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- Prólogo -

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      O dia estava agitado. Desde que amanheceu, Angeles estava alerta para a prova que estava por vir. E, mesmo antes do café da manhã, Celeste já havia encontrado uma maneira de irritar Elise, que continuava sem rebater seus ataques sutis. Como eu a odiava. Pior, eu conseguia ver seus olhares cheios de intenções com Maxon, que, desde uma pequena discussão, estava me tratando apenas com cordialidade. Eu temia que, a qualquer momento, ele fosse me chutar. E essa preocupação havia se intensificado desde o recebimento uma carta de May, onde ela agradecia animadamente o novo vestido que nossa mãe comprou com o dinheiro da Seleção. Eu não poderia desapontá-la dessa maneira.

      — ... America? — a voz da rainha me acordou de meus pensamentos.

      — Perdão, vossa Majestade. Pode repetir? — senti os olhares de zombaria de Celeste, os de encorajamento de Marlee, e algo que eu não consegui discernir de Maxon.

      — Eu perguntei se está tudo bem. Você ainda nem tocou nas panquecas. — ela parecia realmente preocupada. O que me fez lembrar de minha mãe, que sempre vinha com seus abraços e olhares caridosos logo depois de brigarmos. Mas essa não era minha mãe, era a rainha e mãe de Maxon.

      — Eu... estou com saudades da minha família — Poderia dizer Aspen, mas ele estava a menos de um cômodo de distância — E um pouco ansiosa para a prova de hoje.

Maxon voltou a olhar para o prato. Ele havia deixado bem claro que não iria me mandar embora. Mas depois de anteontem, isso poderia ter mudado.

      — Soube que você se esforçou bastante — Maxon tocou na orelha, nosso sinal para conversarmos. Ele teria que encontrar tempo entre as aulas, e os diversos compromissos que aquela semana exigia. — Deveria tirar um tempo livre, acho que Silvia não vai se importar se você...

      — Podemos dar uma volta! — Maxon interrompe, fazendo o rei Clarkson olhar de forma estranha — Se você desejar, América.

      Eu não poderia dizer não ao príncipe na frente de todos, mesmo que, em particular, eu tivesse chamado ele de egoísta e mimado. Não que não fosse verdade, e nem que eu não me arrependesse.

      — Claro. Se vossa alteza tiver tempo —ele sorriu. O que, depois do nosso confronto, não fazia minhas bochechas atingirem um tom rubro.

      — Daqui a, uma hora!

      — Por mim, tudo bem.

      — E sobre a sua família, você pode enviar uma carta a eles — a rainha Amberly disse com um sorriso.

      E então o silêncio pairou. Nada além do tilintar dos talheres.

*   *   *

  — Afinal de contas, o que eu devo fazer para que você me perdoe? — disse Maxon olhando para as flores presas à cerca- viva.

      — Talvez devesse começar com um pedido de desculpas.

      Eu realmente não queria estar tendo essa conversa.

      — Por favor, America. Eu entendo que você tem reservas, e juro não pressionar você quanto a esse assunto. Eu fui egoísta, e não pensei no quanto é difícil para você entregar seu coração novamente. Dou a você o tempo que precisar. Por favor, me perdoe.

      Senti uma pontada na barriga. Eu realmente estava sendo mesquinha em dizer o que sentia por Maxon. E embora guardasse para mim, eu o considerava mais do que apenas um amigo. O que era uma coisa terrível, afinal eu estava em uma competição pelo coração do príncipe e ainda agia como se não me importasse.

      — Sim, eu perdoo você, Maxon. Só que...

      — É difícil, eu sei. Estarei aqui, e você pode me dizer quando achar certo. Temos todo o tempo do mundo.

      Mas eu ainda achava que nem todo o tempo do mundo me faria a pessoa certa para ser a rainha e esposa de Maxon.

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