prólogo.

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Após um dia sem graça na escola, Soobin, ainda com o uniforme de seu colégio estava sentado na varanda de seu quarto observando a vista pálida e melancólica de sua casa, enquanto sentia a brisa no seu rosto desfrutando de cada rajada gelada em sua pele. O portão preto ao lado de uma guarita de segurança fazia o local parecer tudo, menos uma casa comum. Se levantou e saiu do quarto quando viu o portão abrir e o carro preto fosco adentrar a garagem da casa.
No andar debaixo da casa, Soobin cumprimentou seu pai e seguiu para a cozinha. Seu prato com uma pequena porção de salada já estava colocado no lado direito da mesa, e o de seu pai com uma porção farta de carne e arroz também. Ambos se sentaram em seus respectivos lugares na mesa e começaram a comer. O 
silêncio que ecoava na casa era agradável para ambas as partes, tendo em vista que nunca foram próximos um do outro. Bogum se levantou e foi em direção a Soobin, bagunçando seu cabelo e dizendo com a voz firme.

— Não vou poder dormir aqui hoje, vê se cuida da casa por mim, garotão.

O menor afirmou com a cabeça e subiu para o seu quarto, pegando o telefone da mesa e se jogando na cama. Leu as mensagens em seu grupo de amigos e soltou risadas tímidas ao passar pelas piadas sem graça de Jimin. Soobin não era de ter muitos amigos, então os seus dias se resumiam em ir pra escola, chegar em casa e talvez conversar com seus 3 únicos colegas. Se levantou da cama e seguiu para o banheiro do seu quarto,  lentamente começando a se despir. Ligou o chuveiro e apoiou a cabeça na parede deixando o líquido quente percorrer cada parte fria de seu corpo, pegou o sabonete e passou por todas as partes de seu corpo, lavou o seu cabelo e saiu do box após se secar. Vestiu o seu pijama e novamente se jogou na cama. 

Soobin levantou da cama em um pulo, ouvindo a gritaria no andar debaixo da casa. Saiu do quarto assustado quando ouviu a voz de seu pai. Esfregava os olhos freneticamente tentando se acostumar com a claridade do corredor. Arregalou os olhos assustado e recuou um pouco quando viu aproximadamente sete homens com uniformes policiais quase batendo em seu pai.

— O que tá acontecendo? - Disse com a voz rouca, olhando para seu pai e vendo todas as pessoas presentes direcionarem a atenção para si.

Pôde notar o desespero no olhar de seu progenitor quando percebeu sua presença, e isso só lhe deixou mais confuso, o que essas pessoas queria com sua família?

— Coloca uma roupa e desce, Soobin - Ordenou ríspido

Soobin rapidamente retornou ao quarto e se despiu do pijama, vestindo no lugar uma calça jeans preta e uma camiseta branca estampada, calçou o tênis e voltou correndo ao cômodo principal ficando do lado de seu pai. Soobin sentia que a cada 

frase de pergunta em tom de acusação que o policial fazia ao seu pai era uma peça de dominó da sua vida caindo, e que no final sua vida estaria arruinada.

— O senhor está sendo preso por narcotráfico e formação de organização criminosa. Você tem o direito de permanecer em silêncio, tudo o que você disser poderá ser usado contra você em um tribunal, você tem direito a um advogado, caso não possa pagar por um, o estado fornecerá. 

E foi naquele momento que seu mundo caiu. Soobin sentiu sua visão turva e seus sentidos sumirem, apertou o braço de seu pai e tentou não cair pra trás, queria se opor mas soltar alguns grunhidos confusos e desesperado enquanto 

permanecia de olhos arregalados para seu pai foi o máximo que a adrenalina do momento lhe permitiu fazer. "Fica calmo, vai ficar tudo bem" Bogum sussurou em seu ouvido.

— Esse garoto do seu lado aí é seu filho? ele já atingiu a maior de idade? - O rapaz que parecia ser o mais novo dali e chefe da operação disse enquanto puxava o seu pai com brutalidade pra fora da casa.

Desde os seus sete anos, a única pessoa que Soobin tinha era seu pai. Soobin passava longe de ser uma pessoa independente, ele precisava de seu pai para resolver quase todas as coisas para si. Ele precisava do dinheiro do seu pai porque também passava longe de ser uma pessoa com condições psicológicas para 

trabalhar. Ouvir aquilo era como levar uma facada no coração. 

— Então você vem comigo, garoto - Disse o mesmo rapaz segurando com força o pulso de soobin e o arrastando pra fora.

— Para! pra você você tá me levando? eu sei me virar, eu juro. Por favor, para. — Soobin implorou de todas as formas para que o oficial o deixasse ir, mas de nada adiantou e pela forma que o maior aumentou a força a qual apertava o braço de Soobin, aquilo só o irritou.

— Na delegacia você liga pra alguém ir te buscar garoto, não me enche o saco.

[...]

Soobin já estava sentado naquele banco duro e gelado ao menos 2 horas, a gritaria de seu pai com a equipe de advogados que havia chegado o deixava aterrorizado e o oficial e delegado que tentavam contatar algum parente não poupavam olhares para si.

— Ele não tem nenhum parente? Ninguém?

— Aparentemente só ele e o pai.

— Um menino tão bonitinho, vai sofrer demais se for pra algum orfanato.

O delegado olhou o relógio que ficava no seu braço direito e arregalou os olhos quando viu que já se passava das 03h da manhã. Seguiu até o vestiário e retirou o seu coldre guardando o revólver 

diretamente na sua calça, devolvendo as algemas e seguindo para a recepção da delegacia.

— Vem comigo, garoto - Disse sério com um olhar neutro pra soobin.

Soobin rapidamente se levantou e foi em direção ao maior, ambos andaram em passos lentos pelo interior da delegacia até chegar no estacionamento de funcionários no qual o carro do delegado estava guardado.

— Pra onde você vai me levar? — Indagou Soobin quando viu o rapaz destravar o carro e fazer sinal para que ele entrasse.

— Pra minha casa.

Soobin entrou no veículo preto fosco um pouco apreensivo, o maior rapidamente ligou o carro e seguiu para fora da delegacia. 

— Você tem um corpo bem bonito, sabia? 


[...]

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⏰ Last updated: Nov 02, 2020 ⏰

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