Draco Malfoy sentiu que o mundo ao seu redor parou de girar. Um gosto amargo surgiu em sua boca enquanto ele assimilava as palavras de Sarah. Comensais da Morte estavam atrás dos seus pais. Bruxos como a família de Malfoy. Bruxos como ele.
O garoto vivenciou sua garganta se fechar em um nó enquanto a adrenalina era dissipada pelo seu corpo. Sua dúvida principal era: desde quando? Qual foi o momento temporal que os Comensais da Morte decidiram perseguir a família de Sarah? Eles sabiam da sua relação com Sarah? Era um aviso?
Draco não tinha as respostas para essas perguntas, mas, isso não era uma novidade. Voldemort não era muito aberto sobre seus planos: ele dizia o que lhe convinha. Antes, Narcisa e Lucius Malfoy eram próximos do Lord e isso os assegurava proteção e conhecimentos internos sobre os assuntos de Voldemort.
Porém, depois da prisão de Lucius e do seu fracasso em resgatar a profecia no Ministério da Magia, Narcisa e Lucius eram suportados por Voldemort.
-Draco? Você está bem?
A voz de Sarah interrompeu os pensamentos de Draco. O rosto da garota estava contorcido em espanto pela reação de Draco.
-Sim, eu estou bem.
Draco respondeu ao tentar manter a calma na voz. Com um gesto rápido, Draco posicionou sua mão sob a mesa e pegou na mão de Sarah. A garota sorriu e sussurrou:
-Nós não precisamos falar disso. Eu soube da fuga do seu pai de Azkaban. Seu pai ser um Comensal da Morte não muda as coisas.
Sarah finalizou sua frase em dúvida. A jovem tinha a estranha sensação que estava falando demais, o que ocorria sempre que se sentia nervosa. Sarah prendeu a respiração, esperando pela resposta de Draco.
Claro que isso mudava as coisas. Se o pai de Draco fosse responsável por perseguir os pais de Sarah isso era, no mínimo, estranho e conflituoso.
Draco abriu e fechou a boca em uma tentativa inútil de escolher as palavras adequadas. Como Sarah sabia sobre seu pai? Essa história tinha muitas pontas abertas.
Draco lançou um olhar apreensivo para Sarah antes de perguntar:
-Como você sabe sobre o meu pai, Sarah? Não acho que ele seja o responsável pela perseguição aos seus pais...
Draco deixou a frase incompleta, pois não tinha certeza do que dizer.
-Draco, Harry viu seu pai no Torneio Tribruxo ao lado de outros comensais. Não é como se fosse uma surpresa para mim. Além do mais, todos sabem que ele estava em Azkaban. Eu só não quero que isso nos atrapalhe.
Draco assentiu em choque. O que Sarah faria quando descobrisse que ele era um Comensal da Morte? Quando Draco pensava na possibilidade de contar seu segredo, sentia seu coração afundar.
-Você parece um pouco distante.
Sarah comentou após alguns segundos. Draco ainda estava tentando analisar os detalhes da história. Se algum dos Comensais suspeitasse do seu envolvimento com Sarah... Isso a colocaria em perigo?
-Sarah, eu espero que seus pais estejam bem.
Sarah sorriu: um pouco aliviada e um pouco confusa. Era estranho se perguntar se o pai de Draco estava envolvido na perseguição dos seus pais. Mas, não era algo que ela podia ter certeza. Os comensais podiam usar máscaras e poção Polissuco para se transformarem em outras pessoas.
-Eles vão ficar bem. E nós também.
A garota sorriu ao perceber o lampejo de honestidade no olhar de Draco. Os olhos azuis de Draco estavam mais claros, como se ele tivesse encontrado um pouco de paz. Seria ela o motivo da sua paz?
Draco riu de forma espontânea. Algo dentro dele ardia quando Sarah dizia "nós". Como se uma onda de aconchego percorresse seu corpo e o fizesse se sentir em casa. Era reconfortante.
Sarah continuou a comer seu café da manhã, enquanto Draco percorreu o olhar pelo salão principal quase vazio. O dia estava belo e ele queria aproveitar ao lado de Sarah. Ele ainda não sabia quanto tempo teria em Hogwarts.
Sua tarefa... Ainda tinha que ser concluída.
Mas, isso não era um problema: Draco já tinha elaborado outro plano. Na festa de Natal do professor Horácio Slughorn, Draco colocaria seu plano em ação para completar sua missão.
-Sarah, quanto tempo você precisa para se arrumar?
Draco perguntou.
-Acho que preciso de alguns minutos. O que você está planejando?
Draco deu de ombros e se levantou da mesa com um sorriso travesso nos lábios. A ideia de fazer uma surpresa para Sarah pairava na sua mente. Fazê-la feliz era a sua prioridade e ele não podia negar que queria estar próximo de Sarah o máximo que pudesse.
-Você confia em mim?
Draco rebateu. Sarah sentiu suas bochechas queimaram. Ela já havia feito essa pergunta para Draco no baile de aniversário da mãe de Blaise. Agora o garoto usava a frase como uma piada interna entre eles.
-Com a minha vida, talvez.
Sarah respondeu. Draco balançou a cabeça e gargalhou de felicidade. Sarah e Draco compartilhavam uma conexão inexplicável.
-Me encontre em meia hora. - Draco arqueou as sobrancelhas antes de dizer - E pegue algumas cobertas. Vamos passar a noite fora.
Antes que Sarah pudesse responder, Draco já andava com passos largos e apressados pelo salão principal.
Sarah passou a mão pelos seus cabelos sentindo seu coração martelar de ansiedade e desejo.
-
Em seu quarto, Sarah optou por um vestido verde com pequenas margaridas desenhadas e um tênis branco. De maneira habilidosa, a jovem trançou seus cabelos loiros e os prendeu com um laço verde. No fundo da sua gaveta, o laço vermelho que Harry lhe deu há alguns anos fazia espaço. Sem pensar duas vezes, Sarah jogou o laço fora.
Seu futuro estava começando e ele era ao lado de Draco Malfoy.
Seguindo as orientações de Draco, Sarah pegou duas cobertas e as colocou na sua mochila. Uma blusa de frio, sua varinha e ela estava pronta. Assim que fechou a porta do quarto e se virou em direção às escadas, Sarah trombou com um garoto apressado.
O rosto de Blaise Zabini se iluminou quando a viu.
-Sarah! Quanto tempo.
Blaise disse como se não tivesse passado a última semana evitando sentar com Draco e Sarah na mesa da Sonserina. E como se não tivesse convencido Goyle e seus amigos a fazerem o mesmo.
Sarah acenou com a mão e se preparou para sair do corredor quando Blaise a interrompeu:
-Você está linda. Qual a ocasião especial?
Sarah deu de ombros e ajeitou sua mochila nos ombros. Ela não queria ser ríspida com Blaise, mas, não gostava da maneira como ele a olhava.
-Eu e Malfoy temos um encontro.
O sorriso de Blaise se desfez e ele endireitou seu corpo. Com um tom de voz ressentido, o garoto murmurou:
-Espero que não chova.
Com uma piscadela Blaise desapareceu pelo corredor. Sarah revirou os olhos e desceu para procurar por Draco no salão comunal da Sonserina.
Draco a esperava próximo à escada do dormitório. Draco vestia terno preto e camisa preta. O jovem segurava uma cesta de piquenique dourada em suas mãos.
Sarah se aproximou e rodopiou para Draco.
-O que você acha, Malfoy?
Draco mordeu os lábios e a puxou para um abraço. Com delicadeza, Draco encostou seus lábios nos de Sarah e a prensou contra a parede fria do salão comunal. Sarah sentiu uma corrente elétrica ser disparada pelas suas células. O toque de Malfoy era capaz de incendiar cada partícula de seu corpo.
Sarah e Draco saíram em direção à ala norte do castelo de Hogwarts de mãos dadas.
-Olha, Draco! Foi ali que você levou um soco da Hermione!
Sarah brincou ao apontar para algumas rochas da parte externa do castelo. Draco sorriu e lhe cutucou com o cotovelo.
-Você presta atenção em mim desde sempre.
-Talvez porque você era chato. Aliás, talvez você possa me explicar o motivo de maltratar Harry, Hermione e Rony.
Draco chutou uma pedrinha enquanto desviava o olhar para o casebre de Hagrid.
Essa era uma pergunta interessante, mas, Draco não tinha uma resposta. Ele sabia que suas atitudes haviam sido ruins, mas, não sabia como consertá-las.
-Eu fui um idiota.
Draco respondeu com sinceridade. Ele não gostava de Harry, Hermione e Rony, mas isso não era motivo para tratá-los daquela maneira. Sarah afagou a mão de Draco e respondeu com um tom esperançoso:
-Você ainda pode se desculpar.
Mais tarde, Draco agradeceria pelo conselho de Sarah. Naquele momento, o garoto sorriu e se concentrou em levá-la até uma campina verde depois do casebre de Hagrid.
A campina se localizava entre uma entrada para a floresta proibida e algumas rochas maiores. Flores brancas e amarelas costuravam o campo dando a impressão de que o lugar tinha saído de uma pintura. Os olhos de Sarah brilharam e ela caminhou entre as flores enquanto algumas pétalas se prendiam no tecido do seu vestido.
Draco perdeu a respiração ao encarar Sarah. O sol da manhã fazia Sarah brilhar e alguns lampejos dourados contrastavam com seu cabelo, lhe fornecendo uma aparência angelical.
Por Merlim, essa garota. Draco pensou com alegria.
Sarah rodopiou com seu vestido e o sol beijou sua pele. Draco sentiu sua respiração desregular. Quem diria que Draco Malfoy perderia sua respiração por alguém? Em um movimento delicado, Draco se aproximou de Sarah e a puxou para um abraço.
Sarah encostou sua cabeça no ombro de Draco e inspirou seu perfume. Borboletas dançavam na sua barriga. O amor de Sarah e Draco não fora feito para acomodações: era um amor selvagem e feito para corridas descalças sob a luz da lua. Um amor atemporal.
-Draco? Eu não quero me preocupar com o amanhã. Eu quero viver o hoje, ao seu lado.
Sarah sussurrou. Draco concordou e colocou uma mecha do cabelo loiro de Sarah atrás da sua orelha. Sarah passou suas mãos pelas costas de Draco. Ela se sentia protegida e acolhida, como quando usamos um casaco quente depois de um dia gelado.
-Nós não somos os nossos pais, Draco. Não temos que viver por eles, ou fazer as mesmas escolhas deles. Nós temos as nossas chances.
Sarah concluiu. Draco abraçou Sarah com força. Se ele tivesse ouvido isso antes talvez não tivesse se tornado um Comensal da Morte.
Com um suspiro, Draco beijou a testa de Sarah e memorizou os pequenos detalhes sobre ela. Seu perfume, a maneira como seus olhos brilhavam, o timbre da sua voz... E tudo que fazia Draco se sentir vivo.