Sangue Dourado

By HyunLukis

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Em meio ao caos que assombra Seul, desaparecimentos inquietantes e corpos drenados de sangue revelam uma amea... More

Capítulo 02
capítulo 03
capítulo 04

capítulo 01

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By HyunLukis

"Às vezes, o silêncio dói mais do que qualquer grito"

Jimin já estava acostumado com aquela rotina silenciosa. Acordava cedo todos os dias, tomava café da manhã e, em seguida, se preparava para mais um dia na instituição de Min-Dong, uma das poucas escolas públicas da província de Busan. Após a aula, Jimin seguia para um pequeno mercado onde trabalhava fazendo um pouco de tudo: atendia, repunha mercadorias e limpava. O trabalho era pesado e acabava tarde, porém Park não desistia, já que seu chefe lhe pagava bem e era uma pessoa gentil.
Essa era sua vida desde um acidente trágico que matou seus pais e seu irmão mais novo, de apenas quatro anos. Desde então, Jimin tem vivido com seu tio e a esposa, os quais não o tratavam bem. Park era maltratado e submetido a todos os tipos de abusos, sejam eles mentais ou físicos. Mesmo que trabalhar e estudar fosse uma tarefa desafiadora, ainda era melhor do que ficar em casa e ter que aturar os olhares e reclamações vindas dos seus cuidadores.

Naquela manhã, antes de sair para a escola, Jimin ligou a televisão e deu de cara com mais uma notícia de assassinato. Mais um corpo havia sido achado nas proximidades de Busan, todos com um traço em comum: seu sangue havia sido completamente drenado. As autoridades locais pediam para que ninguém saísse tão tarde da noite, mas Jimin não tinha muita escolha quanto a isso.
Já de noite, Jimin caminhava pela calçada estreita. Suas mãos estavam nos bolsos do moletom cinza-claro, enquanto ouvia uma música calma que o mantinha acordado. Seus olhos cansados, volta e meia, davam longas piscadas, enquanto bocejos inevitáveis surgiam. Em meio a eles, uma leve fumaça se fazia presente, mesclando-se ao frio da noite.
Seus passos eram calmos e estalavam sobre as folhas e galhos caídos na calçada. Ao seu redor, o silêncio era praticamente palpável; nem mesmo os cães estavam alerta como de costume. Os céus estavam nublados, e a única fonte de luz permanecia escondida entre as nuvens.
De repente, Jimin sentiu um arrepio percorrer toda a base da sua coluna. Park tentou manter a calma e não pensar na notícia que havia visto mais cedo no jornal. O jovem apressou os passos enquanto tentava acalmar sua mente, murmurando a melodia da música presente em seu fone.
Repentinamente, um som seco começou a soar atrás de Park - eram como passos sutis, tentando se esconder entre a escuridão da noite. Jimin reuniu um pouco de coragem e espiou por cima dos próprios ombros. A cena que viu atrás de si fez com que todos os pelos de seu corpo se arrepiassem.
Atrás dele, um homem de estatura alta e ombros largos caminhava pacificamente, usando um belíssimo sobretudo preto. Porém, aquela figura trajada de preto carregava algo ainda mais aterrorizante: seus olhos eram vermelhos e brilhavam como dois faróis em meio à noite.
Jimin apressou os passos - não queria mais saber se aquele homem era apenas mais um desafortunado que saía tarde do trabalho. O homem, por sua vez, acelerou a caminhada, perseguindo o jovem com uma rapidez macabra.
De repente, Jimin tropeçou em um buraco e torceu o pé. Park foi de encontro ao chão gelado e, quando levantou o olhar, viu aqueles mesmos olhos vermelhos o encarando. Seu rosto agora estava nítido, revelando um sorriso obscuro com grandes caninos pontudos.
Após aquela visão, Jimin apagou por completo.

Horas se passaram, e Jimin começou a despertar.
Sua cabeça latejava como se tivesse levado uma pancada; seus ouvidos zumbiam enquanto escutavam um som metálico, como se estivessem abrindo e fechando algum tipo de lâmina repetidas vezes. Seu pé, que havia torcido mais cedo, parecia inchado e doía com o mínimo movimento.
Assim que recobrou os sentidos, Jimin se viu em um quarto escuro, que cheirava a mofo e algo que parecia podre. Aquele ambiente não tinha janelas, o que intensificava o odor no local - além de impossibilitar que o garoto soubesse se já era dia ou se ainda era noite.
De repente, uma voz ecoou de dentro do próprio quarto, fazendo Jimin perceber que não estava sozinho ali.
Seu corpo gelou, enquanto um ranger era acompanhado de passos - os mesmos que Park havia ouvido antes de aparecer naquele lugar. Ele se encolheu na cama; seu corpo tremia, enquanto sua mente já pensava no pior.

- Você finalmente acordou... foi difícil te achar, garoto.

Assim que a pessoa se aproximou o bastante, velas de repente se acenderam, iluminando o local. O quarto tinha manchas de sangue e mofo preto pelas paredes, enquanto um papel de parede florido se descascava por todos os cantos. Jimin estava deitado em uma cama com um colchão velho, que rangia com o mínimo movimento.
O homem, que agora estava ao seu lado, trajava as mesmas roupas pretas que Jimin havia visto mais cedo. Seus cabelos eram curtos, e seus olhos, vermelhos como vinho. Seu rosto não carregava nenhuma expressão - como se fosse apenas uma besta sem alma.
Jimin engoliu em seco e virou o rosto. Seus dedos se apertaram sobre a fina camada do lençol, que se rasgou sob a força de suas mãos. No final, reuniu coragem, esbravejou e voltou seus olhos para os do homem:

- Você... quem é você?! O que quer comigo?!

O homem sorriu, mostrando suas presas brancas e afiadas. Jimin engoliu em seco e tentou se afastar, mas era tarde demais. O homem agarrou o pescoço pálido de Park e falou com uma voz áspera:

- Você é bem mal-educado, baixinho... Eu deveria começar cortando sua língua, uh?

Os olhos de Park repentinamente ficaram opacos, e seu corpo começou a tremer ainda mais. Só de imaginar ter a própria língua arrancada já era o suficiente para deixá-lo em pânico.
O homem, por sua vez, sorriu ao ver aqueles olhos cheios de medo. Logo em seguida, soltou o rosto de Jimin, que se encolheu no canto da cama, tentando se afastar o máximo possível.
O desconhecido deu meia-volta e começou a caminhar até a porta - a única do quarto. Antes de sair, lançou um olhar por cima dos ombros e ditou, de maneira fria:

- Não se preocupe... Eu ainda vou precisar muito do seu sangue.

Dito isso, o homem saiu por aquela porta de madeira velha, que rangeu ao ser aberta e fechada em seguida. Do lado de fora, barulhos de trancas foram ouvidos e, logo depois, passos lentos estralaram sobre o piso de madeira.
Jimin ficou em silêncio por alguns instantes, tentando raciocinar tudo aquilo. Seu coração batia forte no peito, e o medo fazia uma fina camada de suor se formar sobre sua pele fria. Park permaneceu naquele estado de choque por alguns minutos, enquanto tentava pensar em uma solução para fugir dali.
Porém... o que seria pior?
Continuar ali e padecer aos poucos nas mãos daquele serial killer, ou voltar para o inferno que era a sua casa?
Assim como aquele quarto sem janelas, Jimin se sentia vazio por dentro — e não tinha tantas escolhas. Pensando melhor, Park decidiu que fugiria dali. Afinal, era melhor enfrentar sua família do que morrer nas mãos daquele desconhecido psicopata.
Tomado por um fio de coragem, Jimin se levantou da cama, sentindo a perna falhar. Por alguns instantes, ele havia esquecido que tinha torcido o pé.
Mesmo que a dor fosse gritante, Jimin caminhou até a porta e apoiou a cabeça na madeira, tentando escutar o que havia do lado de fora. Percebendo que o silêncio reinava no cômodo ao lado, começou a forçar a porta — que logo se abriu, quebrando a tranca frágil que a prendia.
Assim que a porta se abriu, o corpo de Park pendeu para frente, perdendo completamente o equilíbrio. Jimin caiu novamente no chão, fazendo um barulho alto que ecoou por toda a casa. Seu pé voltou a doer como nunca, e agora o Park tinha uma certeza: ele certamente seria morto.
Passos brutos logo foram ouvidos, vindo de um corredor próximo. Jimin tentou se levantar, mas já não tinha forças para correr. Novamente, entre a luz fraca das lamparinas, um par de olhos vermelhos surgiu — e, logo depois, a face daquele homem. Seu semblante carregava uma frieza inexplicável, o que fez o corpo de Park gelar por completo.

"...Esse seria meu fim?...”

Continua...

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