O observo sua silhueta vindo atrás de mim naquela rua escura e fria de Seattle.
-Megan!! Para por favor, precisamos conversar. -Ele continua atrás de mim.
Estávamos perto de minha casa.
-Não Caleb, não temos nada para conversar e eu não preciso de suas explicações medíocres! -Sento na calçada de casa, meu rosto está inundado de lágrimas e coloco a mão no rosto.
-Eu ia te contar Meg, mas, estava com medo de te perder. Por favor, olha pra mim! -Tentou colocar a mão em meu rosto mas eu afastei. -Eu não queria fazer você chorar.
-Me diga que você mentiu pra mim, me diz! O que diabos eu fiz pra merecer isso?! -Minha voz se altera. -Você só pode estar brincando.
-Eu te amo Meg. Não faz isso. -Pude ver seus olhos verdes se encheram de lágrimas.
Aquilo me quebrou por dentro porque era raro vê-lo chorar.
-A GENTE SÓ TINHA DADO UM TEMPO CALEB, UM MALDITO TEMPO! E o que você faz?! Já sai beijando outra por aí, mostrando pra mim que sou substituível para você e como se eu fosse seu brinquedo. Nunca imaginei isso de você, tudo aquilo era uma farsa e você só acumulou mentindo para mim. -Me levantei e limpei meu rosto. -Eu te amei e ainda te amo... -Dei uma pausa.
-Não há nada que você possa dizer ou fazer.
Pude sentir que ele engoliu seco.
-Mas isso, isso não basta pra mim. -Abri a porta de casa. -Agora vai por favor... -Ele me interrompe.
-Não por favor, conversa comigo. -Ele trava a porta.
-Acabou! Ta bom, agora vai. -Fecho a porta.
Entrando na sala posso ver Amélia assistindo o Vestido Ideal do Discovery H&H, tento passar de fininho dando um hoa noite mas ela nota.
-Oi Meg, como foi com o Caleb?? -Ela desliga a tv automaticamente.
Não consigo me aguentar e derramo todas as lágrimas que tinham dentro de mim, sento naquela escada mesmo e sinto os braços de Vovó me aconchegando dizendo que tudo vai ficar bem. Ela levantou e me levou para o banheiro, disse que um banho e um bom chocolate quente ficaria melhor. Me ajudou a retirar as minhas roupas e prendeu meu cabelo. Entro no box e sinto aquela água quente caindo sobre minhas costas tirando toda minha tensão, meu choro se perdia no meio da água. Aquele banho foi o mais longo da minha vida. Coloquei meu pijama confortável, ela me deu o remédio para enxaqueca -que provavelmente eu iria ficar- e o chocolate quente. Começou a mexer no meu cabelo fazendo duas tranças embutidas, confesso que achei graça, me senti com 8 anos novamente quando ela fez pela primeira vez essa trança em mim.
-Prontinho, até que não estou ruim nisso não é mesmo? -Concordei com a cabeça. -Quer conversar sobre isso? -Pergunta.
-Não vovó, eu só quero ficar sozinha por um tempo. -Me aconchego na cama.
-Tudo bem, quando quiser estarei aqui. -Beijou-me a testa e levantou. -Ah e seu pai quer falar com você, mas vou dizer pra ele te ligar amanhã.
-Não, eu vou falar com ele. Deve ser algo do trabalho, vou distrair um pouco a cabeça. -Sorrio.
-Ok, até amanhã.
Pego o meu celular e vejo que ele me ligou umas 10 vezes (bela forma de se reconciliar), entro nas conversas do meu pai e percebi que ele queria realmente falar sobre o trabalho comigo. Então resolvo ligar pra ele.
-Alô, oi filha. Como você está? -Pergunta com a voz suavemente rouca.
-Eu estou bem, surpresa em ver o senhor acordado essa hora.
-Você nem sabe mentir, mas se quiser conversar... estou desse lado da linha. -Pude sentir um sorriso.
-Não estou muito bem, mas vou ficar. Me conta, o que houve?
-Preciso que você volte pra cá, no final do ano. -Bingo! -Faltam dois meses ainda mas, eu preciso saber se sua avó está bem para vocês morarem aqui em casa. O pessoal sente sua falta e eu também do meu braço direito.
-Claro, eu volto sim. Mas não poderia ser antes? Não quero ficar aqui. -Minha voz falha.
-É claro, pode vir no final de semana, vou estar de folga e eu mesmo faço o jantar.
-Ah que ótimo pai, vou falar com ela. Nos vemos no final de semana.
-Ok, mande notícias. Te amo filha.
-Também te amo pai.
Falei com Amélia e ela concordou, voltar para Denver será minha válvula de escape. Sem lembranças ruins da morte do vovô, sem o a presença do Caleb. Somente preocupada com o trabalho e nada mais. Passei os dias quase sem sair de casa para não dar de cara com ele e ter um constrangimento. Ajudei a empacotar as coisas e fazer o aluguel da casa, porque na verdade aquela era nossa casa de campo e muitos turistas amavam ficar por ali. Fui no aeroporto comprar nossas passagens e aproveitei e comprei umas malas novas. Antes das 5 da manhã já estava de pé e fomos para o aeroporto, faço check-in e entramos no avião. Adeus Seattle e adeus Caleb.
CITEȘTI
11 Coisas que Queria Fazer
DragosteMegan, mais conhecida como Meg, é uma garota que passa por assuntos difíceis em sua vida mesmo antes de três anos de idade, depois que sua mãe foi embora sua vida não é mais a mesma. Anos se passam e coisas trágicas ocorrem, morando ela e o pai some...
