O sangue escorria da minha testa até o meu peito. Não me lembrava de absolutamente nada, a dor de cabeça que controlava meu corpo não me deixava raciocinar.
Flashs dos prováveis acontecimentos anteriores vieram em mente. Lembrei de altas risadas e uma baixa música de fundo. Reconheci a voz, era do meu pai.
Tentei me mover, mas um choque de dor insuportável se manifestou em mim. Caí sobre meu próprio peso e comecei a ouvir vozes e buzinas. Estava desesperada.
Acordei em um lugar desconhecido, com uma luz branca muito forte. Pisquei meus olhos várias vezes até me acostumar.
Duas mulheres entraram por uma porta à minha direita, conversando discretamente. Elas pararam ao meu lado e começaram a me contar, com feições tristes, alguma coisa longa, mas eu só ouvi isso:
- ... Infelizmente eles não resistiram ao acidente...
Absolutamente tudo dentro da minha cabeça girava, até que mais um flah de memória veio à tona e eu comecei a ligar os pontos.
- Foi de carro, não foi?
As mulheres fizeram um sinal positivo com a cabeça. E foi aí que eu descobri o que aconteceu.
Estávamos viajando. Indo para nossa casa da praia, conversando sobre coisas da vida. Acabei contando algo engraçado e meu pai riu bem alto. Minha mãe tinha posto a playlist favorita dela, e minha irmã estava lendo. Foi aí que alguma coisa bateu muito forte contra o nosso carro. Tudo ficou preto, e um silêncio agonizante tomou conta do ambiente.
Mas foi só depois de ligar os pontos do acidente que eu percebi que só eu sobrevivi, e agora estava sozinha.
Eles haviam morrido. Minha família morreu. Minha irmã se foi, minha melhor amiga não estava mais comigo, meu apoio diário, meu mundo, para quem eu contava tudo, não estava mais aqui. Minha mãe, meu porto seguro, meu aconchego, se foi. E meu pai, meu amigo, com os melhores abraços e risadas, foi embora.
Fiquei sem chão, comecei a chorar, me debater contra a cama, e tentar acreditar que aquilo era um pesadelo. Mas não era, tinha acontecido.
Com quem eu iria ficar? Sozinha eu não aguentaria, precisava de alguém. A única pessoa da família que me restava, era minha tia, Millie Delyon. Irmã do meu falecido pai, tia Millie não tinha muito contato com nós, pelo menos comigo, mas sempre pareceu uma pessoa muito doce e atenciosa.
Não estava conseguindo processar tudo isso. Pensando em mil coisas por segundo com duas médicas (descobri que estava em um hospital) me encarando e perguntando se estava tudo bem, comecei a me sentir tonta, e minha visão ir desaparecendo aos poucos, e por fim desmaiei.
ESTÁS LEYENDO
Upside Down
RomanceQuando sua vida vira de cabeça para baixo, a jovem e doce Josephine Delyon, percebe que sua vida nunca mais será a mesma. Com o apoio de seu melhor amigo, ela pode superar seus traumas , e quem sabe, confessar o que realmente sente por ele.
