Passava da duas da manhã quando ele escreveu o ponto final naquela história. A última carta tinha acabado de ser escrita. Sua mão tremia e seu batimento estava acelerado, ele sabia que essa era a última e única oportunidade de dizer finalmente o que sentia, de fazê-la entender o que se passava na sua mente todas as vezes que ela aparecia em sua frente.
As cartas foram a primeira forma de comunicação entre os dois, e ele esperava que essa desse um ponto final naquilo e de alguma forma, fosse o recomeço de uma história que se perdeu no tempo.
Seu apartamento estava silencioso, como de costume, viver em um prédio a beira do rio Han tinha seus privilégios, mas também tinha suas penitências, e ele convivia com elas a vida toda. Ou melhor, não convivia, a solidão e o silêncio eram suas únicas companhias, no decorrer de toda sua vida.
- Youngsil, qual a temperatura exata? - Ele disse com a voz arrastada.
Prontamente a máquina respondeu.
- Faz 6ºC\F nesse exato momento.
Ele suspirou, estava frio demais e tarde demais para qualquer coisa, e aquele hora, certamente, ela já estaria dormindo, seu voo saia logo cedo na manhã seguinte. Ele sabia disso, fora ele quem encorajara ela a ir para San Francisco, finalmente a Samsan Tech estava reunida, e mesmo com sentimentos deturbados ele estava feliz por ela estar feliz.
Olhou o relógio mais uma fez, engoliu em seco e pegou o blazer.
Estava pronto para tentar conquistar a mulher que amou por quinze anos.
💓
O mundo, de alguma forma, parecia ter parado de girar, o tempo estava frio e as ruas de Seoul estavam, por incrível que pareça, desertas, parecia que o destino queria que aquilo acontecesse. Que a carta fosse entregue, que o último adeus antes da viagem fosse falado, que os corações antes separados se reencontrassem.
Os dois passaram por tanto, durante toda a vida, em algum determinado momento, a vida teria que retribuir de alguma forma.
O período que passaram na Sandbox foi como encarar um voo cheio de turbulências, que parecia nunca aterrissar no destino final. Depois de finalmente entender como as relações e o poder da palavra tem importância para as pessoas, de diferentes formas, ele pôde se dar conta de como sua vida sempre fora influenciada por suas palavras, sempre foi através daquelas cartas que ele foi acolhido e de certa forma cuidado, foram sua palavras que o ajudaram a navegar rumo ao arco-íris, rumo a ela.
Durante todo o trajeto até a casa da Halmoni, ele pareceu estar vivenciando um passeio em uma montanha russa, os altos e baixos que faziam seu estômago embrulhar. Mas, agora ele finalmente tinha tomado coragem e estava determinado, demorará tempo demais pensando no acaso, pensando que poderia superar o que sentia, mesmo depois de confessar para ela, da maneira mais ridícula do mundo, seus sentimentos.
A carta queimava no bolso do seu blazer.
Ele finalmente tinha chegado ao seu destino, a noite fria e silenciosa parecia gritar a cada passo que ele dava até a caixa de correios próximo a entrada. Seu coração batia a mil e sua mão suava.
Ji-pyeong nunca esteve tão nervoso em toda sua vida, parecia que estava lutando contra o ar, e ele estava ganhando, pois lhe faltava algumas vezes.
Encarou a porta de entrada, olhou ao redor... se fosse embora ela não saberia que ele estivera ali, ninguém nunca iria saber, ela poderia voar para San Francisco e ele continuaria aqui, esperando.
Deu um passo atrás, o que ele estava fazendo? Isso nunca daria certo, ele provavelmente só estava arrumando mais um jeito de ser deixado para trás, de ser esquecido!
Estava quase entrando no carro quando viu a luz da casa ser acessa, alguém tinha acordo.
Ele precisava sair dali.
Ainda com a carta em mãos ele encarou novamente a caixa de correios, ele precisava fazer aquilo.
E fez. Sem pensar muito, apenas agiu.
A carta estava no lugar onde sempre deveria estar, nas mãos da pessoa que ele sempre admirou e amou em silêncio, depois que quinze anos ele tinha finalmente tomado coragem para lutar por aquilo que era seu... sua felicidade.
Dal-mi,
Passei a vida toda tentando encontrar palavras que explicassem nossa relação, ou que explicassem o por quê de me sentir assim sempre que escuto o seu nome ou sua voz. Você esteve presente na minha vida por tanto tempo e fez parte das minhas melhores lembranças. Não sei se já lhe agradeci o suficiente por isso, mas acho que nem toda gratidão do mundo pode lhe pagar por ser minha única amiga. Conviver com você durante esses poucos meses foi a maior aventura que vivi em trinta anos de existência. Sua força e animo eram meu combustível para continuar seguindo em frente, para transformar o mundo em um lugar melhor. Seu sorriso, seu olhar, absolutamente tudo em você me faz querer ser alguém melhor.
Você se fez presente de tantas formas que até hoje me pergunto como pude, se quer, me deixar esquecer das nossas lembranças. Como pude não lhe procurar ou a Halmoni, depois de tanto tempo. Peço perdão por isso, mas espero que entenda que minha vida sempre foi uma monotonia diária, foram suas cartas me motivaram a continuar vivendo uma vida digna. Foram suas palavras que fizeram minha rotina, a qual o eu já estava tão acostumado, se transformar numa montanha russa de emoções. E mesmo sem saber qual será o fim desses trilhos, eu ainda assim, escolheria você. Eu ainda escolheria nossas lembranças, escolheria nosso passado e história. Eu ainda assim escolheria você, Dal-mi.
Do seu,
Han Ji Pyeong.
ŞİMDİ OKUDUĞUN
The beginning of the end- ONE SHOT - JIDAL
Hayran KurguA última carta deve conter toda verdade. O k-drama Start Up pertence a Tvn, assim como os personagens nessa fanfic.
