Camila estava sentada na poltrona, dormindo, os calcanhares apoiados na beirada do estofado e a manta que usou no aeroporto dias antes lhe cobrindo. O conforto de seu consciente era o bipar valente que marcava as batidas do coração de sua namorada.
Fazia cinco dias que elas estavam no hospital. Lauren em coma induzido, Camila com todo seu amor. Nem mesmo ameaças a tiravam dali.
O barulho da porta abrindo lhe fez abrir os olhos para ver Mike entrar com um copo térmico na mão.
- Chocolate quente. - Disse entregando nas mãos dela.
Camila se ajustou na poltrona. - Obrigada.
- Como vão as coisas? - Ele afrouxou a gravata.
- Ela acorda violenta, eles devolvem ela ao coma. - Disse baixo.
- Como você está?
- Forte. - Camila disse.
- Clara está te esperando na recepção. - Ele informou olhando a filha.
- Que horas são?
- Hora de treinar campeã. - Ele disse. - Bom treino.
- Obrigada, eu volto mais tarde. - Ela garantiu e se aproximou da cama beijando a testa da namorada.
Mike sorriu com aquilo e virou sua nora sair da sala fechando a porta.
- Lauren Jauregui. - Ele disse se sentando na cadeira perto da cama. - Para de lutar contra o repouso, sei que você quer ver sua namorada logo e viver a vida.
Mike pegou a mão de Lauren entre as suas e sentiu ela apertar.
- Para de lutar, você não vai partir. Camila está dormindo na poltrona aqui Laur. Descansa, se você descansar e acordar mais calma eles vão deixar você sem remédios. Você tem que parar de lutar contra a medicação.
O aperto na mão afrouxou devagar.
- Eu sei que você está com dor, mas precisa descansar para passar.
Um aperto suave.
- Sua namorada é uma mulher de negócios. Eficiente, porém suborna como ninguém. Ela conseguiu transferir as férias de vocês duas para setembro. Mas isso custou computadores novos para a faculdade.
Lauren teria rido se pudesse, quando Camila queria algo. Ninguém era capaz de dizer não. Ela tornava as propostas irrecusáveis.
- Descanse. - Mike insistiu.
As pálpebras pesadas por conta da medicação não se abriam de maneira alguma. Mas por fim a morena parou de resistir e se deixou levar pelo sono.
Camila entrou no quarto já de banho tomado e alimentada, Lauren dormia sem sedativos, estava cansada e ainda sentia leves dores em seus ombros e pernas.
- Boa tarde Mila. - Taylor disse pegando a bolsa, o casaco e o livro.
- Boa tarde Tay. Como está?
A Jauregui mais nova olhou para Lauren que estava novamente grudada em vários fios de medicamento e monitoramento.
- Será que um dia acaba? - Perguntou olhando a irmã. - Ela já sofreu tanto.
Camila colocou as duas mãos nos bolsos traseiros de sua calça. - Eu não sei Tay, mas eu vou estar ao lado dela para sempre.
- Eu vou indo. Tenho um portfólio para apresentar. Até amanhã.
Ambas trocaram um abraço apertado.
Camila se sentou ao lado da cama de Lauren e pegou a mão dela com cuidado por conta dos fios conectados e sorriu. - Onze meses de muitos altos e baixos Lolo, você é minha primeira namorada de verdade. E também é a única que me teve e vai ter por tanto tempo. Eu só queria compartilhar que eu estou feliz por ter você.
O bipe que marcava a batida cardíaca de Lauren ficou mais forte, a mão se moveu suavemente contra a sua e Camila sorriu ao ver o que Lauren tinha feito.
- Eu te amo também. - A latina disse. - Durma bastante.
Os dedos de Lauren se moviam de forma lenta, dolorida e cansada.
Camila demorou um pouco para juntar todas as letras até que formasse a pergunta.
"Canta para mim?"
- Claro. - A latina assentiu apertando a mão dela e sentindo o aperto de volta.
Camila cantava baixo, perto da orelha de Lauren... Só para ela. Uma música que gostava muito quando era mais nova.
And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know?
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know?
Somewhere only we know
O aperto em sua mão ficou mais leve, olhou para a máquina que monitorava e fechou os olhos ouvindo apenas os batimentos cardíacos de sua namorada.
Camila sabia de duas coisas, a primeira era que o sangue que saiu da boca de Lauren no sábado foi por conta da mordida forte que a mesma deu na língua que estava cicatrizando aos poucos, a segunda é que ela não conseguia falar, mas emitia sons e risadas. Descobriu em alguns dos sonhos que ouviu sua namorada tendo.
O que sempre achava engraçado era que, ao estar no hospital a morena se lembrava com mais facilidade. Era como se o cérebro desse uma trégua com a amnesia para atacar outro setor neurológico.
No fim, só Deus sabia como Lauren conseguia aguentar aquilo tudo.
Quando Clara entrou no quarto viu sua nora dormindo na poltrona, Camila estava mais do que esgotada e Lauren estava com os olhos abertos a observando.
- Hey. - Sussurrou se sentando na cadeira ao lado da cama.
"Oi" Lauren piscou algumas vezes e movimentou as mãos. "Que horas são?"
- 11PM. - Clara respondeu. - Está com fome?
A barriga da morena roncou denunciando. "Parece que sim".
Clara solicitou a comida para a morena, as duas entraram em uma longa conversa. A enfermeira entrou no quarto fazendo barulho e isso acordou Camila a deixando assustada.
A enfermeira ganhou um olhar reprovador de Lauren e Clara, acabou dando risada.
- Desculpem. - A moça disse. - Mas isso é novidade, eu já fui advertida por acordar pacientes. Mas por acordar uma acompanhante. Isso realmente é novidade.
Camila olhou para Lauren que estava com a cama reclinada e encarava a enfermeira com cara de poucos amigos.
- Tudo bem. - Clara disse.
- O que aconteceu? - Camila perguntou meio desorientada.
"Essa enfermeira te acordou". Lauren respondeu ignorando a comida em cima da mesinha adaptada.
- Não tem problema. Eu estou bem okay? - Ela passou a mão pelo rosto. - Se alimente.
"Você está bem?" A morena perguntou preocupada.
Camila riu baixo. - Eu estou bem amor, quem devia estar preocupada era eu. Oi Clara.
A mulher acenou para ela brevemente e entrou em uma conversa com a enfermeira.
"Estou bem". A morena passou a língua entre os lábios e fez uma careta.
- Sei. Tente comer um pouco. Você só tomou soro. - Camila se levantou dobrando a manta. - Eu vou buscar algo para mim.
"Tudo bem".
Camila saiu do quarto indo para a cantina, comprou um suco em lata para si e tentou fazer uma coxinha descer, mas o resultado não foi bom. Ela por fim bebeu só o suco e subiu de volta para o quarto encontrando Luna com um óculos de leitura e um livro no colo enquanto Clara e Lauren ainda debatiam algum assunto que estava deixando Lauren enérgica.
- Vamos Mila? - Clara perguntou quando ela entrou.
- Eu não.
- Você vai sim amiga. - Luna disse. - Eu preciso conversar com a Lauren sobre algumas coisas, Ally precisa de você e você precisa de uma cama confortável. Vou ficar com a Laur pelos próximos dias.
- Mas.
- Sem mas Milinha.
A latina nem tinha como argumentar, como antes todas as meninas estavam ocupadas ela acabou ficando com Lauren, mas Luna estava livre e era de confiança. Assentiu e se aproximou de Lauren depositando um beijo nos lábios dela.
- Até amanhã.
"Descanse". A morena de olhos verdes disse se ajeitando na cama.
Camila assentiu e foi para casa com Clara.
Todas estavam no fundo, no campo de futebol americano da CHS, haviam acabado de chegar. Vestidos, saltos, becas dobradas em seus braços, chapéus de formatura e diplomas em suas mãos. Todas olhavam para frente focadas na pessoa que estava à frente do microfone.
Lauren tinha o braço do Sr. Cabello lhe dando apoio necessário. Usava um vestido verde escuro e saltos pretos, porém ainda estava fraca e não aguentava ficar muito tempo em pé.
Clara, Taylor, Chris e Mike estavam mais atrás com a cadeira de rodas de Lauren, Sinu estava mais à frente com Sofia.
- Ela é incrível. - Alejandro disse.
A morena aquiesceu sorrindo.
Se o assunto era babar em Camila, os dois eram expert. Pai babão, namorada babona. E ai ia.
Camila buscou o pessoal com os olhos e encontrou algumas mãos erguidas acenando.
Antes do discurso de formatura de Cabello, vamos explicar algumas coisas:
Lauren havia tido alta no dia anterior, mas a condição era total repouso. Clara conversou com Lion e ele disse que a formatura era uma exceção, mas que se ela sentisse náusea ou dor de cabeça. Era para ir para o hospital.
Alejandro e Sinu estavam hospedados na casa de Clara, que foi para onde Camila e Lauren se encaminharam após a alta, Lauren era responsável por si. Camila maior, Clara confiava nelas.
Mas a mudança de humor de Alejandro com Lauren ocorreu durante a noite.
Lauren ainda não estava falando e perambulava pela casa presa na cadeira de rodas por conta da fraqueza, ela estava na cozinha tentando pegar água para si quando Alejandro apareceu oferecendo ajuda, no começo ela ficou em dúvida e hesitante, mas depois aceitou assentindo. Ele curioso se sentou à mesa e pegou um papel colocando em cima da mesa, perguntou se podiam conversar e Lauren fez o movimento rápido alegando que não podia falar. Ele indicou a folha para ela e a morena assentiu.
Eles "conversaram" sobre o que ele disse na casa do lago, tio Ale pediu desculpa, então ela contou que sabia sobre Isabella e foi sincera ao escrever que não achava justo o que ele havia feito com Camila, mas também não defendeu a namorada quando ele disse que ela era impossível. Camila era, ninguém podia negar.
Por fim ela apenas alegou a verdade escrevendo que amava a filha dele e que em meio à tantas dificuldades, nada poderia separá-las nem mesmo a morte. E ele se deu por satisfeito. Ela disse que pediria primeiro para ele antes de formalizar o um pedido de casamento com Camila, pegou ele de surpresa sim, mas Lauren era simples e bem clara.
Na manhã seguinte todos se arrumaram e assistiram a formatura das meninas e de Lauren.
E no momento estavam ali, vendo Camila criar coragem para falar para uma boa quantidade de pais e alunos.
Em um sinal de nervosismo muito claro a latina mordeu seu lábio. Então respirou fundo e começou a falar.
- Eu acredito que, quem constrói o futuro somos nós. Somos nós que vamos a escola mesmo que as vezes com vontade de ficar em casa, somos nós que nos dedicamos a estudar muito, ou deixamos de estudar um pouco. Creio eu que independentemente do que nossos pais escolham como uma profissão que devemos seguir, é a sua força de vontade que está lá na frente te fazendo querer ser o orgulho do seu pai ou da sua mãe.
Entramos na escola cedo, no pré e tudo é brincadeira, tem aquela maravilhosa hora para dormir e assim se segue por todo o período até o primeiro ano do ensino fundamental. E acreditem ou não ele é fundamental, pra você conhecer quem vai te fazer bem e quem vai te fazer mal. Aprendemos a ter caráter e dignidade.
O ensino fundamental mostra muito do que determinado aluno vai ser quando ele crescer. E ser uma criança bonita não é o suficiente, você tem que ser educado e ter conteúdo. Educação vem de casa, conteúdo você aprende, se quiser, na escola. Se não quiser, boa sorte com sua vida porque o fundamental você já devia ter aprendido.
Confuso não é? Pois é bem assim que funciona a mente quando se estuda, você nunca entende 50% do que realmente deveria entender.
Então com esforço ou apenas por misericórdia de professores com o coração bom, o primeiro ano do ensino médio chega, você se torna a líder de torcida mais desejada da escola, o quarterback cheio de pose, a garota quieta que se senta sozinha na mesa do refeitório, ou apenas o rapaz que cuida do jornal da escola. E ai começamos a nos importar com beleza, caráter e conteúdo.
Claro que aprendemos muito mais na escola, como inglês para se comunicar, línguas estrangeiras para o caso de você viajar ou esbarrar em um turista, matemática para aprender a contar quantas vezes você pode fazer algo bom ou apenas o papel de trouxa que faz e os derivados... Da matemática, é claro. Geografia para tentar se situar quando estiver indo longe de mais, história pra tentar aprender a contar a sua, mas acima de tudo o ensino médio é um choque de realidade.
Uma pessoa sofre bullying, ela cria uma muralha para se defender e te garanto que quem sofre está sempre preparada, tudo isso graças ao grupinho popular da escola que se sente bem ao detonar aquela determinada pessoa.
E enquanto esse pessoal tentar passar por cima, a pessoa que sofre vai passar e não simplesmente isso, ela vai detonar quem quer que tenha a maltratado, e só pra começar vai na hora em que pegar aquela bolsa desejada na universidade. Não importa o quanto de dinheiro que o pai dessas pessoas ruins tenha ou deixe de ter.
Os direitos são iguais para todos. E enquanto o que sofria estudava o outro gastava o tempo se aparecendo para os colegas.
Então você se pergunta, o que eu aprendi na escola? O que é se formar? O que essa doida está falando?
Você aprende na escola a ser gente e depois a ser adulto, você não aprende só a ser inteligente, a escola vira uma casa, uma rotina que você é obrigado a seguir se você quiser ser alguém na vida, os professores são pais, avós... As vezes tios chatos que te infernizam, mas no fundo eles querem te ver lá em cima.
Quem destrói alguma coisa é você o aluno que desiste, que maltrata, que reclama... Eu aprendi na escola o que era viver, algumas escolhas erradas foram minhas, sou eu quem construo meu histórico. Em casa você aprende a ter amor, a amar, a cuidar, mas é estar fora de casa que você aprende a ser gente ou deixar de ser... E todos aqui entendem do que falo, não é brincadeira. É apenas a realidade.
Então se formar significa um passo no próximo degrau, seu futuro e a faculdade. Sua profissão... Mais um quesito no seu histórico e acima de tudo amadurecimento. Significa que é hora de parar de ser idiota e tomar decisões, que se você não tomar ninguém toma por você.
Se arrisquem, tentem, amadureçam, cresçam... Seus pais estão aqui hoje, mas em um futuro próximo vocês vão estar no lugar deles e seus filhos sentados com becas ou aqui no meu lugar e a garantia que eu e muitos de vocês têm é de que eles vão querer ser alguém na vida e trazer orgulho para a vida de vocês.
Porque no fundo, sem importar cor, sexualidade, sexo, etnia, um filho só quer que o pai tenha orgulho dele... Ou apenas tem um lado rebelde querendo esfregar na cara dos outros que ele conseguiu.
Lauren que estava surpresa com aquilo tudo, e morrendo de orgulho soltou um grito agudo e começou a aplaudir seguida pelas amigas, Alejandro segurava a nora enquanto algumas lagrimas escapavam de seus olhos.
As pessoas aplaudiam e gritavam, todo mundo meio embasbacado com o que aquela moça havia dito ali em cima... Apenas verdades.
O diretor teve uma dificuldade enorme em fazer os pais e alunos ficarem quietos, era praticamente um estádio inteiro gritando e ovacionando as palavras de Cabello.
Camila tinha as bochechas vermelhas e quentes enquanto se aproximava de suas amigas, abraços que antes elas não trocaram por conta de correr de uma escola para a outra.
- Mandou bem maninha, mandou bem mesmo. - Chris disse sorrindo e beijou a cabeça dela. - Quero ser que nem você quando crescer.
Lauren riu negando com a cabeça e moveu os dedos. "Você não ficaria tão bonito que nem ela, mas pode tentar, tenho uns vestidos que devem caber em você".
Clara colocou a mão na boca e começou dar risada abafado.
- Muito engraçadinha Lauren. - Ele riu. - Depois passo no seu closet.
Camila riu e se virou para seu pai e sua namorada.
- Uma foto do nosso casal favorito. - Vero pediu.
- Você aguenta ela Kaki? - Tio Ale perguntou à filha.
- Sim papa, já falo com o senhor. - Camila se aproximou da morena recebendo pouco peso dela em si. - Não força amor.
"Eu me aguento, é uma foto apenas e eu me sento, eu juro". Lauren sorriu.
As duas olharam para Vero e colocaram sorrisos no rosto tendo a foto tirada, Lauren se sentou na cadeira e viu Camila se aproximar de Alejandro.
- Eu tenho orgulho de você Karla, não importa o quão distante eu tenho sido. Eu ainda sou seu pai. E eu não mudei, não pense isso. Ainda sou o mesmo. Ninguém muda da noite para o dia. Mas eu aprendi a compreender e observar e isso trás benefícios. - Ela abraçou a filha que assentiu contra o peito largo do pai.
Lauren estava sentada na varanda da frente da casa de Clara, estava calor. Sofi e Taylor brincavam com algumas Barbies, Sinu, Alejandro, Clara e Mike conversavam e Chris estava perambulando de skate pela calçada.
As meninas viajaram, Luna e Ally estavam em algum avião em direção ao Japão, elas trabalhariam durante as ferias da faculdade, Nat e Zoey estavam indo para NY promover a linha de roupas de Z, Dinah e Normani para o Texas. Ver familiares de Kordei. Vero e Lucy ficariam alguns dias em Buenos Aires e depois em Cuba. Diana e Alexa zarparam em direção ao Brasil e Camila e Lauren se preparavam para semanas intensivas de aulas, trabalhos e treinos já que suas ferias viriam apenas em setembro.
Todas choramingaram na hora de se separar, mas elas o fizeram, mesmo querendo levar as outras na bagagem.
Camila se ajeitou ao lado de Lauren naquele sofá, passou os braços ao redor dela e a sentiu deitar a cabeça em seu ombro. Suas mãos se conectaram e a morena moveu os dedos devagar. Camila beijou a cabeça dela e sussurrou:
- Eu amo você também Jauregui.
...
Ally mordeu o lábio muito tentada a acordar aquela "menina" que dormia naquela cama. Observou atenta os longos braços envoltos numa pelúcia em formato de bola de basquete, os cabelos estavam uma revolta que só e os lábios entreabertos.
Do Aeroporto internacional de Narita que ficava Tóquio ao Chales de Gaulle ali em Paris foi um vôo de 19horas e alguns minutos de acréscimo... Mais boas horas de carro e aquilo desgastou totalmente a ruiva, elas chegaram de madrugada e foram direto para o Fountainebleu dali, Luna cansada falou um francês arrastado, mas o funcionário entendeu perfeitamente. Ele sabia quem ela era e do que se tratava.
As seis da manhã Ally teve que se levantar para comparecer em uma reunião que lhe tirou horas, depois uma conversa com acionistas, cuidou de um problema e marcou uma reunião para o dia seguinte com os funcionários. Ela tinha ao seu dispor um tradutor excelente, mas em algum tempo ela aprenderia a dominar tantas línguas quanto sua noiva.
Já passava das cinco da tarde e a ruiva ainda estava desmaiada na cama agarrada na pelúcia nomeada de Bob... Elas iriam jantar com a avó dela e alguns tios e primos no dia seguinte depois da reunião com os designers.
Abriu a camisa social jogando em cima das malas, e pegou sua nécessaire e caminhou para o banheiro parando na frente do espelho e tirando as lentes.
- Hey sexy boss... - A ruiva sussurrou observando a imagem no espelho já que a porta estava meio fechada.
Ally deixou a lente escapar de seu dedo caindo na pia e sendo levada pela água. - Merda... Boa tarde amor.
- O que houve? - A ruiva perguntou se levantando e esticando os ossos.
- Minha lente direita caiu na pia e desceu pelo ralo. - Ally suspirou pingando colírio.
- Você trouxe o outro jogo? - Ela espalmou a porta do banheiro abrindo e bocejou jogando a cabeça para trás.
- Não, só o óculos.
Luna fungou fechando e abrindo os olhos devagar. - Podemos dar uma volta, te levo em uma ótica a gente manda fazer e volta para o hotel para jantar.
- Você está gripada? - A loira franziu.
- As mudanças de fusos acabando comigo e de tempo também.
- Tomou remédio?
- Um antes de dormir. - Assentiu tirando a camisa e prendendo o cabelo em um coque.
- Eu ia tomar banho. - Ally disse franzindo.
- Perdeu a vez.
Ally deu a língua para ela e viu a porta do box fechar logo encher de vapor, revirou os olhos abrindo zíper de sua saia e tirando o que faltava, então abriu o box entrando.
- Você é muito mala, ninguém te merece. - Ally disse para ela
- Baby, não pi. - Ally nem viu a poça de sabonete líquido no chão e soltou um grito ao escorregar, sentindo as mãos da ruiva se apoderarem de sua cintura apertando com força. - Peguei.
Ally fincou as unhas nos bíceps dela com medo de cair e logo ficaram retas e em pé.
-Obrigada.
- Eu sou mala, mas você me ama, então está tudo certo. - Lu arqueou as sobrancelhas duas vezes sorrindo e ganhou um tapa no braço arrancando risadas.
Depois de um banho elas se vestiram com jeans e jaquetas quentes colocando o que precisavam na bolsa da loira e saíram pelas ruas de pedra. No auto falante tocava uma música em inglês.
I tell you secrets that I never told before
You give me kisses that leave me wanting more
Elas caminhavam conversando sobre trivialidades, ouvindo as pessoas falarem alto, gritarem no telefone. Carros meio desgovernados e o sotaque da ruiva impregnado em todo lugar.
- Eu gosto dessa música, é daquele casal que cantou na universidade durante o dia das bruxas. - Ally apertou os dedos dela.
- Ela é toda fofinha, é a sua cara. - A ruiva sorriu.
Elas logo chegaram ao oculista e o atendente falava inglês também. Compraram um jogo novo de lentes para Ally, e como o movimento estava pouco eles conseguiriam deixar prontas amanhã até o meio dia.
- É engraçado como todo lugar é lotado de prédios. Só sei que não estou em Miami pela falta da vista para o mar à cada esquina que viramos, e pelo fato de que a linguagem é diferente. - A loira disse assim que elas saíram.
- A música tocando também, as estradas feitas de pedras, se bem que agora é mais pavimentado e tem bastante asfalto. E na Itália é mais.
- Já foi na Itália?
- Sim, fui em Toscana, Fica em Florença. Eu fui com Vero, as estradas eram de barro, mas todas tão bem feitas que Vero parecia estar em manhã de natal dirigindo a formula um.
- Foram fazer o que?
- Eu fui assinar alguns documentos da venda de alguns hectares por lá.
- Vocês têm um vinhedo por aqui não tem?
- Sim, o hotel trabalha com o vinho da família, mas só o daqui mesmo.
- É bom?
- Tem para todos os gostos. Abaixo da década de 70 eles são bem fortes. Eu gosto muito da safra de 86 à 94 porque elas são bons e concentrados, agora que gosta de fraco e doce prefere a de 2000.
- Trabalham com sucos também?
- De tudo um pouco. Minha avó me ensinou a fazer coisas interessantes com uvas.
- Porque eu não sei disso?
- Porque quase não temos tempo para cozinhar e essas coisas, mas prometo que em casa eu faço.
- Acho bom dona.
Elas sorriram e continuaram andando.
O céu estava caindo em um roxo que prendeu os olhos das duas, seus dedos estavam entrelaçados e um vento gelado varreu a cidade pequena de Montreuil. Elas voltaram para o Fountainebleu onde a ruiva foi saudada pelo gerente do hotel.
Depois de uma breve conversa, ele as encaminhou para o restaurante achando uma mesa bem colocada com uma boa vista da cidade, diferente de todos os outros o restaurante do Fountainebleu de Paris ficava em cima do prédio B central.
Um pianista tocava de forma suave por ali. Ambas se sentaram e tiveram menus colocados na mesa.
- O que acha de vir para cá uma vez por ano, sem trabalho. Apenas para curtir? - Luna perguntou tomando as mãos dela de forma suave e levando até os lábios e beijando.
Ally passou um tempo hipnotizada sorrindo até que assentiu arqueando uma sobrancelha. - Costumes?
- Quero criar muitos. - A ruiva assentiu mordendo o lábio inferior após falar.
A loira encostou suas testas e fechou os olhos. - Obrigada por tudo isso, jamais imaginei que estaria trabalhando assim, apaixonada como uma boba e em Paris.
- Que absurdo. - As duas ouviram alguém dizendo nervoso atrás, Luna ouviu as palavras em francês e Ally ficou preocupada se algo no cardápio tinha deixado o cliente de mau humor.
Elas se afastaram olhando.
O garçom que se aproximava delas sorriu sem graça e desviou para o homem. Foi então que a ruiva entendeu o que se passava pela forma como o homem lhe encarava, quase revirou os olhos, mas ainda tinha ética.
- Eu não admito que um hotel com tanto requinte aceite pessoas desse tipo. - O homem disse e lançou um rápido olhar para elas.
O francês era perfeito, mas os modos diziam que ele realmente era de longe. Algumas pessoas observavam a cena, mas logo perdiam o interesse, muitos ali não se importavam com o que estava acontecendo.
As crianças raramente faziam manhã ou muito barulho, era coisa de cultura, você podia apostar e consequentemente eles cresciam e se tornavam pessoas que não davam chilique e eram muito na lata, as vezes chegavam a chamar os parisienses de ignorantes natos... Talvez tenha sido a criação que fez a ruiva calma.
- Eu quero falar com o gerente do hotel.
- O que está acontecendo? - Ally sussurrou franzindo.
- Preconceito. Tenho que te ensinar a falar francês. Aos poucos te ensino outras línguas. - Luna sussurrou de volta sem tirar os olhos da cena.
O garçom sem saber o que fazer olhou para as duas sentadas e Luna assentiu suavemente.
Em menos de cinco minutos Dom (o gerente) chegou confuso, achando que tinha algo de errado com a comida de delas.
- Aqui o gerente. - O garçom falou.
- Senhor eu me recuso a comer em um lugar onde tem esse tipo de gente "moderna". Eu estou pagando, por isso.
- Qual seu nome senhor? - Dom perguntou ao olhar de soslaio para as duas mulheres.
- Jean Charpenete. - Ele disse cheio de pose.
Charpenete, dono das industrias Charpenete, a ruiva pressionou os lábios.
- Sr. Charpenete. Assim como vocês pagam elas também. - Dom disse hesitante.
- Será que tem alguém aqui que pode resolver meu problema?
- Je peux. - A ruiva indicou ficando em pé e tendo os olhos dos quatro em si.
- Amor, você não precisa. - Ally disse segurando a mão dela.
- Um segundo. - Ela sorriu para a loira.
- Senhorita. - Dom começou.
- Deixe comigo Dominique. - Ela disse o tranquilizando. - Paul a cozinha precisa de você, pode ir.
- Sim senhorita. - O garçom assentiu e se retirou.
- Em que posso te ajudar Sr. Charpenete? - Ela perguntou.
- Você me pediu por alguém que pudesse ajudar, maior que eu no hotel só elas duas. - Dom disse arqueando as sobrancelhas.
- Luna Fountaine. - A ruiva sorriu sem exibir os dentes ao pressionar os lábios.
O homem ainda a olhava com desdém. - Eu quero falar com o dono do hotel.
- Olha ela nem sempre está aqui, mas hoje você deu a sorte grande. - Dom disse.
- Então chame ela, seu incompetente. - O homem esbravejou.
- Primeiro: Ele não é incompetente. Segundo: Você não é bem-vindo no meu hotel, poderia até processar você, mas isso sujaria seu nome e eu não quero isso. Terceiro: Dom não cobre um centavo desse homem, mas se for preciso tire ele com seguranças daqui. - A ruiva disse e olhou o relógio na parede. - Eu vou levar a Ally no Orange, às dez você pode deixar uma garrafa da safra de 93 no meu quarto com duas taças e bastante gelo, está dispensado... Cuide do caso do Sr. Charpenete.
Dom assentiu sorrindo e se retirou.
- Mas... - Jean disse pasmo.
- Faça uma boa viagem Jean, de volta para a caverna de onde quer que tenha saido. - A ruiva disse o final em inglês se virando para a loira e revirando os olhos. - Vamos, vou te levar em outro lugar.
Elas desceram até a recepção e Lu pediu por um dos carros da família, logo um manobrista lhe entregou a chave de um Veloster e entrou no carro com Ally.
- Para onde vamos?
- Dar uma volta. E jantar em um lugar que você vai gostar.
Luna pegou a Rue Dombasle em direção ao norte na Rue Danton, Ally observava a quantidade de curvas que o carro fazia e logo viu ela pegar a Boulevard Périphérique onde seguiu seu caminho.
- Você tem que aprender a ter calma.
- Mais?! - A ruiva exclamou animada.
- Realmente você é muito. - Ally empurrou a armação que escorregava em seu nariz.
- Ele pediu vai. Chamou o Dom de incompetente.
- Gente desnecessária... - Ally revirou os olhos.
A ruiva assentiu sorrindo e olhou para ela enquanto paravam um pouco no engarrafamento. - Vou te levar pra comer massa. A melhor.
- Onde?
- Num lugar onde as pessoas costumavam procurar pela revolução boemia.
Uns bons trinta minutos Lu estacionou o carro em uma rua e elas saíram do carro no meio daquele monte de gente e totalmente iluminado.
- Onde estamos?
- Montmartre. - A ruiva disse atravessando a rua com ela.
- Ai meu Deus! - Ally exclamou olhando ao redor e mordendo o lábio. - Estamos perto?
- Sim meu amor. - A ruiva riu.
Depois de uma pequena tour e de Ally ver de perto o Moulin Rouge, elas caminharam até o Orange Restaurante e se sentaram do lado de fora.
Em Miami, Camila e Lauren estavam sentadas na frente da televisão vendo um filme chato que passava no Tele Cine, a morena afastou a gola da camisa dela enchendo de beijos. Foi então que viu a alça do sutiã e algumas argolas de ouro prendendo ele.
- Nunca tinha visto esse. - A morena falou afastando a camisa e olhando lá dentro.
- Claro que não, é novo.
- Mas você tem um monte, porque comprou novos?
- Você nunca notou que eu só uso conjuntos Lauren? - A latina arqueou a sobrancelha sentindo as mãos subirem em seu corpo levando a camisa para cima.
- Não amor. Eu não reparo muito nisso.
- Pois deveria já que você estourou todas as calcinhas da minha última coleção. - Camila revirou os olhos.
- Ué e eu que vou saber? Você usa apenas calcinha e camisa para dormir. - Lauren tirou a camisa dela.
- Mas não saio sem a parte de cima. - A latina revirou os olhos.
Lauren riu e tirou o short dela vendo uma peça minúscula preta cobrir o sexo da namorada, fazer o contorno no quadril chegando ao cóccix e sumir entre as nádegas.
- Puta merda, acho que vou estourar mais uma. - A morena disse.
Camila se afastou engatinhando para longe, mas Lauren a pegou pelo tornozelo puxando para perto.
Camila se deixou ser arrastada e virou de frente olhando a namorada. - Por favor, essa não. Você pode tirar, mas por mais excitante que seja você rasgando minhas peças de roupas eu ainda gosto delas.
- Vou pensar no seu caso. - Lauren sorriu apoiando o antebraço à cima da cabeça dela e deslizando o indicador da outra mão retirando os fios de cabelo que havia no rosto da latina.
- Jesus, vocês são quentes. - Lucy disse da escada.
As duas viraram o rosto olhando a amiga.
- Chegaram! - Lauren exclamou e então olhou para o corpo da latina.
- Olha amor, acho que ia rolar sexo no chão da sala. - Vives disse para Vero que subia a escada com algumas caixas nos braços.
Lauren se levantou ajudando Camila e sorriu. - Pois é, a gente é feliz.
- Sua voz voltou Jauregay. - Vero exclamou da escada.
- Minha nossa, olha o tamanho dessa bunda! - Lucy inclinou a cabeça observando Cabello.
- Agradeço se parar de me tarar Vives. - Camila sorriu colocando a camisa e o short. - Amor o zíper.
- Okay. - Lauren disse olhando para baixo e fechando seu short.
Vestidas e normalizadas, Vercy e Camren trocaram abraços apertados.
- Você está maior Jauregui. E mais magra, o que houve? - Lucy franziu.
- Passei um bom tempo com a língua machucada Lu, demorei pra conseguir comer comida descente e a Camz me arrastou para a academia com ela.
- E provavelmente teve muito sexo envolvido. - Vero riu baixo.
- Que nada, a gente mal teve tempo pra isso. Clara pegou mais pesado ainda comigo sabendo que eu só tinha ganhado trabalhos, porém fizemos tanta coisa que íamos malhar e chegávamos em casa quase dormindo.
- O legal é que a casa não ficou sozinha de novo, vocês meio que revezaram com a gente. - Lucy disse se sentando no sofá.
- Já decidiram o que vão fazer? - Iglesias colocou as pequenas caixas no canto.
- Vamos de carro para NY. - Camila sorriu.
Elas continuaram a conversar e jogar conversa fora.
Em Paris... Após o jantar e uma boa passeada no lugar, ambas voltaram para o hotel.
- Tudo certo Dom? - Ally perguntou.
- Sim Srta. Brooke.
- Obrigada. - Luna sorriu e elas caminharam até o elevador. - Perdi o costume de andar nessas caixas. - Disse se sentindo um pouco agoniada.
Ally entrelaçou suas mãos e apertou suavemente, o elevador parou logo abrindo no corredor e elas se encaminharam para a escada de incêndio subindo e indo para a cobertura do prédio A, que era onde estavam hospedadas, aquele era um quarto apenas para a família, foi ali que Maxon passou boa parte com Lena e Luna.
Ambas entraram tirando suas jaquetas, botas e blusas.
A ruiva foi até a cozinha pegando um saca rolha e voltou ao quarto tirando a garrafa do balde pegando com o guardanapo e tirando a rolha.
As duas se sentaram na cama e observaram o liquido meio arroxeado preencher a taça.
- Você não se sente agoniada com o preconceito?
- Acho que se eu fosse ficar, provavelmente eu viveria infeliz. - A ruiva deu de ombros recolocando a garrafa no local.
Ally cheirou o vinho sem fazer barulho, era uma mania que sempre teve de cheirar a comida antes de comer, e a ruiva achava engraçado porque ela era bem discreta até. - O cheiro disso é bom.
- Eu sei. - Riu um pouco. - Ratinha.
Ally deu um tapa no braço dela e bebeu o vinho. - Eu não sou rata.
- Mas vive cheirando a comida.
- Eu não faço isso.
- Faz sim, mas é algo tão natural que você nem percebe. - A ruiva bebeu.
Elas ficaram por um tempo em silêncio apenas ouvindo barulhos aleatórios e presas em seus mundos.
Assim que pousaram as taças no balde novamente Lu a observou. - O que acha de crianças?
- Eu gosto, muito.
- Podemos ter um time de futebol americano completo então. - Lu disse rindo.
- Não sabe falar nada serio não? - Ally riu batendo nela.
- Jesus, você gosta de bater hein. Vou dar um tapa em você pra ver se gosta.
Ally arqueou as sobrancelhas. - Meu jeito.
A ruiva enfiou a mão no cabelo dela e puxou ganhando um grito agudo e um gemido. - Viu? Dói do mesmo jeito
- Mas excita também. - A loira mordeu o canto esquerdo de seu lábio inferior.
A ruiva acabou com o espaço, roçando seus lábios. - É hora de aprender francês, mon amour.
...
- Muito juízo. - Dinah disse beijando a testa de Camila.
- Tentaremos Chee. - A latina sorriu.
Luna pegou a mala grande e colocou dentro do porta malas, Ally trouxe sacolas com comida rápida e Lauren tinha acabado de colocar duas mochilas no banco de trás. Elas estavam no Camaro de Camila.
A movimentação na faculdade havia aumentado gradativamente, todas estava de volta e era dia três de setembro de 2016, cinco da manhã de um sábado quente. Um dos poucos que restavam.
Camila usava all star branco, uma calça jeans e blusa de frio sem zíper. Lauren estava com uma de suas camisas xadrez, havia ganhado uma de cada amiga no seu aniversário, calças jeans e sua bota preta.
Havia feito todo o trajeto de viagem e depois de muita insistência com Clara ela deixou ambas viajarem. A mãe Jauregui fez Camila prometer que treinaria pelo menos duas vezes por semana. As estaduais estavam em cima e ela não podia relaxar por um mês e pediu para que fizessem exercício físico, faria bem pra ela e Lauren.
- Nós amamos vocês. - Mani disse da porta com o queixo no ombro de Dinah.
Lauren passou o braço no ombro de Camila e sorriu para as amigas. - A gente ama vocês também. E já sabemos, é ligar e vocês vão.
- Exato! - Zoey assentiu.
- Até o final do mês gente. - Camila acenou mordendo o lábio inferior.
- Até. - Elas acenaram.
Lauren abriu a porta do carro para Camila e a latina entrou, assim que a morena deu a volta e viu as amigas sorriu, então entrou no carro.
- Solta o som DJ. - A morena enfiou a chave na ignição e ligou o carro, Camila se aproximou virando o rosto dela e roubando um selinho e ligou. - E agora maruja?
- Vamos nos curtir por alguns dias amor. - Disse fazendo carinho no rosto dela, abaixou o vidro e pegou a principal.
- Qual a distância amor? - Camila perguntou observando o perfil de Lauren.
- Mil duzentas e noventa milhas, acho que aproximadamente 2.070 Km. Daria pra fazer hoje, mas eu não aguento. E como combinamos de parar a cada quatro horas para esticar as pernas vamos chegar amanhã. - Lauren disse observando a quantidade de carros ao redor. - Isso se a chuva não pegar a gente e o engarrafamento não for grande.
- Vinte horas de viagem. - Camila mordeu o lábio. - Trouxe suas câmeras?
- Sim amor, tem uma na mochila, dentro da caixa. - Lauren indicou.
- Vou pegar. - Camila soltou o cinto e se virou para trás.
Lauren observou a bunda dela com sua visão periférica, então batucou no volante cantando junto com Pentatonix.
Know with all of your heart
You can't shame me
When I am with you
There's no place I'd rather be
Camila fechou a mão em punho e cantou ainda virada para trás. - No, no, no no place I'd rather be!
Lauren riu e a latina se sentou novamente montando com as instruções da namorada, logo Lauren virou a musa de Camila e desse jeito elas seguiram as primeiras horas de viagem, a rodovia I95 era bem monótona, mas elas tinham música boa, assunto e companheirismo.
- No próximo posto a gente para, preciso de um café da manhã descente. - Camila disse a olhando.
- Sim senhora. - A morena assentiu e começou a ver a fila de carros.
- Engarrafamento? - A latina perguntou subindo o vidro.
Lauren ligou o ar condicionado e olhou o relógio que marcava 8:42AM e tocava One Direction. - Acho que não. Mas está lento.
Camila reclinou mais seu banco e colocou o travesseiro atrás da cabeça.
O carro parou aos poucos e a morena olhou ela. - Quer colocar os pés no meu colo?
- Não vai atrapalhar?
- Está parado amor, bem calmo.
A latina se ajeitou, observando as fotos, seu celular apitou anunciando mensagens do wattsap.
Desbloqueou a tela lendo algumas mensagens nos grupos, atualizou a pagina do facebook, fuçou o tumblr, o twitter. Viu Lauren rir sozinha tirou algumas fotos e postou uma no IG. Seu 4G havia dado o ar das graças.
Jogou o celular no suporte e fuçou a playlist de Lauren achando outra música que queria, fechou os olhos sentiu a mão percorrer sua perna por cima da calça fazendo carinho. Levou a mão até a mão dela e apertou seus dedos entrelaçados sorrindo.
Baby look what you've done to me
Baby look what you've done now
Baby I'll never leave you if you keep
Holding me this way
- Amo tanto sua voz. - Lauren disse baixo.
- Ama? - Camila sorriu.
- Muito, melhor som do mundo. - A morena sorriu e apontou sobre o volante do Camaro. - Olha, mais 500M um posto de gasolina e uma Waffles House.
Camila bateu palminhas. - Eu trouxe o perfil pra gente jogar.
- Depois do café, okay?
- Okay. Vou assistir. - Camila disse.
Lauren assentiu, Camila era muito hiperativa e ela já havia se acostumado com isso, havia uma Ferrari Itália ronronando atrás do Camaro da latina e Lauren se lembrou da guerra que teve com a namorada, por fim concordaram com o carro de Cabello porque era mais espaçoso e blindado.
Em poucos minutos Camila abriu o notebook se virando para frente e tirou o all star apoiando os pé no painel e afastando o banco, ela ajeitou tudo e colocou o DVD. Lauren desligou a música e se manteve concentrada em andar à quase 5Km/h, ouviu a voz de Hazel Grace narrando o começo de TFIOS.
- Tem uma caixa de lenços ali no porta luvas, depois dos CDs. - Lauren disse negando com a cabeça.
Trinta minutos depois, Camila apreensiva com o rumo da história, Lauren entrou no acostamento e seguiu até o estacionamento da Waffle House.
- Amor, depois você termina, vem. A gente come e você coloca um short de algodão e compramos mais um fardo de garrafinhas de água. - Lauren disse beijando a têmpora dela.
Camila assentiu. - Realmente, estou com fome e já com calor.
A latina fechou o notebook colocando no chão do carro e calçou o tênis procurando uma mochila que continha roupas suas e de Lauren, mais algumas coisas.
Saíram do carro, Lauren travou colocando o óculos de sol e passou o braço no ombro da namorada.
- Qual o primeiro lugar que quer ir? - Lauren perguntou abrindo a porta para ela.
- Times. - Os olhos da latina brilharam.
- Nunca foi para lá?
- Não, nunca tive interesse. Mas sei lá, acho que agora porque tenho você. As coisas mudam, e muito.
A morena sorriu e elas se sentaram em uma mesa no canto, o sol já castigava perto das cabines que ficavam na janela.
Pedidos feitos e comidas entregues, elas comeram em um silêncio agradável e logo seguido de conversas.
- Amor, você precisa me ajudar a lembrar que eu preciso comprar uma toalha quando chegar lá. - Lauren disse. - Eu desfiei a minha.
- Tudo bem, vou anotar na lista de compra. - Camila assentiu.
- Onde você colocou a chave do apartamento?
- No bolso da frente da sua mochila.
- Certo.
Lauren pagou o café e a gorjeta, então elas se encaminharam até o banheiro. A morena apenas trocou a calça jeans por um short desfiado no mesmo tecido e Camila colocou uma blusa de mangas curtas agarradinha com um short de algodão folgado e chinelos, de manhã estava gelado demais pra esse tipo de roupa.
Compraram seis latas de energético, suco de laranja natural e bastante água deixando na caixa térmica, então Laur terminou e encher o tanque de gasolina e elas pegaram estrada novamente. Camila dirigia com apenas uma mão, descalça.
- Você está preocupada com as estaduais? - Lauren perguntou tirando os olhos do livro.
- Hm. Não, eu já vi todas as competidoras e te garanto que a melhor é a Liz e eu não teria problema nenhum em ficar em segundo com ela. - Camila negou e então olhou de soslaio para ela. - Meu medo está nas nacionais, mas eu vou deixar para me preocupar com isso quando eu me classificar.
- Fisicamente você está preparada, mas e o psicológico?
- Está também, eu só vou viajar com sua mãe alguns dias antes para estudar o metro quadrado do ringue, mas fora isso tudo certo. E você?
- Bom, eu fiz a última gravação. Agora vou começar a organizar, meus armários chegaram e eu revelei as fotos, preciso empilhar elas nos lugares certos e nos arquivos certos.
- Mas e os vídeos?
- Eu tô editando ainda, transformando em GIF. - Lauren apoiou os pés no banco.
- E a galeria?
- É enorme, do jeito que eu queria. Ocupa um quarteirão todo e fica lá no centro, mas o pessoal já está trabalhando na montagem da fiação.
- E você está preparada?
- Da melhor forma possível. - Lauren assentiu.
- Falando nisso, acho que vamos precisar de empresários. À partir do momento que eu ganhar patrocínio e você ganhar ibope por causa da exposição, as coisas vão melhorar.
- Não acho que vou precisar.
- Você é Lauren Jauregui e não precisa de nada mais do que isso para ter certeza de que você é o suficiente.
- Tenho medo, eu acho.
- Medo do que?
- Eu não sei exatamente. Acho que de não ser boa o suficiente.
Camila sorriu e mordeu o lábio. - Lauren, você é boa. Você chama atenção, é cativante, é incrível.
- Camz.
- É sério Lolo, ninguém precisa saber que você sofreu um acidente e tem um pequeno problema de amnésia pra te achar absurdamente capaz. Você é capaz e o que você chama de "defeito" te faz guerreira e dedicada.
- Obrigada. - Lauren pousou a mão na coxa definida da latina e apertou, Camila tirou uma mão do volante e fez carinho na dela.
O silêncio reinou entre elas, o carro se movia, Lauren continuava sua leitura e Camila ligou o som baixinho.
Heartbeat, You Found Me, Over My Head e She Is da banda The Fray ecoavam pelo carro acompanhados de batuques no volante e conforme as horas iam de conversas pausadas.
- Estou com sede. - Camila disse.
- Quer suco ou água? - Lauren disse tirando o a câmera da frente do rosto e parando de fotografar o céu e as montanhas.
- Água amor. - Camila sorriu e Lauren tirou uma foto dela.
Lauren se virou para trás e pegou duas garrafas abrindo uma e entregando para Camila em um copo. Então prendeu o cabelo em um coque frouxo onde escapavam fios para todos os lados e tirou a camisa xadrez jogando no banco de trás.
- Obrigada. - A latina disse.
Lauren bocejou e murmurou. - Não por isso.
- Quer dormir? - Perguntou. - Tenho mais duas horas de volante.
- Certeza?
- Absoluta Lolo, você vai descansar bastante. Sua manta está em baixo da mochila.
Camila fechou o vidro de Lauren e ligou o ar novamente, Lauren fungou um pouco e reclinou o banco pegando a manta e se enrolando até achar uma posição confortável e adormecer.
Uma fila encontrou elas depois de 7KM e Camila teve tempo para observar sua namorada dormir. Aproveitou a parada que o carro deu e pegou o pote de remédio da morena e deixou fácil junto com outra garrafa de água. Ainda ficava meio cismada com a convulsão que a morena teve, as vezes até acordava durante a noite apenas para observar se ela estava bem, mas acima de tudo para observar as mudanças no rosto e corpo dela.
Poison & Wine começou a tocar e Camila riu um pouco do gosto depressivo para músicas de sua namorada, The Civil Wars era maravilhoso. Mas era triste, então esticou o dedo trocando a música. Então a voz de Sheeran invadiu o carro ganhando um sorriso genuíno da latina.
O trafego andava, e assim que passou pela saída o transito praticamente sumiu, já beirava as 2PM e Lauren ainda dormia.
Take me into your loving arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
I'm thinking out loud
Camila cantava baixo, avistou um posto, deixaria Lauren dormir por um tempinho, então elas almoçariam no grill que tinha ali e pegariam estrada novamente.
A latina deu seta entrando no acostamento e seguindo o caminho, olhou o ponteiro de gasolina, aguentaria pelas próximas horas de viagem, estacionou e pegou a câmera ajustando a lente e tirando uma foto de Lauren toda enrolada.
Enfiou os chinelos nos pés e abriu a porta olhando ao redor, o frentista do posto deu uma boa checada em seu corpo e Camila franziu o cenho dando a volta e abrindo a porta de Lauren. Beijou o pescoço exposto e ouviu a morena tragar ar de forma mais profunda.
- Acorda amor. A gente precisa comer. - Sussurrou.
- Só mais um pouquinho Camz. - Ela respirou fundo murmurando.
Camila deu mais alguns beijos naquela pele branca e viu um sorriso nascer nos lábios rosados. - Vamos.
- Tudo bem. - Lauren se mexeu um pouco.
Espreguiçou, bocejou e encarou Camila que perdeu o folego com a cor dos olhos de Lauren.
- Uau. - Sussurrou escorada na lataria a observando.
- O que? - Lauren franziu.
- Seus olhos. Estão verde e cinza. Diferentes, mais claros. São lindos. - Camila sussurrou.
Lauren riu e se levantou prendendo o corpo dela contra a porta devagar, apoiou a mão na cintura fina e selou seus lábios. - Seus olhos são melhores do que o meu, pelo menos para mim.
Camila a abraçou pelo ombro e ganhou mais um selinho demorado, então sentiu os lábios pressionados em sua testa. - Quem mandou você crescer mais Lauren? Da qui alguns dias vou me sentir a Ally com a Luna.
- Que exagero. Miss drama, vamos comer. - Lauren olhou o relógio em seu pulso.
Camila riu e elas fecharam a porta do carro ligando o alarme, entrelaçaram seus dedos e caminharam para dentro. Camila conseguiu peixe assado, elas almoçaram calmas e quando estavam já a caminho do carro, Camila pulou nas costas de Lauren após anunciar o que fariam e a morena a carregou até o carro.
- Eu dirijo. - Lauren disse jogando a manta no banco traseiro.
- Tudo bem. - A latina assentiu.
Ambas entraram no carro, Lauren colocou o óculos de sol e deu partida. Prontas para mais algumas horas de viagem.
Lauren deu uma checada no GPS observando as coisas mais próximas que teriam, era nove da noite a estrada estava escura, Camila ainda tinha a cara inchada por conta de Gus e Hazel, a morena apertou os dedos dela e sorriu olhando.
- Vamos brincar Camz? - Lauren disse colocando a mão na dobra do joelho dela.
- De perfil?
- Aham, você pergunta.
Camila assentiu animada e pegou a caixa escolhendo uma ficha.
- O que você é? - Lauren se ajeitou no banco girando o volante e fazendo uma curva.
- Uma pessoa. - Camila sorriu.
- Dica três.
Camila passou o olho pela linha. - "Fui preso por minha opção sexual".
- Nossa, que horror. Dica um.
- "Nasci em 16 de outubro de 1854, em uma próspera família. - A latina passou a língua entre os lábios.
- Nossa Camz, eu super sei que é. - Lauren revirou os olhos. - Dica dois vai.
- "Sou um Irlandês famoso".
- Não faço a mínima ideia. Dica seis.
Camila riu. - Que injustiça, agora você vai saber. "Uma das minhas obras mais conhecidas é O Retrato de Dorian Gray".
- OSCAR WILDE! - Lauren exclamou. - Nossa, nunca que ia saber que ele tinha sido preso.
- Nem eu. Bora pra mais uma. - Camila jogou a carta no fundo da caixa e pegou outra. - Eu sou uma coisa.
A morena arqueou uma sobrancelha e prensou os lábios. - Okay, dica um.
- "Fico pendurada em ganchos". - Mila leu indignada.
- Rede?! - A morena respondeu hesitante.
- Af Lauren. - Camila pegou uma carta nova. - HÁ essa você nunca vai saber!
- Vamos lá então gata. - Lauren se ajeitou no banco abaixando um pouco a música e olhando a estrada escura. - Dica dez.
Camila esfregou as mãos. - Pra começar sou um lugar.
- Ih.
Mila riu com a língua entre os dentes. - "Sou considerada um lugar paradisíaco".
- Dubai?
- Nops.
- Dica três.
- "Possuo um grande complexo hoteleiro com muitos hotéis de luxo".
- Olha esse tipo de pergunta é pra Lu e não pra mim.
Ambas riram.
- Ela com certeza saberia. - Camila revirou os olhos.
- Dica seis.
- "Sou cenário principal de um dos filmes de Elvis Presley.
- Acapulco! - Lauren disse surpresa.
- COMO VOCÊ SABE ISSO?!
- Meu amor, é Elvis morto e John Mayer vivo.
Camila não se aguentou e riu. - Falando em paradisíaco, nossas amigas disseram onde vai ser a lua de mel?
- Parece que a Ally quer ir ao Brasil.
- Oh. Casamento está marcado né? - Camz semicerrou os olhos.
- Vinte de Agosto do ano que vem. - Lauren tamborilou os dedos no volante. - Eu nem acredito, mas fico tão feliz que elas se entenderam.
- Nunca vi a Ally tão calma e livre assim. - Camila disse.
- Isso é bom para ela. - Lauren disse sorrindo e logo uma chuva grossa despencou do céu sem mais nem menos.
Estava escuro, o carro começou a ficar escuro, Lauren forçou os olhos enquanto o pára-brisa trabalhava frenético.
- Amor, a gente vai ter parar. - Lauren disse olhando o GPS.
- Mas não tem posto.
- Faz mais de 20 minutos de chuva grossa. - Lauren disse reduzindo a velocidade, farol de milha estava ligado, pisca alerta também.
Camila mordeu o lábio e mais cinco minutos e Lauren entrou vendo um hotel de beira de estrada.
- Lauren.
A morena arqueou as sobrancelhas olhando sua namorada. - Não acredito Camz.
- Eu não vou ficar aqui. Olha a cara dessa espelunca.
Lauren começou a rir e bater palmas. - Eu não acredito que minha namorada está tendo seu primeiro surto de patricinha comigo.
Camila revirou os olhos e abriu a porta do carro saindo para a chuva, Lauren franziu, aquela era uma Camila diferente, não era a "personalidade ofensiva", mas era diferente.
Abriu a porta e sentiu as grosas gotas castigarem seu corpo, logo ficou ensopada e viu Camila se afastando para o outro lado, correu até ela segurando pela cintura.
- Qual o problema? - Lauren gritou sobre o som da chuva.
- Prefiro passar a noite inteira molhada do que entrar em um hotel desses.
Lauren colocou as mãos no quadril. - Eu não vou deixar você ficar aqui fora, e nem mesmo entrar no carro. Estou cansada de hospitais e sinceramente você não vai pegar uma pneumonia.
- Eu não gosto de lugares caindo aos pedaços.
- Olha ou a gente fica aqui ou a gente morre na estrada, não tô afim de um outro acidente de carro. - Lauren se agachou e logo apoiou um joelho no chão amarrando o cadarço de seu coturno.
- Não quero entrar lá. - Camila cruzou os braços.
- Mas vai! - Lauren exclamou e rapidamente se aproximou jogando Camila por sobre o ombro.
O short curto estava ensopado, a mesma gritou exclamando e logo estapeou as costas da morena sacudindo as pernas.
- Me solta! - Ela gritou cravando as unhas nas costas de Lauren que caminhava.
A morena mordeu a bunda dela que estava perto de seu rosto, enfiou a mão no bolso do short pegando a chave e travando o carro. Quando elas entraram o homem as observou curioso.
- Boa noite, um quarto com cama de casal e um banheiro. - Lauren disse. - As coisas estão dentro do carro, eu pago na saída.
- Reserva no nome de quem?
- Jauregui. - A morena ofereceu seu sobrenome.
Ele entregou uma chave, Camila se agarrava em Lauren, mas havia parado de gritar.
Lauren subiu a escada com um sorriso discreto. - Que foi princesa? O gato comeu a sua língua?
- Não Lauren, não tenho mais palavras pra você hoje.
A morena abriu a porta do quarto e trancou finalmente colocando Camila no chão, Lauren a encarou com uma expressão suave e Camila teve um olhar mortal dirigido à ela com suas órbes castanhas.
Camila fechou os olhos e as mãos respirando fundo se segurando pra não estapear Lauren então olhou ao redor e rumou ao banheiro. Estava tendo um momento pra lá de infantil e sabia disso, ao encostar a porta levantou a barra do short expondo sua nádega e viu a marca vermelha arrochada de 70% dos dentes de Lauren. Em poucos minutos viu ela entrar no banheiro também, Lauren tirou a camisa e Camila observou as cicatrizes que já tinha por ali, então viu as costas cheias de arranhões inchados e alguns até sangue saia.
- Se sente vingada? - Lauren perguntou se sentando na privada e desamarrando suas botas.
- Eu ainda estou brava com você.
- Muito? - Lauren decidiu provocar.
Camila tirou a roupa revirando os olhos e abriu o box checando se era limpo, cheirou as toalhas e observou o sabonete. - Não vou fazer parte dos seus joguinhos Lauren.
- Relaxa Camz! - Lauren disse negando com a cabeça. - Prefiro você sorrindo do que puta por nada.
- Tá ai a palavra. - Camila disse se inclinando e colocando a cabeça para fora do box. - Estou puta com você, idiota!
Lauren arqueou as sobrancelhas e se livrou do resto da roupa, abriu o box e entrou lá dentro, ouviu Camila bufar e mordeu o lábio pra não rir. Pegou o sabonete, Camila jogou o cabelo por sobre o ombro enquanto Laur observava a marca que havia deixado na pele dela.
- NÃO PUXA AMOR. - Lauren disse sentindo os fios enroscarem no seu nariz.
Camila sentiu os fios esticar e Lauren choramingou ficando vesga e tentando soltar o cabelo de sua namorada de seu piercing.
- Tá doendo Lolo. - A latina exclamou e puxou.
Lauren gritou mais pelo susto do que pela dor então por puro reflexo agarrou o piercing de Camila - E agora?
- Olha aqui sua vagabunda, se você apront.
Lauren revirou os olhos e calou a boca dela com a sua, era o melhor jeito de fazer ela ficar quieta, enfiou uma mão no meio dos cabelos escuros trazendo para perto, Mila a empurrava pelos ombros, mas se rendeu em questão de segundos e a puxou para perto levando as mãos até a nuca dela e arranhando suavemente.
Camila estava quase se deixando levar quando suas costas entraram em contato com o azulejo gelado, ofegou contra os lábios da morena e abriu os seus olhos.
- Me solta Lauren, não vou transar com você nesse lugar. - Disse empurrando as mãos dela para longe de seu corpo.
Lauren abriu os olhos devagar e soltou ela vendo Camila sair dali, terminou de se ensaboar e então saiu pegando a toalha que havia restado.
Secou seu corpo e olhou ao redor vendo que nada seu estava lá dentro.
Ao sair viu que Camila havia mexido no climatizador do quarto que estava quente, as roupas estavam estendidas para serem secas e a mesma se encontrava deitada de bruços na cama. Lauren deixou a toalha no braço da poltrona que tinha ali.
Se deitou na cama de barriga para cima, o lençol cobria seu corpo se enroscando e cobrindo seus seios, os olhos escuros ao seu lado estavam como a chuva lá fora, uma bagunça grande.
- Eu te amo. - Lauren disse virando o rosto e observando os olhos dela.
- Eu também amo você. - Respondeu se aproximando mais.
Lauren esticou o braço e Camila deitou sobre o braço fechando os olhos.
- Mês passado não desceu pra você. É por isso que seu humor tá tão inconstante? - Lauren franziu passando os dedos pelas costas dela.
- Talvez, estou bem atrasada. Acho que vou acumulando estresse e TPM.
- Realmente, suas coxas estão inchadas e sua barriga também.
- Nem brinca, minha roupa já foi feita por medida. - A latina sussurrou contra a pele dela.
Lauren riu pelo nariz e sentiu os dedos percorrerem por sua barriga enviando calafrios gostosos por todo seu corpo.
- Camz. Acho que temos um problema. - Sussurrou a encarando com seus olhos verdes acinzentados.
Camila cogitou mil e uma coisas, pensou que tinham esquecido algo e qualquer outra coisa. Mas nada veio. - O que foi?
- Acho que tem percevejos na cama. - Lauren riu fazendo cosquinhas na barriga de Camila que mordeu o lábio e logo explodiu em uma gargalhada.
- Para, pelo amor de Deus. - Camila ria.
Lauren parou aos poucos olhando o rosto dela, Camila tinha um sorriso satisfeito no rosto, os olhos fechados.
- Eu adoraria te pintar assim. Te eternizar em uma tela. - Sussurrou vendo os grossos cílios tocando o alto da maçã do rosto dela. - Pra que tão linda?
Os olhos escuros se fizeram presentes. - Pra ser digna da namorada que tenho.
Lauren se deixou com a cabeça na clavícula dela, ouvindo as batidas fortes do coração de Cabello.
O vento veio acompanhar a chuva e não era possível ver nada pelo vidro da janela do quarto, elas trocaram beijos e algumas palavras, Lauren tentou, mas Camila realmente negou sexo. Nem ela sabia da onde estava tirando tanto auto controle com a pele de Lauren roçando na sua.
Três horas depois a chuva passou, elas se vestiram e Lauren achou que estava bom para irem. Camila zarpou para fora do local e buscou a carteira de Lauren, o homem informou o valor e ela pagou enfim indo para dentro do carro e ligando.
- Okay wild child. Qual é a trilha sonora? - Perguntou dando ré.
Camila abriu o porta luvas pegando o CD do Arctitc Monkeys e colocou em Do I Wanna Know? - Indie Rock Alternativo?!
Lauren assentiu rindo pelo nariz. Era 1AM, o céu estava bem escuro e a rodovia completamente limpa, o cheiro da chuva ainda se fazia presente.
Musica boa em som ambiente, Mila dormiu por uma hora inteira fazendo Lauren rir baixo, ela realmente não havia gostado daquele hotel. Só havia um terço do fardo de garrafinhas de água. Na próxima parada elas iam ter que comprar mais, Camila bebia muita água.
As três da madrugada Lauren estacionou, enchendo o tanque novamente, não queria correr o risco de ficar na estrada sem gasolina, Camila ainda dormia, não ia acordar ela. Jogou a água do gelo derretido fora e encheu com o saco novo jogando as garrafinhas de água, tomou remédio e então deu a volta abrindo a porta de Camila, ajeitou o cinto e desceu o banco um pouco mais, cobriu ela com a manta e abriu um salgadinho deixando ali no meio.
Se sentou na frente do volante e arrancou pronta para mais quatro horas, não sentia sono e nem mesmo cansaço.
Camila acordou olhando ao redor, estava escuro ainda beirava 3:30AM, coçou os olhos e se sentou arrumando o banco. A viagem seguia em silêncio, Lauren decidiu ficar quieta.
Em vinte minutos um caminhão se instalou ao seu lado dividindo a via em velocidade moderada, a morena semicerrou os olhos para o cara que, descarado, olhava para Camila que parecia meio alheia à tudo.
A buzina alta a acordou de sua viagem interna, fazendo seu corpo vibrar pelo susto, ela olhou para cima encontrando o caminhoneiro e para a total surpresa de Lauren, Camila acenou para ele lançando um sorriso simpático.
A morena pisou no acelerador incrédula, mas seu estopim foi ver o sorriso sapeca que Camila lhe lançou.
- Você não vai fazer isso Camz.
- Ah, eu vou.
- Camila. Porra! - Lauren exclamou sentindo seu pescoço ficar quente e suas bochechas queimarem.
O motorista estava lado à lado com Lauren, ela tirou o pé do acelerador suavemente ficando um pouco para trás e encarando o cara pelo vidro de seu carro. Quando virou o rosto para o lado pode ver a mão de Camila se mexendo suave, mas visivelmente por baixo do tecido fino do short. Seu indicador e polegar da mão esquerda, estavam enfiados por dentro do elástico, baixando o suficiente para desnudar sua barriga. Ela encostou a cabeça no banco e puxou o short um pouco mais para baixo.
Lauren quase não conseguia manter o olhar na estrada vazia à sua frente, estava na via expressa, olhou pelo retrovisor e não viu ninguém atrás de si.
Camila mordeu o lábio inferior e mexeu os dedos furiosamente dentro do short.
A boca de Lauren quase foi parar na embreagem, ela não acreditava naquilo, mesmo vendo. O caminhão estava acirrado ao seu lado, 90 km/h e os olhos dele focados dentro do Camaro.
- Puta merda neném! - O cara berrou buzinando.
Lauren trincou o maxilar, ia matar Camila assim que pudesse estacionar, desacelerou descendo para 60 km/h. Um BMW passou rasgando à 220 km/h e o motorista do caminhão estava ao seu lado novamente.
Lauren podia ver o movimento de vai e vem, os dedos entrando e saindo, os lábios grossos entre abertos, ofegando. O movimento era frenético, Lauren pisou no acelerador deixando o motorista bem para trás, o velocímetro marcava que Lauren estava pesando o pé no acelerador. Camila gemia baixo ao seu lado, olhos fechados, os lábios entre os dentes e ela rebolava contra os próprios dedos.
"Que tortura" Lauren pensou ao fazer uma curva.
- Lau-ren! - Camila exclamou.
A morena deu um sorriso ao ouvir seu nome sair pela boca da latina, mas logo fechou a cara e viu que Camila começava a dar indícios de que o orgasmo estava próximo.
Assim que o motorista passou por elas buzinando alto, Camila gozou e relaxou contra o banco. Lauren olhou ao redor, ainda estava escuro, era quase 4:20, jogou o carro no acostamento puxando o freio de mão e saiu do mesmo dando a volta e abrindo a porta dela.
Camila lhe lançou um olhar inocente com um sorriso diabólico, se aquilo era possível ou não Lauren nem sabia.
- Você, no sentido literal da palavra, está fodida na minha mão. - Sussurrou a puxando para fora e atacando seus lábios.