Hey, docinhos!
Mais um capítulo para vocês!
Boa leitura!
Os erros concerto depois!
Narradora Point Of View
Thanksgiving day.
Se um dia alguém chegasse até si, e dissesse que hoje estaria sentada em volta de uma mesa cheia, Anahí certamente não acreditaria. Para ela, o jantar de acção de graças deixou de fazer sentido desde o momento em que a sua vida virou de ponta a cabeça, e não encontrava motivos para ser grata. Mas, ao acordar naquela manhã rodeada pelos braços de Alfonso, sentindo os seus bebês crescendo dentro de si, e ao receber um beijo de bom dia de Rosalie, percebeu que por mais difícil que fosse acreditar, ela tinha sim muito que agradecer. Não apenas pela vida, mas também pela oportunidade que o destino deu-lhe de encontrar pessoas maravilhosas ao longo daquela jornada que se mostrava cada vez mais longa e exaustiva.
_ Primeiro gostaria de agradecer a presença de todos vocês aqui em nossa casa.- Ela fitou cada uma das pessoas sentadas naquela mesa com um sorriso de canto, terminando em Alfonso que prontamente sorriu para ela com o mesmo encantamento.- Quando pensei na possibilidade desse jantar ser diferente de todos os outros que já vivi até aqui, o meu cérebro quase entrou em curto, mas aí eu percebi que nada mais seria como antes, e que a partir de agora em datas especiais e não só, nunca mais estarei sozinha.- Anahí encarou Nina que já se encontrava com os olhos marejados. Aquela troca de olhares entre elas simbolizava o inicio de uma nova fase. Uma em que a certeza de que Anahí finalmente encontrara a própria família era maior do que qualquer medo do passado voltar e assim atrapalhar o curso das coisas.- Então, muito obrigada por cada um de vocês ter me recebido de braços abertos e sem algum tipo de julgamento sobre quem eu sou, quem eu fui e quem pretendo ser.- Ruth e Armando sorriram em simultâneo.- Obrigada porque apesar de todo tempo que passou e dos desencontros da vida, vocês permaneceram do meu lado, segurando firme em minha mão, derramando as mesmas lágrimas que eu e partilhando a alegria das pequenas conquistas.- Dessa vez foram Nina, Lexie e Ian a sentirem-se tocados pelas palavras da escritora.- E muito obrigada porque com vocês, eu entendi que ainda tenho muito para dar a esse mundo. Obrigada por todos os sorrisos e lágrimas de felicidade que arranca de mim com extrema facilidade. Obrigada ainda, por me presentear com mais dois seres humanos.- Ela segurou a barriga por cima do vestido, atraindo para si o olhar de todos.- E por fim, agradeço por ter me dado uma filha maravilhosa.- Concluiu, a voz ligeiramente embargada. Rosalie simulou um beijinho no próprio ombro, obviamente se gabando pelo elogio, o que arrancou risos divertidos de Hannah e Haley que estavam sentadinhas ao lado de Ian.- Feliz dia de acção de graças!.- Desejou finalmente sorrindo.
_ Um brinde ao futuro!.- Mark ergueu a própria taça e todos repetiram o acto com sorrisos gigantescos nos lábios.
Logo após o discurso Ruth prontificou-se em fazer uma rápida oração de agradecimento. A mais velha foi precisa ao falar sobre o quão importante era manter a união familiar, amor ao próximo e o respeito mútuo, e no final agradeceu pela vida, saúde e pela oportunidade que cada um deve de chegar até ali.
A ideia inicial era que apenas a família de Alfonso estivesse presente naquele jantar de acção de graças, mas quando Ruth ligou dias antes avisando que houve uma pequena mudança no local do encontro, e que tudo a partir daquele momento seria feito no apartamento deles, Anahí meio que exigiu a presença da melhor amiga, incluindo nessa pequena lista Ian e as meninas que celebraram quando souberam que passariam aquela noite com a madrinha. Digamos que ela não queria sentir a falta de mais alguém importante naquele dia em especial, já que Mane optou por ficar perto de Marishelo.
No fundo Anahí sabia que aquela repentina mudança no lugar em que seria realizado o jantar tinha alguma coisa haver com a ligação que Alfonso fizera a Ruth, com a desculpa esfarrapada de que precisava tratar de um assunto importante. E mesmo não concordando muito com os métodos utilizados para alcançar tal feito, ela não poderia deixar de sentir-se grata por pela primeira vez, ver a mesa da casa deles cheia de gente. A impressão que tinha quando enxergava a tranquilidade e alegria no rosto dos sogros, quando ouvia a gargalhada contagiante da filha, ou quem sabe ainda quando flagrava o namorado olhando para si como se fosse o mundo, quando via o modo carinhoso com que Ian tratava a esposa e as filhas, assim como Lexie era tratada por Mark e a pequena Sofia recebia a soma daquele imenso amor, era que aquela felicidade certamente não caberia em seu peito pequeno.
E enquanto eles celebravam aquela data com risos, conversas animadas e fazendo planos para o futuro, muitos estavam derramando lágrimas, e outros simplesmente não sabiam o que fazer.
E Mane era uma dessas pessoas.
A sala do seu apartamento estava iluminada com a luz fraca que vinha do corredor, a mesa de jantar seguia posta com apenas dois pratos, algumas velas e uma refeição que mesmo tendo fome, não fizera questão de experimentar ou de saber o que era. O único som que se ouvia naquele momento era o da televisão que desde manhã estava conectada em um canal de jogo.
Ele desviou os olhos do celular, e fitou a mãe que observava as ruas da cidade pela janela enquanto abraçava o próprio corpo. Nada foi dito entre eles, e realmente não era preciso dizer nada. Em momentos como aquele, o silêncio dizia mais do que milhares de palavras bonitinhas. Para ele por exemplo, o silêncio dizia que se tivesse aceitado o convite da irmã, não estaria naquela situação. E para ela, aquele silêncio mortal, dizia mais uma vez que estava perdida e que provavelmente não existiam formas de reverter tudo o que já acontecera até ali.
_ Vou dar uma volta.- Ele anunciou, atraindo a atenção de Marishelo para si. A mais velha observou o filho sair do sofá em que estava sentado e caminhar até a pequena mesinha aonde encontravam-se as chaves.
_ Veja a que ponto chegamos.- Murmurou, a voz carregada de deboche.- O meu próprio filho prefere vagar pela rua ao passar uma noite importante como essa do meu lado.
_ A senhora percebe que a única coisa que sabe fazer ultimamente é reclamar de absolutamente tudo?.- Mane a encarou, o semblante neutro.- Eu cheguei até você, e contei que havia feito as pazes com a minha única irmã, e a única coisa que a senhora fez foi me acusar de ingratidão por supostamente ter tomado partido das dores dela em detrimento das suas. E mesmo apesar disso, eu recusei a chance de passar essa noite ao lado de pessoas bem mais alegres para ficar do seu lado, e olha aonde estamos.- Disse, observando mais uma vez o apartamento solitário.- Eu estou saindo agora, não porque prefiro ficar na rua ao ter que passar essa noite com você, mas sim porque no fundo do meu coração eu desejo não lhe odiar por causa dessas pequenas coisas. Então eu peço mãe, tenta melhorar ou muito em breve a senhora irá perder a única pessoa que ainda sente algum tipo de apresso por você.- Aconselhou, sem se importar com as lágrimas que escorriam dos olhos dela.- Feliz dia de acção de graças.
E dito isso, Mane foi embora.
A situação de Maite não era nem pior e nem igual ao de Mane. Ela não tinha mais a mãe para preparar o peru com o seu recheio preferido, mas em troca tinha um pai cuja cara preferia não voltar a ver nunca mais. Desde muito pequena, a morena aprendeu que o Thanksgiving era uma data para ser celebrada junto da família, dando graças por tudo que foi vivido ao longo daquele ano, por todos os problemas ultrapassados e principalmente pela vida. E mesmo sendo apenas os quatro, Bianca fazia questão de preparar uma mesa bem bonitinha com enfeites diversos, bolos e muitas outras coisas para celebrar aquela ocasião de um jeito bem legal.
E quando a mãe morreu, o que obviamente levou parte do coração de cada um deles, em todos os anos que passavam, sempre que chegasse aquela data, Maite se trancava no próprio quarto, fazia uma oração silenciosa e logo dormia. Para ela, não existiam mais motivos para celebrar quando um lugar ficou vazio naquela mesa, quando ninguém mais se preocupava em pedir a ajuda dela para escolher o cardápio para aquelas noites, como Bianca fazia.
E naquele dia, ela tinha a certeza de que passaria aquela noite sozinha, mais uma vez. Por isso quando anoiteceu, Maite preparou uma refeição simples, sentou-se a mesa e desfrutou da mesma com uma boa taça de vinho. Agradeceu novamente em silêncio por tudo que conseguiu alcançar naquele ano e quando terminou, optou por assistir alguma série até ter realmente sono.
No meio de todo aquele processo, ela recebeu uma mensagem de Mane lhe desejando um dia de acção de graça melhor do que o dele. O sorriso que brotou dos seus lábios foi quase que instantâneo. Rapidamente digitou um texto, dizendo que se ainda estava viva certamente era por algum milagre divino, mas que também lhe desejava um excelente dia de acção de graça. Efeito do vinho talvez.
Quando o álcool já começava a fazer algum efeito em seu organismo, o som da campainha ecoou por toda sala, assustando-lhe ligeiramente. Apesar da visão desfocada, Maite saiu do sofá e caminhou até a porta a passos cambaleantes.
_ Você?.- Ela murmurou surpresa e logo gritou quando um corpo magro colidiu como seu em um abraço desajeitado.
_ Viemos passar essa noite com você.- Angelique anunciou conforme esmagava o corpo da irmã naquele abraço. Maite pensou em perguntar o porquê dela ter colocado as palavras no plural, mas logo enxergou a figura imponente de Sebastian saindo do elevador com algumas sacolas, e atrás dele Verônica com o namorado.
_ Feliz dia de acção de graça, Maitezinha!.- A ruiva gritou sorridente enquanto se aproximava da porta.
Apesar de não conseguir expressar a satisfação ao vê-los ali mesmo dizendo que estava bem em casa, e o alivio ao perceber que não mais estaria sozinha, Maite sentia-se grata por aquela maravilhosa surpresa, por Angelique e Vero serem tão teimosas ao ponto de não respeitarem algumas das suas escolhas.
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Dias depois
Como era costumeiro, uma semana antes do natal, era realizado um jantar com todos os funcionários do Herrera's Hospital para assim fechar mais um ano com o mesmo sentimento de alegria. Apesar de ter sido o fundador daqueles jantares, logo após a aposentadoria dos pais, Alfonso não era considerado um homem festeiro.
Normalmente ele ia apenas marcar presença, e passadas exatas duas horas inventava qualquer desculpa esfarrapada para escapulir daquele lugar. Não é como se as pessoas que faziam-se presentes naquela confraternização não fossem merecedoras de sua companhia, pelo contrário. Alfonso apenas preferia perder noites lendo historinhas para a filha dormir, do que em festas rodeado de álcool e música.
Mas ao que tudo indica, naquele ano tudo seria diferente. Começando pelo seu surpreendente atraso.
_ Amor, fecha o meu vestido?.- Anahí perguntou com a voz manhosa, enquanto virava de costas para um Alfonso que se encontrava aborrecido.
_ Ana, nós já estamos atrasadas por uma hora!.- Ele resmungou pela milionésima vez, e observou a namorada caminhar até ao closet, após ter o vestido devidamente fechado, e regressar de lá com um salto da cor do vestido que moldava perfeitamente o seu corpo.
Ao contrário de Anahí que por não saber o que vestir, porque segundo ela algumas roupas já não lhe ficavam bem por causa do quadril ligeiramente acentuado, o que originou uma troca infinita de diversas peças de roupa, Alfonso ficara pronto desde os primeiros minutos em que decidiram arrumar-se para então seguir até o local em que aconteceria o jantar. Ele estava perfeito dentro do seu terno Armani, a barba rala por fazer e o cabelo ligeiramente bagunçado, para a felicidade dela.
_ Já estou pronta.- Ela anunciou terminando de calçar os sapatos de salto médio. Anahí imediatamente prostrou-se diante do namorado, e riu quando o mesmo correu os olhos por cada palmo do corpo dela, e em seguida suspirou embasbacado.
Apesar da irritação que estava sentindo pela demora dela, Alfonso precisou reconhecer para si mesmo que aquele vestido verde esmeralda de mangas compridas, fora definitivamente feito para aquele corpo. O modelo era totalmente transparente nas costas até ao fim da coluna e se estendia até aos pés dela, com uma fenda na lateral direita, e como consequência cobrindo os sapatos. Os fios castanhos chocolates, pendiam para o lado direito do rosto em cachos volumosos e bem cuidados.
_ Como estou?.- Anahí deu uma volta de 360º lenta, o que arrancou mais um suspiro dele.
_ Perfeita, Ana.- Alfonso murmurou enquanto depositava um beijo casto nos lábios dela para não borrar o batom vermelho.- Por favor, não saia de perto de mim.- Avisou com uma falsa seriedade e ela gargalhou enquanto caminhavam de braços dados para fora do quarto.
_ Estamos indo meu amor.- Anahí falou conforme se aproximava do sofá em que a filha estava encolhida por baixo de uma coberta.- Tem certeza que não quer vir com a gente?.- Ela observou a filha negar com a cabeça seriamente.
_ É tudo chato demais para toda animação que habita em meu corpo.- Rose respondeu enquanto erguia o corpo para observar os pais. E a reação não poderia ter sido melhor.- Puta que pariu! Vocês ficam perfeitos juntos.- Gritou arrancando uma risada da mais velha e uma careta de Alfonso pelo linguajar.- Todos os holofotes certamente estarão voltados para vocês.
_ Obrigada, pestinha.- Alfonso piscou o olho para a menor que riu com a pontinha da língua entre os dentes.- Por favor, não faça nada que eu faria caso estivesse com a sua mãe nesse sofá.- Ele recomendou divertido, e em troca ganhou um tapa no ombro.
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Como era de se esperar por ser um evento realizado por um dos hospitais mais conhecidos da cidade, a entrada do salão estava repleta de fotógrafos e jornalistas. E Rosalie nunca esteve tão certa em dizer que os holofotes estariam voltados para eles.
Assim que Alfonso desceu do carro e deu a volta para abrir a porta do pendura, para logo em seguida ajudar a namorada também a descer do carro, alguns fotógrafos os cercaram, fazendo a escritora quase perder o equilíbrio pela quantidade de flashes que os cegava. Alguns jornalistas imploravam por uma entrevista com os dois, mas ambos apenas preocuparam-se em caminhar de forma correta até ao interior do salão.
Anahí sabia que a chegada dos dois nunca seria encarada como algo banal. Por estar naquele mundo da fama a anos, tinha conhecimento de que, por não expor muitos detalhes da sua vida íntima, chegar em um evento daqueles com um homem que era considerado um dos médicos mais renomados do pais, certamente daria o que falar.
_ Achei que não fossem aparecer nunca!.- Lexie exclamou assim que os viu atravessando a porta.
_ Culpa da sua cunhada.- Alfonso cutucou a namorada que revirou os olhos enquanto cumprimentava e beijava o rosto de Lexie.- Pelos vistos a festa já começou a tempos.- Alfonso observou atentamente.
Conforme caminhavam até a mesa que fora reservada para eles ao lado de Lexie e Mark, Anahí olhava atentamente para todos os lugares, e sorriu agradecida quando alguns funcionários a cumprimentaram com gestos discretos. Algumas das pessoas que circulavam pelo enorme salão, olhavam para Anahí e Alfonso com curiosidade e certo encantamento. Curiosidade porque a maioria dos presentes não sabia da relação que os mesmos tinham fora do trabalho, e outros, como Addison e Christopher, por acreditarem que ambos foram feitos um para outro e que realmente faziam um par bonito e muito elegante.
Na outra extremidade do salão, propriamente em uma mesa perto do pequeno palco, Diana também os observava atentamente, os olhos de aguia corriam por cada canto do corpo da escritora enquanto a sua mente trabalhava a todo vapor. Ela viu quando Alfonso com toda sua delicadeza e elegância puxou uma cadeira para que a namorada sentasse e em seguida depositou um beijo carinhoso em sua testa. Viu quando Lexie sussurrou algo no ouvido da escritora e as duas riram, quando o garçom ofereceu a ela uma taça de champanhe que a mesma recusou, optando em seguida pela água.
_ Não pode ser.- Ela murmurou, os olhos arregalados e a boca ligeiramente aberta.
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Apesar de não estar muito familiarizada com aqueles jantares, até porque entrara em muito pouco tempo no corpo de trabalho do hospital, Anahí conseguiu integrar-se muito bem ao ambiente em si. E mesmo não sendo uma mulher de muitas palavras, conseguiu manter uma conversa tranquila e bem animada com Addison e algumas outras pessoas que resolviam aproximar-se dela.
_ Será que a minha namorada pode me conceder o prazer de uma dança?.- Alfonso chegou por trás de Anahí que estava envolvida em uma conversa animada com uma das enfermeiras, Vivian, que logo afastou-se com um sorriso de canto.- Já falei sobre o quão linda você está hoje?
_ Eu sou linda, Alfonso.- Ela respondeu, o riso preso. Alfonso gargalhou conforme a conduzia até ao meio do salão. A música de Ed Sheeran, How Would You Feel tocava naquele momento, e apesar de não gostar muito do cantor, Anahí conhecia a letra por causa da filha que era praticamente apaixonada pelo mesmo.- Foi muito bem no seu discurso.- Ela observou enquanto balançava o corpo no ritmo da música. Os braços dela estavam em volta do pescoço dele, que a segurava pelo quadril de forma possessiva.
Minutos depois a chegada deles ao salão, Lexie avisou que o irmão precisava fazer o discurso de abertura, já que os convidados estavam apenas esperando aquele momento para iniciarem a refeição. Alfonso logo dirigiu-se ao palco e muito rapidamente falou sobre responsabilidade no trabalho, afeto e empatia com todos os pacientes, respeito entre os funcionários independente do cargo que cada um ocupava, agradeceu pelo empenho e dedicação de cada um ao longo daquele ano, e por fim desejou um feliz natal a todos. O discurso foi finalizado com um brinde colectivo, e em seguida, o neurocirurgião foi solicitado a prestar uma entrevista a uma das revistas mais bem vistas de NY.
_ Falando assim, nem parece que a senhorita ajudou-me a escrever.- Ele disse, arrancando uma risada divertida dela.- Está gostando de estar aqui?.- Perguntou, a testa grudada na dela.
_ Não é um dos meus programas favoritos, mas a presença de um médico gostoso torna tudo bem mais interessante.- Confessou, os olhinhos brilhando em excitação pelo rumo da conversa.
_ Ok, me fala mais desse homem.- Alfonso pediu com uma falsa urgência, e sem nenhuma vergonha, Anahí desatou a falar sobre como aquele médico era perfeito, lindo, cheiroso e que estava definitivamente apaixonada por ele.
Os dois ficaram tão entretidos naquela dança, que não perceberam os pares de olhos grudados em cada rodopiar no salão, e nem que eram tiradas algumas fotografias. E mesmo que tivessem percebido, certamente ninguém se importaria. Porque desde que estavam juntos dentro daquela bolha particular, trocando confidencias e olhares carregados de paixão, nada mais importava. Nem os olhares de indignação, nem os sussurros que seguiam a todo vapor.
Logo que a música terminou, Alfonso pediu a Anahí que o acompanhasse até a mesa em que Christopher estava. O que nenhum deles sabia, era que mais uma vez o passado voltaria para de alguma forma atormenta-la.
Quando começou a cuidar da biblioteca, Anahí foi apresentada a Christopher como ele sendo o melhor amigo de Alfonso, e conforme o tempo ia passando, o psicólogo demonstrou ser uma pessoa super carinhosa e atenciosa com todos ao seu redor. Mesmo não sendo próximo ou não tendo desenvolvido um certo tipo de intimidade, sempre que chegava no hospital, Christopher retirava sempre alguns minutos do seu tempo para cumprimentar a escritora e manter uma conversa rápida e amigável. No inicio Anahí achou que ele fazia aquilo apenas para agradar o amigo, mas logo percebeu que era da natureza dele tratar as pessoas de forma amigável e respeitosa.
E em uma dessas conversas, Anahí soube que Christopher era casado a dois anos com uma mulher, que segundo ele, era a mais bonita do mundo. Mas o nome dela nunca foi citado em meio as conversas, e ela também nunca pediu para ver uma foto.
Eis que o destino fazia as coisas do seu próprio jeito.
_ Faz tempo que não enxergo esses olhos azuis.- Christopher encarou Anahí que sorriu sem graça. Ele fazia questão de falar dos olhos dela sempre que a via.- Está linda, Anahí.
_ São seus olhos, Chris.- Ela respondeu com um sorriso de canto, e voltou a segurar o braço do namorado. Alfonso sabia do carinho que o melhor amigo nutria pela namorada, e definitivamente não sentia nenhum tipo de ciúme. Ele confiava sem por cento em Anahí, e nunca seria contra qualquer amizade dela, a menos que a situação realmente lhe obrigasse.
_ Olá Christopher, eu Alfonso, o seu melhor amigo, também estou bem.- Ele debochou com uma careta engraçada, o que arrancou risos dos outros dois.
_ Que bom que vocês vieram aqui, assim finalmente poderei apresenta-la a minha esposa.- Christopher observou animado, e logo virou o corpo, tocando rapidamente no ombro de uma mulher ruiva que automaticamente o encarou e sorriu.- Amor, deixa apresenta-la a Anahí.
_ Finalmente poderei conhecer então a mulher que roubou o coração do Poncho.- Dulce brincou enquanto contornava a cadeira e se aproximava dos outros dois.
O que nem Alfonso e Christopher perceberam, foi o facto de Anahí ter arregalado os olhos assim que enxergou a figura daquela mulher terrivelmente familiar. Porque apesar do tempo ter passado, ainda era a mesma Dulce Maria, um pouco mais alta, muito mais bonita, elegante e segura de si. Mas, continuava sendo a mesma que debochava dela na escola por não conseguir se socializar com os outros colegas.
A mesma que transou com Robert no quarto de Mia.
.....
Heheheh....