Camille
Logo depois de saberem que Jack estava em Seattle os Steele resolveram ir embora do nosso apartamento, mas deixaram claro para papai que encontrariam o meu irmão e caso ele estivesse mesmo envolvido no desaparecimento de Bryan o fariam pagar.
Meu papai ficou abalado com a avalanche de informações que foram jogadas em cima dele e decidiu se isolar um pouco. Ele deu um beijo na minha testa e foi para o quarto. E eu? Eu sai porta fora para ver se ainda encontrava os Steele no prédio e tive sorte de os encontrar ainda na portaria.
- Luke? - chamei pelo meu ex que se virou na minha direção surpreso
- Você esqueceu de dizer alguma coisa? - perguntou de forma fria sob o olhar atento de todos os irmãos
- Sim, mas nada referente a Bryan. - ele elevou uma das suas sobrancelhas - Eu preciso conversar com você e com Ryan.
- Não temos nada para conversar, Camille. - respondeu Ryan e meu coração doeu ao ver que me olhava com indiferença
- É um assunto do interesse de vocês. - insisti
- Aqui. - disse Christian jogando um molho de chaves para Luke - Vocês podem conversar no apartamento.
Luke e Ryan trocaram um olhar e depois assentiram com a cabeça um para o outro.
- Tudo bem. Nos encontre no endereço que vou enviar para o seu celular. - disse Luke - Você terá 15 minutos connosco.
- É mais do que preciso. - respondi enquanto eles se encaminhavam para os carros.
Saber que um deles podia ser filho de papai mexeu comigo e me levou a pensar em tudo o que havia feito. Eu havia destruído a relação deles com uma mentira e estava na hora de contar a verdade. Contar que nunca havia transado com Ryan.
Entrei no meu carro e em poucos minutos estava em frente do endereço que Luke me enviou. Toquei a campainha e ele abriu a porta.
- O que você queria conversar com a gente? - perguntou Ryan impaciente
- Quero esclarecer o nosso passado. - respondi e eles me olharam
- O passado não interessa mais. - disse Luke
- Eu nunca dormi com Ryan. - disse e então sorri tristemente - Ou melhor, eu dormi com ele, mas nós nunca transamos.
- O quê? - disseram os dois juntos
- Você não pode negar o que eu vi. - disse Luke irritado
- O que foi que você viu, Luke? - perguntei, mas logo depois eu mesma respondi - Você viu duas pessoas seminuas dormindo no sofá da sala da sua casa. Você não viu mais do que isso. - ele negou
- Eu acusei vocês de terem me traído e nenhum negou.
- Aquela noite para mim é um completo apagão. - disse Ryan e depois me olhou - Seja clara e nos diga de uma vez o que rolou.
- Luke havia viajado e eu fui até a casa de vocês. Ryan era o único que estava por lá e acabamos conversando e bebendo. Bebemos muito e fumamos um charro. - lembrei de cada detalhe - Ryan estava muito mais alterado que eu e quando o beijei não me impediu. Pensei em levar as coisas para um outro patamar, mas então ele adormeceu no sofá e acabou não rolando nada.
- Como eu acabei de cueca? - perguntou Ryan e sorri
- Como disse nós bebemos demais e acabamos tirando as nossas roupas. Fizemos uma espécie de strip. Quando Luke chegou nos acusando e você me olhou não entendendo nada soube que não lembrava de nada da noite e optei por não negar.
- Você quase destruiu a nossa relação. - disse Luke se aproximando - Ser traído pela namorada que pensava ser a mulher da minha vida doí, mas ser traído pelo irmão é mil vezes pior.
- A verdade é que durante o tempo que namorávamos me apaixonei pelo seu irmão, Luke. - confessei - Pensei que depois daquela noite Ryan poderia me olhar com outros olhos, me dar uma chance, mas isso não aconteceu.
- Porque decidiu contar a verdade justamente agora? - quis saber Ryan
- Porque quando papai revelou que um dos Steele poderia ser meu irmão fiquei em pânico. Transei com o Luke e beijei você Ryan e a possibilidade de ter cometido incesto mexeu comigo. Vocês não tem ideia do alívio que foi saber que nenhum era filho do meu pai.
- Começo a considerar que na sua família o único que presta é o seu pai. - murmurou Luke - Se bem que ele teve a sua parcela de culpa na morte dos nossos pais. - baixei o olhar - Vai embora, Camille. Saia das nossas vidas pois não temos mais nada a ver com você.
- Ainda temos um irmão em comum. - respondi lembrando de Bryan - E eu ainda tenho sentimentos pelo Ryan. Vocês podem não acreditar, mas eu amo você, Ryan.
- Pois saiba que a única coisa que sinto por você é desprezo. - respondeu ele - Você não significa nada para mim. - antes que pudesse dizer algo Luke completou
- E ele esta namorando a Andrea.
- O quê? - olhei para Ryan que não se abalou nem um pouco - Andrea Grey?
- Não que seja da sua conta, mas sim. Andrea é minha namorada e eu a amo.
Uma facada teria doido muito menos do que escutar aquelas palavras. Peguei na minha bolsa e com os olhos marejados deixei o apartamento no qual estávamos.
Elena
Não sei onde nem quando perdi o controlo da situação, mas a verdade é que o perdi.
Minha família aos poucos estava se perdendo e não sabia o que fazer. Camille estava em Seattle sabe-se lá a fazer o quê e não atendia nenhum dos meus telefonemas; Roger andava em busca de um filho perdido e não havia conversado comigo ainda sobre o assunto; e depois tinha Jack. Meu filho estava completamente perdido desde que soubera da existência do meio-irmão e resolveu abraçar o mundo do crime ao sequestra-lo.
Bryan. Esse era o maior problema da minha família.
Quando soube da existência dele pensei em me livrar do mesmo, mas nunca utilizando os meios de Jack. Meu filho queria acabar com a vida do bastardo e isso eu não podia permitir. Primeiro que não queria um filho assassino e depois porque era incapaz de matar uma parte do meu amado marido.
A minha intenção era dar dinheiro a Bryan para desaparecer ou até colocar medo nele ameaçando os que mais amava, agora sequestro nunca me passou pela cabeça. Proibi Jack de matar o meio-irmão, mas não era inocente ao ponto de achar que ele o libertaria. Conhecia o filho que tinha, com uma ambição fora dos limites, e por isso tinha certeza que estava a fazer Bryan comer o pão que o diabo ameaçou.
Cheguei a Seattle e dei a direção do apartamento da minha família ao taxista. A viagem durou somente alguns minutos e quando fiquei diante do prédio sorri sabendo que logo estaria nos braços de Roger.
O porteiro me ajudou a subir com as minhas duas malas e quando abri a porta do meu apartamento lhe dei uma gorjeta e o despensei. Entrei e travei ao ver o meu marido sentado no sofá com os braços apoiados nos joelhos e mãos na cabeça.
- Roger. - chamei e quando ele levantou o olhar e me viu não gostei do que vi.
A adoração que costumava brilhar nos seus olhos ao me ver deu lugar a raiva. Meu marido levantou abruptamente do sofá na minha direção e quando pensei que me ia beijar me enganei... Roger me esbofeteou.
Olhei para ele em choque pois em anos de casados nunca antes ele me havia batido.
- Onde? - perguntou ele com dificuldade - Onde está o meu filho?
- Jack ficou em Nova Iorque. - menti pois nem mesmo eu sabia onde nosso filho andava
- Não se faça de besta, Elena. Não estou falando de Jack, mas sim de Bryan. Onde ele está? O que você e nosso filho fizeram com ele? - meu sangue gelou por ele saber que eu sabia do bastardo
- Quem é Bryan? - me fiz de desentendida e num ato de fúria Roger levou uma das suas mãos ao meu pescoço e me encostou em uma das paredes do nosso apartamento
- Chega de mentiras. Você vai contar tudo o que sabe para mim Elena. Isso se ainda quiser ter uma chance de manter o nosso casamento.
Meu filho que me perdoasse mas eu não podia mais acobertar as suas loucuras. Não quando podia perder o homem que amava. Me livrei das mãos do meu marido e sentei no sofá contando tudo o que sabia.