Pov Juliette...
Eu sentia que algo estava errado, eu sentia. Desde que eu havia chegado naquele refeitório, que eu vi os olhares daqueles meninos pra mim...ali eu entendi que algo estava errado. Eu só não sabia que o erro seria ser acusada de porte ilegal de maconha tendo que passar não só por uma cena humilhante na frente de todos, como ter minhas coisas invadidas, remexidas, jogadas como se eu fosse uma delinquente, uma qualquer.
Eu já estava esperando pelo pior, perder minha vaga, ter que sair do país, ser presa, inúmeras coisas começaram a se passarem pela minha cabeça me dando a certeza de que alguma dessas aconteceria depois que vi a gerente achar a bolsinha com cigarros de maconha. Vi minha vida virar de ponta cabeça junto com o bolsinha que a gerente virava para fazer cair os cigarros, mas o que Sarah fez? Não...
- Pode me explicar melhor, Professora Sarah? Porque essa bolsa está sob posse da Srta.freire se pelo o que está dizendo ela lhe pertence? - cruza os braços.
- Claro! - limpa a garganta - Cada professor antes da viagem precisaram escolher um aluno para ser o segundo supervisor dos alunos...digamos que um braço direito, já que nós não podemos ficar em todos os lugares ao mesmo tempo, então, precisávamos recorrer a ajuda dos próprios. Juliette acabou de chegar na cidade, na faculdade, não conhece quase ninguém. A escolhi porque sabia que ela não esconderia o erro de ninguém por serem seus amigos, colegas, etc...
Enquanto outros poderiam passar o famoso pano para o erro do amigo. - olho para Sarah que se mantém firme, sequer olha para o lado - O ônibus que nos trouxe até aqui é dividido em dois andares, o de cima foi reservado para mim e para o aluno que eu escolhesse, no caso, Juliette.
- Certo, mas isso não explica o fato de como a maconha foi parar nas coisas dela.
- De fato! Mas continuando...- fica alguns segundos em silêncio antes de coçar a garganta - Eu e Juliette dividimos o mesmo local, eu tomei um remédio para me ajudar a dormir, devo ter acordado meia zonza no meio da viagem, havia também usado a substância para me acalmar pois tenho enjôos durante a viagem e devo ter me confundido colocando na bolsa da aluna.
- e como não notou o desaparecimento se sabia que era algo proibido aqui dentro e deveria tomar cuidado?
- Eu estou cuidando de mais de vinte alunos, sequer paro no meu quarto, não tive tempo nem de mexer nas minhas coisas direito...acabei esquecendo, como eu disse, cheguei ainda sob efeito do remédio, aconteceu tudo muito rápido.
- E você tem como provar que essa bolsa é sua?
- Sarah me olha e volta a olhar para gerente - Claro...se puder me acompanhar.
Olho apreensiva para Sarah, a gerente assente passando por nós duas, abrindo a porta e saindo na frente, Sarah se vira para sair e seguro em seu braço a fazendo parar e olhar para mim.
- Não...- sussurra.
Sinto as lágrimas correrem por meu rosto, Sarah apenas olha para o meu ato e vira o rosto para saida, Solto seu braço e ela acompanha a mulher,fico alguns segundos tentando processar tudo o que acabou de acontecer, mas saio pelo corredor apressada para acompanhá-las até lá.
Pov Sarah...
Ando por esse corredor tentando articular meu próximo passo, sinto meu sangue ferver, meu corpo soar, é um misto de nervoso, raiva, agonia, mas apenas engulo todas essas sensações e não transmito nada além de calma e destreza para mulher que me observa abrir a porta do meu quarto.
- Espere um momento...
Vou até minha mala, abro pegando de dentro uma pequena bolsa vermelha, levanto me virando para gerente e vejo Juliette aparecer atrás dela, me aproximo enquanto abro o objeto e entrego em suas mãos.
- Essa bolsa vem junto uma carteira e uma bolsinha de moedas, no caso, a carteira como pode ver está naquela cabeceira - aponto com a mão - o saquinho...bom...a senhora já sabe.
Pego meu celular pesquisando o nome da bolsa, clico na foto virando a tela para mulher que analisa meneando a cabeça em seguida em claro sinal de decepção.
- Professora...preciso que me acompanhe até meu escritório. - Diz sem me olhar nos olhos.
- Claro! - assinto - podemos ir?
- É...por favor...eu posso falar um minuto com a professora Sarah? - Juliette diz algo pela primeira vez desde que chegou e a olho.
- Creio que não será possível, Juliette...- Diz a gerente.
- Por favor... há dois minutos atrás eu estava mais envolvida nessa história do que ela...eu preciso. - vejo seus olhos encherem d'água.
A gerente nos olha e assente, sem dizer nada sai fechando a porta me deixando com a menina que observa o ato da mulher e após isso olha para mim.
- O que quer? - torço o lábio.
Juliette não diz nada, apenas vem até mim me abraçando, fico imóvel, não retribuo, apenas encaro um ponto fixo do quarto sem saber como reagir a menina que chora alto agarrada ao meu corpo. Juliette me solta para me olhar nos olhos, sua maquiagem borrada, olhos vermelhos denunciam o nervosismo da garota que não para de tremer.
- Por que? - sussurra.
- Não sei do que está falando...- desvia o olhar.
- Não era para ter feito isso... - diz aos prantos.
Senti meus olhos queimarem, olho para o chão, depois para o lado na tentativa de desviar minha atenção da mais nova, de não deixar ruir minha postura.
- Volte para suas amigas.
- Sarah...
A gerente abre a porta e nós olhamos para ela.
- Temos que ir.
Juliette me olha meneando a cabeça em negação, ela fecha os olhos deixando mais lágrimas caírem e passo por ela seguindo a gerente.
Pov Juliette...
Sarah fecha a porta e sento na cama colocando a mão sobre o rosto, soluço deixando as lágrimas caírem, choro alto com todos os sentimentos correndo ao mesmo tempo aqui dentro. Confusão, medo, tristeza, receio...
Olho para a mala aberta de Sarah, vejo suas roupas, olho para sua cama bem feita e observo o quarto que presencia uma Sarah que mais ninguém tem a oportunidade de ver...mas que eu vi...eu sei que existe. Abaixo a cabeça lembrando de tudo, desde o momento que acordei, me arrumei, fui para o refeitório, desde o momento que percebi que algo estava errado.
- Espera...- levanto. - Mas é claro...
sinto uma raiva enorme me consumir, meus pensamentos trabalham no que minha intuição me apontava e em um ato impulsivo abro a porta saindo correndo para o refeitório.
Olho para o local, corro meus olhos por todos os lugares não o vendo aqui, saiu correndo em direção a saída escutando alguém me chamar, mas não dou ouvidos e vou em direção a piscina. Chego vendo o rapaz que Sarah chamou atenção ontem à noite rindo com os amigos perto da piscina, fecho minha mão vendo o sorriso cínico dele direcionado a mim e vou na sua direção
- Tudo bem, supervisora? - sorri tendo como coro a risada dos seus amigos.
Me aproximo o empurrando, ele cai dentro da piscina e todos que estão ali voltam sua atenção para mim e para o menino que volta para superfície puxando o ar para os seus pulmões.
- O que deu em você?
- VOCÊ FEZ AQUILO, VOCÊ É O RESPONSÁVEL. - Grito.
- Do que você tá falando, maluca? - diz saindo da piscina.
- VOCÊ ARMOU AQUILO TUDO PARA QUE EU FOSSE EXPULSA, AQUELAS DROGAS SÃO SUAS.
- Minhas? - Ironiza - Por que estavam no seu quarto então? Cuidado...o pessoal pode achar que descumprimos uma das regras. - sorri malicioso - bom, no seu caso, duas...
Seus amigos começam a rir e sinto meu rosto arder em ódio e vontade de chorar, me seguro para não dar um murro na cara dele e sinto alguém tocar meus braços.
- Vem Ju, por favor... - Diz Camilla.
Me viro sendo abraçada de lado por Camilla e me afasto sobre piadas e risos do garoto e seu bando.
Pov Sarah...
- Entre, por favor. - Diz a gerente me dando espaço para passar na sua frente enquanto segura a porta para mim.
- Obrigada!
Me sento em frente a sua mesa vendo-a tomar o seu acento atrás do móvel.
- Você sabe que vou ter que acionar o seu chefe...
- Sei...e não irei me opor a isso, porém, tenho um pedido a fazer...se possível.
- Faça...
- Que conte a ele daqui duas horas.
- Como assim? - diz confusa.
- É o tempo que tenho para arrumar minhas coisas, me despedi dos meus alunos...eles não vão entender nada se eu apenas sumir sem dar sequer uma explicação. Se contar agora, Boninho vai pedir que eu saia imediatamente daqui, podendo até me ameaçar com polícia.
- não sei se posso...
- Por favor, estou apenas pedindo que deixe-me me despedir deles...foram quase dois anos juntos, não posso sair assim...- digo deixando algumas lágrimas caírem.
Ela me olha pensativa, seus olhos me analisam e vejo sua postura ruir me vendo nesse estado.
- suspira - Tudo bem...você tem uma hora.
- Obrigada - sorrio de canto.
Ela assente e me despeço indo até a saída, abro a porta a fechando e me viro, seco minhas lágrimas e sorrio de canto vitoriosa pela minha cena ali dentro ter funcionado, mas o sorriso some assim que lembro quem é o verdadeiro responsável por essa situação. Olho para todos os lados enquanto caminho na direção oposta...do corredor dos quartos femininos.
Pov Juliette...
Me deito na cama abraçando meu travesseiro, sinto Camilla acariciar meu braço sentando-se atrás de mim enquanto as meninas arrumam minhas coisas.
- O que aconteceu, Ju? - pergunta.
- Eu não sei, Cami...-sussurro.
- Encontraram a maconha com você? - Carla pergunta sentando na sua cama ao lado da minha.
- Uhum...
- O que vão fazer agora? - Pergunta Camilla.
- comigo? Nada...- suspiro tentando segurar as lágrimas - Mas com Sarah... - sussurro.
- A professora? - Carla pergunta confusa entreolhando Camilla, Tais e Viih.
- Eu não quero falar sobre isso, por favor...- digo sentindo um nó na garganta.
As meninas assentiram, não entendendo, mas respeitaram minha decisão de não querer contar nada agora. Elas permanecem comigo por uns trinta minutos antes de sairem para almoçar depois de tentarem me convencer a ir junto. Sento na cama pensando em como Sarah deve estar, o que está fazendo, já se passaram quarenta minutos desde que ela assumiu a culpa por mim e acompanhou a gerente, desde que a vi pela última vez e desde então, pelo o que as meninas vem me atualizando por mensagens...ela não está em lugar algum.
- Por que fez isso por mim? - sussurro.
Uma pergunta que sabe-se-lá um dia será respondida, não sei qual será o destino de Sarah e muito menos se voltarei a vê-la, essa dúvida me causam sensações estranhas, sinto um desconforto no peito só de imaginar que não vou mais provocá-la, tirá-la do sério, me atrapalhar na sua frente...ou ter uma nova chance de arrancar um riso contido da mulher que mesmo tão séria, reclusa e fria...tomou a frente das consequências que eram para serem minhas. Volto a deitar abraçando novamente meu travesseiro, fecho os olhos sentindo-os pesados pelo choro de minutos atrás e não vejo mais nada.
Pov Sarah...
Me ajeito na cadeira quando ouço o barulho da porta, vejo a maçaneta girar e um jovem alto, bronzeado, do cabelo preto entrar com seu sorrisinho esnobe enquanto seca seu cabelo, mas o sorriso dá lugar a uma expressão assustada quando seus olhos encontram os meus.
- O...O que tá fazendo aqui?
- Entre, feche a porta...vamos conversar. - digo calma, um sorriso de canto predatório surge em meus lábios.
- Vo...Você não pode estar aqui, eu vou chamar a gerente. - diz olhando para os dois lados do corredor a procura de alguma alma viva.
- Sabe Nicolas...é esse seu nome, certo? - me levanto - Eu verdadeiramente duvidei da sua capacidade naquele refeitório.
- como assim?
- sorrio de lado - Na verdade, acredito que eu tenha duvidado da capacidade dos seus pais...porque você é tão previsível e inútil que não sabe sequer fazer uma armação digna de não ser pego.
- Você tá doida? Do que tá falando? - Diz rápido, visivelmente nervoso.
Vou calmamente até sua cama pegando seu ipad, olho para Nicolas vendo sua pele se esbranquiçar, seus olhos se abrirem em espanto, mas ele ajeita sua postura tentando mostrar indiferença sobre a situação.
- Fiquei me perguntando...quem era a pessoa que viu Juliette correndo no corredor de madrugada, já que a denúncia anônima falava sobre ter visto a aluna nesta situação dando claramente a entender que ela estava sob efeito de alguma substância para dar mais...sustancia a denúncia?...Não?
- Tá - dá de ombros - mas o que eu tenho haver com isso?
Desbloqueio o ipad do garoto entrando no seu aplicativo de mensagens que ele deixou pareado - Pronto filho, está no vaso ao lado do portão de entrada - olho para ele lendo as mensagens em voz alta.
- e daí...o que tem demais nessa mensagem?
- A mensagem foi enviada quatro e vinte da manhã, e por coincidência...fui olhar os stories de todos os seus amigos que estavam fazendo uma digamos...festinha aqui dentro, e durante um dos vídeos quem estava saindo do quarto minutos antes? - sorrio de canto.
- Isso não prova nada, não pode me acusar.
- não posso? Onwt... - faço um bico, e sorrio mexendo no meu celular virando a tela para ele - seus pais fizeram o trabalho de subornarem os seguranças do controle de câmeras, nem sequer me dei o trabalho de correr atrás de imagens cortadas, manipuladas e editadas. Sei muito bem de quem é o filho que resolvi mexer - vejo-o soar - Está vendo isso aqui? São as câmeras do outro lado da rua.
Coloco o vídeo para rodar, nele mostra um carro estacionando um pouco longe do portão de entrada do resort, não aparecendo por completo nas câmeras, uma mulher desce e com ela está uma bolsa vermelha no braço, ela se aproxima do vaso, olha para os dois lados, alguns segundos para dentro do resort e tira algo de dentro da bolsa voltando para o carro e dando partida depois de deixar o objeto para trás.
- ah, Essa é minha parte favorita... - sorrio para o garoto que olha atônito para a continuação do vídeo.
Nicolas aparece dois minutos depois pegando o objeto de dentro do vaso, pauso o vídeo dando zoom e viro para ele mostrando o que aparece em suas mãos.
- Pesquisei sobre sua família Nicolas, não é só vocês que tem contatos influentes. Você já foi preso por tráfico de drogas, passou três anos detido, seus pais usaram metade da fortuna da família para abafarem o caso, e se mudaram para fora do Brasil já que seu pai é C&O de uma das maiores empresas de exportação do país. não foi difícil construírem um império aqui, não é? Uma vida nova... - estreito os olhos - Mas...como diz um clássico ditado brasileiro; pau que nasce torto, nunca se indireita....
Abro novamente o ipad do garoto, deslizo meu dedo sobre a tela clicando em um grupo feito por ele.
- Ei, Nicolas, quando vai trazer aquela parada que te encomendei? - Leio em voz alta e olho para ele - Amanhã, vou deixar atrás da privada no banheiro perto da sala de informática.
Nicolas vem até mim tirando o Ipad da minha mão, ele joga no chão quebrando o aparelho e arqueio as sobrancelhas, sorrio de lado e balanço a cabeça negativamente.
- Nicolas...Nicolas...não subestime minha inteligência.
- O QUE VOCÊ QUER? - altera a voz, vermelho de raiva.
- Não sei...que tal...reportar ao direitor a venda de drogas que anda rolando na faculdade? Ou melhor...a polícia? - sorrio de canto - O que seus pais vão achar disso, Nicolas? Mais um escândalo...mais um processo. Espero que tenha separado seu passaporte, qual vai ser o próximo país a te receber? - Ironizo.
- Você não vai fazer isso, meus pais acabariam com você.
Me aproximo dele ficando bem próxima, olho em seus olhos séria, vejo-o engolir seco, sorrio de canto e toco em seu rosto dando dois leves tapinhas.
- você tem vinte minutos para sair daqui e ir confessar o que fez para gerente, ou esse vídeo e todos os prints da suas vendas, das coisas que já fez dentro e fora daquela falcudade serão expostas na internet.
Ele não diz nada, vejo a veia da sua testa saltar, seus olhos se encherem de lágrimas, pisco para ele caminhando até a porta e saio daqui indo para o meu quarto arrumar as malas com um sorriso satisfatório nos lábios.
Pov Juliette...
- Ju, acorda...ju..- Carla me balança agitada.
- Hã? Que foi? - me sento sonolenta, coçando meus olhos.
- Aquele menino, o que a professora Sarah repreendeu pelo o que fez com o funcionário da faxina...
- O que tem ele?
- Está agorinha arrumando a mala, ele admitiu que é o dono da bolsinha com a maconha, que fez uma brincadeira de mau gosto, que não era a intenção causar tudo isso e blá blá blá...
- O que? - digo despertando - E Sarah? Cadê ela?
- Eu vim correndo de te contar,não a...
Não deixo Carla terminar, calço meu chinelo e saio correndo para o lado de fora. Apareço no saguão olhando para todos os lados, vejo a maioria dos alunos reunidos para entenderem o que está acontecendo, olho para o lado de fora vendo um carro parado e um homem grisalho encostado com seus óculos escuros mexendo no celular, olho para o escritório da gerente quando vejo a movimentação dos alunos olhando na direção e o menino sai de cabeça baixa puxando consigo a mala sendo seguido por ela até a saída.
Ele olha para o lado e nossos olhos se cruzam, vejo a raiva que ele carrega consigo indo em direção ao mais velho que apenas o olha, não diz nada e acena com a cabeça para gerente entrando no carro sendo seguido pelo menino. Volto a olhar para porta e vejo Sarah sair do escritório, ela observa o carro ir embora e olha para mim antes de se virar e ir em direção ao corredor dos quartos.
- Creio que devo um pedido de desculpas a você. - sou tirada dos meus pensamentos com a voz da gerente.
- Magina...estava fazendo o que precisava ser feito. - sorrio de lado.
- Já está tudo resolvido, então, aproveite as horas restante no resort...e me desculpe novamente - sorri simpática.
- Obrigada! - sorrio.
Ela assente e se afasta, olho para o corredor pensando se devo ir atrás de Sarah, mas sinto meu estômago doer me fazendo lembrar que não comi nada desde que a confusão começou, vejo as meninas virem na minha direção e caminho até elas.
Pov Sarah...
Ligação On...
- Você sabe o que fazer, Boninho. - digo arrumando minha mala que acabei bagunçando na pressa de encontrar a bolsa.
- Não posso simplesmente fazer isso Sarah, entenda, o menino é de uma família poderosa.
- Dane-se, eu não quero saber, ele pode ser filho do presidente dos estados unidos...- digo irritada.
- suspira - conversaremos melhor quando retornar de viagem.
- A conversa já está finalizada e decidida.
Ligação Off...
Não espero resposta, desligo o celular e o jogo na cama, me sento no chão me encostando sobre o móvel, suspiro passando a mão pelo meu cabelo e penso em como Juliette deve estar...mas isso irei descobrir daqui poucas horas que faltam para voltarmos a los Angeles
Anoitece...
Olho os alunos começarem a subir no ônibus, vejo os professores se despedindo da gerente o qual não fiz mais questão de dirigir a palavra pelo restante do dia e noto que Juliette não está entre os alunos.
- Carla... - A chamo quando vejo ela indo em direção ao ônibus.
- Oi, Professora! - sorri ao se aproximar.
- Onde está Juliette?
- Ela foi a primeira a subir no ônibus, disse que precisava de uns minutos sozinha já que o nosso quarto estava uma bagunça de tantas meninas. - dá uma risada contida.
- E...ela está bem? - mordo o canto da bochecha por não segurar meu interesse pela informação.
- Um pouco abalada, a conheço há poucos dias mas é nítido que ela é uma menina justa, não faria algo assim.
Não respondo nada, assinto sorrindo de canto, Carla diz um até logo se afastando para subir no veículo e depois que analiso se todos estão abordo, subo também.
- Antes de irmos, espero que o que aconteceu hoje sirva de aprendizado a todos...A colega de vocês não tem culpa pelas atitudes de terceiros e estava apenas cumprindo uma tarefa que lhe foi dada. Apenas.
Todos assentem, olho para cada acento checando mentalmente se estão todos aqui e noto a ausência de Juliette.
- Falta uma! - digo ao motorista - Abre essa porta - ele me olha - anda.
Ele abre e desço olhando para todos os lados, dou alguns passos para longe me perguntando aonde ela possa estar e a vejo encostada com a cabeça na janela na parte de cima do ônibus. Suspiro e volto para dentro.
- Podemos ir!
O motorista acente e caminho em direção ao andar de cima , subo os poucos degraus vendo Juliette de olhos fechados, fones de ouvidos e ainda com a cabeça encostada sobre o vidro, ela sente minha presença abrindo os olhos e olha para mim.
- Achei que tivesse decidido fugir de mais algumas aulas minhas para estender mais alguns dias nesse lugar. - Cruzo os braços.
- Sorri de lado.
- Por que está sorrindo?
Juliette suspira, tira seus fones os deixando sobre o banco, se levanta vindo até mim. Sua mão toca a minha juntando-as e olho para o ato antes de olhá-la, sua outra mão percorre meu rosto e ela sorri de canto com os olhos começando a encherem d'água.
- Eu tive tanto medo por você...Que bom que está aqui. - sorri de canto deixando uma lágrima escorrer por seu rosto.
Notas da autora:
Vocês não muitoooo persistentes, meu Deusss kkkkk, trocentas mensagens pedindo atualização...e o que vocês não me pedem sorrindo e sob ameaças (ksksks) que eu não faço com muito amor e carinho? COMENTEM, O QUE ESTÃO ACHANDO DA HISTÓRIA, O QUE ACHARAM DESSE CAP? O que vai acontecer agora? Estou AMANDO todos os comentários, a forma como estão interagindo com cada pedacinho da fic, isso me motiva e muito.
Obrigada por acompanharem, até a próxima...