Gay Killer

By raitunes

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Uma série de assassinatos está acontecendo em São Paulo. A única coisa em comum entre as vítimas é o fato de... More

Capítulo 01
Capítulo 02
Capítulo 03
Capítulo 04
Capítulo 05
Capítulo 06
Capítulo 07
Capítulo 08
Capítulo 09
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 24
Capítulo 25

Capítulo 23

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By raitunes


Caio Barreto


Minha parceira está desacreditada, meu relacionamento foi pelos ares, o assassino continnua à solta e até o David - uma quase vítima dele - está desacreditado que eu possa fazer meu trabalho.

Nesse momento, estou dirigindo pelas ruas iluminadas de São Paulo, com um destino certo: o Instituto Médico Legal.

Sobre o banco do carona, está a razão pela qual eu vou até lá: os pertences de Daniel Carneiro, a mais recente e, penso eu, a última vítima do Serial Killer Gay que vem tirando meu sono nos últimos dias.


* * * 


Mostro meu distintivo ao guarda e não leva muito tempo até eu ser levado para me encontrar com a legista que fez a autópsia no cadáver.

Ela é bem bonita, tem cabelos crespos num black-power perfeito, os lábios grandes estão tingidos por um batom vermelho no tom certo. O cheiro dela também é muito bom, é semelhante ao perfume que a Sheila usava. 

- Detetive Barreto! - ela me estende a mão direita em cumprimento.

- Boa noite! - eu a cumprimento de volta.

- Eu sou a Dra. Amora Leal - ela se apresenta - Achei sua vinda até aqui estranha. Pensei que a polícia já tivesse tido acesso ao meu laudo sobre a morte do rapaz.

- É, nós já tivemos - eu respondo - Mas, preciso ver o corpo. A senhora vai me entender.

Juntos, seguimos até a câmara de refrigeração.


* * * 

O local é frio e, não só por isso, me causa arrepios.

A Dra. Amora vai andando em minha frente, seu quadril se movendo como o de uma modelo da Victoria Secrets. Ela é fascinante.

-... Se já recebeu o laudo - diz ela - Qual a razão de vir até aqui, Detetive?

- Isto! - eu falo, mostrando para ela o saco plástico transparente com os pertences do falecido.

- Não se se compreendi! - ela diz, puxando uma das gavetas refrigeradas, onde posso ver o corpo do rapaz, embalado num saco metálico.

- Há a hipótese de que o assassino usa redes sociais para se comunicar com as vítimas - eu digo, enquanto ela começa a abrir o zíper do saco - Aqui está o celular do Daniel Carneiro, mas, está protegido com senha. Levá-lo para um especialista em T.I. tirar essa proteção seria a ideia mais óbvia, só que isso leva tempo. Mas, este aparelho aqui - eu puxo o celular para fora do saco plástico - Funciona com leitura facial. 

- Oh, entendo...

A legista abre de vez o saco metálico e deixa à mostra o cadáver.

A pele está pálida, a sutura dos lábios já foi retirada. 

Mesmo assim, o rapaz ainda é belo.

- Com licença - digo para a legista, quase como se fosse para o próprio Daniel  e, em seguida, aponto o display do celular na direção do rosto dele. Em segundos, a tela é desbloqueada.

Volto o celular para mim e, imediatamente, ligo os dados móveis. Preciso ter acesso aos aplicativos que funcionam com internet.

Algumas mensagens começam a chegar. Algumas curtidas em fotos, mas, eu já sei qual é o meu foco: o aplicativo de encontros gays.

Eu entro no aplicativo e encontro a última conversa. É da noite na qual ele foi assassinado. A última conversa.

Visualizo o chat: cantadas, nudes, um encontro marcado.

Dou uma olhada na foto que o Daniel recebeu e vejo um corpo malhado. Sem tatuagens, talvez não seja o nosso cara.

Depois, dou uma olhada no perfil dele.

Não tem informações relevantes. Nada que possa identificá-lo. Sem contar que, nesse tipo de aplicativo, essas informações podem facilmente serem falsas. Não daria para levar tão à sério assim.

Depois, eu dou uma olhada na foto que o próprio Daniel enviou na conversa e me dou conta do que está acontecendo.

Numa questão de segundos, é como se meu cérebro fosse explodir e, de repente, tudo se conecta.

- Eu conheço essa cara, Detetive!

- Sim! Eu acho que comecei a me tocar do que está acontecendo aqui, Dra.


* * * 

Estou em meu apartamento. Olho no relógio e a hora parece não passar.

Apanho meu chiclete de menta. A solidão parece querer fazer sentido agora.

Pego meu celular. Enquanto masco o chiclete, escrevo uma mensagem para o David Rabelo. 

Para minha sorte, ele é ágil - essa garotada, de modo geral, é - então, combinamos um encontro.

Enquanto ele não chega, preparo o espaço: coloco uma música calma, preparo um lanche e abro um vinho.

Parece inapropriado, o vinho, mas, eu acho que não é uma má ideia. A gente se solta um pouco mais.

* * *

Quando o interfone toca, com o porteiro me avisando sobre meu visitante, eu altorizo a entrada dele e corro até o espelho que fica no corredor - entre a cozinha e o quarto, numa parede que a Sheila insistiu em pintar de preto - dou uma ajeitada em meus cabelos e na camisa branca meio amassada.

Depois, diminuo o volume do som, que está tocando uma música da Lana Del Rey - Chemtrails Over The Country Club. A campanhia toca.

Vou até lá e abro a porta.

Dou de cara com aquele olhar tímido de sempre, com aquele suéter preto de sempre.

- Oi - eu sorrio, meio sem jeito, meio nervoso.

- Olá! - ele sorri, parece estar mais à vontade que eu.


* * * 


Estamos sentados nas poltronas de bambu da varanda.

A garoa volta a dar as caras. O vento gélido justifica o suéter do David - apesar de eu jurar que ele estaria usando-o de qualquer jeito.

Eu tomo vinho. Ele também. 

Parecemos íntimos já. De modo geral, nos últimos anos, esse tem sido o contato mais íntimo que tive com um homem.

-... Quando foi que começou? - me questiona o David, olhando direto para o horizonte coberto por luzes amareladas os prédios à frente, além da massa cinzenta de nuvens de chuva e poluição, ele tenta me ignorar de toda a forma.

- Quando foi que comecei o que?

- A sair com homens - ele responde imediatamente - Faz tempo?

- Bom... - essa pergunta me deixou meio constrangido, e não era para ser assim - Faz algum tempo. Na verdade, estive num relacionamento sério com um homem por dois anos.

- Uau, sério?!

- Sim, por que a surpresa?

- O meio gay não é pra esse tipo de coisa! - ele responde - Você sabe, os caras só querem saber de sexo e mais nada. Um namoro de dois anos entre dois caras me parece algo meio fantasioso.

- É, mas não é bem assim, David. Existem muitos caras gays que se amam e que não ficam juntos só por sexo.

- Sei... - ele parece descrente - Se vocês se amavam, então, por que não estão mais juntos? 

- Ele morreu! - eu respondo na lata, deixando o rapaz atônito - O nome dele era Mateus. Nós morávamos juntos na época da faculdade. A gente fazia tudo juntos. Só que numa noite ele decidiu ir sozinho a uma festa, estávamos brigados. Nessa festa tinha uma galera meio pesada e ele perdeu o controle. Overdose. 

- Poxa vida...

- É... - eu tomo mais um gole de vinho - Eu já tinha conversado com ele sobre tudo aquilo, eu já tinha avisado, tinha tentado evitar de todas as formas possíveis, mas, era da natureza dele, sabe?!

- Como assim?

- Ser rebelde! - outro gole de vinho - Tem coisa que a gente faz, David, que é da nossa natureza. A gente sabe que não é bom, que faz mal, que machuca, mas, ainda assim, a gente faz. 

Silêncio.

- Quando foi que você começou, David?

- Quando foi que comecei o que?

- A matar caras por aí!

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