POV MELISSA
A Rebeca apaga no sofá. Se alguma coisa acontecer com ela eu não me perdoarei nunca. Começo a chorar descontroladamente. Percebo uma ambulância parar na frente de casa e levarem a Rebeca. Tento chegar perto dela, mas o Caio me segura.
- Ei, calma. Ela ficará bem. - o Caio me abraça.
- A culpa de tudo isso é minha. - choro tanto que caio no chão. O Caio fica ali no chão sem me soltar um segundo sequer.
- Nada do que está acontecendo é sua culpa. - ele acaricia meu cabelo e seca minhas lágrimas, pelo menos tenta, porque eu não paro de chorar.
Eu não posso perder a Rebeca. Por que sempre que eu me esforço ao máximo para me entregar aos sentimentos e tentar fazer dar tudo certo, sempre dá tudo errado? Poxa, eu só queria que as coisas dessem certo. Eu sempre me esforço tanto.
- Eu quero ir ao hospital para saber como ela está. - saio dos braços do Caio.
- Eu te levo mas, primeiro você precisa tomar um banho para relaxar e limpar esses machucados. - ele se levanta e me ajuda a levantar.
[...]
Tomo banho e o Caio me ajuda a limpar os machucados.
- Você é uma mulher muito forte. - o Caio me olha fixamente.
- Obrigada. - murmuro e olho para o chão.
- Nós não conversamos mais desde a festa lá em casa. - percebo a insegurança na voz dele. Seu olhar mostra que ele não sabe se devia ou não ter tocado nesse assunto. Ele logo acrescenta: - Podemos deixar isso para depois você deve estar cansada... - eu o interrompo.
- Por que você não desistiu de mim? Era só uma aposta. Tudo foi uma mentira. Por que você não desiste? Tantas meninas te idolatram... Você é cobiçado por 99,99% da meninas e até por alguns meninos... - paro de falar quando ele coloca meu rosto entre suas mãos.
- Não foi tudo mentira, não é... Mesmo que muitas pessoas queiram ficar comigo nenhuma delas é você. Eu te amo! Você faz meus dias terem sentido, faz os dias nublados ficarem ensolarados... Você me faz até ser romântico... - interrompo-o com um beijo e ele retribui.
- Eu também te amo! Promete que NUNCA mais vai mentirá para mim? - eu olho para ele e percebo que seus olhos estão brilhando.
- PROMETO! - ele praticamente grita e me pega no colo.
- Ai! - meu corpo está dolorido por causa da surra que eu levei.
- Desculpa amor. - ele me solta com cuidado.
- Vamos ao hospital?
- Vamos. Eu vou te levar porque, sua mãe teve que ir a delegacia.
- Ok. Mas, você não tem dezoito anos ainda. Você só terá em dezembro. - relembro-o séria.
- Eu sei mas, falta pouco.
- Quando você fizer dezoito você dirige, enquanto não fizer nem cogite a ideia. - falo séria - Vamos pedir um carro por aplicativo.
- Tá bom. - ele bufa e nós dois começamos a rir.
Quando saímos de casa o carro ainda não está lá na frente.
Enquanto esperamos o carro, vejo um homem todo de preto parar do outro lado da rua. Ele pega uma arma e aponta para o Caio. Quando o homem de preto vai apertar o gatilho, tudo começa a girar. Olho para as mãos do homem e elas estão golpeadas, seu rosto está só um pouco iluminado, mas consigo reconhecê-lo, é o Guilherme. Será que esse pesadelo nunca acabará? O Caio não tem que pagar pela loucura do Guilherme. Entro na frente do Caio. Tudo isso começou por minha causa, já basta a Rebeca ter pago por isso, ninguém mais precisa pagar. A sorte é que a arma dele falhou.
- Você é minha! - o Guilherme grita.
- Eu não sou sua! - grito de volta e vejo várias viaturas cercando-o.
Ele é algemado e sinto um certo alívio por saber que não precisarei mais ter medo dele.
- Melissa, eu te amo! - o Guilherme fica repetindo isso o tempo todo.
- Guilherme, isso não é amor, é obsessão. Eu não queria que as coisas tivessem acontecido dessa forma mas, foi você que acabou escolhendo esse caminho... - algumas lágrimas escorrem pelo meu rosto. Esse não é o mesmo Guilherme de quando nos conhecemos.
- Desculpa por tudo! Eu não sei porque eu fiz tudo isso. Eu só queria ficar com você. - ele começa a chorar e me sinto mal com tudo o que aconteceu. Eu sei que ele está sendo sincero.
Os policiais levam-no. O Caio cancela o carro que havíamos pedido e minha mãe nos leva ao hospital.
Chegando lá todos insistem para eu fazer exames.
Estou machucada mas, não se compara a Rebeca. Mesmo assim faço alguns exames.
[...]
A Rebeca acorda um pouco fraca mas, já está bem melhor que antes.
Conto a ela que o Guilherme foi preso e ela me abraça.
- Ele tem quantos anos? - ela me pergunta.
- Ele fez dezenove um dia desses - respondo.
- Nossa, Como ele é novo.
- Pois é.
- Ele estava fazendo faculdade?
- Sim. Ele estava cursando Direito. O sonho dele sempre foi de ser um bom juiz.
- Depois do que ele fez não vai conseguir tão fácil, se é que vai conseguir. - quando ela fala isso fico triste porque, infelizmente ela está certa.
Tudo que o Guilherme sempre quis foi conseguir ser juiz, dar uma boa vida para vó dele, construir uma família e ser o pai que ele não teve. Ele errou por causa de besteira e tenho certeza que ele deve estar mal. A vó dele sempre teve tanto orgulho dele.
***
POV REBECA
Abri os olhos com bastante dificuldade. Por incrível que pareça eu não sentia nenhuma dor no corpo, só sentia algo apertando meu dedo.
Olhei em volta do quarto e lá estavam eles. Meus pais e o amor da minha vida. É difícil explicar o amor que eu sinto pelo Pablo. Em menos de uma semana, eu já estava gostando dele... Gostando não, eu já estava apaixonada. Sempre tinha algo para nos atrapalhar, mas sempre fomos mais forte. Tudo que eu faço, ele me apoia. Ele é o sonho de qualquer garota.
Fiquei observando ele mexendo no celular. Seus olhos estavam fundos, suas olheiras estavam bastantes visíveis. Sinto um aperto no meu coração ao vê-lo assim. Ele levanta a cabeça e me olha. Assim que ele vê que estou acordada, ele dá um pulo.
- Meu amor! - ele fala com um sorriso no rosto. Logo ele vem e me dá um selinho demorado. - Você está bem? - assinto com a cabeça.
- Oh, minha filha! Nunca mais faz isso, se não sua mãe não aguenta! - minha mãe fala e me abraça.
Depois de uns longos minutos levando uma baita de uma bronca dos meus pais, eles deixam eu e Pablo sozinhos no quarto. Meu pai não queria deixar, mas minha mãe saiu puxando ele pela gola da blusa. Eu ri da cena.
- Olha, tenho que admitir, eu quase tive um infarto hoje, viu? - ele fala e senta na ponta da cama.
- Como você é dramático, Pablo! - ele faz uma careta que me acaba fazendo rir.
- Dramático?! Como você se sentiria se eu saísse falando que eu ia tomar um ar, daí você percebe que você já está lá fora a mais uma hora, quando você resolve ir atrás para ver se está tudo bem, você só encontra o celular todo trincado? Quando você desbloqueia, vê que a última mensagem foi do ex psicopata da sua melhor amiga! Dramático?! - ele fala desesperadamente. Tinha que ser ele.
- Prometo que nunca mais farei isso. Eu juro! - eu levanto meu dedinho mindinho.
- Não vai mesmo! Por que agora em diante, onde você for, eu irei junto.
- Até na loja de maquiagem que passo mais de uma hora só pra escolher um batom? - eu o provoco.
- Ai também não, né? Já é demais. Eu fico esperando lá fora. - nós dois acabamos rindo. Paramos de ri e ficamos nos encarando. Ele foi chegando cada vez mais perto do meu rosto. - Eu tenho tanta, mais tanta sorte em ter você na minha vida. Você é a minha garota dos sonhos. Eu te amo. - ele cola nossos lábios.
- Eu também te amo.
Ficamos ali só nos beijos, até Melissa chegar igual um furacão, falando que ia me matar se eu fizesse aquilo de novo. Ela me fez jurar pela minha vida que nunca mais eu iria fazer aquilo. Era bom ter os três ao meu lado. Caio acabou virando meu cunhado de todo jeito e um amigo também. Melissa acabou virando uma amiga, a minha melhor amiga, uma irmã que eu sempre sonhei em ter. Eles me completavam de uma forma que ninguém entenderia.
Graças a Deus o meu corte não foi nada grave. Eu só desmaiei naquela hora, porque ele ficou muito tempo aberto e escorrendo sangue. Ficou uma cicatriz. Se um dia uma pessoa ver e perguntar qual foi o motivo daquele corte, vou me encher de orgulho e falar: Foioi para salvar a vida da minha melhor amiga.