ELITE

By Viickss

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Três adolescentes privilegiados da Elite Europeia sentem suas vidas virarem de cabeça para baixo quando o líd... More

𝓟𝓻ó𝓵𝓸𝓰𝓸
❋ ℙ𝕖𝕣𝕤𝕠𝕟𝕒𝕘𝕖𝕟𝕤 & 𝔸𝕖𝕤𝕥𝕙𝕖𝕥𝕚𝕔s ❋
Capítulo 1: A Day In the Life
Capítulo 2: See ya
Capítulo 3: I read the news today, oh boy
Capítulo 4: Angústia
Capítulo 5: Morto
Capítulo 6: Luto
Capítulo 7: Friends will be Friends
Capítulo 8: Back to High School
Capítulo 9: Where do you belong?
Capítulo 10: Memories
Capítulo 11: Falling
Capítulo 12: O Corpo
Capítulo 13: Teorias
Capítulo 14: Fuck it, I love you
Capítulo 15: Hoje não
Capítulo 16: Ao vivo. E vivo.
Capítulo 17: Aconteceu Naquela Noite
Capítulo 18: O que eu perdi?
Capítulo 19: Vulnerable
Capítulo 20: The Name of the Game
Capítulo 21: Fake Smile
Capítulo 22: Nothing Breaks Like a Heart
Capítulo 23: Needy
Capítulo 24: Back to High School II
Capítulo 25: Shake it Out
Capítulo 26: Wild World
Capítulo 27: Goodbye. Yellow. Brick. Road
Capítulo 28: Halloween - Parte I
Capítulo 29: Halloween - Parte II
Capítulo 30: I think he did it
Capítulo 31: Mad World
Capítulo 32: A Verdade
Capítulo 34: Scott Parker - Parte II
Capítulo 35: Aconteceu naquela noite. E naqueles anos
Capítulo 36: Blood Brothers
𝓔𝓹í𝓵𝓸𝓰𝓸
𝒜𝑔𝓇𝒶𝒹𝑒𝒸𝒾𝓂𝑒𝓃𝓉𝑜𝓈
𝒞𝓊𝓇𝒾𝑜𝓈𝒾𝒹𝒶𝒹𝑒𝓈
:: Livro Novo ::

Capítulo 33: Scott Parker - Parte I

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By Viickss

O jovem casal Parker sempre comentava sobre como desejavam ter um herdeiro. Nos primeiros anos de casados, os tabloides só falavam sobre como seria linda esta criança.

Na celebração das bodas de couro, foi anunciado que a querida Olívia Parker estava grávida de seu primogênito!

Os primeiros meses foram só alegria. O jovem casal posava para revistas enquanto marcas infantis já procuravam um jeito de patrocinar a família que agora crescia.  As entrevistas giravam em torno dos possíveis nomes para o herdeiro e qual a preferência do casal. Victoria e Scott eram os nomes escolhidos. E o os novos pais, em especial Harry, não escondiam sua preferência por uma garotinha.

Na 13ª semana de gestação, Victoria deixou de ser um sonho para ser uma certeza. O primogênito dos Parker's seria uma menina!

Não parecia ser possível, mas a alegria deles cresceu ainda mais! O quarto na mansão, já era pintado de tons rosa e lilás e a cada dia a casa se enchia de mimos e presentes para a herdeira.

Entretanto, complicações com o feto durante o final da gravidez fizeram com que esse momento tão lindo e especial, virasse um verdadeiro pesadelo. A pior parte foi quando os médicos informaram ao casal que nada mais poderia ser feito.

Olívia Parker fez uma cesárea de emergência, dando  luz a um bebê morto.

Londres ficou em luto por alguns meses.

Os Parker's ficaram em luto por anos.

Nunca mais tentaram ter um filho e, sempre que o assunto surgia, Harry rapidamente desviava.
Os tabloides apontavam que o casal nunca conseguiu superar o ocorrido e que o casamento deles nunca mais foi o mesmo. Alguns mais ousados, até mesmo apontavam um possível divórcio.

Mas então, aconteceu. Olívia Parker estava grávida novamente! Apesar de tentar esconder durante os primeiros meses, os paparazzi logo tiraram flagras de sua barriga já aparente.

Alguns meses depois, uma fonte próxima ao casal informou que Olívia teria um menino.
"Scott! Scott Parker!" — Apontava a mídia, já entusiasmada pela revelação de anos atrás. Todos comentavam e aguardavam ansiosamente por qualquer declaração ou aparição da família.

Mas a única aparição que tiveram foi de Olívia deixando o hospital, já com o saudável pequeno Parker em seus braços, sorrindo para as câmeras.

Parabéns Olívia!

— Oh, como ele é lindo!

— Qual o nome? Scott, não é? Se é um menino é Scott!

Olívia assentia com um sorriso no rosto, enquanto os seguranças ao seu redor tentavam garantir sua proteção diante do alvoroço de repórteres e perguntas. Scott começou a chorar.

— Onde está o senhor Parker?

A pergunta de um dos jornalistas a pegou de surpresa, mas ela foi rápida em responder:

— Infelizmente ele está fora do país a negócios e não pôde comparecer — Falava, enquanto balançava o bebê em seus braços, quase que em desespero. — Scott acabou chegando antes do que esperávamos... mas estamos todos muito felizes. Obrigada.

Scott chorava cada vez mais alto. Olívia o entregou para a enfermeira que a acompanhava, a mesma se apressou em levar o menino para dentro da limusine. Senhora Parker se despediu da multidão com um último sorriso e por fim entrou no veículo.

Por meses, os tabloides europeus comentavam sobre o nascimento e o pequeno herdeiro dos Parker's. Qualquer breve aparição era uma festa de fofura. Scott Parker era uma criança adorável. Os cabelos loiros e olhos azuis penetrantes chamavam a atenção de qualquer um, mesmo com os poucos meses de vida.

Porém, apesar de todo o alvoroço da mídia, Olívia e Harry não deram entrevistas e não realizaram nenhum patrocínio com marcas infantis para seu filho.

Os tabloides mais famosos diziam que, devido a grande tragédia com Victoria, o casal optou por serem mais reservados, mesmo após o nascimento.

Já os meios de comunicação mais independentes, teorizam que o que a mídia passava como um belo milagre, se tratava claramente de uma gravidez indesejada.


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A infância de Scott Parker não foi comum, obviamente. Com os pais sempre viajando, Scott passava mais tempo com sua governanta do que com qualquer outro membro da família.

Brincava com as crianças na escola e era convidado para as mais diversas festas de aniversário, porém raramente comparecia em alguma. Desde criança, sua presença era requisitada. E desde criança, seus pais o ensinaram que nem todos a mereciam.

Conforme crescia, o garoto sempre pedia por um irmão ou uma irmã. Incessantemente.

Quando perguntavam qual era seu sonho, essa era sua resposta.
Quando escrevia sua carta para o papai noel, esse era o seu desejo.
Em todos os aniversários, ao assoprar as velinhas, esse era o seu pedido.

Um dia, quando tinha cerca de 5 anos, o garoto estava brincando pela casa e percebeu uma porta que sempre estava fechada, aberta. A curiosidade automaticamente o guiou até lá e, assim que entrou, o maior dos sorrisos se instalou em seu rosto. Algumas pessoas mexiam lá dentro, aparentemente arrumando tudo e finalizando a pintura.

Um quarto rosa, com berço e cheio de brinquedos de menina só podia significar uma coisa: ele finalmente teria uma irmãzinha!

Nesse mesmo dia, durante o jantar, o garotinho comentou sua grande descoberta com seus pais de forma animada.

Olívia e Harry trocaram um olhar que Scott em sua ingenuidade de criança, não conseguiu decifrar. O garoto tagarelava animado e não escuta seus pais falarem.

— Você mostrou pra ele? — Sussurrou Harry, claramente incomodado.

— Não claro que não... hoje é dia de faxina provavelmente ele...

Olívia respondia, porém sua voz passou a ser abafada quando Scott começou a falar mais rápido e ainda mais alto.

— Vai ser muito legal, a Grete vai poder ensinar alemão pra ela também e eu vou ensinar ela a andar no patinete. Ela vai ter olhos azuis como os meus e vai se chamar Amanda.

— Chega! — Harry Parker falou, assustando o menino que parou de falar imediatamente.

— Ela pode ter olhos verdes também ... — Respondeu Scott, pensando que seu pai não havia gostado da cor dos olhos. Ele não devia gostar de azul. Até porque, quando falava com ele, seu pai nunca olhava diretamente em seus olhos. Talvez ele não gostasse de azul.

— Scott, você tinha uma irmã e o nome dela era Victoria — Falava Harry para a criança. — Você tinha uma irmã e ela morreu. Então você não tem mais uma irmã. E nunca vai ter, porque ninguém...

— Harry — Repreendeu Olívia. Parker a encarou por alguns segundos, mas ignorou sua repreensão.

— Porque ninguém, nunca, irá substituí-la — Finalizou, levantando-se e deixando a mesa de jantar.

No seu aniversário daquele ano, Scott mudou pela primeira vez e desejou por um vídeo game novo.

Ganhou.

No natal, pediu por novos olhos cor castanho.

Não ganhou.

Harry e Olivia pensavam que, com alguns agrados e brinquedos novos, logo aquela memória se apagaria da mente de Scott conforme crescesse.

Mas não foi o que aconteceu.
Ele apenas passou a pedir por coisas que sabia que poderia ter.


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Aos onze anos, Scott não tinha muitos amigos. O garoto estudava em casa desde que sairia da pré escola. O único contato que tinha era com os funcionários e outros adultos de sua família.

Entre eles, estavam seu tio, André. Scott gostava muito dele, pois sempre fora muito divertido e brincava com ele em qualquer oportunidade. Seus primos eram mais velhos, mas ainda assim davam atenção ao garoto. E Scott gostava de dizer que estava indo visitá-los. Ele amava dizer que estava indo visitar seu tio André, o Duque de Iorque, filho da rainha Elizabeth, atualmente quarto na sucessão do trono.

Nas férias de inverno daquele ano, Scott foi passar alguns dias com seu tio e sua tia na Casa de Windsor.

O garoto ficou ali exatas duas semanas. Tempo suficiente para ver e ouvir coisas.

No terceiro dia, uma sexta-feira, Scott acorda no meio da noite com torcicolo, devido aos inúmeros travesseiros e decide ir até a cozinha para pegar uma compressa quente afim de aliviar a dor.

Já era madrugada, portanto conforme descia as escadas, o garoto se esforçava ao máximo para não fazer nenhum barulho. Entretanto, percebera que alguns não faziam este mesmo esforço.

Ele podia ouvir vozes e risadas vindas do corredor. Quando deu por si, já estava com a orelha próxima a uma das imensas portas, de onde todo o barulho vinha. O que era aquilo? Uma festa?

Antes de poder responder a si mesmo em pensamento, a porta se abriu, fazendo com que Scott se inclinasse para dentro do cômodo devido ao apoio que estava tendo ali.

— Oh, Andrew... o menino... — O senhor que abriu a porta intercalava seu olhar entre o Duque de Iorque e Scott.

As risadas e conversas paralelas pararam e o mais puro silêncio se instalou ali. Assim que recompôs sua postura, Scott pôde analisar melhor o ambiente em que estava.

Era uma sala enorme, com baixa iluminação, uma música suave, quase um folk, quase um jazz, tocava ao fundo. E lá estavam diversos homens de terno, dos quais Scott reconhecia facilmente pelo horário nobre político e outros das manchetes de socialites e celebridades. O homem que abriu a porta, Scott reconheceu como Jeffrey Epstein.

— Desculpe, estava passando e ouvi vozes eu... não queria interromper. — Assim que tomou o fôlego para pronunciar estas frases, um cheiro forte subiu no olfato do garoto. Ele não sabia dizer ao certo o que era pois o cheiro parecia uma mistura dos mais diversos odores. Mas ainda assim, pôde reconhecer algumas drogas entre eles. — Já estou saindo, não queria interromper.

Parker saiu pela porta, sendo automaticamente seguido por seu tio.

— Hey Scott, — Chamou ele fechando a porta atrás de si. Scott que estava no meio do corredor virou-se para ele. — Achei que estivesse dormindo.

— Estava. Mas já vou voltar para o quarto, não se preocupe.

André se aproximou do sobrinho. Scott pressentiu que uma bronca estava por vir, mas se surpreendeu com o tom do Duque.

— Não precisa falar comigo assim, está tudo bem — André analisava o sobrinho e como seus olhos intercalavam entre ele e a porta atrás de si. — Acho que reconheceu alguns daqueles cavalheiros na sala, não é?

— Alguns — Respondeu, percebendo que seu tio aguardava por mais palavras. — São da Elite. Ou celebridades e socialites americanos...

—Você possui um grupo de amigos, Scott?

O garoto se constrangeu com a pergunta.

— Claro — Mentiu.

— Bom, é isso que somos. Um grupo de amigos que se reúne eventualmente para... se divertir. — Scott assentia. — Quantos anos você tem mesmo?

— Onze.

Andrew assentiu.

— Nessas reuniões utilizamos alguns, bom, meios, para diversão. Temos cassino, apostas e... bom, drogas. Algumas, talvez, não legalizadas no país. — Scott ia se pronunciar, porém seu tio continuou — Quando somos adultos, Scott, o mundo pode ser... completamente entediante. Restrito. Ainda mais para pessoas como nós, que temos tudo mas não podemos fazer nada com o que temos porque qualquer passo em falso é motivo para um massacre midiático. Isso é tão estressante. Estou lhe contando isso porque um dia você irá crescer. E vai precisar desse clube também. Saiba que é muito bem vindo, no legado da família.

— A tia sabe disso? — Perguntou o jovem, ainda tentando assimilar tudo que acabara de ouvir.

— Sabe, claro que sabe. Mas não participa, o clube não teria graça se virasse um evento de dona de casa— Falou ele tentando soar engraçado.

— Meu pai... também faz parte do clube?

— Sim, vez por outra ele aparece para socializar. — A porta da sala se abriu novamente e um homem acenou para Andrew com a cabeça como que apressando ele. Scott o reconhecia das capas de negócios e ciência da Forbes.  — Me procure de novo quando for maior de idade e te oficializo no nosso clube, ok? Agora acho que já está no seu horário, não é?

— Sim, já vou indo.

— Oh, e por favor, Scott, lembre-se que tudo que ouviu ou quem viu aqui é confidencial, ok? Não saia contando para seus amigos.

Que amigos?

— É claro, pode deixar.

Scott afastava-se do Tio sem olhar para trás, mas sentia que seu olhar ainda estava sobre ele. O garoto deu a volta e subia novamente pelas escadas. Pôde ouvir Andrew finalmente dando seus passos de volta para aquela sala. Chegando no topo da escada, ouviu seu tio dizer, provavelmente ao homem que havia aberto a porta anteriormente:

— Avise a Ghislaine para não trazer as encomendas hoje.

Scott pressentia que seu tio havia contado para seu pai sobre sua breve interrupção na festinha dele. Pois, assim que foi o buscar, Harry sussurrou para o filho:

— Você não cansa de ser um problema, não é menino?


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Aos catorze anos, Scott ainda estudava em casa mas passou a ter mais liberdade e contato com os outros jovens da vizinhança. Naquela idade, chamava mais atenção que muitos rapazes mais velhos. E ele tinha total ciência disso.

Em um dos fins de semana durante as férias de verão, Parker convidara uma garota em quem estava interessado para passar alguns dias no rancho de sua família. Porém a recepção não foi das mais calorosas.

— Scott, não! Não pode sair dando seu sobrenome para primeira garota que conhece em uma festa. Não me importo com o que faça com ela, na rua ou em qualquer outro lugar. Mas aqui, junto com a nossa família, você só me apareça com uma garota de família... equivalente.

Estas foram as palavras de seu pai, quando pedira a permissão de levar a intercambista Livia Gonzales para o rancho.

O garoto assentiu, como sempre fazia.

Quando o fim de semana chegou, Scott alegou que estava doente e não poderia ir com a família. O garoto ficou sozinho em casa, mas assim que todos saíram, ele ligou para Livia.

Ela era mais velha e possuía autorização para dirigir e ficou mais do que encantada quando Scott a deixou tirar a Mercedes Benz da garagem para juntos irem até a casa de praia dos Parker's.

Chegando lá, Scott logo tirou o sorriso do rosto, observando vários carros na garagem e uma mini Van estacionados.

Ele pediu para a garota aguardar no carro e seguiu até a portaria. Identificou-se apenas como Parker, que foi o suficiente para o porteiro olhar  uma lista e o liberar, com o cenho levemente franzido. Scott conhecia aquela expressão, era a mesma de quando ia comprar bebidas com uma identidade falsa.

Conforme ia entrando, reconheceu o carro de seu tio André.

Maravilha. Pensava Parker, ironicamente. Ele estava promovendo mais um de seus eventos do seu clubinho secreto justo hoje.

Bufou desanimado, pronto para dar meia volta. Mas então, percebeu uma estranha movimentação. Saindo da van estacionada, lá estavam cerca de oito garotas, algumas aparentemente até mais novas que ele, indo em direção a casa, guiadas por uma outra jovem adulta.

Pouco depois que elas entraram, Scott seguiu para o mesmo caminho.

E lá estavam eles.

A famosa Elite Européia, os famosos homens de terno em roupas de praia com o maior dos sorrisos no rosto, assim que a primeira jovem entrou em seu campo de visão.

"Nessas reuniões utilizamos alguns, bom, meios, para diversão..."

Scott lembrara das palavras de seu tio para ele quando mais jovem e sentiu seu estômago revirar.

As garotas pareciam desconfortáveis, mas algo que a jovem mulher sussurrou para elas pareceu servir de incentivo. Ou ameaça.

Alguns homens se levantaram e foram ao encontro delas. Algumas eram chamadas pelo próprio nome. E com a maior das cordialidades, um a um, eles entram na casa acompanhados das jovens meninas.

Entre eles, lá estava seu tio, conversando com uma jovem loira que sorria nervoso.

Scott sabia o que era aquilo. Não queria acreditar. Queria correr. Queria ajudar. Será que acreditariam nele?

O garoto então deu alguns passos para trás, afim de sair da mesma forma que entrou. Sem ser visto. Entretanto ele acabou trombando com uma das garotas que voltava vestindo um biquíni, e acabou a derrubando.

— Desculpe, desculpe — Dizia ele, um pouco em choque e em dúvida se a ajudava a levantar.

A menina olhou para ele e seus olhos arregalaram. Scott pressentiu que foi reconhecido. Com um salto, ela se levantou, mas não tirou os olhos dele. Ela sabia que ele não deveria estar ali. Por isso, não pensou duas vezes antes de sussurrar, quase que de forma inaudível, em um sotaque de quem não tinha o inglês como a primeira língua:

Socorro.

Scott gelou. Se havia alguma dúvida, agora estava tudo claro até demais.

— Parker?

A voz que surgira atrás de Scott assustou tanto a ele quanto a garota que, no segundo seguinte, já voltou a seguir para onde estava indo.

— Tio Andre.

— O que está fazendo aqui? — Perguntou. Dessa vez, o tom era bem diferente de quando o flagrou com onze anos.

— Que merda é essa? — Falou o garoto, com toda sua indignação.

— Você não devia estar aqui.

— Não, vocês não deviam estar aqui. Essa casa é nossa! — Retrucou. — Aliás, achei que eu fosse muito bem vindo no seu clubinho. É isso que vocês chamam de diversão? Prostituição de menores?

O Duque arrastou Scott pelo braço até que se afastassem o suficiente para aumentar o tom de voz sem chamar atenção.

— Você é uma criança Scott, não entende nada desse mundo...

— Não venha me aconselhar com todo esse papo de: "um dia você vai entender"...

— Não estou aconselhando, estou ameaçando — Retrucou Andrew, fazendo Scott engolir em seco. — E repito, você não entende nada desse mundo. Isso aqui, tudo isso aqui, existe há muito tempo. Muito antes de mim e certamente muito antes de você. Você não precisa fazer parte, mas já está envolvido desde do dia em que nasceu. Isso tudo é mantido pela Elite, essas garotas não estão aqui porque foram achadas na rua, elas são patrocinadas pelos mais diversos e famosos nomes. Se eu cair, se qualquer um desses nomes cair. Você cai também. O segredo também é seu agora. Quer bancar o herói e contar para todo mundo? Boa sorte. Você é uma criança. — Andrew se aproximou de Scott — Não seria o primeiro e muito menos o último a tentar mas, olhe em volta. Não é difícil saber quem ganhou a briga.

Andre se retirou e deixou Scott ali sozinho, pois sabia que o menino não era mais uma ameaça.

Consternado, Parker retornou para a entrada da casa onde Livia o aguardava dentro do carro. Assim que ele se aproximou, a garota abaixou os vidros.

— O que houve? Não podemos entrar? — Perguntou ela.

— Vamos embora.

A menina fez as mais diversas perguntas porém o garoto permaneceu em total silêncio todo o trajeto até a sua casa. Assim que chegaram, Parker viu o carro de seu pai. Óbvio que seu tio o chamou.

— Pode ir embora — Falou Scott para Livia.

— Embora? Pensei que nós...

— Pode. Ir. Embora. Tchau. — Repetiu pausadamente.

— Tá mas, preciso colocar o carro na garagem, não vai abrir pra mim? — Indagou-se ela.

— Pode levar. É seu. Vende e faz alguma coisa ou sei lá. Se alguém perguntar, nunca saímos hoje.

— Está usando o carro para comprar meu silêncio? — Ela perguntou em tom de brincadeira, quase sedutor. Estava achando aquele Scott totalmente excitante.

— Sim. E estou pagando bem mais do vale — Scott suspirou. — Vende, investe em alguma coisa pra não precisar mais sair dirigindo o próprio carro.

A menina tirou o sorriso do rosto, vendo que ele falava sério. Sentiu-se ainda mais humilhada quando Parker simplesmente seguiu seu caminho entrando na mansão sem ao menos se despedir.

Assim que entrou em casa, viu seus pais o aguardando na sala de estar, com o semblante sério e indecifrável para qualquer um que não fosse da família. Mas ele já sabia o que estava por vir. Sabia o que ia ouvir.

— Acho que chegou a hora de você entender o que significa ser um Parker, Scott — Falou seu pai.

A partir daquele dia, Scott incorporou tudo o que significava "ser um Parker"  para sua família e a mídia. Guardou o segredo. Deixou de estudar em casa e passou a frequentar Eton.

Naquele dia, Scott Parker optou por simplesmente desligar os seus sentimentos e, de alguma forma, isso o tornou um personagem de motivo de orgulho ao seu pai. Ele sabia que tinha tudo, e então passou a usufruir de tudo. Festas, bebidas, drogas e as mais belas modelos como acompanhantes. Em Eton, o garoto era uma lenda, nas revistas, um príncipe desejado. A indiferença passou a ser parte de sua personalidade e era o que o ajudava a não encarar os demônios de seu passado. A clara rejeição do pai, a falta de amigos e a falta de coragem para defender e ajudar aquelas garotas.

Toda noite, ele tentava afastar de sua mente aquela jovem e seu sussurro desesperador de socorro.

Mas no seu inconsciente, ele pensava que, se tudo desse certo, um dia, o nome Scott Parker teria influência o bastante para enfrentar a Elite Européia e seus homens de terno.

Aquele dia se iniciou quando os Parker's mudaram-se para Cambridge.

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