SIRIUS O. BLACK III
...
- Madame P., a senhora está muito ocupada? – perguntei ao entrar no escritório dela, que ficava na parte mais escondida da enfermaria.
- Meu único paciente nesse exato momento está num sono profundo lá fora.
- Eu percebi quando entrei – falei com um sorriso inconsciente se criando em meus lábios. – Ele teve um pesadelo de madrugada e ainda deve estar cansado por causa do...
- Sim. Sim. Ele me contou. – Assenti e ela sorriu. – Trouxe a mochila?
- Sim, senhora. – A estendi e Madame P. a pegou, colocando mais três frascos dentro dela.
- Quer mesmo fazer isso lá?
- Acho melhor. A senhora deve concordar que toda a movimentação que ele faz até aqui piora os cortes, certo?
- Sem dúvida.
- Sem contar que o James é ótimo em transfiguração, então dá para gente arrumar a casa de uma forma confortável depois do sol nascer.
- Com certeza. – Ela me entregou a mochila de volta e eu não consegui conter minha curiosidade:
- Por que a senhora pegou mais poções?
- Sempre é bom ter poções extras, Sirius.
- Entendi...
O frasco de coloração lilás era a super poção de cura, conhecida como a melhor para se curar ferimentos extremamente graves. Ao seu lado esquerdo, estava o frasco púrpura, facilmente reconhecível como a Poção limpa-ferida. Do lado direito, se localizava o frasco vermelho-sangue, e como a própria cor já dizia, era a Poção de reposição de sangue.
- Me sinto na obrigação de avisar que é melhor vocês levarem alguns lenços, cobertores e... roupas para lá.
- Roupas? – Madame Pomfrey assentiu.
- Remus sempre deixa as roupas do dia seguinte aqui na enfermaria e eu levo ao ir para lá, mas como vocês vão ajudá-lo, e só depois trazê-lo até aqui, seria bom se o ajudassem com isso também.
- Ele tem que ficar... – me interrompi no mesmo segundo ao sentir meu rosto corar. Aquilo era tão invasivo com ele e eu nunca tinha parado para pensar em tal situação.
- Tem – disse, simplista.
- Eu... er... não sei o que dizer...
- Não acho que o Remus gostaria de contar algo assim para vocês.
- Certamente não... Ele morreria de vergonha.
- Ele já sabe que vocês vão até lá, não é?
- Nós chegamos a comentar na última lua cheia, quando deixamos ele em frente do Salgueiro, que queríamos ajudar mais e como ele percebeu que não mudaríamos de ideia, aceitou.
- Vocês nunca entraram na casa?
- Ainda não, mas sabemos como entrar.
- Remus deve ter mostrado para vo...
- Na verdade... ele falou e a gente tentou. James conseguiu na segunda tentativa. O quatro olhos é extremamente bom de mira!
- Isso é bom. Só tomem cuidado para não serem vistos e nem acertados pelos galhos da árvore. Ela não é muito grande ainda, mas já machuca.
- Nós estamos tomando o máximo de cuidado possível.
- Acho bom mesmo – disse, sorridente. – Suas aulas de hoje já acabaram?
- Sim.
- Remus perdeu muita coisa? – Ela sempre fazia isso... Brigava com ele por estar indo nas aulas ao invés de descansar e quando ele descansava ficava preocupada com as aulas perdidas.
- Eu, Peter e James anotamos as coisas para ele... A única aula que o Rem perdeu foi Aritmância. Nós três temos aula de Adivinhação nesse horário.
- Você conhece alguém que faz essa matéria também?
- Acho que a ruiva... – Madame P. arqueou as sobrancelhas e eu me corrigi no mesmo segundo: - Evans. Lily Evans. É a única que eu acho que iria gostar de fazer uma matéria tão chata.
- Ela é sua amiga também?
- Não. Ela não gosta de mim e nem do James, por mais que tenha que nos aturar por causa do Remmie.
- Ela esteve aqui hoje.
- A Evans?
- Sim. Tenho certeza que em breve sua amiga Mary também virá pelos mesmos motivos.
- Ah... Entendi. – Assenti freneticamente e ela riu de mim. – Mary morria de medo disso acontecer com onze anos igual aconteceu com a Andy. E agora ela já está com quase treze e nada ainda.
- Andrômeda Black...?
- Tonks – corrigi, sorrindo. – Ela agora é Andrômeda Tonks.
- Ah, claro. Tinha me esquecido que ela se casou com Edward. Fiquei sabendo que ela estava grávida... A criança já nasceu?
- Sim. Dora nasceu em agosto e a Andy mandou uma carta para mim, Reg e Mary... contando que ela é uma metamorfomaga.
- Dora?
- Nymphadora Tonks, minha priminha.
- Vejo que está feliz por Andrômeda.
- Muito! Ela sempre quis ter uma filha chamada assim... Era o sonho dela ter o "presente das ninfas" junto de si... É nisso que dá ser apaixonada por mitologia grega desde criança. Mas, para alguém que tem o nome de uma galáxia e constelação, dar o nome da própria filha se baseando em mitologia não é nada bizarro.
...continua no próximo capítulo...