Capítulo 1
Alguns dizem que o pior que pode nos acontecer é a morte, eu discordo, a transição de uma vida normal para o caos total, é algo a ser definido como pior. Estou a caminho de uma nova vida, ou pelo menos é isso que me disseram me sinto mais só do que nunca sem família ou amigos, minha história parece nunca ter sido escrita, é como se Deus houvesse percebido que a tinta da caneta acabou e simplesmente a tivesse guardado na gaveta e iniciado outra história para qualquer outra vida. É importante também mencionar que não sou inteiramente humana possuo uma peculiaridade, característica essa que me impede de conviver como uma garota normal de 18 anos, estou sendo levada à um “internato” que já me disseram para não chamar assim, pois, não sou menor de idade e não estarei impedida de ir embora, caso não me adapte. O caminho é silêncio o transporte é realizado numa espécie de globo transparente e muito amplo que possui janelas em quase todos os ângulos possíveis, quase como uma nave, a vista é simplesmente entediante, alguns assentos a frente existe um garoto de cabelos negros e enrolados, cujo tamanho me faz pensar que não o corta há algum tempo o observo por um longo tempo mas ele não parece sair de sua posição focada como se estivesse lendo ou dormindo, a pessoa que pilota o globo eu não consigo visualizar e minha instrutora segue ao meu lado numa espécie de cochilo após observar cada um e detalhes menos relevantes como contar as janelas e botões sem sentido aparente, volto ao meu inferno interior e me deixo arrastar para pensamentos desagradáveis todo o tempo pensava nesses dezoito anos desperdiçados com alguém como eu, que não possuía nada, fui criada em um instituto e amizades, afeto ou qualquer coisa parecida não ocorria e tudo bem eu não me importava com isso.
Logo percebi, que divagando o tempo correu e finalmente chegamos, era possível avistar uma grande construção, que em nada se parecia com uma casa normal, não que eu soubesse o que seria uma mas imaginava baseada em pesquisas e livros que li, a construção vista de cima era enorme com inúmeras portas, janelas grandes e bases que pareciam sustentar o peso daquilo tudo, nas janelas haviam círculos estranhos que não pude identificar o que eram, e haviam jovens como eu que andavam pelo jardim florido e que seria um de meus lugares favoritos para ler e ficar em paz se isso fosse possível. Mal senti a aterrisagem, o globo desceu e suas luzes douradas se intensificaram a porta se abriu e um a um fomos levantando e descendo, o garoto de cabelos negros parecia não ter percebido que havíamos chegado estava submerso num livro cujo título não consegui ler, tive a brilhante ideia de cutucá-lo, tentei causar um toque leve e sem contato invasivo mas isso não foi possível o assustei e o rapaz derrubou o livro.
- Eu lamento, só queria avisar que chegamos...
- Isso está claro, apenas gostaria de finalizar o capítulo, não conseguirei agora, pois se fechou e não sei ao certo a página. Ele falou de uma forma áspera e sem agradecimentos.
- Tudo bem...deixarei você em paz. Me arrependi de avisá-lo e isso não voltaria a acontecer.
Logo que saí do transporte, senti a brisa gelada do outono e fechei os últimos botões do casaquinho, gostei muito do lugar ele era simples e ao mesmo tempo moderno, observei as flores, estátuas e me senti estranha como uma sensação...lar.
