidade quase vazias.
O vento frio se misturava ao cheiro de sal e areia distante.
O barulho das ondas chegava em pequenos sussurros, como se a noite inteira estivesse conspirando para que aquele momento fosse só nosso.
Ela empurrava minha cadeira com paciência, desviando de buracos, postes e sombras.
Cada inclinação dela, cada ajuste do braço no apoio da cadeira, parecia um cuidado silencioso, como se dissesse
“eu estou aqui e vou garantir que nada ruim aconteça”.
No caminho, pequenas coisas chamavam nossa atenção
uma criança correndo atrás de seu brinquedo perdido,
risadas de adolescentes na calçada,
um cachorro correndo atrás das motos que passavam.
Lumar comentava de tudo, às vezes apenas para me fazer sorrir,
às vezes para me distrair do peso que ainda morava em mim.
E eu me deixava levar, mesmo que só por instantes,
sentindo que talvez fosse possível existir sem dor, mesmo que por um momento.
O primeiro clarão colorido rasgou o céu ainda longe, e meu peito apertou.
— Já começaram — murmurei, frustrada.
— Não vamos chegar a tempo.
Ela parou a cadeira, respirou fundo e se inclinou levemente para ficar ao meu lado.
Nada a derrotava.
— Então a gente vê daqui mesmo — disse, olhando para mim com ternura.
Subimos por uma rua um pouco mais alta, e dali dava para ver o reflexo dos fogos nas janelas.
Não era a praia, mas era luz.
Era cor.
Era vida refletida de volta para nós.
— Olha que lindo os fogos — disse ela, mas seus olhos estavam em mim, e não no céu.
— Como você sabe que são lindos, se está olhando pra mim? — perguntei, tentando esconder o riso nervoso.
Ela se inclinou um pouco mais, e o brilho das cores dançou em seus olhos.
— Porque posso vê-los sendo refletidos nos seus olhos.
E eu gosto de observar como as coisas ganham mais beleza quando estão sendo observadas por você.
O silêncio caiu sobre nós depois disso.
Não havia pressa, não havia expectativas, só o momento e a presença dela.
Ela ajeitou meu casaco, encostou o queixo nos braços cruzados sobre o descanso da cadeira e ficou ali, quieta, contemplando o céu que ainda piscava em cores.
Por dentro, senti o vazio que carregava há tanto tempo diminuir,
como se ela tivesse acendido uma vela na minha escuridão.
A vida parecia menos pesada, menos silenciosa.
— Feliz Ano Novo, amor — sussurrou Lumar.
Demorei a responder, fiquei parada admirando todos os traços dela
a respiração silenciosa, o jeito como estava se apoiando na minha cadeira,
mas, acima de tudo, admirei seu esforço em me trazer até aqui.
— Pra você também, meu amor — eu disse, e senti a leveza em meu coração.
Finalmente, as cores desapareceram do céu, e as estrelas voltaram a ser a maior atração da noite.
— Quer ir pra onde agora? — quer comer alguma coisa? — ela perguntou, preocupada.
Eu não estava com fome.
Tudo que eu queria era voltar para o meu quarto, deitar e dormir um pouco.
— Podemos ir embora? — pergunto, sincera.
— Claro, eu também não tenho uma bateria social muito boa — ela diz, sincera.
Seguimos pela mesma rua, mas ela já não estava tão vazia.
Existiam outras pessoas voltando para casa,
uns bêbados demais e outros apenas em silêncio,
carregando as próprias dores e esperanças que só o Ano Novo pode proporcionar.
Todos vestiam as cores que representavam suas promessas e expectativas
uns de branco, outros de amarelo e alguns românticos usando vermelho.
Eu nem precisei olhar para ela para saber a cor que vestia.
Tons escuros, como sempre — Lumar nunca gostou de chamar atenção,
mas, de algum jeito, o mundo sempre acabava olhando para ela.
Quando finalmente chegamos em casa, ainda não havia sinal do meu tio, apenas o silêncio.
Ela resolveu ficar comigo, como quase sempre fazia.
Ela nunca me deixava ficar sozinha.
— Seus pais não vão ficar preocupados se você não voltar para casa? — pergunto enquanto me ajeito pra deitar.
Ela me ajuda a sair da cadeira de rodas, quase todas as noites ela fazia isso.
Acho que já se acostumou.
— Meus pais passaram a noite com amigos.
O único filho que eles levam é o John —
não acho que eles se importam se eu voltarei ou não para casa — senti uma leve melancolia em sua voz.
— Eles sempre foram assim? — pergunto, sincera, mas sem forçar nada.
Ela se ajeita ao meu lado, e a luz do abajur reflete em seus olhos.
— Pior que não — eles mudaram de comportamento —
ela dá uma leve pausa, como quem decide se fala ou não.
E então continuou
— Eu cometi alguns erros e algumas atitudes que quase fizeram eles perderem tudo.
E é aquilo, não é — ela respira fundo —
a maior riqueza de um homem é a sua reputação?
Então eu não posso reclamar pela forma que eles me tratam hoje,
se essa mudança aconteceu por um erro meu. — a voz dela soou tão fria.
Mas havia algo nos olhos dela que não combinava com aquela frieza.
— Você poderia me dizer qual erro você cometeu? —
É porque eles sabem do nosso relacionamento? — pergunto, preocupada.
Não quero que ela perca o amor dos pais por estar comigo.
— Mas o nosso relacionamento não é um erro — ela diz,
e a firmeza da voz tenta cobrir a fragilidade que eu vejo nos olhos dela.
— Sol, meus pais te adoram — continua, um sorriso leve surgindo, frágil como vidro fino.
— Meu pai tem um certo receio, mas sempre que pergunta sobre nós...
ele fala com um brilho nos olhos.
Por um instante, ela parece leve, quase serena.
Mas logo o olhar vacila, e cada palavra que sai da boca dela carrega um peso invisível,
como se o corpo inteiro tentasse segurar algo que quer escapar.
— Não é fácil pra ele aceitar completamente...
mas ele está tentando — a voz sai baixa, trêmula.
— E é isso que me machuca um pouco.
Vejo o medo e a culpa atravessarem o rosto dela.
Cada pausa, cada suspiro entre as palavras é carregado de tudo que ela teme perder.
— Depois de tudo que fiz, eles continuam me apoiando em tudo...
só não se importam como antes — ela diz, quase sussurrando.
Os olhos dela estavam avermelhados, e eu sabia o significado daquela reação.
Ela também estava lutando pra não chorar.
Eu e ela éramos feitas da mesma matéria,
nós duas éramos como paredes em meio ao terremoto.
Apesar de tudo desmoronar, nós ainda insistíamos em ser fortes.
Eu não sei o peso da dor que ela carrega,
mas se eu pudesse arrancá-la, eu faria sem nem pensar duas vezes.
— Tá tudo bem — sussurrei, sentindo o calor dela, a respiração que tremia levemente.
— Eu não me importo com o erro que você cometeu...
Eu te amo — meu olhar percorreu cada traço do rosto dela, cada emoção que ela tentava esconder —
Eu te amo — pelo que você representa pra mim.
Sempre que olho pra você, tudo o que enxergo... é amor.
Ela desvia os olhos para o teto, e a sua respiração agora é lenta.
— Talvez um dia eu te conte, e então você não me enxergará da mesma forma — ela disse.
A voz falhou no meio, como se cada palavra tivesse atravessado algo dentro dela antes de chegar até mim.
— Se até meus pais mudaram a forma do amor deles por mim,
por que você não mudaria a sua forma de me amar? —
A respiração dela se quebrou logo depois, presa entre culpa e medo, como se a própria lembrança a ferisse.
— O que te faria querer ficar?
Foi quase um sussurro.
O silêncio tomou conta do quarto.
Como dizer para a pessoa que você ama que, não importa a profundidade do oceano em que ela esteja se afogando,
você ainda assim mergulharia — mesmo com o risco de nunca mais voltar à superfície?
— Eu acharia uma... maneira de ficar — e se você não é mais a pessoa… — ela me interrompeu com um beijo.
— Isso já é suficiente pra mim — ela diz, me beijando com mais força.
— Um dia eu te contarei tudo — ela diz, pausando o beijo.
Seus olhos foram tomados por um brilho estranho.
— Você se sente pronta? — ela perguntou olhando em meus olhos.
Eu não entendi de imediato do que se tratava a pergunta,
mas quando ela beijou lentamente o meu pescoço e deslizou a mão para dentro da minha blusa, eu entendi.
O medo voltou com força.
A noite havia sido tão perfeita, estávamos tão conectadas.
E se esse próximo passo alterasse de forma negativa o que sentimos uma pela outra?
Mas os olhos dela, o cuidado, a forma como ela acariciava meu cabelo,
o toque de suas mãos deslizando sobre minha pele,
a voz dela, a boca dela.
Tudo nela era um convite.
O meu coração não tinha dúvidas.
— Sim — eu digo, a voz trêmula… — tive uma breve conversa com a minha fisioterapeuta… não sobre isso — acrescento, sentindo minhas bochechas queimarem.
— Mas sobre as minhas sensibilidades — digo, cobrindo o rosto com a mão… de vergonha…
Ela presta atenção a cada palavra.
Ela sempre é tão atenciosa.
Não me imaginaria tendo a minha primeira vez com outra pessoa que não fosse ela.
— Então, está tudo certo? — ela pergunta preocupada, talvez com medo que eu desistisse pela segunda vez.
— Humrum — afirmo, sentindo meu coração arder.
— Mas vamos devagar — sussurrei, implorando —
minhas mãos trêmulas a puxaram para um beijo,
e cada centímetro do contato queimava, éramos como brasas,
e apenas um sopro de vento nos transformaria em fogo.
O beijo era quente e carregado de desejo, nossos olhos se encontrando a cada pausa para respirar.
A mão dela apertou meu seio, e eu me senti afundar, meu cabelo sendo enrolado em sua outra mão.
Tudo era tão intenso, nossa respiração se perdendo.
Ela tirou a minha roupa peça por peça, e senti seus lábios acariciando cada parte sensível do meu corpo.
Mesmo nas partes em que a sensibilidade não era tão alta, ainda assim ela me fazia sentir tudo.
Cada toque dela acendia algo dentro de mim que eu nem sabia que era capaz de sentir.
O mundo lá fora desaparecia, só existíamos nós duas, respirando juntas, sentindo cada arrepio, cada batida do coração.
Ela me olhava com cuidado, como se meu corpo fosse precioso demais para ser tocado.
E mesmo com as suas mãos trêmulas, o toque dela era carregado de cuidado.
E eu, finalmente, me permiti relaxar, deixando o medo e a hesitação se dissolverem.
Quando finalmente o ápice chegou, não houve pressa nem palavras —
apenas nós, completamente conectadas, como dois átomos, unidas por uma ligação invisível e inevitável…
Sentindo cada toque, cada calor, cada suspiro compartilhado.
Ela deu um pequeno sorriso, aquele velho sorriso de lado que me desmontava por inteira.
Seus cachos grudados no rosto por conta do suor, as pupilas dilatadas,
suas mãos trêmulas e quentes segurando o meu rosto como se o quisesse guardar para sempre.
Era tudo tão perfeito que não dava para descrever em uma única palavra.
Cada toque, cada gesto, cada respiração parecia gravado na minha pele, pulsando junto com o meu coração acelerado.
— Eu posso fazer isso o dia inteiro — ela disse, depositando um beijo em meus lábios,
e eu pude sentir o meu próprio gosto.
Cada encontro de nossos lábios parecia me ancorar no momento,
me fazendo existir aqui, só para ela.
— Anote aí, dia primeiro de janeiro de 2018 — o dia que você se tornou oficialmente minha.
Como se eu precisasse anotar, eu pertenço a ela desde o dia que nossos olhos se encontraram.
Como se nossos corações fossem fios invisíveis sendo atraídos um para o outro,
e não importava o caminho que eu tomasse, eu sempre a encontraria no final.
Cada pensamento, cada medo, cada alegria que sentíamos se entrelaçavam sem que precisássemos de palavras.
— Eu te amo — eu disse, sentindo o cansaço tomar conta dos meus olhos.
Não sei quanto tempo fizemos, mas já estava muito claro quando terminamos.
— Eu preciso dormir — digo, cobrindo meu corpo com a coberta —
e ela me abraçou com força e sussurrou um "eu te amo" em meu ouvido,
como se cada sílaba pudesse acalmar tudo dentro de mim,
como se seu amor fosse um cobertor invisível envolvendo cada pedaço quebrado da minha alma.
Deitada em seus braços, o meu coração foi preenchido de algo que nem o tempo apagaria.
Cada batida dele lembrando que eu finalmente encontrei o meu lugar no mundo.
Cada respiração dela, cada sussurro e cada calor que ela transmitia me dizia que eu estava exatamente onde deveria estar.